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EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Tipologia: Notas de estudo
1 / 136
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Não perca as partes importantes!





























































































PROBIO
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva Vice-Presidente: José Alencar Gomes da Silva
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE Ministra: Marina Silva Secretário-Executivo: Cláudio Roberto Bertoldo Langone
SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS Secretário: João Paulo Ribeiro Capobianco Diretor do Programa Nacional de Conservação da Biodiversidade: Paulo Yoshio Kageyama Gerente de Conservação da Biodiversidade: Braulio Ferreira de Souza Dias
PROBIO -Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira Gerente: Daniela A. Suarez de Oliveira
Projeto gráfico: Daniel Moutinho Atala Neto, Marília de Campos Moreira
Layout e Diagramação: Daniel Moutinho Atala Neto, José Bruno de Lima Bernardes
Ilustração: José Bruno de Lima Bernardes
Ministério do Meio Ambiente – MMA Centro de Informação de Documentação Luis Eduardo Magalhães – CID ambiental Esplanada dos Ministérios – bloco B – térreo 70068-900, Brasília-DF Tel: 55-61-3317-1235, Fax: 55-61-3224- e-mail: [email protected]
Educação Ambiental PROBIO: (cooordenador): Carlos Hiroo Saito. Brasília: Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília/MMA, 2006 (Inclui 90 lâminas de portifólio e um jogo educativo de tabuleiro). 136p.
Agradecimentos – i
Acompanhamento/Supervisão – ii
Equipe de Desenvolvimento do Subprojeto - iii
Instituição coordenadora e Instituições parceiras - iv
Introdução - 1
Fundamentos Teórico-Metodológicos do Trabalho - 3
Os materiais (portifólios e jogo educativo de tabuleiro) – 13
Bioma Ambientes Costeiros e Marinhos - 23
Bioma Campos Sulinos - 37
Bioma Mata Atlântica - 49
Bioma Caatinga - 61
Bioma Cerrado - 75
Bioma Pantanal - 87
Bioma Amazônia - 99
Temas Especiais - 111
Considerações Finais - 125
Alexandre Amaral (Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ) Alexandre Krob (Projeto Curicaca) Amaury da Motta Sena (Estação Ecológica do Taim – RS) Ana Luiza Rios Caldas Anah Jacomo (Fundo para a Conservação da Onça-Pintada) André Jean Deberdt (Coordenação de Fauna – Ibama) André Thuronyi (Araras Eco Lodge) Andréa Aguiar Azevedo (FACSUL/ CESUR e ARPA) Bárbara Duarte (Desenho Industrial - UnB) Bergman Moraes Ribeiro (UnB) Bruno Barbosa (Divisão de Fiscalização do Acesso ao Patrimônio Genético - Ibama) Bruno Filizola (PROBEM – SDS – MMA) Carla V. L. Crivellaro (NEMA) Cícero Cardoso Augusto (Instituto Socioambiental – ISA) Claudia Petry (UFP) Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí
Equipe Técnica do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas – Cecav, Ibama Ercilia Torres Steinke (UnB) Fábia de Oliveira Luna, MSc. (Projeto Peixe-Boi Amazônico – Ibama) Fabiano Peppes (Projeto Albatroz) Fátima A. Sonoda (Ecotrópica) Flavia Tonioli (Instituto Recifes Costeiros - Reef Check Brasil) Fundação O Boticário de Proteção à Natureza Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul Gabriel Rocha Sagrera Gilson Teixeira Gonçalves, MSc. (NEMA) Grupo Ambientalista de Pindobaçu (GAP – BA) Grupo de Voluntários de Apoio ao Taim (GVAT – RS) Grupo Ecológico Serra Verde (Jacobina
