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artigo extremamente válido, para quem quer entender mais sobre fusões e aquisições de empresas. Diferenças, técnicas de defesa, sinergias etc..
Tipologia: Notas de estudo
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Marcos Antônio de Camargos Administrador de Empresas, MBA em Gestão Estratégica (Finanças) e Mestre em Administração pelo NUFI/CEPEAD/FACE/UFMG e professor do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH E-mail : [email protected]
Francisco Vidal Barbosa Engenheiro pela UFF, Mestre em Administração pela UFMG, Ph. D. em Ciências das Organizações e Pós-doutor pela Universidade de Harvard Professor Adjunto do NUFI/CEPEAD/FACE/UFMG E-mail : [email protected]
A teoria das fusões e aquisições ainda carece de maior compreensão e sistematização para que resulte em uma teoria geral, com sustentação e contextualização entre outras teorias econômico- administrativas. Este artigo tem por objetivo proporcionar um melhor entendimento sobre o tema e a maneira pela qual pode ser abordado empiricamente. Para isso, são descritos alguns aspectos teóricos intrínsecos à atividade de fusões e aquisições, seus fundamentos e motivos subjacentes. A partir de pesquisas na literatura econômico-financeira, foram enunciadas hipóteses testáveis empiricamente e analisados seus resultados. As evidências sugerem que: as fusões e aquisições ocorrem visando tanto à maximização da riqueza dos acionistas quanto à maximização da utilidade gerencial; pode existir ou não sinergismo nessas operações; a informação nova liberada ao mercado e suas possíveis interpretações por parte dos investidores gera retornos anormais positivos; firmas de maior porte recebem a maior parte dos ganhos; e investidores conseguem obter retornos iguais ou superiores aos de firmas combinadas (diversificadas) em investimentos na proporção adequada de ações de diferentes firmas.
PALAVRAS-CHAVE : Fusões e Aquisições, Transferência de Controle, Teoria da Firma, Teoria da Agência
Mergers and acquisitions theory still lacks a comprehensive understanding and organization to formulate a general theory for support and for relating it to other economic and administrative theories. The article contributes to this better understanding and to how this may be approached empirically. Some intrinsic theoretical aspects of mergers and acquisitions are described together with basic premises and underlying reasons. Economic and financial literature is used to develop empirical hypotheses whose results are analyzed. Evidence suggests that mergers and acquisitions seek to maximize shareholders’ participation as well as to provide peak managerial effectiveness and may or may not include synergism. New information disclosed to the market as well as interpretations on the part of the investors generate abnormally high returns. The larger companies receive most of the profits and investors manage to obtain returns equal or greater than those of the combined (diversified) companies by, in a suitable proportion, investing in the stock of the separate companies.
KEY WORDS : Mergers and acquisitions, Takeovers, Theory of the company, Agency theory.
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
A atividade de fusões e aquisições (F&A) ainda não está totalmente assimilada e sedimentada em uma teoria geral que lhe sirva de suporte. Segundo KLOECKNER (1994), o que existe é um conjunto de explicações que se propõe conferir-lhe legitimidade, derivado de alguns aspectos das teorias da empresa, principalmente da Teoria da Firma e da Agência.
São várias as Ciências Sociais Aplicadas que têm as F&As como objeto de estudo: Contabilidade, Direito, Economia, Administração (com destaque para Finanças e Estratégia) e Política de Negócios, entre outras, nenhuma delas apresentando uma dominância ou legitimidade sobre as demais. Cada uma aborda essa atividade com teorias e evidências empíricas subjacentes – que a justificam e proporcionam um melhor entendimento sobre ela –, de grande relevância para a regulação de tais atos de concentração e para a tomada de decisões empresariais.
Os processos de F&As constituem uma maneira rápida de uma firma crescer, entrar em mercados, defender-se de aquisições indesejadas, aproveitar oportunidades de investimento, ou até mesmo de alguns participantes desses processos lucrarem às expensas de outros.
As origens da atividade de F&As remontam ao final do século XVIII e início do século XIX, quando a Revolução Industrial desencadeou um processo de concentração de capitais e reestruturação patrimonial sem precedentes, o qual, por meio de movimentos cíclicos (ondas), vem definindo e caracterizando o sistema de produção predominante, o Capitalismo.
