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Fundamentos da combustão, Resumos de Química

Resumo sobre fundamentos da combustão

Tipologia: Resumos

2021

Compartilhado em 06/04/2021

luiz-fernando-farias-1
luiz-fernando-farias-1 🇧🇷

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bg1
Sumário
Pag.
1 Balanço material de reações de combustão ................................................................ 1
1.1 Propriedades de combustíveis ..................................................................................... 1
1.2 Reações químicas principais ....................................................................................... 5
1.3 Cálculo do ar necessário para a combustão ................................................................ 7
1.4 Coeficiente de excesso do ar ....................................................................................... 10
1.5 Cálculo de composição de produtos de combustão ..................................................... 11
1.6 Temperaturas de combustão .......................................................................................... 16
2. Termodinâmica química.............................................................................................. 18
2. 1 Expressões analíticas de 1-o de 2-o Princípios de Termodinâmica
para processos químicos............................................................................................. 18
2. 1. 1 Calores de reações ................................................................................. ..................... 19
2. 1. 2 Lei de Guess ................................................................................................................ 21
2. 2. 3 Segundo Princípio de Termodinâmica em processos químicos.................................. 21
2.2 Potencias termoquímicos ............................................................................................ 22
2. 2. 1 Potenciais isocoro-isotérmico e isobaro-isotérmico.................................................... 22
2. 2. 2 Potencial químico......................................................................................................... 24
2. 2. 3 Condições necessários de equilíbrio químico de um sistema homogêneo isolado .... 25
2. 2. 4 Condições de equilíbrio químico em reações químicas ................................................ 26
2. 3 Equilíbrio químico e dissociação .................................................................................. 26
2. 3. 1 Constantes de equilíbrio químico .................................................................................. 27
2. 3. 2 Dissociação térmica em gases e taxa de dissociação ..................................................... 29
2. 3. 3 Correlação entre constantes de equilíbrio químico e a taxa de dissociação .................. 29
2. 3. 4 Formação de NOx .......................................................................................................... 31
3. Cinética de reações químicas .......................................................................................... 36
3. 1 Variação de velocidade de reação no tempo .................................................................. 37
3. 2 Variação de velocidade de reação com a temperatura .................................................. 38
3. 3 Variação de velocidade de reação com a pressão ......................................................... 39
3. 4 Variação de velocidade de reação com a composição de mistura combustível............. 40
3. 5 Reação química em condições adiabáticas..................................................................... 41
3. 6 Inflamação de mistura combustível................................................................................ 43
3. 7 Tempo de indução........................................................................................................... 44
3. 8 Inflamação forçada ........................................................................................................ 45
4 Propagação de chama .................................................................................................... 46
4.1 Velocidade de propagação de chama laminar de pré-mistura ...................................... 46
4.2 Propagação da chama laminar de pré-mistura .............................................................. 49
4.3 Reações de cadeia .......................................................................................................... 50
4.4 Combustão turbulenta .................................................................................................... 53
4.5 Detonação ....................................................................................................................... 58
4.6 Combustão heterogênea ................................................................................................. 59
4.6.1 Combustão de gotícula .................................................................................................... 59
4.6.2 Chama turbulenta de difusão .......................................................................................... 62
4.6.3 Formação de fuligem ...................................................................................................... 63
4.6.4 Injeção de água em cilindros de Diesel .......................................................................... 64
pf3
pf4
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pfa
pfd
pfe
pff
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Sumário

    1. 4 Formação de NO

x

  • 1 Balanço material de reações de combustão Pag.
  • 1.1 Propriedades de combustíveis
  • 1.2 Reações químicas principais
  • 1.3 Cálculo do ar necessário para a combustão
  • 1.4 Coeficiente de excesso do ar
  • 1.5 Cálculo de composição de produtos de combustão
  • 1.6 Temperaturas de combustão
    1. Termodinâmica química..............................................................................................
    • para processos químicos............................................................................................. 2. 1 Expressões analíticas de 1-o de 2-o Princípios de Termodinâmica
      1. 1 Calores de reações
      1. 2 Lei de Guess
      1. 3 Segundo Princípio de Termodinâmica em processos químicos..................................
  • 2.2 Potencias termoquímicos
      1. 1 Potenciais isocoro-isotérmico e isobaro-isotérmico....................................................
      1. 2 Potencial químico.........................................................................................................
      1. 3 Condições necessários de equilíbrio químico de um sistema homogêneo isolado
      1. 4 Condições de equilíbrio químico em reações químicas
    1. 3 Equilíbrio químico e dissociação
      1. 1 Constantes de equilíbrio químico
      1. 2 Dissociação térmica em gases e taxa de dissociação
      1. 3 Correlação entre constantes de equilíbrio químico e a taxa de dissociação
    1. Cinética de reações químicas
    1. 1 Variação de velocidade de reação no tempo
    1. 2 Variação de velocidade de reação com a temperatura
    1. 3 Variação de velocidade de reação com a pressão
    1. 4 Variação de velocidade de reação com a composição de mistura combustível.............
    1. 5 Reação química em condições adiabáticas.....................................................................
    1. 6 Inflamação de mistura combustível................................................................................
    1. 7 Tempo de indução...........................................................................................................
    1. 8 Inflamação forçada
  • 4 Propagação de chama
  • 4.1 Velocidade de propagação de chama laminar de pré-mistura
  • 4.2 Propagação da chama laminar de pré-mistura
  • 4.3 Reações de cadeia
  • 4.4 Combustão turbulenta
  • 4.5 Detonação
  • 4.6 Combustão heterogênea
  • 4.6.1 Combustão de gotícula
  • 4.6.2 Chama turbulenta de difusão
  • 4.6.3 Formação de fuligem
  • 4.6.4 Injeção de água em cilindros de Diesel

