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Esquema corporal, Esquemas de Fisioterapia

o Esquema corporal

Tipologia: Esquemas

2012

Compartilhado em 08/11/2012

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nay-ribeiro-2 🇧🇷

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Fundamentos da Educação Infantil Prof. Dorival Rosa Brito
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ESQUEMA CORPORAL
Ao se estudar como ocorre a construção do esquema corporal no indivíduo, necessita-se estudar outro
conceito que, comumente, é mal empregado: imagem corporal. Este é eminentemente da ordem do inconsciente
enquanto o esquema corporal é em parte consciente e também, pré-consciente.
Imagem Corporal
Pretende-se neste capítulo apresentar como a psicomotricidade concebe a imagem corporal e como se
conecta com a visão infantil do próprio corpo enquanto instrumento uno de si mesma e de relação com o meio e
com os outros. O caminho narcisista trilhado pela criança na fase em que se descobre fusão de um corpo sentido
globalmente e a imagem especular
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vai exercer um papel dominante sobre si mesma. Pode-se também afirmar
que através do corpo a criança declara a sua individualidade e se intera através dele com o meio, formando com
isso sua maneira de ser. Pelo exposto até aqui é pertinente afirmar que toda relação corporal implica uma
relação psicológica.
Narcisismo e imagem do corpo
A criança se apropria de seu corpo no momento em que se desliga do amor objetal que a une a sua mãe.
O caráter narcisista vem com a expansão da visão de si mesma que a criança passa a ter. A atividade motora é o
meio pelo qual a criança percebe seu corpo globalmente, ao passo que no nível sensorial apenas parcelas de
imagens, através das zonas erógenas, eram percebidas. A libido narcisista se inspira na imagem global do
corpo.
a) Da identificação ao narcisismo
Segundo Le Boulch (1992) a criança adquire o conhecimento de seu “corpo próprio” introjetando a
imagem de outra, e em primeiro lugar, o corpo da mãe.
A identificação é o processo pelo qual a criança, em seu meio, harmoniza-se posturalmente em relação a
outra pessoa pela ligação afetiva que possui com ela.
A função de interiorização inicia-se aos três anos, quando o narcisismo infantil alcance um nível
elevado; a criança se conscientiza da sua individualidade através da personalidade, negando os modelos até
então impostos. Esta personalidade terá como característica a oposição às atitudes de outras pessoas, para se
afirmar.
O ambiente familiar influencia com as relações que nele se operam na identificação e na atitude
narcisista. O comportamento da criança se torna peculiar; indo do desejo de aprovação ao desejo de ser
apreciada e outros meio típicos de expressar seus sentimentos de independência através dos quais ela quer
afirmar-se.
b) Jogos simbólicos e imaginação
A imaginação é o mundo alternativo infantil para o qual a criança se volta quando a realidade não é
propícia para experimentar seus personagens.
Até agora, os jogos funcionais tornaram possível à criança confrontar-se com o mundo dos objetos,
permitindo-lhe a aquisição de numerosas praxias e desenvolvendo a função de ajustamento. A
emergência da função de interiorização, que é paralela ao rápido desenvolvimento da função simbólica,
vai passar além do jogo funcional ao jogo simbólico, verdadeira atividade projetiva própria para criar um
universo mágico onde o real e o imaginário se misturam (LE BOULCH, 1992, p. 97).
Dessa maneira a criança passa a correlacionar ambos as realidades, sem que o imaginário venha a
interferir no tangível. O jogo simbólico se insere no tempo e espaço ao mesmo tempo em que o objeto ou
outra pessoa encontram-se presentes e a criança tem de confrontá-los. Nesse jogo, a criança vive uma
experiência real no imaginário, e assim se torna apta a perceber a verdade do mundo real.
c) O conflito edipiano
O conflito edipiano é a forma como os psicanalistas se referem ao momento da descoberta dos órgãos
genitais, do interesse pela diferenças entre os sexos e à confusão quanto ao papel dos sexos na relação com
a mãe. Le Boulch (1992) afirma que os psicanalistas descrevem as relações entre a criança e os pais
baseados em uma família monogâmica, nos moldes da cultura ocidental vigente, e na repressão sexual
histórica atrelada a este modelo de unidade familiar. Pode-se analisar a questão do confronto entre a criança
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A imagem especular constitui-se na da descoberta pela criança de sua própria imagem no espelho, por volta de seis meses de idade. A princípio a criança fica surpresa com a imagem que vê. Observa seu
reflexo, sorri para si mesma sem se reconhecer. Ao ver a imagem do adulto que a segura, sorri para ela e se volta surpresa quando este lhe fala. A representação que ela possui deste adulto vai se somar à
imagem especular dele
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ESQUEMA CORPORAL

Ao se estudar como ocorre a construção do esquema corporal no indivíduo, necessita-se estudar outro conceito que, comumente, é mal empregado: imagem corporal. Este é eminentemente da ordem do inconsciente enquanto o esquema corporal é em parte consciente e também, pré-consciente.