A importância deste artigo está na ênfase dada à identificação dos motivos subjacentes a uma F&A, isto é, dos fatores que determinam a sua ocorrência e sucesso; no levantamento de hipóteses testáveis empiricamente, enunciadas a partir desses motivos; e na análise e descrição de pesquisas empíricas da literatura econômico-financeira internacional. Foi desenvolvido de forma que possa vir a ser fonte de referência e de inspiração para pesquisas futuras no mercado brasileiro, que ainda apresenta um número reduzido delas quando o tema é o das F&As. Destarte, este artigo tem por objetivo proporcionar um melhor entendimento sobre a atividade de F&As e de como esta pode abordada empiricamente. Apresenta a seguinte estrutura: na primeira seção disserta-se sobre aspectos intrínsecos às F&As, como evolução (ondas), conceitos, tipos, takeovers e estratégias de defesa. Na seção 2 são descritos os fundamentos e os motivos subjacentes a essas operações e, com base na literatura econômico-financeira, são enunciadas hipóteses testáveis com dados empíricos. Na seção 3 são sintetizadas e analisadas evidências empíricas, a partir das quais são feitas algumas considerações na seção 4.
1.1. Evolução da atividade de fusões e aquisições A evolução da atividade de F&As é perpassada por movimentos cíclicos (ondas), nos quais períodos de maior e menor intensidade dessa atividade se sucedem. A literatura econômico- financeira internacional, baseada principalmente no mercado norte-americano, assinala quatro ondas de F&As, as quais desempenharam um papel relevante, em âmbito mundial, na concentração de capitais, na reestruturação patrimonial e na consolidação de setores econômicos, descritas na Tabela 1.
Tabela 1: Ondas de Fusões e Aquisições
Onda Características
The Great Merger Wave (1887-1904)
Iniciada com a recuperação da depressão mundial de 1883, perdurou até a depressão de
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
ações, dando origem a uma outra firma, enquanto na aquisição ocorre a compra de uma firma por outra, e somente uma delas mantém a identidade.
Dessas definições podem-se depreender algumas distinções básicas entre fusão ou consolidação e aquisição: a) em uma fusão seguida de uma consolidação há a criação de uma nova firma, enquanto na aquisição uma das empresas envolvidas mantém a sua identidade jurídica; b) na fusão, a forma de pagamento utilizada é uma permuta de ações, enquanto na aquisição a forma de pagamento pode ser dinheiro, ações, títulos; c) na fusão, as firmas geralmente são do mesmo setor, têm a mesma atividade-fim, enquanto nas aquisições é comum as firmas serem de setores diferentes.
1.3. Tipos de fusão ou aquisição
Segundo ROSS, WESTERFIELD e JAFFE (1995), uma fusão ou uma aquisição podem ser:
1.4. Formas de aquisição e transferência ou tomada de controle ( takeover ) Os estatutos corporativos exigem que propostas de compra (F&A) sejam aprovadas por acionistas majoritários das firmas-alvo, com a porcentagem de votos a favor variando de 50 a 66,66%. Além disso, a proposta deve ser aprovada pelo quadro de diretores dessas firmas, o qual tem o poder de vetá- la ou aprová-la (DODD, 1980).
Uma fusão ou consolidação é um dos métodos pelos quais uma firma pode adquirir outra. Além de ser feita por fusão, a aquisição pode ocorrer por meio da compra de ações ou ativos, mediante pagamento em dinheiro, ações ou títulos, via bolsa de valores; oferta privada da administração da firma adquirente à administração da firma a ser adquirida; ou mediante uma oferta pública de compra ( tender offer ), feita pela firma adquirente diretamente aos acionistas da outra. HUANG e WALKLING (1987) destacam que a escolha entre fusão e proposta pública de compra em uma aquisição é motivada pelos custos, os quais estão associados ao prêmio requerido pelo controle exigido pela administração da firma-alvo. Historicamente, propostas públicas de compra têm sido associadas com pagamento em dinheiro, e fusões, com pagamento em ações. Dependendo da forma como a fusão ou aquisição é conduzida, ela pode ser hostil ( hostile takeover ) ou amigável ( friendly takeover ). As amigáveis podem ser definidas como uma mudança na propriedade corporativa sem uma mudança acompanhante no controle administrativo, enquanto as não amigáveis podem ser definidas como um lance de tomada de controle não solicitado, que resulta na substituição da administração da firma- alvo (HIRSCHEY, 1986). Segundo MANNE (1965), a tomada de controle ( takeover ) é mais atrativa e mais cara. Ele aponta três mecanismos para se tomar o controle de corporações: a) brigas por procuração: é o mecanismo mais dramático, caro, incerto, e o menos utilizado. Requer aprovação explícita de dirigentes e controladores da firma, o que é dificultado pelos estatutos; b) compra direta de ações: compra do número mínimo necessário de ações no mercado de capitais; c) fusão: definida como a aquisição geralmente paga via ações da firma adquirente, mais do que em dinheiro. É o mecanismo mais eficiente para a tomada de controle corporativo e, por conseqüência, de considerável importância para a proteção de acionistas individuais não controladores, além de desejável do ponto de vista do bem-estar econômico, por evitar bancarrotas.