1 Balanço material de reações de combustão

1.1 Propriedades de combustíveis

A parte principal de combustíveis orgânicos usados em Motores de Combustão Interna

(MCI) é hidrocarbonetos que têm grandes poderes caloríficos. Vapores dos hidrocarbonetos de

combustíveis facilmente misturam-se com o ar formando uma mistura combustível. Combustíveis

derivados de petróleo apresentam uma mistura mecânica de vários hidrocarbonetos. A composição

de combustíveis geralmente é apresentada por massa elementar de trabalho: C

t

+ H

t

+ O

t

+ N

t

+ S

t

+ A

t

+ W

t

= 100%, onde C

t

, H

t

, O

t

N

t

, S

t

, A

t

, e W

t

são porcentagens de carbono, hidrogênio,

oxigênio, nitrogênio, enxofre, cinzas e humildade do combustível correspondentemente.

Uma característica mais importante de qualquer combustível é o poder calorífico que é a

quantidade do calor que se liberta durante a combustão completa do combustível. O poder calorífico

é medido em Joule (J, kJ, MJ) por quilograma de combustíveis líquidos ou por metro cúbico de

combustíveis gasosos, pois em MJ/kg ou MJ/m

3

. O valor do poder calorífico depende de composição

química do combustível. O poder calorífico é determinado de experiência de combustíveis líquidos

em um banco especial que se chama bomba calorimétrica em que o combustível é queimado no meio

do oxigênio puro, de combustíveis gasosos em um calorímetro. Na bomba calorimétrica é

determinado a chamado o poder calorífico superior H sup

. O valor do poder calorífico superior inclui

um calor de condensação do vapor da água formado pela combustão do hidrogênio e pela umidade

contida no combustível. Em MCI gases de escape têm a temperatura maior de que a de condensação

do vapor da água e por isso este calor de condensação não se aproveita. Em cálculos térmicos dos

MCI é usado poder calorífico inferior H in

, que não inclui o calor de condensação de vapor da água.

Entre poder calorífico superior e inferior há uma correlação

H H H W

in

sup

   [kJ/kg] (1.1)

onde: H e W - porcentagem mássica do hidrogênio e da umidade em combustível líquido.

Maiorias dos motores consomem combustíveis líquidos provenientes do petróleo, isto é:

gasolina, óleo diesel (simplesmente diesel), óleo combustível para motores Diesel de grande

potência que são usados em viaturas pesadas e navios e, também, é usado o álcool etílico. Nos

últimos tempos, cada vez mais, são usados combustíveis gasosos, gás comprimido (GNV) e

liquefeito (GLP) que são mais ecológicos.

Um combustível líquido derivado do petróleo, pela massa é composto em geral de carbono

C, hidrogênio - H e pequenas quantidades de enxofre - S, oxigênio - O e nitrogênio - N.

Tabela 1 em baixo apresenta a composições típicas e alguns parâmetros de combustíveis

derivados do petróleo

Tabela 1

Porcentagem em massa de elementos

Combustível C H O

Massa molecular,

, kg/kmol

Poder cal. Inferior,

H

in

, MJ/kg

Gasolina (pura) 85,5 14,5 - 110 

Diesel 87,0 12,6 0,4 180  220 42,

Sabendo a composição elementar de um combustível derivado do petróleo é possível calcular

poder calorífico inferior do combustível - H in

pela fórmula empírica de D.I. Mendeleev:

H

in

= 339,13 C + 1029,95 H - 108,85 (O - S) - 25,12 W [kJ/kg]. (1.2)

petróleo, o enxofre, em composição com outras substancias, apresenta-se na gasolina e no diesel. A

presença do enxofre no diesel influi muito mal sobre o funcionamento do motor. Nos produtos de

combustão aparecem SO e SO 2

que com vapor de água, que sempre existe nos produtos de

combustão, formam ácido sulfúrico. O ácido sulfúrico provoca corrosão de peças do motor e polui o

ambiente. O ácido sulfúrico condensa nas paredes do cilindro, do pistão e do cabeçote e provoca a

corrosão deles. Sendo mais forte o ácido atua contra a parte superior do cilindro, anéis de

compressão, pistão, etc.

