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ESTÁGIO FINAL CURSO DE LETRAS , ENSINO MÉDIO
Tipologia: Redação
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Não perca as partes importantes!





























































































Florianópolis, SC 2012
Relatório final de estágio de docência apresentado à disciplina Estágio de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura I, do 9° período do curso de Letras Português da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para aprovação na disciplina. Orientadora: Chirley Domingues
Florianópolis, SC 2012
O relatório final de estágio de docência de Língua Portuguesa e Literatura I: Um Olhar Atento ao Ensino na EJA tem como objetivo apresentar, de forma detalhada, a trajetória de preparação, e execução da prática de intervenção em sala de aula, bem como as reflexões acerca dessa prática, evidenciando a importância desse espaço dentro da Academia e a necessidade do contato, ainda mediado pela professora-orientadora, com a realidade escolar. Também detalha os processos vivenciados durante o Estágio Obrigatório I, mostrando as ideias norteadoras, as bases teóricas que sustentaram o projeto e o resultado do caminho percorrido, realçando as boas surpresas e apontando as dificuldades e os anseios das estagiárias.
Palavras-chave: Estágio obrigatório I; Letras Língua Portuguesa e Literatura; Relatório Final.
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O presente relatório faz parte das exigências do currículo de Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa, da Universidade Federal de Santa Catarina e tem como objetivo explanar de forma detalhada e honesta os processos de pesquisa, elaboração, execução e reflexão das vivências experenciadas durante todo o semestre de Estágio I. O estágio foi dividido em quatro partes, sendo elas: observação da turma, planejamento de ensino, ministração das aulas e projeto extraclasse. Nossa experiência teve início com a visita à escola, necessidade primeira para que a turma fosse observada e analisada, a fim de que a elaboração das propostas de atividades pudessem ser condizentes com a realidade e necessidades dos alunos. Esse primeiro contato foi necessário, também, para conhecermos o espaço em que desenvolveríamos a prática, no caso o CEJA – Centro de Educação de Jovens e Adultos, bem como para conhecermos e nos apresentarmos a alguns gestores, ao professor de Língua Portuguesa em cuja turma iríamos estagiar, além, é claro de termos o nosso primeiro contato com os alunos. Após a visitação, ainda tivemos um período para observar o ambiente escolar e a turma que nos acolheria. Através dessa observação foi possível esboçar uma estratégia, de ensino, que alcançasse nosso aluno-alvo, considerado como sujeito único com necessidades e carências que precisam ser supridas dentro de sala de aula. Nosso objetivo, no período de observação, era saber avaliar o ambiente escolar da turma em questão. Só assim existiria a possibilidade de que nossas intervenções de docência fossem eficazes. Para tanto, durante o período de estágio foram dedicados 10h/a para a observação. Concluído esse período de contato inicial, passamos pelo processo de reflexão do que foi observado e escolha das melhores alternativas para que houvesse um aproveitamento satisfatório no período da prática efetiva. Este foi o momento preciso da preparação das intervenções: elaboração das aulas, escolhas dos materiais e recursos, afinidades teóricas etc. Nesse passo, as intervenções foram realizadas e a prática de docência finalmente ultrapassou a linha das teorias e alcançou a sala de aula. Nossas experiências serão detalhas mais a frente. O processo de Estágio I também foi perpassado pela atividade de docência extraclasse, explorando o gênero Oficina.
