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Técnicas básicas do Wing Chun com sequências de ataque e defesa
Tipologia: Resumos
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m minha experiência com as artes marciais, descobri que a melhor forma de vencer é impedir situações que favoreçam o combate. Discussões, ofensas, falta de carinho e respeito ao próximo, rebeldia e maus tratos são as principais causas do sentimento de raiva que gera a agressão. Uma pessoa que se sinta oprimida, desrespeitada, ou agredida, mesmo que seja apenas verbalmente, vai reagir! Palavras têm um peso muito grande, mentalmente, sentimentalmente, e espiritualmente falando, principalmente quando são palavras duras e agressivas. Não há ser humano que suporte ser agredido! E é nesse ponto que a situação de combate se torna iminente, e a pessoa agredida tem a necessidade de virar a mesa (às vezes, literalmente)! Isso é chamado de Teoria do Conflito. O que fazer quando se percebe o combate? O nosso corpo tem um mecanismo de defesa que é chamado de Fight or Flight (Lutar ou Fugir) que atua nesse momento. A carga de adrenalina aumenta, tensionando toda a musculatura; o organismo semi-interrompe as funções menos importantes (tais quais a produção de hormônios sexuais e a digestão) e o sangue é redirecionado das extremidades do corpo para os órgãos vitais, produzindo o efeito de palidez que deixa a pessoa “branca de medo”. Os sentidos são momentaneamente ampliados, o que pode ser percebido pela dilatação das pupilas e os olhos arregalados. A sensação que acabo de descrever é o que chamamos de medo , e ele está presente desde a primeira palavra destrutiva que foi lançada. As pessoas normalmente acham que o combate começa quando o primeiro golpe é desferido. Mas o primeiro golpe não é um soco ou chute, não é físico. Sempre é um golpe que abala primeiro as estruturas da mente ou do coração. Antes da intenção de causar danos ao seu corpo, o oponente tem a intenção de fazê-lo se sentir humilhado , intimidado e sem confiança para reagir. Esse tipo de mensagem, que “você precisa fugir ao invés de lutar”, é uma influência péssima e, ao fugir uma única vez, esse comportamento pode se tornar uma constante para o resto de sua vida! O medo está presente em todas as situações aplicáveis em nossas vidas: provas de vestibular, discussões de família, encarar o valentão do colégio, convidar alguém pra sair, pedir alguém em namoro, e até mesmo, pedir perdão. Mais que o medo de entrar em uma briga, o medo de não ser aceito por alguém é avassalador, e é a causa de muitos jovens entrarem em gangues e no mundo das drogas. Faz parte do nosso objetivo ensiná-los a estarem mentalmente, sentimentalmente e espiritualmente preparados para enfrentar qualquer tipo de conflito, em qualquer situação. O bom comportamento, o respeito ao próximo e às autoridades constituídas (isso inclui os seus pais), e demonstrações de carinho, cuidado e gentileza são fatores-chave para construir um bom relacionamento com mais de 90% das pessoas. Quanto aos menos de 10% que insistem em maltratá-lo, teremos soluções práticas que garantirão a sua segurança e a preservação da vida do seu oponente. O corpo humano é uma máquina complexa e extremamente frágil. Ao mínimo sinal de que algo está errado, o sistema dessa máquina desmorona tentando entender o que está tentando destruí-lo. E é exatamente nesse momento que é definido quem é o vencedor e quem é o perdedor. Vencer um combate em tempo quase inexistente, sem dar ao oponente a chance de entender como foi vencido. Prepare-se para fazer parte de um universo onde a velocidade define o vencedor!
E
Mesmo refugiada no templo da Garça Branca, Ng Mui precisava ir às cidades próximas para comprar mantimentos. Em uma de suas viagens, ela encontrou um vendedor de vagens chamado Yin Yee, e passou a visitar sua loja com frequência. Yin Yee tinha uma única filha, chamada Yin Wing Chun , uma jovem que possuía uma beleza fora do comum. Infelizmente, isso também era motivo para que muitos homens estivessem de olho na jovem, embora ela estivesse prometida em casamento ao filho de um negociante da região de Fukin. O líder de uma gangue local, chamado Wong, era um dos que estava interessado em Yin Wing Chun. Ele sempre mexia com a moça na rua, e mesmo na presença de seu pai, o valentão não se intimidava, pois Yin Yee já era velho. Decidido a conquistar a moça, Wong dá o ultimato: Se Yin Yee não lhe desse Wing Chun em casamento, ele viria tomá-la à força. Mas, como Wing Chun tinha apenas treze anos, ele disse que faria uma viagem e voltaria para buscá-la em três anos, quando estaria crescida e ainda mais atraente.
