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Glossário cerâmico, Notas de estudo de Cultura

Glossário cerâmico

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 06/10/2011

ernesto-nascimento-11
ernesto-nascimento-11 🇧🇷

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GLOSSÁRIO CERÂMICO
Maria Alice Porto RossiA
ADOBE - Argila crua secada no sol. Costuma ser misturada com palha para se tornar mais
resistente. Usada para construções primitivas.
AGATAWARE - Técnica em que se usam argilas coloridas sobrepostas e abertas com um rolo.
Resulta uma mistura com várias cores estriadas que apresentam semelhança à pedra ágata.
ALMA NEGRA – É a parte escura que fica internamente nas paredes de um objeto cerâmico,
em função do pouco calor de queima, ou seja, a parte escura não foi queimada. Encontramos
muitos objetos cerâmicos assim hoje em dia, principalmente algumas cerâmicas indígenas.
ALUMINA – Um dos principais componentes das argilas. Quando usada nos esmaltes serve
para controlar a viscosidade, impedindo que escorra pelas laterais da peça ao se fundir. O óxido
de alumínio é utilizado também para aumentar a temperatura da queima tanto das argilas quanto
dos vidrados, já que seu ponto de fusão é de 2050 °C. Elemento refratário. (Al 2 O3).
ARGILA – Certas terras e rochas pulverizadas formam, quando combinadas com água, uma
pasta suficientemente homogênea – com plasticidade – passível de ser modelada/moldada, que
endurecem ao passo em que vão secando – peças verdes – e que transformam em cerâmica
através da ação do fogo. Silicato de alumínio hidratado A argila resulta da decomposição dos
feldspatos.
ARGILA LÍQUIDA – Vide Barbotina.
ARGILA EM PÓ – Argila em pó, desidratada e moída. Para ser utilizada em seu estado
plástico, deve ser misturada com água e ser amassada e batida para que a massa fique
homogênea. Também pode ser utilizada para formular barbotina, basta adicionar maior
quantidade de água e ser batida a ponto de uma papinha mais líquida, se for utilizada para
fundição deve ser defloculada.
ARGILA RECICLADA – Processo de retornar a argila ao seu ponto de plasticidade para ser
novamente utilizada. Processo utilizado com pedaços de argila já endurecidos. Não perde suas
características originais.
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GLOSSÁRIO CERÂMICO

Maria Alice Porto RossiA

ADOBE - Argila crua secada no sol. Costuma ser misturada com palha para se tornar mais resistente. Usada para construções primitivas.

AGATAWARE - Técnica em que se usam argilas coloridas sobrepostas e abertas com um rolo. Resulta uma mistura com várias cores estriadas que apresentam semelhança à pedra ágata.

ALMA NEGRA – É a parte escura que fica internamente nas paredes de um objeto cerâmico, em função do pouco calor de queima, ou seja, a parte escura não foi queimada. Encontramos muitos objetos cerâmicos assim hoje em dia, principalmente algumas cerâmicas indígenas.

ALUMINA – Um dos principais componentes das argilas. Quando usada nos esmaltes serve para controlar a viscosidade, impedindo que escorra pelas laterais da peça ao se fundir. O óxido de alumínio é utilizado também para aumentar a temperatura da queima tanto das argilas quanto dos vidrados, já que seu ponto de fusão é de 2050 °C. Elemento refratário. (Al 2 O3).

ARGILA – Certas terras e rochas pulverizadas formam, quando combinadas com água, uma pasta suficientemente homogênea – com plasticidade – passível de ser modelada/moldada, que endurecem ao passo em que vão secando – peças verdes – e que transformam em cerâmica através da ação do fogo. Silicato de alumínio hidratado A argila resulta da decomposição dos feldspatos.

ARGILA LÍQUIDA – Vide Barbotina.

ARGILA EM PÓ – Argila em pó, desidratada e moída. Para ser utilizada em seu estado plástico, deve ser misturada com água e ser amassada e batida para que a massa fique homogênea. Também pode ser utilizada para formular barbotina, basta adicionar maior quantidade de água e ser batida a ponto de uma papinha mais líquida, se for utilizada para fundição deve ser defloculada.

ARGILA RECICLADA – Processo de retornar a argila ao seu ponto de plasticidade para ser novamente utilizada. Processo utilizado com pedaços de argila já endurecidos. Não perde suas características originais.

ARGILA REFRATÁRIA – Conhecida como “Massa Refratária”. Material resistente à fusão. Resulta da mistura de areia com pó de cerâmica moída (biscoito). Suporta altas temperaturas.

