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A colonização do Brasil, desde os motivos da exploração portuguesa até as características econômicas e políticas da colônia. Analisa o papel das especiarias, a expansão territorial e a evangelização como impulsionadores. Detalha o sistema de governo colonial, as companhias de comércio, os armazéns reais e a economia agroexportadora baseada na monocultura e extração de recursos. Discute a resistência escrava e as estratégias dos africanos escravizados, como quilombos e irmandades. O documento oferece uma visão abrangente da formação do Brasil colonial e suas relações com Portugal, abordando o tratado de Tordesilhas e a disputa com outras nações. A análise das características políticas do Brasil como colônia complementa a compreensão do período.
Tipologia: Notas de estudo
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Iniciada no século XV, foi impulsionada por uma série de causas interligadas, que incluíram fatores econômicos, políticos, sociais, tecnológicos e religiosos. Esses elementos combinados permitiram que Portugal se tornasse pioneiro na exploração de novas rotas e territórios. Vamos ver os detalhes sobre essas: A Busca por especiarias: Açúcar, pimenta, cravo, canela, cravo, etc., eram extremamente valiosas na Europa, mas o comércio desses produtos era controlado por Veneza, Gênova e intermediários muçulmanos, que dominavam as rotas terrestres e marítimas do Mediterrâneo. Portugal buscava uma rota direta para as Índias e as alternativas seriam a) através da África: só se conhecia o norte africano...além do Saara havia pouca informação e era grande o risco. b) contornando a África: só se conhecia o litoral até o Cabo Bojador, o qual tornou-se um desafio para a expansão marítima portuguesa. O Desafio da África: O problema é que ninguém sabia o tamanho da África nem como era seu formato, nem se tinha alguma passagem. Até então, o mundo conhecido resumia-se ao norte africano, a Europa, o Oriente Médio, as Índias e uma parte da Ásia. Mesmo assim, Portugal decidiu encarar a navegação ao longo do litoral africano...essa exploração prometia acesso a novas fontes de riqueza, incluindo ouro e marfim...além disso, havia a esperança de encontrar uma rota para as Índias. A Conquista de Ceuta (1415): localizada no estreito de Gibraltar, no lado africano, Ceuta era uma rica cidade comercial dominada pelos mouros. Era um importante ponto de passagem entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Controlar Ceuta permitiria a Portugal influenciar as rotas comerciais e obter lucros com o comércio de produtos como ouro, especiarias e escravos. Acesso ao ouro: Ceuta era uma porta de entrada para as rotas transaarianas que traziam ouro e outros produtos valiosos da África subsaariana. Portugal buscava desviar esse comércio para suas próprias rotas marítimas. Expansão territorial: Ceuta representava o início de um projeto expansionista que visava aumentar o território e a influência de Portugal além da Península Ibérica. Proteção contra pirataria: A região do estreito de Gibraltar era frequentemente assolada por piratas muçulmanos, que atacavam navios e costas portuguesas. A ocupação de Ceuta ajudaria a proteger as rotas comerciais marítimas. Espírito de cruzada/missão evangelizadora: A conquista de Ceuta foi vista como uma continuação da Reconquista cristã na Península Ibérica. Era uma forma de combater o islamismo e expandir a fé cristã, ganhando o apoio da Igreja e da população. A Ordem de Cristo, herdeira dos Templários, financiou muitas expedições, combinando interesses comerciais e religiosos. A Ordem era uma instituição poderosa e multifacetada, reunindo nobres, clérigos, comerciantes e exploradores em torno de um projeto comum: a expansão marítima e a difusão do cristianismo. Seus membros não apenas forneciam recursos e liderança, mas também legitimavam as expedições como uma missão religiosa e civilizatória. Essa combinação de interesses materiais e espirituais foi essencial para o sucesso das Grandes Navegações portuguesas. Missão evangelizadora: Portugal via a expansão como uma missão divina, e a tomada de Ceuta era um passo para difundir o cristianismo em terras muçulmanas e uma forma de se vingar do tempo em que os mouros dominaram a península ibérica. Fortalecimento do poder monárquico: Portugal fortaleceu sua monarquia precocemente, antes mesmo da França, Inglaterra e Espanha. Isso ocorreu através da Revolução de Avis (1383- 1385), que consolidou o poder da monarquia portuguesa, criando um Estado centralizado e estável. A aliança entre a coroa, a burguesia
