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Exercícios sobre Arcadismo, Exercícios de Português (Gramática - Literatura)

Exercícios sobre Arcadismo para fixação do assunto.

Tipologia: Exercícios

2020

Compartilhado em 22/09/2020

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Exercícios de Literatura

Arcadismo

  1. (Fatec-1995) "Voltaram à baila os deuses esquecidos, as ninfas esquivas, as náiades, as oréadas e os pastores enamorados, as pastoras insensíveis e os rebanhos numerosos das bucólicas de Teócrito e Virgílio." (Ronald de Carvalho, PEQUENA HISTÓRIA DE LITERATURA BRASILEIRA)

O trecho acima refere-se ao seguinte movimento literário: a) Romantismo. b) Barroco. c) Arcadismo. d) Parnasianismo. e) Naturalismo.

  1. (Faap-1997) AS POMBAS

Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sangüínea e fresca a madrugada

E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais, de novo, elas, serenas Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres voam Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam E eles aos corações não voltam mais... (Raimundo Correia)

Nunca poderia ter lido o poema "AS POMBAS", este mesmo que você acaba de ler:

a) Machado de Assis b) Aluísio Azevedo c) Tomás Antônio Gonzaga d) Olavo Bilac e) Euclides da Cunha

  1. (Vunesp-2005) INSTRUÇÃO: A questão a seguir toma por base dois sonetos, um do neoclássico brasileiro José da Natividade Saldanha (1795-1830), e outro do simbolista brasileiro Augusto dos Anjos (1884-1914).

Soneto

Os teus olhos gentis, encantadores, Tua loira madeixa delicada, Tua boca por Vênus invejada, Onde habitam mil cândidos amores:

Os teus braços, prisão dos amadores, Os teus globos de neve congelada, Serão tornados breve a cinza!… a nada!… Aos teus amantes causarão horrores!…

Céus! e hei-de eu amar uma beleza, Que à cinza reduzida brevemente Há-de servir de horror à Natureza!…

Ah! mandai-me uma luz resplandecente, Que minha alma ilumine, e com pureza Só ame um Deus, que vive eternamente. (José da Natividade Saldanha. Poemas oferecidos aos amantes do Brasil. 1822.)

Soneto Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra. Em seus lábios que os meus lábios osculam Micro-organismos fúnebres pululam Numa fermentação gorda de cidra.

Duras leis as que os homens e a hórrida hidra A uma só lei biológica vinculam, E a marcha das moléculas regulam, Com a invariabilidade da clepsidra!…

Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos Roída toda de bichos, como os queijos Sobre a mesa de orgíacos festins!…

Amo meu Pai na atômica desordem Entre as bocas necrófagas que o mordem E a terra infecta que lhe cobre os rins! (Augusto dos Anjos. Eu. 1935.)

José da Natividade Saldanha é considerado um poeta de transição, por apresentar em sua obra a mescla de traços do Neoclassicismo e do Romantismo. Releia seu poema e, em seguida, a) indique uma característica do Neoclassicismo nas duas primeiras estrofes do soneto; b) identifique, no conteúdo dos dois tercetos, uma atitude do eu-poemático típica do Romantismo.

  1. (Vunesp-2001) INSTRUÇÃO: A questão a seguir toma por base um fragmento do poema Em Defesa da Língua , do poeta neoclássico português Filinto Elísio (1734-1819), uma passagem de um texto em prosa do poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa (1861-1898) e uma passagem de

mocho: coruja lânguida: doentia

Nesse poema, a referência à cultura mitológica (Zéfiro) revela influência da estética a) romântica. b) simbolista. c) trovadoresca. d) árcade. e) parnasiana.

  1. (FEI-1995) Leia com atenção: "A poesia desta época, localizada em fins do século XVIII e início do XIX, caracteriza-se pelo lirismo. Fiéis ao espírito bucólico e pastoril, os poetas adotavam pseudônimos e, em seus textos, falavam e agiam como pastores, tratando de pastoras suas amadas. O mundo greco-romano vem completar o quadro lírico das composições da época".

