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O documento aborda a função do pâncreas e do trato gastrointestinal no processo de digestão, destacando a participação do fígado, vesícula biliar e estômago. Também são discutidos os problemas relacionados à absorção de nutrientes, como deficiência de vitamina K e doença celíaca, além de apresentar testes para diagnóstico de má absorção. O texto é voltado para estudantes de cursos da área da saúde que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o tema.
Tipologia: Resumos
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No processo de digestão a gente tem as macromoléculas (AA, proteínas, polissacarídeos) que vão ser degradados. Proteínas liberando aminoácidos, polissacarídeos liberando monossacarídeos (amido), triglicerídeos liberando glicerol e seus 3 acidos graxos. O fígado tem participação no processo de digestão, em que, produtos de degradação do grupo heme (bilirrubina por exemplo) que vão ser conjugadas no fígado. Na vesícula biliar, são digeridos os produtos do excesso de colesterol que vão ajudar na emulsificação das gorduras e atuação das lipases. No estomago, as variações de PH vão atuar desestabilizando a estrutura inativa das proteínas, desnaturando-as e facilitando a ação das proteases, degradando. O pâncreas participa ativamente, principalmente na parte química da digestão, onde vai ter a liberação de amilases e lipases. As lipases vão degradas os triglicerídeos para que eles possam ser absorvidos e a amilase pancreática também ajudando da mesma forma que a amilase salivar, ajudando a quebrar as ligações alfa do amido e do glicogênio. Porém elas não conseguem quebrar ligações beta, isso explica o fato de não conseguirmos degradar a celulose. Quando a gente fala em absorção, a gente tem que entender as varias etapas que vão incluir a absorção dos carboidratos, proteínas, gorduras e outras substâncias que dependam de lipídeos para serem absorvidas. Tanto a deficiência da vitamina K, quando problemas na mucosa que possam levar a um problema na absorção de lipídeos (como por exemplo, deficiência nas lipases) pode impedir a absorção de lipídeos, consequentemente vai ter problemas na absorção da vitamina K e na protombina que o fígado precisa dessa vitamina K para que a protombina seja sintetizada. Então há um comprometimento na parte química, os lipídeos não são absorvidos poque há um problema nas lipases que não estão degradando por exemplo os triglicerídeos em ácidos graxos, e isso leva a um comprometimento da absorção de vitaminas lipossolúveis (ADE/K). mas também o defeito da propia mucosa do intestino causa isso, como por exemplo a doença celíaca com essa presença de autoanticorpos que podem levar a alteração nessas vilosidades intestinais comprometendo a absorção. Muitas vezes a molécula é degradada, mas ela não consegue ser absorvida por problema na mucosa. Outro fator também é a alteração na microbiota, por exemplo a intolerância a lactose que se a lactose não for degradada em galactose e glicose, vai acumular glicose no intestino e as bactérias vão metabolizar essa lactose e ai vai tendo acumulo de gas hidrogênio. As doenças que levam a diminuição da capacidade de absorção, são problemas relacionados com a incapacidade da mucosa intestinal ou problemas pancreáticos. A pancreatite desenvolvida por crianças pode estar relacionada ao transportador do cloro, porque geralmente a pancreatite se dá devido ao excesso de álcool, então quando se trata de criança tenta-se entender mais pelo lado genético, nesses casos. A doença celíaca que é autoimune e ocorre a produção de anticorpos contra componentes derivados do trigo e cevada, um ataque a uma proteína do glutem. E ai a inflamação acontece levando a alteração da mucosa e isso prejudica sua capacidade de absorção.
