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Tecnologia e Equipamentos de Aplicação de Defensivos Agrícolas
Tipologia: Notas de estudo
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Profº. Tomomassa Matuo (UNESP/FCAVJ - SP) Profº. Luis César Pio (Herbicat - SP) Profº. Hamilton H. Ramos (IAC/Jundiaí - SP) Profº. Lino R. Ferreira (UFV) 1.1 Introdução Tecnologia consiste na aplicação dos conhecimentos científicos a um determinado processo produtivo. Portanto, entende-se por tecnologia de aplicação de agroquímicos o emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologi- camente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômi- ca, com mínimo de contaminação de outras áreas. A aplicação de agroquímicos, tal como se pratica hoje, não difere essen- cialmente daquela praticada há 100 anos e se caracteriza por um conside- rável desperdício de energia e de produto químico (HIMEL, 1974; RAINEY, 1974; GRAHAM-BRYCE, 1975; MATTHEWS, 1983). No entanto, o cres- cente aumento do custo de produtos químicos, da mão de obra e da ener- gia e a preocupação cada vez maior em relação à poluição ambiental têm realçado a necessidade de uma tecnologia mais acurada na colocação do produto químico no local correto, bem como, de procedimentos e equipamentos adequados à maior proteção ao trabalho. Tratando-se da aplicação de todos os conhecimentos existentes, a ma- téria é multidisciplinar por excelência. No presente curso procurar-se-á apresentar essa complexa matéria, de forma simplificada e prática, tarefa nem sempre possível de ser executada a contento do mundo, sendo que esta população está a cada dia mais exi- gente, tendo, de fato, o direito de ter alimentação abundante e saudável. Hoje, a sustentabilidade da produção agrícola e a adequação ambiental são rotineiras. Tecnologia de aplicação dos agroquímicos e equipamentos
2.2. Eficiência na aplicação de agroquímicos Suponha, como exemplo, que a dose letal de um determinado inseticida para uma lagarta seja de 0,03 mg. Suponha que em um hectare exista uma população de 1 milhão dessas lagartas. Seriam necessários, então, somente 30 mg do inseticida por hectare para matar todas as lagartas, se fosse possível colocar todo o inseticida sem perda, isto é, com a eficiência de 100% na aplicação. Em condições práticas, mais de 3000 vezes essa quantidade é colocada na cultura (BROWN, 1951). A eficiência da aplicação é a relação entre a dose teoricamente requerida para o controle e a dose efetivamente empregada, geralmente expressa em porcentagem. onde: E = Eficiência da aplicação (%); dt = dose teórica requerida; dr = dose real empregada Quando o alvo é de grandes dimensões e quando a coleta do produto químico é favorável, essa eficiência pode ser relativamente alta. Por exemplo, GRAHAM-BRYCE (1977) determinou eficiência de 30% no controle de gramíneas com o herbicida Paraquat. COMBELLACK (1979) relata a eficiência de 30% no controle de plantas de folhas largas com o herbicida 2,4 D, ao passo que, com o mesmo herbicida a eficiência no controle de plântulas (seedlings) caiu para 0,5 a 2%. No caso de alvos diminutos a eficiência cai bastante. No controle de afídeos, GRAHAM-BRYCE (1975) calculou uma eficiência de 0,02% enquanto que RAINEY (1974) é de opinião que, em controle de insetos em condições de lavoura, a eficiência média da aplicação esteja por volta de 0,000001%. Diante de tão baixa eficiência, HIMEL (1974) chegou a declarar que a aplicação de agroquímicos é, provavelmente, o processo mais ineficiente que o homem já praticou até hoje. A ilustração dessa baixa eficiência foi dramatizada por SPILLMAN (1982) com a seguinte comparação: imagine- se um soldado munido de uma metralhadora que dispara 4 tiros por segundo; se esse soldado atirasse com a mesma eficiência do combate a insetos, deveria atirar ininterruptamente durante 29 dias (isto seria mais do que um mês inteiro de fevereiro) para ter certeza de que pelo menos um tiro acertaria o inimigo! A melhoria nessa eficiência deverá ser alcançada através da evolução no processo de aplicação, nos seus variados aspectos. O melhor adestramento do homem que opera o equipamento aplicador é, sem dúvida, um dos pontos importantes nessa evolução. No entanto, paralelamente, deve-se desenvolver uma série de outros aspectos, notadamente novos equipamentos capazes de cumprirem essa tarefa com maior eficiência. Neste aspecto é importante salientar que os investimentos efetuados até hoje na melhoria de equipamentos estão muito aquém das necessidades. Apesar de tudo, muitos avanços foram registrados: adoção de controladores eletrônicos; uso do sistema GPS (global positioning system); sistema de injeção direta - alguns exemplos recentes. Entretanto, para que todos esses recentes avanços se tornem realidade no nosso meio, muito esforço deve ser despendido, em todas as áreas desta matéria multidisciplinar.
