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Uma descrição detalhada da anatomia de equinodermos e vertebrados, incluindo crinoideas, ofiuróides, asteróides, equinóides, holoturóides, lampreias, peixes ósseos e anfíbios. O texto aborda as características específicas de cada grupo, como o sistema hidrovascular, o trepang, a notocorda, o esqueleto, o mecanismo respiratório e a transição da água para a terra.
Tipologia: Esquemas
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Os Echinodermatas (gr. echinos , espinho; ouriço + derma , pele) constituem um dos filos mais facilmente reconhecíveis do Reino Animal, com aproximadamente 6.000 espécies viventes. Incluem as bem conhecidas estrelas-do-mar, ofiúros, ouriços-do-mar, bolachas-da- praia, lírios-do-mar (crinóides) e pepinos-do-mar (holotúrias) (figura 88). A diversidade dos equinodermos hoje é bem menor do que foi no Paleozóico, sobrevivendo apenas 6 das 24 classes do filo.
Figura 88 : Equinodermos representativos, como vivem no mar; todos reduzidos em tamanho.
Todos são animais grandes e nenhum é parasita ou colonial. Praticamente todos têm hábitos bentônicos e são permanentemente presos ao fundo oceânico ou se movem lentamente sobre o substrato. São peculiares entre os animais por não apresentarem cabeça; terem um esqueleto interno; suas larvas apresentarem simetria bilateral e sofrerem metamorfose para gerar animais adultos de simetria radial e, finalmente, por terem uma subdivisão interna do celoma que é usada na locomoção e na captura de alimento. Todos os equinodermos são exclusivamente marinhos, sendo comuns e abundantes em todos os oceanos do mundo. São animais de sexos separados (dióicos), sem dimorfismo sexual. A inexistência de cabeça ou plano bilateral de simetria torna os termos dorsal e ventral, anterior e posterior, lado direito e esquerdo completamente impróprios. Assim costuma-se falar em face oral (onde situa-se a boca) e aboral (face oposta à boca). Em resumo: os Equinodermatas são triblásticos , celomados , deuterostômios , apresentam simetria radial pentâmera (o corpo pode ser dividido em 5 partes organizadas em torno de um eixo central), têm esqueleto interno de origem mesodérmica e o exclusivo sistema de canais celomáticos e apêndices superficiais compondo o sistema hidrovascular ou ambulacrário.
8.1 Características Gerais
Revestimento e proteção A epiderme simples recobre o esqueleto e os espinhos (quando presentes). Os espinhos, que servem como proteção (principalmente no ouriço-do-mar), são bem alongados e às vezes providos de glândulas venenosas. Algumas espécies possuem ainda pequenas pinças (pedicelárias) que servem para defesa e para manter sempre limpa a superfície do corpo.
Sustentação e locomoção Possuem endoesqueleto de placas calcárias móveis (articuladas) ou fixas, freqüentemente com espinhos. As placas podem ser microscópicas, distribuídas pelo corpo, como nos pepinos-do-mar, ou constituir uma carapaça muito resistente, como nos ouriços- do-mar. Nestes animais, a locomoção é lenta e é feita pelos pés ambulacrários e ainda por espinhos movidos por músculos.
Sistema Hidrovascular É um sistema de canais e apêndices da parede do corpo, peculiar aos equinodermos. Como todo o sistema deriva-se do celoma, os canais são revestidos por um epitélio ciliado e são preenchidos por fluido, similar à água do mar, exceto pelo fato de conter amebócitos, proteínas e altos teores do íon potássio. O sistema hidrovascular é bem desenvolvido nos asteróides, atuando como meio de locomoção.
