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Tipologia: Esquemas
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A EXPANSÃO DO ISLÃ META Propiciar o estudo sobre questões relativas ao surgimento e à expansão do Islã, em acordo com o que o próprio termo designa: o conjunto territorial e cultural fundamentado na religião islâmica. OBJETIVOS Ao final desta aula, o aluno deverá: destacar o significado político e religioso do Islã no contexto da Idade Média; analisar o papel de Maomé na fundação e expansão do Islamismo; identificar as principais contribuições do Islã para o Ocidente europeu.
Historia Medieval I
Caros alunos. Junto com as invasões dos germanos, as conquistas muçulmanas formaram os dois profundos movimentos nas massas hu- manas que destruíram o equilíbrio do mundo antigo. Em aula anterior já falamos sobre as invasões dos germanos. Na de hoje abordaremos o tema relativo aos muçulmanos e à principal força motivadora das suas conquistas: a religião Islâmica. “No Oriente Médio, em uma península árida banhada pelo oceano Índico e pelo mar Vermelho, nasceu em 630 o Islão, como resultado das guerras santas empreendidas por Maomé. Em pouco tempo se expandiria por extenso território, conquistando terras na Ásia, na África e na Europa. Graças à expansão, a população do Islã manteve intenso contato com po- vos que sucederam o Império Romano, como os de origem germânica. Na Europa, promovendo as guerras santas, espalhou muitas vezes o pânico e contribuiu para a interiorização das populações litorâneas; em outros momentos, acabou interagindo com os grupos locais e legando a eles um novo vocabulário, diferentes hábitos alimentares e técnicas agrícolas revo- lucionárias, entre muitas outras contribuições. Em terras do Islã, era difícil separar o Estado da religião. A palavra Islão designa o mundo dos crentes, dos que acreditam em um só deus e obedecem a um só chefe, Maomé, e a seus sucessores, os califas. Tem, portanto, significado religioso e político, isto é, designa um Estado teocrático, em que o chefe religioso e o chefe político são um só.” (ARRUDA ; PILETTI, 1999, p. 114). Mausoléu de Humayun em Nova Delhi (Índia). Arquitetura islâmica (Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. XIII. p. 3241).
Historia Medieval I Data do ano 610 o início da pregação feita por Maomé dos princípios de um sistema religioso que unia elementos do paganismo árabe, do cristianismo e do judaísmo e a crença no deus Alá. Com o aumento do interesse e do número de seguidores, principalmente entre os beduínos do deserto, Maomé foi forçado a sair de Meca e instalar-se em Medina, onde continuou sua pregação, que passou a incluir o Jihah, a proclamação da guerra santa contra os infiéis. Em 630, Maomé retornou para Meca, destruiu os ídolos da Caaba, que se manteve como centro sagrado de adoração a Alá e foi reconhecido como único profeta. A partir de então o ano 630 ficou definido como ano da fundação do Islamismo. “Maomé da instruções a seus guerreiros” (Fonte: Grandes Personagens da História Universal. v. I - São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 208). “Maomé da instruções a seus guerreiros” (Fonte: Grandes Personagens da História Universal. v. I - São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 208).
A Expansão do Islã (^) Aula 6 A DOUTRINA ISLÂMICA “O Islamismo prega a crença em um só Deus, Alá, e em Maomé, seu único profeta. Reconhece certas verdades pregadas por Moisés, Cristo, Ezequiel e outros profetas da Bíblia. Afirma também a crença nos anjos, no juízo final, no paraíso e no inferno. A moral do islamismo é semelhante à do cristianismo, à dos Dez Mandamentos, mas fortemente influenciada pelos usos e costumes dos árabes. O crente tem cinco obrigações fundamentais: dar esmola proporcionalmente aos bens que possui; jejuar no ramadã; ir em peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida; fazer cinco orações diárias voltadas para Meca; e fazer a guerra santa contra os infiéis. O conjunto de crenças e obrigações dos islamitas está reunido em dois livros sagrados: o Corão ou Alcorão, espécie de bíblia dos muçulmanos; e o Suna, que contém ensinamentos e fatos da vida de Maomé recolhidos por seus sucessores.” (ARRUDA ; PILETTI, 1999, p. 116). Ramadã O nono mês do ano muçulmano, reverenciado como o mês sagrado dos islamitas. No ramada o jejum é obrigatório do nascer ao por do Sol, além de ser expressamente proibido o consumo de bebida alcoólica e fumo. “Arquitetura islâmica na Índia” (Fonte: Grandes Personagens da História Universal. v. I - São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 208).