Enquanto que uma fibrose cística no pâncreas leva a uma obstrução pancreática porque as secreções ficam bastante viscosa e isso pode levar a uma obstrução dos ductos pancreáticos causando uma pancreatite. Ocorre uma obstrução dos ductos, o suco pancreático não são liberadas no intestino, a ativação de zimogênios e essas proteases são ativadas no pâncreas e levam a uma autodigestão. Já em adultos as principais alterações também correspondem a musoca. O individuo quando tem uma ma absorção, ele pode apresentar alguns sintomas como: esteatorreia (gordura nas fezes) , diarreia, dor abdominal, perda de peso, fraqueza, hipocalcemia, deficiência de vitaminas (K/A), hipoprotombinemia. Na doença celíaca, como há um desgaste na mucosa resultando em uma incapacidade na reabsorção. Por causa dessa inflamação. Diagnostico de má absorção: Determinação de gordura fecal: se tiver uma diminuição da capacidade de absorção dos lipídeos, as lipases não estão sendo suficientes então esses triglicerídeos não são degradados e fica as gorduras nas fezes, ou também por problema na mucosa, onde vai ocorrer o mesmo, mesmo sofrendo ação das lipases, eles não conseguem absorver. Pra esse teste, o paciente ingere 50g de gordura/ dia dois dias antes da colheita. Dieta normal: excreção média <7g de gordura/24h. Valores entre 7-9,5g/100g de fezes/24h indica doença celíaca. Então está sendo um problema na mucosa. Valores acima de 9,5g/100g de fezes/24h indica insuficiência pancreática, doença do trato biliar. Ou seja, ou o problema é no pâncreas que não consegue liberar essas lipases porque houve uma obstrução no pâncreas, ou um problema na liberação do trato biliar que faz com que essas lipases não consigam alcançar o intestino. E também a questão dos ácidos que vão emulsificar as micelas de gordura. Então quando o problema é químico e não com a mucosa, as quantidades de gordura nas fezes é maior. Porque como a mucosa ta defeituosa e você ainda consegue liberar lipases, a capacidade de absorção é diminuída mas não é totalmente zerada. Essa esteatorreia e a perda de peso só vai acontecer quando a função pancreática reduzir a 2%, isso já pode provocar alteração no teste da gordura fecal. Com esse teste não da pra identificar qual o distúrbio gastrointestinal que o paciente tá tendo, é apenas um indicativo. Esse teste não é tão especifico, porque se a pessoa tomar um xemicol (remédio para emagrecer) vai aumentar a gordura nas fezes e a medicação vai estar influenciando no teste. Ele não identifica a doença, ele aponta. Por exemplo, quanto mais gordura nas fezes, quer dizer que é problema pancreático. Existe um problema na capacidade de absorção de lipídeos. Teste da D-xilose: É um teste relacionado a carboidratos. A xilose é uma dextrose igual a glicose, e ela é absorvida no jejum.
bactérias vão ficar um tempão no intestino e elas não vão sofrer ação das bactérias, porque não tem bactéria suficiente pra fazer isso, por causa da ação do antibiótico. Quando o individuo for expirar, a quantidade de hidrogênio que vai ser detectada vai ser praticamente zero e ai vai ser um falso negativo pra o diagnostico de intolerância a lactose. Um fator que também pode interferir nesse teste são os produtos da queima do tabaco, então os fumantes eles precisam passar dias de abstinência para que não interfira no teste, porque a propia queima do tabaco já vai levando a essa produção de hidrogênio e isso pode gerar um falso positivo. A quantidade de hidrogênio e os sintomas. Esse teste é negativo, porque nem aumentou a quantidade de hidrogênio expirada ao longo do tempo, nem o paciente apresentou sintomas. Então ele não é intolerante. Esse teste é positivo, depois de 60min já começou a aumentar a quantidade hidrogênio expirada e o paciente começou a apresentar sintomas com 90min então isso significa que ele tem uma má absorção do carboidrato e ele é intolerante a ele, porque a intolerância tem a ver com os sintomas. Se você não tem sintomas, você tolera aquele problema. Nesse teste aqui, a gente vê a má absorção depois de 60min, então a quantidade de hidrogênio tá sendo expirada. Só que o paciente não apresenta sintomas, então, ele tem a má absorção mas ele não é intolerante. Doença celíaca: Como ela é uma intolerância a glutem, se a gente fosse em termos de diagnostico precisaria pensar: se o glutem é um aglomerado de proteínas e no meio dele que tem a gliadina. O individuo produz anticorpos contra a gliadina, que leva a uma inflamação, e toda vez que a pessoa come algum alimento com glutem vai passar mal, então nessa situação do
comprometimento da mucosa, o individuo produz outros anticorpos que nem sempre estão relacionados para a gliadina. Então nem sempre que o individuo tiver os sintomas, vai aparecer o anticorpo para a gliadina, mas os outros anticorpos podem ajudar no diagnostico. So o teste das vilosidades não é o suficiente para o diagnostico da doença celíaca. Fibrose cística: Secreções muito espessas que podem levar a problemas pancreáticos. Ocorre uma mutação no transportador de cloro. O cloro entra na célula mas não consegue sair, quando o cloro entra na célula ele puxa agua, e isso vai retendo agua dentro da célula, quando essa célula vai liberar alguns componentes que produz (ex: suco pancreático) essas secreções liberadas vão ser muito viscosas porque a agua esta sendo atraída quando o cloro entra, só que entra e não sai. Essas secreções obstruem os ductos pancreáticos, então ocorre uma dificuldade do pâncreas liberar suas enzimas para o intestino (amilase, lipase, glicogênio, por exemplo). Na verdade a pancreatite tem uma relação multifatorial, porque espessamento de secreções podem levar a obstrução. Se o paciente tiver hipercalcemia ele pode juntar cálcio no pâncreas e formar carbonato de cálcio (que já é normal formar isso) esses carbonatos podem se precipitar e obstruir os ductos. Alterações genéticas também, no braço do cromossomo 7, codificando o canal de cloro. Ocorre também o aumento da produção do cloro no suor. O que acaba sendo usado também para teste da fibrose cística. Mas ele não é específico. Então tem que ver o teste do gene. Mas tem que ter cuidado porque se o paciente tiver hipercloremia, ele vai ter o aumento de outros ions também que não necessariamente seja no sangue, então pode ser no suor. Quando esse teste da positivo do cloro com >60mEq/L (2 dosagens independentes) é compatível com fibrose cística. MAS É INESPECÍFICO. Análise Gástrica: Acloridria – ausência de ácido livre (ph em torno de 3.5) Anacidez – ausência de todos ácidos (ph em torno de 6.0) A acidez é estimulada com pentagastrina. O PH é medido através de um eletrodo. Utilização: Diagnostico de anemia perniciosa na ausência de ácidos, porem esta pode ocorrer em idosos (>70 anos) por isso que geralmente os idosos podem encontrar níveis baixos de albumina no sangue, porque eles tem uma dificuldade em absorver proteínas, a proteína fica meio que enovelada e causa dificuldade para absorção pelas enzimas. Diferenciação entre ulcera gástrica (diminue a secreção gástrica) e duodenal (aumenta a secreção). A pessoa tem uma ulcera se formando, isso pode ser indicativo de uma acidez no estomago e isso leva a um desgaste na mucosa, e isso leva a um feedback negativo que leva a ulcera. Na ulcera duodenal não tem o feedback negativo e o PH do estomago está mais acido. Avaliação de vagotomia.
