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questões sobre microbiologia,.
Tipologia: Exercícios
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Acne
Provavelmente a doença de pele mais comum, afetando principalmente adolescentes. Resulta do bloqueio dos ductos secretores das glândulas sebáceas do pelo, com acúmulo de secreção e formação de um ponto esbranquiçado característico. O folículo piloso rompe-se e é invadido por Propionibacterium acnes normalmente presente na pele. Essas bactérias alimentam-se da secreção do folículo e produzem ácidos graxos que induzem a resposta inflamatória, com formação de pústulas que podem resultar em cicatrizes. Não é contagiosa; as causas são alterações hormonais no organismo e proliferação da bactéria comum da pele. Como prevenção deve-se evitar uso de cosméticos e manter higiene cuidadosa da face e cabelos. O tratamento é feito com a aplicação de antissépticos e o uso de antibióticos específicos, com orientação de um dermatologista.
Erisipela
É causada por Streptococcus pyogenes e ocorre mais frequentemente em crianças e em idosos. Caracteriza-se pela presença de manchas avermelhadas na pele, produzidas pelas toxinas bacterianas. O quadro é, com frequência, acompanhado de febre alta. O modo de contágio ainda não está definido; não se sabe se a pele é invadida por bactérias vindas diretamente do ambiente ou de algum local contaminado do corpo, via sistema linfático (uma infecção de garganta causada por estreptococo, por exemplo). Como tratamento empregam-se antibióticos específicos.
Impetigo
Comum em crianças; nas mais jovens é geralmente causada por Staphylococcus aureus , e nas em idade escolar, por Streptococcus pyogenes. Os sintomas são pústulas isoladas na pele, que se rompem e desenvolvem uma “casca”. O contágio dá-se por contato direto com pessoas portadoras; as bactérias penetram por pequenas lesões previamente existentes na pele. Como prevenção deve-se manter a higiene da pele. O tratamento é feito com antissépticos e antibióticos específicos.
Botulismo
É causado pela ingestão da toxina botulínica produzida por Clostridium botulinum presente em alimentos industrializados mal processados (enlatados, conservas e embutidos como salsicha). Os sintomas são paralisia muscular, a toxina bloqueia a transmissão de impulsos nervosos. Pode ser fatal se não for tratada rapidamente, em decorrência da paralisia dos músculos responsáveis pela respiração. O tratamento é feito com soro antitoxina.
Lepra ou hanseníase
O agente causativo é Mycobacterium leprae que se aloja em nervos sensitivos próximos à superfície do corpo, levando à perda de sensibilidade e, por isso, são frequentes as lesões na pele e nas extremidades afetadas. O contágio dá-se pelo contato com secreções contaminadas de pessoas doentes; as bactérias penetram no corpo através de pequenas lesões na pele e mucosas. O tratamento é feito com antibióticos específicos, e a prevenção, pela vacinação de pessoas que tenham contato íntimo com portadores.
Meningite
Os agentes causativos podem ser Neisseria meningitidis , Hemophilus influenzae ou Streptococcus pneumoniae. As bactérias provocam inflamação das meninges, produzindo febre alta, dores de cabeça intensas, rigidez do pescoço e vômitos, podendo levar à morte. A contaminação dá-se pelas vias respiratórias, por inalação de partículas contaminadas por saliva ou secreção nasal de portadores da bactéria, que podem não apresentar os sintomas da infecção (portadores assintomáticos). Uma atitude preventiva é evitar aglomerações em ambientes pouco ventilados e contato com pessoas contaminadas, que devem ficar hospitalizadas em isolamento. Utiliza-se também a vacinação. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Tétano
É causado pelo Clostridium tetani cujos esporos estão presentes no solo e penetram no corpo através de lesões profundas na pele. As toxinas liberadas pela bactéria atuam sobre os nervos motores provocando fortes contrações musculares; se não for tratada a tempo ocorre morte por parada respiratória e cardíaca. Como prevenção, utiliza-se vacinação. Em caso de ferimentos sujos e profundos com sinais de contaminação aplica-se soro antitetânico.
Brucelose
É causada por bactérias do gênero Brucella , que provocam sintomas variados e, em muitos casos, subclínicos; nos casos agudos, há febre e calafrios. A bactéria, presente no gado, é transmitida por leite não pasteurizado e pela manipulação da carne de animais contaminados, penetrando no corpo por lesões na pele ou através das mucosas da boca, garganta e tubo digestório. Como prevenção deve-se evitar o consumo de carne crua de matadouros clandestinos e leite não pasteurizado; o tratamento é feito com antibióticos específicos.
Febre maculosa
O agente causativo é Rickettsia rickettsii e os sintomas são febre alta, dor de cabeça e vômito, além de manchas vermelhas no corpo devido a hemorragias subcutâneas provocadas pelo ataque das bactérias aos vasos sanguíneos.