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informatizada; 01 (uma) sala de acessoria pedagógica; e 01 (uma) sala de coordenação de turma. O Projeto Político Pedagógico (2009) desta instituição escolar sublinha que no ano de 1973, uma pesquisa realizada pelo MEC mostra que o Brasil possuía cerca de 21 milhões de jovens e adultos com faixa etária de 15 a 39 anos sem a escolarização do Ensino Fundamental. Para suprir as necessidades de uma sociedade em desenvolvimento e que, por conseguinte, necessitava de indivíduos escolarizados, criou-se o ensino modularizado e os Centros de Estudos Supletivos – CES, que objetivava reduzir o custo da educação e atender as demandas do país. Em Santa Catarina, em 1976, a Secretaria de Estado da Educação inicia a preparação e organização dos profissionais que iriam trabalhar neste novo método de ensino. Inicialmente, o CES foi considerado como uma Escola do Futuro, pois, entre outras coisas, ela trazia a possibilidade da alfabetização de jovens e adultos por meio de tecnologias educacionais avançadas para a época, já que permitia ao aluno uma boa flexibilização de horários para estudo. Sendo assim, por meio do Parecer n° 131/77 do Conselho Estadual de Educação fica autorizado o funcionamento do projeto em que se constitui o CES de Florianópolis, primeiramente atendendo somente o Ensino Fundamental. No ano de 1986, inicia-se o funcionamento do Ensino Médio no CES de Florianópolis. Contudo, foi no ano de 1999, que ocorre uma importante mudança, pois o CES é transformado em Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA, por meio da Resolução 64/68/CEE/SC que vai adequar, visto os critérios da LDB de 1996, a modalidade de educação para jovens e adultos em Santa Catarina. Àqueles interessados em frequentar a Educação de Jovens e Adultos devem respeitar a idade de ingresso estipulada pela rede estadual de ensino, que neste caso é de 18 anos, tanto para o Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio. Contudo, esse requisito pode ser ignorado em situações específicas, como por exemplo: pode-se matricular alunos a partir de 15 (quinze) anos quando: residentes em zona rural; alunos com alta defasem idade/série e que residam em locais onde não há possibilidade de oferta de ensino noturno; alunos de Educação Especial; alunos que trabalham em sistemas de turnos; alunos em situações de risco, indicados pelo Ministério Público; alunos que façam parte do Programa Brasil/Santa Catarina Alfabetizada. Também se torna possível a matrícula de alunos na EJA a partir dos 14 (quatorze) anos devido as seguintes situações:
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na casa Familiar Rural e do Mar e nas Unidades de Internação de Adolescentes em Conflito com a Lei, no Ensino Fundamental. A partir deste novo cenário educacional, que visa atender um público com idades e realidades distintas, o CEJA propõe seu objetivo geral, sendo este, segundo o Projeto Político Pedagógico (2009) da instituição, “produzir condições materiais objetiva de apropriação e produção de novos conhecimentos, a partir do conhecimento produzido e acumulado, cientificamente, pela humanidade [...]” (p. 08). Já os objetivos específicos, ainda segundo o Projeto Político Pedagógico (2009), consistem em:
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Foto 1: Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA.
2.3 A turma No que tange às especificidades da turma 601, aquela que recebeu este estágio, cabe comentar que ela é composta por um total de 09 (nove) alunos, sendo 07 (sete) mulheres e 02 (dois) homens. Deste total, geralmente, apenas 06 (seis) comparecem às aulas. Aparentemente, parecem ter entre 29 (vinte e nove) e 50 (cinquenta) anos de idade, sendo que todos são trabalhadores durante o dia e à noite dedicam-se ao estudo em busca de um futuro melhor. Conforme o Projeto Político Pedagógico (2009) desta instituição, o grupo de discentes que frequenta o CEJA é formado por alunos que não tiveram a oportunidade de cursar a escolarização básica em idade própria, devido às condições socioeconômicas da família. Desse modo, ainda segundo este documento, é a existência desses cidadãos a razão primordial da criação do CEJA. A relação entre alunos e professora nesta turma é respeitosa e amigável. Nos momentos de explicação os alunos mostram-se interessados e dispostos. Porém, também há situações de descontração na classe, momentos estes de troca de fatos cotidianos entre professora e alunos, como por exemplo, relatos de viagens, a rotina de trabalho, doenças na
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família, entre outros casos. Desse modo, para esta instituição, a aula e a metodologia aplicada passam a vigorar na tentativa de suprir uma urgente preocupação, ou seja, a permanência do aluno na escola. Buscando compreender e aprender com a prática docente da professora regente da turma 601, bem como com os sujeitos-alunos que (re) significam os conteúdos ministrados, buscamos durante todas as terças-feiras, no período de 18 de setembro de 2012 e 02 de outubro do mesmo ano, observar as aulas da disciplina de Língua Portuguesa desta turma, totalizando uma carga horária de 10h aulas observadas. Para melhor compreensão do “caminhar” destas aulas, será feito, posteriormente, neste relatório uma descrição geral das aulas observadas.
Foto 2: Turma 601 do CEJA
2.4 A Professora A professora de português regente da turma 601 é formada em Letras Português e Inglês, pela Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 1991, tem especialização em Gestão Educacional pela UNIESC e é professora efetiva do Estado desde 1993, sendo que começou a lecionar no ano de 1989.
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Finalizando as aulas, ocorreu um ditado de palavras, sendo que, geralmente, a professora regente aproveitava esse momento para explicar o significado de algumas dessas palavras, exemplificando com situações cotidianas, como ocorreu com as palavras homeopatia e alopatia. Neste caso, a professora disse: “Quando vocês forem marcar uma consulta médica e perguntarem para vocês se querem um médio homeopata ou alopata vocês vão dizer o que?” Em seguida, explicou o que seria cada uma dessas especialidades. Essa explicação sobre o significado das palavras também ocorreu com outras palavras, por exemplo, zircônia, e para isso a professora perguntou para a turma se eles já viram anéis ou brincos com pedras transparentes, parecendo diamantes. Durante os ditados, a docente também fez uma pausa para chamar atenção aos diferentes sons de “x” presentes nas palavras: táxi (cs); êxito (z); sexta-feira (s) e faxina (ch). Acreditamos, que de forma sintetizada, aqui se encontra a dinâmica de encaminhamento e andamento das aulas que ocorreram, no período de observação, na turma 601.