Nutrição e digestão O sistema digestivo é completo (figura 89), exceto nos ofiúros. As estrelas-do-mar são carnívoras e predadoras, seu alimento preferido são as ostras. Apesar da potente musculatura das ostras, as estrelas-do-mar conseguem abrir-lhe as valvas, introduzir seu estômago no interior e lançar enzimas, ocorrendo uma digestão externa. Os ouriços-do-mar alimentam-se de algas, que são trituradas pelos cinco dentes calcários, que formam uma estrutura chamada “lanterna de Aristóteles”.
Figura 89 : Filo Echinodermata. Secções esquemáticas mostrando nas cinco classes viventes as relações da boca (M), ânus (A), pés ambulacrários (T) e espinho (S). O trato digestivo delineado.
Circulação e Respiração Não possuem coração nem mesmo sistema circulatório típico. Existe, porém, um reduzido sistema de canais (canais hemais), com disposição radial, onde circula um líquido incolor contendo amebócitos. A respiração, por difusão, é realizada pelo sistema ambulacrário. Além disso, na estrela-do-mar e ouriço-do-mar existem diminutas e ramificadas brânquias dérmicas. A troca gasosa na maioria dos holoturóides (pepinos-do-mar) é realizada por meio de um sistema notável de túbulos ramificados, as árvores respiratórias. Essas localizam-se no celoma nos lados direito e esquerdo do trato digestivo principal com muitos ramos, cada um dos quais terminando numa pequena vesícula. Os troncos das duas árvores emergem da extremidade superior da cloaca. A água circula através dos túbulos por meio da ação bombeadora da cloaca e das árvores respiratórias.
Figura 90: Subclasse Crinoidea. Um crinóide sedentário simples fixo
8.2.2 Classe Echinoidea (ouriços-do-mar e bolachas-da-praia)
Os membros desta classe têm o corpo arredondado (forma: hemisférica ou ovóide, nos ouriços-do-mar e disciforme, nas bolachas-do-mar) sem braços ou raios livres, mas possuem espinhos delgados e móveis (fig. 91).
Figura 91 : Forma do corpo de alguns equinóides.
Em um ouriço-do-mar comum as vísceras estão encerradas em uma testa ou carapaça. Cinco áreas (ambúlacros), correspondem aos braços da estrela-do-mar, são perfuradas para
uma série dupla de pés ambulacrários. Nas placas há tubérculos baixos, arredondados, nos quais os espinhos se articulam. Entre os espinhos há pedicelárias, as quais mantêm o corpo limpo e capturam pequenas presas. Boca e ânus são centrais, mas em pólos opostos. Ouriços alimentam-se de plantas marinhas, matéria animal morta e pequenos organismos. Bolachas- da-praia alimentam-se de partículas orgânicas da areia ou do lodo através de ingestão direta ou por meio de rede de muco.
8.2.3 Classe Asteroidea (estrelas-do-mar)
As estrelas-do-mar abundam em quase todas as costas marinhas, especialmente em praias rochosas e ao redor de pilares de portos. Várias espécies vivem desde as linhas de maré até profundidades consideráveis na areia e no lodo. O corpo de uma estrela-do-mar consiste de um disco central e cinco raios ou braços afilados (figura 92), mas um número maior de braços é característico de muitos asteróides. A boca está no centro da superfície oral, na face inferior do disco. Em cada braço, um grande sulco estende-se radialmente a partir da boca (sulcos ambulacrários). Cada sulco contém duas ou quatro fileiras de projeções tubulares chamadas pés ambulacrários, estes são os órgãos locomotores e formam parte do sistema hidrovascular. Na ponta de cada braço há um tentáculo táctil e uma mancha ocelar, sensível a luz. Na superfície aboral há espinhos obtusos calcários, os quais são partes do esqueleto. Brânquias dérmicas pequenas e moles (chamadas de pápulas ) projetam-se da cavidade do corpo entre os espinhos para a respiração e excreção. Ao redor dos espinhos e pápulas há pedicelárias diminutas em forma de pinça, que mantém a superfície do corpo limpa e também auxiliam na captura de alimento. O ânus é uma abertura diminuta próxima ao centro da superfície aboral e nas proximidades do madreporito (placa que comunica o sistema ambulacrário ao meio externo).