A taxa de mortalidade é alta quando a infecção não é tratada adequadamente. A bactéria é transmitida pela picada do carrapato-estrela ( Amblyomma cajannense ) contaminado. O carrapato adulto ou suas ninfas, conhecidas como micuins, contaminam-se ao sugar animais portadores da bactéria, como aves, mamíferos domésticos e selvagens. O carrapato geralmente encontra-se associado a cães e capivaras. Como prevenção devem-se evitar locais infestados pelo carrapato ou proteger-se adequadamente contra eles, além de combatê-los. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Febre reumática
Desenvolve-se em decorrência de infecções por Streptococcus pyogenes e outros estreptococos. A ação da bactéria ainda é pouco conhecida; mas o resultado é uma reação de autoimunidade, desencadeada pela infecção da garganta pelo estreptococo. Afeta geralmente jovens entre 4 e 18 anos, podendo causar artrite e inflamação do coração, com danos às valvas cardíacas. A contaminação dá-se pelas vias respiratórias, por inalação de partículas contaminadas por saliva ou secreção nasal de portadores da bactéria. Aplicação de antibióticos em jovens com infecção de garganta pelo estreptococo é usada como prevenção.
Gangrena gasosa
Gangrena é a morte de tecidos pela interrupção do suprimento sanguíneo, causada, por exemplo, por um ferimento. Substâncias liberadas pelos tecidos mortos servem de alimento a diversas bactérias, entre elas Clostridium perfringens , que produz gás e leva ao inchaço dos tecidos. Toxinas liberadas por essa bactéria destroem progressivamente os tecidos e a doença espalha-se; quando não tratada, é sempre letal. Adquire-se a bactéria por contaminação de ferimentos necrosados com esporos bacterianos presentes no solo. Previne-se pela limpeza adequada de ferimentos e tratamento preventivo com antibióticos específicos. Uma vez instalada a bactéria, é necessária a remoção cirúrgica do tecido necrosado, muitas vezes por amputação do membro afetado.
Peste
O agente causativo é Yersinia pestis , uma bactéria que pode multiplicar-se no interior dos macrófagos, em vez de ser destruída. Os sintomas são inchaço dos linfonodos das virilhas e axilas, acompanhado de febre. Sem tratamento, a morte pode ocorrer menos de uma semana após os primeiros sintomas. Adquire-se a bactéria pela picada de pulga-do-rato ( Xenopsylla cheopis ) contaminada ou por ferimentos e arranhões causados por animais infectados (cães ou gatos). A prevenção consiste em combater pulgas e ratos e evitar contato com animais que possam estar contaminados. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Tifo epidêmico
É causado pela bactéria Rickettsia prowazekii , transmitida por fezes do piolho-do-corpo ( Pediculus humanus corporis ) contaminado; a bactéria penetra através do ferimento da picada quando o local é coçado. Os sintomas são febre alta e persistente por cerca de duas semanas e
manchas vermelhas no corpo devido a hemorragias subcutâneas provocadas pela entrada das bactérias nas células da parede dos vasos sanguíneos. A taxa de mortalidade é alta quando a infecção não é tratada adequadamente. Como prevenção deve-se evitar a presença do piolho mantendo as habitações limpas. O tratamento é feito com certos tipos de antibiótico.
Tifo endêmico
O agente causativo é a bactéria Rickettsia typhi transmitida pela picada da pulga-do-rato ( Xenopsylla cheopis ) contaminada. Os sintomas são semelhantes aos do tifo epidêmico, mas menos severos. A prevenção consiste em combater as pulgas e os ratos. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Antraz
É causada pelo Bacillus anthracis que produz infecção purulenta localizada quando penetra por ferimento, mas há perigo de septicemia (infecção generalizada). Situações mais graves ocorrem pela inalação dos esporos e instalação de pneumonia, com febre alta, dificuldade para respirar e dores no peito; nesses casos na maioria das vezes ocorre septicemia e a taxa de mortalidade é alta. A contaminação dá-se pela inalação ou ingestão de grande quantidade de esporos, geralmente presentes no solo. Como prevenção deve-se evitar contato com locais contaminados, em geral pastos onde morreram animais com a doença. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Coqueluche
Causada por Bordetella pertussis , afeta principalmente crianças; e os primeiros sintomas assemelham-se aos de um resfriado. Em seguida sobrevém uma fase de tosse intensa, decorrente de as secreções bacterianas imobilizarem os cílios da traqueia, impedindo a eliminação de muco. A tosse é a tentativa do organismo de eliminar o muco acumulado nas vias respiratórias. A recuperação é lenta e pode levar meses. A contaminação dá-se pela inalação de bactérias eliminadas durante a tosse de pessoas infectadas. A prevenção é feita pela vacinação, aos dois meses de idade. O tratamento emprega antibióticos específicos.
