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A história da presença da enfermagem no conselho nacional de desenvolvimento científico e tecnológico (cnpq) a partir do ponto de vista de representantes da área. O texto aborda a inserção da enfermagem como área de conhecimento no cnpq, as contribuições da área para a profissão, e o papel da instituição na formação de pesquisadores. Além disso, o documento detalha as atividades realizadas pelas representantes da enfermagem no cnpq e os avanços obtidos para a área.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Erdmann AL et al
PPPPPalaalaalaalaalavrvrvrvras-cvras-cas-cas-chaas-chahahavhavvvve:e:e:e:e: Enfermagem. Ciência. Pesquisa em Enfermagem. História da Enfermagem.
KKKKKeeeeeywywywywywororororords:ds:ds:ds:ds: Nursing. Science. Nursing Research. History of Nursing.
PPPalaPPalaalaalabralabrbrbras cbras cas cas claas clalalalavvvve:ve:e:e: Enfermería. Ciencia. Investigación ene: Enfermería. História de la Enfermería.
Nursing as an Area of Knowledge in the CNPq: Historical Rescue of the Representation of the Area
Enfermería como Área de Conocimiento en el CNPq: Rescate Histórico de la Representación del Área
Alacoque Lorenzini Erdmann Isabel Amélia Costa Mendes Joséte Luzia Leite
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foi criado em 1951. Neste organismo nacional de apoio à pesquisa, a Enfermagem insere-se como área de conhecimento a partir da década de 70 e passa a ter representante de área desde a década de 80. O presente artigo tem como objeto o resgate histórico da Enfermagem como área de conhecimento no CNPq. Objetiva destacar a inserção da Enfermagem neste órgão e contribuição para o conhecimento da História da Enfermagem Brasileira. Trata-se de um estudo documental apoiado por depoimentos das enfermeiras representantes da área de Enfermagem no transcurso da presença da Enfermagem como área no CNPq. As informações descritas mostram a importância e a evolução da Enfermagem como ciência e tecnologia neste órgão, a importância do fomento para viabilização das pesquisas, o estímulo ao incremento da pesquisa, os avanços na produção de conhecimentos, os desafios enfrentados e as perspectivas como possibilidades para o fortalecimento e consolidação da Enfermagem. O CNPq é um importante órgão de fomento às políticas para o avanço da Enfermagem.
The National Council of Scientific and Technological Development (CNPq) was created in 1951. In this national organ of research support, the Nursing is inserted as a knowledge area from 1970’s and passed on to an area representative since 1980’s. This present article has as object the historical rescue of the Nursing as knowledge area at the CNPq. It aims to detach the Nursing insertion at this organ and its contribution for the knowledge of the Brazilian Nursing History. It is a question about a documentary study supported by depoiments of the representative nurses of the nursing area in the course of the existence of the Nursing as an area at the CNPq. The information described showed the importance and the evolution of the Nursing as science and technology in this organ, the importance of the promotion for making the research viable, the stimulation to the increment of the research, the advances in producing knowledge, the challenges faced and perspectives as possibilities for the strengthening and consolidation of the Nursing. The CNPq is an impor tant agency of promoting politics for the advance of the Nursing.
El Consejo Nacional de Desarrollo Científico y Tecnológico (CNPq) fue creado en 1951. En este organismo nacional de apoyo a la investigación, la Enfermería se inserta como área de conocimiento partiendo de los años 70 y pasa a tener representante de área desde la década de los 80. El presente artículo tiene como objeto el rescate histórico de la Enfermería como área de conocimiento en el CNPq. Se objetiva destacar la inserción de la Enfermería en este órgano y su contribución para el conocimiento de la Historia de la Enfermería Brasileña. Tratase de un estudio documental apoyado por depoimentos de las enfermeras representantes del área de la Enfermería en el curso de la existencia de la Enfermería como área en el CNPq. Las informaciones descritas muestran importancia y la evolución de la Enfermería como ciencia y tecnología en este órgano, la importancia del fomento para la promoción de las investigaciones, el estímulo al incremento de la investigación, los avances en la producción de conocimientos, los desafíos enfrentados y las perspectivas como posibilidades para el fortalecimiento y consolidación de la Enfermería. El CNPq es un importante órgano de fomento a las políticas para el avance de la enfermería.