Figura 92 : Subclasse Asteroidea. Estrela-do-mar, Asterias forbesi.
As estrelas-do-mar alimentam-se de moluscos, crustáceos, vermes tubícolas e de outros equinodermos. Algumas alimentam-se de matéria orgânica em suspensão. Animais pequenos e ativos, mesmo peixes, ocasionalmente podem ser capturados pelos pés ambulacrários e pedicelárias e levados à boca. Quanto à reprodução, óvulos e espermatozóides são postos na água do mar, onde ocorre a fecundação. A clivagem é rápida, total, igual e indeterminada. A larva originada possui simetria bilateral e passa por diferentes fases. Estrelas-do-mar sofrem acidentes na natureza e podem soltar um braço (autotomia) quando manuseadas rudemente, mas os braços regeneram-se prontamente.
empurrado para a boca ou de plâncton aprisionado em muco nos tentáculos. As holotúrias freqüentemente são os invertebrados dominantes nas partes mais profundas dos oceanos e muitos taxa são restritos a águas profundas.
Figura 94 : O pepino-do-mar Cucumaria frondosa.
Resumo da classificação: CLASSE EM PORTUGUÊS CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS
CRINOIDEA crinóides
alguns, fixos no fundo do mar (com tentáculos móveis); outros, flutuantes
lírios-do-mar
OPHIUROIDEA ofiuróides
livres, corpo em forma de medalha com 5 braços finos, longos e muito móveis
serpentes-do-mar
ASTEROIDEA (^) asteróides
livres, com formato de estrela (número de braços variável)
estrelas-do-mar
ECHINOIDEA equinóides
livres, semi-esféricos e alguns cobertos de espinhos grandes
ouriços-do-mar, bolachas-do-mar
HOLOTHUROIDEA holoturóides
poucos movimentos, vivendo junto às rochas no fundo da água
pepinos-do-mar
8.3 Importância para o homem
Os equinodermos são pouco usados como alimento, no entanto, habitantes da bacia do Mediterrâneo comem, assadas ou cruas, as gônodas do ouriço-do-mar. As paredes do corpo do pepino-do-mar, após serem fervidas e secas, produzem o “trepang” usado para fazer sopas. As vísceras de vários equinodermos são usadas como iscas para peixes. As estrela-do-mar podem danificar culturas comerciais de ostras e mexilhões, trazendo sérios prejuízos aos criadores. As pesquisas biológicas tem sido a maior fonte de utilidade dos equinodermos. Muitos são os ensaios experimentais sobre fecundação e desenvolvimento feitos com o ouriço-do- mar.
O filo CHORDATA (gr. chorda , cordão) é o maior filo e o ecologicamente mais significante da linha deuterostômia de evolução. Compreende alguns grupos invertebrados, bem como todos os animais vertebrados. Ocorre em todos os habitats, marinho, de água doce e terrestre. Compreende dois grupos diferentes de organismos. Os protocordados ou cordados inferiores são todos marinhos, pequenos e não têm vértebras; incluem os tunicados (Ascídias) e os anfioxos. Todos os outros cordados são vertebrados e compreendem os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.
