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Erva - Mate, Notas de estudo de Agronomia

cultivo da erva mate

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 22/10/2010

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william-for-11 🇧🇷

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Universidade Federal da Grande Dourados

Reitor: Damião Duque de Farias Vice-Reitor: Wedson Desidério Fernandes

COED Coordenador Editorial da UFGD: Edvaldo Cesar Moretti Técnico de Apoio: Givaldo Ramos da Silva Filho

Conselho Editorial da UFGD Adáuto de Oliveira Souza Edvaldo Cesar Moretti Lisandra Pereira Lamoso Reinaldo dos Santos Rita de Cássia Pacheco Limberti Wedson Desidério Fernandes Fábio Edir dos Santos Costa

Capa: Flor masculina da erva-mate (Foto: G.K. Linney. Acervo: Prof. Gerald D. Carr, Oregon State University - USA)

Ficha elaborada pela Biblioteca Central da Universidade Federal da Grande Dourados

D184e

Daniel, Omar. Erva-mate: sistema de produção e processamento industrial / Omar Daniel. Dourados, MS : UFGD ; UEMS, 2009. 288p.

Bibliografia. ISBN 978-85-61228-52-

  1. Erva-mate – Cultivo. 2. Erva-mate – Industria- lização. 3. Erva-mate – Sistema de produção. I. Título.

Direitos reservados à Editora da Universidade Federal da Grande Dourados Rua João Rosa Goes, 1761 Vila Progresso – Caixa Postal 322 CEP – 79825-070 Dourados-MS Fone: (67) 3411- [email protected] www.ufgd.edu.br

Para Maria do Carmo

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..................................................................................

CAPÍTULO 1 ......................................................................................

Etimologia e evolução histórica .........................................................

1. Etimologia ...................................................................................... 2. Evolução histórica ......................................................................... 3. A erva-mate nas diferentes regiões produtoras ........................... 3.1. A erva-mate na Argentina ........................................................ 3.2. A erva-mate no Brasil .............................................................. 3.2.1. Santa Catarina ............................................................... 3.2.2. Paraná ............................................................................ 3.2.3. Rio Grande do Sul ......................................................... 3.2.4. Mato Grosso do Sul ....................................................... 3.3. A erva-mate no Paraguai ......................................................... 3.4. A erva-mate no Chile e Uruguai ..............................................

CAPÍTULO 2 ......................................................................................

Taxonomia, descrição, ecologia e distribuição geográfica ..............

1. O gênero Ilex****. ................................................................................. 2. Histórico sobre a classificação de I. paraguariensis .................... 3. Sobre as variedades de erva-mate ................................................ 4. Descrição botânica .........................................................................

4.1. Árvore ...................................................................................... 4.2. Casca ........................................................................................ 4.3. Folhas ...................................................................................... 4.4. Flores ....................................................................................... 4.5. Inflorescência ........................................................................... 4.6. Fruto ........................................................................................ 4.7. Semente ................................................................................... 4.7.1. Estrutura e desenvolvimento da semente e embrião .....

5. Ecologia ..........................................................................................

5.1. Áreas de ocorrência natural .....................................................

1.4.8. A semeadura e o sombreamento dos canteiros de sementeiras ...................................................................... 1.4.9. Preparação para a repicagem ........................................... 1.4.9.1. Tipos de embalagens ........................................... 1.4.9.1.1. Sacos de polietileno ............................ 1.4.9.1.2. Tubetes de polietileno ....................... 1.4.9.2. Substrato e adubação de base ................................ 1.4.9.2.1. Substrato ............................................. a) Para sacos de polietileno (plásticos): .............. b) Para tubetes: ................................................... 1.4.9.2.2. Adubação de base ................................ a) Para sacos de polietileno ................................. b) Para tubetes ..................................................... 1.4.10. A repicagem para embalagens ....................................... 1.4.11. A semeadura direta na embalagem ................................ 1.4.12. O sombreamento das mudas ......................................... 1.5. Mudas de regeneração natural ................................................. 1.6. Pseudoestacas .......................................................................... 1.7. Estrutura do viveiro ................................................................. 1.7.1. Tipos de viveiros .............................................................. 1.7.2. Localização ...................................................................... 1.7.3. Preparo do terreno ........................................................... 1.7.4. Implantação de quebra-ventos ......................................... 1.7.5. Drenagem ......................................................................... 1.7.6. Locação dos canteiros ...................................................... 1.7.7. Irrigação ........................................................................... 1.7.8. Estruturas especiais para o sistema de produção de mudas em tubetes ............................................................. 1.8. Condução das mudas ............................................................... 1.8.1. A irrigação ..................................................................... 1.8.2. A adubação de manutenção ........................................... 1.9. Deficiências minerais em mudas ............................................. 1.9.1. Deficiência de ferro ....................................................... 1.9.2. Deficiência de magnésio ............................................... 1.9.3. Deficiência de cálcio ..................................................... 1.9.4. Deficiência de nitrogênio .............................................. 1.9.5. Deficiência de zinco ...................................................... 1.9.6. Deficiência de cobre ......................................................

