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EJA mundo trabalho , Notas de estudo de Literatura

9ano 4termo Língua portuguesa

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 22/08/2014

jeronimo-ferreira-11
jeronimo-ferreira-11 🇧🇷

4.7

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TERMO

Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Arte, Inglês e Língua Portuguesa: 9o^ ano/4o^ termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), 2013. il. (EJA – Mundo do Trabalho) Conteúdo: Caderno do Estudante. ISBN: 978-85-65278-92-8 (Impresso) 978-85-65278-86-7 (Digital)

  1. Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Ensino Fundamental 2. Artes – Estudo e ensino 3. Língua Inglesa – Estudo e ensino 4. Língua Portuguesa – Estudo e ensino I. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia II. Título III. Série. CDD: 372 FICHA CATALOGRÁFICA Sandra Aparecida Miquelin – CRB-8 / 6090 Tatiane Silva Massucato Arias – CRB-8 / 7262 A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei no^ 9.610/98. *Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas neste material que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais. Nos Cadernos do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho são indicados sites para o aprofundamento de conhecimentos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados e como referências bibliográficas. Todos esses endereços eletrônicos foram verificados. No entanto, como a internet é um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia não garante que os sites indicados permaneçam acessíveis ou inalterados, após a data de consulta impressa neste material.

Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap Wanderley Messias da Costa Diretor Executivo Márgara Raquel Cunha Diretora de Políticas Sociais Coordenação Executiva do Projeto José Lucas Cordeiro Coordenação Técnica Impressos: Selma Venco Vídeos: Cristiane Ballerini Equipe Técnica e Pedagógica Ana Paula Alves de Lavos, Clélia La Laina, Dilma Fabri Marão Pichoneri, Emily Hozokawa Dias, Fernando Manzieri Heder, Laís Schalch, Liliana Rolfsen Petrilli Segnini, Maria Helena de Castro Lima, Odair Stephano Sant’Ana, Paula Marcia Ciacco da Silva Dias e Walkiria Rigolon Autores Arte: Carolina Martins, Eloise Guazzelli, Emily Hozokawa Dias e Laís Schalch. Ciências: Gustavo Isaac Killner. Geografia : Mait Bertollo. História : Fábio Luis Barbosa dos Santos. Inglês: Eduardo Portela. Língua Portuguesa: Claudio Bazzoni e Giulia Mendonça. Matemática : Antonio José Lopes. Trabalho: Selma Venco. Fundação Carlos Alberto Vanzolini Antonio Rafael Namur Muscat Presidente da Diretoria Executiva Alberto Wunderler Ramos Vice-presidente da Diretoria Executiva Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação Direção da Área Guilherme Ary Plonski Coordenação Executiva do Projeto Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Gestão do Portal Luiz Carlos Gonçalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogério de Oliveira Gestão de Comunicação Ane do Valle Gestão Editorial Denise Blanes Equipe de Produção Assessoria pedagógica: Ghisleine Trigo Silveira Editorial: Adriana Ayami Takimoto, Airton Dantas de Araújo, Amanda Bonuccelli Voivodic, Beatriz Chaves, Beatriz Ramos Bevilacqua, Bruno de Pontes Barrio, Camila De Pieri Fernandes, Carolina Pedro Soares, Cláudia Letícia Vendrame Santos, Lívia Andersen França, Lucas Puntel Carrasco, Mainã Greeb Vicente, Patrícia Pinheiro de Sant’Ana, Paulo Mendes e Tatiana Pavanelli Valsi Direitos autorais e iconografia: Aparecido Francisco, Beatriz Blay, Fernanda Catalão, Juliana Prado, Olívia Vieira da Silva Villa de Lima, Priscila Garofalo, Rita De Luca e Roberto Polacov Apoio à produção: Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valéria Aranha e Vanessa Leite Rios Projeto gráfico-editorial: R2 Editorial e Michelangelo Russo (Capa) CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Coordenação Geral do Projeto Juan Carlos Dans Sanchez Equipe Técnica Cibele Rodrigues Silva, João Mota Jr. e Raphael Lebsa do Prado Concepção do programa e elaboração de conteúdos Gestão do processo de produção editorial