Os combustíveis líquidos, não derivados de petróleo, são o álcool etílico C 2

H

5

OH (etanol ou

simplesmente álcool) e óleos vegetais. No Brasil, devido a sua posição favorável geográfica, há

grandes possibilidades de produção do etanol e biocombustíveis a partir da massa orgânica. É mais

importante, que o etanol e biocombustíveis são combustíveis renováveis, que apesar de longe

caminho de reprodução, na realidade são produtos transformados da energia solar. Muitos países,

dependentes de importação de petróleo, adicionam certas quantidades do etanol à gasolina e ao

diesel, formando uma mistura mecânica homogenia.

Da fórmula química do etanol C

2

H

5

OH vê-se que a sua molécula tem o oxigênio, por isso o

etanol exige menor oxigênio do ar para a sua combustão. Mas, a parte do oxigênio do etanol não é

suficiente para ele seja um material explosivo.

Pelas razões tecnológicas e econômicas, o etanol industrial (vulgar álcool) contém por volta

de 4% da água (o etanol de 96%) e de pequenas quantidades de óleos de éter. A composição

mássica do etanol de 96% é seguinte:

Tabela 2

Combustível Porcentagem em massa de elementos Massa molecular,

C H O

, kg/kmol

Poder cal. inferior

H

in

, MJ/kg

Álcool de 96% 50 ,05 13,05 36,9 43,37 25,

Pois um quilograma do etanol de 96% contém 500,5 gr do carbono; 130,5 gr do hidrogênio e

369 gr do oxigênio. O poder calorífico do etanol de 96% é sensivelmente menor do da gasolina.

O poder calorífico do etanol pode ser calculado pela fórmula seguinte:

H

in

= 26170 - 273W kJ/kg, (1.3)

onde: W - porcentagem de água no álcool.

O etanol muito facilmente dissolve-se na água e absorve a umidade do ar. É muito importante

que poder calorífico do etanol, ainda baixo, fortemente diminui com o aumento da percentagem da

água (veja Eq. (1.3)). O etanol de 96% tem poder calorífico inferior de H in

=25,08 MJ/kg, de 80%

tem poder calorífico H in

=20,71 MJ/kg e de 70% tem H in

=17,98 MJ/kg.

Em comparação com a gasolina pura, o etanol tem menor percentagens do carbono e do

hidrogênio.

O poder calorífico da gasolina misturada com o álcool é calculado:

H

in

= g g

H

in gás

  • g al

H

in ál

onde: g g

e g al

  • partes mássicas de gasolina e do álcool na mistura

A adição do etanol na gasolina diminui o poder calorífico dela e diminui também a quantidade

do ar necessária para a combustão.

A gasolina atual brasileira é composta com o álcool. A porcentagem do álcool na gasolina é

de 24%. Na Tabela 3 é apresentada a composição elementar dessa gasolina e o poder calorífico

inferior dela.

Tabela 3

Combustível Parte em massa de elementos

C H O

Poder cal. inferior,

H

in

, MJ/kg

Gasolina com 24% do álcool 77,9 13,1 9 38,

Exemplo 3

Pede-se para calcular o poder calorífico de uma gasolina composta de partes volumétricas: de

74% de gasolina pura e 26% de álcool hidratado de 96% (usar o poder calorífico da gasolina pura de

Exemplo 2). Pois, a parte volumétrica de gasolina é de 

g

r 0,74; e do álcool 

al

r 0 ,26.

Para passar as partes mássicas apliquemos a formula da termodinâmica:

i i

i i

i

r

r

g

onde:

i

g e

i

- parte mássica e densidade de componentes.

De tabelas: a densidade da gasolina pura 

g

720 kg/m

3

; do álcool 

al

800 kg/m

3

. As

partes mássicas são:

g

g 0,7192, 

al

g 0,2808.

Verificação

 i

g = 0,7192 + 0,2808 = 1,000.

Solução

Usando a Fórmula (1.3) calcula-se poder calorífico de álcool de 96%:

H

in

= 26170 - 273W = 26170 - 273 4 = 25078 kJ/kg,

O poder calorífico de uma mistura mecânica de combustíveis é calculada pela Fórmula (1.4):

in ini

H ( gH )

Logo o poder calorífico da mistura combustível é calculada:

in

H 0,719243057 + 0,280825078 = 38008 kJ/kg.

Nos MCI é usado como combustível gás natural (GNV), gases liquefeitos de petróleo (GLP),

pois o gás comprimido e gás liquefeito. No caso geral uma fórmula química de um componente do

combustível gasoso pode ser escrita na forma C n

H

m

O

r

, onde n , m e r são coeficientes numéricos

(valores inteiros). Por exemplo, para dióxido do carbono CO 2

temos n =1, m =0, r =2; e para etano

C

2

H

6

n =2, m =6, r =0. Além de hidrocarbonetos o combustível gasoso pode ter na sua composição

gases incombustíveis: nitrogênio N 2

, dióxido do carbono – CO 2

. Em pequenas quantidades pode

conter ainda gás sulfúrico – H 2

S (combustível). Designando a parte volumétrica de um componente

do combustível gasoso pela sua fórmula química, para todo o combustível gasoso podemos escrever:

