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Estágio supervisionado - serviço social - intervenção do aluno
Tipologia: Trabalhos
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Patrocínio - MG 2020
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O objetivo deste trabalho é expor a finalização do projeto de intervenção que foi elaborado durante o estágio supervisionado II, sobre a gravidez na adolescência, experiência sobre os atendimentos realizados no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) - José Ribeiro. O Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) é responsável pelos serviços Socioassistenciais do SUAS nas áreas consideradas vulneráveis e com risco social nos municípios e em atendimento às requisições específicas dos serviços Socioassistenciais, as categorias profissionais de nível superior reconhecidas pela Resolução nº 17, de 20 de Junho de 2011, e caráter protetivo, preventivo e proativo a fim de fortalecer os vínculos familiares e comunitários e ampliando o acesso dos usuários aos direitos de cidadania. O CRAS Jose Ribeiro atende os bairros: Marciano Brandão, São Cristóvão, Santo Antônio, Olímpio Nunes e Manuel Nunes e oferecem á população além do serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) tem também as oficinas: violão, flauta, jiu jitsu, grafite e o Serviço de Grupo de Convivência e Fortalecimento de Vínculos que é distribuído por faixa etária atendendo a partir dos 06 anos de idade. A adolescência é um período de transição entre a infância e a fase adulta, com mudanças físicas, sociais e psicológicas, que acarreta a estes indivíduos diversos tipos de comportamentos que podem variar de acordo com a família, a religião, a cultura, a nacionalidade e a ideologia de cada indivíduo. Assim, este trabalho teve como objetivos principais analisar quantitativamente a gravidez na adolescência em um município mineiro, sua frequência, bem como as principais causas para o acontecimento da gravidez na adolescência e consequências sociais, físicas e psicológicas para a vida destas adolescentes. Trata-se de um estudo quantitativo descritivo, desenvolvido no município de Patrocínio - MG. A população de estudo constituiu-se de todas as grávidas e mães adolescentes com idade entre 13 a 19 anos atendidos pelo CRAS. Será realizado pela Assistente Social; Amanda Gonçalves Almeida, pela estagiária Leandra Maria Salvino e pela Educadora Social Karla Rodrigues. Com o apoio do supermercado Alegria.
A partir desta prévia apresentação de estudo sócio institucional e de acordo com que foram investigadas as expressões da questão social identificadas, foram realizadas diversas ações na instituição. Com isso, respaldar este trabalho considerando que a cultura consiste em estruturas de significações socialmente estabelecidas. Este olhar para a gravidez na adolescência permite a descentralização do foco clínico, que traz explicações fisiológicas e patologizantes, e favorece a fala, os sentimentos, a questão social e emoções das gestantes adolescentes em torno da gravidez, das experiências vividas nesta fase, e das implicações desta gravidez no meio familiar e social em que vivem. Estando assim, pontua-se a importância deste trabalho, o qual oferece uma oportunidade dos sujeitos envolvidos serem agentes de transformação de sua realidade social. Foi baseado em um estudo quantitativo descritivo realizado em uma unidade CRAS na periferia do município de Patrocínio - MG. Os critérios de inclusão foram adolescentes gestantes, primigestas ou multigestas, entre 13 e 19 anos. Participaram da pesquisa 10 gestantes adolescentes, as quais realizaram acompanhamento no CRAS, através de atendimentos, grupos, oficinas, roda de conversa e todos os programas destinados a estes através do CRAS. As adolescentes gestantes eram convidadas a participar do estudo no momento em que eram realizadas as visitas domiciliares da Assistente Social do CRAS com o suporte da estagiária, uma vez que a amostra foi intencional, sendo os sujeitos determinados pelo objetivo do estudo. Foi escolhida como método de coleta de dados a entrevista narrativa, a qual se revela como possibilidade para compreender e comunicar experiência humana subjetiva, enfatizando o significado, o processo de produzir histórias, as relações entre o narrador e os demais sujeitos, os processos de conhecimento e a multiplicidade de formas para captar e compreender a experiência.