Difteria (ou crupe)
É causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Inicialmente ocorrem dor de garganta e febre, seguidas de mal-estar e inchaço do pescoço. Forma-se na garganta uma membrana cinzenta em resposta à infecção, constituída por fibrina, tecidos mortos e células bacterianas, podendo bloquear totalmente a passagem de ar para os pulmões. Algumas linhagens da bactéria, portadoras de um fago lisogênico, podem produzir uma toxina potente que ataca o coração e os rins, causando a morte. A contaminação ocorre pela inalação de bactérias eliminadas com as secreções respiratórias de pessoas infectadas, as quais podem ser assintomáticas. O tratamento é feito com antibióticos
vasos sanguíneos e linfáticos, espalhando-se pelo corpo. Os sintomas são febre moderada, dores abdominais, cólicas e diarreia, dependendo da quantidade de bactérias ingeridas. Adquire-se a bactéria pela ingestão de produtos de origem animal contaminados, principalmente ovos e carne de galináceos. A prevenção consiste na higiene adequada dos criadouros de animais, para evitar sua contaminação, na refrigeração adequada da carne, para evitar a proliferação das bactérias contaminantes, e no cozimento adequado de carne e ovos. O tratamento é a reidratação oral, recomendada para qualquer tipo de diarreia.
Doença péptica
O agente causativo é Helicobacter pylori , uma bactéria que se instala na parede do estômago, causando ruptura da camada protetora de muco e contribuindo para agravar uma gastrite, levando-a a evoluir para úlcera péptica. A maioria das pessoas possui a bactéria no estômago e o desenvolvimento da doença depende de sua associação a outros fatores (estresse, condições alimentares etc.). O tratamento consiste na eliminação da bactéria por meio de antibióticos específicos, o que leva, em geral, ao desaparecimento das úlceras pépticas.
Cistite
Os agentes causativos são Escherichia coli ou Staphylococcus saprophyticus. A bactéria causa inflamação da bexiga urinária, o que provoca dificuldade em urinar e a presença de leucócitos na urina. Afeta mais comumente as mulheres. Desenvolve-se em decorrência da contaminação da uretra com bactérias presentes nas aberturas do sistema urogenital. A infecção é facilitada pelas relações sexuais e descuido com a higiene pessoal. A prevenção é feita por meio de cuidados com a higiene pessoal e o tratamento, pelo uso de substâncias bactericidas.
Leptospirose
É uma doença típica de animais domésticos e selvagens causada por Leptospira interrogans. Os animais portadores eliminam a bactéria na urina e as pessoas infectam-se pelo contato com água e solo contaminados. Após um período de incubação de uma a duas semanas, aparecem os sintomas: dor de cabeça, dor muscular, calafrios e febre. Pode afetar o fígado e os rins. Comprometimentos renais são as principais causas de morte pela doença. A prevenção consiste em combater os ratos, um dos principais portadores, e evitar contato com animais que possam estar contaminados. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
Cancro mole
O agente causativo é Hemophilus ducreyi que se adquire por contato sexual com parceiros contaminados. Após um período de incubação de três a cinco dias, mas que pode estender-se por até duas semanas, aparecem lesões,
geralmente dolorosas, nos órçãos genitais. É mais frequente nos homens. A prevenção consiste em evitar-se relações sexuais com pessoas portadoras e usar preservativo (camisinha). O tratamento é feito com antibióticos específicos e a pessoa contaminada deve abster-se de relações sexuais até a cura completa, para evitar a disseminação da doença.
Gonorreia
É causada por Neisseria gonorrhoeae que se transmite através de relações sexuais com parceiros contaminados e da mãe para o recém-nascido, durante o parto. O diagnóstico nos homens é mais fácil, pois a doença produz ardor ao urinar e eliminação de uma secreção uretral amarelada. Nas mulheres, os sintomas são pouco evidentes, o que dificulta o tratamento, com evolução para a DIP (doença inflamatória pélvica), que compromete as tubas uterinas e pode causar esterilidade. Mulheres grávidas infectadas podem contaminar os recém-nascidos, nos quais a infecção pode levar à cegueira. A prevenção consiste em evitar-se relações sexuais com pessoas portadoras e usar preservativo (camisinha). O tratamento é feito com antibióticos específicos e a pessoa contaminada deve abster-se de relações sexuais até a cura completa, para evitar a disseminação da doença.
Sífilis
O agente causativo é a bactéria Treponema pallidum que se transmite por via sexual ou da mãe para o feto, durante a gestação. Cerca de vinte dias após a contaminação surge uma lesão de consistência endurecida e pouco dolorosa (cancro duro) nos órgãos genitais. No homem, o cancro duro aparece com maior frequência na glande do pênis e na mulher, nos lábios menores, nas paredes da vagina e no colo uterino. Cerca de seis a oito semanas após o cancro duro aparecem lesões escamosas na pele e nas mucosas; lesões nas palmas das mãos e nas plantas dos pés são fortes indicativos de sífilis secundária. Outros sintomas são dores no corpo, febres, dores de cabeça e falta de disposição. No terceiro estágio, o sistema nervoso pode ser afetado, causando problemas mentais, dificuldades de coordenação motora e cegueira. A prevenção consiste em evitar-se contato íntimo com pessoas contaminadas, principalmente relações sexuais. O tratamento é feito com antibióticos, específicos para cada estágio da doença.
