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O dinheiro digital, como é o caso da Bitcoin, é uma realidade há muitas décadas; cada vez mais, o dinheiro está a desmaterializar-se: veja-se o exemplo da ...
Tipologia: Exercícios
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Índice
O que é?
Uma criptomoeda é um código de computador gerado por um software disponível publicamente, permitindo a guarda e a realização de transferências entre carteiras digitais. O código-fonte aberto originou-se com a Bitcoin há mais de uma década; este programa de computador corre numa extensa rede de computadores privados em todo o mundo.
O código-fonte verifica e agrupa transacções num registo público conhecido como o blockchain ; trata-se de um gigantesco arquivo que contém todas as transacções já realizadas e que pode levar dias para ser descarregado pela primeira vez, caso um computador decida aderir à rede Bitcoin.
O blockchain é o equivalente a um livro-razão de contabilidade: sempre que se encerra uma página, transportamos o saldo para a página seguinte. O blockchain da Bitcoin funciona exactamente da mesma forma. No entanto, o encerramento de uma página – o valor a transportar
Quem fecha um dado bloco tem direito a receber novos Bitcoins, aquilo que designamos por mineração – é uma forma de remunerar os computadores privados da rede Bitcoin pelo processo de registo das transacções. Ao método de funcionamento da rede Bitcoin designamos por proof-of-work (prova de que o problema foi resolvido, caso contrário, o bloco não poderá ser encerrado). Actualmente, o sistema permite a criação de 6,25 Bitcoins a cada dez minutos, diminuindo para cerca de metade a cada quatro anos.
Regra geral, a quantidade real de criptomoeda a ser colocada em circulação é limitada. Estes dependem da criptomoeda e são estabelecidos por quem criou o código-fonte. Por exemplo, o algoritmo da Bitcoin limita a quantidade de bitcoins a 21 milhões. Depois de ser atingido esse número, a emissão de novos Bitcoins irá cessar.
Há milhares de diferentes tipos de criptomoedas. Todos os dias são criadas novas. Algumas, como é o caso da Bitcoin têm um enorme reconhecimento público, em resultado de ter sido a primeira criptomoeda. Outras, como a Dogecoin, resultam de modas da Internet, em particular dos famosos tweets do bilionário Elon Musk, o fundador da Tesla. A página web CoinMarketCap.com mantém uma lista em tempo real das criptomoedas que são adicionadas a todo o momento.
As criptomoedas são criadas normalmente por programadores e empreendedores de variadas visões políticas ou económicas. No caso da Bitcoin, esta foi criada em 2009 por uma pessoa ou grupo de pessoas sob o pseudónimo de Satoshi Nakamoto , que permaneceu praticamente anónimo desde então. O Ethereum, criado em 2015 pelo russo Vitalik Buterin , permitiu um enorme salto tecnológico com a possibilidade de Smart Contracts - aplicações com tecnologia blockchain e novas criptomoedas dentro do protocolo. No meio de uma brincadeira, segundo
dizem, o engenheiro de software Billy Markus criou o Dogecoin; hoje, esta criptomoeda (início de Agosto de 2021) vale 25 mil milhões de USD.
A prova da quantidade de criptomoedas que alguém possui fica arquivada na blockchain. O registo é actualizado na rede a cada nova transacção – (i) quando uma nova Bitcoin é minerada; (ii) quando alguém faz transferências de criptomoedas.
Ao contrário de uma conta num banco comercial, ninguém é proprietário de uma carteira digital de criptomoedas. Quem conhece a palavra-chave e recebe os códigos de segurança tem acesso à mesma, neste caso as seed words - podem ser 12, 24 ou 36 palavras; sem estas, não é possível movimentar a carteira digital. A título de curiosidade, com 12 seed words, estamos a falar de 778× 1036 combinações possíveis, ou seja, 778 e 36 zeros à direita!
A chave privada está relacionada com a chave pública; esta é similar a um IBAN de uma conta bancária. Se alguém desejar enviar-lhe criptomoedas, apenas necessita de uma chave pública para realizar o respectivo envio. Trata-se de uma cadeia única de letras e números, com 26 a 35 caracteres, diferenciando maiúsculas e minúsculas, que indica o lugar para onde as suas criptomoedas são enviadas e arquivadas na blockchain. As chaves privadas podem ser guardadas em carteiras de hardware, telemóveis, computadores e até folhas de papel.