ARGILA VERMELHA – Popularmente conhecida como “barro”. De grande plasticidade e em sua composição entram uma ou mais variedades de argilas. Produzidas sem tanta preocupação com seu estado de pureza, quando queimadas no máximo até 1100°C adquirem colorações que vão do creme aos tons avermelhados, o que mostra o maior ou menor grau da porcentagem de óxido de ferro. Formadas por argilas ferruginosas.

AVENTURINA – Vidrado onde aparece a formação de pequenos cristais suspensos na superfície. Os cristais contêm óxido de ferro daí sua coloração amarronzada. É uma solução saturada.

B

BALL CLAY – Argila secundária. Normalmente é adicionada às argilas primárias para aumentar a plasticidade.

BARBOTINA – Argila misturada com água em estado cremoso. A barbotina é a cola da argila.

BATER / Amassar o Barro) – Significa homogeneizar a massa fazendo movimentos giratórios semelhantes ao de um padeiro ao sovar o pão. Pode-se também “jogar” o barro sobre uma superfície firme sempre cortando e reunindo as partes.

BENTONITA – Argila de granulação fina, bastante maleável de granulação muito fina. Tem alto índice de retração, 10 a 15 % do seu volume. Usada como agente plastificador das argilas quando misturada em barros magros, aumenta a plasticidade, É usada em esmalte para evitar que endureça e se deposite no fundo do recipiente.

BISCOITO – Objeto de cerâmica queimado ou assado.

BOLHAS NO VIDRADO (Gretas) - Defeito no vidrado. Surgem na superfície esmaltada quando a queima se processa muito rapidamente em seu final, impedindo que os gases de desprendam totalmente. A queima deve ser mais lenta perto do ponto de maturação do esmalte, para evitar tal defeito. Ainda podem ser maiores, pois o esmalte se afasta formando uma cratera. São causadas pela liberação de gases em queima muito rápida ou também em função da existência de impurezas. BOLHAS DE AR - Podem existir bolhas de ar dentro da argila. Precisam ser eliminadas sob o risco de provocarem explosão das peças durante a queima. São responsáveis por explosões dos objetos e também por rachaduras nos objetos de argila em fase de secagem. As bolhas surgem também em objetos de argila modelados a mão e que não sejam bem emendados.

BONE CHINA ( Porcelana de Ossos) - Pasta dura e translúcida, branca e fina, composta basicamente de ossos calcinados (fosfato de cálcio), que atuam como fundentes. Sua composição reúne aproximadamente 50% de ossos calcinados, 25% de feldspato e outros 25% de caulim. A temperatura para queima está entre 1200 e 1250ºC.

CINZAS – Utilizadas em objetos cerâmicos, provêm de madeiras, folhas e palhas. É utilizada na composição de esmaltes (vidrados) de alta temperatura e também na composição de algumas argilas. Contém sílica e alumina.

CILINDRO - Equipamento mecânico que serve para abrir uma placa de argila. Slab Roller ou plaqueira.

CMC (Carboxi Metil-Celulose) – Cola vegetal que pode ser misturada ao esmalte (vidrado) para sua melhor fixação na peça para ser levada ao forno. Facilita o manuseio e não altera a cor e as propriedades do esmalte.

COEFICIENTE DE EXPANSÃO – É o quanto o material se expande sob a ação do calor e se centrai progressivamente no resfriamento.

CONE PIROMÉTRICO - Produzidos com materiais cerâmicos são utilizados para indicar a temperatura desejada da queima da cerâmica.

CRAQUELÉ– Termo utilizado para definir pequenas trincas que se formam em nos esmaltes. É causado por diferenças dos coeficientes de expansão, ou seja, em função das grandes diferenças entre a expansão e a contração térmica da argila e do esmalte.

E

ENGOBE – Mistura de argila líquida, óxidos e outros componentes que pode ser aplicada em uma peça antes da esmaltação. Utilizado em peças cruas (ponto de couro), mas pode também de acordo com alguns ceramistas ser aplicado em peças biscoitadas.

ENGOBE VITRIFICADO – É o engobe que por conter materiais fundentes pode ser aplicado à peça já biscoitada em argila de alta ou porcelana.

ESMALTE – Camada vítrea aplica sobre os corpos cerâmicos. Vide mais em: Vidrado / Glazura.

ESMALTAÇÃO A PINCEL - É um dos processos de esmaltar objetos cerâmicos. Utilizando o pincel roliço para “andar com a gota” do esmalte sobre a superfície a ser esmaltada, pode-se até obter relevos em superfícies planas.

ESMALTAÇÃO POR PULVERIZAÇÃO – Processo que utiliza uma pistola com jato de esmalte. Deve ser utilizado em uma cabine própria, pois os esmaltes são tóxicos.

Earthenware – Argila com alto teor de ferro.