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
As formas de transferência de controle podem ser visualizadas na Figura 1.
O mecanismo de fechamento de capital ( Leveraged ou Management Buyout – LBO ou MBO) envolve a aquisição da firma pela própria administração, numa operação altamente alavancada, que constitui também uma estratégia de defesa contra takeovers hostis.
Os custos, dificuldades práticas e conseqüências legais desses mecanismos variam amplamente. A seleção de uma em detrimento de outra ou alguma combinação dessas técnicas freqüentemente representam uma difícil decisão estratégica (MANNE, 1965).
FIGURA 1: Formas de Transferência de Controle
Fonte: Adaptado de ROSS, WESTERFIELD e JAFFE (1995:589).
1.5. Estratégias de Defesa
A literatura econômico-financeira apresenta um número variado de mecanismos e terminologias envolvendo estratégias de defesa contra F&As hostis, as quais, segundo HUANG e WALKLING (1987), estão associadas à tentativa dos acionistas de resistir a uma proposta de aquisição, uma vez que essa resistência pode resultar em prêmios mais elevados, associados a um impacto positivo no preço (hipótese da maximização da riqueza dos acionistas) e a esforços dos administradores em preservar os seus empregos (maximização da sua utilidade gerencial).
HIRSCHEY (1986), HUANG e WALKLING (1987), BREALEY e MYERS (1995), ROSS, WESTERFIELD e JAFFE (1995) e WESTON e BRIGHAM (2000), apresentam as seguintes estratégias de defesa:
ações para tentativas de takeovers , entre outros requerimentos que os dificultam;
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
Preocupada com as conseqüências dessa separação entre propriedade e controle, a Teoria da Agência surge como um desenvolvimento da Teoria da Firma. Ela constitui um corpo de conhecimentos que estuda os efeitos econômico-financeiros decorrentes da delegação do poder de decisão na firma. Trata-se de uma teoria que oferece um arcabouço lógico para se compreender e modelar os problemas que podem surgir nos relacionamentos em que existe uma delegação de poder decisório implícita ou explícita, formal ou informal (LAMB, 1992).
JENSEN e MECKLING (1976) formalizaram matemática e economicamente a Teoria da Agência, utilizando-se largamente do conceito da Curva de Utilidade da Microeconomia. Além desse novo enfoque, desenvolveram alguns aspectos do comportamento dos agentes e do principal, de grande valia para a Administração, e forneceram uma nova abordagem para a Teoria da Estrutura de Capital, principal debate teórico desde MODIGLIANI e MILLER (1958) 1 , denominada por eles de Estrutura de Propriedade ( Ownership Structure ). Na visão de JENSEN e MECKLING (1976), o pressuposto básico subjacente à Teoria da Agência é o de que as grandes firmas (sociedades por ações) constituem um conjunto de contratos cujo objetivo é o de maximizar a riqueza dos acionistas. Esses contratos são firmados entre um agente interno (administrador) e um agente externo ou principal (acionistas), e estão associados de alguma forma à delegação de poder.
Para esses autores, é quase impossível assegurar que o agente tome a decisão ótima do ponto de vista do principal. Essa divergência leva ao surgimento de um custo, denominado de perda residual: o principal consegue o maior lucro possível, mas não o lucro máximo, em decorrência do fato de essa perda ser inevitável. Os custos de agência resultam da soma dos seguintes custos: custo de monitoração do principal, custo de demonstração do agente e custo residual.
FAMA (1980) conciliou a teoria desses autores com a teoria de carteiras desenvolvida por
(^1) A teoria desenvolvida por MODIGLINI e MILLER (1958)
substituiu o paradigma existente e tornou-se um marco de referência na teoria econômico-financeira. O argumento central da teoria desses autores era o de que não existe uma estrutura ótima de capital maximizadora do valor de mercado da firma.