3.1. Análise crítica das aulas observadas
O período de observação na turma 601, em uma classe de Educação de Jovens e Adultos, trouxe oportunidades de aprendizado com a prática docente, contato com a realidade escolar e aproximação com alunos-sujeitos que buscam encontrar, no domínio da escrita e da leitura, uma melhor forma de convivência em sociedade. Nesta sociedade contemporânea, ousa-se dizer que a alfabetização torna-se, quase, indispensável à vida. Contudo, alerta-nos Martins Filho (2011), segundo Rocha (1984), que a alfabetização inclui, além da aquisição e do domínio da escrita e da leitura, a habilidade de decodificar signos linguísticos, bem como um maior conhecimento da língua, porém, ela é mais do que isso, pois ela acontece, simultaneamente, com um maior conhecimento de mundo. No caso das práticas vivenciadas na turma 601, percebemos, pelo menos durante o período de observação e em algumas atividades, o processo de alfabetização cumpre essas exigências citadas acima por Rocha (1984), como por exemplo, em situações como a atividade do ditado. Neste caso, a professora buscou o contato e aprendizado da leitura e escrita, além de proporcionar um conhecimento de mundo, pois procurou explicar o
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significado das palavras homeopata e alopata (aula do dia 18-09-2012) e zircônia (aula do dia 02-10-2012), através de situações cotidianas, que podem facilmente fazer parte do dia a dia do jovem/adulto aprendiz. Vislumbra-se com tímidas atitudes como esta, da professora regente da turma, que os alunos da EJA percebam a alfabetização como um instrumento para o seu crescimento social e cultural, formando alunos como sujeitos atuantes, conscientes e críticos. Na tentativa esperançosa de fortalecer o ensino de jovens e adultos, sobretudo nas aulas de Língua Portuguesa, talvez os docentes pudessem seguir os conselhos de Irandé Antunes (2003), quando esta coloca que em termos gerais, as aulas de português seriam acerca de falar, ouvir, ler e escrever textos em língua portuguesa. Neste caso, segundo a autora, “a fala, a escrita, a escuta e a leitura de que falo aqui são necessariamente de textos; se não, não é linguagem. [...] Ou melhor, é o uso da língua – que apenas se dá em textos – que deve ser o objeto – digo bem, o objeto – de estudo da língua” (p. 11). Partindo desse entendimento, podemos dizer que durante o período de observação na turma 601 do CEJA, percebemos que os alunos não costumam realizar práticas de fala, escuta, leitura e escrita de textos, isto porque as aulas parecem seguir pelo mesmo trilho, ou seja: realização de exercícios no caderno, correção oral ou no quadro, e ditado de palavras. Visto que os exercícios que devem resolver são aqueles que integram o livro didático ou a apostila, os discentes do CEJA parecem não ter contato, na sala de aula, com textos que lhe permitam realizar estas práticas. Neste caso, também percebemos na fala de um dos alunos desta turma a necessidade de reflexão acerca dos “tabus” entre o falar certo e errado. Na aula do dia 18 de setembro de 2012, durante a realização de um exercício sobre verbos, os alunos comentaram que os verbos se comportam diferentes do modo como falamos. Segundo eles, todos nós falamos errado. Nesta hora, a professora interveio e disse que nem tudo que falamos é do jeito errado. Outro aluno então disse: eu falo errado desde que nasci. Em seguida deu risadas. Esta situação requereria um ótimo assunto para debate, visto que como acadêmicas do curso de Letras - Língua Portuguesa, sabemos a importância da quebra desse paradigma certo X errado na língua que se arrasta em nossa cultura há décadas. Neste sentido, Antunes (2003) comenta o quanto seria interessante que os alunos, e neste caso não somente para aqueles da educação de jovens e adultos, compreendessem as diferenças – lexicais, sintáticas, discursivas – que “caracterizam a fala formal e a fala informal ,
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configurações diferentes, seria possível alcançar um novo movimento de aprendizado na turma; movimento este que estimule questionamentos, reflexão, curiosidade e criticidade. Assim, encaminha-se a formação de sujeitos e alunos para que se sintam “filhos” desta sociedade, letrada e ágil, contemporânea.
Registro de observação – Caroliny Nascimento - das aulas de Língua Portuguesa
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Registro de observação – Luiza Mazera - das aulas de Língua Portuguesa