EXTRUSÃO – Processo de forçar a argila através de um tubo com um gabarito na extremidade. Método utilizado para preparar a massa cerâmica, utilizada também para a obtenção de serpentinas.

F

FRITA – É, basicamente, um vidro que foi fundido, resfriado e moído. É usado na composição de vidrados. Diminui a toxidade de elementos como o chumbo por exemplo.

MAIÓLICA (MAJÓLICA) – Processo de decoração usado em cerâmicas de baixa temperatura, onde óxidos corantes e pigmentos são aplicados sobre a superfície da peça esmaltada com vidrados a base de estanho, após a queima as cores são fixadas sobre o esmalte.

MARMORIZADO – Aplicação de engobes de várias cores sobre a peça ou a mistura de argilas coloridas para a modelagem.

MÁSCARA – Técnica empregada na aplicação de engobes ou esmaltes para a obtenção de definida de uma figura sobre um fundo colorido.

MASSA CERÂMICA (ou Corpos de argila) - As massas cerâmicas são a mistura de uma ou mais argilas. Na indústria o termo “massa” é o material já beneficiado enquanto a argila é o material bruto. Podemos utilizar os termos argila, massa e barro como sinônimos, pois os ceramistas não fazem distinções entre os termos.

MISHIMA – Técnica de decoração de origem japonesa. Consiste em entalhar a peça de argila e quando atingido o ponto de couro, preencher os sulcos com engobe deixando-os secar completamente para então raspar os excessos. O engobe ficará incrustado na peça.

MINERAIS – Substância natural formada em resultado da interação de processos geológicos em ambientes geológicos. Cada mineral é classificado e denominado não apenas com base na sua composição química, mas também na estrutura cristalina dos materiais que o compõem. Em resultado dessa distinção, materiais com a mesma composição química podem constituir minerais totalmente distintos em resultado de meras diferenças estruturais na forma como os seus átomos ou moléculas se arranjam espacialmente (como por exemplo a grafite e o diamante). Os minerais variam na sua composição desde elementos químicos, em estado puro

ou quase puro, e sais simples a silicatos complexos com milhares de formas conhecidas. Embora em sentido estrito o petróleo, o gás natural e outros compostos orgânicos formados em ambientes geológicos sejam minerais, geralmente a maioria dos compostos orgânicos é excluída. Também são excluídas as substâncias, mesmo que idênticas em composição e estrutura a algum mineral, produzidas pela atividade humana (como por exemplos os betões ou os diamantes artificiais).

MOLDE – Qualquer objeto que sustente a argila para criar uma forma.

MOLDAGEM – Processo de execução de formas para reprodução em série - via úmida, via seco.

MONOQUEIMA – É a queima de biscoito e esmalte reunida em uma só. Muito utilizada na industria cerâmica porém pouco recomendada na cerâmica artística devido aos problemas causados.

MUFLA – Câmara ou caixa de argila, colocada dentro de um forno, para proteger algumas peças da ação direta dos gases. Também é uma denominação atribuída aos fornos elétricos.

O

OPACIFICANTE – Material que reduz a transmissão de luz através do vidrado. Óxido de estanho e óxido de zinco são ótimos opacificantes.

ainda incandescentes, com o esmalte no ponto de fusão, seguras por pinças, e são colocadas num recipiente com tampa contendo serragem, ou folhas, ou jornais. Neste momento o material entra em combustão e inicia-se a redução (queima do oxigênio). Como resultado processa-se a transformação dos óxidos metálicos surgindo colorações, as mais inusitadas. Após algum tempo retira-se a tampa do recipiente e com luvas pegam-se as peças que necessitam ser lavadas e escovadas para a retirada dos resíduos. Os efeitos são produzidos com a fumaça de galhos, folhas, papel e serragem de madeira. Variações do processo são conhecidas como raku-nu ou naked-raku.

REDUÇÃO (Queima redutora) – É quando não há oxigênio suficiente na atmosfera do forno e átomos de oxigênio são “retirados” dos óxidos alterando a cor de um vidrado. O óxido de cobre, por exemplo, é verde em atmosfera oxidante e torna-se vermelho cobre em atmosfera redutora.

REFRATARIEDADE – É a qualidade de um material de agüentar altas temperaturas. O elemento refratário (por exemplo, alumina) permite ao vidrado menor fluidez e maior resistência à abrasão.

ROCHAS SEDIMENTARES – As rochas sedimentares são um dos três principais grupos de rochas (os outros dois sendo as rochas ígneas e as metamórficas) e formam-se por três processos principais: 1. pela deposição (sedimentação) das partículas originadas pela erosão de outras rochas; 2. pela deposição dos materiais de origem biogênica; 3. pela precipitação de substâncias em solução.