comercial e a nobreza permitiu investimentos em projetos de longo prazo, como as navegações. Tecnologia Naval: Portugal investiu em avanços tecnológicos, como a caravela, um navio ágil e adaptado à navegação oceânica, ao mesmo tempo em que aperfeicoou instrumentos como a bússola, o astrolábio e o sextante. e as cartas náuticas aprimoradas permitiram explorações mais seguras e precisas. A transposição do Cabo Bojador (1434): localizado no noroeste da África (atual Saara Ocidental), representou um grande desafio devido a uma combinação de obstáculos naturais e técnicos: fortes correntes marítimas, águas rasas, recifes perigosos, pouco conhecimento naval para navegar longe do litoral, etc. O Cabo Bojador era considerado o limite do que se conhecia sobre a África e o mundo...além dele circulavam lendas assustadoras sobre monstros marinhos, águas ferventes e o fim da Terra. Esses mitos criavam um clima de temor entre os marinheiros. Os ventos e das correntes: os navegadores portugueses perceberam que os ventos e as correntes oceânicas os empurravam para oeste, afastando-os da costa africana. Ao se afastarem da costa, os navegadores começaram a encontrar indícios de que havia terra...mas tudo isso era segredo de Estado. a transposição do Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Esperança): em 1488, o navegador Bartolomeu Dias chega ao fim do continente africano. A maior parte do litoral do continente já estava mapeada por Portugal. A chegada às Índias: foi um marco na expansão marítima portuguesa e trouxe lucros extraordinários para Portugal. Ao chegar a Calicute em 1498, Vasco da Gama estabeleceu contato direto com as rotas de especiarias do Oceano Índico, contornando os intermediários árabes e venezianos que dominavam o comércio no Mediterrâneo. A carga de especiarias, como pimenta, canela e cravo, trazida em sua viagem de retorno, foi vendida na Europa com lucros estimados em 60 vezes o custo da expedição. Esse sucesso financeiro consolidou a viabilidade da rota marítima para as Índias e incentivou Portugal a investir em novas expedições, como a de Pedro Álvares Cabral em 1500. Essa viagem não apenas trouxe lucros imediatos, mas também estabeleceu as bases para o domínio português no comércio asiático, fortalecendo a economia e a posição geopolítica de Portugal no século XVI. A concorrência espanhola e o Tratado de Tordesilhas: após a unificação dos reinos de Castela e Aragão, a Espanha também lançou-se às Grandes Navegações. Em 1492, Cristóvão Colombo, financiado pelos reis espanhóis, chegou à ilha de guanahani no caribe. Rapidamente, a Espanha pediu ao Papa Alexandre VI um documento oficializando a posse da terra. O papa emitiu a Bula Intercoetera (1493), dividindo as terras descobertas entre Portugal e Espanha por um meridiano a 100 léguas a oeste de Cabo Verde. Portugal não aceitou de modo algum esta Bula. Para muitos estudiosos, isto era a prova de que Portugal sabia da existência da futura colônia americana. Em 1494, espanhóis e portugueses negociaram o Tratado de Tordesilhas (1494), que ajustou a linha para 370 léguas a oeste, garantindo a Portugal o território do Brasil. AMÉRICA PORTUGUESA: A COLÔNIA BRASILEIRA Para entendermos a colonização, precisamos entender o que é colônia e sua relação com o mercantilismo. COLÔNIA: é um território controlado e administrado por um Estado soberano (chamado de metrópole). A relação entre a colônia e a metrópole é marcada por uma dependência política, econômica e cultural. Características Econômicas da Colônia brasileira:
-Características Políticas do Brasil como colônia:
para os cofres da nação, pois no Brasil não havia nenhuma estrutura, só havia florestas, índios e animais. O rei optou por transferir o custo inicial para a iniciativa privada, através do sistema de Capitanias hereditárias:
Eram atribuições do Governo Geral: Defender o território, expulsar os franceses ou outros estrangeiros, atrair colonos e empreendimentos, efetivar o povoamento, fundar vilas e cidades, catequizar e defender os índios contra a escravização, fundar casas da câmara, explorar o território em busca de riquezas, estimular a economia, cobrar impostos, etc. GOVERNO TOMÉ DE SOUSA (1549 - 1553) Trouxe aproximadamente 1000 pessoas em sua chegada, a maioria com a missão de construir a cidade de Salvador. Algumas ações: -Fundou a cidade de Salvador em 29 de março de 1549, a qual foi cercada por uma muralha de taipa com quatro torres de artilharia -Promoveu acordos de paz com os indígenas -Trouxe os primeiros jesuítas para o Brasil, sob o comando de Manuel de Nóbrega, com o objetivo de catequizar os índios. -Investiu no melhoramento do sistema de defesa do litoral brasileiro construindo fortes e fundando vilas em zonas litorâneas -Criou o primeiro bispado -Introduziu a pecuária ao trazer gado de Cabo Verde. Governo Duarte da Costa (1553-1558) foi um governo conturbado marcado por diversos problemas:
tivesse, mais rico seria. Para obtê-los, só através de sua extração nas minas ou do comércio Monopólio (Exclusivo comercial)/ Pacto Colonial: o monopólio era um meio para impedir a concorrência e garantir mais lucros. Sobre as colônias, a metrópole impôs o monopólio ou exclusivo colonial, o que na prática significava:
às fazendas e tinham uma estrutura menos complexa. Quilombo: Era maior e mais organizado, podendo abrigar centenas ou até milhares de pessoas. O Quilombo dos Palmares, por exemplo, era uma rede de várias comunidades e durou quase um século, com uma estrutura social e política complexa.