 C

n

H

m

O

r

+ CO

2

+ HS

2

+ N

2

O poder calorífico inferior de um combustível gasoso pode ser calculado pela fórmula:

H

in

=  ((C

n

H

m

O

r

i

(H

in

i,

onde: (C n

H

m

O

r

i

  • parte volumétrica do i-jésimo componente, em um m

3

do combustível,

(H

in

i

  • poder calorífico inferior deste componente, em MJ/m

3

Elemento químico H C O N S Fe

Massa atômica 1,008 12,01 16 14,007 32,06 55,

Usando dados da Tabela 4 temos:

um quilomol do carbono C é igual a 12,

kmol

kg

um quilomol de oxigênio O

2

é igual a 32

kmol

kg

um quilomol de dióxido de carbono CO 2

é igual a 44,

kmol

kg

um quilomol de hidrogênio H 2

é igual a 2,

kmol

kg

um quilomol de vapor de água H 2

O é igual a 18,

kmol

kg

um quilomol de enxofre S é igual a 32,

kmol

kg

um quilomol de dióxido de enxofre SO 2

é igual a 64,

kmol

kg

As reações (1.7), (1.8) e (1.9) escritas em quilogramas são as seguintes:

12,01 kg do C + 32 kg do O 2

= 44,01 kg do CO 2

4,032 kg do H 2

  • 32 kg do O 2

= 36,032 kg do H 2

O ; (1.11)

32,06 kg do S + 32 kg do O

2

= 64,06 kg do SO

2

Da reação de combustão do carbono temos que:

para queimar 1 kg de carbono C é necessário

= 2,664 kg de oxigênio;

para queimar 1 kg do hidrogênio H é necessário

= 7,937 kg de oxigênio;

para queimar 1 kg do enxofre S é necessário

= 0,998 kg de oxigênio.

Então, se tiver somente o ar teoricamente necessário em uma combustão, esta será dita

completa e teremos nos produtos de combustão somente: CO 2

(dióxido do carbono), H 2

O (vapor da

água), SO 2

(dióxido do enxofre) e N 2

(nitrogênio) que neste caso é considerado um gás inerte e que

não participa das reações químicas de combustão. Se tivermos na câmara de combustão ar em

excesso, os produtos de combustão irão conter O 2

(oxigênio). Dessa maneira, o excesso do ar na

câmara de combustão pode ser determinado pela presença do oxigênio em produtos de combustão

(em gases de escape). Em motores contemporâneos no coletor de escape é montada uma sonda

(letra grega lambda) que determina em gases de escape a presença do oxigênio e corrige se for

necessário a qualidade de mistura combustível.

Se fornecer à câmara de combustão uma quantidade menor do ar que a necessária, a

combustão será dita incompleta. Considera-se que o hidrogênio e o enxofre são elementos mais

ativos que o carbono e a falta do ar influi geralmente sobre a reação da queima do carbono e nos

produtos de combustão aparecerá CO (monóxido de carbono) seguindo à reação:

2C + O

2

= 2CO + calor de reação.

O monóxido do carbono CO é um gás combustível, pois reagindo com o oxigênio do ar ele

libera o calor, por isso no caso de combustão incompleta o aproveitamento do combustível e o

rendimento do motor irão diminuir. Além do mais, o monóxido do carbono é um gás tóxico e

provoca a poluição do ambiente. Por isso a combustão incompleta é inadmissível. Na pratica, quando

motor funciona regularmente, na câmara de combustão sempre existe o ar em excesso para garantir a

combustão completa de todos elementos combustíveis. O regime de funcionamento do motor que

gera maior do monóxido do carbono é a marcha lenta.

1.3 Cálculo do ar necessário para a combustão

Para controlar funcionamento ótimo de um motor em vários regimes de funcionamento, é

necessário saber calcular a quantidade do ar necessária para a combustão do combustível, a

composição e a quantidade de produtos de combustão. Estes valores podem ser obtidos a partir da

análise das reações químicas dos elementos combustíveis do combustível.

A formação dos produtos de combustão e a quantidade do calor que se liberta na câmara de

combustão depende da quantidade do ar disponível na câmara de combustão. A quantidade mínima

do ar necessário para a combustão completa de um kg do combustível chama-se ar teoricamente

necessário (ar estequiométrico) e designa-se por

0

ar

V. A sua unidade é metros cúbicos de ar por um

quilograma do combustível líquido

0

ar

V m

3

/kg, ou e um metro cúbico do ar por um metro cúbico de

combustível gasoso,

0

ar

V m

3

/m

3

. Sabendo a composição elementar do combustível e coeficientes

numéricos calculados acima, podemos calcular a quantidade necessária de oxigênio para a

combustão completa dos elementos químicos combustíveis do combustível líquido:

S

H

C

t t t

  , kg/kg (kg do O 2

/kg do combustível).

Se no combustível exista o oxigênio próprio, então a necessidade do oxigênio do ar para a

combustão diminui e na fórmula acima aparece o oxigênio do combustível com sinal negativo,

S

H

C

t t t

O

t

, kg/kg (kg do O 2

/kg do combustível).

