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Resumos Estatuto Conhecimento Cientifico
Tipologia: Resumos
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Análise fenomenológica do conhecimento A gnosiologia, ou teoria do conhecimento, é uma disciplina filosófica que estuda as relações entre o sujeito e o objecto, procurando esclarecer e analisar criticamente os problemas que essas relações suscitam, nomeadamente os problemas relativos à origem, à natureza, à validade e aos limites do conhecimento. O que é o sujeito? O que é o objecto? Para respondermos a estas questões, podemos efectuar uma análise fenomenológica do conhecimento. Esta análise permitirá conduzir-nos aos diversos problemas gnosiológicos. É complicado fazer tais descrições, sobretudo porque é difícil abstrairmo-nos de pressupostos e de significações que trazemos connosco. É difícil descrever a realidade que vemos como se fosse a primeira vez que a víamos. O objectivo da fenomenologia consiste precisamente em descrever a estrutura dos fenómenos (daquilo que nos aparece), antes de qualquer pressuposto. O método fenomenológico consiste em examinar todos os conteúdos de consciência (pensamento), mas em vez de determinar se tais conteúdos são reais ou irreais, ideias, imaginários, etc., procede-se a examiná-los enquanto são puramente dados. A fenomenologia coloca-se ‘’antes’’ de toda a crença e de todo o juízo para explorar simplesmente o dado. A fenomenologia estuda a estrutura geral dos fenómenos, pondo de parte teorias, crenças ou ideias prévias. Neste âmbito, fenómeno é tudo aquilo que se apresenta à nossa consciência. A fenomenologia do conhecimento é a descrição do fenómeno do conhecimento, pondo em relevo os elementos que intervêm neste processo (sujeito e objecto). A fenomenologia do conhecimento tem o propósito de evidenciar o que significa ser objecto, o que significa ser sujeito e que tipo de relações estes elementos estabelecem entre si. O conhecimento é aquilo que acontece quando um sujeito apreende um objecto. Para que haja conhecimento, é necessária a existência de dois elementos fundamentais: o sujeito – aquele que conhece – e o objecto – aquele que é conhecido. Sem a presença de um destes elementos, o conhecimento é impossível.
diferente. Não se pode alterar a relação: o objecto não pode passar a sujeito, e vice- versa porque são coisas diferentes as suas funções não são mutáveis no mesmo acto de conhecimento.
por um sujeito de uma realidade, uma forma de ser, um modo de fazer, uma maneira de viver, etc. A experiência é então um modo de conhecer algo imediatamente antes de todo o juízo formulado sobre o apreendido. Saber-fazer: refere-se ao conhecimento de uma atividade, isto é, à capacidade, aptidão ou competência para fazer alguma coisa. Saber-que: refere-se ao conhecimento proposicional ou conhecimento de verdades. Saber teórico sobre a realidade. Conhecimento por contacto: refere-se ao conhecimento direto de alguma realidade, seja de pessoas ou lugares. Definição tradicional de conhecimento Em todo o conhecimento proposicional verifica-se uma relação entre um sujeito e um objeto. Esta relação é considerada uma crença. A crença é uma atitude de adesão a uma determinada proposição, tomando-a como verdadeira. O saber é acreditar naquilo que se sabe. O conhecimento parte de uma convicção do sujeito relativamente ao objeto. A crença é uma condição necessária do conhecimento. As crenças podem ser verdadeiras ou falsas. O conhecimento de verdades tem um contrário, que é o erro. Podemos crer no falso, como no verdadeiro. Sobre muitos assuntos há opiniões diversas e incompatíveis; algumas das crenças devem ser erróneas. As crenças erróneas são sustentadas frequentes vezes com tanta energia como as verdadeiras, torna-se um problema bem difícil o de como distingui-las das verdadeiras. Há três pontos a observar na busca da natureza da verdade:
justificação – são necessárias para que haja conhecimento. Consideradas isoladamente, nenhuma delas é suficiente. Conhecimento a priori e a posteriori Quando pensamos na multiplicidade de juízos que formulamos, podemos constatar que nem todos têm a mesma origem. São juízos a priori aqueles juízos cuja verdade é passível de ser conhecida independentemente de qualquer experiência, tendo, portanto, origem no pensamento ou na razão. Estes juízos são universais – no sentido em que não admitem qualquer exceção, sendo verdadeiros sempre e em toda a parte – e necessários – são verdadeiros em quaisquer circunstâncias, e nega-los implicaria entrar em contradição. Juízos a posteriori são aqueles juízos cuja verdade só pode ser conhecida através da experiência, dos sentidos. Estes juízos não são estritamente universais – porque admitem exceções, podendo não ser verdadeiros sempre e em toda a parte – e, não sendo necessários, são contingentes – são verdadeiros, mas poderiam ser falsos, e nega-los não implica entrar em contradição. O conhecimento à priori é baseado em juízos a priori, tem a sua fonte ou origem apenas na razão – por exemplo, Todos os corpos são extensos, A = A, 2+2= 4: não é necessário recorrer à experiência para o saber, é