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Este documento discute um laudo técnico pericial sobre um incêndio ocorrido em uma unidade de uma empresa de telecom, localizada em um edifício comercial no rio de janeiro. O evento envolveu baterias de chumbo-ácido utilizadas como sistema auxiliar de energia. O texto aborda a composição química e funcionamento das baterias, os riscos associados à descarga e recarga, e as medidas de segurança necessárias.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Recentemente estive envolvido na elaboração de um laudo técnico pericial referente ao um princípio de incêndio ocorrido em um local onde estavam sendo utilizadas baterias como um sistema auxiliar para o caso de falta de energia. O evento ocorreu no interior de uma unidade de uma empresa de Telecom, localizada em um edifício comercial no Rio de Janeiro. O foco do princípio de incêndio ocorreu em dois bancos de baterias contendo quase 100 unidades do tipo Chumbo-ácido, seladas e recarregáveis de 12 volts e 100 A/H. A seguir apresento algumas informações e os respectivos cuidados que devem ser tomados quando temos um instalação desse tipo aos nossos cuidados. Os acumuladores de chumbo, também conhecidos como bateria chumbo- ácido, foram inventados pelo francês Gastón Planté em 1859. É uma associação de pilhas ligadas em série, chamadas de elementos na linguagem da indústria de baterias. A tensão elétrica de cada pilha é de aproximadamente 02 volts. A bateria de pilhas, mais comum, fornece uma tensão elétrica de 12 volts. Associações ainda menores também são usadas em instalações fixas, como centrais telefônicas. A bateria de chumbo-ácido é constituída de dois eletrodos, sendo um de chumbo esponjoso e o outro de dióxido de chumbo em pó, ambos mergulhados em uma solução de ácido sulfúrico com densidade aproximada de 1,28g/mL dentro de uma malha de liga chumbo- antimônio. Quando o circuito externo é fechado, conectando eletricamente os terminais, a bateria entra em funcionamento (descarga), ocorrendo a semi-reação de oxidação no chumbo e a de redução no dióxido de chumbo. No acumulador, o chumbo é o ânodo enquanto que o dióxido de chumbo é o cátodo. A reação do cátodo e do ânodo produzem sulfato de chumbo (PbSO4), insolúvel que adere aos eletrodos. Quando um acumulador está se descarregando, ocorre um consumo de ácido sulfúrico, assim diminui a densidade da solução eletrolítica (água e ácido sulfúrico). Os acumuladores têm a vantagem de poderem ser recarregados. Isso é possível graças aos íons móveis que, ao receberem energia elétrica, invertem a reação química de descarga (reação não espontânea), regenerando os reagentes. Quando são recarregados, esses acumuladores precisam ser monitorados, pois quando recarregados, liberam gases perigosos como HIDROGÊNIO E OXIGÊNEO, com a eletrólise da água no eletrólito. Se for recarregado demais, o dispositivo pode explodir. Para o acumulador recarregar faz-se passar corrente contínua do eletrodo de dióxido de chumbo para o de chumbo o que resulta na inversão das reações. Neste processo o ácido sulfúrico é regenerado; por isso a porcentagem de ácido sulfúrico indica o grau de carga ou descarga do acumulador. Baterias de Chumbo-ácido industriais são usadas principalmente para fornecer o apoio para equipamentos em caso de falha da rede elétrica. As baterias contêm ácido sulfúrico, que é venenoso, corrosivo e causa queimaduras e irritação em contato com a pele ou olhos. Curtos-circuitos podem provocar faíscas extensa, queimando e derretendo objetos de metal e explosão de gases (hidrogênio) oriundos