A litostatina é uma proteína secretada no interior dos ductos pancreáticos e inibe a precipitação do carbonato de cálcio. Os níveis da litostatina são reduzidos nos pacientes com pancreatite causada pelo álcool e na pancreatite crônica calcificante. *tanto o cálcio alto pode levar a uma pancreatite calcificante porque ele acumula muito no sangue, mas também tem casos que ocorre uma atração do pâncreas pelo cálcio, que resulta em uma hipocalcemia, porque é como se o pâncreas atraiu o cálcio para si. O papel desta proteína na inibição dos cálculos pancreáticos é controverso. Outro componente controverso na formação de cálculos pancreáticos é o GP2: este glicofosfolipidio é secretado no interior dos ductos em resposta à inflamação, precipitando-se rapidamente. Deficiência de substâncias antioxidantes (vitaminas A,C, e E, selênio, metionina, etc) e/ou aumento de radicais livres gerados por processo inflamatório podem levar à lesão pancreática adicional e progressão da doença em pancreatite crônica. A hipertensão ductal causada por obstruções ao fluxo do suco pancreático pode contribuir para a perpertuação da injuria tecidual. Há descrição na leitura de casos de pancreatite crônica associada à presença de auto- anticorpos circulantes (FAN, anticorpo anti-anidrase carbônica II e anticorpo-anti-lactoferrina), além de certos padrões de HLA e infiltrado inflamatório linfocitário periductal. *Como ocorre o controle do pâncreas que tem suas lipases, e controla a ponto delas não degradarem as propias proteínas que estão ali? Como as proteínas das células, etc. um dos mecanismos é desenvolvido por uma proteína que é produzida pelo gene SPIK-1, quando o tripsinogênio ele sofre uma auto ativação e ai a molécula vem e se liga a tripsina e inibe o efeito proteolítico dela. Se o individuo tiver um defeito na mutação do gene, ele gera uma molécula que não consegue inativar a tripsina, ai a tripsina vai degradar as proteínas do próprio pâncreas, que vai gerar uma obstrução, e essas enzimas são impedidas de chegar ao intestino e vao aparecer na corrente sanguínea. Por isso tem aumento de lipase, amilase, etc. Uma segunda linha de defesa é uma mutação no gene da tripsina, então o próprio tripsinogênio depois que se tranforma em tripsina pode sofrer autólise, mas quando acontece essa mutação, ele não consegue fazer essa autólise. Marcadores da avaliação da função pancreática: Rotina: atividade da amilase/lipase Na pancreatite crônica não ocorre um aumento significativo da lipase/amilase porque as células não estão mais tão sensíveis. Diminuição na produção de insulina. Hipovoluminemia Deficiência de vitamina lipossolúvel Pacientes com pseudocisto esses níveis de lipase/amilase são alterados o tempo inteiro. Testes:
Determinação da atividade da amilase e lipase. Amilase é a primeira a se elevar. Atinge um pico de 24 horas e normaliza em 3 dias. 20% dos pacientes podem apresentar níveis normais. Amilase não é especifica pra função pancreática porque existe a amilase salivar, então tem que dosar a amilase junto com a lipase. É bom fazer amilase-creatinina pra ver se não é algo renal. *o álcool sequestra o NAD pra seu metabolismo, ai não acontece a beta oxidação, o que vai acumular triglicerídeo no fígado. A amilase junto com anticorpo ela não é eliminada na urina, isso vai acumulando amilase no sangue e o individuo pode ter essa amilase alta e isso não ter nada a ver com pancreatite.