MARKOWITZ (1952) 2. Ele argumentou que as firmas podem ser maneiras eficientes de se organizar economicamente os recursos de produção, mesmo aquelas nas quais é completa a separação entre propriedade e controle. Nesses casos, acionistas e administradores buscariam a eficiência em suas atividades e investimentos de acordo com suas perspectivas e interesses. Os acionistas conseguiriam eliminar o risco específico do investimento (não sistemático) pela sua divisão em ações de diferentes firmas (diversificação). De acordo com esse argumento, as F&As não constituem atividades racionais de investimento, dado o elevado nível de risco que as perpassa. Um investidor racional conseguiria obter retornos iguais ou maiores aos de firmas combinadas, pela pulverização do seu investimento em várias firmas. Já os administradores seriam levados a buscar a eficiência em suas atividades em razão da existência dos seguintes mecanismos disciplinadores: competição gerencial (interna e externa à firma); mercado de capitais (monitora o desempenho atual e futuro da firma); mercado de projeto (mercado informacionalmente eficiente); mecanismo de takeovers (no sentido de que, se este ocorrer, o dirigente certamente perderá o seu emprego). JENSEN (1986) assinala que os administradores são incentivados a levar suas firmas a um crescimento além do tamanho ótimo, pois o aumento de recursos sob seu controle aumenta o seu poder e suas compensações. Segundo MARRIS (1963), com a separação entre a propriedade e o controle, a maximização do lucro da firma deixa de ser o objetivo principal dos administradores, assumindo o seu lugar a maximização da sua utilidade gerencial. Conseqüentemente, ao invés de procurar por empregos em organizações maiores, os gerentes concentram seus esforços no crescimento das firmas por eles administradas, pois este agrega tanto componentes de tamanho como de segurança. Estão, assim, mais preocupados com a alta taxa de crescimento da firma do que com a rentabilidade desta.
(^2) MARKOWITZ (1952) desenvolveu a Teoria de Portfólios (carteiras), que tinha como questão central encontrar melhores combinações de ativos de mercado na formação de portfólios que maximizassem o retorno para um dado nível de risco (fronteira eficiente).
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
MANNE (1965) fornece outra teoria sobre os motivos das F&As, a Teoria do Mercado de Controle Corporativo, segundo a qual somente o takeover fornece garantias de eficiência competitiva da administração corporativa, protegendo os acionistas minoritários e minimizando os interesses conflitantes existentes dentro das firmas. De acordo com a Teoria dos Fluxos de Caixa Livres (fluxos de caixa excedentes após o financiamento de todos os projetos que apresentem VPL positivo), é mais provável que F&As destruam do que criem valor, o que mostra que essas operações são tanto evidência dos conflitos de interesses existentes, como a solução para o problema. Destarte, essa teoria postula que as aquisições constituem uma maneira de os administradores gastarem dinheiro ao invés de distribuí-los aos acionistas. Administradores que não utilizam o poder de empréstimos e os fluxos de caixa livres possivelmente obterão baixos benefícios ou destruirão valor em F&As. Quanto maior os fluxos de caixa livres, mais discricionário é o comportamento do agente e maiores são os custos de agência do capital próprio. Uma forma de minimizar esses conflitos seria a redução desses fluxos de caixa livres sob controle do administrador por meio do uso de dívidas, que são uma motivação para que os administradores e suas firmas sejam eficientes (JENSEN, 1986). Segundo KLOECKNER (1994), a separação entre propriedade e controle permitiu um comportamento não maximizador por parte das grandes companhias. Assim, as F&As podem ocorrer visando ao aumento do bem-estar dos diretores das firmas adquirentes, mesmo que a operação de fusão ou compra cause impacto negativo no valor de mercado de suas ações, em detrimento de F&As que visem à substituição de diretores que não estejam maximizando o valor de mercado de suas firmas.
2.1. Motivos para fusões e aquisições
Segundo SCHERER e ROSS (1990), as F&As ocorrem por várias razões e, em qualquer processo, vários motivos diferentes influenciam simultaneamente o comportamento das partes envolvidas. Para FIRTH (1980), a maioria desses motivos estão fundamentados nas seguintes teorias da firma:
(^3) Sugerido inicialmente por MUELLER (1969), sob o nome de Hipótese da Maximização do Crescimento. (^4) Motivo que rompe com a premissa das expectativas homogêneas sobre os fluxos de caixa futuros da firma, de modelos de equilíbrio de mercado como o CAPM - Capital Asset Pricing Model.
