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Emoções e linguagem, Notas de estudo de Psicologia

MATURANA - MATURANA

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 08/03/2010

cristiano-alves-magalhaes-4
cristiano-alves-magalhaes-4 🇧🇷

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Humberto Maturana

EMOÇÕES E LINGUAGEM NA

EDUCAÇÃO E NA POLÍTICA

TRADUÇÃO DE JOSÉ FERNANDO CAMPOS FORTES

3a Reimpressão

Belo Horizonte

Editora UFMG

2002

Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem

autorização escrita do Editor.

EDITORAÇÃO DE TEXTO

Ana Maria de Moraes

PROJETO GRÁFICO

Glória Campos (Manga)

CAPA

Paulo Schmidt REVISÃO DE PROVAS

Flávia Silva Bianchi

Maria Aparecida Ribeiro

Maria Diana C. Santos

Maria Stela Souza Reis

PRODUÇÃO GRÁFICA

Warren de Marilac Santos

FORMATAÇÃO

Eduardo Ferreira

REVISÃO TÉCNICA E DF. TRADUÇÃO

Cristina Magro

Maíra Evo Magro

EDITORA UFMG

Av. Antônio Carlos, 6627 - Ala direita da Biblioteca Central - Térreo

Campus Pampulha - 31270-901 - Belo Horizonte/MG

Tel.: (31) 3499-4650 Fax: (31) 3499-

E-mail: [email protected] http://www.editoras.com/ufmg

A Biologia da Educação ............................................. ......

O Que é Educar? .............................................. .................

LINGUAGEM, EMOÇÕES E ÉTICA

NOS AFAZERES

POLÍTICOS ............................................

Conhecimento e Linguagem ............................................ .

O Explicar e a Experiência .......................................... .....

Objetividade-Entre-Parênteses e

Objetividade-Sem- Parênteses ........................................... 42

A Objetividade e as Relações Humanas ...........................

Racionalidade e Emoções .............................................. ...

A

Corporalidade ........................................ ........................

As Explicações Científicas .......................................... .....

Linguagem e Ação ................................................. ...........

Emoções e Interações Humanas: o Amor .........................

Relações Sociais e Nào- Sociais ........................................

A

Ética ................................................ ..............................

Constituição Política e Convivência .................................

PERGUNTAS E

RESPOSTAS ............................................

RESUMO ...............................................

PREFÁCIO

Consta que Michel Foucault teria dito que o Século XX seria o

século de Gilles Deleuze. Se não parece óbvio o cumprimento da

profecia foucaultiana, ela sugere uma analogia para se falar de

Humberto Maturana. O próximo século, o XXI, poderá ser dito de

Humberto Maturana. Vinda de uma socióloga, essa afirmação pode

parecer suspeita aos ouvidos dos biólogos. Vejamos por quê.

A Biologia do Conhecimento, como o próprio Maturana costuma

chamar o conjunto de suas idéias, parece-me ser a grande novidade

científica da atualidade, pois permitiu a ultrapassagem da premissa

básica do pensamento ocidental, aquela que sempre opôs o biológico ao

não-biológico ou social, ou cultural. Essa mesma premissa dualista que

reaparece sob formas várias e com vários nomes — corpo x mente,

espírito x matéria, natureza x história, indivíduo x sociedade — foi uma

pedra no caminho do pensamento crítico. A importância da reflexão de

Humberto Maturana tem a ver, portanto, com a possibilidade já

antevista por Lévi-Strauss e desejada por Jacques Derrida, dentre

outros, de se estabelecer uma continuidade entre o biológico e o social

ou cultural.

A concepção de Maturana do vivo, dos seres humanos como

sistemas fechados operacionalmente, autopoiéticos e estruturalmente

determinados, inutilizou as velhas dualidades: indivíduo x sociedade,

natureza x cultura, razão x emoção, objetivo x subjetivo. Ao mostrar

que “emoções são fenômenos próprios do reino animal”, onde nós,

humanos, também nos encontramos, e que o chamado “humano” se

constitui justamente no entrelaçamento do racional com o emocional,

na linguagem, fez desabar o imperialismo da razão.

biológica básica de seres dependentes do amor, isto é, negam o outro

como legítimo outro na convivência e fazem adoecer. Instituições e

práticas baseadas no argumento da racionalidade e da obrigação são,

portanto, anti-sociais e têm de ser repensadas.