Assinalar a alternativa que contém o período literário a que se refere o trecho acima: a) Romantismo b) Simbolismo c) Parnasianismo d) Arcadismo e) Barroco.

  1. (UFSCar-2002) Texto 1 (Zé Rodrix e Tavito) Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal pau-a-pique e sapê Onde eu possa plantar meus amigos meus discos meus livros e nada mais

Texto 2 (Cláudio Manuel da Costa) Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia, Que da cidade o lisonjeiro encanto; Aqui descanse a louca fantasia; E o que té agora se tornava em pranto, Se converta em afetos de alegria.

Embora muito distantes entre si na linha do tempo, os textos aproximam-se, pois o ideal que defendem é a) o uso da emoção em detrimento da razão, pois esta retira do homem seus melhores sentimentos. b) o desejo de enriquecer no campo, aproveitando as riquezas naturais. c) a dedicação à produção poética junto à natureza, fonte de inspiração dos poetas.

d) o aproveitamento do dia presente - o carpe diem-, pois o tempo passa rapidamente. e) o sonho de uma vida mais simples e natural, distante dos centros urbanos.

  1. (Unifesp-2002) Texto I: Ao longo do sereno Tejo, suave e brando, Num vale de altas árvores sombrio, Estava o triste Almeno Suspiros espalhando Ao vento, e doces lágrimas ao rio. (Luís de Camões, Ao longo do sereno.)

Texto II: Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas, so aqueste ramo destas auelanas e quen for louçana, como nós, louçanas, se amigo amar, so aqueste ramo destas auelanas uerrá baylar. (Aires Nunes. In Nunes, J. J., Crestomatia arcaica.)

Texto III: Tão cedo passa tudo quanto passa! morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada. (Fernando Pessoa, Obra poética.)

Texto IV: Os privilégios que os Reis Não podem dar, pode Amor, Que faz qualquer amador Livre das humanas leis. mortes e guerras cruéis, Ferro, frio, fogo e neve, Tudo sofre quem o serve. (Luís de Camões, Obra completa.)

Texto V: As minhas grandes saudades São do que nunca enlacei. Ai, como eu tenho saudades Dos sonhos que não sonhei!...) (Mário de Sá Carneiro, Poesias.)

O motivo do carpe diem (“aproveita o dia”, em latim) expressa, em geral, o gosto de viver plenamente a vida, de usufruir os dons da beleza e a energia da juventude, enquanto o tempo permitir. Esse motivo aparece nos textos a) I e II. b) II e III.

c) III e IV. d) IV e V. e) I e V.

  1. (Unifesp-2002) Texto I: “O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita; não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência. (...) Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração. À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. (...) Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meio aberta de uma habitação antiga, mas não dilapidada - (...) A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício, que todavia mal se vê...” (Almeida Garrett, Viagens na minha terra.)

Texto II: “Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes. A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras. Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. (...) Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.” (José de Alencar, O guarani.)

Texto III: “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado: Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes.” (Cláudio Manuel da Costa, Sonetos-VII.)

Podem ser encontradas características predominantes do estilo neoclássico ou arcádico apenas

a) no texto I. b) no texto II. c) no texto III. d) nos textos I e II. e) nos textos II e III.

  1. (Mack-2004) Já sobre o coche de ébano estrelado Deu meio giro a noite escura e feia; Que profundo silêncio me rodeia Neste deserto bosque, à luz vedado! Jaz entre as folhas Zéfiro abafado, O Tejo adormeceu na lisa areia; Nem o mavioso rouxinol gorjeia, Nem pia o mocho, às trevas costumado: Só eu velo, só eu, pedindo à sorte Que o fio, com que está minha alma presa À vil matéria lânguida me corte: Consola-me este horror, esta tristeza; Porque a meus olhos se afigura a morte No silêncio total da natureza. Bocage

Vocabulário: coche de ébano: carruagem de madeira escura jaz: está ou parece morto mocho: coruja lânguida: doentia

Está presente no texto o seguinte traço característico da poesia de Bocage: a) temática religiosa. b) idealização do “locus amoenus”. c) quebra dos padrões formais clássicos. d) supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da idéia. e) linguagem emotivo-confessional.

