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Nesse arquivo conto a história do ballet clássico resumidamente.
Tipologia: Resumos
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“Se eu pudesse explicar o que as coisas significam, não sentiria a necessidade de dançá-las”.
A palavra francesa ballet veio do italiano balleto, diminutivo de ballo (dança), que vem do latim ballare, que significa dançar, e que por sua vez vem do grego ballizo, que também significa dançar. A história do ballet começou na Itália no século XV com a transição do pensamento medieval ao renascentista. A sociedade ocidental começou a produzir manifestações culturais próprias daquele contexto. Nessa época, os nobres italianos divertiam seus visitantes em festas aristocráticas com espetáculos onde músicos e bailarinos da corte apresentavam recitais de poesia, música, mímica e dança. A coreografia era adaptada aos passos das danças nobres, os dançarinos usavam roupas da moda da época que normalmente eram bastante ornamentadas e pesadas, e, ao fim, era comum o “público” entrar na dança. O ballet tingiu seu auge quase 100 anos depois através do rei Luiz XIV que, com 5 anos de idade já amava a dança e tornou- se um grande bailarino. Este rei fundou a Academia Real de Ballet, a Escola Nacional de Ballet e a Academia Real de Música.
O ballet foi para a França quando a italiana Catarina de Medicis casou-se com o rei Henrique II e se tornou rainha da França. Ela introduziu esse tipo de espetáculo na corte francesa com grande sucesso, tornando-se regularidade na corte que cada vez mais aprimorava em ocasiões especiais, combinando dança com música, canções e poesia. Catarina levou com ela artistas que produziam óperas e ballets na Itália, berço do renascimento. Ela também fez questão de contratar o grande coreógrafo italiano Balthasar de Beaujoyeulx. O mais famoso espetáculo oferecido na corte foi o “Ballet Comique de La Reine” (O Ballet Cômico da Rainha) que foi criado para celebrar o casamento da irmã de Catarina de Medicis. Esse ballet durava de 5 a 6 horas e fez com que a rainha fosse invejada por todas as cortes reais europeias. Beaujoyeulx foi quem criou as cinco posições de pés, que se tornaram base de todo o aprendizado acadêmico do ballet clássico. As posições além de darem mais equilíbrio, ficava esteticamente mais bonito já que os espetáculos começaram a serem vistos de frente, então para que o artista nunca se coloque de costas para o público (que era composto de nobres e convidados), criou-se o en dehor que ao dançar evita ficar de costas para o público. Além disso, foi Beaujoyeulx que transformou o ballet da corte em ballet teatral, também conhecido como Ópera-ballet. Sua companhia apresentava um espetáculo bem diferente dos ballets de hoje, reunindo não apenas a dança, mas também poesia, canto e uma orquestra musical. A dança se tornou uma profissão e os espetáculos foram transferidos dos salões para teatros. No começo todos os bailarinos eram homens, que também faziam papéis femininos, mas no fim do século XVII a Escola de Dança passou a formar bailarinas mulheres, que ganharam logo importância, apesar de terem seus movimentos ainda limitados pelos complicados figurinos.
O Romantismo foi um movimento artístico de valorização do sentimento em detrimento da razão e no qual a imaginação era deixada à solta, sem qualquer controle ou auto- censura. Dessa forma, a dança que expressa algo, que mostra sentimento, cresce notoriamente, sem deixar morrer o imenso
desenvolvimento técnico que havia acontecido anteriormente. No momento, o que se buscava através da técnica eram formas expressivas, a poesia do corpo, a fluidez da dança e não o virtuosismo e a beleza das formas. Esses novos ideais, baseados na "Igualdade, Liberdade e Fraternidade" da Revolução Francesa, se afastam totalmente dos ideais estéticos greco-romanos. Os artistas tendem a se inspirar no seu cotidiano, nas suas emoções reais, e não na idealização da perfeição dos Deuses. Por volta do século 18, os espetáculos passaram por outra transformação, concentrando-se mais na música e na dança. Na época, os bailarinos franceses se destacavam mais pela elegância enquanto os italianos se destacavam pelos movimentos acrobáticos. Nas óperas, a dança na França continuava o enredo dramático, enquanto na Itália, essas partes dançantes não passavam de um descanso entre as partes cantadas. Foi nessa época que as bailarinas começaram a se rebelar contra os vestidos que usavam e que limitavam os movimentos. Por causa dessa restrição, os homens eram os que tinham os papéis de destaque nos espetáculos. Como as coreografias cheias de saltos e giros ganhavam espaço, as mulheres tiveram que reagir. A belga Marie Ann Cupis de Camargo baixou os