ALGUMAS DOENÇAS HUMANAS CAUSADAS POR VÍRUS
I. DOENÇAS VIRAIS ASSOCIADAS À PELE
Catapora
(quando ocorre a primeira vez na infância); herpes zóster ou cobreiro (quando há recorrência da infecção na fase adulta). É causada pelo varicela-zóster, um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. Afeta frequentemente crianças, com formação de pústulas na pele, que regridem após três ou quatro dias; a infecção pode atingir também diversos órgãos internos. O DNA viral permanece, em geral, em estado latente nos gânglios nervosos espinhais e pode ser ativado décadas mais tarde, causando lesões dolorosas na pele, ao longo de nervos sensitivos, quadro clínico chamado herpes zóster ou cobreiro. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias; a infecção manifesta-se em cerca de duas
semanas. Não há tratamento; deve-se evitar o contato com pessoas contaminadas pelo vírus. Herpes simples labial
O agente causativo é o herpes simplex tipo 1 (HSV-1), um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. A infecção ocorre na infância e chega a atingir 90% da população dos países desenvolvidos, mas apenas 15% apresentam os sintomas, na forma de lesões nas bordas dos lábios. O DNA viral permanece em estado latente no gânglio do nervo trigêmeo que inerva a face. O vírus pode ser reativado, infectando células da pele e provocando as lesões típicas do herpes. Essas recorrências estão associadas a situações traumáticas, como exposição excessiva à luz ultravioleta do sol, estresse emocional e variações hormonais do ciclo menstrual. Adquire-se o vírus por contato com pessoas ou com objetos contaminados, por isso deve-se evitar contato íntimo com pessoas durante as recorrências da infecção. Pomadas contendo inibidores da síntese de DNA viral podem aliviar os sintomas.
Rubéola
É causada por Rubivirus , um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (+). Os sintomas são muito leves e podem passar despercebidos; em geral ocorrem febre branda e pequenas manchas vermelhas na pele. A infecção durante a gravidez produz, em 35% dos casos, a síndrome da rubéola contagiosa, caracterizada por sérios danos ao feto em desenvolvimento, incluindo surdez, catarata, má-formação cardíaca, retardo mental e mesmo a morte. É importante detectar mulheres sem imunidade contra a rubéola; em alguns países, os testes sanguíneos requeridos para obtenção de licença para casamento incluem o teste para rubéola. Mulheres não imunes que desejam engravidar devem se vacinar; a vacinação durante a gravidez deve ser evitada, pois pode provocar danos ao feto. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias, por meio de gotículas de saliva expelidas por pessoas portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é aplicada na infância juntamente com as vacinas contra sarampo e caxumba na forma da vacina tríplice viral.
Sarampo
É causado por Morbillivirus , um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (–). A infecção tem início na parte superior das vias respiratórias e, após um período de incubação de 10 a 12 dias, aparecem sintomas semelhantes aos do resfriado comum: dor de garganta, dor de cabeça e tosse. Logo depois aparecem erupções na pele, começando na face e espalhando-se pelo tronco e pelas extremidades. O sarampo é uma doença perigosa, principalmente em crianças e idosos. Em 0,1% dos casos ocorre encefalite, que frequentemente deixa lesões cerebrais permanentes. O sarampo é fatal em cerca de 0,03% dos casos, principalmente em crianças. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias, por meio de gotículas de saliva de pessoas portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é aplicada na infância juntamente com as vacinas contra caxumba e rubéola na forma da vacina tríplice viral. Deve-se evitar contato com pessoas que apresentem os sintomas da infecção.
Varíola
É causada por Orthopoxvirus variolae , um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. O vírus infecta inicialmente órgãos internos antes de entrar na corrente sanguínea e infectar as células da pele, com a formação de
pústulas que provocam lesões desfigurantes pelo resto da vida. A taxa de mortalidade é grande entre os infectados. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de gotículas de saliva de pessoas portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é muito eficiente e sua aplicação sistemática e generalizada levou à erradicação da doença no mundo.
Poliomielite
É causada por Enterovirus , um vírus não envelopado com RNA de cadeia simples (+). O vírus multiplica-se inicialmente em células da garganta e do intestino delgado invadindo, em seguida, as tonsilas, os linfonodos do pescoço e o íleo (a porção terminal do intestino delgado). Em geral, a infecção regride e, na maioria dos casos, é assintomática ou produz sintomas leves como dor de cabeça, dor de garganta, febre e náusea, confundindo-se com meningite branda ou com gripe. Se a infecção persistir, o que ocorre em cerca de 1% dos casos, os vírus caem na circulação sanguínea e penetram no sistema nervoso central. Ali eles infectam e se replicam nos neurônios motores da medula espinhal ou no tronco cerebral, provocando paralisia e atrofia dos músculos por elas inervados. A doença pode causar a morte se forem atingidos nervos que controlam os músculos do sistema respiratório. Adquire-se o vírus por ingestão de alimentos e água contaminados com fezes de portadores; parece também que o vírus pode ser transmitido pela saliva. Não há tratamento. A vacina é muito eficiente e sua aplicação sistemática e generalizada está levando à erradicação da doença.