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
compensados com as perdas dos acionistas adquirentes, o que anula as expectativas de perdas ou de ganhos líquidos. Assim, uma F&A não deve impactar as ações das firmas envolvidas, em virtude da compensação de ganhos e perdas dos acionistas-alvo e adquirentes, respectivamente;
mercado de capitais reagirá eficientemente às informações sobre uma possível F&A (MANDELKER, 1974). Isto é, em um mercado de capitais informacionalmente eficiente podem existir ganhos ou perdas tanto para firmas adquirentes quanto para firmas-alvo, em razão do novo patamar de ajuste dos preços e dos motivos por trás da negociação (o que importa é a velocidade e a acurácia do ajuste);
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(^7) Para maiores detalhes desta hipótese, ver LINTNER (1971).
(^8) Para maiores detalhes sobre a HEM e pesquisas empíricas, ver: FAMA, E. F. Efficient capital markets: a review of theory and empirical work. The Journal of Finance , Chicago: American Finance Association, v. 25, n. 2, p. 383-417, May 1970; e FAMA, E. F. Efficient capital markets II. The Journal of Finance , Chicago: American Finance Association, v. 46, n. 5, p. 1575-1617, Dec. 1991.
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
Tabela 2: Resumo das hipóteses e seus efeitos sobre os preços das ações de firmas-alvo e de adquirentes
Hipótese Adquirente Alvo
H 1 - Hipótese da maximização da riqueza dos acionistas + +
H 2 - Hipótese da maximização da utilidade gerencial - +
H 3 - Hipótese dos ganhos operacionais (sinergias)
H 4 - Hipótese da informação nova
H 5 - Hipótese da Eficiência de Mercado (HEM) + ou - + ou -
H 6 - Hipótese da divisão dos ganhos
H 7 - Hipótese da diversificação 0 ou - 0 ou -
(+) efeito positivo; (-) efeito negativo; (0) sem efeito. Fonte: Adaptado de KLOECKNER (1994).
Em Finanças, apesar da existência de diferentes abordagens dos processos de F&As, observa-se o predomínio, na literatura econômico-financeira dos últimos 20 anos, de questões envolvendo o impacto desses processos no valor de mercado das firmas envolvidas.
MACKINLAY (1997) assinala que, nesse período, um enorme corpo de evidências empíricas sobre F&As foi desenvolvido, no qual predominou
a metodologia de “Estudos de Evento”^9. Os resultados, de maneira geral, sugerem que em um takeover de sucesso os retornos anormais das firmas-alvo são elevados e positivos, enquanto os retornos anormais das firmas adquirentes são próximos de zero. Segundo FIRTH (1980), no exame da rentabilidade dos processos de F&As é comum usar a Teoria da Eficiência de Mercado, pelo fato de esta fornecer uma medida dos retornos dos acionistas. Considerando-se um mercado eficiente, pode-se medir o movimento dos preços de ações em dias
(^9) Metodologia que avalia a extensão com que o desempenho dos preços de títulos de uma firma em dias próximos a um evento específico tem sido anormal (MACKINLAY, 1997).
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
Autor(es)/ Ano/ Mercado
Período / Dados / Metodologia 10
Hipótese Testada
Considerações / Conclusões
Ellert (1976) (EUA)
1950 a 1972 (mensais) (Estudo de Evento)
H 4 e H 5 em fusões contestadas legalmente
Os acionistas de firmas grandes indiciadas nas leis antifusão obtêm retornos anormais de aproximadamente 23% em média, em relação aos 8 anos anteriores à contestação. Os ganhos acumulados declinaram para menos de 2% no anúncio da contestação da fusão, o que representa um ajuste eficiente e racional dos preços ao conteúdo informacional de uma fusão contestada.
Firth (1978) (UK)
1972 a 1974 (mensais ) (Estudo de Evento)
H 3 e H 4 em fusões
Não existe sinergismo em fusões. O único resultado significante das fusões foi o aumento no tamanho das empresas e uma pequena evidência de que algumas mudanças nas distribuições subjacentes resultam em taxas de retorno positivas.