do processo de recarga. Choques elétricos também podem ser recebidos, tanto a partir das baterias como do equipamento de recarga. O gás hidrogênio é desprendido pela bateria durante o seu processo de recarga. Existe risco de incêndio e/ou explosão se a misturas inflamáveis de hidrogênio com o ar se acumularem. Não se deve ligar o carregador até que a bateria esteja conectado a ele, as ferramentas sempre devem ser isoladas e não se deve utilizar ferramentas ou outros objetos condutores em cima das baterias. Durante os trabalhos remova todos os itens metálicos das mãos, pulsos e pescoço, tais como: anéis, correntes, etc.., que podem causar curtos-circuitos acidentais. Sempre deve-se desconectar o terminal terra (negativo) primeiro. A fim de se evitar explosão na sala de baterias, deve-se proporcionar uma boa exaustão no ambiente. O exaustor deve estar localizado em um nível imediatamente acima das baterias. É recomendado também verificar se a bateria está cheia até o nível correto, assegurando que todas as ligações estão seguras e isoladas antes de ligá-las. Equipamentos elétricos e fontes de ignição não devem ser utilizados próximo do carregador e das baterias.Os operadores devem utilizar ou ter fácil acesso, aos seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos; Luvas de borracha; Macacão, aventais plásticos; Calçado de segurança; colírio, estação de lava-olhos e material de Primeiros socorros. Todas as atividades de manutenção devem ser registradas bem como os treinamentos dos operadores. As seguintes placas de sinalização são necessárias: Aviso Perigo - Choque Elétrico Perigo - Ácido Proibição Proibido Fumar Mão Desprotegida Obrigatório Roupas de proteção Informações Obrigatório o Uso de Equipamentos de Proteção Individual Risco de Acidente Elétrico O descarte das baterias deve ocorrer sempre através de um revendedor autorizado. É prática comum utilizarmos baterias de chumbo-ácido no mundo da tecnologia moderna, no entanto, os problemas de exaustão não são adequadamente solucionados e tratados na concepção de salas de no-break. As questões relativas ao risco de explosão em salas de baterias e as características de projeto de uma sala, precisam ser desenvolvidas durante a fase de construção. Como é sabido o gás hidrogênio gerado durante a fase de recarga da bateria, pode causar explosões devido à exaustão inadequada ou a falta de equipamentos à prova de explosão. Vários incidentes de explosão em sala de baterias comprovam este fato. Durante os estudos de avaliação de risco que foram realizados em indústrias e em vários complexos comerciais, as discrepâncias mais comuns observadas incluem as questões relativa a exaustão nas salas de baterias, devido estes equipamentos se encontrarem desligados ou
treinada. Nenhum trabalho pode dar origem a faísca e nenhum objeto de metal, como uma escada de alumínio, pode ser levada para a sala da bateria. Somente pessoas suficientemente treinadas podem ser autorizadas a conectar e desconectar as instalações, verificar a densidade do eletrólito e a carga da bateria. Nenhum equipamento deve ser colocado em com uma distância inferior a 1 m da bateria, ou diretamente acima dela, devido a possibilidade de superfícies quentes ou faíscas ocorrerem. Soldas e lixamento não devem ser efetuados quando o processo de recarga estiver ocorrendo, estes trabalhos somente devem ser realizados após 2 horas do fim da recarga ou após a ventilação do ambiente ter sido executada. A empresa deve vistoriar a sala da bateria uma vez por semana e garantir a sua correta manutenção, conforme estipulado pelos fabricantes de baterias, verificando se o processo de recarga pode liberar hidrogênio e a evidência de ruptura da válvula em baterias do tipo VRLA. O ácido eletrólito de mistura deve ser adicionado à água nunca água ao ácido. Sempre deve-se desligar o carregador da bateria antes de conectar ou desconectar a bateria, um interruptor de isolamento deve ser localizado em um local acessível. As salas de bateria devem ser entendidas como um Sistema de Alimentação Ininterrupta - UPS, sendo o seu uso mais comum em centros de dados e Telecom. O hidrogênio tem uma gama larga de inflamabilidade (4% a 74% em volume), detona/explode a partir de 18% a 59%, e é muito facilmente inflamado. A sua queima produz a cor azul pálido, com chama quase invisível. Segue abaixo 03 fotos do local sinistrado:
Jaques Sherique é Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho – Vice Presidente do CREA-RJ, Diretor do Clube de Engenharia e Presidente da Academia Brasileira de Engenharia de Segurança do Trabalho.