Tomando em consideração que a porcentagem volumétrica do oxigênio no ar é de 21% (a

parte restante é o nitrogênio) podemos calcular o volume do ar teoricamente necessário para

combustão de um kg do combustível líquido:

O

S

H

C

V

t t t t

O

o

ar

2

, Nm

3

/kg,

onde:

2

O

- densidade do oxigênio em condições normais

2

O

=1,428 kg/Nm

3

NOTA: Nm

3

é metro cúbico em condições normais (ou, também, em condições de referência): à

pressão- p = 101325 Pa e à temperatura - t = 0

o

C (273,15 K).

2 2 2

H   O  H O (1.18)

Para a combustão de um mole do hidrogênio é necessário metade de mole do oxigênio.

Juntando as reações de combustão de todos componentes podemos determinar o volume

estequiométrico do oxigênio necessário para a combustão de um metro cúbico do combustível

gasoso apresentado pela equação seguinte:

o

O

V

2

( 0,5 CO + 0,5 H

2

+ 1,5 H

2

S+ (m+n/4) C m

H

n

- O

2

) Nm

3

/Nm

3

É óbvio que na fórmula em cima não entraram os componentes incombustíveis e que o

oxigênio do combustível gasoso entrou com sinal menos, porque ele diminui a necessidade de

oxigênio do ar.

Tomando em conta que a porcentagem volumétrica do oxigênio no ar é de 21% podemos

calcular o volume do ar necessário para a combustão de um metro cúbico do combustível gasoso.

Para isto a Eq. (1.19) é multiplicada por coeficiente

. À final temos:

o

ar

V = 0,0476 (0,5 CO + 0,5 H

2

+ 1,5 H

2

S+ (m+n/4) C m

H

n

- O

2

) Nm

3

/Nm

3

O volume teórico do ar calculado pela Eq. (1.20) é dado em metros cúbicos do ar por um

metro cúbico de combustível gasoso. O volume teórico do ar e um metro cúbico do combustível são

calculados para as condições de normais à p = 101325 Pa e à t = 0

o

C (todos em condições normais).

No coletor de admissão de motores a pressão e a temperatura são diferentes de normais. O volume

do ar em outras condições pode ser calculado pela fórmula de termodinâmica

col

col

o

ar

T

p

V  V , (1.21)

onde:

col

p e

col

T - são a pressão em Pa e a temperatura em K do ar no coletor de admissão.

Exemplo 5

Pede-se para calcular o volume de ar teórico para a combustão de GNV (a composição no

Exemplo 4) CH 4

= 97,726%; CO

2

= 1,130%; N

2

= 1,11%; O

2

Solução

Usando a Eq. (1.20) temos:

o

ar

V = 0,0476 (0,5 CO + 0,5 H

2

+ 1,5 H

2

S+ (m+n/4) C m

H

n

- O

2

= 9,304 Nm

3

/Nm

3

1.4 Coeficiente de excesso do ar

Para queimar completamente um combustível, é necessário fornecer na câmara de combustão

uma quantidade de ar maior que a teoricamente necessária (estequiométrica). Isto porque, caso tiver

na câmara de combustão somente o ar teórico, sempre haverá um local do volume da câmara de

combustão com o ar em excesso e um com a falta de ar, o último irá provocar a queima incompleta

neste último local. Se tiver na câmara de combustão grande excesso de ar (como no motor diesel),

teremos combustão completa, mas esta quantidade de ar em excesso diminuirá a temperatura na

câmara de combustão que diminui o rendimento térmico do motor.

O excesso de ar é caracterizado pelo coeficiente de excesso do ar - . Ele é calculado pela

fórmula seguinte

o

ar

ar

V

V

onde:

  • coeficiente do excesso do ar;

V

a r

  • volume real do ar, em Nm

3

/kg para combustíveis líquidos ou em Nm

3

/Nm

3

para combustíveis gasosos.

Sabendo o valor necessário do coeficiente de excesso de ar na câmara de combustão

podemos calcular a quantidade real de ar:

o

ar ar

V  V

, Nm

3

/kg ou Nm

3

/Nm

3

O valor ótimo de para motores de carburação externa é um pouco menor que 1, pois a

mistura combustível é um pouco rica, que garante a combustão mais rápida. O excesso do ar e

depende, também, de regime de funcionamento do motor, em particular na partida e na marcha lenta

ele por volta de ~0,6. Para motores de carburação interna (diesel) ele sempre maior que um.

Exemplo 6

A composição de massa de trabalho de um diesel é seguinte: C

t

=88,4%, H

t

=10,4%, S

t

N

t

=0,5%. O coeficiente de excesso do ar na câmara de combustão é de = 1,5.

Pede-se para calcular a quantidade do ar necessário para a combustão

Solução

Usando a Fórmula (1.13) temos para volume do ar teórico:

0

ar

V =0,0888 (C

t

+0,375 S

t

)+0,265 H

t

- 0,0333 O

t

=10,62 Nm

3

/kg.

A quantidade teórica do ar é calculada:

L

0

ar

0

ar

V 

1 , 2925 = 13,73 kg/kg.