Imagem Corporal Pretende-se neste capítulo apresentar como a psicomotricidade concebe a imagem corporal e como se conecta com a visão infantil do próprio corpo enquanto instrumento uno de si mesma e de relação com o meio e com os outros. O caminho narcisista trilhado pela criança na fase em que se descobre fusão de um corpo sentido globalmente e a imagem especular^11 vai exercer um papel dominante sobre si mesma. Pode-se também afirmar que através do corpo a criança declara a sua individualidade e se intera através dele com o meio, formando com isso sua maneira de ser. Pelo exposto até aqui é pertinente afirmar que toda relação corporal implica uma relação psicológica.

Narcisismo e imagem do corpo A criança se apropria de seu corpo no momento em que se desliga do amor objetal que a une a sua mãe. O caráter narcisista vem com a expansão da visão de si mesma que a criança passa a ter. A atividade motora é o meio pelo qual a criança percebe seu corpo globalmente, ao passo que no nível sensorial apenas parcelas de imagens, através das zonas erógenas, eram percebidas. A libido narcisista se inspira na imagem global do corpo. a) Da identificação ao narcisismo Segundo Le Boulch (1992) a criança adquire o conhecimento de seu “corpo próprio” introjetando a imagem de outra, e em primeiro lugar, o corpo da mãe. A identificação é o processo pelo qual a criança, em seu meio, harmoniza-se posturalmente em relação a outra pessoa pela ligação afetiva que possui com ela. A função de interiorização inicia-se aos três anos, quando o narcisismo infantil alcance um nível elevado; a criança se conscientiza da sua individualidade através da personalidade, negando os modelos até então impostos. Esta personalidade terá como característica a oposição às atitudes de outras pessoas, para se afirmar. O ambiente familiar influencia com as relações que nele se operam na identificação e na atitude narcisista. O comportamento da criança se torna peculiar; indo do desejo de aprovação ao desejo de ser apreciada e outros meio típicos de expressar seus sentimentos de independência através dos quais ela quer afirmar-se. b) Jogos simbólicos e imaginação A imaginação é o mundo alternativo infantil para o qual a criança se volta quando a realidade não é propícia para experimentar seus personagens. Até agora, os jogos funcionais tornaram possível à criança confrontar-se com o mundo dos objetos, permitindo-lhe a aquisição de numerosas praxias e desenvolvendo a função de ajustamento. A emergência da função de interiorização, que é paralela ao rápido desenvolvimento da função simbólica, vai passar além do jogo funcional ao jogo simbólico , verdadeira atividade projetiva própria para criar um universo mágico onde o real e o imaginário se misturam (LE BOULCH, 1992, p. 97). Dessa maneira a criança passa a correlacionar ambos as realidades, sem que o imaginário venha a interferir no tangível. O jogo simbólico se insere no tempo e espaço ao mesmo tempo em que o objeto ou outra pessoa encontram-se presentes e a criança tem de confrontá-los. Nesse jogo, a criança vive uma experiência real no imaginário, e assim se torna apta a perceber a verdade do mundo real.

c) O conflito edipiano O conflito edipiano é a forma como os psicanalistas se referem ao momento da descoberta dos órgãos genitais, do interesse pela diferenças entre os sexos e à confusão quanto ao papel dos sexos na relação com a mãe. Le Boulch (1992) afirma que os psicanalistas descrevem as relações entre a criança e os pais baseados em uma família monogâmica, nos moldes da cultura ocidental vigente, e na repressão sexual histórica atrelada a este modelo de unidade familiar. Pode-se analisar a questão do confronto entre a criança

1 A imagem especular constitui-se na da descoberta pela criança de sua própria imagem no espelho, por volta de seis meses de idade. A princípio a criança fica surpresa com a imagem que vê. Observa seu reflexo, sorri para si mesma sem se reconhecer. Ao ver a imagem do adulto que a segura, sorri para ela e se volta surpresa quando este lhe fala. A representação que ela possui deste adulto vai se somar à imagem especular dele

e o papel da mãe e do pai como a o modo como o indivíduo reage à erotização da relação com os progenitores, ora potencializando o componente sexual e direcionando-o a um dos pais, o que acaba por distanciá-lo do outro membro parental, tornando-o hostil a seus olhos, ora tendendo a incorporar com maior intensidade uma imagem de masculinidade e feminilidade, provavelmente aquela que assumirá a criança no futuro.