Colocando em xeque o argumento da razão, ou da racionalidade,

Humberto Maturana soltou a âncora dessa grande “construção teórica”

da cultura ocidental, o princípio da realidade. Por ter considerado a

captura do real como prova do triunfo da razão, a discussão científica

se tornou uma competição infindável de argumentos justificadores de

um suposto acesso privilegiado à realidade. Maturana, ao rediscutir os

seres vivos como seres determinados estruturalmente, incapacitou o

funcionamento do argumento da realidade, tornou-o dependente do

observador e suporte de grandes dilemas de obediência teórica.

Viver e conhecer são mecanismos vitais. Conhecemos porque somos

seres vivos e isso é parte dessa condição. Conhecer é condição de vida

na manutenção da interação ou acopla-mentos integrativos com os

outros indivíduos e com o meio.

A petulância de instituições educativas e políticas tem muito a

aprender com a simplicidade da reflexão de Maturana.

UMA ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO

ATUAL NA PERSPECTIVA DA

BIOLOGIA DO CONHECIMENTO

Pediram-me para responder a esta pergunta: A educação atual serve

ao Chile e à sua juventude? e, em caso de resposta afirmativa: Para quê

ou para quem? Ao mesmo tempo, pediram-me que considerasse essas

questões a partir de ângulos tão distintos quanto a sociedade e a sala de

aula, e o fizesse tendo em mente tanto os que trabalham dando aula

para os jovens quanto os que estudam o processo de aprendizagem e o

fenômeno do conhecimento, buscando compreender como se aprende, e

o que é que permite formar a juventude de um modo ou de outro.

Para responder essa pergunta e atender a esse convite, vou fazer dois

tipos de reflexão. Um, relativo a para que serve a educação, e outro

sobre o humano, considerando a pergunta: O que é ser um ser humano?

Além disso, ao fazer tais reflexões, direi algo sobre a biologia da

educação e sobre a ética, e finalizarei com alguma conclusão geral que,

no meu entender, decorre de tais reflexões.

PARA QUE SERVE A EDUCAÇÃO?

Quero começar com o “para quê”, por uma razão muito simples. Se

perguntamos: A educação atual serve ao Chile e à sua juventude?,

estamos formulando a pergunta a partir do pressuposto de que todos

entendemos o que ela requer. Mas será que isto acontece? O conceito

de servir é um conceito relacionai: algo serve para algo em relação a

um desejo. Nada

estudante, e outro no qual eu vejo os estudantes de hoje serem forçados

a viver.

Estudei para devolver ao país o que havia recebido dele. Estava

mergulhado num projeto de responsabilidade social. Era partícipe da

construção de um país, no qual se escutava continuamente

conversações sobre o bem-estar da comunidade nacional que seus

membros contribuíam para construir. Eu não era o único. Numa

ocasião, logo no início dos meus estudos universitários, reunimo-nos

todos os estudantes do primeiro ano para declarar nossas identidades

políticas. Quando isso aconteceu, o que me pareceu sugestivo foi que,

na diversidade de nossas identidades políticas, havia um propósito

comum: devolver ao país o que estávamos recebendo dele. Quer dizer,

vivíamos nosso pertencer a ideologias diversas como diferentes modos

de cumprir com nossa responsabilidade social de devolver ao país o que

havíamos recebido dele, num compromisso explícito ou implícito de

realizar a tarefa fundamental de acabar com a pobreza, com o

sofrimento, com as desigualdades e os abusos.

A situação e as preocupações dos estudantes de hoje mudaram.

Hoje, os estudantes se encontram no dilema de escolher entre o que

deles se pede, que é preparar-se para competir no mercado profissional,

e o ímpeto de sua