- BA) Haroldo Pallo Junior (SESC Pantanal) Heinrich Hasenack (UFRGS) Heloisa Sinátora Miranda (UnB) Henrique Horn Ilha (Parque Nacional Marinho de Abrolhos) Ierecê Maria de Lucena Rosa (UFPB) Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró- Carnívoros Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade (IDEAAS) Iury Accordi (PPG Ecologia - UFRGS) Jaime Martinez (Projeto Papagaio- Charão)
Jaime R. Amaral, Téc. Agrícola (NEMA) João de Melo (EMATER – MT) João Marcelo Camargo (Instituto Recifes Costeiros) João Menegheti (UFRGS) Joaquim S. Neto (Projeto Arara Azul de Lear - CEMAVE – Ibama) Jonathan Normand José Claudio Lourega Reis (EMATER Giruá – RS) José Elói Guimarães Campos (UnB) Joseli Léon da Rosa, Produtor Rural (NEMA) Juliana Gonçalves (Macaco Guariba - CPB – Ibama) Juliano Morales de Oliveira (PPG Ecologia - UFRGS) Keila Elizabeth Macfadem Juarez (Coordenação de Fauna – Ibama ) Kilma Manso Kleber Grübel da Silva (NEMA) Kolbe Wombral Soares (Parque Nacional Grande Sertão Veredas
- Ibama) Larissa Winkler (Fundacep - RS) Leandro Castello Lenora de Castro Barbo (Câmara Legislativa do Distrito Federal) Leonardo Tortorielo Messias (Instituto Recifes Costeiros) Lívia Vanucci Lins (Programa Pato- Mergulhão - Instituto Terra Brasilis) Luís Fábio Silveira (USP) Luis Fernando Molina (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) Luíz Guilherme Marins Sá (PPG Ecologia - UFRGS) Luiz Henrique Fonseca Ribeiro
ACOMPANHAMENTO/SUPERVISÃO
PROBIO/MMA: Cilulia Maria Maury Diretoria de Educação Ambiental/MMA: Marcos Sorrentino Coordenação Geral de Educação Ambiental/MEC: Rachel Trajber
Marcela Saldanha (Associação Caatinga) Marcelo Lima Reis (Diretoria de Fauna e Recursos Pesqueiros - Ibama) Marcelo Marcelino (CPB – Ibama) Marcia Brambilla (Fundação Neotrópica do Brasil) Marcia Engel (Instituto Baleia Jubarte) Marcos Amend (RDS – Mamirauá) Maria Fernanda N. Ferreira (UnB) Maria Isabel da Silva Magalhães (Estação Ecológica de Águas Emendadas - DF) Marilia Viviane Snel-Oliveira (UPIS) Marilise Mendonça Krügel (Unijuí - RS) Mario Barroso Ramos Neto (CI – Brasil) Mario Bitt-Monteiro (Núcleo de Fotografia - FABICO UFRGS) Mariza Corrêa da Silva (CI – Brasil) Mauro Henrique de Miranda Siqueira (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) Mauro Maida (UFPE) Michèlle Sato (UFMT) Michelliny Bentes-Gama (Embrapa
- Rondônia) Miriam Marmotel (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) Mônica Martins de Melo _(PROBEM – SDS
Muna Ahmad Yousef (Estação Ecológica de Águas Emendadas - DF) Nêmora Pauletti (Projeto Papagaio-Charão) Núcleo Amigos da Terra Brasil Otávio Bernardes (Associação Brasileira de Criadores de Búfalos) Parque Estadual de Sete Passagem - Miguel Calmon – BA Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Ibama) Patrícia Zerlotti (ONG ECOA) Paulo André Lima Borges Philipp Stumpe (APREMAVI) Priscilla Angonesi (Projeto Muriqui – ES) Programa de Prevenção e Controle de Queimadas e Incêndios Florestais na Amazônia Lega l (Proarco – Ibama) Projeto Gente – Grito Silencioso da Mata Projeto Recifes Costeiros Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres - RENCTAS Renato Borges de Medeiros (UFRGS) Renato V. Carvalho (NEMA) Ricardo Fernandes Rafael (Agência Ambiental de Goiás – Gerência de Comunicação) Ricardo Garla (Projeto Tubarões – Fernando de Noronha – PE)