A forma mais simples do complexo de Édipo consiste no amor do menino pela mãe e no ódio pelo pai. Sentindo, pelo pai, apenas ódio, o conflito é menos complicado e manifesta-se em hostilidade aberta contra a figura paterna, tornando-se portanto uma luta externa. Na realidade, porém, isto raramente acontece, pois há quase sempre, uma atitude ambivalente do menino para com o pai, isto é, ao mesmo tempo que o odeia, também o quer bem. Estes sentimentos ambivalentes constituem o aspecto mais importante para o desenvolvimento do complexo. No sentido inverso, o mesmo ocorre com a menina. Entretanto, as relações objetais edipianas no sexo feminino são um pouco mais complexas, pois a menina precisa dar um passo maior que o menino para ir de encontro ( sic ) ao seu objeto amoroso. Isto porque, no início da fase fálica, tanto um como outro estão fortemente ligados à mãe. Assim, ao contrário do menino, a menina precisa desligar-se emocionalmente da mãe, ou melhor, trocá-la pelo pai e passar a considerá-la uma rival. (D’ANDREA, 1991, p. 61-2)

Sendo o complexo de Édipo um fenômeno hoje visto como uma etapa natural no desenvolvimento do ser humano, embora envolto pela codificação cultural própria de cada época ou civilização, é possível identificá-lo e compreendê-lo à medida que, a cada etapa do processo de formação da personalidade, novos significados vão sendo adicionados ao corpo e à imagem da criança como ela vê a si própria.

Percepção e imagem do corpo

A imaginação exerce uma função de catalisador na evolução da imagem do corpo. Ao adquirir a visão conjuntural das estruturas do mundo real, a criança passa a operar no mundo objetivo e utilizar sua imaginação criadora para interferir no ambiente. Neste momento, observa Oliveira (1997), “ela apreende sua imagem especular como um reflexo, uma imagem, uma representação, um símbolo”. As etapas do desenvolvimento natural, sem a presença de déficits e a prevenção para estes são vistas mais claramente com a noção dos passos da evolução das praxias, da percepção e da representação mental do espaço em uma perspectiva global.

Para Wallon, a imagem do corpo se constrói progressivamente, por um processo de amadurecimento neurofisiológico da criança. O reconhecimento da própria imagem do corpo, depois da imagem do corpo de quem está próximo é um processo tônico-postural. Para ele, uma criança sente prazer em se descobrir, em se tocar. Percebe os objetos que são colocados sobre sua perna, seu braço, sua mão e, por fim, sobre seu tronco. O espelho representa uma ajuda que facilita o aparecimento das “identificações sucessivas” em que ela se identifica, se distingue das coisas e, por fim, do resto do mundo que ora dominar mais tarde. Tudo isto a criança consegue realizar por um processo de maturação, e passa por um processo de conscientização progressiva do corpo próprio como uma realidade distinta do meio circundante (OLIVEIRA, 1997).

Percebendo-se como indivíduo inserido na perspectiva espacial, a criança começa a notar todas as diferenças, não só no nível corporal, mas também do seu meio com relação ao alcance de seus movimentos.

a) Do corpo vivido à imagem visual do corpo A imagem da criança refletida no espelho constitui-se em uma experiência de descoberta pessoal rica em significados; Lacan (apud Oliveira, 1997) foi um dos pioneiros a salientar o estágio do espelho como fundamental para o desenvolvimento do esquema corporal. Para ele, a criança, até mais ou menos seis meses de idade, possui uma visão de corpo fragmentado, retalhado, e com a imagem especular começa a se ver de forma integrada, organizada, como um todo. As reações posturais e gestuais são os movimentos que a criança vai realizar até perceber que ela possui o domínio sobre a imagem refletida. A experiência do espelho desencadeia a apropriação da imagem especular, permitindo a fusão de duas realidades do corpo: uma primitiva, feita de sensações viscerais, musculares e cinestésicas difusas organizadas como um todo nos ajustamentos práxicos e posturais; a outra, que servirá de trama à organização do esquema corporal, verdadeira imagem visual representada por uma figura fechada destacando-se sobre um fundo interior, no qual certos elementos mal localizados já tenham sido identificados (LE BOULCH, 1992, p. 99).