Enquanto os sistemas de pagamento tradicionais dependem de bancos comerciais que certifiquem as transacções, aquilo que designamos por transferências, os envios entre carteiras digitais são certificados pelos mineradores do blockchain – os tais computadores particulares membros da rede. Estes mineradores realizam verificações matemáticas para garantir que uma determinada transacção é válida; além disso, a maior parte dos membros da rede tem de concordar que a transacção foi válida antes da mesma ser adicionada à blockchain.
As criptomoedas desde há uns anos a esta parte passaram a ser reguladas, em particular na União Europeia. Em Portugal, a lei Lei n.º 58/2020, de 31 de Agosto de 2020, vem obrigar o registo junto do Banco de Portugal para quem realize a intermediação entre moedas fiat (EUR, USD, GBP…) e criptomoedas, e entre uma ou mais criptomoedas. Trata-se de uma protecção adicional aos investidores, atendendo que legitimam todos as aquisições e vendas realizadas através de entidades registadas, como é o caso da Criptoloja (https://criptoloja.com/).
1. Como negociar
Quem deseja obter criptomoedas pode adoptar por várias opções, das quais destacamos as principais: (i) Minerar; (ii) Peer-to-Peer; (iii) Bolsa.
Actualmente, minerar , por exemplo, Bitcoin é cada vez mais inacessível a um simples particular. Em primeiro lugar, obriga a um avultado investimento num computador onde se irá instalar o software da Bitcoin. As exigências computacionais são cada vez mais elevadas, inflacionando consideravelmente o investimento em máquinas cada vez mais potentes. Por outro lado, os grandes mineradores da rede utilizam dezenas, centenas ou mesmo milhares de computadores para o efeito. Na prática converteu-se num negócio apenas acessível a quem tem escala.
A segunda opção, a Peer-to-Peer é simplesmente um negócio entre dois particulares na Internet. Caso um português deseje adquirir Bitcoins, pode encontrar um vendedor através da Internet, utilizando uma web para este efeito. Para processar a transacção, o vendedor envia-lhe os Bitcoins ao endereço público da carteira que indicou e, em troca, o português realiza uma transferência à conta bancária indicada pelo vendedor.
Qual é o risco? Há sempre o perigo de uma das partes não respeitar o acordo. Neste sentido, apareceram entidades que tentam eliminar este risco, assegurando que ambas partes cumprem o acordo estabelecido. Esta opção implica na maioria das vezes um elevado custo, apenas sendo utilizado em países onde o estado proibiu unilateralmente a utilização das criptomoedas. Este foi o caso de Marrocos, onde o estado não autoriza transferências de e para bolsas de criptomoedas, obrigando os marroquinos a utilizar o método Peer-to-Peer como a principal forma de aquisição e negociação de criptomoedas.
Finalmente, o terceito método: a utilização de uma bolsa de criptomoedas. Em primeiro lugar, importa separar dois tipos de bolsas: (i) as que permitem negociar fiat/cripto e cripto/cripto; (ii) as que apenas permitem negociar cripto/cripto.
Em relação às segundas, os reguladores nunca irão importunar estas bolsas, atendendo que estas simplesmente não aceitam qualquer moeda fiat: dólares norte-americanos (USD), Euros (EUR), Libras esterlinas, etc. Na prática trata-se de um software que funciona na Internet, intermediando, por exemplo, Bitcoin com Ethereum ou DogeCoin com Lunas. Estas bolsas têm um problema considerável: ao final do dia, ou em algum momento da vida, todas as pessoas na posse de criptomoedas são obrigadas a converter as suas criptomoedas em moedas fiat (Euros, USDs). Por outro lado, para realizar a primeira aquisição é sempre necessário a utilização de moedas fiat.
Ficamos, então, com as bolsas que permitem a utilização de moedas fiat. Hoje em dia, a maioria destas bolsas de criptomoedas estão localizadas em praças off-shore, como a Binance por exemplo. Regra geral, todas estão localizadas em jurisdições não sujeitas a uma apertada supervisão, em particular no que respeita à prevenção de branqueamento de capitais.