saltos de seus sapatos e encurtou suas saias para desenvolver melhor a sua dança. Não por acaso, ela foi uma das primeiras bailarinas importantes da história. O último momento marcante da origem do ballet ocorreu no século XIX, quando a italiana Marie Taglioni foi a pioneira a dançar na ponta dos pés, hoje o movimento mais identificado com o ballet clássico e também foi a primeira a usar um tutu romântico que, ao se apresentar com os sapatos de ponta, dava a impressão que se estava flutuando. Os ballets românticos foram populares e o ballet despontou como arte performática independente. Eis um bom exemplo dos ideais românticos: houve um imenso desenvolvimento da técnica, mas os objetivos desse desenvolvimento vão muito além da estética da forma: na ponta dos pés, a bailarina se torna muito mais leve e expressiva, pelo menos aos olhos do espectador. Com as pontas, surge a supremacia feminina no balé: os bailarinos agora serviam de suporte, para apoiar e levantar as grandes estrelas. Para isso, eles deviam ser fortes, e belos e expressivos para as histórias de amor. A dança agora se torna mais sensual (para os padrões da época): para equilibrar a bailarina na ponta, o partner deveria ampará-la com seu corpo ou ao menos segurá-la pela cintura. Com o romantismo predominado na Europa entre o final do século XXVIII e o início do século XIX, todas as formas de arte, incluindo a dança, foram atingidas. Porém, isso não aconteceu na Rússia, mais precisamente em São Petersburgo graças ao patrocínio do Czar. As companhias do ballet imperial em Moscou e São Petersburgo foram reconhecidas por suas soberbas produções e muitos bailarinos e coreógrafos franceses foram trabalhar lá. A França sempre foi ditadora de moda, então, imitada por outras cortes da Europa, em 1738 a convite da Imperatriz Anna Ivanovna, Jean- Baptiste Landè estabeleceu a Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, a segunda escola de ballet do mundo e que hoje existe com o nome de Academia Russa de Ballet Vagânova. Também foi durante o século XXVII, principalmente após a Revolução Francesa que o ballet se espalhou por toda a Europa e EUA, levado por bailarinos e mestres franceses. O francês Marius Petipa fez uma viagem à Rússia pretendendo um passeio rápido, mas acabou tornando-se coreógrafo chefe e ficou lá para sempre. Durante sua estrada lá, Petipa coreografou ballets famosos com Tchaikowsky como compositor: A Bela Adormecida, O Quebra Nozes e O Lago dos Cisnes. Cada ballet continha danças importantes para o corpo de baile, variações para os bailarinos principais e um grand pas de deux. Mas, foi um russo chamado Serge Diaghilev que inaugurou o
anos espalhando sua polêmica na Europa, participando da extraordinária criatividade de sua época e transformando o ballet em uma arte contemporânea. Suas peças mais marcantes foram La Création du Monde, em 1923 e Relâche, em 1924, sendo que esta última foi a primeira peça de ballet que utilizava cinema (o filme entre'acte, de René Clair). Sendo assim, os suecos foram responsáveis pela introdução do cubismo no balé, utilizando até um cenário de Picasso no ballet Icaro. Em 1925, não aguentando as pressões que sofriam, por problemas e contradições de sua arte (a técnica acadêmica clássica ainda era utilizada, com toda a sua rigidez, apesar de toda a maleabilidade de suas ideias, cenários e histórias) o grupo se dissolveu. Foi assim que a dança, ainda clássica, incorporou os ideais modernos. Através desses grupos, das concepções coreográficas de Balanchine, Fokine e Nijinsky, de bailarinas revolucionárias e marcantes como Anna Pavlova. As primeiras décadas do século XX se dividiram, assim, entre o brilhantismo acadêmico russo e as inovações dos grupos (russo e sueco) que percorreram o ocidente.
No Brasil, o primeiro espetáculo de ballet foi montado em 1813, no Rio de Janeiro com a direção de Lacombe. Mas esta arte só floresceu no século seguinte com a celebração da companhia russa de Diaghilev e de Pavlova na mesma cidade, só que agora no Theatro Municipal. Posteriormente, nasceram talentos como Dalal Achcar, Marcia Haydée, Tatiana Leskova, Ana Botafogo etc. Pode-se dizer que a história do ballet no Brasil começou em 1927 com a vinda da bailarina russa Maria Oleneva para o Rio de Janeiro. Ela fundou a Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal, que se tornou o principal centro de formação de bailarinos do país na época.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Balé https://super.abril.com.br/mundo- estranho/como-surgiu-o-bale/ https://www.anabotafogomaison.com.br/a- historia-do-ballet/ file:///C:/Users/beatr/OneDrive/Área%20de% 0Trabalho/Aulas/docsity-a-historia-do-ballet- classico-1.pdf https://www.infoescola.com/artes/ballet- classico/