Rose Mary Paes de Araújo (FNMA) Salvatore Siciliano Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul Semiramis Pedrosa de Almeida (Embrapa Cerrado) Sérgio Lucena Mendes (IPEMA) Sergio Vinhaes (Projeto TAMAR – Ibama) Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo – Ibama) Tatiana Neves (Projeto Albatroz) Tatiana Walter ( ELPN – Ibama) Telmo Focht (PPG Ecologia - UFRGS) Teresa Urban Ubiratan Piovezan (Embrapa Pantanal) Valério de Patta Pillar (UFRGS) Vera da Silva Vitor de Oliveira Lunardi (UNEMAT) Viviane Junqueira (CI – Brasil) Wagner Duarte José (UESC) Wagner Fischer (Coordenação de Fauna – Ibama) Walfrido Moraes Tomas (Embrapa Pantanal) Yara de Melo Barros (Coordenação de Proteção de Espécies da Fauna - Ibama)
INSTITUIÇÃO COORDENADORA
Universidade de Brasília (UnB) Departamento de Ecologia Campus Universitário, Asa Norte. Brasília – DF. C.P. 04457. CEP: 70904-
INSTITUIÇÕES PARCEIRAS
Universidade de São Paulo (USP) Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) Campus São Carlos Rua Nove de Julho nº 1227, Centro. São Carlos – SP. CEP: 13560-
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Centro de Tecnologia e Geociências Departamento de Oceanografia. Cidade Universitária. Recife – PE. CEP: 50670-
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Departamento de Geografia Av. Fernando Correia s/n, Cidade Universitária. Cuiabá – MT. CEP: 78.100-
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Campus Universitário, Camobi. Santa Maria - RS. CEP: 97119-
Universidade Estadual da Bahia (UNEB) Departamento de Ciências Humanas – Campus IV Rua J. J. Seabra nº 158, Estação. Jacobina – BA. CEP: 44700-
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Centro de Sensoriamento Remoto – Projeto Lagoa Mirim. SCEN Trecho 2, Edifício Sede do Ibama, Bloco E. Brasília – DF. CEP: 70818-
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Amazônia Oriental) Travessa Dr. Enéias Pinheiro s/n, Marco. Belém – PA. C.P.: 48, CEP: 66045-
Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) Rua Praia de Iparana s/n, SESC Iparana. Caucaia – CE. CEP: 61600-
Instituto Baleia Jubarte (IBJ) Rua Sete de Setembro nº 178, Centro. Caravelas – BA. CEP: 45900-
O presente trabalho, resultado do subprojeto “Educação Ambiental PROBIO - elaboração de material educativo sobre Biodiversidade Brasileira, Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, Fragmentação de Ecossistemas, Biomas Brasileiros, Unidades de Conservação, Espécies Invasoras” , é produto do esforço da equipe para a produção de um conjunto articulado de material didático impresso sobre a conservação da biodiversidade brasileira, que integre os biomas brasileiros, as espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção (constantes da lista oficial), a problemática da fragmentação de ecossistemas e das espécies exóticas invasoras e a necessidade das Unidades de Conservação da Natureza, conforme os temas considerados prioritários pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira ( PROBIO ).
O material didático consta de: 45 pares de portifólios com foto na frente e texto no verso (seis de cada bioma mais três temas especiais), um jogo educativo de tabuleiro e um livro do professor. Cada par de portifólios contém fotos na frente e texto no verso, e aborda os temas do PROBIO em cada um dos biomas brasileiros, segundo o binômio conflitos socioambientais (problemas ou situações-problema) e ações positivas (soluções existentes). É o elemento principal do material. O jogo educativo de tabuleiro está integrado aos portifólios e visa complementar, de forma lúdica, a aprendizagem por alunos e professores.