Tal situação irá colocar problemas sérios a muitos investidores, em particular aos residentes na União Europeia. Aliás, a Binance tem sofrido diversos problemas com as transferências SEPA, tanto na recepção como no envio de fundos. A longo prazo adivinham-se diversos problemas: por um lado, as autoridades podem declarar que os fundos provenientes dessas bolsas não são legítimos, atendendo que os procedimentos utilizados na prevenção de branqueamento de capitais não foram por si revistos e aprovados; por outro lado, os dados das transacções e dos clientes que realizam transacções estão fora do seu controlo, pelo que podem criar uma série de problemas, dos quais se destaca a impossibilidade dos clientes converterem as suas criptomoedas em moedas fiat.
A longo prazo este negócio será crescentemente regulado, pelo que as bolsas que actuam em jurisdições sujeitas a supervisão de bancos centrais, como é o caso da Criptoloja, irão ter um papel crescente no mundo das criptomoedas; por diversas razões, que destacamos as principais: (i) atenção ao cliente, existirá sempre alguém que irá responder à sua chamada ou email; irá recebê-lo nas suas instalações com a sua presença, ajudando-o em questões de segurança e informando-o sobre as características das distintas criptomoedas; (ii) por fim, a segurança dos seus fundos, atendendo que não irá ter problemas com o seu banco no momento de converter as suas criptomoedas em Euros.
Existem dois grandes grupos de carteiras digitais: as Hot e as Cold. Ambas garantem que a chave privada está na sua posse.
As Hot Wallets referem-se a qualquer forma de carteira de criptomoedas que esteja ligada à Internet de alguma forma. Pode ser uma carteira ligada a um serviço da web, uma carteira instalada num computador ligado à Internet ou, até mesmo, uma carteira instalada no seu telemóvel.
As Hot Wallets, embora muito populares, são as menos seguras, pois o acesso às suas chaves privadas é efectuado através de ligações à Internet.
Dentro das Hot Wallets, existem as Carteiras Desktop. Este tipo de carteira armazena a sua chave privada no computador. Assim, enquanto o seu computador estiver livre de malware ou qualquer fraqueza de segurança, os seus Bitcoins estão seguros. No entanto, todos sabemos que não é o caso da maioria de nós.
Presentemente, é difícil estar protegido a 100%. Por essa razão, as carteiras Desktop ligadas à Internet são um alvo fácil para hackers.
Outro subgrupo das Hot Wallets são as carteiras Móveis. Trata-se de carteiras que armazenam a sua chave privada no seu telemóvel. Embora muitas carteiras sejam acedidas através de aplicações para dispositivos móveis, em termos de segurança, estas apresentam o pior cenário possível.
Muitas destas carteiras oferecem baixa segurança e privacidade, permitindo até a associação da sua carteira Bitcoin ao número de telefone e localização geográfica.
Infelizmente, com frequência, os telemóveis são perdidos ou roubados; torna-se aconselhável que active aautenticação multifactorial, proteja a sua carteira com uma palavra-passe e crie um backup da sua chave privada. As carteiras Móveis são altamente práticas; actualmente, fornecem a maior segurança possível num ambiente inseguro. No entanto, somas substanciais não devem ser armazenadas numa carteira de telemóvel, a menos que sejam usadas em conjunto com uma carteira de hardware, o que explicaremos de seguida.
Vamos então iniciar a explicação das Cold Wallets : Trata-se da forma mais segura de carteiras Bitcoin , as carteiras de armazenamento frio, ou Cold Wallets. O armazenamento Frio refere-se a qualquer tipo de carteira que funcione sem qualquer ligação à Internet e, por conseguinte, não pode ser pirateada remotamente.
Alguns exemplos de Cold wallets: carteiras de papel (Paper Wallets) , carteiras de hardware e carteiras de cérebro (Brain Wallets).
As carteiras de papel são apenas pedaços de papel que contêm a inscrição da chave privada. Ao ter a sua chave privada num pedaço de papel, apenas alguém que logre aceder fisicamente a esse papel pode apropriar-se dos seus Bitcoins. Infelizmente, as carteiras de papel são facilmente destruídas ou perdidas. Assim, é aconselhável criar várias cópias, de modo a que, se alguma cópia for perdida, os Bitcoins ainda possam ser recuperados.