3. Formulação de agroquímicos Não é possível discorrer sobre a tecnologia de aplicação sem fazer menção às formulações, pois a primeira é totalmente dependente da segunda. Formular um agroquímico consiste em preparar os componentes ativos na concentração adequada, adicionando substâncias coadju- vantes, tendo em vista que o produto final deve ser dispersado em determinadas condições técnicas de aplicação, para poder cumprir eficazmente a sua finalidade biológica, mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (COSTA et al, 1974). O produto resultante do ato de formular denomina-se formulação ou preparado co- mercial. 3.1. Pó-seco (P) Formulação de pronto uso, para aplicação via sólida. Embora tenha sido importante no passado, seu uso decaiu a partir do início da década de 70 e, atualmente, está completamente em desuso. 3.2. Grânulos (Gr) Formulação de pronto uso, para aplicação via sólida. Na sua elaboração, partículas sólidas são impregnadas pelo ingrediente ativo. Essas partículas são relativamente grandes e podem ser de materiais os mais diversos: silicatos, argila granulada, gesso, resíduos vegetais triturados e homogenizados (sabugos, bagaço), plástico, etc. A granulometria é baseada em peneiras, a saber: 8/22 mesh (2 - 0,7 mm) 22/44 mesh (0,7 - 0,35 mm) 15/30 mesh (1,5 - 0,5 mm) 30/60 mesh (0,5 - 0,2 mm) Existem, no entanto, grânulos gigantes, como as iscas formicidas, e microgrânulos, como os microencapsulados. Ao contrário do pó-seco, todas as partículas do grânulo veiculam o ingrediente ativo. A concentração de grânulo também não ultrapassa os 10%, sendo comuns as formulações a 2,5% e a 5%. Dentre as formulações granuladas predominam os inseticidas sistêmicos, sendo mais raros os fungicidas e os herbicidas. 3.3. Pó-molhável (PM) É uma formulação sólida para ser diluída em água e posterior aplicação via líquida. Na sua composição entra o veículo sólido (mineral de argila) que absorve o ingrediente ativo na sua superfície; sobre o veículo são adicionados os adjuvantes (agentes molhantes, dispersantes, antiespumantes, estabilizantes, etc.) que possibilitam o rápido molhamento e propiciam a formação de uma dispersão razoavelmente estável. O pó molhável, quando diluído em água, forma uma mistura homogênea de sólido no meio aquoso (suspensão). A suspensão não é tão estável e necessita de agitação contínua para que a calda se mantenha homogênea. Por outro lado, o atrito de partículas sólidas nas passagens estreitas do pulverizador (válvulas, bicos) provoca desgastes acentuados do
3.7. Suspensão concentrada (SC) É uma formulação líquida para ser diluída em água. Esta formulação, que já foi conhecida como flowable, surgiu para contornar as dificuldades apresentadas pelo pó molhável, que são: a dificuldade de se medir a dose, a necessidade de se preparar uma pasta à parte antes da diluição final, desgaste e entupimento de bicos pulverizadores, além do perigo de inalação do pó durante a preparação de calda. De fato, essas dificuldades foram superadas e a suspensão concentrada pode ser diretamente despejada no tanque do pulverizador, com o agitador ligado. Na sua elaboração, geralmente o ponto de partida é o próprio pó molhável, que é suspendido em pequena porção de água e nele se adicionam os adjuvantes para manter essa suspensão estável. No entanto, a suspensão nem sempre é estável no armazenamento, pois durante o repouso as partículas sólidas se sedimentam e após certo tempo formam uma camada de separação e não mais se ressuspendem. Porém, com o aperfeiçoamento da arte de formular, muitos produtos já superaram essa fase. É formulação que se está popularizando entre herbicidas e fungicidas. 