Caro(a) estudante, É com grande satisfação que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, apresenta os Cadernos do Estudante do Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho, em atendimento a uma justa rei- vindicação dos educadores e da sociedade. A proposta é oferecer um material pedagógico de fácil compreensão, para complementar suas atuais necessidades de conhecimento. Sabemos quanto é difícil para quem trabalha ou procura um emprego se dedi- car aos estudos, principalmente quando se retorna à escola após algum tempo. O Programa nasceu da constatação de que os estudantes jovens e adultos têm experiências pessoais que devem ser consideradas no processo de aprendi- zagem em sala de aula. Trata-se de um conjunto de experiências, conhecimen- tos e convicções que se formou ao longo da vida. Dessa forma, procuramos respeitar a trajetória daqueles que apostaram na educação como o caminho para a conquista de um futuro melhor. Nos Cadernos e vídeos que fazem parte do seu material de estudo, você perceberá a nossa preocupação em estabelecer um diálogo com o universo do trabalho. Além disso, foi acrescentada ao currículo a disciplina Trabalho para tratar de questões relacionadas a esse tema. Nessa disciplina, você terá acesso a conteúdos que poderão auxiliá-lo na procura do primeiro ou de um novo emprego. Vai aprender a elaborar o seu currículo observando as diversas formas de seleção utilizadas pelas empresas. Compreenderá também os aspectos mais gerais do mundo do trabalho, como as causas do desemprego, os direitos trabalhistas e os dados relativos ao mercado de trabalho na região em que vive. Além disso, você conhecerá algumas estra- tégias que poderão ajudá-lo a abrir um negócio próprio, entre outros assuntos. Esperamos que neste Programa você conclua o Ensino Fundamental e, pos- teriormente, continue estudando e buscando conhecimentos importantes para seu desenvolvimento e para sua participação na sociedade. Afinal, o conheci- mento é o bem mais valioso que adquirimos na vida e o único que se acumula por toda a nossa existência. Bons estudos! Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Secretaria da Educação

L íngua P ortuguesa Caro(a) estudante, Neste Caderno de Língua Portuguesa, você encontrará atividades que visam ao aperfeiçoamento de seus conhecimentos sobre as práticas de linguagem (fala e escuta; leitura e escrita; análise da língua e da linguagem). Para ampliar seu envolvimento com as palavras e possibilitar melhor participação social e cidadã, este Caderno está orga- nizado em cinco unidades, que trabalham diversos gêneros textuais. Na Unidade 1, você conhecerá o texto teatral e vai explorar as especificidades desse gênero, que se originou em tempos remotos. Entre as muitas atividades propos- tas, você lerá alguns fragmentos de peças teatrais e se aproximará dos bastidores de uma montagem teatral, conhecendo como um texto é criado, ensaiado e apresentado. Fará também leituras dramáticas e produzirá um texto teatral, o que permitirá a você experimentar a prazerosa arte de representar. Na Unidade 2, você vai ler, analisar, escrever e revisar artigos de opinião. Terá a oportunidade de opinar, discutir e escrever sobre assuntos controversos ou polêmicos. Além disso, vai explorar diferentes tipos de argumentos e estratégias argumentativas usadas em um texto. Ao opinar e defender sua posição sobre questões sociais relevan- tes, você desenvolverá ainda mais seu senso crítico, ampliando as possibilidades de participação social. Na Unidade 3, você voltará ao universo da ficção literária por meio dos poemas de cordel, feitos para serem lidos, cantados e ouvidos, e conhecerá as origens dessa literatura, os temas que ela aborda e o trabalho de alguns cordelistas. Ao conhecer os aspectos formais do cordel, poderá revisar seus conhecimentos sobre rimas, estrofes e outros recursos da linguagem poética. Ainda nessa Unidade, você estudará que uma das marcas do cordel é o uso da linguagem popular, que confere ao poema uma sonori- dade única e faz com que o texto tenha uma cor local, sua identidade nordestina. Na Unidade 4, você vai aperfeiçoar alguns procedimentos de estudo, lendo vários artigos de divulgação científica – textos que trazem informações e descobertas científicas a um leitor interessado em assuntos ou temas da Ciência, mas que não é, necessaria- mente, cientista ou especialista. Para aprender com os textos dessa Unidade, colocará em prática os procedimentos necessários para fazer esquemas, isto é, representações gráficas dos textos lidos. Além disso, vai se basear em um dos esquemas produzidos para expor oralmente, de modo organizado, as ideias principais de um artigo. Por fim, na Unidade 5, você vai elaborar resumos, ou seja, textos que sintetizam outros textos. Também vai diferenciar tema, título e ideia principal, para poder com- preender melhor os textos que lê e aprimorar sua produção escrita. Com as atividades propostas, você verá que escrever resumos é um excelente procedimento de estudo. Bons estudos!

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  • O que há de diferente em um texto teatral se você o comparar a gêneros literários como o conto ou o poema?
  • O que há em comum entre um texto de teatro e um roteiro de cinema ou de telenovela?