Kummer e Hoffmeiste r (1978) (EUA)
Jan./58- jun./ (mensais) (Estudo de Evento)
em tender offers exitosas e fracassadas
Firmas sujeitas a takeovers têm baixos retornos anormais anteriores ao anúncio destes, reflexo de ganhos não realizados pela substituição de administradores. O takeover dessas firmas é consistente com um mercado de controle corporativo que leve à utilização eficiente de recursos. Takeovers aumentam a riqueza tanto das firmas-alvos como das adquirentes. Os resultados são consistentes com a alocação de recursos, isto é, o mercado antecipou corretamente o eventual impacto das fusões (mercado eficiente).
Dodd (1980) (EUA)
Jan./70- dez./ (diários) (Estudo de Evento)
H 4 em propostas de fusões
Existe uma reação positiva rápida e elevada do mercado para propostas completadas, e uma reação negativa para propostas canceladas. Existe uma valorização das ações da firma-alvo, contrária à de propostas canceladas que os administradores não vetam, nas quais o preço das ações-alvo retraem ao nível da pré-proposta.
Bradley (1980) (EUA)
jul./62- jul./ (diários) (Estudo de Evento)
H 4 em tender offers
Em média, nas tender offers , os acionistas de ambas as firmas (adquirente e adquirida) obtêm um ganho significativo de capital; firmas adquirentes sofrem uma perda significativa de capital nas ações das firmas-alvo que elas compram; acionistas de firmas-alvo obtêm ganhos elevados de capital em fusões e tender offers.
Firth (1980) (UK)
1969 a 1975 (mensais) (Estudo de Evento)
H 1 e H 2 em fusões e takeovers
Fusões e takeovers foram benéficos para os acionistas das firmas adquiridas e para os administradores adquirentes, com pequenas perdas para os acionistas das firmas adquirentes. Os takeovers são motivados mais pela maximização da utilidade gerencial do que pela maximização da riqueza dos acionistas.
Asquith (1983) (EUA)
Jul./62- dez./ (diários) (Estudo de Evento)
H 4 e H 5 em fusões exitosas e fracassadas
Aumentos nos lucros beneficiam tanto acionistas alvo quanto adquirentes. O mercado de capitais consegue antecipar prováveis firmas alvos de fusão antes do seu anúncio (isto é, o mercado é eficiente). Em razão disso, estudos anteriores subestimaram as reações do mercado nessas operações.
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
Autor(es)/ Ano/ Mercado
Período / Dados / Metodologia 10
Hipótese Testada
Considerações / Conclusões
Asquith, Bruner e Mullins Jr. (1983) (EUA)
1955 a 1979 (diários) (Estudo de Evento)
H 1 , H 4 e H 6 em fusões
Firmas adquirentes obtêm ganhos elevados durante 21 dias, contados a partir do anúncio de suas quatro primeiras propostas de compra. Retornos anormais estão positivamente relacionados ao tamanho relativo das firmas envolvidas na fusão; ganhos durante o período do anúncio são maiores para fusões que obtêm êxito. Conclusões foram consistentes com a Hipótese da Maximização da Riqueza. Bradley, Desai e Kim (1983) (EUA)
1963 a 1980 (mensais) (Estudo de Evento)
H 3 e H 4 em tender offers exitosas e fracassadas
Encontraram uma valorização positiva de ações de firmas-alvo cujas tender offers não obtiveram êxito. A rejeição de uma tender offer tem efeitos diferenciados nos preços das ações das firmas, dependendo de ela ter influência em uma mudança no controle dos recursos da firma-alvo. As aquisições via tender offers são tentativas das firmas adquirentes de explorar sinergias e não apenas informações superiores, considerando- se o valor dos recursos da firma-alvo. DeAngelo e Rice (1983) (EUA)
1974 a 1979 (diários) (Estudo de Evento)
H 1 e H 2 em takeovers
Encontraram fraca evidência, o que corrobora a hipótese de que as emendas de suporte contra takeovers são melhor explicadas como um mecanismo de fortalecimento gerencial; os mecanismos antitakeovers são adotados porque os administradores procuram proteção para seus trabalhos às expensas dos acionistas, ao invés de procurar prêmios maiores que beneficiem estes últimos. Eckbo (1983) (EUA)
1963 a 1978 (diários)
H 6 em fusões horizontais
Não encontrou evidências de que os efeitos na riqueza de firmas competidoras fossem diferentes, e de que firmas rivais fusionando-se horizontalmente obtinham retornos negativos. Encontrou pouca evidência de que fusões têm efeitos-colisão e anticompetitivos. Malatesta (1983) (EUA)
1969 a 1974 (mensais) (Estudo de Evento)
H 3 e H 4 em fusões
Os retornos anormais acumulados no longo prazo na riqueza são negativos para firmas adquirentes e adquiridas, mas não significantes para estas últimas. O impacto imediato da própria fusão é positivo e elevado nas firmas adquiridas, mas maior em valor absoluto e negativo nas firmas adquirentes. Schipper e Thompson (1983) (EUA)
1952 a 1969 (mensais) (Estudo de Evento)
H 4 em fusões e aquisições
Atestaram a hipótese de que as aquisições têm um impacto favorável (retornos positivos) ex ante no valor das firmas, e que algumas alterações nas leis antitruste reduzem a expectativa de lucros de futuras aquisições. Wier (1983) (EUA)
dez./62- mar./ (diários) (Estudo de Evento)
H 3 em fusões Quando as aquisições são canceladas obedecendo a impedimentos antifusões, as perdas para firmas-alvo são substanciais e compensam completamente os ganhos gerados quando as aquisições são propostas.
