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FICHAMENTO: LENCIONI, Sandra, Notas de estudo de Geografia

FICHAMENTO: LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: EDUSP, 1999. p.119-145

Tipologia: Notas de estudo

2020

Compartilhado em 28/05/2020

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA CCT
CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA
DISCIPLINA: GEOGRAFIA DO NORDESTE
DOCENTE.: PROFª.: MS. ADRIANA DE SÁ LEITE DE BRITO
LINDEMBERG RHIAN SOARES LEITÃO
FICHAMENTO: LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: EDUSP, 1999.
p.119-145
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA – CCT

CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA

DISCIPLINA: GEOGRAFIA DO NORDESTE

DOCENTE.: PROFª.: MS. ADRIANA DE SÁ LEITE DE BRITO

LINDEMBERG RHIAN SOARES LEITÃO

FICHAMENTO : LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: EDUSP, 1999. p.119-

FORTALEZA

LINDEMBERG RHIAN SOARES LEITÃO

FICHAMENTO: LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: EDUSP, 1999. p.119-

Fichamento submetido à Disciplina de Geografia do Nordeste do curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para aprovação na disciplina.

Profª.: M.S.: Adriana de Sá Leite de Brito

FORTALEZA

ciência voltada para os estudos gerais ou uma ciência dirigida a estudos particulares. Windelband distinguiu as ciências da natureza — que buscam estabelecer leis gerais, e que foram denominadas ciências nomotéticas — das ciências da cultura, denominadas ideográficas, voltadas para a pesquisa de fatos particulares” (LENCIONI, 1999. p.121-

“Preocupado com a ameaça de dualidade na Geografia, claramente revelada pela questão posta por Windelband, Hettner argumentou que a Geografia não era uma ciência nomotética ou ideográfica. Era tanto uma como outra. Dizia que quando a Geografia se volta para o estudo das relações entre os fenômenos de um determinado território é uma Geografia ideográfica; porém, quando esses fenômenos podem ser classificados em categorias, possibilitando a dedução de leis gerais, ela é nomotética” (LENCIONI, 1999. p.122)

“A Geografia tem por objeto proporcionar a descrição e a interpretação, de maneira precisa, ordenada e racional, do caráter variável da superfície da Terra" Portanto, para Hettner, o objeto da Geografia não é o estudo da relação entre homem e meio, mas da diferenciação da superfície terrestre” (LENCIONI, 1999. p.123)

“Em sua concepção, o estudo das diferenciações da superfície terrestre deveria conceber essa superfície como uma totalidade. Deveria, ainda, levar em consideração a totalidade dos aspectos da natureza e do homem num determinado espaço da superfície terrestre, cujas características possuíssem uma coerência fisionômica e funcional que permitissem configurar uma individualidade espacial. Enfim, uma região geográfica. A região, como individualidade espacial, se constituiria, portanto, parte da totalidade; ou seja, uma parte da superfície terrestre” (LENCIONI, 1999. p.123)

“Hettner chamou a atenção para o fato de que os recortes feitos na realidade são provenientes do exercício intelectual, não existindo em si mesmo. Os recortes são produtos de uma construção mental. Seu ponto de vista é que a realidade pode ser dividida segundo conjuntos homogéneos, definindo campos do conhecimento como a geologia, a botânica e a física. Mas a realidade, também, pode ser dividida, levando-se em consideração um conjunto heterogêneo de fenômenos que possuam uma coerência interna própria, conformando do uma individualidade referida no tempo e no espaço. A análise que leva em consideração a individualidade espacial referida no tempo e no espaço é considerada análise regional” (LENCIONI, 1999. p.123-124)

“Hettner, refletindo sobre a questão da relação espaço e tempo e inspirado pelas colocações de Kant — que distinguiu claramente a Geografia da História, argumentando que Geografia cabe o estudo das relações dos fatos que se dão conjuntamente no espaço, enquanto que à História, o estudo dos acontecimentos que se sucedem no tempo —, disse que, embora fosse fundamental procurar ver a gênese dos fenômenos, a Geografia não deveria se confundir com a História” (LENCIONI, 1999. p.124)

“Em Hettner, a interpretação do caráter variável da superfície terrestre se fundamenta no estudo das relações entre os fenômenos de natureza física e humana. Nesse estudo, observa que se deve procurar ver como as relações estabelecidas entre esses fenômenos se dão em diferentes lugares e como os fenômenos estão espacialmente inter- relacionados. Assim, as particularidades da superfície terrestre, que seriam oriundas da associação de determinados fenômenos, podem ser reveladas” (LENCIONI, 1999. p.124)

“Sua perspectiva coloca a questão a respeito de quais fenômenos devem ser levados em consideração. Para Hettner, a determinação de quais fenômenos devem ser selecionados

decorre da observação e da seleção feitas pelo pesquisador. Nessa tarefa, o pesquisador deve levar em consideração a dinâmica dos processos (o tempo) e a do espaço. Reiterando, o pesquisador é quem define os fenômenos a serem analisados, no processo de observação e investigação, entre aqueles que parecem conformar uma individualidade referida no tempo e no espaço; ou seja, que conformam uma região” (LENCIONI, 1999. p.124)