O livro do professor explica ao professor conceitos-chave presentes nos portifólios e no jogo educativo de tabuleiro, e orienta-o sobre como conduzir a aula, incluindo sugestões adicionais de atividades para serem desenvolvidas com os alunos, dentro e fora da escola. Ele está organizado em capítulos, trazendo a fundamentação teórico-metodológica por trás do trabalho produzido, orientações sobre como utilizar os portifólios, e os elementos educacionais e científico-tecnológicos presentes no jogo educativo de tabuleiro, além de capítulos específicos por biomas, aprofundando o conteúdo conceitual do conjunto de seus portifólios e a presença dos temas do PROBIO, assim como os temas especiais. Em cada capítulo apresenta- se notas laterais, com informações complementares, glossário (destacando-se em negrito no texto e na nota lateral o termo científico-tecnológico a ser explicado), questão para reflexão (identificada com a presença de um ponto de interrogação ao fundo) e conclusão (identificada com a presença de um ponto de exclamação ao fundo). Indicações de leitura adicional e sugestões de atividades educacionais também são oferecidas.
O PROBIO foi estruturado com o objetivo de auxiliar o Governo do Brasil no desenvolvimento do Programa Nacional da Biodiversidade (PRONABIO), através do estímulo a subprojetos demonstrativos, à geração e divulgação de conhecimentos e informações sobre biodiversidade, à identificação de ações prioritárias e à facilitação de parcerias entre os setores público e privado.
Introdução
Este material didático traz em sua concepção uma organização que expressa uma base teórico-metodológica que justifica seu modo de ser. Foi concebido seguindo uma intencionalidade, buscando alcançar determinados objetivos. Pretende-se, neste capítulo, apresentar ao professor essa fundamentação teórico-metodológica, de forma que possa compreender melhor o significado pedagógico do material.
Introdução
A nossa Constituição Federal afirma que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo este um bem de uso comum do povo e essencial para uma qualidade de vida saudável. Impõem-se, ao Poder Público e à coletividade, o dever de defendê-lo e de preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
A diversidade biológica (ou biodiversidade) está diretamente relacionada com a manutenção desse meio ambiente equilibrado do ponto de vista ecológico. Para alcançar este objetivo, além da organização do poder público para orientar, legislar e fiscalizar as ações que possam impactar o meio ambiente, é preciso que haja um movimento de conscientização de toda a sociedade e a escolaridade tem papel fundamental neste processo.
Política Nacional da Biodiversidade
Os princípios fundamentais da Política Nacional da Biodiversidade afirmam que a diversidade biológica tem valor intrínseco e merece respeito, independente do seu valor para o ser humano ou seu potencial de uso; e que a manutenção da diversidade cultural nacional é fundamental para a existência da pluralidade de valores na sociedade em relação à biodiversidade, sendo que os povos indígenas, os quilombolas e as outras comunidades locais desempenham um papel essencial para a conservação e utilização sustentável da biodiversidade brasileira.
Tratar da temática da diversidade biológica, ou biodiversidade na educação, significa que foram consideradas tanto as diretrizes e a legislação na área da conservação da biodiversidade, quanto da educação ambiental, identificando seus princípios fundamentais e organizando-os para a produção deste material didático.
Política Nacional da Biodiversidade: foi instituída pelo Decreto nº 4.339, de 22 de agosto de 2002, cujos princípios e diretrizes derivam daqueles estabelecidos na Convenção sobre Diversidade Biológica e na Declaração do Rio, ambas de 1992.
Fundamentos
Teórico-Metodológicos
do Trabalho
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E se o assunto é manutenção da diversidade, biológica e cultural, não é possível aceitar que a má distribuição de renda e acesso desigual ao saber escolar se manifestem como desigualdade e permaneçam gerando injustiças. Por isso, na Política Nacional da Biodiversidade está dito claramente que a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade devem contribuir para o desenvolvimento socioeconômico, para a erradicação da pobreza e também que as ações de gestão da biodiversidade devem ter caráter integrado, descentralizado e participativo, permitindo que todos os setores da sociedade brasileira tenham, efetivamente, acesso aos benefícios gerados por sua utilização.
Política Nacional da Educação Ambiental
A valorização da busca pela eqüidade e participação sociais na conservação da biodiversidade soma-se aos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental , que em seu artigo 5o, IV, prescreve o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. Isso se relaciona com “o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social” (Artigo 5o, Inciso III) e a “construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundamentada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade” (Artigo 5o, Inciso V).