Marcos Antônio de Camargos e Francisco Vidal Barbosa
Autor(es)/ Ano/ Mercado
Período / Dados / Metodologia 10
Hipótese Testada
Considerações / Conclusões
Switzer (1996) (EUA)
1697 a 1987 (anuais) (regressão de fluxos de caixa)
H 3 em fusões O desempenho de firmas fusionadas melhorou após a sua combinação. Encontrou uma associação positiva entre a reavaliação anormal das firmas envolvidas no período do anúncio e as mudanças no desempenho operacional observado. Os takeovers são motivados por expectativas de melhoras operacionais (ganhos sinérgicos). Denis, Denis e Sarin (1997) (EUA)
1984 a 1985 (dados anuais)
em fusões e aquisições
A diversificação está negativamente associada à propriedade de ações pela administração e por grandes investidores externos à firma. Reduções na diversificação estão associadas a ameaças de controle corporativo externo, dificuldades financeiras e mudanças no quadro administrativo. Problemas de agência são responsáveis pela manutenção de estratégias que reduzem o valor das firmas. A recente tendência para o aumento do foco corporativo é atribuível às forças disciplinadoras do mercado. Ghosh e Ruland (1998) (EUA)
1981 a 1988 (anuais) (Regressão Multivariada)
H 2 em aquisições
Encontraram associação forte e positiva entre a propriedade administrativa de firmas-alvo e a probabilidade de aquisições via ação, o que indica que administradores dessas firmas têm maior probabilidade de se manter em seus empregos após a aquisição quando recebem ações ao invés de dinheiro. Maquieira, Megginson e Nail (1998) (EUA)
Jan./63- dez./ (diários)
H 3 e H 4 em fusões
Não encontraram evidências de que fusões em conglomerado criam sinergias financeiras ou beneficiam credores às expensas de acionistas. Acionistas da firma adquirente perdem, enquanto todos os demais portadores de títulos das firmas nem ganham nem perdem. Rau e Vermaelen (1998) (EUA)
Jan./80- dez./ (mensais) (Estudo de Evento)
H 3 em fusões e tender offers
Acionistas adquirentes, em fusões, tiveram um desempenho ruim nos três anos seguintes à aquisição, enquanto os de tender offers obtiveram um pequeno retorno anormal positivo, mas estatisticamente significante.
Ely e Song (2000) (EUA)
1989 a 1995 (anuais) (análise fatorial)
H 1 em aquisições
Os resultados empíricos foram consistentes com a hipótese da maximização da riqueza para acionistas adquirentes. Os benefícios estão associados mais às estratégias de expansão implementadas via grandes aquisições do que via várias aquisições de pequeno porte. Song e Walkling (2000) (EUA)
Jan./82- dez./ (mensais)
H 4 em aquisições
Firmas rivais obtêm retornos anormais positivos, desconsiderando-se a forma e o resultado da aquisição, os quais aumentam significativamente com a magnitude da surpresa ante a aquisição inicial. As firmas rivais que subseqüentemente se tornaram alvos, obtiveram retornos anormais mais elevados nos dias próximos ao anúncio.