“a escala proposta por Hettner para o estudo regional não deve ser nem muito grande nem muito pequena” (LENCIONI, 1999. p.125)

“Nascido nos Estados Unidos, mas de origem alemã, Richard Hartshorne é um marco da Geografia americana por ter introduzido naquele pais, de uma maneira nova e meticulosa, o debate teórico-metodológico na Geografia. Ele foi o grande responsável pela divulgação das ideias de Hettner na Inglaterra e nos Estados Unidos” (LENCIONI, 1999. p.125)

“Para Hartshorne, a Geografia é, ao mesmo tempo, uma ciência da natureza e da sociedade. Afirma que a Geografia deve procurar compreender como os fenômenos se combinam numa área da superfície terrestre. Mas a que fenômenos ele está se referindo? A fenômenos especificamente geográficos? Não. Seguindo o pensamento de Hettner, Hartshorne considera que não há um grupo de fenômenos particulares ä Geografia. Interessam à Geografia todos os fenômenos que tem uma dimensão espacial. Dimensão essa que não pode ser nem muito grande nem muito pequena. Nem englobando o mundo todo nem sendo diminuta; nesse caso, como a dimensão espacial típica do design ” (LENCIONI, 1999. p.125-126)

“Sua posição é que a geografia se constitui numa disciplina que procura "descrever e interpretar o caráter variável da terra, de lugar a lugar, como o mundo do homem” (LENCIONI, 1999. p.126)

“Trata-se do que ele chama de descrição cientifica, que inclui "tanto o que se sabe, quanto o que pode ser inferido, quer dos fenômenos, quer das relações de processos e associações de fenômenos” (LENCIONI, 1999. p.126)

“Para Hartshorne, não há fenômenos particulares Geografia, assim como também não há um objeto de estudo que lhe seja especifico. Afirma que as ciências se definem, sobretudo, por seus métodos próprios de investigação, e menos segundo a determinação de objetos particulares de estudo” (LENCIONI, 1999. p.126)

“Afirma que não cabe à Geografia investigar a gênese e o desenvolvimento dos fenômenos. O olhar do geógrafo deve estar dirigido para a apreensão do caráter das áreas, não se confundindo com o olhar do historiador, interessado nos processos em si. Acima de tudo, diz que cabe ao geógrafo entender a diferenciação das áreas da superfície terrestre” (LENCIONI, 1999. p.126)

“Examinemos mais de perto o que vem a ser área. Quando Hartshorne se refere à área está se referindo, numa outra linguagem, à região” (LENCIONI, 1999. p.127)

“De fato, ao utilizar o termo "área", Hartshorne está reconhecendo que há uma grande arbitrariedade em relação ao conceito de região. Mas isso não significa dizer que ele não utiliza o termo região; ele o utiliza, sim, mas tendo ressalvas quanto ao seu emprego, preferindo utilizar o termo área, sobretudo nas passagens em que busca construir um arcabouço teórico-metodológico” (LENCIONI, 1999. p.127)

renovação não significou, contudo, o banimento ou a estagnação das antigas propostas, muito embora essa nova forma de pensar a Geografia e a Geografia Regional tenha se imposto como um pensamento relativamente dominante a partir da segunda metade deste século” (LENCIONI, 1999. p.132)

“Entre os princípios do positivismo lógico, cabe destacar a preocupação com o estabelecimento dos enunciados, das normas cientificas e o entendimento de que a descrição cientifica, a partir de uma análise lógica, deve apreender a estrutura do objeto. Além disso, o positivismo lógico considera que o conhecimento fundado na intuição deve ser vigiado pela razão” (LENCIONI, 1999. p.133)

“Os estudos regionais se preocuparam com a demonstrabilidade das teorias, além do estabelecimento de previsões, elaborando projeções. Com o desenvolvimento e aplicação de modelos matemáticos, a análise regional procurou apreender a ordem espacial, começando pela teoria e pela construção de hipóteses e de deduções para depois chegar observação. Assim, a observação passou a se situar no final, não no início do procedimento científico” (LENCIONI, 1999. p.135)

“Assim, classificar e regionalizar tornam-se, praticamente, sinônimos. Considerando a regionalização como um método de investigação análoga classificação, David Grigg, geógrafo inglês, em seu clássico texto "Regions, Models and Classes", de 1967, diz que quando a classificação se baseia em indivíduos semelhantes, simplesmente agrupados em classes, está-se diante de uma região como modelo sintético. Quando a classificação decorre da divisão de uma área em regiões, a fim de criar uma tipologia do fenômeno selecionado, está-se diante de uma região como modelo analítico. Portanto, a região, para ele, apresenta-se como um modelo fundado na classificação” (LENCIONI, 1999. p.135-

“em primeiro lugar, devem ser elaboradas conforme um fim específico; por isso, uma dada classificação, com determinado objetivo, em geral não serve para outra finalidade. Em segundo lugar, observou que diferentes tipos de objetos em exame podem se adequar a uma mesma classificação. Exemplifica essa observação com o exemplo de Bunge, que diz que a terra e o mar são tão diferentes que não podem ser incluídos dentro de um mesmo sistema regional. Em terceiro lugar, indica que as classificações não são absolutas, sendo passíveis de alteração” (LENCIONI, 1999. p.136)