  1. (UNIFESP-2007) Leia o poema de Bocage

Olha, Marília, as flautas dos pastores Que bem que soam, como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes Os Zéfiros brincar por entre flores? Vê como ali, beijando-se, os Amores Incitam nossos ósculos ardentes! Ei-las de planta em planta as inocentes, As vagas borboletas de mil cores. Naquele arbusto o rouxinol suspira, Ora nas folhas a abelhinha pára, Ora nos ares, sussurrando, gira: Que alegre campo! Que manhã tão clara! Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira, Mais tristeza que a morte me causara.

  1. (Vunesp-Ilha Solteira-2001) Texto 1 Gregório de Matos

Goza, goza da flor da mocidade, que o tempo trata a toda ligeireza e imprime em toda flor a sua pisada.

Ó não aguardes, que a madura idade te converta essa flor, essa beleza, em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Texto 2 Basílio da Gama

Pois se sabes que a tua formosura Por força há de sofrer da idade os danos, Por que me negas hoje esta ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos, Gozemo-nos agora, enquanto dura, Já que dura tão pouco a flor dos anos.

Os poemas de Gregório de Matos e de Basílio da Gama são da Era Clássica da literatura, embora pertençam a diferentes escolas literárias.

a) Indique a que movimentos literários se filiaram, respectivamente, os autores. b) Explique a semelhança entre os textos no que diz respeito à temática abordada.

  1. (Vunesp-Ilha Solteira-2001) Texto 1 Gregório de Matos

Goza, goza da flor da mocidade, que o tempo trata a toda ligeireza e imprime em toda flor a sua pisada.

Ó não aguardes, que a madura idade te converta essa flor, essa beleza, em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Texto 2 Basílio da Gama

Pois se sabes que a tua formosura Por força há de sofrer da idade os danos, Por que me negas hoje esta ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos, Gozemo-nos agora, enquanto dura, Já que dura tão pouco a flor dos anos.

A expressão latina carpe diem , que significa “aproveite o dia (presente)”, foi uma constante nos dois períodos

literários representados pelos poemas de Gregório de Matos e Basílio da Gama.

a) Transcreva, de cada um dos poemas, um verso em que a idéia do carpe diem esteja explicitamente apresentada. b) Que metáfora é comum aos dois poemas?

  1. (UFMG-1998) Leia o soneto que se segue, de Cláudio Manuel da Costa.

Pastores, que levais ao monte o gado, Vede lá como andais por essa serra; Que para dar contágio a toda a terra, Basta ver-se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vedes) tão pesado; E a pastora infiel, que me fez guerra, É a mesma, que em seu semblante encerra A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo, Vereis a formosura, que eu adoro; Mas não; tanto não sou vosso inimigo:

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro; Que se seguir quiserdes, o que eu sigo, Chorareis, ó pastores, o que eu choro.

Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto, exceto: a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado. b) A palavra "guerra" enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta. c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema. d) A expressão "para dar contágio a toda a terra" revela a intensidade do sofrimento do pastor.

  1. (UFSCar-2002) Texto 1 (Zé Rodrix e Tavito) Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal pau-a-pique e sapê Onde eu possa plantar meus amigos meus discos meus livros e nada mais

Texto 2 (Cláudio Manuel da Costa) Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia, Que da cidade o lisonjeiro encanto; Aqui descanse a louca fantasia; E o que té agora se tornava em pranto,

Se converta em afetos de alegria.