Raiva
É causada por Lyssavirus , um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (–). O vírus multiplica-se inicialmente em células musculares e do tecido conjuntivo, onde permanece por dias ou meses. Em seguida, entra nos nervos periféricos, deslocando-se por eles até o sistema nervoso central, onde causa encefalite. Quando o vírus penetra em áreas ricas em fibras nervosas, como o rosto ou as mãos, o período de incubação pode ser bem curto e a doença é mais perigosa, pois não há como combater o vírus após sua entrada no sistema nervoso. Quando este é atingido, alternam-se períodos de agitação e de calma. Nessa fase são frequentes os espasmos dos músculos da boca e da faringe, que ocorrem quando o animal ou a pessoa afetada tentam inalar ar ou beber água. A simples visão de água ou o pensar nela desencadeia os espasmos, daí a doença ser conhecida também como hidrofobia. A raiva é sempre fatal em questão de dias. O vírus presente na saliva do animal infectado é transmitido por mordida ou pelo contato com ferimentos expostos. Antes que atinja o sistema nervoso, a doença pode ser evitada com a injeção de anticorpos antivirais (soro) ou mesmo com vacinação pós-exposição ao vírus. Pessoas mordidas por um animal (ou se a saliva deste entrar em contato com algum ferimento exposto) devem lavar o local ferido com água limpa e sabão, manter o
como espirros, aumento de secreção das vias respiratórias e congestão nasal. A infecção pode facilmente espalhar-se da garganta para os seios nasais, as vias respiratórias inferiores e os ductos auditivos, causando laringite e otite. Adquire-se o vírus por contato direto com secreções nasais ou com ambientes contaminados; os vírus podem resistir durante horas em superfícies como telefones e outros utensílios, podendo contaminar as mãos e ser levados até as cavidades nasais. Não há tratamento. Deve-se evitar contato com pessoas apresentando sintomas da infecção.
Síndrome respiratória aguda grave ou sars (do inglês, S evere A cute R espiratory S yndrome)
É causada por Coronavirus , um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (+). A doença foi registrada pela primeira vez em fevereiro de 2003, na China, infectando de início 300 pessoas, das quais 5 morreram. Os sintomas são febre, tosse seca, dor de cabeça, dispneia (dificuldade em respirar) e, em alguns casos, diarreia. Embora relativamente leves na primeira semana, os sintomas costumam agravar-se em seguida. Os primeiros dados indicam que a infecção mata 13,2% dos afetados com menos de 60 anos e 43,3% das pessoas com mais de 60 anos. A origem do vírus parece ter sido a civeta ( Paguma larvata ), um mamífero do tamanho aproximado de um gato, muito apreciado como quitute em certas regiões da China. Transmite-se de pessoa para pessoa pelo ar e também por objetos contaminados. Pode ser que se transmita também pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de doentes. Não há tratamento. Deve-se evitar contato com pessoas que apresentem os sintomas da infecção e os locais por elas frequentados.
V. DOENÇAS VIRAIS ASSOCIADAS AO SISTEMA DIGESTÓRIO
Caxumba (parotidite epidêmica)
É causada por Paramyxovirus , um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (–). O vírus infecta, em geral, células das glândulas salivares parótidas, provocando inchaço em um ou em ambos os lados da porção superior do pescoço, acompanhado de febre e dor ao engolir. Entre 20% e 30% dos homens infectados após a puberdade apresentam inflamação dos testículos (orquite) que, em casos raros, provoca esterilidade. Pode raramente provocar inflamação dos ovários. A transmissão dá-se por meio de gotículas de saliva contendo os vírus, que penetram pelas vias respiratórias. Não há tratamento; deve-se evitar o contato com pessoas doentes e com objetos utilizados por elas. A imunização é feita por vacina aplicada na infância juntamente com as vacinas contra sarampo e rubéola na forma da vacina tríplice viral.
Gastrenterite rotaviral
É causada por Rotavirus , um tipo de vírus não envelopado que contém 11 moléculas de RNA de dupla cadeia no capsídio. Após um período de incubação de dois ou três dias, surgem os sintomas: febre baixa, diarreia e vômito, que podem persistir por cinco a oito dias. A infecção pelo rotavírus é a causa mais comum de diarreia severa em crianças, sendo responsável por cerca de 600 mil mortes por ano, no mundo. Adquire-se a doença pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes contendo o vírus.