Caracteres gerais
Os primeiros quatro caracteres gerais definem os CHORDATA, separando-os de todos os outros filos. Esses caracteres formam-se no embrião jovem de todos os cordados; eles persistem, podem ser alterados ou podem desaparecer no adulto. A notocorda é a primeira estrutura de sustentação do corpo de um cordado. No embrião jovem forma-se acima do intestino primitivo como um delgado bastonete de células contendo uma matriz gelatinosa e é envolvida por tecido conjuntivo fibroso. Constitui um bastonete flexível, todavia rígido, sobre o qual agem os músculos para efetivar a locomoção. O tubo nervoso forma-se na superfície dorsal do embrião jovem, logo após a gástrula. Uma invaginação da ectoderme produz o cordão tubular oco que se situa acima da notocorda. A extremidade anterior dilata-se e diferencia-se no encéfalo. As fendas faríngeas (às vezes referidas como fendas branquiais), pares, desenvolvem-
9.1 Os Cordados Invertebrados
9.1.1 Subfilo Urochordata (tunicados)
Os tunicados são um grupo com aproximadamente 1250 espécies de animais marinhos (exemplo: ascídia). A maioria deles é séssil quando adulto e somente a larva apresenta notocorda e tubo neural. Os adultos não apresentam segmentação nem cavidade corporal. A maioria das espécies ocorre em águas pouco profundas, mas alguns podem ser encontrados a grandes profundidades. Em alguns tunicados, os adultos são coloniais, vivendo em massas sobre o fundo oceânico. Os tunicados obtém o alimento pela ação dos cílios que se encontram em fileiras nas suas faringes. Os cílios batem formando uma corrente de água que entra na faringe e as partículas microscópicas são capturadas em uma secreção mucosa. As larvas de tunicados exibem todas as características básicas dos cordados. As larvas são transparentes e livre-natantes. A cauda contém uma notocorda de sustentação, um tubo nervoso dorsal e pares seriados de músculos segmentados laterais. A extremidade anterior apresenta três glândulas mucosas ou adesivas. O trato digestivo é completo, com boca, seguida das fendas faríngeas (ou fendas branquiais) perfuradas abrindo-se num átrio , endóstilo, intestino e ânus. Há um aparelho circulatório com vasos sangüíneos. O sistema nervoso e estruturas sensitivas incluem um “cérebro”, um gânglio do tronco, um olho mediano e um otólito. Depois de umas horas ou dias de vida livre a larva prende-se verticalmente por suas glândulas adesivas a uma rocha ou superfície dura. Segue-se uma rápida transformação (metamorfose retrógrada) na qual a maioria dos caracteres dos cordados desaparece (figura 95). A cauda é parcialmente absorvida e parcialmente perdida, a notocorda, o tubo neural e os músculos são retraídos para o corpo e absorvidos. Do sistema nervoso subsiste o gânglio do tronco. A cesta branquial aumenta, desenvolve muitas aberturas e é invadida por vasos sangüíneos. O estômago e o intestino crescem. As gônadas e ductos formam-se entre o estômago e o intestino. As glândulas adesivas desaparecem e a túnica cresce para cima para envolver totalmente o animal (figura 96).
Figura 95 : Subfilo Urochordata. Fases da metamorfose de uma ascídia solitária desde a larva livre-natante até o adulto séssil. As setas indicam a entrada e a saída das correntes de água. (Adaptada de Kolwalewsky e Herdman). A. Larav prende-se a um objeto sólido por meio de ventosas mucosas anteriores. B. Cauda reabsorvida, notocorda e tubo nervoso reduzidos. C. A notocorda desaparece, os órgãos internos começam a sofrer rotação. D. Metamorfose completa, com rotação (90 a 180 graus) dos órgãos internos e das aberturas externas; a cesta branquial aumenta, a túnica é secretada e o sistema nervosos reduz-se a um gânglio.
Figura 96 : Subfilo Urochordata Estrutura de uma ascídia solitária adulta; esquemática. A túnica, o manto e a metade superior do saco branquial foram retirados no lado esquerdo. As setas indicam a direção das correntes da água através do animal.