Na mesma lei, no Artigo 3o, VI, é dito que cabe à sociedade, como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais. O conhecimento assume grande valor neste momento, defendendo-se porém o “desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente, em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos” (artigo 5o, inciso I), combatendo uma visão unilateral do meio ambiente e restrita a uma única disciplina escolar. Em suma, estes dispositivos destacados na Política Nacional de Educação Ambiental chamam a atenção para o papel do conhecimento como motivador de mudanças de atitude.
O material didático produzido atendeu a estes princípios. Espera-se que inserido no ambiente escolar, contribua para a construção de uma cidadania crítica, que permita aos alunos e professores compreender as articulações entre as esferas local, regional e nacional, as interdependências entre ambiente e sociedade, e desenvolver o respeito pela riqueza, diversidade e pluralidade cultural.
Quando se fala da biodiversidade, fala-se também da diversidade cultural e, portanto, é preciso falar da diversidade, em múltiplos sentidos.
Política Nacional de Educação Ambiental: foi instituída pela Lei 9.795, de 27 de abril de 1999.
Que o conhecimento não sirva apenas à contemplação, mas também ao desenvolvimento pessoal e coletivo pró-ativo, engajado e responsável.
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Conhecimentos científico-tecnológico e popular: a proteção da biodiversidade deve apoiar-se no conhecimento científico-tecnológico, resultado das pesquisas desenvolvidas pelas Universidades e Centros de Pesquisa, bem como no conhecimento popular e tradicional, representado pelo saber acumulado por comunidades caiçaras, quilombolas, indígenas, entre outros. Os estudos em etnoecologia foram resgatados e incorporados ao material didático, como parte do necessário diálogo intercultural.
Empowerment e instrumentalização científico-tecnológica de comunidades: o conhecimento deve instrumentalizar as pessoas para seu repensar e seu refazer cotidiano, contribuindo para promover o empowerment sócio-comunitário. Familiarizar-se com a legislação ambiental em vigor, bem como os compromissos internacionais (tratados e acordos), é fundamental no processo. O material didático procura ajudar a responder a seguinte pergunta: os alunos, os professores e a comunidade, individual e coletivamente, podem contribuir para fortalecer processos organizativos locais voltados para a proteção ambiental da biodiversidade e reforçar ações positivas em curso?
Identidade e integração entre os portifólios, o livro do professor e o jogo
O conjunto de portifólios tem 45 pares de folhas que trazem uma ilustração na frente e um texto sobre as situações retratadas no verso. Tendo em vista que as turmas de alunos no ensino fundamental, sobretudo em escolas públicas, podem chegar a 45 alunos, e como o portifólio é um material didático visual avulso, é interessante ter um exemplar do par para cada aluno manusear.
Todos os temas, bem como todos os biomas, são abordados nos portifólios. Um portifólio trata dos conflitos socioambientais, envolvendo cada um dos temas nos diversos biomas. O seu par trata das ações positivas (soluções) existentes atualmente, dentro do mesmo fenômeno ou fato ambiental abordado no primeiro portifólio (problemáticas e conflitos socioambientais). Portanto, para cada assunto (fenômeno ou fato ambiental), apresenta-se os conflitos socioambientais (o problema ou situações-problema) e as ações positivas (soluções existentes).
Desta forma, os dois portifólios funcionam de maneira integrada, e podem ser explorados didaticamente nestes termos – i) problematização inicial, e ii) reflexão, busca de informações e identificação da resolução do problema (privilegiando o estudo da realidade concreta).
Esses portifólios, por sua vez, são componentes essenciais do jogo educativo de tabuleiro. Uma vez que o jogo é baseado nos portifólios e tem, como finalidade
Etnoecologia: integra natureza, produção e cultura, para estabelecer uma avaliação das atividades práticas e as explicações sobre elas que os grupos humanos tradicionais realizam ao interagir com o meio ambiente e a biodiversidade.
A aquisição de conhecimento acerca da biodiversidade não deve privilegiar apenas a contemplação, mas o engajamento pró- ativo na busca de soluções coletivas.
Você conhece algumas de nossas leis ambientais? Lei de Crimes Ambientais, Lei de Ação Civil Pública, Código Florestal, Política Nacional de Recursos Hídricos, Sistema Nacional de Unidades de Conservação?