suficiente pensar no assunto. O conhecimento a posteriori é baseado em juízos a posteriori, tem a sua origem na experiência, é o conhecimento empírico – por exemplo, O Sol brilha, A chuva molha, Todos os corpos são pesados. Se afirmamos que o todo é maior do que as suas partes (juízo a priori), não estamos a dizer nada que já não esteja implícito no conceito de todo, enquanto que se dissermos que a cadeira é azul (juízo a posteriori), estamos a afirmar que algo que não está implícito no conceito de cadeira (esta pode ter qualquer cor). Nesse caso, será que os juízos a priori nos permitem aumentar o nosso conhecimento? Kant dividiu os juízos em analíticos e sintéticos. Os juízos analíticos são aqueles cujo predicado está incluído no sujeito, encontrando-se pela simples análise e explicação deste. Por exemplo, em relação ao juízo O todo é mais do que as suas partes, no conceito de todo já está implícito o predicado maior do que todas as suas partes, pelo que estes juízos não contribuem para aumentar o nosso conhecimento. Os juízos sintéticos são aqueles cujo predicado não está contido no conceito do sujeito: por exemplo, Os habitantes da cidade x são morenos. Para sabermos que os habitantes da cidade x são morenos, precisamos de algo mais do que o simples conceito de habitantes da cidade x. É necessário recorrer à observação, à experiência, para constatarmos que os habitantes da cidade x são, de facto, morenos. Como tal, ao contrário dos anteriores, estes juízos ampliam o nosso conhecimento. Os juízos analíticos são juízos a priori, os juízos sintéticos são juízos a posteriori e a priori. Mas Kant considera que também existem juízos sintéticos a priori. Trata-se de juízos anteriores à experiência, tendo uma origem racional, mas que aumentam o nosso conhecimento, uma vez que o predicado não está implícito no sujeito, são juízos universais e necessários; todos os juízos da matemática. Possibilidade (validade) do conhecimento Poderemos alguma vez ter um conhecimento verdadeiro, objetivo e absoluto das coisas em geral, ou apenas um conhecimento aproximado? Ou será que podemos conhecer umas coisas e outras não? Ou será que o conhecimento nem sequer é possível?
O cepticismo adquire um papel importante no nosso desenvolvimento intelectual e até espiritual. É quando se começa por adoptar uma postura céptica perante determinado problema que se procede com maior prudência na resolução de tal problema. Quando faz parte do espírito crítico e autónomo, o cepticismo adquire um carácter metódico. É um meio para alcançar a verdade. Com a dúvida liberta-se a razão, para se poder alcançar o verdadeiro conhecimento. Este cepticismo metódico opõe-se ao cepticismo sistemático, que se fica pela dúvida como princípio definitivo. Origem do conhecimento a) Racionalismo – o racionalismo considera a razão a fonte principal do conhecimento, a fonte do conhecimento verdadeiro. Só através da razão é que se pode encontrar um conhecimento seguro, o qual é totalmente independente da experiência sensível. Tal conhecimento só existe quando é logicamente necessário e universalmente válido. Exemplo: matemática. Isto não significa que os racionalistas neguem a existência do conhecimento empírico. Esse conhecimento existe, mas não pode ser considerado verdadeiro porque é particular e contingente. – A razão é a origem do conhecimento verdadeiro; as ideias fundamentais do conhecimento são inatas; o sujeito impõe-se ao objecto através das noções que traz em si. Descartes b) Empirismo – teoria segundo a qual todo o nosso conhecimento provém da experiência. Não existem ideias, conhecimentos ou princípios inatos. O entendimento assemelha-se a uma página em branco onde, antes de qualquer experiência, nada se encontra escrito. Nega a existência de conhecimentos inatos, afirmando que todo o conhecimento humano deriva da experiência. – A experiência é a origem de todo o nosso conhecimento; todas as ideias têm uma base empírica, até as mais complexas, não existindo ideias inatas; o objecto impõe-se ao sujeito. David Hume, John Locke O racionalismo de Descartes Descartes é racionalista porque considera a razão a fonte principal de conhecimento verdadeiro, ou seja, do conhecimento logicamente necessário e universalmente válido.
1. Críticas de Descartes ao saber do seu tempo: a) O conjunto dos conhecimentos que constituem o saber tradicional está assente em bases frágeis (sentidos) b) Esse conhecimento é constituído por saberes que não estão devidamente ordenados 2. A importância da dúvida Descartes vai analisar a solidez das bases em que assentam os conhecimentos da sua época. Essas bases são: a) A crença de que a experiência é fonte do nosso conhecimento, sendo os sentidos dignos de confiança b) A crença de que existe um mundo físico que constitui objeto de conhecimento c) A crença de que o nosso entendimento (razão, pensamento) não se engana quando descobre conhecimentos verdadeiros. Para avaliar a solidez destas bases Descartes vai seguir um método inspirado na matemática, composto por 4 regras:
ideias adventícias. Exemplo: centauro = cavalo + homem; cavalo-alado = cavalo + asas; sereia, etc