Ora, naquela época questões desse tipo eram resolvidas com uma luta em praça pública, mas embora Yin Yee soubesse lutar, não tinha mais idade para isso e não possuía filhos homens que pudessem tomar o seu lugar no combate. Preocupado e sem ter pra onde correr, ele deposita suas esperanças na fama de Ng Mui, sua cliente que vinha dos templos e provavelmente conhecia alguma arte secreta. Como boatos correm mais que o vento, Ng Mui logo ficou sabendo do que tinha acontecido, e se indignou com a ousadia de Wong. Não foi preciso que Yin Yee dissesse muitas palavras para que a monja aceitasse treinar a menina. Ng Mui levou Wing Chun para as montanhas de Tai Leung, onde dia e noite ela ensinava à jovem as técnicas da arte secreta que nunca fora antes usada, o Estilo da Flor de Ameixeira. Ao final de três meses de treinamento, Wing Chun desceu novamente para a casa de seu pai, e mandou uma carta para Wong, dizendo que não era necessário esperar três anos. Ela o derrotaria nos próximos dias! Intrigado e ofendido, Wong volta para a cidade e aceita o desafio da menina, certo de que venceria. Mas a história prova que não foi bem isso que aconteceu.
No dia marcado, Wong e Wing Chun se enfrentaram em praça pública, como era costume, e embora ele fosse muito maior que a menina, isso não foi argumento perante a destreza com que ela lutou. O valentão foi humilhado pelas técnicas sutis e pelo corpo ágil de Wing Chun, sendo jogado para fora do tablado por um golpe de palma, que é considerado um ataque fraco.
A honra da família foi preservada, e Wing Chun continuou a treinar com Ng Mui. Anos mais tarde, ela se casou com o noivo a quem já tinha sido prometida, Leung Bok Toa , herdeiro de um comércio de sal. O marido de Yin Wing Chun era um exímio praticante de um dos estilos clássicos que sobreviveram à repressão. Por isso, ele tinha o costume de treinar em casa, coisa que de vez em quando levava a uma briga de casal, já que Wing Chun teimava em dar conselhos ao marido de como melhorar suas técnicas.
Bem, naquela época a opinião da mulher não era uma coisa muito levada em conta, e nem se imaginava uma mulher lutando. Só que Wing Chun já tinha vencido um homem perigoso diante do povo, e isso intrigava a Leung Bok Toa. Decidido a testar sua mulher e resolver seus problemas dentro de casa, ele a convida para um treino livre de combate. Para sua surpresa, Wing Chun levava vantagem sobre ele, não importava o que fizesse. Irritado, porém vencido, ele pede à esposa que lhe explique o seu segredo. Wing Chun transmite a técnica do Moy Fat Chuan a seu marido, que reconhece a superioridade do estilo. Anos mais tarde, quando Wing Chun morreu, Leung Bok Toa decide peregrinar e troca o nome do estilo em homenagem à sua esposa. O Estilo da Flor de Ameixeira passa a se chamar “Wing Chun Kuen” (lê-se “Uín Tchun Kin”), que traduzido é: “Os Punhos de Wing Chun”.