Espera-se que os portifólios não sejam objetos paradidáticos, apenas para consultas adicionais. Mas, ao invés disto, que se tornem ferramentas do trabalho escolar para o diálogo- problematizador nas aulas.
Fundamentos teórico-metodológicos
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educacional, a aprendizagem dos conceitos-chave ambientais, não pode ser tratado como atividade extra-classe ou como mero entretenimento, sem a condução adequada pelo professor.
O livro do professor também está vinculado a estes dois elementos (portifólios e jogo educativo de tabuleiro), pois além de explicar conceitos-chave do material, orienta como a aula pode ser conduzida pelo professor, incluindo sugestões adicionais de atividades para serem desenvolvidas com os alunos, dentro e fora da escola.
Como se pode observar, o material constitui um conjunto articulado e, portanto, compõem uma unidade. Por isso, se buscou uma identidade própria para o projeto, que aparece na sua logomarca, no formato das lâminas do portifólio, na abertura dos capítulos do livro e no tabuleiro do jogo. Para manter esta identidade visual, as lâminas de portifólio também têm o formato de peça de quebra-cabeças, para que não sejam vistos, quando soltos, apenas como um pôster. Além disso, tal formato permite o encaixe com os outros portifólios, de forma a obter-se uma visão de conjunto, seja por temas ou biomas.
Abrangência nacional em termos dos biomas
O material didático tem abrangência nacional, do ponto de vista dos biomas, de forma que para cada tema do PROBIO foram desenvolvidas problematizações contextualizadas com exemplos ilustrados locais/regionais, específicos de cada bioma. O Brasil foi dividido em sete biomas (Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal, Campos Sulinos, Cerrado, e Ambientes Costeiros e Marinhos), que correspondem à divisão feita nas oficinas de trabalho de áreas prioritárias para a Conservação da Biodiversidade realizados, apenas desmembrando Cerrado e Pantanal, e Mata Atlântica de Campos Sulinos, que haviam sido agrupados nessas oficinas de trabalho.
Figura 1. Mapa de Vegetação
Os portifólios e o jogo educativo de tabuleiro devem ser inseridos no planejamento pedagógico como materiais didáticos essenciais para o trabalho curricular- transversal.
O quebra-cabeça foi escolhido porque dá a idéia de uma totalidade fragmentada em múltiplas peças, correspondendo aos portifólios. isso sugere que esses fragmentos ou peças do quebra-cabeça só façam sentido se unidos aos outros, no mínimo ao seu par (conflito socioambiental/ ação positiva).
Oficinas de trabalho: neste material, optou- se por utilizar esta expressão para designar os workshops ou reuniões de trabalho, por orientação do Ministério do Meio Ambiente.
Os biomas brasileiros apresentam diferenças marcantes em extensão territorial, vulnerabilidade e perdas de cobertura vegetal nativa.
Savana
Estepe
Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Floresta Ombrófila Mista Floresta Estacional Semidecidual Floresta Estacional DecidualSemidecidual Campinarana
Savana Estépica
Área das Formações Pioneiras Área de Tensão Ecológica Refúgio Ecológico Massa de Água
Fundamentos teórico-metodológicos
O PROBIO tem seis temas prioritários e são sete os Biomas Brasileiros. Assim, cada uma das lâminas dos pares de portifólios corresponde a um elemento de uma matriz de 6 (linhas) x 7 (colunas), totalizando 42 pares de portifólios. Para chegar ao número de 45 pares de portifólios, foram incluídos três temas especiais: Recifes de Coral, Cavernas, e Áreas Úmidas. Estes temas especiais foram tratados em separado porque apesar de usa relevância, corriam o risco de ser deixados de lado na multiplicidade de conflitos socioambientais e ações positivas identificados em cada bioma. A visualização dessa matriz pode ser obtida na Figura 3.
Figura 3. Matriz com a identificação da lâmina de cada par de portifólio
Abordagem Didático-Metodológica segundo a pedagogia problematizadora
Além de trabalhar com os portifólios na forma de pares de problematização-resolução (conflitos socioambientais-ação positiva), o material didático, como um todo, precisa ser compreendido na perspectiva da abordagem da pedagogia problematizadora. Para isto, foram sugeridos desafios para serem problematizados com os alunos.