A substituição do leite materno por mamadeira aumenta o risco de contaminação, principalmente em populações carentes de saneamento básico. Não há forma de combater a infecção; o único tratamento é a reidratação oral dos pacientes e, em casos graves, a reidratação intravenosa.
Hepatites A e E
São causadas pelos vírus Hepatitis A (HAV) e Hepatitis E (HEV), respectivamente, dois vírus não envelopados com RNA de cadeia simples (+). Esses vírus multiplicam-se inicialmente nas células do epitélio do intestino e, em seguida, espalham-se pelos rins, baço e fígado, cuja inflamação caracteriza a doença. Os sintomas são, em geral, subclínicos, ou seja, passam despercebidos. Nos casos severos ocorrem febre, dor de cabeça, indisposição e icterícia, devido à ruptura de células hepáticas e à liberação de bilirrubina, que se deposita na pele e nas membranas mucosas. As hepatites A e E não causam doença crônica do fígado como as outras hepatites virais (B, C e D). A contaminação dá-se por ingestão de alimentos e água contaminados com fezes de portadores do vírus. Não há tratamento, mas logo será comercializada uma vacina contra hepatite A, que confere proteção apenas temporária. Deve-se evitar o contato com pessoas doentes. Tratamento de água e outras medidas de saneamento básico podem conter a disseminação do vírus.
Hepatite B
É causada por Hepadnavirus , um vírus de DNA de cadeia dupla, envelopado. O DNA viral não se duplica diretamente; em sua replicação, é utilizada a enzima transcriptase reversa, produzindo o DNA dos novos vírus a partir de RNA mensageiro. Os sinais clínicos da infecção variam muito, mas cerca de metade dos casos são assintomáticos. Os sintomas, quando ocorrem, são: perda de apetite, febre baixa e dores nas juntas; posteriormente, pode ocorrer icterícia. O vírus pode causar hepatite crônica e câncer de fígado. A transmissão dá-se por transfusão de sangue ou contato com fluidos corporais (saliva, leite e sêmen) contaminados. Não há tratamento, mas como prevenção pode-se utilizar uma vacina produzida por engenharia genética. Dentre as medidas preventivas destacam-se: o uso de camisinha nas relações sexuais; o não compartilhamento de objetos como lâminas de barbear, escovas de dente e seringas; a não utilização de agulhas de tatuagem e de equipamentos de piercing não devidamente esterilizados; a utilização de sangue devidamente testado para transfusões.
Hepatite C
É causada pelo vírus Hepatitis C (HCV), um vírus envelopado com RNA de cadeia simples (+). Os sintomas são leves ou subclínicos; 50% dos casos, porém, evoluem para hepatite crônica. A transmissão dá-se por transfusão de sangue contaminado; durante relações sexuais quando há contato sanguíneo entre os parceiros; de mãe contaminada para o feto por meio de hemorragias placentárias. Muitos
casos crônicos respondem ao tratamento com interferon alfa, mas são frequentes as recaídas.
As dermatofitoses podem ser classificadas nas seguintes modalidades clínicas: dermatofitose ou tinha do couro cabeludo, da pele glabra, da barba e da face, dos pés, das unhas e inguinal, dependendo da localização da lesão no paciente. Já nos cabelos, pela relação com os fungos, podem ser diferenciados dois tipos de parasitismo: endotrix, onde os artroconídios se localizam somente no interior do pelo, esse causado, por exemplo, por T. tonsurans ; e ectotrix, onde os artroconídios se dispõem no interior e ao redor do fio de cabelo. Podemos citar M. canis e T mentagrophytes como agentes deste tipo de parasitismo pilar. Em cultivo, os dermatófitos, em sua maioria, produzem dois tipos de conídios: macroconídios e microconídios que, juntamente com a característica macroscópica da colônia, vão permitir a identificação das diferentes espécies dos dermatófitos. Os macroconídios são característicos dos seguintes gêneros:
O quadro a seguir mostra as características macro e micromorfológicas que são observadas nas colônias dos principais fungos responsáveis por dermatofitoses.
