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RESUMO: A “matéria da Bretanha”, representada principalmente pela novela A demanda do Santo Graal, penetrou em Portugal em meados do século XIII e.
Tipologia: Resumos
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Maria Helena Nery Garcez
RESUMO : A “matéria da Bretanha”, representada principalmente pela novela A demanda do Santo Graal , penetrou em Portugal em meados do século XIII e constitui, juntamente com a herança clássica das epopeias da Antiguidade e da quinhentista Os Lusíadas , de Luís de Camões, o arquitexto sobre o qual se cons- trói o poema pátrio Mensagem , de Fernando Pessoa. Analisamos aqui esse poema épico-lírico sob a categoria de uma demanda que o percorre do começo ao fim e que continua em aberto.
PALAVRAS-CHAVE: Demanda do Santo Graal; Mensagem; Infante D. Henrique; Grandes Navegações
Fernando Pessoa (1222-134!), que não escondia sua grande admiração por poetas construtores como Dante ou Milton, arquitetou e ergueu, por sua vez, a estrutura poética complexa e enigmática do poema pátrio Mensa- gem , que fez questão de publicar em 1º de dezembro de 1348, data da ce- lebração nacional da Restauração da Independência de Portugal, naquele ano num dia de sábado. A construção de Mensagem realiza uma síntese ambiciosa. A histó- ria pátria resulta integrada numa interpretação histórico-literária de um processo cujas raízes provêm da Antiguidade, cujo desenvolvimento é recapitulado em figuras decisivas da Idade Média, com seu clímax ocor-
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rendo no surgimento dos tempos modernos e sofrendo, depois, solução de continuidade. Tal solução de continuidade do projeto pátrio, que as- sumira proporções gigantescas, beirando o divino, foi o ponto de inflexão da história lusitana, que ofereceu e até hoje oferece matéria para inter- pretações infindas, artísticas ou doutras naturezas. De todas as interpreta- ções poéticas que se conhecem do desastre português, Mensagem é a mais genial e esteticamente a mais bem sucedida até o presente, pois o resgata. Que na arquitetura desse poema entra “a matéria clássica” da Anti- guidade e a do Renascimento português vê-se com facilidade. Na história portuguesa ocorrera o grande empreendimento das navegações e con- sequentes descobertas, celebrado em verso heroico e estilo sublime na epopeia quinhentista de Luís de Camões, concebida segundo o modelo da Poética aristotélica e doutras humanistas e renascentistas. Mensagem , embora nunca mencione diretamente o poema camoniano e/ou seu vate, não deixa de tê-los presentes, pois Os Lusíadas constituem um dos arqui- textos do poema pessoano. Mas também basta uma breve vista d´olhos pelo sumário do poema novecentista para dar-se conta de que “a matéria clássica” e a neoclássica não esgotam o fundamento sobre o qual se edifica Mensagem e ver que, em sua estrutura, entram um Brasão com seus Cam- pos, Castellos>, Quinas, cavaleiros como o Conde D. Henrique, Nunálva- res Pereira, D. Sebastião , as rainhas D. Tareja, D. Philippa de Lencastre e outros elementos mais. Recriada no espaço lusitano e em função dele, entra a matéria cavaleiresca inspirada na “matéria da Bretanha”, tendo como protagonistas personalidades históricas de heróis portugueses, mi- tificadas segundo as categorias e o espírito que criaram a novela medie- val. Se Mensagem supõe Os Lusíadas , supõe também A demanda do Santo Graal e elementos fundantes oriundos dos mitos da “matéria da Bretanha” integram seu arquitexto. Eles foram os meios de que o poeta se serviu
Utilizaremos, ao longo deste trabalho, a ortografia escolhida por Fernando Pessoa em seu poema Mensagem.
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do Santo Graal e sua herança de fé e busca de valores espirituais o está ainda mais. Mensagem foi criada para ser sempre sublime e mística; todas as per- sonalidades da história portuguesa que nela comparecem estão elevadas a um patamar de santidade, em que não se admite menção a erros ou a ações que as desabonem, como por vezes acontece no poema camoniano. As malfeitorias havidas na realidade histórica – que as houve – são sole- nemente omitidas e essas figuras recebem, no alto de sua glória, o louvor e a exaltação da pátria. Visitemos agora trechos da novela medieval, importantes para o es- clarecimento dos objetivos daquela demanda e que poderão servir para confronto com os da nova demanda. Iniciemos com o diálogo entre Tris- tão, recém-chegado à corte do Rei Artur, e Lancelote:
–Amigo Lancelote, é verdade que veio Galaaz, o mui bom cavaleiro, à corte, aque- le que há de acabar o assento perigoso e há de dar fim às aventuras do reino de Logres?