verificação do que é sentido durante a execução da tarefa. Dessa maneira há uma maior associação entre informações visuais e informações táteis e cinestésicas. a) Reforço verbal dessas percepções A experiência concreta de que decorre a percepção pela criança deve estar também ligada à verbalização

  • um dos níveis de utilização da função simbólica, na opinião de Le Boulch (1992) “deverá seguir passo a passo as verdadeiras aquisições feitas no plano cinestésico”. Daí conclui-se que a percepção visual deve estar relacionada a uma associação cinestésica verbal.

Conseqüências da evolução da imagem do corpo no pólo motor do comportamento Observa-se que certas aptidões são conquistas psicomotoras significativas para a criança. Entretanto, observou Le Boulch que no desenvolvimento motor pode ocorrer o que se chama de “desaparição e ressurgência de aptidões”. Se no desenvolvimento global, aos três anos, a criança registra um grande impulso na exploração sensório-motora, e esta habilidade motora permitir-lhe-á a programação de uma resposta baseada em uma representação mental. a) A importância do tratamento consciente da informação nesta passagem Le Boulch (1992) acredita que a criança é capaz de passar de um nível global de ajustamento a um nível de ajustamento a partir de sua própria representação mental. Daí em diante expande-se a disponibilidade corporal, conseqüência direta do trabalho perceptivo realizado na função de interiorização. Caracteriza-se como uma função neocortical a competência de análise discriminativa fina das informações do próprio corpo. Notamos que, entre os três e os seis anos, a criança ainda não tem resolvido o duplo problema do ajustamento eficaz e do controle segmentário durante a execução motriz. Não existe pois, no plano da coordenação práxica propriamente dita, progresso significativo desta idade. A forma de aprendizado é um aprendizado primário por insight , o qual se deve continuar exercendo globalmente (LE BOULCH, 1992, p. 103). A criança nesta fase encontra-se em busca de suporte para aumentar a capacidade da função de ajustamento, em que pese associações cada vez mais complexas, para adquirir globalmente novas competências. b) A evolução do controle tônico A reação da criança a estímulos está relacionada ao prazer que pode obter ao satisfazer suas necessidades imediatas. A inibição dos impulsos motores na criança pode partir dela própria para escolher entre a quantidade de estímulos e as respostas adequadas à situação. O ambiente é um fator determinante quanto ao equilíbrio da criança no que diz respeito a atitudes e inibições que refreiam atividades, como proibições firmes inculcadas desde o nascimento. c) O ajustamento tônico e a mímica O afeto, no estágio do corpo vivido, exerce um papel preponderante no que tange a tendência da criança de imitar inconscientemente aqueles que a rodeiam e despertam um interesse afetivo nela. Atitudes e movimentos espontâneos vão sugerir em nível psicomotor o diálogo tônico primeiramente com a mãe, depois com outra pessoa. Com essa relação afetiva, a criança vivencia corporalmente as emoções de outra pessoa, sentindo os sentimentos literalmente no seu corpo. Dessa maneira, a criança estrutura situações emocionais e afetivas – em forma de função simbólica. O jogo simbólico, que se diferencia do simples jogo do exercício funcional, durante o qual a criança representa por gestos, objetos, ações ou pessoas, é, pois, uma prolongação da imitação. Salientamos que a estreita filiação, sublinhada por Piaget, entre o fenômeno afetivo de identificação, traduzindo-se pela imitação inconsciente, e “seu produto interiorizado, a imagem”, que tem a força de todo o pensamento representativo (LE BOULCH, 1992, p.104).

Destaca-se, na formação da personalidade, a imitação de personagens, reais ou imaginários. Dessa imitação surge a introjeção e a compreensão de uma variedade de atitudes, possibilitando o intercâmbio com seus semelhantes. Neste estágio a criança vai ser capaz de entender inconscientemente certas atitudes, posturas ou mímicas. Pode até mesmo imitar a partir de uma imagem mental, formulando uma organização postural e mímica de acordo com suas reações emocionais. Conclui-se que intencionalmente a criança pode organizar estruturas tônico-emocionais.