Em sua peregrinação, Leung Bok Toa encontrou um médico herbalista e osteopata chamado Leung Lan Kwai , e o aceitou como discípulo. Este, por sua vez, passou “Os Punhos de Wing Chun” para um ator da ópera dos Juncos Vermelhos , chamado Wong Wah Poh. Os “Juncos Vermelhos” era o nome de uma ópera itinerante que se apresentava nas cidades ao longo dos rios, viajando com o auxílio de botes e balsas. A esse grupo também foi atribuída uma participação contra os Manchus. Foi nas viagens dessa ópera que Wong Wah Poh conheceu Leung Yee Tei , um bastoneiro (ou remador) que conduzia as balsas. O termo “bastoneiro” é o que melhor o define, pois se usava um bastão extremamente longo para empurrar a balsa pelas águas dos rios, além de também servir de arma quando havia algum problema. Tendo em vista o interesse de ambos, acabaram por trocar técnicas. Leung Yee Tei aprendeu uma parte do Wing Chun e Wong Wah Poh aprendeu as técnicas de bastão. Acredita-se que nesse momento foram incluídas no estilo as técnicas do Look Din Bun Kwan , o Bastão de Seis Pontos e Meio.
como ele tinha conseguido aquela soma. O pai de Ip Man confirmou a história do garoto, e Chan Wah Shun não teve outra opção a não ser aceitá-lo como aluno. A valentia que já era da personalidade de Ip Man e talvez o convívio com seu mestre o fizeram se tornar um jovem muito brigão. Sempre que tinha a oportunidade de entrar em uma briga, ele o fazia, e nunca perdia. Um dia, correu um boato de que havia mais um homem em Fatshan que sabia Wing Chun. Pensando no combate, e sem avaliar que esse homem poderia, no mínimo, ser um colega de treinos, Ip Man foi até o homem para desfiá-lo. O que ele não esperava é que este homem era Leung Bik , filho de Leung Jan, mestre do seu mestre. Rindo da valentia descabida do rapaz, e tendo vivido ao lado de Chan Wah Shun, Leung Bik pergunta a Ip Man se ele “já sabe fazer o Chum Kiu”. Tendo uma resposta positiva, o mestre promete que não vai machucá-lo por se tratar de alguém que também conhece o Sistema. Resultado: Ip Man teve sua primeira derrota. Humilhado pelo velho mestre, Ip Man reconheceu que Leung Bik era quem realmente dizia, e pediu a ele que lhe ensinasse. Aprendendo coisas novas sob a tutela de um mestre diferente, ele também aprendeu a viver de forma diferente.
Hoje existem várias escolas de Wing Chun ao redor do Brasil, e nós aprendemos sob a tutela do Sifu Luís Pimentel, que é considerado o pioneiro do Sistema Wing Chun na Região dos Lagos-RJ, onde Fundou o Mookum de Cabo Frio em Janeiro de 2000, Passou por 3 linhagens de Wing Chun e atualmente é representante do Wing Tsun no Estado do Rio de Janeiro. Sendo também faixa marrom em Karate e Faixa azul em Jiu Jitsu, e precursor da arte na Região. Desde então, vem ensinando e demonstrando a arte do Kung Fu Wing Tsun, dando palestras, seminários, graduações, formando professores, formando campeões, e o mais importante, formando verdadeiros seres humanos, em toda a sua plenitude.
Anos mais tarde, casado e com filhos, Ip Man mantinha a sua fama como lutador, mas agora com outra postura. Tinha o Wing Chun apenas para si, e aceitava desafios apenas de forma amistosa. Não tinha vontade de ensinar, nem mesmo com grandes ofertas em dinheiro.
O Wing Chun teria morrido com Ip Man, se a China não entrasse em um novo período de turbulências com a Segunda Guerra Sino-Japonesa. A região de Fatshan foi dominada, o que levou Ip Man a perder todas as suas posses. Esses eventos o obrigaram a procurar uma nova forma de viver. A história conta que, com o auxílio de amigos, e dada a necessidade que o povo tinha de se defender, Ip Man começou a ensinar o Wing Chun abertamente, contrariando a sua vontade. Ao exemplo de seus mestres, ele cobrava muito caro e foi isso que o reergueu. Em 1967 Ip Man funda a Wing Chun Athletic Association.
Ip Man teve vários alunos de sucesso, mas, sem dúvida o seu aluno mais talentoso foi Bruce Lee, o homem que levou o mundo a conhecer o Kung Fu através de seus filmes e idéias, voltando a nossa atenção para o outro lado do mundo.