Fungo dermatófito Macromorfologia^ Micromorfologia
Trichophyton rubrum
Colônia branca, granular ou cotonosa, com pigmento vermelho no verso
Microconídios em gota de lágrima dispostos ao longo da hifa e macroconídios, que quando existem, são comuns do gênero
T. mentagrophytes
Colônia branca, granular ou cotonosa, com pigmento que vai do amarelo ao marrom no verso
Macroconídios do gênero, microconídios redondos numerosos
T. tonsurans
Colônia acastanhada com pigmento vermelho- ferruginoso no verso
Microconídios numerosos e polimórficos, usualmente clavados ou alongados
Microsporum canis
Colônia branca, penugenta com pigmento amarelo alaranjado no verso
Macroconídios fusiformes, multisseptados de paredes rugosas e mais espessas que a dos septos, poucos microconídios
M. gypseum
Colônia pulverulenta de cor camurça, com pigmento pardo no verso
Numerosos macroconídios fusiformes, multissepados, de paredes rugosas e finais poucos microconídios
Epidermophyton flocosum
Colônia membranosa de cor verde-limão
Macroconídios em grupos de três ou mais na extremidade de conidióforos, microconídios inexistentes
A candidíase é micose causada por leveduras do gênero Candida , em especial pela espécie C. albicans. Elas são hóspedes normais do trato gastrintestinal do homem e fazem parte da microbiota de determinadas regiões do tegumento cutâneo. Porém, a Candida pode invadir a camada córnea da pele ou a lâmina ungueal de hospedeiros normais. As lesões têm localização peculiar: nas unhas das mãos e nas áreas intertriginosas da pele (região inguinal, espaços interdigitais das mãos, região submamária e axilar). Também é possível ocorrerem lesões nas unhas dos pés. Há ainda outras micoses de pele e de unha que não são causadas nem por fungos dermatófitos nem por fungos do gênero Candida. Dentre esses fungos destacam-se: Fusarium sp. Scytalidium dimidiatum , e S. hyalinum que podem causar lesões principalmente em unhas e em espaços interdigitais dos pés. Em cultivo, S. dimidiatum se apresenta como colônia cotonosa, branca no início tornando-se cinza a negra em dez dias. Microscopicamente, se compõe de hifas demáceas e hialinas, com artroconídios septados e não septados. S. hyalinum é considerado um mutante de S. dimidiatum incapaz de sintetizar melanina e, com isso, as hifas e os conídios são sempre hialinos. As culturas de Fusarium sp. podem ser as mais variadas possíveis, quanto à macroscopia. Esta dependerá da espécie que causa a lesão. Porém, microscopicamente, o que caracteriza Fusarium sp. é a presença de macroconídios em forma de lua, bi ou trisseptados.
Micoses subcutâneas
A esporotricose tem como agente Sporothrix schenckii. Esse é um fungo dimórfico, logo, muda entre as formas miceliana e leveduriforme, de acordo com a temperatura e as condições do ambiente onde se encontra. Assim sendo, S. schenckii , em parasitismo nos tecidos apresenta-se como elementos leveduriformes bem pequenos, com brotamento geralmente em forma de charuto. Na natureza, em associação a vegetais e madeira, vive na forma filamentosa. A transmissão clássica da esporotricose se dá por traumatismo causado por vegetais onde o fungo se encontra ou pela forma zoofílica, ou seja, através de lesões provocadas por animais infectados por S. schenckii , em especial gatos, como vem ocorrendo no estado do Rio de Janeiro, que é uma área endêmica de esporotricose. A lesão inicial da esporotricose é uma pápula ou nódulo que surge no ponto da inoculação, usualmente localizado nos membros. Desse local o fungo pode propagar-se por contiguidade, determinando uma lesão circunscrita ou por via linfática, ocasionando o aparecimento de nódulos em número variável sobre o trajeto de um linfático superficial. O diagnóstico definitivo se dá com o isolamento em cultivo do fungo em amostras de pus ou biópsia das lesões. Testes de detecção de IgG e IgM em amostras de soro podem auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento terapêutico desta infecção.
As micoses subcutâneas se caracterizam por resultar da inoculação de um fungo patogênico por ocasião de um traumatismo, manifestando-se como tumefação ou lesão supurada da pele ou do tecido subcutâneo, produto da disseminação do fungo por contiguidade ou por via linfática, porém limitada ao território aquém do linfonodo regional.
A cromoblastomicose é uma infecção que se caracteriza pelo aspecto parasitário de seus agentes: o corpo muriforme. Esses são elementos globosos, com parede acastanhada espessa e septados em planos distintos. Podem ser visualizados também elementos não septados e outros com apenas um septo, porém o que caracteriza o corpo muriforme é a presença de septos em planos diferentes. As principais espécies que podem causar cromoblastomicose no ser humano são Fonsecaea pedrosoi , F. compacta , Cladophialophora carrionii , Phialophora verrucosa , e Rhinocladiella aquaspersa. No Brasil, normalmente, os casos dessa micose são causados por F. pedrosoi , após traumatismo com matéria orgânica vegetal. Micetoma é o nome coletivo de micoses produzidas por algumas espécies de fungos ou de actinomicetos aeróbios, os quais, nos tecidos, se organizam em um agregado de hifas ou filamentos bacterianos, denominados grãos. Os agentes de micetoma possuem habitat na natureza associado a vegetais, nutrindo-se de outros vegetais em decomposição ou como fitopatógenos. O micetoma eumicótico se distingue do actinomicótico por ser: causado por um fungo, enquanto o actinomicótico é causado por bactérias filamentosas. Os grãos, de tamanho e forma variados, podem ter coloração branco-amarelada, vermelha ou negra. O que caracteriza a cor de um grão é somente o fungo ou actinomiceto agente da doença. Por isso, a cor do grão obtido das lesões do paciente já fornece um indicativo de qual seja o agente do micetoma. O quadro a seguir relata alguns desses agentes, com o respectivo tipo e coloração dos grãos:
Fungos causadores de micetoma
Grão eumicótico negro Madurella mycetomatis M. grisea Pyrenochaeta romeroi Exophiala jeanselmei
Grão eumicótico branco Acremonium sp. Pseudallescheria boydii (Scedosporium apiospermum) Neotestudina rosatii Aspergillus nidulans (Emerciella nidulans)
Actinomicetos causadores de micetoma
Grão actinomicótico vermelho Actinomadura pelletieri
Grão actinomicótico branco Actinomadura madurae Nocardia brasiliensis N. asteroides, N. caviae Streptomyces somaliensis
Há outras micoses subcutâneas de interesse, como a lobomicose e a entomoftoramicose. No entanto, a esporotricose, cromoblastomicose e micetomas são as mais comuns no Brasil.