- Com certeza, amigo, disse Lancelote, ele veio à corte e acabou o assento perigoso e deu cabo da aventura de uma espada (…).^9
Desde o início da novela espera-se o cavaleiro desejado, pelo qual as maravilhas do reino de Logres e de outras terras terão fim. (Cf.=!, p.9>). Ele é representado com traços semelhantes aos de Cristo ressuscitado, como no momento de sua entrada na sala dos comensais da távola re- donda:
não houve no paço quem pudesse entender por onde Galaaz entrara, que em sua vinda não abriram porta nem janela.(…) E Galaaz, assim que chegou ao meio do paço, disse de modo que todos ouviram: – A paz esteja convosco.” (=!, p.9>).
9 A Demanda do Santo Graal , 9, p.@".
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Após Galaaz ter acabado com uma aventura num mosteiro, relatada no capítulo $%, eis a fala do homem velho, que lá vivia, interpretando-a:
(…) aquela missão para a qual o Pai enviou seu Filho à terra para livrar o povo, agora está renovada.(…) assim vos escolheu Nosso Senhor sobre todos os cavalei- ros, para vos enviar pelas terras estranhas, para destruirdes as difíceis aventuras e para fazerdes conhecer como surgiram e de que modo foram começadas. E por isso se deve ensinar a vossa vinda como a de Jesus Cristo, quanto à semelhança, mas não em grandeza. (…). +
Galaaz, mesmo antes de aparecer, é o desejado, o cavaleiro perfeito, puro em sua virgindade, o melhor do mundo, o que irá “acabar com todas as aventuras do reino de Logres”, e aqui é explicitamente assemelhado a Jesus Cristo. Se Galaaz acaba com a aventura do assento perigoso, a da espada e outras, se, nas palavras do homem velho, é o escolhido para ser enviado a “terras estranhas” para “destruir as difíceis aventuras”, seria, então, desca- bido pensar que, na leitura pessoana da Demanda do Santo Graal , a ação portuguesa no desvendamento do Atlântico e na dissipação de seus ter- rores, não tinha muito de análogo a ela e de cavaleiresco? Curiosamente e, de certo modo até paradoxalmente, a empresa das navegações – fato his- tórico decisivo para a delimitação do início dos tempos modernos – não foi lida por Pessoa à luz daquela novela tão medieval em seu imaginário e em seus valores? Em Os Lusíadas a façanha de dobrar “os vedados términos” está fi- gurada na vitória sobre o gigante Adamastor, extraído por Camões da mitologia clássica. O português “ousa” ir ver “os segredos escondidos da natureza e do úmido elemento”$. Na Mensagem , embora seja fácil reco-
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“sagrou-te” para a ele dirigir-se, significando a vontade divina que, segun- do ela, o tornava ungido, e ainda inclui no termo a evocação de Sagres, o promontório utilizado pelo Infante para reunir estudiosos e observações científicas. D. Henrique, o mentor de Sagres e, na demanda da Mensagem, o cavaleiro sagrado para promover e prover a grande “aventura” que per- mitiu passar do Atlântico ao Índico, possibilitou também que o mundo visse “a terra inteira, de repente,/ Surgir, redonda, do azul profundo”. Isso diz a segunda estrofe do mesmo poema. Voltemo-nos agora para o Brasão , Primeira Parte da Mensagem , e examinemos como o poema inicia. Lembremos que o brasão escolhido por Pessoa para ser poeticamente verbalizado não é o de Portugal, mas o do Infante. O de Portugal é encimado, no timbre, por uma serpe alada, enquanto este é encimado por um “grypho”, animal fabuloso, de cabeça e asas de águia e corpo de leão. Ter o poeta escolhido o brasão do Infante manifesta a fundamental importância histórica e mística que ele lhe re- conheceu e quis conferir-lhe em seu poema interpretativo da gesta lusa. Retornando ao Brasão, nele discernimos nos dois poemas de abertu- ra, respectivamente, o campo das relações histórico-geográficas na época contemporânea à escrita de Mensagem e o das relações entre a ordem humana e a divina. Nessa divisão faz-se presente o modo de composição das epopeias clássicas: nelas, após a caracterização da situação histórica e/ ou narrativa e seus conflitos, seguiam-se as reuniões dos deuses a discuti- rem suas posições sobre o plano humano e a tomarem conhecimento das determinações do Destino. Em Mensagem , proposta numa síntese admirável a situação histó- rico-geográfica, política e cultural do mundo das primeiras décadas do século ;;, passa-se imediatamente à relação entre o humano e o divino, ao mesmo tempo focada sob um aspecto pagão – a voz enunciadora fala de deuses – e cristão – pois ilustra o proposto com o sacrifício de Cristo, visto como o protótipo dessas relações.