social estão diretamente relacionadas à gravidez na adolescência. A maior parte das adolescentes deste estudo havia abandonado a escola antes de engravidar. Muito das vezes em especial a adolescente grávida depende economicamente da sua família, se vê na necessidade de abandonar os estudos. Ela é frequentemente abandonada pelo pai de seu bebê e às vezes por seu círculo de amizade. Ainda, apresenta baixa autoestima e se sente ressentida por ter provocado raiva e estresse em seu meio familiar. Este e outros fatores causam uma sobrecarga emocional e social, que pode resultar em problemas psicossociais que seriam evitados caso houvesse prevenção da gestação. Com pouca idade, em conjunto com a baixa escolaridade das adolescentes, reduz a probabilidade de inserção no mercado de trabalho, que exige cada vez mais capacitação e experiência. Estas exigências de mercado raramente podem ser encontradas em mães adolescentes. Adicionalmente, as que conseguem empregos são mal remuneradas, o que as deixa dependentes financeiramente de familiares e/ou parceiro. Ao descobrir gravidez, muitas das adolescentes optam pela interrupção da gravidez por meio de aborto, por não ter condições de assumir a maternidade. Outras vezes, o corpo da adolescente não está completamente preparado para a gestação e isto acaba por acarretar um aborto natural, que pode gerar consequências psicológicas traumáticas para ela. Neste sentido, ao elaborar estratégias de aproximação dos adolescentes, tantos os pais e familiares, como educadores, profissionais da rede pública e toda a população devem considerar as diferenças individuais e culturais de cada adolescente, para assim atenderem às expectativas e necessidades específicas tanto em relação às adolescentes que possuem parceiro sexual, quanto em relação àquelas que ainda não iniciaram sua vida sexual. No presente estudo, a maioria das adolescentes argumentou ter engravidado por descuido ou acidente. Percebeu-se que as famílias das gestantes adolescentes, mobilizaram-se para ajudá-las. Nesse contexto, entende-se que a família assume um papel particularmente importante ao fornecer suporte, que se reflete não apenas no grau de ligação social familiar, mas também no apoio ao acolher o casal e aconselhar quanto a cuidados que devem ter durante a gestação, devido à maioria ter uma condição social inapropriada para aquela situação.
Sendo assim, este estudo forneceu contribuição para construção do conhecimento sobre a gravidez na adolescência destacando a participação das técnicas sociais, da família e sua importância nesse fenômeno, uma vez que esta foi considerada como uma fonte significativa de apoio, para que a adolescente possa dar continuidade aos próprios projetos de vida e cuidar do filho com todas as suas potencialidades. Por meio da escuta, do acolhimento e do cuidado da adolescente grávida e sua família, inseridos em seu contexto familiar e social, os profissionais do serviço social tem a possibilidade de considerar as crenças, os valores e o modo como representa e age a família perante a situação e também suas potencialidades e limitações. Dessa forma, pode-se facilitar a aquisição e o desenvolvimento de recursos próprios, por parte do núcleo familiar, no enfrentamento de momentos conflituosos, reconhecendo a família como sujeito ativo nesse processo. A construção de um projeto de vida é algo complexo e implica a conjunção de diversos fenômenos, dentre os quais se encontram: a identidade pessoal e a relação dialética entre sujeito e sociedade (Nascimento, 2006; Catão, 2007; D’Angelo Hernandez, 2000; Ciampa, 2004). Desse modo, para que a adolescente construa o seu projeto de vida de forma crítica e realista é necessário que ela desnaturalize a forma como o senso comum interpreta a realidade. Desnaturalização, essa, entendida como a revelação das contradições impostas por interesses sociais e políticos a determinados fatos e relações que limitam a capacidade de compreensão e de superação da situação presente. Muitas dessas adolescentes, conforme visto, reproduzem acriticamente modelos femininos de suas mães, que também, em muitos casos, engravidaram na adolescência. Tal situação indica a ausência de espaços onde as adolescentes possam refletir e articular novos elementos aos seus projetos de vida, criar novos caminhos e não apenas reproduzir os já conhecidos. Além desses fatores, devem ser mencionadas também as perspectivas que a sociedade oferece ao sujeito e a possibilidade de ele realizar uma análise crítica, histórica e social sobre o passado e presente do grupo social a que pertence.