A vida como ela não é

O texto teatral é um texto de ficção. Seu autor sabe, de antemão, que será escrito para ser encenado por pessoas que representarão ser quem não são. Desse modo, os atores assumirão as falas dos perso- nagens e se colocarão no lugar deles para que a história seja contada. Diferente de outras narrativas de ficção, como contos, romances e crônicas, no teatro, o narrador parece ausente da obra. Ou seja, os acontecimentos não são narrados e parecem se desenvolver autonoma- mente, por meio da ação dos personagens – incluindo seus diálogos – que são colocados em determinada situação.

Atividade 1 Aos personagens, a palavra!

  1. Observe, a seguir e na próxima página, imagens de algumas peças teatrais. Repare nos atores (em suas expressões faciais, nos figuri- nos e adereços que os ajudam a compor o personagem) e, também, nos cenários onde estão. Converse com um colega sobre cada ima- gem: O que os personagens poderiam estar falando? O que poderia estar acontecendo nessas cenas? © Lenise Pinheiro/Folhapress 130 Língua Portuguesa – Unidade 1
  1. Escolha uma das imagens e elabore, em uma folha avulsa, um diá- logo para ela. Antes, porém, planeje o que vai escrever:
    • Anote quantos personagens estão presentes na cena escolhida e imagine qual seria o grau de intimidade entre eles (se são pa- rentes, namorados, casados, colegas, desconhecidos etc.).
    • Imagine o lugar em que estão e o que estariam fazendo lá.
    • Dê nome aos personagens, para indicar quem está falando cada parte do diálogo. © Lenise Pinheiro/Divulgação © Lenise Pinheiro/Folhapress Língua Portuguesa – Unidade 1 131

Atividade 2 Abençoado seja o cachorro do Major

Antônio Moraes!

O texto que você vai ler é um trecho do Auto da Compadecida. Você sabe o que é um auto? A palavra “auto” vem da palavra latina actus , que significa movi- mento, impulso, ato de uma peça teatral. No final do século XVI, todo drama apresentado em festejos religiosos, principalmente nas festas de Corpus Christi, Páscoa e Natal, era chamado assim. Posteriormente, os autos incorporaram temáticas da cultura popular, ganhando contorno cômico. Em geral, os autos são obras sem divisão de atos, escritas em verso e com personagens que podem representar figuras alegóricas, como o Prazer, a Beleza, a Justiça etc. O Auto da Compadecida , encenado pela primeira vez em 1956, é uma das peças mais conhecidas de Ariano Suassuna, autor parai- bano, mestre em divulgar a cultura popular brasileira, especialmente a nordestina, em peças de teatro, romances e poemas. Assim como em outras obras desse autor, esse auto reconta histórias da cultura popu- lar e alguns causos anônimos registrados, na maior parte, em folhetos de cordel. Suassuna o escreveu transformando a matéria de versos e canções de outros poetas e trovadores, cujas obras também foram criadas com base em histórias da tradição oral. Tal processo de criação é muito comum não só na obra de Ariano como em toda a literatura popular: recontar histórias alheias, dando- -lhes outra forma e sangue novo. O Auto da Compadecida foi adaptado para a televisão em 1999, em uma minissérie de quatro capítulos que se transformou em filme, em 2000. Nessa adaptação, os roteiristas Guel Arraes, João Falcão e Adriana Falcão recontaram a história de Chicó e João Grilo, incorporando à trama personagens de outras peças de Suassuna, como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão.

  1. Antes de ler um fragmento do Auto da Compadecida , responda: a) Você já ouviu falar do personagem João Grilo? Lembra-se de algum personagem que, assim como ele, conseguia seu susten- to com trapaças criadas para tirar proveito de patrões, reis, padres, juízes e quem mais cruzasse o seu caminho? Se sim, conte de quem se trata e dê mais detalhes desse personagem aos colegas. Língua Portuguesa – Unidade 1 133