Miscoses sistêmicas e oportunísticas
Ao invadir os tecidos, os fungos desencadeiam resposta imunológica no hospedeiro, que pode ser evidenciada por reação intradérmica, na qual se verifica a resposta celular dada pelo hospedeiro, por reações de hipersensibilidade tardia e por provas de detecção de anticorpos em amostras de soro (imunodifusão dupla e fixação do complemento), onde é avaliada a resposta humoral. Uma reação intradérmica positiva evidencia que o indivíduo já foi previamente sensibilizado pelo fungo e as provas sorológicas indicam que há anticorpos contra o fungo. Porém, as provas sorológicas podem fornecer resultado falso-positivo e falso-negativo, visto que podem ocorrer reações cruzadas com outros anticorpos na prova aplicada. As provas sorológicas auxiliam no diagnóstico de micoses sistêmicas, mas o que realmente diagnostica a doença é o isolamento do fungo em cultivo ou sua observação no exame micológico direto dos materiais adequados para o exame, tendo as provas imunológicas valor diagnóstico presuntivo. As provas imunológicas são úteis para avaliações epidemiológicas, para avaliação prognóstica e para a triagem de pacientes. As reações intradérmicas apresentam valor diagnóstico baixo, uma vez que não discriminam entre infecções passadas ou recentes. Porém, são de grande valor nos estudos epidemiológicos. As micoses sistêmicas são a coccidioidomicose, a blastomicose, a histoplasmose, e a paracoccidioidomicose. As duas primeiras não são comuns no Brasil, embora sejam relatados casos de coccidioidomicose no semiárido do Nordeste, em especial no Piauí em caçadores de tatus, que revolveram o solo para desentocar a caga. Há também a esporotricose sistêmica, que é resultado da inalação de conídios de S. schenckii os quais vão causar infecção pulmonar que pode sistematizar-se. Este tipo de apresentação clínica da esporotricose é bastante raro. O aspecto macro e micromorfológico do fungo é o mesmo do agente da esporotricose subcutânea. A histoplasmose é uma infecção sistêmica, causada por Histoplasma capsulatum var. capsulatum ou H. capsulatum var. duboisii. Enquanto o primeiro agente tem distribuição cosmopolita, o outro tem sua distribuição geográfica restrita ao continente africano. O cultivo de H. capsulatum à temperatura ambiente é constituído de colônia branca que, quando muito velha, assume coloração camurça. O crescimento do fungo é bem lento. Microscopicamente se observam hifas finas e delicadas e conídios de dois tipos. Os macroconídios esféricos e tuberculados são estruturas marcantes para a identificação do fungo. Porém, a presença de microconídios esféricos é necessária para a correta identificação do agente, pois há alguns fungos saprófitas, pertencentes ao gênero Chrysosporium , que também produzem estruturas de propagação semelhantes. Deve-se, para a correta identificação do agente da histoplasmose, realizar a conversão desse fungo para a fase leveduriforme em meios enriquecidos com incubação a 37°C. Todavia, a conversão de H. capsulatum não é facilmente obtida e depende também das características fisiológicas de cada isolado. Quando convertidos à fase leveduriforme observam-se colônias glabras, lisas, branco- amarelada, e na microscopia notam-se leveduras ovais e unibrotantes. A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica causada por Paracoccidioides brasiliensis , caracterizada pela forma parasitária do seu agente: célula leveduriforme mutibrotante com parede celular birrefringente. É a micose
As micoses sistêmicas se caracterizam por serem adquiridas por inalação de propágulos fúngicos, sendo, consequentemente a lesão primária pulmonar, com tendência à regressão espontânea. O fungo pode se disseminar pelo corpo através do sangue, originando lesões extrapulmonares nos indivíduos. Os agentes de micoses sistêmicas raramente são implantados traumaticamente; quando isso ocorre, determinam uma lesão granulomatosa circunscrita, com ou sem linfangite regional, que regride espontaneamente.