9.1.2 Subfilo Cephalochordata (anfioxos)
Este grupo compreende aproximadamente 30 espécies de animais semelhantes a peixes, comumente chamados de anfioxos, que habitam costas tropicais e temperadas. O anfioxo enterra-se na areia limpa e fofa de águas rasas costeiras deixando apenas a extremidade anterior para fora. De vez em quando sai para nadar por meio de rápidos movimentos laterais do corpo. São animais pequenos (até 10 cm de comprimento), cujo corpo é delgado, longo, comprimido lateralmente, afilado nas duas extremidades e não tem cabeça distinta (figura 97). Possui uma nadadeira dorsal mediana ao longo de quase todo o corpo e a nadadeira pré-anal do atrióporo ao ânus, sendo constituídas por câmaras contendo curtos raios de tecido conjuntivo. A cauda tem uma nadadeira membranosa. A boca é ventral, na extremidade anterior, o ânus fica perto da base da nadadeira caudal e o atrióporo é uma abertura adicional na frente do ânus.
Figura 97 : Subfilo Cephalocordata. Anfioxo ( Branchiostoma ). Adulto parcialmente dissecado no lado esquerdo. Tamanho natural cerca de 5 cm de comprimento.
O tegumento é uma epiderme mole. A notocorda , que acompanha todo o comprimento do corpo, é o principal elemento de sustentação. Ao longo de cada lado do
através de um sistema fechado de artérias, capilares e veias, sendo o fluxo no lado ventral para frente e na parte dorsal para trás; o plasma sangüíneo contém tanto glóbulos brancos como vermelhos, estes com hemoglobina como pigmento respiratório; um sistema de vasos linfáticos é presente.
¾ A respiração das formas inferiores é feita por brânquias pares; espécies terrestres apresentam pulmões desenvolvidos. O pulmão é uma câmara revestida internamente por epitélio úmido, sob o qual há uma rede de capilares sangüíneos, o que permite o aproveitamento do ar atmosférico.
¾ Os órgãos excretores pares ou rins descarregam através de ductos que se abrem perto ou através do ânus. Os rins compõe-se em geral de uma massa de celomoductos que se abrem num ducto coletor. Os rins de todos, exceto em peixes e salamandras, são curtos e localizam-se posteriormente; nesses dois grupos estendem-se ao longo de quase toda a cavidade do corpo. Os rins dos ciclóstomos e anfíbios (vertebrados inferiores) e os embrionários dos grupos superiores desenvolvem-se segmentariamente, um par por segmento do corpo (pronefro, mesonefro); alguns dos túbulos têm nefróstomas abertos para o celoma, assemelhando-se assim aos nefrídios das minhocas. Os rins adultos (metanefros) dos répteis, aves e mamíferos não são segmentares e drenam excretas unicamente do sangue. De cada rim, qualquer que seja seu tipo, parte um ducto coletor comum, o ureter, que conduz as excretas para trás. Nos anfíbios, répteis e aves, os dois ureteres desembocam na cloaca, a qual se liga a uma bexiga urinária nos anfíbios e alguns répteis. A excreção é líquida, exceto nos répteis e aves, que têm excretas semi-sólidas (ácido úrico), eliminadas juntamente com as fezes.
¾ Sistema Nervoso. Em todos os vertebrados, o sistema nervoso origina-se, embrionariamente, de modo semelhante e é sempre único, tubular e dorsal ao tubo digestivo. O encéfalo diferencia-se estrutural e funcionalmente em regiões; os hemisférios cerebrais e o cerebelo aumentam, especialmente nas formas superiores; há 10 ou 12 pares de nervos cranianos na cabeça, que servem tanto para funções motoras como para funções sensitivas, incluindo os órgãos pares de sentidos especiais (olfato, visão, audição e equilíbrio). Da medula parte um par de nervos espinais para cada somito primitivo do corpo e um sistema nervoso autônomo regula funções involuntárias de órgãos internos.
¾ Uma série de glândulas endócrinas (tireóide, hipófise, etc.) produz secreções internas ou hormônios transportados pelo sangue, que regulam processos do corpo, crescimento e reprodução.
¾ Os sexos são separados e cada um tem um par de gônadas que descarregam as células sexuais através de ductos que se abrem perto do ânus ou cloaca.
¾ Um celoma perivisceral bem desenvolvido está presente.