Erdmann AL et al
INTRODUÇÃO: ASPECTOS HISTÓRICOS SOBRE O CNPq
O CNPq é uma das maiores e mais sólidas estruturas públicas de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) dos países em desenvolvimento. A idéia de criar uma entidade governamental específica para fomentar o desenvolvimento cientifico remonta ao ano de 1920, quando os integrantes da Academia Brasileira de Ciências (ABC) comentavam o assunto como conseqüência da Primeira Guerra Mundial. Em 1931, a ABC dá a sugestão formal ao governo, e este não se pronuncia a respeito. Em maio de 1936, o presidente Getúlio Vargas enviou uma mensagem específica ao Congresso sobre essa idéia, mas ainda não teve a acolhida desejada por parte dos parlamentares. A partir da Segunda Guerra Mundial, graças ao avanço das tecnologias bélica, aérea e farmacêutica, houve um despertar não só no Brasil, mas em todos os países, para a importância da investigação científica principalmente em energia nuclear. A bomba atômica era a prova real e assustadora do poder que a ciência poderia atribuir ao homem, ficando claro como a pesquisa deveria passar a ser vista pelos governos. Seria uma área a ser alvo de investimento, principalmente se fosse acompanhada de uma agenda de prioridades enfocando problemas de difícil resolução, ou ainda, se significasse desenvolvimento científico e tecnológico. Depois desses esforços, em maio de 1946, o Almirante Alberto da Motta e Silva, representante brasileiro na Comissão de Energia Atômica do Conselho de Segurança da recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), propôs ao governo, por intermédio da ABC, a criação do CNPq, denominado na época Conselho Nacional de Pesquisa. Dois anos mais tarde, em 1948, o projeto sobre a criação do CNPq era apresentado à câmara dos Deputados. Porém, somente em 1949, o presidente Eurico Gaspar Dutra indicou uma Comissão para apresentar um anteprojeto de lei sobre a sua criação. Depois de discutido em diversas comissões, em 15 de janeiro de 1951, foi criado o CNPq, pela Lei nº1310/51, chamada pelo Almirante Álvaro Alberto de Lei Áurea da Pesquisa do Brasil 1. O Conselho Nacional de Pesquisas, fundado em 1951, pelo cientista pesquisador de energia atômica Álvaro Alberto, como órgão diretamente subordinado à Presidência da República, decorreu da necessidade de evitar a desapropriação das nossas reservas de material radioativo. Em 1964, o Conselho teve ampliada sua área de competência, incluindo a formulação e coordenação da política científica e tecnológica do país, deixando de ser sua competência as pesquisas no campo da energia atômica. A partir de 1972 surgem os Planos Básicos de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PBDCTs) integrados aos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs). Em 1974, O Conselho torna-se fundação de direito privado, com a denominação de Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, vinculado a Secretaria de Planejamento da Presidência da República (SEPLAN) e, posteriormente, à Secretaria de Ciência e Tecnologia ligada diretamente à Presidência da República com o objetivo de modernização científica e tecnológica do país 1.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que conserva a mesma sigla, vem assumindo maiores proporções. É uma Fundação, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), cuja missão é apoiar a pesquisa brasileira. Contribuindo diretamente para a formação de pesquisadores (mestres, doutores, pós-doutores e especialistas em várias áreas de conhecimento), o CNPq é, desde sua criação até hoje, uma das maiores e mais sólidas estruturas públicas de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) dos países em desenvolvimento cujos investimentos são direcionados para a formação e absorção de recursos humanos e financiamento de projetos de pesquisa que contribuem para o aumento da produção de conhecimento e geração de novas oportunidades de crescimento para o país 1. Estes investimentos resultam na identificação de novos talentos pelas atividades de iniciação científica com bolsas (IC); no apoio ao trabalho do pesquisador com bolsa de produtividade em pesquisa (PQ) e na manutenção do sistema Lattes de registro docurriculum vitae; no apoio aos Grupos de Pesquisa - Cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa, no fortalecimento das Linhas de Pesquisa, na viabilização de Políticas e Prioridades em Pesquisa, dentre outros 2. Este estudo tem como objeto o resgate da Enfermagem como área de conhecimento no CNPq. E como objetivos: (a) destacar a origem da inserção da Enfermagem como área de conhecimento no CNPq e sua contribuição para a profissão; e (b) contribuir para o conhecimento da História da Enfermagem Brasileira.