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1.9.7. Deficiência de fósforo e potássio ..................................... 1.9.8. Efeito das deficiências minerais sobre a produção de matéria seca ..................................................................... 1.10. Preparação das mudas para plantio .................................. 1.11. Poda de formação no viveiro ...........................................

2. Cultivo in vitro de embriões, ou embriogênese tardia ................ CAPÍTULO 5 ...................................................................................... Propagação assexuada ....................................................................... 1. Substâncias promotoras e inibidoras do crescimento ................ 2. Métodos de propagação assexuada da erva-mate ....................... 2.1. Estaquia .................................................................................. 2.1.1. Procedimentos preparatórios ........................................... 2.1.1.1. Seleção de plantas matrizes ............................... 2.1.1.2. Rejuvenescimento das plantas matrizes ............ 2.1.1.3. Retirada dos ramos das matrizes ....................... 2.1.1.4. Condições ambientais para os trabalhos com enraizamento ..................................................... 2.1.1.5. Substrato ........................................................... 2.1.1.6. Preparação e cuidados com as estacas .............. 2.1.2. Tratamento das estacas .................................................... 2.1.2.1. Base auxínica pura ............................................ 2.1.2.2. Base auxínica comercial ................................... 2.2. A micropropagação .................................................................. 2.2.1. Cultivo in vitro de segmentos nodais .................. 2.2.2. Operações de laboratório .................................... 2.2.3. Fonte de explante ................................................ 2.2.4. Cultivo in vitro de microenxertos ....................... 2.2.5. Embriogênese somática ...................................... 2.2.6. Aclimatação ex vitro ...........................................

CAPÍTULO 6 ......................................................................................

Implantação ........................................................................................

1. Preparo de área .............................................................................. 2. Coveamento .................................................................................... 3. Correção e adubação dos solos no plantio ................................... 4. Plantio e cuidados com as mudas .................................................

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1.1. Colheita ................................................................................... 1.1.1. Colheita manual ............................................................ 1.1.2. Colheita mecanizada ..................................................... 1.2. Sapeco ..................................................................................... 1.2.1. Sapeco manual .............................................................. 1.2.2. Sapeco mecânico ........................................................... 1.3. Desidratação ............................................................................ 1.3.1. Processo do carijo ......................................................... 1.3.2. Processo da furna .......................................................... 1.3.3. Processo do barbacuá .................................................... 1.3.4. Processo do desidratador rotativo ................................. 1.4. Fragmentação .......................................................................... 1.4.1. Fragmentação manual ................................................... 1.4.2. Fragmentação animal .................................................... 1.4.3. Fragmentação mecânica ................................................

2. Secagem industrial da erva-mate em planta moderna ............... 3. Operações em nível de indústria ..................................................

3.1. Planta industrial básica de moagem ........................................ 3.2. Planta industrial moderna de moagem ....................................

4. Os adulterantes da erva-mate ....................................................... 5. Classificação e padronização da erva-mate .................................

GLOSSÁRIO ......................................................................................

LEGISLAÇÃO ...................................................................................

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................

ÍNDICE DE FIGURAS ......................................................................

225 226 227 227 228 229 230 230 230 231 231 232 232 233 233 234 234 236 236 237 239 247 251 253 283

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INTRODUÇÃO

A erva-mate é uma planta nativa do Brasil e Paraguai, produtora de folhas multiuso. Delas, além do consumo praticamente in natura como chimarrão e tereré, também são extraídos vários produtos utilizados na indústria alimentícia e química.

Na forma de chimarrão e tereré, o consumo da erva-mate tem aumentado muito nos últimos anos, especialmente em função da entrada dos jovens no rol dos usuários destes produtos. Como chás de mate, já tradicionais no mercado do sudeste e sul do Brasil, a erva-mate tem atingido novas fronteiras, como os EUA, Europa e Oriente Médio.

Dentre os produtos extraídos das folhas desta árvore e que gradativamente têm ocupado seu espaço, destaca-se a potencialidade do extrato nebulizado, com aplicação como componente intermediário na indústria farmacêutica e alimentícia.

O uso tradicional em vários países da América do Sul, aliado às suas propriedades químicas, fizeram da Argentina o primeiro produtor mundial de erva-mate. Em segundo lugar encontra-se o Brasil, cuja produção se concentra principalmente nos estados do sul e no Mato Grosso do Sul.

No Brasil, 90% da erva-mate produzida é proveniente de árvores nativas. Em geral estas colheitas são mal conduzidas, sem a aplicação de técnicas de poda e de recuperação adequadas, resultando em decadência dos ervais e, em muitos casos na morte da maioria das plantas.