Foi adotado como referencial educacional a pedagogia dialógico-problematizadora de Paulo Freire, em especial suas obras “Educação como Prática da Liberdade”, “Pedagogia do Oprimido” e “Extensão ou Comunicação?”. A meta é explicitar na interface ensino-investigação-aprendizagem, a interação entre educador-educando
Veja a relação dos seis temas do PROBIO na página 5.
O sete Biomas Brasileiros são: Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado, Campos Sulinos e Ambientes Costeiros e Marinhos.
A escolha destas obras deve-se a rede conceitual das mesmas, em torno da concepção freireana de situação-problema
e educandos-educadores, mediada pelo conhecimento científico-tecnológico e contextualizada pela realidade concreta a ser compreendida e transformada.
Freire parte do princípio de que o ser humano tem papel ativo em sua realidade, produzindo, cultura no seu mundo (produto da interação sociedade-natureza). Embora aja desta forma, produzindo cultura com o seu trabalho e movimentando a economia, nem sempre está vivendo um processo de conscientização, na direção da superação da consciência real. A degradação do meio ambiente, causada pelas atividades humanas e os impactos negativos sobre o próprio ser humano decorrentes dessas atividades muitas vezes não são sequer percebidos, e quando o são, podem não ser compreendidos no que diz respeito à causa e à cadeia de conseqüências, ou ao modo de reparação do dano. Por exemplo, se questiona os problemas socioambientais causados pelo lixo nas praias e a morte de golfinhos- de-dentes-rugosos ( Steno bredanensis ), com base no conhecimento científico- tecnológico e sua relação com a ecologia daquela espécie, para entender a ação positiva (solução), que também carrega um conhecimento científico-tecnológico (no caso, a gestão de resíduos baseada na Política dos 3R ).
Parte-se de universos temáticos específicos (por exemplo, conflitos socioambientais em torno da fragmentação de ecossistemas), escolhe-se parcialidades destes (mais recortes, por exemplo, campos sulinos), e identifica-se situações existenciais típicas (“por que a vegetação dos campos da metade sul estão sendo convertidos em florestas de eucalipto?”), apresentadas de forma a ser objeto de estudo – observe que se trata de criação humana. Estas situações funcionam como desafios aos grupos.
As situações-problema são codificadas , no caso, organizadas nos portifólios de modo a chamar a atenção dos alunos e professores para a relação entre as fotos e textos, respectivamente da frente e do verso, guardando em si elementos e relações (por exemplo, os processos danatureza, que explicam os efeitos danosos de um desmatamento) que serão decodificadas (apreendidas, compreendidas, através de interações dialógicas, ou debates na aula) pelos alunos, com a orientação dos educadores.
Por isso foi realizado um esforço para que as situações-problema (os conflitos socioambientais) correspondessem a situações locais (identificadas pelos alunos e professores, com nome e endereço por assim dizer) que abrem perspectivas para a análise de problemas nos âmbitos local, regional, nacional e universal (em outras palavras, com potencial de gerar e sustentar o processo educacional, que seria o reconhecimento do problema local, o interesse, o debate e a busca de sua solução, de forma conjunta, compreendendo o que existe de regular, comum, ou seja científico-tecnológico e universal, que possa ser lembrado sempre que o problema surgir, processo a que Freire denomina de educação dialógico-problematizadora).
Promover uma consciência socioambiental científico- tecnológicamente embasada é promover a interação entre educador- educando, mediada pelo conhecimento científico-tecnológico e contextualizada pela realidade concreta a ser compreendida e transformada.
Política dos 3R: princípios de gestão de resíduos sólidos que põe, em ordem de prioridade,
Situações existenciais típicas: são situações existenciais dos grupos (situações que se relacionam diretamente aos grupos), com quem iremos trabalhar educacionalmente, ou seja, procuramos chegar aos problemas concretos vividos no cotidiano pelas pessoas que vivem nestes lugares.
Situações- problema codificadas: apresentadas na forma de imagens e redes conceituais elaboradas pelas áreas científico- tecnológicas.