A ENFERMAGEM COMO ÁREA DE CONHECIMENTO
Somente a partir de 1970 é que se efetivaram as primeiras medidas de apoio em relação à Enfermagem. A evolução histórica dessas medidas transcorreu da seguinte maneira: a) Realização do primeiro evento “Avaliação e Perspectiva - Subárea de Enfermagem” em 1976; b) Em 1980 foi criado o código da Subárea de Enfermagem com suas subespecialidades, no sistema de classificação das áreas de conhecimento no CNPq; c) Em 1981/1982 foi realizada a segunda versão do evento “Avaliação e Perspectiva - subárea de Enfermagem”; d) Em 1984 foi iniciada a formação do quadro de Consultores “Ad hoc” para apreciar os projetos, como subsídio ao cor po técnico e ao Comitê Assessor de Clínica (CA-CL) do CNPq, local onde esta subárea estava localizada. Realizou-se, assim, a concretização de duas recomendações contidas no documento da segunda “Avaliação e Perspectiva”, ou seja, a de existir um representante da subárea de Enfermagem como membro efetivo no Comitê Assessor de Clínica do CNPq e de um assessor técnico de desenvolvimento científico atuando na instituição, situações estas regularizadas a partir de 1986 (^3). Depois deste, foi constituído o Comitê Assessor de “Saúde Complementar” composto pelas áreas de
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Estive na agência no período de 1993-1995. A indicação foi pelo Conselho Diretor, após consulta à comunidade científica e análise dos currículos em apreço. Na ocasião era uma das três (3) pesquisadoras da área de nível 1 A. ... Quando encerrou o mandato recebi ligações de todas as regiões brasileiras pedindo para empenhar esforços para continuar. O estatuto do CNPq não permitia a recondução (Depoente 3). Neste depoimento vê-se a prerrogativa do Conselho Deliberativo em decidir a escolha. A quarta depoente também eleita pela comunidade científica, por duas vezes, foi indicada pela Presidência em dois períodos:
Exerci a função de representante da Área de Enfermagem no CNPq de 07/1995 a 07/1998. Como no período de atuação havia exercido o papel de Coordenadora do Comitê, no julgamento seguinte (11/
Tive o prazer de atuar no Comitê Assessor Multidisciplinar de Saúde que era constituído pelas áreas de Odontologia, Fisioterapia, Educação Física e Fonoaudiologia (Depoente 5).
B) AS PRINCIPAIS ATIVIDADES COMO REPRESENTANTE são destacadas nos depoimentos a seguir.