Nos plantios de erva-mate também se percebe o empirismo como prática geral de trabalho. Aperfeiçoamentos na produção de mudas por sementes ou por propagação vegetativa, no plantio, no manejo da cultura, nas técnicas de poda, na adubação, na colheita e no processamento, podem acarretar alterações positivas na produtividade e consequentemente na redução dos custos, além da melhoria da qualidade do produto final.

Os produtores ainda trabalham sem muita tecnologia tais como: a seleção de clones mais produtivos e voltados a exigências específicas do mercado consumidor; espaçamentos adequados ao tipo de solo ou de manejo da cultura; níveis corretos de adubação; uso dos benefícios das

CAPÍTULO 1

Etimologia e evolução histórica

1. Etimologia

A erva-mate, Ile x paraguarienses (Aquifoliácea), é uma planta nativa da flora sul-americana que, segundo o Instituto Euvaldo Lodi, possui as seguintes denominações: matin ou mati na língua quéchua; erva mate , chá- de-Paraguai , chá dos jesuítas , erva do diabo , yerba- santa assim chamada pelos uruguaios e ka’a em idioma guarani (INSTITUTO EUVALDO LODI, 1986, p.32). O vocábulo mati de origem quéchua significa cabaça, cuia ou porongo e caracteriza-se como um recipiente feito do fruto maduro da cucurbitácea Legenaria vulgaris. Entretanto, os conquistadores espanhóis aplicaram o termo para referirem-se ao que o nativo guarani denominou “caiguá” ( káa = erva, y = água, gua = sufixo de procedência), ou seja, “o que pertence à água”, ou “o da água” (RAU, 1997).

2. Evolução histórica

A origem do uso da erva mate se remete às populações pré- colombianas,e se difundiu por praticamente todo o mundo. Por suas propriedades naturais, desde cedo a erva despertou grande admiração tanto da parte dos povos nativos quanto dos colonizadores europeus que alcançaram o Brasil a partir do século XVI. Segundo o Instituto Euvaldo Lodi (1986, p.30), a planta apresentava as seguintes características:

Essa variedade arbórea, segundo atestavam alguns estudiosos da época, possuía, inegavelmente, inúmeras propriedades, tais como: descanso total para os músculos, atenuadora da fome, rica em alcaloides, diurética, levantadora das forças alquebradas e... até de alto poder afrodisíaco. Também essa ‘folha’ tornava o índio ‘dono da floresta’ de espírito, altamente belicoso....

Omar Daniel

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Embora haja poucos vestígios arqueológicos que indicquem a utilização da erva-mate em tempos pré-colombianos (MAZUCHOWSKI, 1989), alguns estudos dão conta de que foram os nativos guarani que ensinaram seu uso aos espanhóis durante a ocupação castelhana no Paraguai.

Alguns escritores afirmam que por volta de 1670, os jesuitas deram início ao cultivo da erva-mate e, como consequência, ao longo do tempo o ameríndio guarani, convertido ao Cristianismo, tornou-se economicamente dependente do produto..

A expulsão dos jesuítas em 1767 representou um atraso para a história da erva-mate, enquanto produto de mercado. Foi o retorno à atividade baseada na extração, na qual as populações nativas dessa espécie de plantas voltaram a ser exploradas de forma exclusiva e inadequada. O uso da erva persistiu, espalhando-se extensivamente, incluindo a região do Vice-reinado do Peru, onde existia outro estimulante a base de metil xantinas, a Ilex guayusa (Loes) Shemluck, também comercializada pelos religiosos da região de Quito.

O enfraquecimento do cultivo da erva-mate nos agrupamentos de nativos cristianizados, por volta de 1820, e a política de isolamento e controle do mercado internacional, mantida pelo primeiro governador do Paraguai independente, levou o Brasil, na mesma época, a iniciar a exploração de populações nativas de erva.

No início do século 19, o naturalista francês August de Saint- Hilaire empreendeu várias viagens ao Brasil. Em 1820 Saint-Hilaire esteve no Rio Grande do Sul, Curitiba e litoral e, ao retornar à França, em 1823, apresentou um relatório descritivo dos ervais sulinos brasileiros à Academia de Ciências do Instituto da França, onde propôs a designação de Ilex paraguariensis ou I. mate (SAINT-HILAIRE, 1939). Vale lembrar que no final do século XIX, as limitações à exploração intensiva dos recursos florestais estimularam esforços para a implantação de grandes plantios.

Durante o século XIX o comércio de erva-mate se manteve ativo e foi generalizadamente utilizado na região onde são hoje Peru e Equador, embora após a independência das colônias espanholas e com a adoção do livre comércio, o chá inglês tenha começado a ser introduzido nessas regiões. O resultando dessa expansão comercial foi a perda gradual do mercado da erva-mate nos Andes.