Aprende Wing Chun de Wong Wah Poh
Ensina técnicas de bastão extra-longo
Note que a linha vertical passa por vários órgãos e pontos críticos, como cérebro, olhos, queixo, garganta, coração, fígado, estômago, e genitais. A horizontal superior corta a artéria carótida e a clavícula, e a inferior corta, além dos genitais e a virilha, as artérias femurais. Em suma a Teoria da Linha Central mapeia os pontos de maior fragilidade do corpo, aqueles que sofrem grandes danos mesmo quando atingidos por ataques menos energéticos. Portanto, ao concentrar os ataques nesses pontos, o praticante de Wing Chun tem uma chance maior de incapacitar um oponente com menor esforço.
Entender o conceito de Linha Central é o mesmo que entender o quão frágil o corpo humano é, independente de seu peso ou tamanho – Todos temos pontos fracos e sofremos das mesmas dores quando somos atingidos.
Mais que isso, a Linha Central pode ser vista por todos os ângulos: Frontal, Lateral e por trás. Não importando por onde seja feito o ataque, sempre encontraremos pontos frágeis se buscarmos a Linha Central.
Da mesma forma, você possui os mesmos pontos críticos que seu oponente. Então, o que temos a fazer é fechar o acesso a esses pontos, de forma que não seja possível atingi-los sem antes passar por sua linha defensiva, que são seus braços e pernas.
“O ser humano é constituído de uma cabeça de vidro, um corpo de madeira e braços e pernas feitos de ferro.” “Antigo provérbio do Wing Chun”
No tópico anterior, definimos os pontos mais críticos do corpo humano traçando linhas. A partir de agora, traremos uma visão mais específica sobre como as formas geométricas podem ser aplicadas para aumentar a sua capacidade combativa, comparando-as com os tipos de movimentos que executamos em combate.
Anteriormente foi comentado sobre impedir o acesso aos pontos críticos do seu corpo. A única maneira eficiente de fazer isso é cobrindo as áreas que contêm tais pontos.
A linha central divide o corpo em seis áreas, que chamaremos de quadrantes. Dividindo-os por esquerda e direita, teremos dois quadrantes superiores, dois quadrantes médios e dois quadrantes inferiores. Não é necessário decorar onde está cada quadrante, e você verá o porquê.
Para simplificar o estudo, vamos nos ater aos quadrantes superiores e médios:
Cada um desses quadrantes merece atenção especial por se tratar de áreas que geram atordoamento e perda de consciência. Cobrir a cabeça sem perder a defesa do tronco tem sido uma meta a ser atingida por diversas artes marciais, mas existem maneiras práticas para resolver esse problema. As chamamos de quatro janelas.
Consiste em uma defesa usando a palma da mão, e é o mecanismo mais básico defesa do ser humano. Se algo é jogado em você, tenha certeza que você vai tentar desviá-lo com as mãos. E é exatamente com essa natureza que o Pak Sao é usado. O Pak Sao será usado nos quadrantes superiores.
Idêntico ao Pak Sao, mas é usado nos quadrantes inferiores, projetando a energia para baixo.
O Tan Sao é chamado de “a primeira pérola do Wing Chun”, por se tratar de uma defesa que cobre tanto os quadrantes médios quantos os superiores, além de ser uma defesa altamente energética, capaz de causar danos ao membro do oponente. O bom Tan Sao parte do quadrante inferior, seguindo com energia para frente, para cima e para fora. Veja a figura abaixo:
O Kan Sao é um Tan Sao orientado para baixo, cuja energia segue cobrindo todo o quadrante médio, com energia para frente, para baixo e para fora. Enquanto o Tan Sao usa a parte interna do braço para desviar o golpe, o Kan Sao usará a parte externa.
Com estas quatro defesas (ou janelas) é possível estar completamente coberto de ataques direcionados ao tronco e à cabeça.
Vamos tentar entender quais formas geométricas citamos até agora:
Quadrado ou Retângulo: Foi visto nos quadrantes. A figura do quadrado é normalmente usada para delimitar áreas a serem reconhecidas e exploradas.
Triângulo: Foi visto na base Jong Sao e na movimentação dos braços durante a execução do soco Chun Choy. O triângulo sempre simbolizará direção, avanço e projeção de energia contra o oponente.
Falta agora definir a última forma geométrica importante no sistema, que é o círculo. O círculo tem a ver com redirecionamento de energia, movimentação e armadilhas.