Ao assumir a representação em 1995, levei comigo a experiência de 13 anos como usuária do sistema, pois havia percorrido toda a carreira de pesquisador iniciada no ano de 1982 como mestre e aluna de doutorado. Portanto, em minha bagagem levei toda a vivência, dúvidas, inquietudes e a certeza de que a comunidade de Enfermagem carecia de estímulo e orientações precisas sobre as possibilidades de apoio aos seus projetos. Deste modo, considero que a principal atividade que exerci foi política, pois tinha convicção de que era preciso dar visibilidade do real desenvolvimento da Enfermagem como área de conhecimento aos responsáveis e integrantes da estrutura do órgão. A primeira ação, portanto, foi relatar ao Presidente o estado da arte da Enfermagem brasileira, oferecendo dados
com a proposta de instrumentalizar o Conselho Deliberativo sobre o crescimento da área e da relação demanda versus reduzida oferta de recursos destinados à área em todas as modalidades de fomento. Do ponto de vista técnico, a principal atividade foi a emissão de pareceres que incentivassem os colegas a aprimorarem seus projetos e continuarem pleiteando. Ao lado disto, passamos a interagir com pesquisadores com o propósito de estimular o aumento da demanda para que se conseguisse ampliar a fatia de recursos para a Enfermagem no contexto do total que era destinado ao Comitê. No período de 2001 a 2004 conseguimos imprimir maior aproximação com os pares, praticando o exercício da conscientização da necessidade de união de esforços da maioria por mais espaço e recursos. Conseguiu-se assim, através de preleções em Escolas de Enfermagem que nos convidavam, assim como nos eventos promovidos pela classe, produzir significativo crescimento da demanda. Tais indicadores reforçaram os pleitos levados à presidência e à coordenadoria da saúde, justificando a ampliação de recursos, quotas de bolsas, de modo que a Enfermagem passou a receber expressivo aumento no investimento de projetos pelo CNPq (Depoente 4). Neste depoimento relativo aos dois mandatos exercidos, observa- se o aumento da complexidade das atividades desenvolvidas e as conquistas da representação para a área de Enfermagem: Ao assumir as atividades de representante da área da Enfermagem busquei conhecer mais de perto o órgão CNPq, sua estrutura, dinâmica de funcionamento, políticas e, em especial, as pessoas, a equipe de técnicos, os diretores, os pares representantes e demais pessoas que circulam naquele órgão. Em especial, destaco o contato com a representante anterior, o qual foi muito importante para o reconhecimento das atividades inerentes a essa representação. Também, a recepção do Presidente e o acolhimento da equipe técnica foram marcantes. Ainda, se somou a vivência da evolução da pesquisa na área pela trajetória pessoal de quase três décadas em atividades na PG, publicação e orientação regular, atuação na Capes, enfim... Familiaridade com o julgamento de processos de produção de conhecimentos e formação de pesquisadores da área (Depoente 6). A estrutura do CNPq consolida experiência de funcionamento desde o ano de 1951. A presença das representantes de área é sentida como de suma importância, de reconhecimento e valorização do seu domínio e, ainda, competência na área que representa 8. As atividades que realizam são descritas nos depoimentos a seguir: Análise dos processos nas reuniões semestrais de julgamento; análise de processos emergenciais de grandes eventos da área. À época havia uma reunião durante a semana de julgamento com todos os coordenadores dos Comitês Assessores, ou seja, dos representantes de cada comitê, com o coordenador geral deste grande grupo e o presidente do CNPq; e
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elaboração dos relatórios das reuniões junto com os colegas de comitê, tentando inserir uma política mais agressiva nas nossas reivindicações (Depoente 5). Estas atividades são mantidas nos dias atuais, como segue. A representação inclui atividades diretamente no CNPq, tais como análise e julgamento dos processos relativos às diferentes modalidades de fomento que o órgão oferece mediante editais regulares e especiais, os quais são apreciados em reuniões periódicas dos membros dos CAS; análise de mérito de processos de fluxo contínuo; atividades externas junto à Comunidade Científica em eventos, visitas aos centros de pesquisa, e outros de caráter representativo no domínio da ciência, tecnologia e inovação da área da Enfermagem no país (Depoente 6). Nos dois depoimentos citados, as atividades destacadas mostram a relevância do trabalho realizado, o que envolveu domínio de conhecimento sobre as bases teórico-filosóficas e epistemológicas que sustentam a área da Enfermagem como ciência, tecnologia, inovação; e competência política para conquista de espaço e reconhecimento da profissão no cenário nacional e internacional. Incluem, também, a interface com as demais ciências, especialmente as da saúde, sociais e humanas, nas suas universalidade e especificidades, nos âmbitos regionais e internacionais. As discussões com os pares das demais áreas não se limitam à mera distribuição de recursos ou apoios para o desenvolvimento de atividades mais relevantes de cada área. Mas, na sustentação de políticas de desenvolvimento científico e tecnológico do país e sua projeção internacional, que possibilitem ganhos ou retornos significativos para as necessidades sociais ou impactos internos, regionais ou nacionais. A visão mais abrangente e profunda da realidade de sua área, bem como das demais áreas, possibilita a integração e o diálogo mais enriquecedores entre os pares, em prol de decisões mais pertinentes e mais seguras.