9.2.1 Superclassse Pisces
Por conveniência, as 4 classes conhecidas de peixes e vertebrados semelhantes a peixes serão consideradas em conjunto. São elas:
Na realidade, há mais peixes no mundo do que animais de qualquer outro grupo de
vertebrados, tanto em termos individuais, como em número de espécies. O total supera o número de todos os grupos de vertebrados juntos. Como grupo, os peixes apresentam tamanhos bem variados. O maior é o tubarão- baleia ( Rhineodon typus ) que pode atingir mais de 15 metros de comprimento, sendo que o menor ( Pandaka pygmea ) mede pouco mais de 8 mm de comprimento. A maioria das espécies encontra-se no mar, mas há muitas espécies encontradas em água doce. Os peixes podem suportar temperaturas extremas, como por exemplo as espécies que vivem em fontes termais, onde a água pode atingir mais de 42o^ C. Contudo numa mesma espécie o limite de tolerância é, geralmente, muito restrito. Os peixes são ectotérmicos , com isso queremos dizer que a temperatura de seu corpo depende da do ambiente e, consequentemente, é bem próxima da temperatura deste.
a) Os Agnatha Classes Cyclostomata (Ciclóstomos, do gr. cyclos , circular; stoma , boca) e Ostracodermi (extintos)
Os agnatas eram abundantes nos mares de eras geológicas passadas, mas na fauna atual estão representados por apenas dois grupos: o das lampreias (com 30 espécies) e o das feiticeiras (com 20 espécies). As lampréias são principalmente ectoparasitas de peixes e de baleias. Ocorrem tanto no mar como na água doce de regiões temperadas. A boca é ampla, com numerosos dentes córneos que elas usam para se fixar na pele dos outros animais. A língua também apresenta dentículos córneos, usados para dilacerar a pele da vítima. São dióicos e a fecundação é externa. Após a eliminação dos gametas, os adultos morrem. Do ovo surge uma larva, que vive enterrada em detritos e lodo de riachos calmos, filtrando partículas de alimentos na água. Vivem cerca de 3 a 7 anos, sofrem metamorfose e originam o adulto. As feiticeiras são exclusivamente marinhas e vivem a mais de 25 metros de profundidade nos oceanos. São carnívoras, alimentando-se principalmente de pequenos poliquetos e peixes moribundos. Sua boca, rodeada por 6 tentáculos, é reduzida, com dentes pequenos usados para arrancar pedaços do corpo da presa. Esses animais são hermafroditas, mas geralmente só o ovário ou só o testículo é funcional no indivíduo. Dos ovos eclodem indivíduos jovens, sendo o desenvolvimento direto. Nos agnatas, as fendas branquiais abrem-se diretamente para fora do corpo, ao contrário do que ocorre nos protocordados. Além disso, existem brânquias nessa região, a qual assume um papel meramente respiratório, enquanto nos protocordados a região das fendas branquiais se relacionava também alimentação.
Caracteres gerais
¾ Corpo longo, delgado e cilíndrico, com a região da cauda comprimida; nadadeiras medianas sustentadas por raios cartilaginosos; pele mole e lisa, com muitas glândulas mucosas unicelulares; escamas, mandíbulas e nadadeiras pares ausentes.
¾ Boca ântero-inferior, sugadora em lampreias e protrátil e mordedora em peixes-bruxa; órgãos olfativos pares, mas com uma abertura mediana no focinho.
¾ Crânio e arcos viscerais cartilaginosos; notocorda persistente; vértebras representadas por pequenos arcos neurais imperfeitos sobre a notocorda.
¾ Coração com 2 câmaras, aurícula e ventrículo; múltiplos corações no peixe-bruxa.