O equilíbrio e a mudança de uma forma para outra vai se tornando natural conforme i treinamento progride. Um exemplo prático seria compararmos o Sil Lin Tao e o Chum Kiu: enquanto em Sil Lin Tao o aluno tende a permanecer parado, mantendo uma base firme e balanceada (quadrado) e tendendo ao ataque simples em uma única direção (triângulo), o praticante que está em Chum Kiu já conhece as formas de aproximação do oponente e sabe como esquivar-se e mudar de direção de forma eficaz, além de possuir uma arma eficaz em curtas distâncias, o Chi Sao. Em todas as estruturas de Chum Kiu é possível reconhecer o círculo.
Entretanto, é necessário ressaltar que o praticante de Wing Chun usa cada uma dessas estruturas como conceito, apenas. Não é necessário buscar as formas geométricas, elas aparecem como uma forma de reconhecer e compreender cada técnica. Isso não quer dizer que um chute circular (comumente chamado de “giratório”) seria aplicável dentro do sistema só porque lembra um círculo. Isso será melhor explicado quando falarmos de Economia de Movimentos.
A Linha central é motivo para um estudo muito maior, mas a partir deste ponto é melhor deixarmos para o treino prático. São muitos conceitos, e é necessário tempo para digerir tudo. Aproveite para tirar dúvidas com o instrutor.
O nome “Encarar o Vulto” pode parecer estranho, mas é a tradução literal do termo “Do Yen”. E manter o seu Do Yen consiste em não perder seu oponente de vista, ou melhor, não perder o “alvo”.
Imagine um arqueiro profissional tentando acertar um alvo. A direção da flecha tem que apontar diretamente para o alvo, senão ele com certeza vai errar. Da mesma forma, o praticante de Wing Chun deve estar sempre direcionando a si mesmo para o oponente, caso contrário, ele vai errar boa parte dos golpes e sua capacidade defensiva será prejudicada. Porém, isso não quer dizer que é necessário que o oponente esteja o tempo todo de frente para você, ou que você tenha que se
ajustar para estar de frente para ele. Como o próprio nome diz, a idéia é perseguir o “vulto”, se ajustar apenas o suficiente para continuar com seu oponente à vista e ao alcance. Mesmo que seu oponente esteja de costas para você, a três metros de distância, se você puder “mirar no alvo”, quer dizer que você manteve o seu Do Yen. Da mesma forma, o oponente não tem Do Yen em relação a você.
O Wing Chun utiliza artifícios práticos para fazer o oponente perder Do Yen constantemente. No tópico anterior nós comentamos sobre a postura Jong Sao e como a estrutura usada se assemelha a um triângulo. Pois bem, assim como a ponta da flecha, este triângulo pode ser reajustado para qualquer direção com a finalidade de acertar o oponente, bem como servir como elemento condutor para defletir a energia que vem contra você.
Se tentarmos visualizar a energia de cada ataque como ondas ou setas apontando para você, a postura Jong Sao servirá como um divisor de águas. O uso dessa postura aliado às quatro janelas que já estudamos permite que toda a energia projetada pelos golpes de seu adversário seja desviada para fora da sua linha central. Quando ocorre essa deflexão de energia, o oponente está apontando suas flechas para um alvo que não é você. Nesse momento, ele perdeu Do Yen, e terá que se reajustar para recuperá-lo. É nessa brecha que você tem espaço para atacar.
É aqui que chegamos a uma pequena ”controvérsia”: Jong Sao é uma postura que expõe as sua mão e perna mais fortes. Se defender-se é como usar um escudo à frente do corpo, porque ir contra o que 95% das pessoas fazem, e colocar suas armas mais fortes à frente, ao invés de usar o pior para se defender? A resposta é bem simples. O lutador de Wing Chun trabalha para não ter membros fortes ou fracos, mas usar os dois lados (esquerdo e direito) igualmente. É por isso que, em Jong Sao, o seu corpo fica de frente para o oponente, ao invés de ficar de lado.
Vamos comparar: Todas as artes marciais clássicas põem seu praticante de lado em relação ao oponente. A idéia deles é que você não se expõe tanto ficando de lado, e por isso teria uma defesa melhor. Porém, para usar as armas que ficaram para trás você terá que perder tempo mudando de base. O praticante de Wing Chun fica de frente para seu oponente, sendo capaz de utilizar seus dois braços e suas duas pernas com a mesma eficiência, sem precisar trocar de base. A isso, damos o nome de Bilateralidade.