As carteiras hardware não são mais que dispositivos físicos que armazenam com segurança a sua chave privada, de modo que a mesma não possa ser pirateada, mesmo em situações em que o seu dispositivo esteja comprometido por malware. Pode até utilizá-las num computador público.
A maioria das carteiras de hardware fornece um backup com as seed words, para o caso do próprio dispositivo ser perdido ou roubado. Para enviar Bitcoins a alguém com uma carteira de hardware, só terá de a ligar ao computador. As carteiras de hardware oferecem a melhor combinação de segurança e facilidade de uso. Caso não disponha do dispositivo, não irá conseguir enviar Bitcoins para ninguém – a sua única limitação.
Por fim, as Brain Wallets são apenas uma maneira de criar uma chave privada com palavras escolhidas por si. Em vez de obter um conjunto de palavras (seed words) geradas aleatoriamente, em seu lugar cria uma frase secreta.
No entanto, as Brain Wallets apresentam uma desvantagem significativa, já que têm uma maior probabilidade de serem pirateadas. Isso ocorre porque as pessoas geralmente são muito previsíveis na escolha de passwords ou textos, supostamente aleatórios, e os hackers têm maneiras de saber disso.
Dessa forma, não vai ter acesso à chave privada dessas carteiras. Basicamente, está a pedir a outra pessoa que guarde as suas moedas por si. Essas carteiras também são as mais vulneráveis aos hackers, uma vez que têm múltiplas fraquezas potenciais: por exemplo, tanto a página web em questão, como o dispositivo que estiver a utilizar para se ligar a essa página, ou até mesmo a ligação de Internet que está a utilizar, podem ser monitorizadas com o propósito de apropriação dos seus Bitcoins.
Isso obriga-o a confiar tanto na honestidade do operador da página, bem como nas suas práticas de segurança. Em caso de fraude interna ou hacking externo, com elevada probabilidade, as suas criptomoedas serão irremediavelmente perdidas.
Apesar de tudo, os serviços proporcionados por estas entidades facilitam a compra, venda e envio de Bitcoins com bastante facilidade. Os serviços mais seguros associados a este tipo de carteiras podem contemplar autenticação com múltiplos factores, como, por exemplo, a validação de todos os acessos à conta com uma mensagem de texto, visando a protecção de hackers externos.
Mesmo assim, para armazenar qualquer quantidade significativa de criptomoedas, as carteiras de entidades terceiras não justificam o risco. Assim, aconselhamos que evite o principal erro dos prin- cipiantes e nunca mantenha os seus Bitcoins numa carteira de uma bolsa.
Na Criptoloja todas as transacções terminam com o envio dos Bitcoins para uma carteira da qual o cliente tenha o total e absoluto controlo.
Em resumo, a questão obrigatória: mas então qual a melhor carteira para mim?
Agora que já sabe tudo sobre carteiras Bitcoin, vejamos como escolher a melhor carteira para suas necessidades.
Antes de mais, é importante salientar que diferentes pessoas, usarão diferentes carteiras, para diferentes fins. Por exemplo, se eu necessitar de guardar uma grande quantidade de Bitcoins, usarei uma carteira diferente da que usaria se apenas quisesse pagar um café.
As carteiras variam numa escala de segurança versus conveniência; precisamos sempre de deci- dir onde queremos estar nessa escala.
3. Identifique o seu perfil de risco
Uma das questões prévias que deverá colocar em qualquer investimento financeiro é a seguinte: já realizei uma avaliação do meu perfil de risco? Se não o fez, deverá sempre fazê-lo antes de se aventurar em investimentos em criptomoedas. Basicamente, podemos considerar três tipos de perfis: (i) conservador; (ii) moderado; (iii) arriscado.
Regra geral, a um maior risco corresponde uma maior rentabilidade.
Vejamos, por exemplo, o gráfico do Ethereum entre o final de 2020 e a sessão do dia 5 de Agosto de 2021. Como podemos observar na Figura 2, o Ethereum proporcionou uma rendibilidade acumulada de 256% em 2021 (até 5 de Agosto de 2021).