A quantidade real do ar é calculada:

0

LL = 1,513,73 = 16,476 kg/kg.

Exemplo 7

Para a gasolina cuja composição elementar dada na Tabela 3 C = 77,9%; H = 13,1%, O = 9%

calcule o ar necessário para a combustão. O coeficiente de excesso do ar na câmara de combustão é

de = 0,98.

Solução

Usando a Eq. (1.13) temos:

0

ar

V =0,0888 (C

t

+0,375 S

t

)+0,265 H

t

- 0,0333 O

t

  • 0,03339 = 10,089 Nm

3

/kg.

A quantidade teórica do ar é calculada:

L

0

ar

0

ar

V 

1 , 2925 = 13,04 kg/kg.

A quantidade real do ar é calculada:

0

LL = 0,9813,04 = 12,78 kg/kg.

d0 , 01 kg do vapor em um kg do ar. O volume do vapor contido em um metro cúbico do ar em

condições de referência será:

H O

ar

2

d

= 0,0161 Nm

3

/Nm

3

(metros cúbicos do vapor

em um metro cúbico do ar). Agora, basta multiplicar o valor de 0,0161 vezes o volume real do ar na

combustão de um kg do combustível e logo recebemos o volume do vapor de água do ar em

produtos de combustão, referente um kg do combustível,

o

H Oar ar ar

V  0 , 0161 V  0 , 0161    V

2

, Nm

3

/kg. (1.27)

O volume total do vapor de água em produtos de combustão será determinado como soma

de Eq. (1.25) - (1.27), pois:

o

ar

t t

H O

V 0 , 111 H 0 , 0124 W 0 , 0161 V

2

   , Nm

3

/kg. (1.28)

Para calcular o volume de dióxido de enxofre gerado na combustão voltemos pela analogia

temos que a combustão de um kg do enxofre vai gerar

S

SO

2

= 1,998 kg do dióxido do

enxofre (a massa molecular do dióxido de enxofre SO S O

2

= 32,06+216 = 64,06 1/mol). A

densidade de dióxido de enxofre em condições de referência é calculada: 

2

SO

3

Nm

kg

. Logo podemos calcular o volume de dióxido de enxofre gerado da combustão de um kg

do combustível líquido:

2

2

SO

t

SO

S

V 1 , 998

t

S

kg

Nm

3

SO

2

Nota : a emissão de dióxido do enxofre depende teor de enxofre no combustível.

O nitrogênio é considerado como o gás inerte, ele não participa de reações de combustão. No

caso geral, o nitrogênio está presente no combustível e no ar. A massa molecular do nitrogênio é

2

N

= 28,014 kg/kmol. A densidade do nitrogênio em condições de referência

2

N

 = 1,25 kg/Nm

3

. O volume de nitrogênio nos produtos de combustão devido

ao nitrogênio do combustível é calculado:

N c

V

2

1 N

t

N

2

N

t

kg

Nm

N

3

2

O volume de nitrogênio devido ao nitrogênio do ar (porcentagem do nitrogênio do ar é de

o

N ar ar

V 0 , 79 V

2

kg

Nm

N

3

2

O volume total do nitrogênio é calculado como soma de Eq. (1.30) e (1.31):

o

ar

t

N

V 0 , 008 N 0 , 79 V

2

kg

Nm

N

3

2

O volume de oxigênio aparece nos produtos de combustão devido ao excesso do ar usado na

combustão. O excesso do ar é determinado como

o

ar

( 1 )V. Sabendo que a porcentagem

volumétrica do oxigênio no ar é de 21% temos:

o

O ar

V 0 , 21 ( 1 )V

2

kg

Nm

O

3

2

O volume total dos produtos de combustão V g

de combustíveis tanto líquidos, como,

também, gasosos, é calculado como soma de todos os componentes:

2 2 2 2 2

g CO SO HO N O

VVVVVV , Nm3/kg ou Nm

3

/Nm

3

Exemplo 8

Pede-se para calcular a composição de produtos de combustão de um diesel de seguinte

composição: C

t

=88,4%, H

t

=10,4%, S

t

=0,4%, N

t

=0,5%. O coeficiente de excesso do ar é de =

1,3. O volume teórico do ar é calculado no Exemplo 6,

0

ar

V = 10,62 Nm

3

/kg.

Solução

O volume de dióxido do carbono pela Eq. (1.24):

2

CO

V = 0,

t

C = 0,0186688,4 = 1,

kg

Nm

3

CO

2

O volume do vapor de água pela Eq. (1.28):

o

ar

t t

H O

V 0 , 111 H 0 , 0124 W 0 , 0161 V

2

   = 0,11110,4 + 0,01611,310,62 = 1,377 Nm

3

/kg.