3.8. Ultrabaixo volume (UBV) É uma formulação líquida de pronto uso para aplicação em pulverização a ultra baixo volume. Na sua elaboração o ingrediente ativo é dissolvido em um solvente que deve possuir as seguintes propriedades (MAAS, 1971): a) volatilidade muito baixa; b) alta capacidade de dissolução do ingrediente ativo; c) baixa viscosidade; d) não fitotóxico; e) compatível com o ingrediente ativo. Como, geralmente, o volume total empregado na aplicação em ultrabaixo volume se situa abaixo de 5 L/ha, frequentemente entre 1 a 2 L/ha , a formulação deve ser concentrada o suficiente para que esse volume contenha a necessária quantidade do ingrediente ativo. Sendo subdividido em gotas muito pequenas (abaixo de 100 mm) durante a aplicação, a questão de volatilidade é bastante crítica, pois se a substância for volátil desaparecerá no percurso entre a máquina e o alvo. JOHNSTONE & JOHNSTONE (1977) preconizaram uma técnica para se medir a volatilidade das formulações, que consistem em embeber papel de filtro de 11 cm de diâmetro, com 0,5 ml da formulação e acompanhar a perda de peso. A formulação UBV não deve perder mais de 30% de seu peso nos primeiros 20 minutos, a 30°C. A formulação UBV era bastante popular entre 1965 e 1975, época em que muitos inseticidas foram empregados em pulverização a ultrabaixo volume, tanto por equipamentos terrestres como por meio de aeronaves. Atualmente ainda sobrevivem alguns inseticidas e poucos fungicidas nesta formulação, principalmente para aplicação aérea. Esta formulação, quando diluída em água, forma solução verdadeira. É uma formulação muito pouco comum. (O exemplo mais comum são os glyfosatos nessa formulação).
3.9. Grânulos dispersíveis em água (GRDA) São formulações granuladas para serem diluídas em água. Essa formulação, em contato com a água, se dissolve prontamente formando solução estável. É formulação de desenvolvimento recente e está se popularizando bastante. Algumas podem ser embaladas em saquinhos solúveis e, assim, podem ser colocadas no tanque do pulverizador sem oferecer risco ao operador. Por outro lado, o pacote (sobre embalagem) fica praticamente livre de contaminação, facilitando o seu descarte. Entretanto, nem todos os ingredientes ativos podem ser embalados em filmes solúveis, pois existem problemas de incompatibilidade entre os compostos. 3.10. Outras formulações Além das formulações citadas existem outras menos comuns, geralmente destinadas a usos específicos, como: comprimido (CP), tablete (TB), pastilha (PA), pasta (PT), fibras plásticas (FP), etc.
4. Métodos de aplicação de agroquímicos Os métodos de aplicação atualmente em uso podem ser basicamente agrupados em aplicações via sólida, via líquida ou via gasosa, em função do estado físico do material a ser aplicado. Dentre esses, a aplicação via líquida, com o emprego de água como diluente, é, de longe, o método predominante. Entretanto, em algumas condições, as dificuldades na obtenção e no transporte de água podem conduzir à adoção de alternativas, tais como a aplicação via líquida sem o uso de água ou aplicação via sólida. A aplicação via gasosa é bastante restrita devido às dificuldades associadas ao processo. 4.1 Aplicação via sólida Uma das principais vantagens da aplicação via sólida é a não utilização da água, o que dispensa diluição pelo usuário. Nessas aplicações as formulações estão prontas para o uso , isto é, já se encontram diluídas em concentração adequada para o campo. Entretanto, o transporte de grandes quantidades de materiais inertes sólidos, que integram a formulação, faz aumentar substancialmente o custo da unidade do ingrediente ativo. Dependendo da granulometria do material, a aplicação de sólidos comporta duas modalidades: aplicação de pó e aplicação de grânulo, sendo que a primeira não é mais praticada entre nós. 4.1.1. Aplicação de grânulos A aplicação de formulações granuladas tem crescido paulatinamente nos últimos anos. Produtos sistêmicos granulados são usados para aplicação no solo para controle de pragas que se alimentam da seiva (insetos e ácaros), larvas de brocas e de lepidópteros, nematóides, etc. Inseticidas de contato são granulados e aplicados no controle de pragas do solo. Herbicidas e fungicidas também são experimentados nessa formulação. Uma das características mais interessantes dos granulados é que,