“O que a mão direita faz, a esquerda também faz. O que os braços fazem as pernas também fazem.” Provérbio do Wing Chun
Uma base que favorece ainda mais a adoção da bilateralidade é a Yee Jee Kim Yeung Ma, a base do ideograma correspondente ao número dois. É uma base completamente neutra, onde o peso está igualmente distribuído entre as duas pernas. É a base que permite uma movimentação mais natural, por não estar condicionada a uma direção fixa.
dele com facilidade. “Parta o meio” com sua força e não poupe sequências de golpes rápidos.
Eu acabei de usar expressões que ainda estão nubladas no seu entendimento, mas que em breve serão esclarecidas. Apenas continue treinando até chegar ao ponto de decidir qual seu estilo de luta: In Fight ou Out Fight!
“O bom soco parte do coração.” Provérbio do Wing Chun
Há pouco nós falamos em “projeção de energia”, e esse conceito ainda pode estar meio nublado em sua mente. “Projetar”, neste caso, significa jogar algo contra o oponente. E energia é o seu potencial de gerar impacto através de seus músculos. Em suma, essa energia seria sua “força”.
Entretanto, os chineses têm um conceito interessante sobre isso. Para eles, existem dois tipos de “força”: A força muscular de tração e sustentação, que você usa para levantar peso, puxar ou empurrar ou carregar alguma coisa, e uma força que eles chamam de “poder”. Esse “poder” seria a sua capacidade para golpear, ou fazer um grande esforço em uma fração de segundo. Em resumo, seria o limite do seu potencial muscular: grande energia no mínimo tempo.
Por exemplo, Bruce Lee seria uma pessoa com pouca “força”, mas muito “poder”. Rony Coleman (halterofilista famoso) seria um homem com muita “força”, mas pouco “poder”.
Portanto, quando projetamos a nossa energia, estamos trabalhando com uma medida. Quanto estrago queremos causar no corpo do oponente!
Existem vários níveis de energia no combate, e nós os estudamos de maneira crescente através de quatro exercícios:
O nível de energia é o que define se um golpe será forte ou fraco. E energia é quase sinônimo de velocidade. De acordo com a física, a fórmula da Energia Cinética (que é o mesmo que impacto) se exprime por:
E.c. = Massa x Velocidade² 2
Note que enquanto a massa do corpo entra apenas uma vez na fórmula, a velocidade em que o corpo se desloca entra multiplicada por si mesma. Se um braço de 5kg desferir um soco a 10 metros por segundo, a conta vai ser:
5 x 10² = 250J (Joules) 2
Pra ilustrar melhor, 250J é o equivalente à energia liberada pelos capacitores de um desfibrilador (aquele aparelho que os médicos usam para reanimar o coração de alguém que sofreu uma parada cardíaca) quando usado em alta potência. Imagine dar um choque desse tamanho em seu oponente!
É exatamente assim que o corpo reage a um golpe na cabeça, como se tivesse levado um choque forte. Então, temos que “regular essa tensão”, aumentando a energia para derrubar o oponente, ou diminuindo a energia para preservar o colega durante o treino.
Nem todos são velozes, e nem todos são capazes de lançar um grande número de golpes por segundo. Então, só resta uma coisa a se fazer nessa situação: aumentar a massa!
Nenhum ser humano é capaz de ganhar peso instantaneamente, mas todos somos capazes de projetar todo o peso do corpo em um único golpe. Para isso, é necessário gerar energia para o golpe usando o corpo todo. Isso é feito através das articulações.
Basicamente, o corpo possui sete articulações importantes que devem funcionar simultaneamente e independentemente em cada golpe:
“Uma vez enferrujado, não consegue mais abrir caminho. Uma vez sem controle, rasga a si mesmo em pedaços. Sim, o orgulho se parece com uma espada.” Capa do volume 8 do mangá Bleach
O cultivo da energia muscular e seu treino em diversos níveis têm a finalidade de proporcionar ao praticante de Wing Chun não apenas um controle quase perfeito do peso de seus punhos, mas também a de não deixar que ele crie o vício de se restringir. Não apenas Chi Sao Livre e Fan Sao, que o preparam para o combate, mas também o uso não-tradicional de sacos de areia e aparadores serve para permitir que o praticante libere a sua energia acumulada.