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
Autor(es)/ Ano/ Mercado
Período / Dados / Metodologia 10
Hipótese Testada
Considerações / Conclusões
Ghosh (2001) (EUA)
1981 a 1995 (anuais) (Análise de regressão)
H 3 em aquisições
Não encontrou evidências de melhora no desempenho operacional após aquisições. Conclui que o desempenho era melhor em aquisições em dinheiro e que os fluxos de caixa aumentam nessas aquisições e reduzem em aquisições via ações. Graham, Lemmon e Wolf, (2002) (EUA)
1980 a 1995 (diários) (Estudo de Evento)
H 4 e H 7 em fusões e aquisições
A reação combinada de mercado para anúncios de aquisição é positiva mas o excesso de firmas adquirentes declina após o evento da diversificação. Muito da redução desse excesso acontece porque as empresas da amostra adquirem unidades empresariais já descontadas, e não porque a diversificação destrói valor.
3.1. Análise dos resultados da amostra de evidências empíricas Em conformidade com MACKINLAY (1997), a amostra de pesquisas analisadas apresentou uma preponderância da metodologia Estudos de Evento (23 das 34).
Para ASQUITH, BRUNER e MULLINS JR. (1983) e ELY e SONG (2000), as F&As analisadas ocorreram visando à maximização da riqueza dos acionistas, isto é, tanto acionistas-alvo como adquirentes ganharam com a união de suas firmas. Para FIRTH (1980), DEANGELO e RICE (1983) e DENIS, DENIS e SARIN (1997), no entanto, as F&As analisadas beneficiaram os acionistas-alvo em detrimento dos acionistas adquirentes.
Para FIRTH (1980), DEANGELO e RICE (1983), MORCK, SHLEIFER e VISHNY (1990), DENIS, DENIS e SARIN (1997) e GHOSH e RULAND (1998), os processos de F&A tiveram por objetivo a maximização da utilidade gerencial, enquanto HALPERN (1973) e KUMMER e HOFFMEISTER (1978) rejeitaram H 2. Tais evidências sugerem que, em muitos casos, essas operações ocorrem em virtude do interesse de administradores em controlar maior quantidade de recursos (firmas maiores), pois isso aumenta a dependência das firmas para com seus conhecimentos e habilidades e, conseqüentemente, os seus níveis de compensação e de benefícios, mesmo que os ganhos oriundos da união das firmas sejam totalmente compensados pelos prêmios pagos na negociação, o que representa uma transferência
direta da riqueza dos acionistas adquirentes para os acionistas-alvo. BRADLEY, DESAI e KIM (1983) e (1988), WIER (1983), KAPLAN (1989) e SWITZER (1996) concluíram pela existência de ganhos operacionais nos processos de F&A, enquanto HAUGEN e LANGETIEG (1975), FIRTH (1978), MALATESTA (1983), MAQUIEIRA, MEGGINSON e NAIL (1998), RAU e VERMAELEN (1998) e GHOSH (2001) não encontraram evidências de tais ganhos. Isso significa que a hipótese de que as F&As resultem em ganhos operacionais tanto para acionistas adquirentes como para acionistas-alvo em caso de sucesso, e de perdas para ambos em caso de fracasso nas negociações, parece não encontrar suporte empírico nas evidências analisadas, uma vez que estas sugerem a não-existência de sinergismo nessas operações ou, no caso de sua existência, somente os acionistas-alvo lucram, o que indica que a negociação resultou em uma substituição de diretorias ineficientes nas firmas- alvo. Para HALPERN (1973), MANDELKER (1974), ELLERT (1976), KUMMER e HOFFMEISTER (1978), BRADLEY (1980), ASQUITH (1983), ASQUITH, BRUNER e MULLINS JR. (1983), BRADLEY, DESAI e KIM (1983), MALATESTA (1983), SCHIPPER e THOMPSON (1983), HUANG e WALKLING (1987), FRANKS e HARRIS (1989), VIJH (1994), SONG e WALKLING (2000) e GRAHAM, LEMMON e WOLF (2002), os anúncios de F&As pesquisados
Fusões, aquisições e takeovers: um levantamento teórico dos motivos, hipóteses testáveis e evidências empíricas
por parte dos diversos participantes do mercado geram retornos anormais positivos; que os mercados pesquisados, de uma forma geral, são eficientes no que se refere à velocidade de incorporação de novas informações aos preços dos títulos; que firmas maiores recebem a maior parte dos ganhos e que investidores conseguem obter retornos iguais ou superiores aos de firmas combinadas (diversificadas) em investimentos, na proporção adequada de ações de diferentes firmas, o que indica que, do ponto de vista da Teoria de Finanças, as F&As que visem somente à diversificação não são alternativas legítimas ou racionais de investimento.
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