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Figuras de Linguagem, Notas de estudo de Linguística

Estudo das figuras de linguagens na música "Dois Bicudos", da cantora Ana Carolina.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 07/07/2013

anna-carolina-61
anna-carolina-61 🇧🇷

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Figuras de Linguagem
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Figuras de Linguagem

Música: Dois Bicudos

Cantora: Ana Carolina

Quando eu te vi andava tão desprevenido Que nem ouvi tocar o alarme de perigo E você foi me conquistando devagar Quando notei já não tinha como recuar E foi assim que nos juntamos distraídos Que no começo tudo é muito divertido Mas sempre tinha um amigo pra falar Que o nosso amor nunca foi feito pra durar Por mais que eu durma eu não descanso Por mais que eu corra eu não te alcanço Mas não tem jeito eu não sei como esperar Desesperar também não vou Não vou deixar você passar Como água escorrendo nos dedos Fluindo pra outro lugar Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo Tudo que pode acontecer com dois bicudos Não são tão poucas as arestas pra parar Mas é que o meu desejo não deseja se calar Até os erros já parecem ter sentido Não sei se eu traí primeiro ou fui traído Não te pedi uma conduta exemplar Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar Refrão Será sempre será O nosso amor não morrerá Depois que eu perdi o meu medo Não vou mais te deixar Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo Tudo que pode acontecer com dois bicudos Não são tão poucas as arestas pra parar Mas é que o meu desejo não deseja se calar Até os erros já parecem ter sentido Não sei se eu traí primeiro ou fui traído Não te pedi uma conduta exemplar Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar Refrão Será sempre será O nosso amor não morrerá Depois que eu perdi o meu medo Não vou mais te deixar

Por mais que eu durma, eu não descanso; Por mais que eu corra, eu não te alcanço... ” Não é difícil perceber o exagero que essa frase reflete. O eu lírico não está de fato cansado, no sentido físico, por causa dessa situação e é mais óbvio ainda que ele não correu atrás dessa pessoa. Esse exagero causado pela frase e a substituição da real sensação sofrida pelo eu lírico, caracteriza uma hipérbole e uma metáfora. “... Mas não tem jeito, eu não sei como esperar ...” Esperar é algo que se aprende? Há técnicas para realizar essa ação? Não... É apenas uma hipérbole.

“Não vou deixar você passar como água escorrendo nos dedos fluindo pra outro lugar ...” “Deixar você passar”, nesse contexto, é se afastar dessa pessoa. De forma conotativa, seria “perder” essa pessoa. O eu lírico usa uma expressão para ilustrar essa ação de “não deixa passar”. Também seria uma metáfora, mas a presença de um comparativo ( como ), essa figura de linguagem passa a ser comparação. “Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo... ” Defina “tudo”. Tudo é muita coisa. Até no seu sentido literal. E “tudo” não é o sinônimo desse “amor”. Outra hipérbole ilustrando esse sentimento.

O nosso amor não morrerá... ” Amor é um sentimento e morrer é uma característica dos seres vivos. Essa expressão caracteriza uma personificação. “Tudo o que pode acontecer com dois bicudos ...” Essa foi a conotação mais difícil de interpretar. Analisando o trecho: “Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo. Tudo que pode acontecer com dois bicudos” “Dois bicudos” seria esse “amor”. Como se esse amor fosse arrebatador e forte com todos os seus erros. “Tudo que pode acontecer” seria as consequências e também as coisas boas desse relacionamento. Mas essa interpretação é muito incerta. O uso dessa expressão “dois bicudos” pode ser considerada como uma metáfora. Também como uma hipérbole , se você considerar que “dois bicudos” é algo forte, que machuca e que dizer que o amor é algo que machuca, seria um exagero.

Rimas

As rimas podem ser classificadas de acordo com sua distribuição no verso. Nessa letra, elas podem ser classificadas como misturadas. ... desprevenido ... perigo ... devagar ... recuar ... é tudo ... dois bicudos ... pra parar ... se calar

Metrificação

É o ritmo causado pela alternância entre as sílabas átonas e tônicas. As sílabas em negrito são as tônicas. Elas aparecem de forma proporcional. E foi a ssim que nos jun ta mos distra í dos Que no co me ço tudo é muito diver ti do Mas sempre tinha um a mi go pra fa lar Que o nosso amor nunca foi fei to pra du rar ...

As sílabas métricas nem sempre são as sílabas gramaticais. As sílabas podem se fundir e tornar a estrofe regular. Quando eu te vi an.da.va tão des.pre.ve.ni.do Que nem ou.vi to.car o alar.me de pe.ri.go (12 sílabas métricas em cada verso – nesse caso, o metro se chama alexandrino ) Até os e.rros já pa.re.cem ter sentido Não sei se eu traí pri.mei.ro ou fui traído (9 sílabas métricas em cada verso)