O corpo, para a criança de três anos, é um objeto total no mecanismo da relação, dessa relação extrai-se a vivência corporal tornada em comportamento de exploração. É uma satisfação originada da satisfação libidinosa oriunda da vida pré-uterina, da relação com a mãe e da aprovação materna na presença das experiências motoras da criança. Le Boulch (1992) afirma que “estas experiências motoras valorizadas pela atitude do adulto têm permitido à criança uma certa familiaridade com seu corpo e tem favorecido a aparição de uma consciência vaga de sua unidade corporal”. O prazer prolongado no jogo corporal decorre da experiência plena de um corpo vivido, e desencadeia uma interiorização narcisista. Dessa forma a criança está apta a centrar sua atenção sobre o corpo e fazer uma discriminação fina das partes do corpo em relação à localização das mesmas sobre a imagem visual. Wallon (apud Le Boulch, 1992) afirma que a imagem visual do corpo e a imagem cinestésica, ao se fusionarem, demarcam um estágio importante da estruturação do esquema corporal. Em síntese, observa-se conclusivamente que o ajustamento motor global está ligado à multiplicação dos esquemas e ao progresso da função simbólica. Na motricidade, o controle tônico e postural adequado representa o progresso desejado, o qual não pode prescindir da evolução da atenção e das funções perceptivas.

Esquema corporal

Para conceituar a expressão “esquema corporal”, buscar-se-á, em um primeiro momento, o aspecto histórico que a introduziu nos meios científicos. A expressão esquema corporal apareceu pela primeira vez em 1911, criado pelo o neurologista Henry Head, com a proposta de construir um modelo postural do ser humano. Segundo Head (apud OLIVEIRA, 1997), O córtex cerebral recebe informações das vísceras, das sensações e percepções táteis, térmicas, visuais, auditivas e das imagens motrizes, o que facilitaria a obtenção de uma noção, um modelo e um esquema de seu corpo e das suas posturas. Head ainda afirma que o esquema corporal armazena não só as impressões presentes como também as passadas.

A imagem do corpo que cada um tem de si mesmo é estruturada no esquema corporal; para organizar a imagem do corpo como núcleo central da personalidade, estabelecem-se relações mútuas entre organismo e o meio. Oldfield e Zangwill (apud LE BOULCH, 1992), definem o esquema corporal como um complexo de relações em que impulsos periféricos são registrados pelo esquema e este é mantido a par do estado do organismo periodicamente, oferecendo a base para a utilização dos impulsos ulteriores. Machado (2004) acredita que, para a criança agir, precisa ter um corpo organizado nos seus vários aspectos: Psicológicos, psicomotores, emocionais, cognitivos e sociais. A citada autora apresenta o esquema corporal organizado dentro da percepção e do controle do próprio corpo através da interiorização das sensações. Considera-se nessa perspectiva a importância da interiorização para que a criança tome consciência de seu esquema corporal. Esse Esquema corporal organizado permitirá à criança se sentir bem, pois terá condições de alcançar um poder cognitivo superior, a partir do domínio sobre o corpo adquirido. Para uma criança agir através de seus aspectos psicológicos, psicomotores, emocionais, cognitivos e sociais, precisa ter um corpo “organizado”. Essa organização de si mesma é o ponto de partida para que descubra suas diversas possibilidades de ação e, portanto, precisa levar em consideração aspectos neurofisiológicos, mecânicos, anatômicos, locomotores (OLIVEIRA, 1997).

O desenvolvimento global da criança se torna mais dinâmico dentro dos parâmetros apresentados na organização e no controle do corpo. Seus movimentos serão estudados pela previsão das conseqüências das ações, haverá uma independência dos diferentes segmentos corporais e um domínio das pulsões e das inibições. Schilder (apud OLIVEIRA, 1997) ultrapassou os limites da neuropsicologia, e, baseado nas idéias de Head, criou o conceito de imagem corporal – uma representação mental de nosso corpo que não constitui uma mera percepção, mas uma integração de diferentes gestalten. Schilder coloca o esquema corporal como imagem tridimensional que todo mundo tem de si mesmo. Em uma visão sócio-histórica de como o corpo é visto através dos tempos, até chegar-se à época atual, verifica-se uma espécie de “renascimento” estético, assim como o foi na Renascença do século XVI, em que o centro das atenções passou a ser a figura humana e os aspectos físicos em relação ao pensamento voltado para a experiência vivida. Nessa perspectiva, Bruhns (2000) observa que “surge uma nova ética na relação com o

A função de interiorização permite também a passagem do ajustamento espontâneo, citado na primeira fase, a um ajustamento controlado que, por sua vez, propicia um maior domínio do corpo, culminando em uma maior dissociação dos movimentos voluntários. A criança com isso passa a aperfeiçoar e refinar seus movimentos adquirindo uma maior coordenação dentro de um espaço e tempo determinado (OLIVEIRA, 1997).