¾ Brânquias em bolsas saculiformes laterais da faringe, 7 nas lampreias, 5 a 16 nos peixes- bruxa (figura 98).
estavam restritos à filtração, à sucção do alimento ou a captura de pequenos invertebrados. A maior vantagem competitiva sobre os agnatas levou esses últimos quase à extinção_._ A região das fendas branquiais tem como elementos esqueléticos de sustentação os arcos branquiais. A mandíbula originou-se de uma modificação no primeiro arco branquial, sendo que a parte superior do arco deu origem à maxila , que fica em contato como crânio, e a parte inferior originou a mandíbula. O segundo arco branquial, denominado arco hióide , passou a sustentar a mandíbula e mantê-la unida ao crânio. Os arcos branquiais restantes continuaram com sua função original de sustentação das brânquias. O hábito predador, derivado do surgimento das mandíbulas, veio associado a muitas modificações no corpo desses animais, tornando-os ativos e ágeis nadadores.
O surgimento das nadadeiras pares
As nadadeiras pares foram a segunda importante inovação importante, porque proporcionaram aos vertebrados a uma natação direcionada, precisa e controlada, já que atuam como estabilizadores, aplicando forças sobre a coluna d’água.
b) Classe Chondrichthyes: peixes cartilaginosos
Os tubarões, raias e quimeras da Classe CHONDRICHTHYES (gr. chondros , cartilagem
Figura 100 : Classe Chondrichthyes. A. Cação ( Squalus acanthias ). B. Raia (R aja ). C. Quimera ( Chimaera colliei ).
Caracteres gerais
¾ Pele rija, coberta de pequenas escamas placóides [cobertas de esmalte (figura 101)] e apresentando muitas glândulas mucosas; tanto nadadeiras medianas como pares presentes, todas sustentadas por raios; nadadeiras pélvicas com clásperes nos machos;
nadadeira caudal heterocerca (lobo superior é maior que o inferior).
Figura 101 : Escamas placóides (ampliadas). A. Pele com escamas em vista superficial. B. Secção mediana através de uma escama.
¾ Boca ventral, com dentes cobertos de esmalte; 2 narinas não comunicadas com a cavidade bucal; tanto mandíbula, como maxila presentes; intestino com válvula espiral (para aumentar a superfície de absorção).
¾ Esqueleto cartilaginoso, sem ossos verdadeiros; crânio unido a cápsulas sensitivas pares; notocorda persistente; muitas vértebras, completas e separadas, cinturas peitoral e pélvica presentes.
¾ Coração com 2 câmaras (1 aurícula e 1 ventrículo), com seio venoso e cone arterial, contém apenas sangue venoso; diversos pares de arcos aórticos; algumas veias expandidas em seios; glóbulos vermelhos nucleados e ovais.
¾ Respiração por brânquias presas às paredes opostas de cinco a sete pares de bolsas branquiais, tendo cada bolsa uma abertura independente em forma de fenda; sem bexiga natatória.
¾ Dez pares de nervos cranianos; cada “ouvido” com três canais semicirculares.
¾ Excreção por meio de rins mesonéfricos, o principal produto de excreção nitrogenada é a uréia.
¾ Temperatura do corpo variável (ectotérmicos).
¾ Sexos separados; gônadas tipicamente pares; ductos reprodutores abrem-se na cloaca; fecundação interna; ovíparos ou ovovivíparos; ovos grandes, com muito vitelo, segmentação meroblástica; sem membranas embrionárias; desenvolvimento direto, sem metamorfose.
O tamanho destes animais é muito variável. Cações ( Squalus ) medem até 90 cm de comprimento e a maioria dos tubarões não atinge 2,5 metros de comprimento, mas o grande anequim ( Carcharodon carcharias ) cresce até 6 metros e Cetorhinus maximus até 12 metros; o tubarão-baleia ( Rhincodon typus ) atinge 18 metros. São os maiores vertebrados viventes com exceção das baleias. A maioria das raias tem de 30 a 90 cm de comprimento, mas a maior jamanta ( Manta birostris ) mede até 5 metros de comprimento e 6 metros de envergadura. As quimeras têm menos de 1 m de comprimento.
potenciais elétricos do tecido onde estão alojadas e o existente no meio externo circundante. A célula receptora primitiva é uma modificação das células mecanorreceptoras da linha lateral. Os elasmobrânquios usam esta sensibilidade elétrica para detectar presas, e possivelmente para orientar sua natação.