[...] CHICÓ [...] Padre João! Padre João! PADRE aparecendo na igreja Que há? Que gritaria é essa? fala afetadamente com aquela pronúncia e aquele estilo que Leon Bloy []^ chamava “sacerdotais” CHICÓ Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem uma pessoa aqui trazer um cachorro que está se ultimando para o senhor benzer. PADRE Para eu benzer? CHICÓ Sim. PADRE com desprezo Um cachorro? CHICÓ Sim. PADRE Que maluquice! Que besteira! JOÃO GRILO Cansei de dizer a ele que o senhor não benzia. Benze porque benze, vim com ele. PADRE Não benzo de jeito nenhum. CHICÓ Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho. JOÃO GRILO No dia em que chegou o motor novo do Major Antônio Moraes o senhor não benzeu? [] (^) Leon Bloy, escritor e poeta francês, nascido no século XIX, usava o termo “sacerdotal” para se referir ao modo como falavam os padres, que rezavam missas em latim, com leve sotaque e entonação cantarolada. [nota do editor]. b) O que você acha de um padre benzer um cachorro? Conhece alguma história de um padre que benzeu um motor, um cava- lo ou outro animal? Se sim, conte sua história para os colegas. c) No trecho do texto que será lido, há três personagens: João Grilo, Chicó e Padre. Que diálogo você espera que ocorrerá entre eles? Converse com os colegas.

  1. Agora, leia silenciosamente um trecho do Auto da Compadecida , de Ariano Suassuna, e responda às questões. 134 Língua Portuguesa – Unidade 1

a) Onde se passa a ação? b) Que pistas o texto fornece sobre a posição social de João Gri- lo e Chicó? Como é a relação entre eles e o padre? c) Quem é Antônio Moraes? d) No início do texto, qual é a posição do padre diante da pro- posta dos outros dois personagens? E no final? O que modifi- cou a posição do padre? e) A atitude do padre pode revelar certos tipos de relações entre classes sociais? Se sim, de que maneira?

  1. O autor de um texto teatral escreve as rubricas ou notações cênicas, indicando para atores e diretores a movimentação e outros elemen- tos que fazem parte da cena. Essas informações podem aparecer com marcações gráficas, como o itálico. Grife, no trecho do Auto da Compadecida , algumas dessas rubricas.
  2. Forme um grupo com mais três colegas para fazer a leitura dra- mática desse trecho. Essa é uma maneira de ler uma peça de tea- tro em voz alta, unindo leitura e interpretação de texto, o que requer do leitor exploração dos aspectos formais e temáticos da obra. Essa leitura é favorecida pela característica do texto teatral Você sabia que os ensaios ou as leituras de mesa, como são conhecidos no meio teatral, são comumente o primeiro passo para a montagem de um espetáculo? Diretor(es) e ator(es) se reúnem em torno de uma mesa e fazem leituras em voz alta da peça que será montada. Nesse momento, os artistas estudam o texto: grifam falas, registram intenções, conversam sobre as possíveis interpretações das cenas, dando os primeiros contornos aos diálogos e aos personagens. 136 Língua Portuguesa – Unidade 1

de apresentar as falas dos personagens, em geral, sem a interferên- cia da voz de um narrador. Dividam a leitura de modo que cada um interprete um personagem e alguém fique encarregado de ler as rubricas. Leiam o trecho em voz alta, buscando dar vida aos personagens e considerando as indicações das rubricas.

Atividade 3 Revisão dos diálogos teatrais

Agora que você pôde observar as características do texto teatral mais detalhadamente, volte ao diálogo produzido na Atividade 1 e veja quais ajustes podem ser feitos. Faça algumas anotações no pró- prio texto, levando em consideração os seguintes aspectos:

  1. O nome dos personagens aparece antes de cada fala?
  2. Se uma pessoa fosse ler o texto que você escreveu, encontraria as falas bem organizadas no diálogo?
  3. Você usou rubricas? Caso não tenha usado, acrescente-as ao diálogo, de modo a orientar a encenação. Lembre-se de que as rubricas podem indicar tanto a presença de objetos cênicos e cenários como a movimentação, os gestos, o tom da fala e as intenções dos personagens.
  4. As falas dos personagens parecem espontâneas? Se elas não pare- cerem, que mudanças são necessárias? O diálogo apresentou um conflito? Experimente “dificultar a vida” dos personagens com algo inesperado. Reescreva seu diálogo em outra folha. Peça a seus colegas que o leiam em voz alta, numa leitura dramática. O resultado de seu texto era o que você imaginava?