formulações existentes estão bem desenvolvidas para serem miscíveis à água. 4.2.1. Diluentes para aplicação via líquida Diluente é o material adicionado à formulação com o intuito de aumentar- lhe o volume para possibilitar a sua distribuição. O diluente, segundo alguns autores, é também denominado “veículo”. Porém, para não confundir com o veículo, que é componente de muitas formulações, é preferível manter a denominação “diluente” ou então especificar “veículo de aplicação” para essas substâncias. A água é o diluente mais comum nas aplicações via líquida por ser de fácil obtenção e de baixo custo (via de regra, o custo da água na fonte é muito baixo, porém deve-se considerar o seu custo no campo) e por contar com a ampla opção de formulações compatíveis. Entretanto, a água apresenta duas limitações: a) Tensão Superficial: a água apresenta alta tensão superficial. Isso faz com que a gota depositada numa superfície permaneça na forma esférica, fazendo com que tenha pouca superfície de contato. Para corrigir este problema, basta adicionar nela algum agente tensoativo (ou surfactante) que lhe diminua a tensão superficial. Com isso a gota se espalha facilmente na superfície, molhando maior área. Alguns adjuvantes integrantes da formulação como os agentes molhantes, emulsionantes, etc. são agentes tensoativos e, portanto, a simples presença dessas formulações na calda pode ser suficiente para diminuir a tensão superficial da água até os níveis desejados. Outras vezes, há necessidade da adição desses agentes tensoativos, que na prática são conhecidos como espalhantes adesivos. b) Evaporação: a superfície do líquido é enormemente aumentada quando fragmentada em pequenas gotas e perde a porção volátil por essa superfície. A água é um líquido volátil e pode se evaporar no trajeto entre a máquina e o alvo. Segundo AMSDEN (1962), o tempo de “vida” da gota de água pode ser calculado pela fórmula: t = d² 80∆T onde: t = tempo de “vida” da gota (seg.); d = diâmetro da gota (mm); DT= diferença de temperatura (°C) entre os termômetros de bulbo seco e bulbo úmido de psicrômetro. No Quadro 1 pode ser visto o tempo de “vida” da gota de água em duas condições diferentes de temperatura e umidade, e a distância que a gota percorre até a sua total extinção.
Temperatura (ºC)
Umid. Rel. (%) 80 50 ∅ inicial Tempo até extinção Distância da queda Tempo até extinção Distância da queda 50 14 s 12,7 cm 4 s 3,2 cm 100 57 s 6,7 m 16 s 1,8 m 200 227 s 81,7m 65 s 21,0 m Em condições tropicais, de alta temperatura, o fenômeno da evaporação das gotas de pulverização é bastante problemático, agravando-se sobremaneira em dias muito secos.
Aplicações com gotas médias e pequenas, muitas vezes não chegam a atingir o alvo, desaparecendo antes. JOHNSTONE & JOHNSTONE (1977), estudando as aplicações por meio de aeronaves, recomendaram as seguintes condições limites: b.1) Aplicações com calda de formulação líquida em água, usando gotas de 200 a 500 mm de diâmetro e volume de 20 a 50 L/ha - Interromper a aplicação quando a diferença de temperatura entre termômetro de bulbo seco e de bulbo úmido exceder a 8°C ou quando a temperatura exceder 36°C. b.2) Aplicação com calda de formulação líquida em água, usando gotas de 150 a 170 mm de diâmetro e volume de 10 a 15 L/ha - Interromper a aplicação quando DT for superior a 4,5°C ou temperatura exceder a 32°C. O problema da evaporação impede que a água seja subdividida em gotas muito pequenas, principalmente nos climas tropicais. Por isso, quando se utiliza calda à base de água, o volume de aplicação por hectare deve ser relativamente grande. Quando for necessário o emprego de pequenos volumes de aplicação (por exemplo, abaixo de 50 L/ha) é necessário controlar a evaporação da água ou, então, passar a utilizar outro diluente que não seja volátil. O controle da evaporação da água não está muito pesquisado e até hoje, em que pese algumas tentativas feitas, não há produtos comerciais "antievaporantes". Pesquisas com OED (orto-etileno docosanol) têm mostrado que este produto, em concentração próxima de 1% na calda, retarda e controla muito bem a evaporação da água (MURAI et al., 1974). Tem sido também recomendada a mistura de óleo emulsionável na calda para impedir a evaporação. Os resultados de ensaios (JOHNSTONE & JOHNSTONE, 1977; CORREA & MAZIERO, 1980; WODAGENEH & MATTHEWS, 1981) mostram que óleo não atua como antievaporante da água. O que se observa é que a parte aquosa da gota acaba evaporando com a mesma velocidade da água e no final resta somente a porção correspondente ao óleo. O fenômeno de evaporação da água parece ser um problema não sentido pelos agricultores. Isso porque, na maioria das aplicações tradicionais, empregam-se gotas grandes e o bico está suficientemente próximo do