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O campo das Quinas , no coração do escudo, cumpre o verso: “com- pra-se a glória com a desgraça”. No centro da história portuguesa, segun- do o poema, está um sacrifício análogo ao de Cristo, e quatro das figuras que compõem as Quinas são cavaleiros da dinastia de Avis, irmãos do Infante D. Henrique: D. Duarte, D. Fernando, D. Pedro e D. João, sendo a quinta, o rei D. Sebastião, o último descendente dessa dinastia. Cada uma delas, a diferentes títulos, sacrificou sua vida pelo reino de Portugal e essa desgraça, que se vê profética e misteriosamente inscrita no escu- do português desde a fundação do reino, foi interpretada, na lógica do poema, como o preço da glória portuguesa, conquistada na aventura das navegações. Encimando o escudo, está a Coroa, que Pessoa personifica no cava- leiro Nunálvares Pereira, sobre cuja espada o poema diz:
“Mas que espada é que, erguida,/ Faz esse halo no céu?/ É Excalibur, a ungida,/ Que o Rei Arthur te deu”. =
Esse cavaleiro assegurou a vitória de Aljubarrota, evitando a sujei- ção de Portugal a Castela, e cumpriu sua aventura na demanda, sendo o sustentáculo da coroa portuguesa. Por isso, é chamado, na estrofe seguin- te, de “S. Portugal em ser”, numa alusão à sua vida de cavaleiro cristão exemplar. Culminando o brasão, temos o grypho, que constitui o timbre, as- sim disposto: a cabeça da águia é D. Henrique, uma das asas, D. João, o Segundo, e a outra, Affonso de Albuquerque. Cabeça da águia, o Infante não foi sacrificado como seus irmãos. Tendo sido o iniciador e grande impulsionador da demanda do desbravamento do Atlântico, voou muito alto, viu longe. Por isso, no poema a ele consagrado, lemos: “Tem aos pés o mar novo e as mortas eras - / O único imperador que tem, deveras, / O
= Idem, ibidem,p.GK.
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que fica claro é que na demanda promovida pelo Infante, Portugal ainda não se cumpriu totalmente e que, portanto, ela deve continuar. Seu objeto irá constituir a terceira parte do poema, O Encoberto , em que a referida Tradição Secreta do Cristianismo, a que Pessoa aludiu no texto em prosa citado no início, alia-se a um nacionalismo exacerbado. Veja-se o poema
O Desejado: Onde quer que, entre sombras e dizeres, Jazas, remoto, sente-te sonhado, E ergue-te do fundo de não-seres Para teu novo fado!
Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo, Mas já no auge da suprema prova, A alma penitente do teu povo À Eucharistia Nova.
Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido, Excalibur do Fim, em jeito tal Que sua Luz ao mundo dividido Revele o Santo Gral!^5
“Galaaz com pátria”, ou seja: Galaaz português, qualquer que seja o significado que, no poema, se vá conferindo a esse adjetivo normalmente caracterizador da nacionalidade. Ora, dentre os cavaleiros que participam da demanda instaurada neste poema, parece-nos que três poderiam ser aproximados ao Galaaz do arquitexto medieval: Nunálvares Pereira, o Infante D. Henrique e o jovem rei D. Sebastião.