C) OS AVANÇOS OBTIDOS PARA A ÁREA são descritos a seguir:
Uma das depoentes considerou que os avanços obtidos passaram pela visibilidade da Enfermagem:
O principal avanço foi mudar o nome do Comitê Complementar para Comitê Multidisciplinar de Saúde. Ressalto que tive uma grande preocupação em julgar as solicitações de bolsas com imensa responsabilidade, tentando identificar e ajudar os expoentes de cada região brasileira, sem corporativismo ou preconceitos. Por exemplo, tentávamos levar em consideração que um pesquisador do Acre não dispunha das mesmas facilidades para começar sua carreira como dispunham os de São Paulo, naquela época pré-internet (Depoente 3). O avanço mais significativo, no meu entender, foi a credibilidade da área refletida no aumento expressivo de recursos para as três modalidades [de bolsa]: PQ [produtividade], IC [iniciação científica], AT [apoio técnico]. Em relação a estas duas últimas modalidades,
havia um considerável desnível favorável à Enfermagem, em relação às demais áreas do Comitê. Isto graças à ação política de seus representantes e à correspondente resposta da comunidade apresentando demandas. No dizer de integrantes do Comitê, representando outras áreas, a Enfermagem tinha “um PIBIC inteiro”. E em termos de bolsas de Apoio Técnico havia para a Enfermagem, no mínimo, dez vezes mais quotas do que para as demais áreas somadas. Isto se deveu ao trabalho dos representantes que demonstraram à presidência do CNPq a especificidade da área (Depoente 4). Outra depoente considerou os avanços assim: As principais atividades que realizava e avanços para a área: Reuniões para julgamento, todas aprazadas, terminavam sempre com uma reunião do presidente com os coordenadores. Independente dessas reuniões, por duas vezes reuni-me com o presidente para solicitar aumento de bolsas tanto PQ quanto IC e AT, visando um maior crescimento da Enfermagem na produção do conhecimento. Nesta reunião estavam presentes a representante do período anterior, a atual (1998 a
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percorrido até o patamar atual foi longo e muito difícil. O Primeiro Congresso Brasileiro de Enfermagem (I CBEn), realizado em 1947, recomendou que as Enfermeiras se iniciassem na pesquisa. Em 1964, o tema central do XIV CBEn foi “Enfermagem e Pesquisa”, por sugestão da coordenadora da Comissão de Temas, Profa. Dra. Maria Ivete Ribeiro de Oliveira, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, de saudosa memória 8. A partir do ingresso da Enfermagem no Sistema Nacional de Pós-graduação, a pesquisa tomou vulto com o início do seu primeiro curso de mestrado em 1972, na Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Paralelo a isto, outras Instituições criaram os seus cursos de pós-graduaçãostricto sensu. Hoje, A Enfermagem conta com 29 Programas de Pós-Graduação em Enfermagem no país, dos quais doze possuem o nível de doutorado 10. Os avanços são percebidos nos Programas de Pós- Graduação, considerados os maiores centros de produção de conhecimento científico, cuja prática de pesquisa em Enfermagem tem crescido qualitativa e quantitativamente. O aumento do número de Programas, bem como do volume e qualidade das publicações leva a um maior interesse pela pesquisa e busca de fomento. A demanda cada vez maior de solicitações de apoio do CNPq é resposta à necessidade de intensificar a produção de conhecimento nos Programas de Pós-Graduação, bem como de obter bolsas de formação (Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado, Doutorado Sanduíche) e bolsas de iniciação científica e apoio técnico para os projetos de pesquisa dos doutores pesquisadores.