Atualmente existe um consenso entre os principais pesquisadores europeus que a denominação "volume alto" seja dada à aplicação feita até além da capacidade máxima de retenção das folhas, de tal modo que haja escorrimento. Neste tipo de aplicação, o depósito de produto químico sobre a superfície tratada é proporcional à concentração da calda utilizada e independente do volume de calda aplicada (MATTHEWS, 1979. Portanto, a indicação da dosagem para a modalidade de alto volume (ou mais corretamente, volume alto) é dada via concentração (por exemplo, 200 g/100 litros de água; 0,2%) e se recomenda volume de aplicações suficiente para provocar escorrimento. Esse volume é muito variável dependendo do grau de enfolhamento da lavoura. Por exemplo, para saturar todas as folhas e provocar escorrimento em cultura de amendoim com 20 dias de idade bastam 100 L/ha, ao passo que, aos 60 dias de idade, essas plantas requerem mais de 700 litros na mesma área. Em contraposição ao volume alto, o volume ultra baixo (ou ultra baixo volume) é hoje definido como o volume mínimo por unidade de área para se alcançar um controle econômico (MATTHEWS, 1979), independente de um limite rígido, pois esse volume mínimo também depende das características do alvo. A tendência atual, devido ao alto custo do transporte de água ao campo e a perda do tempo representada pelas constantes paradas para reabastecimento do pulverizador, é a prática de modalidades que requerem menor volume de aplicação, visando com isso, diminuir o custo e aumentar a rapidez do tratamento. A diminuição do volume de aplicação, por sua vez, implica no emprego de gotas menores, se quiser manter uma adequada cobertura do alvo. 4.2.3. Cobertura A cobertura é dada pela fórmula de COURSHEE (1967) V R K^2 C = 15 -------------- A D onde: C = cobertura (% da área) V = Volume de aplicação (L/ha) R = taxa de recuperação (% do volume aplicado, captado pelo alvo) K = fator de espalhamento de gotas A = superfície vegetal existente no hectare D = diâmetro de gotas Segundo a fórmula, para se conseguir uma elevada cobertura, devem-se manter altos os valores do numerador ou manter baixos os do denominador. Portanto, uma elevada cobertura pode ser conseguida à custa de grande volume de pulverização (V). Em aplicações a alto Volume Médio 200 – 600 500 – 1000 Volume Baixo 50 – 200 200 – 500 Volume muito baixo 5 – 50 50 – 200 Volume ultra baixo <5 < Volume ultra baixo <5 <
volume consegue-se bom grau de cobertura, mesmo se empregando gotas grandes. O aumento da taxa de recuperação (R), em condições normais se consegue utilizando tamanho de gotas mais eficientemente coletadas pelo alvo. Foi dado um avanço considerável no aumento no valor de R quando se conseguiu carregar as gotas eletrostaticamente. Gotas eletricamente carregadas induzem na superfície do alvo cargas elétricas de sinal contrário e no momento seguinte são atraídas eletrostaticamente, aumentando consideravelmente a taxa de recuperação. O fator de espalhamento (K) atua sensivelmente na cobertura (função quadrática). O seu aumento se consegue com a adição de agentes tensoativos que diminuem a força de tensão superficial e fazem com que a gota se espalhe. Quanto aos fatores do denominador, há a considerar que, aumentando a área foliar existente no hectare e mantendo as demais condições, a cobertura fatalmente será prejudicada. Por isso, à medida que a planta cresce e aumenta o índice de enfolhamento devem ser efetuados os necessários ajustes nos outros fatores. Normalmente, esse ajuste se faz através do aumento do volume de aplicação (V). A diminuição do tamanho de gotas proporciona aumento no grau de cobertura do alvo. O Quadro 3 mostra que, com o volume de aplicação mantido fixo em 1 L/ha, a cobertura decresce à medida que se aumenta o tamanho das gotas. O Quadro 4 mostra que, para se manter uma densidade de 50 gotas/ cm^2 , à medida que se aumenta o tamanho de gotas, é requerido maior volume de líquido por área. Inversamente, pode-se conseguir a mesma cobertura com gotas menores, empregando volumes reduzidos, porém a concentração dessas gotas deve ser proporcionalmente aumentada.