Embora muito distantes entre si na linha do tempo, os textos aproximam-se, pois o ideal que defendem é o uso da emoção em detrimento da razão, pois esta retira do homem seus melhores sentimentos. b) o desejo de enriquecer no campo, aproveitando as riquezas naturais. c) a dedicação à produção poética junto à natureza, fonte de inspiração dos poetas. d) o aproveitamento do dia presente - o carpe diem-, pois o tempo passa rapidamente. e) o sonho de uma vida mais simples e natural, distante dos centros urbanos.

  1. (UEL-1996) Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas do trecho apresentado. Simplificando a linguagem lírica de Cláudio Manuel da Costa, mas evitando igualmente a diluição dos valores poéticos no sentimentalismo, as .............. mais densas, dedicadas a ............., fizeram de .............. uma figura central do nosso Arcadismo. a) crônicas - Marília - Dirceu. b) crônicas - Gonzaga - Dirceu. c) sátiras - Dirceu - Gonzaga. d) liras - Gonzaga - Dirceu. e) liras - Marília - Gonzaga.

  2. (ITA-2002) Leia os seguintes textos, observando que eles descrevem o ambiente natural de acordo com a época a que correspondem, fazendo predominar os aspectos bucólico, cotidiano e irônico, respectivamente:

Texto 1 Marília de Dirceu Enquanto pasta, alegre, o manso gado, minha bela Marília, nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive nos descobre A sábia Natureza. Atende como aquela vaca preta O novilhinho seu dos mais separa, E o lambe, enquanto chupa a lisa teta. Atende mais, ó cara, Como a ruiva cadela Suporta que lhe morda o filho o corpo, E salte em cima dela. (GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. In: Proença Filho, Domício. Org. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1996, p. 605.)

Texto 2 Bucólica nostálgica

Ao entardecer no mato, a casa entre bananeiras, pés de manjericão e cravo santo, aparece dourada. Dentro dela, agachados, na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo, rápidos como se fossem ao Êxodo, comem feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis, muitas vezes abóbora. Depois, café na canequinha e pito. O que um homem precisa pra falar, entre enxada e sono: Louvado seja Deus! (PRADO, Adélia. Poesia Reunida. 2ª- ed. São Paulo: Siciliano, 1992, p. 42.)

Texto 3 Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras Mulheres entre laranjeiras Pomar amor cantar Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. (ANDRADE, Carlos Drummond. Obra Completa. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1967, p. 67.)

Assinale a alternativa referente aos respectivos momentos literários a que correspondem os três textos: a) Romântico, contemporâneo, modernista. b) Barroco, romântico, modernista. c) Romântico, modernista, contemporâneo. d) Árcade, contemporâneo, modernista. e) Árcade, romântico, contemporâneo.

  1. (UFPB-2006) No Romanceiro da Inconfidência , Cecília Meireles recria poeticamente os acontecimentos históricos de Minas Gerais, ocorridos no final do século XVIII. Nesta mesma época, circulavam, em Vila Rica, as Cartas Chilenas , atribuídas a Tomás Antônio Gonzaga.

O fragmento a seguir foi extraído da Carta 2 em que Critilo (Gonzaga), dirigindo-se ao seu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa), narra o comportamento do Fanfarrão Minésio (Luís da Cunha Meneses, governador de Minas).

Aquele, Doroteu, que não é Santo Mas quer fingir-se Santo aos outros homens, Pratica muito mais, do que pratica, Quem segue os sãos caminhos da verdade. Mal se põe nas Igrejas, de joelhos, Abre os braços em cruz, a terra beija, Entorta o seu pescoço, fecha os olhos, Faz que chora, suspira, fere o peito; E executa outras muitas macaquices, Estando em parte, onde o mundo as veja.

Como o orvalho das noites ao relento, A teu seio elevou-se, como as névoas, Que se perdem no azul do firmamento.