S

SGRAFFITTO – Decoração onde o engobe que cobre a peça crua é retirado por pontas secas ou raspagens na peça.

SÍLICA – É o formador de um vidro em um esmalte. Não pode ser usada separadamente pois seu ponto de fusão é de 1750°C.

SILICATO – O termo silicato é usado para denotar um tipo de rocha que consiste de silício e oxigênio (geralmente como SiO2 ou SiO4), um ou mais metais e possivelmente hidrogênio. Tais rochas variam de granito a gabro. A maioria da crosta da Terra é composta de rochas de silicato, assim como as crostas de outros planetas rochosos. É um composto consistindo de silício e oxigênio (SixOy), um ou mais metais e possivelmente hidrogênio. É usado também em referência à sílica ou a um dos ácidos silícicos.

SINTERIZAÇÃO – Fase intermediária na queima da argila ou do esmalte, onde a fase líquida ainda não começou, mas o início da reação de um ou mais sólidos formou um amálgama, diminuindo a porosidade do material e aumentando sua resistência. As partículas sólidas se aglutinam pelo efeito do aquecimento a uma temperatura inferior à de fusão. Ponto de maturação de uma massa cerâmica.

SOBRE-VIDRADO / OG – Técnica empregada para decorar objetos cerâmicos já esmaltados. O veículo utilizado normalmente é o óleo mole e a temperatura de queima varia de 700°C a 850°C. É o que conhecemos como pintura em porcelana.

STONEWARE (Grês) – É uma Massa Cerâmica. Sua composição é semelhante a das rochas, daí sua denominação; a principal diferença entre essa massa e as rochas é que enquanto as rochas se formam na natureza, o stoneware é preparado pelo homem com uma seleção de minerais e uma parte de argila plástica. Em sua composição não entram argilas tão brancas ou puras como na porcelana o que estabelece uma coloração rósea, levemente avermelhada nas baixas temperatura e acinzentadas nas mais altas. A temperatura de queima pode ficar entre 1150 e 1300ºC, após a queima se tornam impermeáveis, vitrificadas e opacas.

T

TAGUÁ – Argila plástica com alto teor de óxido de ferro. O termo é originário do Tupi, TA- WA, que significa argila amarela.

W

WEDGWOOD - Famosa cerâmica inglesa do séc. XVIII. Produzida por Josiah Wedgwood (1730-1795), artesão oleiro inglês que renovou certas fórmulas antigas da cerâmica inglesa. A cerâmica de wedgwood crias os grés vermelhos envernizados de Staffordishire, a imitação dos metais e os grês negros muito duros chamados de "basaltos" realçados com um adorno pintado. Utiliza em 1774 a decoração em uma grande variedade de pequenos camafeus para joalherias, com mais de 2300 modelos, aumentando a produção de jaspeados de massa branca decorados por finos e baixos-relevos moldados. Deve-se à Josiah Wedgwood também a vulgarização da decoração impressa, técnica elaborada por John Sadler, que consistia em repartir sobre a massa a tinta de um desenho ou estampa originais. No final do séc. XVIII, 28 imitações de wedgwood já haviam sido produzidas. Hoje a produção completa da joalheria wedgwood está centrada na indústria da cerâmica inglesa.

Bibliografia Consultada :

ARGENTIÈRE, R. Novíssimo Receituário Industrial (direção) São Paulo: Editora Lepsa,1ª. Ed., 1961 e em 3ª. Ed. Cone Editora, São Paulo, 1989, revisada pelo Prof.Diamantino F. Trindade.

BARDI, Pietro.M. Arte da Cerâmica no Brasil. Banco Sudameris S/A, 1980.

CHARLESTON , R.J. World Ceramics. London : The Hamlyn Publishing Limited, 6ª. impression, 1979.

COOPER, Emanuel História de la Ceramica. Barcelona: Ediciones CEAC, 1ª. Ed. Española,

COOPER, Emanuel. Ceramica. Barcelona: Instituto Parramon Ediciones, Enciclopédia de Temas Básicos, 1978.

GABBAI, Miriam B.B. Cerâmica arte da Terra. São Paulo: Ed. Callis, 1987. (Miriam Gabbai - organizadora)

HALD, PETER. Técnica de la Cerámica. Barcelona:Ed Omega, S/A, 2ª Ed.,1973.

CHITI, Jorge Fernàndez. Diagnóstico de Materiales Cerâmicos. Ediciones Condorhuasi, 1986.

LEACH, Bernard. Manual del Ceramista. Barcelona: Editorial H. Blume, 1ª. Ed. Española

SENAC. DN. Oficina: cerâmica / Eliana Penido; Silvia de Souza Costa. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1999.