“Grigg faz uma quarta observação dizendo que a classificação de qualquer grupo de objetos deve levar em conta as propriedades dos objetos. Afirma, em quinto lugar, que o procedimento de divisão deve ser exaustivo e excludente. Exaustivo quer dizer se debruçar sobre todo o universo em análise. Como uma sexta consideração, diz que o processo de divisão deve se utilizar do mesmo princípio até a finalização da divisão. Em sétimo lugar, que, para se proceder divisão, o princípio norteador do fracionamento deve ser significativo para a divisão regional que se queira elaborar. Em oitavo, que as propriedades usadas para classificar e organizar as categorias mais altas devem ser mais importantes do que as utilizadas para as categorias mais baixas” (LENCIONI, 1999. p.136)

“Na medida em que os geógrafos inspirados no positivismo lógico consideram que os critérios de divisão regional se encontram num corpo teórico, é, então, a partir da teoria que se torna possível chegar a uma classificação cientifica e elaboração da descrição. Reiterando, a região se põe assim, como uma classe, sendo determinada teoricamente. Como consequência, regionalizar passou a significar classificar regiões. (LENCIONI,

  1. p.136)

“Nesse contexto, a velha questão do determinismo geográfico ressurgiu reciclada. Não mais tendo como base a discussão da relação entre o homem e o meio, mas a da relação entre variáveis. Mais precisamente, um dos objetivos passou a ser o de determinar a magnitude da influência de uma dada variável independente em sua relação com "n" variáveis dependentes. O determinismo aparecia, assim, como determinismo de uma variável independente sobre as dependentes, ou seja, numa versão matemática. Por isso, esse procedimento acabou sendo reconhecido como a face científica do determinismo geográfico” (LENCIONI, 1999. p.137)

“a teoria geral dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy. Em particular, os estudos regionais utilizaram essa teoria tentando resolver várias questões, como a da delimitação funcional da região, a da definição da escala regional e a da coesão do conteúdo regional. Menos importante era reconhecer ou determinar as regiões historicamente definidas; mais relevante era classificar as regiões, hierarquizá-las e verificar suas relações funcionais. Na linguagem geográfica se vulgarizou a expressão "subespaço" para se referir à região. Um dos objetivos principais passou a ser o de precisar qual o papel que cada subespaço desempenha na formação de um espaço global, entendido como uma totalidade fechada, sistematicamente estruturada, resultado da soma de outras totalidades menores. Em outros termos, o importante passou a ser a apreensão de como cada subespaço se coloca dentro de uma mesma dinâmica entendida como sistémica” (LENCIONI, 1999. p.137)

“Em 1960, por ocasião do Congresso da UGI, em Estocolmo, os laços entre americanos e escandinavos se estreitaram. Na reunião daquele ano, foi criada uma Comissão de Métodos de Regionalização que, no seu relatório final, considerou a existência de três tipos de regiões: a primeira, que se constitui como fundamento e instrumento de pesquisa; a segunda, como instrumento de ação; e a terceira, como resultados de pesquisas” (LENCIONI, 1999. p.138-139)

“Bryan Berry, utilizando-se da incorporação da teoria dos cisternas, apontou a possibilidade da unidade entre Geografia Física e Humana. Considerou fundamental Geografia a construção de um novo paradigma cientifico que rompesse com o ambientalismo e o evolucionismo contidos na gênese da Geografia moderna. Afirmou também que a Geografia deveria voltar a atenção para as relações ente os lugares e as regiões” (LENCIONI, 1999. p.139)

“A Geografia Ativa tinha como proposta a organização do espaço. Imbuída de uma ilusão tecnocrática, considerava que poderia ser possível, por meio de intervenções a partir do planejamento urbano e regional; ou seja, por meio de estratégias de organização do espago, alcançar um certo crescimento harmonioso do espaço. Através das obras de Jean Labasse, Pierre George, Michel Rochefort, Ettienne Juillard, Raymond Dugrand, Philippe Pinchernel, Bernard Kayser, entre outros, a região foi discutida pela perspectiva do desenvolvimento desigual e se colocou como objeto de intervenção da ação do homem. Os trabalhos desses autores expuseram claramente o quanto havia se destruído a base regional do território francês ante o desenvolvimento capitalista” (LENCIONI, 1999. p.141)

“A análise da sociedade, cada vez mais urbana e metropolitana, traduziu-se na ideia do espaço como um campo de ação de fluxos. Entendiam que esses fluxos, ao confluírem para uma determinada cidade, acabavam transformando-a num polo regional. Como consequência, os geógrafos, vinculados ä perspectiva da Geografia Ativa, consideraram que a região se define pela dinâmica dos fluxos espaciais. Nesse sentido, a região se coloca como uma área sob o raio de ação de uma cidade. Segundo Pierre George, a "noção

REFERÊNCIA

LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: EDUSP, 1999. p.119-