O volume de dióxido do enxofre pela Eq. (1.29):

2

SO

V = 0,

t

S = 0,006990,4 = 0,

kg

Nm

3

SO 2

O volume de nitrogênio pela Eq. (1.32):

o

ar

t

N

V 0 , 008 N 0 , 79 V

2

kg

Nm

N

3

2

O volume do oxigênio pela Eq. (1.33):

o

O ar

V 0 , 21 ( 1 )V

2

kg

Nm

O

3

2

O volume total de gases pela Eq. (1.34);

2 2 2 2 2

g CO SO HO N O

V  V  V  V  V  V = 1,65 + 0,0028 + 1,377 + 10,91 + 0,669 =

água. Ou um kmol de um hidrocarboneto gera

n

kmol de H 2

O. Logo:

2

H O m n

C H

n

V   , Nm

3

/Nm

3

Para calcular o volume do vapor de água formado de combustão do gás sulfúrico (veja a

reação (1.33)) temos que um mol de H 2

S forma um mol de vapor de água, logo:

V H S

H O 2

2

  , Nm

3

/Nm

3

A umidade de ar contribui em produtos de combustão de mesma maneira como no caso de

combustíveis líquidos. Todo o volume de vapor de água é calculado como soma de Eq. (1.23),

o

H O 2 2 2 m n ar

C H ) 0 , 0161 V

n

V 0 , 01 (HO H H S

2

     , Nm

3

/Nm

3

O volume de nitrogênio em produtos de combustão é formado do nitrogênio do combustível

gasoso e de nitrogênio do ar. Tomando em conta que parte do nitrogênio no ar é de 0,79 temos:

o

N 2 ar

V 0 , 01 N 0 , 79 V

2

  , Nm

3

/Nm

3

O volume de oxigênio em produtos de combustão aparece devido ao excesso do ar na

combustão. Tomando em conta que parte volumétrica do oxigênio no ar é de 0,21, temos:

o

O ar

V 0 , 21 ( 1 )V

2

 , Nm

3

/Nm

3

O volume total dos produtos de combustão V

g

tanto para combustíveis sólidos e líquidos,

como para os gasosos é calculado como soma de todos os componentes, veja a Eq. (1.34).

Para calcular a quantidade de emissões em kg por um litro do combustível líquido pode ser

usada a fórmula seguinte (exemplo de CO 2

CO CO CO com

m V  

2 2 2

 , kg /l

2

CO

onde:

2

CO

- densidade de CO

2

em condições normais, kg/m

3

com

- densidade de combustível, kg/l.

Exemplo 9

Pede-se para comparar a emissão de dióxido do carbono por combustíveis: álcool de 96%,

gasolina de 26% do álcool; GNV e determinar qual combustível é mais ecológico. Todos estes

combustíveis são usados em MCI de carburação externa. Vamos considerar que o coeficiente de

excesso do ar em câmaras de combustão é de  1 , 0.

Solução

O teor de carbono no álcool de 96% (Tabela 4)  50 , 05 %

al

C , na gasolina de 74%.

O teor de carbono na gasolina pura (Ex. 2)

gp

C = 86,67%. Logo se calcula teor de carbono

na gasolina misturada com álcool: g g gp al al

Cg Cg C = 0,719286,67 + 0,280850,05 =

= 76,39% (os valores de partes de massa são usados de Ex. 3).

O volume de dióxido do carbono gerado por um kg de álcool (Eq. (1.24)):

CO al

V

2

t

C = 0,0186650,05 = 0,

kg

Nm

3

CO 2

O volume de dióxido do carbono gerado por um kg gasolina misturada (Eq. (1.24)):

CO g

V

2

t

C = 0,0186676,39 = 1,

kg

Nm

3

CO 2

O volume de dióxido do carbono gerado por um m

3

do GNV (Eq. (1.36)) (composição do

GNV no Ex. 4):

2 2

CO m n

VCOCO  mC H = 0,01(1,13+197,726) = 0,989 Nm

3

/Nm

3

Em MCI o calor armazenado em combustível é transformado para o trabalho, por isso a

comparação correta de emissões pode ser feita comparando a emissão por um MJ do calor liberado

na câmara de combustão, pois comparando valores de massas de CO 2

MJ

kg

CO

2

para cada um de

combustíveis.

Para o álcool -

2

CO

m =

in

CO

CO

H

V

2

2

MJ

kg

CO

2

Para a gasolina misturada -

2

CO

m = 1,4251,964/38,008 = 0,

MJ

kg

CO

2

Para o GNV -

2

CO

m = 0,9891,964/34,984 = 0,

MJ

kg

CO

2

Nota: Os valores de poderes caloríficos são usados de Ex. 3 e 4.

Pois de ponto de vista de emissão de CO 2

o melhor combustível é GNV e o pior a gasolina.

1.6 Temperaturas de combustão

Em cálculos de combustão diferenciam temperaturas seguintes: teórica, adiabática e real. A

temperatura teórica é calculada sem tomar em conta reações de dissociação e troca de calor na

câmara de combustão. A temperatura adiabática já toma em consideração as reações de dissociação

que ocorrem consumindo calor (endotérmicas) dos produtos de combustão. A temperatura real é a

temperatura verdadeira que é difícil ser calculada por causa de processos complexos de transferência

de calor na câmara de combustão.