D) A EXPERIÊNCIA DE SER REPRESENTANTE é mostrada nos depoimentos a seguir:
A experiência de ser representante teve aspectos bons e outros limitantes. Os positivos são relacionados à oportunidade de conhecer líderes e a produção de conhecimentos da área de Enfermagem no território brasileiro (Depoente 3). A prática de análise de projetos ou de solicitações demandadas ao órgão propicia uma visão geral dos pesquisadores da área, do perfil de produtividade dos mesmos, das tendências de temáticas e métodos investigados, dos produtos obtidos e de sua distribuição nas diferentes regiões do país, bem como dos vazios e impropriedades encontradas^11.
Outro aspecto foi a oportunidade e prazer em pensar as questões acadêmicas com maior responsabilidade, o que foi enriquecido pela troca de experiência com colegas consultores Ad Hoc (Depoente 3). O aprendizado na leitura dos pareceres dos consultores ad hoc e seu confronto com as propostas analisadas é impar, motivante e desafiante, abrindo para a busca de inovações e diversidades de olhares na construção de conhecimentos da área:
Outro fato foi vivenciar um momento de crescimento dos pesquisadores e da área, incentivando o aumento da demanda, numa época em que tínhamos mais
liberdade pessoal para julgar segundo critérios qualitativos, e não apenas quantitativos (Depoente 3). O domínio dos critérios de análise, no sentido de julgar o mais corretamente possível os pedidos de fomento, passa pela estrutura definida de caráter quantitativo, somando-se aos aspectos qualitativos. Todavia, os aspectos quantitativos determinam os pontos de corte. Assim, quer qualitativo, quer quantitativo, após atender os critérios legais técnicos, o mérito referente ao conteúdo, pertinência, coerência e sustentabilidade da proposta e a capacidade produtiva do proponente, busca-se cercar a viabilidade da proposta com condições que assegurem a possibilidade de retorno significativo para a sociedade. Trata-se, portanto, de um exercício atentivo de análise de solicitações dentro da área com um olhar para as demais áreas que compartilham o Comitê. Esta é uma liderança de autonomia relativa e compartilhada. Assim: Os pontos limitantes foram mais relacionados ao pequeno número de bolsas em relação à oferta, resultando em situação dramática para a inserção dos novos doutores. Esses, muitas vezes com grande potencial para a pesquisa, tinham que ser preteridos em função de seus próprios orientadores, muitas vezes pessoas brilhantes, continuamente convidadas para falar em eventos (Depoente 3). Não há dúvida que o potencial para a pesquisa cresce numa proporção muito maior do que a oferta de cotas para atender a demanda. A qualidade das propostas analisadas e a produção mais qualificada dos pesquisadores da área são uma realidade: A experiência como pessoa e como profissional considero excelente, apesar das reclamações dos pares que solicitavam bolsas e não conseguiam. É um aprendizado ímpar. Na verdade, a demanda sempre foi maior que as cotas destinadas para a área. Sempre entendi a representação como uma maneira de mostrar que a Enfermagem existe como profissão caminhando para a Ciência. Das conquistas, consegui, embora um pequeno número, aumento das cotas. E acredito que a demanda aumentou também. Além da divulgação da área que sempre procurei fazer e auxiliar ao máximo a quem gostaria de pedir PQ. Durante o mandato, três presidentes passaram pelo CNPq; o primeiro, o Prof. Tundizi (da UFSC/São Carlos), aumentou nossas cotas e nos entendeu, ou melhor, compreendeu o que é a Enfermagem e parecia gostar de conversar conosco sobre a nossa profissão (Depoente 5). A necessidade de conviver com as insatisfações de quem não teve suas solicitações contempladas leva a um sentimento de serenidade pela consciência dos limites existentes, e, ao mesmo tempo, vislumbram-se outras possibilidades de demanda em órgãos de fomento ou fontes de recursos que pouco tem sido explorados. Existe o reconhecimento de que a produção de conhecimentos necessariamente requer recursos financeiros,
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humanos, físicos, materiais, logísticos, políticos e outros. A competitividade leva à busca de múltiplas tentativas. E este é um fenômeno que se dá em todas as áreas de conhecimento que, desde logo, marcaram presença em outras agências com a mesma força que se mostrou no CNPq. Parece que a Enfermagem Brasileira carece agora desta compreensão e de mais assertividade na busca de outras alternativas a serem exploradas simultaneamente com as propostas submetidas ao CNPq.