Durante este caminho, vários riscos tiveram lugar. Vamos imaginar que um investidor tinha adquirido 10 mil USD de Ethereum no dia 11 de Maio de 2021, ou seja, tinha adquirido 2, Ethereums (cada ETH valia 4143 USD). No dia 5 de Agosto de 2021, estes 2,41 Ethereums valeriam apenas 6710 USD, uma perda de 33%!
Figura 2: Evolução da Ethereum entre o final de 2020 e a sessão de 5 de Agosto de 2021 (Período diário; Unidade; USD por Ethereum)
4. Atitude em relação ao risco
e horizonte temporal
De acordo com o perfil do investidor, várias atitudes podem ser adoptadas. Alguém que é conservador, deseja preservar o capital e obter um pequeno juro do seu investimento; precisamente o contrário de um investidor arriscado: deseja obter uma rendibilidade elevada e rápida.
Podemos então ter em conta estes dois extremos: o arriscado e o conservador. Na prática, o primeiro deseja especular a curto prazo, enquanto o segundo deseja preservar e obter um retorno superior à inflação.
No primeiro caso, é natural o investimento em criptomoedas como o Bitcoin e o Ethereum , activos que apresentam uma elevada volatilidade. No segundo caso, podemos estar a falar de stablecoins.
As stablecoins permitem a prestação de todos os serviços proporcionados pelos bancos tradicionais, por essa razão designamos esta actividade por DeFi (decentralized finance) – correspondente a banca descentralizada.
Qual a razão para o seu aparecimento? As criptomoedas, como a Bitcoin e o Ethereum, apesar de serem as que apresentam a maior capitalização bolsista de todas as criptomoedas existentes, o seu preço apresenta uma enorme volatilidade, com variações diárias muitas vezes superiores a 20%, impedindo-as, segundo os detractores, de desempenhar a função de moeda, indispensável à prestação de serviços bancários, como depósitos a prazo e créditos bancários. Desta forma, surgiram as criptomoedas indexadas a uma divisa fiat, como por exemplo o USD.
Este é o caso do USDC (USD Coin) e do USDT (Tether) , ambas criptomoedas com uma paridade de 1:1 com o USD (dólar norte-americano).
Como funcionam? O emissor de uma unidade de moeda virtual terá que possuir 1 USD para realizar uma emissão. Assim, se a capitalização bolsista do Tether é de 64 mil milhões de USD (início de Agosto de 2021), significa que existem 64 mil milhões de USD depositados em contas bancárias que servem de respaldo à emissão. É algo semelhante ao padrão-ouro, em que o banco central apenas podia emitir moeda de acordo com a reserva de ouro que detinha nos seus cofres.
Estas criptomoedas podem ser aplicadas no negócio de intermediação financeira. Existem particulares que tencionam realizar um depósito bancário, exigindo uma remuneração pelo diferimento do seu consumo no tempo; existem particulares que tencionam solicitar um crédito
bancário e estão disponíveis a pagar um prestamista com um juro de X%. De acordo com a procura e oferta de poupança, o mercado estabelece uma taxa de juro: era assim que os bancos de retalho funcionavam, é assim que funciona o negócio DeFi.
Esta é uma alternativa séria ao depósito bancário tradicional, pois estamos a falar de taxas de juro de 8%, 10% e inclusive 20% ao ano; para quem tem um perfil conservador, a aquisição de stablecoins, em particular as indexadas ao dólar norte-americano, tornou-se um cenário altamente atractivo para quem deseja uma remuneração fixa elevada e que compense a elevada inflação que presentemente vivemos.
Em relação às criptomoedas que não estão indexadas a uma moeda fiat, como o USD ou o EUR, em resultado da sua elevada volatilidade – uma medida de risco -, caso o investidor deseje investir a longo prazo, tal estratégia irá obrigá-lo a seleccionar a criptomoeda que no futuro dê mais garantias de se tornar dominante face às demais.
Funciona como a análise fundamental das acções: qual a empresa que no futuro irá dominar um determinado mercado, que possui um produto único ou uma gestão única, garantindo enorme lucros? Neste caso, as oscilações de curto prazo do seu preço são irrelevantes para o investidor.