Figura 103 : Disposição das ampolas de Lorenzini na cabeça do tubarão. Os círculos abertos representam os poros superficiais.
A maioria dos tubarões e raias é marinha, mas alguns vivem em rios ou lagos tropicais. Tubarões são encontrados em águas abertas e raias no fundo, mas a jamanta e outras grandes raias nadam perto da superfície. Alguns tubarões ficam deitados no fundo e são principalmente predadores. São nadadores ativos e geralmente se alimentam no meio de cardumes de peixes. As espécies menores também comem lulas e crustáceos enquanto algumas das formas maiores podem capturar focas ou leões-marinhos. Os tubarões-baleia alimentam-se de plâncton. As raias comem diversos invertebrados. As raias elétricas atordoam sua presa com choques elétricos. Os espinhos cobertos de veneno das raias-de- espinho são usados como defesa.
c) Classe Osteichthyes: peixes ósseos
Os peixes ósseos têm esqueleto ósseo, são cobertos com escamas dérmicas, geralmente tem corpo fusiforme, nadam por meio das nadadeiras e a maioria respira por brânquias (figura 104). O grupo dos osteícties é o maior entre todos os grupos de vertebrados, totalizando cerca de 21 mil espécies. Estão presentes em todos os tipos de água, doce, salobra, salgada, quente ou fria, desde a superfície até cerca de 9 mil metros de profundidade.
Caracteres gerais
¾ Pele com muitas glândulas mucosas, geralmente com escamas de origem mesodérmica ( ciclóides, ctenóides , às vezes ganóides ; figura 105); alguns sem escamas; alguns com escamas revestidas com esmalte; nadadeiras medianas e pares presentes (com algumas exceções), sustentadas por raios cartilaginosos ou ósseos.
¾ Boca geralmente terminal e com dentes, maxilas e mandíbulas bem desenvolvidas, articuladas com o crânio; 2 bolsas olfativas dorsais, geralmente não comunicadas com a cavidade bucal; olhos grandes, sem pálpebras.
¾ Esqueleto principalmente ósseo (cartilagem em esturjões e alguns outros); muitas vértebras, distintas; cauda geralmente homocerca (lobos são simétricos) nas formas avançadas (figura 106); restos de notocorda freqüentemente persistem.
Figura 104 : Peixes ósseos representativos (Classe Osteichthyes), com diferentes formas do corpo. A. Bonito ( Scomber ), hidrodinâmico e nadador rápido. B. peixe-cofre ( Ostracion ), corpo rígido, somente nadadeiras móveis. C. Peixe-lua ( Mola ), enorme, comprimido lateralmente. D. Baiacu ( Chilomycterus ), corpo espinhoso, inchado, nada-deiras pequenas. E. Cavalo-marinho ( Hippocampus ), nada em posição ereta por meio de pequena nadadeira dorsal, cauda preênsil.. F. Enguia ( Anguilla ), longa e altamente flexível.
Figura 105 : Escamas de peixes ósseos, ampliadas. A. Ctenóide (com finos dentes). B. Ciclóide. C, D. ganóide (Lepidosteus) em vista superficial e secção vertical.
¾ Coração com 2 câmaras (1 aurícula, 1 ventrículo) com seio venoso e cone arterial, contendo apenas sangue venoso; 4 pares de arcos aórticos; glóbulos vermelhos nucleados e ovais.
¾ Respiração por pares de brânquias em arcos branquiais ósseos dentro de uma câmara comum em cada lado da faringe, cobertas por opérculo (figura 106a e 107); geralmente