A experiência vivenciada, ao atuar no órgão exercendo o papel de representante, avaliando os processos e os pareceres ad hoc e, ao mesmo tempo, interagindo com os pares que submetiam projetos, nos permitiu uma visão mais abrangente da situação da Enfermagem, de sua evolução, de suas perspectivas e limitações. Se os representantes muito bem convenceram a comunidade sobre a importância de ter sempre uma demanda elevada, precisam agora atuar no sentido de busca de espaços tanto para representação da Enfermagem em outros órgãos (Fundações de Apoio à Pesquisa em cada Estado, por exemplo), como de direcionamento de projetos demandando recursos em outras fontes. A capacidade de crescimento do CNPq é limitada para todas as áreas. Devemos manter nossa presença, buscar sempre a melhoria do perfil científico dos pesquisadores e da qualidade dos projetos, mas urge que outros espaços sejam também conquistados, para garantia de recursos à pesquisa e à transferência dos resultados aos serviços (Depoente 4). A análise da Enfermagem pelas agências, como profissão e ciência, revela algumas conquistas, aumento da demanda de doutores. Porém, é preciso avaliar o real significado que tem para agências, aquilo que consideramos “conquistas”. E é preciso avaliar o real significado para a sociedade. Que conhecimentos foram caracterizados, aprofundados, resultando em melhores condições para os sujeitos de nossas ações? Acredito que temos grande potencial para direcionarmos melhor nosso trabalho para adquirir conhecimentos que beneficiem mais objetivamente a sociedade e identificar focos de interesse. Por exemplo, tenho certeza que, se um grande contingente da Enfermagem estivesse voltado para buscar conhecimentos que melhorassem a qualidade de vida e atenção dos portadores de problemas oncológicos, certamente seríamos muito respeitadas.
Muitas de nossas pesquisas não vêm sendo bem compreendidas, e, se quisermos defendê-las, precisamos dar respostas bem fundamentadas, seja qual for o referencial teórico-metodológico, etc, etc (Depoente 3). Assim como as enfermeiras cresceram em qualidade e quantidade na prática investigativa, por outro lado, vazios de conhecimentos são perceptíveis, e as cobranças também são freqüentes. O impacto do que produzimos requer uma constatação mais precisa, como também a necessidade de dar conta das prioridades da saúde, de produtos tecnológicos que propiciem uma resposta mais incisiva na melhoria da qualidade de vida, e mesmo de inovação que dê retorno econômico mais expressivo. O benefício econômico e social dos conhecimentos produzidos e aplicados na prática da Enfermagem é ainda um desafio para os gerentes das práticas investigativas na área da Enfermagem. Estes depoimentos mostram alguns aspectos relativos às vivências e experiências das representantes na sua representação, bem como as perspectivas de mudança que nos apontam.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As informações descritas possibilitaram, de certo modo, mostrar a importância e a evolução da Enfermagem como ciência e tecnologia e, ainda, a importância do fomento para viabilização das pesquisas, o estímulo ao incremento da pesquisa, os avanços na produção de conhecimentos, os desafios enfrentados e as perspectivas como possibilidades para o fortalecimento e consolidação da Enfermagem 11. O desenvolvimento da pesquisa é uma importante estratégia para o fortalecimento da Enfermagem como ciência e profissão. E o CNPq é um importante órgão de fomento às políticas para o avanço da Enfermagem. Neste estudo, vimos que as profissões de saúde possuem algum tipo de identidade coletiva, e existem peculiaridades que pertencem a uma distinta categoria profissional. Os comportamentos, os conhecimentos e as práticas próprias de cada categoria revelam uma cultura profissional específica. Neste sentido, percebe-se que as relações não estão expressas objetivamente. Elas são intersubjetivas, perpassando nas entrelinhas das relações por meio de expressões que não são mensuráveis, nem essencialmente abstratas^12. Desta forma, este estudo traz dados sobre a presença da representação da Enfermagem no CNPq, que vem fazendo parte da História da Enfermagem Brasileira.