Aqui...além...mais longe, em toda a parte, Meu pensamento segue o passo teu. Tu és a minha luz, - sou tua sombra, Eu sou teu lago, - se tu és meu céu. ..................................................................

À tarde, quando chegas à janela, A trança solta, onde suspira o vento, Minha alma te contempla de joelhos... A teus pés vai gemer meu pensamento. ..................................................................

Oh! diz' me, diz' me, que ainda posso um dia De teus lábios beber o mel dos céus; Que eu te direi, mulher dos meus amores:

  • Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!

Bahia, 1865.

(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar,

  1. p. 415-6)

Texto III

RONDÓ PRA VOCÊ

De você, Rosa, eu não queria Receber somente esse abraço Tão devagar que você me dá, Nem gozar somente esse beijo Tão molhado que você me dá... Eu não queria só porque Por tudo quanto você me fala Já reparei que no seu peito Soluça o coração bem feito De você.

Pois então eu imaginei Que junto com esse corpo magro Moreninho que você me dá, Com a boniteza a faceirice A risada que você me dá E me enrabicham como o que, Bem que eu podia possuir também O que mora atrás do seu rosto, Rosa, O pensamento a alma o desgosto De você.

(ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo / Belo Horizonte: Martins / Itatiaia, 1980. V. 1. p. 121 )

Texto IV

O AMOR E O TEMPO

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota- lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Antônio. Apud: PROENÇA FILHO, Domício. Português. Rio de Janeiro: Liceu, 1972. V5. p.43)

Quando os Risos e os Amores Aparecem nos teus olhos, Até d'ásperos abrolhos Vejo flores rebentar.

Mas se deixas este prado, Ai de mim! Cruéis pesares! Sinto escuro o céu e os ares E enlutado o bosque e o mar.

(ALVARENGA, Silva. Glaura. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p.120 -121)

O fragmento acima é retirado de um rondó escrito pelo poeta árcade Silva Alvarenga, no século XVIII. Comparando este fragmento com o texto III, pode-se afirmar que:

a) Existe uma preocupação dos dois escritores de manter o mesmo número de sílabas métricas. b) Existe uma diferença de gênero literário entre os dois textos, já que apenas o texto III é um rondó. c) Há um coloquialismo acentuado no texto III, marca registrada da linguagem modernista, mas não da neoclássica. d) Há uma semelhança marcante entre os dois textos, já que ambos pertencem ao gênero épico ou narrativo. e) Há uma aproximação temática entre os dois textos, quanto à ausência de sentimentos do eu lírico.

GABARITO

  1. Alternativa: C

  2. Alternativa: C

  3. a) Há várias. As principais são: Retomada da mitologia clássica (Vênus, 3º verso) Rigor formal (soneto) b) Também há várias. As principais são: Subjetivismo Religiosidade Presença da morte Egocentrismo

  4. a) Os três textos tratam da comunicação escrita como forma de arte. b) Que leia os clássicos. A proposta de retomada dos clássicos é uma marca do Neoclassicismo.

  5. Alternativa: D

  6. Alternativa: D

  7. Alternativa: A

  8. Alternativa: B

  9. Alternativa: C

  10. Alternativa: E

  11. Alternativa: E

  12. Alternativa: E

  13. a) Trata-se da antítese, que consiste na aproximação de idéias contrárias, como união e separação.

b) O ambiente pastoril e bucólico (“entre as pastoras mais formosa”).

  1. a) Gregório de Matos - Barroco Basílio da Gama - Arcadismo b) viver a vida e aproveitar a mocidade e a beleza.

  2. a) Texto I goza da flor da mocidade,

Texto II Gozemo-nos agora, enquanto dura, Já que dura tão pouco a flor dos anos

b) flor é a metáfora, indicando os verdes anos.

  1. Alternativa: A

  2. Alternativa: A

  3. Alternativa: A

  4. Alternativa: D

  5. Alternativa: B

  6. Alternativa: E

  7. Alternativa: C

  8. Alternativa: C