A temperatura teórica de combustão é um parâmetro muito importante. Ela demonstra qual

poderia ser no limite a temperatura na câmara de combustão, caso ali não existam reações de

dissociação, a troca de calor e a combustão química incompleta.

A temperatura teórica de combustão pode ser calculada a partir do balanço térmico pela

fórmula:

vg g

c ar

t

in

t

c V

H q q

t

o

C (1.47)

onde: q c

  • calor físico de combustível, em em kJ/kg para combustível líquido ou em kJ/m

3

para combustível gasoso;

q ar

  • calor físico do ar, em kJ/kg ou kJ/m

3

influência sobre o valor da temperatura teórica (e real) é dominante. Quando falta o ar na zona de

combustão ( <1) nem todo o calor é liberado e a t

t

diminui. Quando há ar em excesso ( >1), a

energia térmica dos produtos de combustão é gasta para aquecer o ar em excesso até a temperatura

dos gases, o que diminui a temperatura deles.

Na Figura em cima são apresentados resultados de cálculo da temperatura teórica de

combustão de vários combustíveis, empregando a metodologia apresentada acima. Nota-se que o

álcool e GNB têm temperaturas de combustão menores.

**2. Termodinâmica química

  1. 1 Expressões analíticas de 1-o de 2-o Princípios de Termodinâmica para processos**

químicos

Reações químicas geralmente são acompanhadas pela liberação ou absorção do calor. A

quantidade do calor da reação depende de natureza de reação e de condições de realização dela.

Sabe-se que em um sistema termodinâmico, sem ocorrência de reações químicas, a

quantidade de calor conduzido ao fluido motor transforma-se para a variação de energia interina e

para a execução de trabalho contra forças externas, pois

Q   U  L (2.1)

onde: Q - calor de reação, em J;

U - variação de energia interna, em J;

L - trabalho de variação de volume (mecânico), em J.

Antes de escrever a equação da primeira Lei para os processos com as reações

químicas, devemos tomar em conta seguintes hipóteses:

a) todas equações, tomando em conta a equação de 1-a Lei, escrevem-se para um kmol

(mol) de substância;

o valor de trabalho inclui não só o trabalho de variação de volume, mas também um trabalho de

forças elétricas, magnéticas de luz e outras.

Vamos atribuir para o trabalho total de processos químicos a letra A. Então a primeira Lei

para os processos químicos tem a forma:

- U=Q+A (2.2)

onde: - U - diminuição de energia interna, em J/kmol;

Q - calor de reação, em J/kmol.

A Eq. (2.2) estabelece que a liberação de calor e execução de trabalho é realizada por conta

de energia interna do sistema. Na termodinâmica química é combinado que o calor de reação

exotérmica (reação com a liberação de calor) é positivo e o da endotérmica (com absorção de calor)

é negativo.

Na forma diferencial a Eq. (2.2) é escrita

- dU=dQ+dA (2.3)

O trabalho total de reação A é constituído poro trabalho de expansão (compressão) L e o

trabalho de forças elétricas, magnéticas, etc., designado por A x

, por isso

A=L+A

x

Sabe-se que

2

1

L pdV , então

A =

2

1

pdV

+ A

x

A alteração de energia interna pode ser distribuída entre o calor e o trabalho. São possíveis

dois casos extremos, quando:

a) a quantidade máxima da energia interna transforma-se ao trabalho, neste caso

U=Q

min

+A

max

onde: A max

  • o trabalho máximo da reação, sob a liberação mínima do calor na reação;

b) Durante a reação além de trabalho de expansão ou compressão não se realiza outro

trabalho, pois A min

=L , neste caso tem-se a quantidade máxima do calor liberado e a

mínima do trabalho realizado

U=Q

max

+A

min

No caso a) a reação é reversível e no caso b) não é irreversível.

2. 1. 1 Calores de reações

Em processos químicos uma variação de estado do sistema pode ser caracterizada não só por

dois parâmetros intensivos ( p, t; p, v; t, v ) com na termodinâmica básica mas por três, e mais

parâmetros (por exemplo, p, v e concentração). Além disso em um processo químico podem ficar

fixos dois parâmetros, por exemplo V = Const e T = Const. Esta reação chama-se a reação isocoro-

isotérmica. A reação que passa a pressão e a temperatura constante ( p = Const e T = Const ) é

chamada a reação isobaro-isotérmica.

Para a reação entre corpos sólidos e para a reação que ocorre num volume fechado dV = 0 e

A

x

= 0 de (5) temos A = L = 0

U=-(U

2

- U

1

)=Q

V

onde: Q V

  • calor de reação isocoro-isotérmica que é igual à diminuição de energia interna

do sistema.

Para a reação que ocorre a pressão e a temperatura constante temos dp = Const e dT =

Const , então A=L=

2

1

V

V

pdV =p(V 2

- V

1

U=Q

p

+p(V 2

- V

1

onde: Q p

  • calor de reação isobaro-isotérmica (ou efeito térmico de reação), para ele temos

Q

p

=U

1

- U

2

- pV 2

+pV 1

=(U

1

+pV 1

)-(U

2

+pV 2

)=-(H

1

- H

2