Na citação que abre o tópico, Tite Kubo compara o orgulho a uma espada, mas nós podemos usar a mesma alusão para o praticante em si. Não deixar que seus punhos enferrujem, nem se deixar descontrolar. É com essa base que ele se aperfeiçoa, restringindo-se quando deve se restringir, e sendo enérgico quando necessário.
Pensando bem, o orgulho também tem muito a ver com isso. Muitas vezes, o orgulho é o estopim para começar uma briga sem sentido. “Proteger o orgulho” é algo que não deve ser feito sem uma razão muito forte. Eu não posso dizer em que situação se deve “proteger o orgulho”, pois isso é algo muito particular. Se decidir fazer isso, leitor, faça-o perguntando o que Deus pensaria de você ao vê-lo lutar na situação em que está. E assuma as conseqüências! Entretanto, proteger uma vida é algo que deve ser feito sempre. Se possível, proteja a vida do seu oponente. E lembre-se: Deus está olhando para você.
“Exploda”, mas faça isso apenas nos equipamentos. A vida humana é muito importante e muito frágil para terminar prematuramente em suas mãos.
“Não pode haver economia onde não há eficiência.” Benjamin Disraeli – Político Inglês
Com tudo que vimos até agora, percebemos que o Wing Chun não é uma arte marcial comum. Existem muitos detalhes que o torna um estilo ímpar, que busca nada menos que a eficiência em combates reais. E, de acordo com a sábia frase que abre o tópico, ser eficiente também é ser econômico.
Antes de mais nada, vamos explicar uma pequena diferença entre eficaz , efetivo e eficiente :
Ao praticante de Wing Chun não deve bastar apenas causar danos ou evitar ataques. Deve-se derrotar o oponente gastando o mínimo possível de energia e tempo. Ninguém quer ficar meia hora lutando, nem mesmo alguns minutos! Cada segundo pode causar a derrota, cada minuto pode significar danos sérios ao seu corpo!
Assim sendo, a economia faz parte fundamental do aprendizado do Wing Chun. É necessário entender que cada centímetro que você se move faz diferença ao bloquear ou desviar um golpe. Faz diferença nas suas reservas de energia, no combustível que você gasta para manter-se de pé. Preservar-se é a máxima verdadeira para o bom combatente.
Hoje em dia, nas lutas que são apresentadas na TV, é muito comum nós vermos dois lutadores trocando golpes e fazendo grandes esforços para levarem o outro ao chão. Acho interessante como não enxergam que repetem as mesmas coisas todo o tempo. Parece que o intuito real da luta é jogar o oponente no chão, montar sobre ele, e rechaçar sua cabeça com socos até abri-la; ou então, levantar o oponente e cair no chão junto com ele, onde os dois vão travar mais uma guerra de forças até que um dos dois esteja esgotado e desista do combate. Resultado provável? Um caído e um “vencedor” completamente exaurido, com a cara toda amarrotada segurando um cinturão. Sinceramente, mesmo com a vitória declarada, aquele homem perdeu muito mais do que ganhou. E o perdedor, coitado... Viu todo o seu esforço de vários meses de treinamento indo pelo ralo. Esgrimar com o oponente, fazer força resistida, usar seu corpo inteiro para imobilizar apenas um braço, dar golpes sem alvo apenas para intimidar, fintar a dois metros de distância, todas essas coisas fazem o combatente apenas andar em círculos sem definir a luta. Gasta-se energia demais, e nem sempre o resultado é o esperado. Resumindo, são coisas eficazes, mas nem sempre são efetivas, e passam longe de serem eficientes. Não perca tempo com isso!
Combate que termina com os dois oponentes no chão é empate; o chão serve apenas para o derrotado ou, no máximo, deve ser um pequeno instante para você. Todos são passíveis de erro, e é impossível que você não encontre um oponente capaz de te arrancar da base. O peso faz diferença nesse momento, não tente