O desafio de colocar as palavras em cena

Escrever um texto teatral envolve criar cenas com personagens e ações, explorando um tema central. Em uma peça teatral, os per- sonagens conversam entre si e o público fica próximo de tudo o que acontece no palco. A mudança de cena se dá, em geral, por meio de elementos cênicos: cortinas, mudanças de cenário, entrada e saída de personagens, luz, som etc. Para que isso ocorra de modo a con- vencer o público, é preciso caracterizar os personagens e suas ações. Às vezes, personagens e ações estão muito próximos da realidade em que o público vive; outras vezes, distanciam-se do real e tendem ao fantasioso, ao absurdo, à idealização. Língua Portuguesa – Unidade 1 137

  • Caso você seja migrante, conte como foram os primeiros dias de trabalho em uma cidade diferente da sua.
  1. Agora, leia um trecho do texto teatral e observe com atenção a re- lação entre as rubricas e as falas, o modo de falar e as característi- cas dos personagens. Em seguida, responda às questões propostas. CENA 7 (Toca a campainha, Fulaninha paralisada, nem pisca. Campainha insiste.) FULANINHA (gritando) Não está ouvindo que não tem ninguém? VOZ E quem é que está falando? FULANINHA Ninguém. (tempo) É a empregada. VOZ Tudo bem. Aqui também não é grande coisa. É a Telesp. (Longuíssimo silêncio.) VOZ (impaciente) Então? Como é que é? FULANINHA Como é que é o quê? VOZ Não vai abrir? FULANINHA Eu não! Por que havera de abrir? VOZ (irritando) Minha filha, eu tenho que entrar. A sua patroa me chamou pra consertar o aparelho. (com calma, explicando) Se ela não tivesse me chamado, eu não teria vindo até aqui. (tempo) Certo? FULANINHA (acompanhando o raciocínio) Ah, isso é verdade. Se ela não tivesse chamado o senhor, como o senhor ia saber que ela morava aqui? (concluindo) Eu vou abrir! (interrompendo o movimento) Peraí! Calminha! E os dicumento? Hein, e os dicumento? VOZ Que documento? FULANINHA Ah, não. Nã-nã-nã-nã-não. Sem dicumento ela falou que não pode entrar. De jeito nenhum. VOZ Eu vou passar por baixo da porta, então. FULANINHA O senhor vai passar por debaixo da porta? (Em pânico, Fulaninha tenta impedir com a vassoura.) VOZ Não, meu bem, não. Eu vou passar o crachá. FULANINHA (pega o crachá) Esse retrato aqui é do senhor, é? (tempo) E o que é que tá escrito aqui nas letrinhas? Língua Portuguesa – Unidade 1 139

VOZ O que é que está escrito!? (tempo) Tá escrito que se sua patroa souber que eu vim até aqui e você não me deixou entrar... Eu nem sei o que ela vai fazer com você! FULANINHA Calminha! Calminha! Eu já vou abrir. (Fulaninha abre a porta para o Técnico.) TÉCNICO Até que enfim! Que canseira, hein? FULANINHA O senhor quer sentar um pouco? TÉCNICO Não, tudo bem. Onde é que está o aparelho? FULANINHA Tá vendo? Eu tô dizendo pro senhor: melhor o senhor vir aqui quando tem gente em casa, ninguém deixou nenhum aparelho comigo. Eu avisei pro senhor... TÉCNICO O telefone! Eu quero o telefone, minha filha! FULANINHA (olhando pro telefone) O telefone? Tá ali, ué! (o Técnico começa a checar o telefone) O senhor vai telefonar, é? (ele começa a desmontar o aparelho) Não, senhor! Isso não! Não vai quebrar ele não! Pelo amor de Deus... Por caridade, o senhor não me faz essa desgraça... TÉCNICO Calma, minha filha, vai acabar tudo bem. Deixa comigo, ele vai ficar bom: eu tô só consertando. FULANINHA (choramingando) Danou-se tudo! Ela adora ele... Ela vai achar que fui eu que estraguei, porque eu não gosto dele... Eu já tava até pegando amor nesse “coisa-ruim”... TÉCNICO (consertando) Eu vou só aparafusar uma pecinha aqui e pronto. FULANINHA (controlando o choro) Eu não sei não... Por que é que eu fui deixar o senhor entrar?... Hein?... Por que, meu Deus?... Já que o senhor entrou é melhor o senhor esperar ela che- gar pra explicar que não fui eu... Eu não ia fazer isso com ele... Deus tá vendo... Uma judiação dessa... TÉCNICO (tentando acalmá-la) Não precisa se preocupar. (tempo) Por que é que em vez de ficar aqui, sofrendo à toa, você não me traz esse cafezinho que você acabou de passar aí na cozinha, hein? FULANINHA Cafezinho? Pro senhor, né? Trago já. (Fulaninha sai e é observada e medida pelo Técnico.) FULANINHA (com a xicrinha na bandeja) O café! TÉCNICO Obrigado! (puxando assunto) Tá mais calma, tá? FULANINHA Mais ou menos. O senhor tá dizendo que é assim mesmo... TÉCNICO Você não trabalha aqui há muito tempo, né? FULANINHA Até que não. 140 Língua Portuguesa – Unidade 1