No mundo das criptomoedas a pergunta é semelhante: qual a criptomoeda referência de um dado protocolo que será dominante, em resultado das características particulares do protocolo que a suporta? Um investidor de longo prazo em criptomoedas deverá dedicar toda a sua atenção em detectar oportunidades de longo prazo, analisando as características de cada protocolo.
O que é um protocolo? É o equivalente a um sistema operativo, por exemplo, Windows, IOS ou Linux. O Ethereum (ETH) é um protocolo que permite várias actividades, tais como: execução de contratos inteligentes, aplicações descentralizadas e a criação de criptomoedas. Recentemente, foi criado o protocolo Cardano (ADA) que permite a mesma coisa, mas a velocidades muito superiores – segundo o seu criador Hoskinson, cinco vezes mais - e validando o fecho dos blocos com o método Proof-of-stake que não tem impacto expressivo no consumo de energia, uma das importantes críticas de que padece a Bitcoin.
Se olharmos para a Figura 3, podemos observar um máximo no final de 2017, em que a criptomoeda Cardano (ADA) chegou a cotar a 1,3 USD. Ora, isto tornou-se uma resistência, ou seja, existe uma pressão vendedora que impede a subida do preço. Desta forma, quando ocorre o rompimento dessa resistência, indica que podemos assistir a uma nova subida do preço.
A análise técnica obriga ao domínio de distintas metodologias, em particular:
● identificação de tendências – ascendente, descendente, lateral; ● identificação de formações gráficas (ombro-cabeça-ombro, duplo topo, triângulo ascendente…), separandoas em dois grupos, as que indicam a continuação de uma determinada tendência ou a reversão de uma determinada tendência; ● a utilização de velas japonesas, conhecendo os distintos padrões de velas (uma vela, duas velas e três velas), visando conhecer a probabilidade de uma determinada tendência irá continuar ou reverter; ● identificar divergências, respondendo à questão: a evolução do preço está a ser confirmada pelo oscilador ou volume? ● definir uma regra para a abertura de uma dada posição, suportada na análise técnica, tendo claro o ponto de entrada e os pontos de saída, tanto nas situações de lucro como de perda máxima.
Este ebook não pretende dar uma formação em análise técnica, mas visa alertar o leitor para a necessidade de a conhecer previamente, caso o seu desejo seja especular em criptomoedas.
Figura 3: Evolução da Cardano (ADA) entre 2017 e 2021 (Período Mensal; Unidade; USD por Cardano)
5. Como distribuir o patrimônio
Existe um velho ditado: não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto. Nada mais correcto. O seu investimento em criptomoedas deverá seguir esta regra.
O seu património deve estar parcialmente investido em criptomoedas, seja em Stablecoins, seja nas demais criptomoedas.
O leitor pergunta, qual a percentagem? Actualmente, julgamos que entre a 5 a 10%; mas cada pessoa deverá ter claro a fracção do seu património que deseja investir em criptomoedas. Algo está claro: a longo prazo, julgamos que é inexorável que esta fracção seja crescente, atendendo que as criptomoedas serão dominantes no mundo dos investimentos.
Por outro lado, o leitor não deverá investir unicamente numa única criptomoeda, também deverá diversificar, em particular em criptomoedas não correlacionadas. O que significa?
Este conceito é muito simples; basta analisar uma série histórica e verificar se um determinado activo, por exemplo A, quando valoriza, e outro activo, por exemplo, o B, desvaloriza; neste caso, os activos A e B não estão correlacionados, ou seja, é a situação perfeita para um investidor que deseja reduzir o risco.
Um exemplo desta situação são as criptomoedas cujo activo subjacente é o Ouro – temos vários exemplos como a AABB Gold (AABBG) ou a ANTHEM (AGLD). Estas têm tendência a valorizar-se muitas vezes em contraciclo com as demais criptomoedas, como o Bitcoin ou Ethereum.
Em conclusão, o mundo das criptomoedas já lhe permite investir em praticamente todos os activos financeiros, podendo diversificar o seu investimento e reduzindo o seu risco.