Diâmetro de gotas (μm) Número de gotas/cm² 10 19. 20 2. 50 153 100 19 200 2, 400 0, 1000 0, Portanto, para se conseguir uma boa cobertura da superfície a ser tratada, pode-se lançar mão de pulverização a alto volume (até escorrimento) usando-se grandes volumes de aplicação (caldas diluídas e gotas grandes) ou então, o mesmo pode ser conseguido com volumes menores, usando- se gotas menores e mais concentradas. A rigor, gotas menores são mais eficientemente captadas pelo alvo e, por isso mesmo, proporcionam melhores resultados. No Quadro 5 estão relacionados os tamanhos de gotas mais indicados para diferentes finalidades. Entretanto, a utilização de gotas menores implica certas limitações, entre as quais a evaporação e a deriva são as principais. A massa das gotas caminhando no ar tem grande influência na sua trajetória, pois o ar oferece resistência ao seu caminhamento. A “ caminhada” das gotas no ar é regido pela lei de Stokes, que determina a velocidade máxima que elas podem alcançar.
As seguintes fórmulas são úteis para os cálculos que envolvem tamanho de gotas e cobertura: Volume da esfera: V = πR³ Cobertura (número de gotas/centímetro quadrado): η = 3
onde, η = número de gotas/centímetro quadrado; d = diâmetro da gota (dmv em mm); Q = Volume de aplicação (L/ha) 4.2.4. Gotas Na esmagadora maioria das aplicações líquidas, a calda é fragmentada em partículas denominadas gotas, que têm comportamento diferente de acordo com o seu tamanho (massa). Torna-se importante, um conhecimento um pouco mais aprofundado sobre elas. 4.2.4.1. Parâmetros para o estudo das gotas A nuvem de gotas pode estar composta de gotas grandes ou pequenas, homogêneas ou não. Para se expressar numericamente o tamanho e a uniformidade das gotas são utilizados vários parâmetros. Atualmente, os parâmetros mais utilizados para se representar o tamanho das gotas de um conjunto, são os seguintes: a) vmd (volume median diameter) - É a mediana (não a média) do volume das gotas , que pode ser chamada de diâmetro mediano volumétrico (dmv). É o diâmetro da gota que divide o volume pulverizado em duas metades iguais, isto é, metade do volume pulverizado é constituída de gotas maiores que o vmd e a outra metade é constituída de gotas menores que esse valor. Frise-se que o valor vmd está situado mais próximo do limite superior das classes de diâmetro, pois o volume de poucas gotas grandes equivale ao de muitas gotas pequenas. Atualmente, quando se fala em diâmetro de gotas, sem nenhuma referência especial, está se subentendendo o vmd. b) nmd (number median diameter) - É a mediana do número de gotas ou diâmetro mediano numérico (dmn). É o diâmetro da gota que divide o número de gotas em duas porções iguais, isto é, metade das gotas de conjunto é maior que nmd e a outra metade, menor. c) Coeficiente de dispersão - proposto por JOHNSTONE (1978), é dado pela razão:
Expressa a uniformidade do conjunto de gotas ou o espectro de variação do tamanho das gotas.
Suponha uma amostra de gotas absolutamente homogêneas, por exemplo, um conjunto de gotas, todas iguais, de 200 μm. O vmd, neste caso, seria 200 μm e o nmd também, pois sendo um conjunto de gotas iguais, qualquer gota divide o conjunto em duas metades iguais. Assim o valor r seria igual a 1,0. O valor r, quanto mais se afastar de 1,0 indica maior heterogeneidade das gotas. Até o valor r < 1,4, o conjunto de gotas é considerado homogêneo. Diz-se neste caso que o espectro de gotas é estreito. Quando r é menor ou igual a 1,4 a homogeneidade é tal, que atende a especificação para ser enquadrado como CDA (controlled droplet application). Essa uniformidade se consegue raramente em pulverizadores convencionais. Os bicos centrífugos, sob determinadas condições operacionais (isto é, nem sempre) conseguem produzir gotas, cuja homogeneidade atende a esse limite (Quadro 10). Nos pulverizadores eletrostáticos é comum se ter o coeficiente de dispersão muito próximo de 1,0 (CHAIM, 1984). d) Amplitute de dispersão (Span) - É outra forma de se expressar a uniformidade das gotas e mais empregado nos dias atuais. É dado pela fórmula: Onde:
**_- V10 é o diâmetro da gota abaixo do qual os volumes acumulados totalizam 10% do volume;