5 Idem, ibidem, p.!9.
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Em favor do Condestável Nunálvares: foi o cavaleiro que conseguiu a vitória de Aljubarrota graças a seu gênio de estrategista e à sua fé ex- cepcional; foi um baluarte da independência portuguesa após tão grande vitória, defendendo-a nas situações de perigo; foi sumamente leal a seu rei, exemplar nas virtudes e corajoso. Contra D. Nuno como o novo Galaaz está o fato de que, embora tivesse o propósito de manter-se virgem, seu pai instou-o a casar-se e ele acedeu. Após a morte de sua mulher, entrou para a Ordem Carmelita. Em favor do Infante D. Henrique: foi um dos filhos da Rainha D. Philippa de Lencastre, introdutora, na corte portuguesa, dos princípios e modos da cavalaria da Grã Bretanha, ou seja, da tradição do Graal, nas décadas finais do século 567. Exímio cavaleiro, foi exemplar no cultivo das virtudes e religioso; Grão-Mestre da Ordem de Cristo, segundo Zurara guardou a virgindade durante toda a vida, informação posteriormente contestada por Magalhães Godinho, em Nota no vol. & da obra Documen- tos sobre a Expansão Portuguesa, obra publicada só após a morte de Pessoa. O Infante seria casto, mas na época da escrita de Mensagem a informação de Zurara era corrente. Em favor de D. Sebastião: desde muito jovem viveu com ardor os ideais da cavalaria, era virgem e desejava manter-se nesse estado, embora fosse o rei e necessitasse ter descendentes. Muito voltado aos valores reli- giosos, promoveu uma cruzada contra os mouros no norte da África, em Alcácer-Quibir, para defesa do Cristianismo, aonde desapareceu. Pelo exposto, os dois últimos são os que reúnem mais traços de seme- lhança com Galaaz. Tanto um quanto o outro, ou ainda alguém mais, de equivalente estatura moral, poderia ser o Galaaz português, invocado no poema, para erguer-se ao seu “novo fado”. No início deste trabalho, vimos que Galaaz é uma figura crística, mas não é o Cristo, pois o trecho citado da Demanda tem o cuidado de esclarecer:
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Cabe também acrescentar que o Infante D. Henrique, falecido em &'", foi enterrado primeiro em Lagos e, posteriormente, em &'&, tras- ladado para o convento da Batalha. Sobre seu túmulo vê-se sua estátua jacente de pedra, que em relevo o representa ao natural, vestido de armas brancas e coroado de coroa real, entretecida de folhas de carvalho – sím- bolo de força e sabedoria – e uma rosa no meio. Coincidência ou não, em documentos do espólio, Fernando Pessoa, cristão gnóstico de acordo com sua declaração, estabelece, num docu- mento do espólio, uma relação esotérica entre a Ordem dos Templários, a Ordem de Cristo e a Fraternidade Rósea Cruz. Cito o texto $*-&, enve- lope Ocultismo&%:
Destruída como Ordem Externa em toda a chamada christandade, não foi contu- do a Ordem do Templo internamente destruída. Nem externamente o foi de todo. Disfarçou-se na Escócia, disfarçou-a D. Dinis em Portugal. Converteu a Ordem Externa em Ordem de Christo; e, por traz da Ordem de Christo, continuou in- tacta, como ainda hoje está, a Ordem Interna do Templo. (…). No resto da Europa, a reorganização effectuou-se na Allemanha, um pouco mais tarde, e tomou a forma, a um tempo interna e externa, da Fraternidade da Rósea Cruz. Era fim secreto dos Templários transformar a Egreja de Roma, operando nella de dentro, em Egreja Catholica. (…).
Galaaz é “rosa perfeita”, a estátua jacente do Infante D. Henrique, Grão-Mestre da Ordem de Cristo e impulsionador da demanda maríti- ma. Traz uma rosa no meio da coroa real de folhas de carvalho. Sinal de eleição divina? Distintivo de pertença a uma Fraternidade? Mera coinci- dência? Seria, na visão de Pessoa, a Tradição Secreta do Cristianismo – de &% Apud G789;<, Maria Helena Nery. “Do desconcerto e do concerto do mundo em Mensagem ”. In: Estudos Portugueses e Africanos, Campinas, nº &#, >@E97JK/E;U, Jul./ Dez. &(WW, p.&".
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que Portugal fora feito Templo (poema Septimo I, D. João o Primeiro, de Os Castellos) – a manifestar-se numa linguagem que só é dada a compreender a iniciados? A esses – e precipuamente a eles – é que é dado entender em plenitude o poema “O Encoberto”, precisamente aquele que é o Quinto dos Symbolos. Para esses, a demanda de Mensagem e de Por- tugal continua seu processo... No dia da Restauração da Independência da pátria, o poeta de Orpheu dá à luz essa sua mensagem, cuja palavra final é o vaticínio de que a Hora tinha chegado, seguido da saudação esotérica Valete, fratres.
A Demanda do santo Graal. Texto sob os cuidados de Heitor Megale. São Paulo, T. A. Queiroz e (=>@B, FGKK. C%*L(@, Luís V. de. Os Lusíadas. Edição organizada por Emanuel Paulo Ramos. Porto, Porto Editora, FGKW. G%&'(), Maria Helena Nery. “Do desconcerto e do concerto do mundo em Mensagem ”. Estudos Portugueses e Africanos ( EPA ), Campinas, nºF , pp.F-FZ, jul.-dez,FGKK. P(@@[%, Fernando. Mensagem – Poemas esotéricos. Edição crítica, coorde- nada por José Augusto Seabra. Espanha, Archivos, FGG]. S(&&^[, Joel. Fernando Pessoa. Sobre Portugal: introdução ao problema na- cional. Lisboa, Ática, FG!G.
ABSTRACT : The “matter of Britain” represented mainly by the novel The demand for the Holy Grail penetrated in Portugal by mid-thirteenth century and is, along with the heritage of classics epics of Antiquity and the sixteenth century Os Lusíadas, Luís de Camões, the architext on which is built the patriotic poem Mensagem, Fernando Pessoa. In this communication, we analyze this epic-lyrical