Segundo De Meur e Staes (1991), neste período a criança passa a um trabalho sensorial mais elaborado e à associação dos componentes corporais aos diversos objetos da vida quotidiana. Esta fase está diretamente relacionada com a anterior, pois as descobertas e experiências prévias vividas pela criança servirão de base para poder atuar na fase subseqüente. Seu domínio e seu eixo corporal se tornam instrumentos para ver seu corpo como um ponto de referência para se situar e situar os objetos em seu espaço e tempo. A estruturação espaço- temporal começa a maturar a partir das aquisições até aqui observadas. A criança pode agora se orientar espacial e temporalmente a partir de seu próprio corpo. Dessa forma acaba por se habilitar a representar os elementos de espaço, descobrindo formas e dimensões. Esse momento flagra a assimilação de conceitos como embaixo, acima, direita e esquerda. Adquire também noções temporais como a duração dos intervalos de tempo, de ordem e sucessão, isto é, o que vem antes, depois, primeiro, último. Em conclusão, esta fase assinala o início da fase conhecida como pré-operatório (tanto o nível de comportamento motor como o nível intelectual pode ser caracterizado por esta fase), o submetido à percepção num espaço em parte representado, mas ainda centralizado sobre o próprio corpo. 3ª ETAPA: CORPO REPRESENTADO (7 a 12 anos) Nesta etapa observa-se a estruturação do esquema corporal, assim como a ampliação e a organização do mesmo. De Meur e Staes (1991) declaram que “é a etapa em que a criança poderá exercitar todas as suas possibilidades corporais”. “Conhece a partes do corpo, a disposição, as posições”, o que pode ser notado corretamente pelo ambiente com um controle e domínio corporal. A verbalização e o desenho da figura humana demonstram o domínio da criança sobre seus movimentos. Oliveira (1997) observa que “no início desta fase a representação mental da imagem do corpo consiste numa simples imagem reprodutora”. “É uma imagem de corpo estática e é feita da associação estreita entre os dados visuais e cinestésicos”. Le Boulch (apud Oliveira, 1997) menciona “uma representação mental de uma sucessão motora”, referindo-se ao período em que a criança adquire uma imagem mental do corpo em movimento com a introdução do fator temporal – entre dez e doze anos. Outra característica desta etapa é a imagem de corpo antecipatória, não mais somente reprodutora, o que revela um verdadeiro trabalho mental relacionado à maturação e progresso das funções, período ao qual Piaget (apud OLIVEIRA, 1997) chamou de “estágio das operações concretas”. Outro fator que Le Boulch apresenta, como correspondente ao estágio das operações concretas, é a passagem da centralização do corpo, isto é, da percepção de um espaço orientado em torno do corpo próprio à descentralização, à representação mental de um espaço orientado “no qual o corpo está situado como objeto”. Com isto pode-se afirmar que os pontos de referência não mais estão baseados no próprio corpo, e sim no exterior, podendo o sujeito criar os pontos de referência que servirão para orientá-lo. Em síntese, conclui-se que, no processo de formação da personalidade, a criança encontra em seu corpo um instrumento imprescindível de auto-afirmação e de autoconhecimento, utilizando-se dos movimentos e das habilidades gradualmente adquiridas para explorar o espectro cognitivo das esferas junto às quais interage, em um processo evolutivo rico em significados e símbolos. Observa-se também as peculiaridades da maneira como o indivíduo em idade infantil concebe a si mesmo e aos outros por conta de sua experiência corporal no contato com a mãe, da descoberta da imagem especular no espelho e da construção do esquema corporal no decorrer da infância. Considera-se o trabalho investigativo e teórico dos autores estudados como essenciais para a compreensão dos conceitos que se estabeleceram e a evolução dos mesmos na convergência para a formulação de conceitos-chave mais abrangentes para a definição de períodos de maturação e crescimento.