A Expansão do Islã (^) Aula 6 O método hispânico é instruir lendo e escrevendo. É a isso que prestam atenção ao educar (as crianças). Todavia, visto que o Corão é a base e o fundamento de tudo isto e a fonte do Islã e de todas as ciências, fazem dele o ponto de partida da educação, mas não restringem exclusivamente a ele a instrução das crianças. Juntam-lhe também (outros assuntos) especialmente a poesia e a composição; dão às crianças um profundo conhecimento do árabe e ensinam-lhes uma boa caligrafia [...] O povo do Oriente, tanto quanto sabemos, parece ter um currículo misto [...] Disseram-nos que se preocupa em ensinar o Corão e depois os trabalhos e normas básicas do ensino (religioso) à medida que (as crianças) crescem. Não combinam (a instrução pelo Corão) com a aprendizagem da escrita [...] Aqueles que desejam aprender uma boa caligrafia têm de o fazer mais tarde com (calígrafos) profissionais, segundo o grau do seu interesse e desejo [...] .” (PEDRERO-SÁNCHEZ, 2000, p. 62-63) O aparecimento do Islã e a conquista árabe são considerados os grandes acontecimentos do século VII. Situada na confluência entre Europa, Ásia e África, a península Arábica beneficiou-se da localização, tanto para avan- çar sobre os povos mediterrâneos como para facilitar o intercâmbio entre distintas culturas. Transformou-se num grande Império mercantil e ajudou a enriquecer o patrimônio cultural ao Ocidente. A Europa rapidamente se deu conta da riqueza cultural islâmica, herdeira de uma Antiguidade com a qual procurava restabelecer contato e apropriar-se em seu proveito”. (LE GOFF, 2002, p.641). Com a facilidade do bom relacionamento predominante nos contatos entre cristãos e muçulmanos, as trocas enriqueceram o patrimônio das duas civilizações. Aqui é importante observar que mesmo “no curso do século 11, quando as cruzadas são preparadas e depois orquestradas por toda uma propaganda que coloca em primeiro plano os ódios cristãos aos partidários de Maomé”, as trocas continuaram, chegando mesmo a se ampliar. (LE GOFF, 2005, p. 138). Segundo esse mesmo autor, as trocas eram em primeiro lugar comer- ciais, e depois trocas intelectuais. “No auge das cruzadas, a ciência árabe se difunde pela Cristandade e, se não chegou a produzir, ao menos nutriu o que se costuma chamar de Renascimento do século 12. Aquilo que os árabes ofereceram aos eruditos cristãos foi, principalmente, a ciência grega entesourada nas bibliotecas orientais e posta em circulação pelos erudi- tos muçulmanos, que a levaram aos confins do Islã, à Espanha, onde os clérigos cristãos foram aspirar a ela com avidez no tempo da Reconquista. Toledo, reconquistada pelos cristãos em 1085, tornou-se o pólo de atração de tradutores, os mais sequiosos num primeiro momento” (2005, p. 139).
Historia Medieval I Nesse ponto cabe ressaltar o fato mais marcante do contato intelectual entre a Europa e o Islã: o “movimento das traduções”, primeiro do grego para o árabe e depois do árabe para o latim. Com o objetivo de integrar a nova religião em suas tradições intelectuais, os árabes recorreram sobretudo às obras científicas, susceptíveis de aplicações práticas, e à Filosofia, onde procuravam armas para os conflitos doutrinários “A importância cultural do movimento das traduções é considerável: acompanhou e estimulou o crescimento intelectual da Europa nos séculos XII e XIII; fundou em larga medida a modernidade do pensamento, contribuindo para provocar na Europa um desenvolvimento cultural verdadeiramente revolucionário. [...] Desenvolvendo a idéia de progresso e a preocupação com as aplicações técnicas da ciência, o Ocidente tirou o melhor partido das inovações que conheceu por inter médio do mundo árabe, ou em todo caso paralelamente a ele (papel, números “árabes” e uso do zero, bússola e cartografia, pólvora...), valendo-se delas para dar suporte a um desenvolvimento cumulativo que o colocaria rapidamente em posição de superioridade em relação ao Dar al-Islam. O momento decisivo da assimilação das ciências e técnicas emprestadas do mundo árabe foi certamente o século XII, época de Frederico II. Para Roger Bacon, a filosofia era domínio por excelência dos gregos e árabes, e a Cristandade recebeu-a quase que totalmente deles. Para os eruditos de meados do mesmo século, a discussão das próprias realidades teológicas não se podia fazer senão em termos da filosofia árabe.” (LE GOFF, 2002, p. 642). Foi também através dos árabes que os europeus conheceram novos produtos agrícolas como cânhamo, amora, algodão, cana-de-açúcar, laranja, limão, arroz; novas técnicas agrícolas, como o açude, a levada (rego para irrigar e mover moinho), a azenha (moinho de água), a nora (roda à qual se prendem vários recipientes para captar água); novas indústrias, como a do mosaico, da cerâmica e do vidro. (ARRUDA ; PILETTI, 1999, p. 117). Para encerrar, destaquemos a arte extremamente original qualificada de “moçarárabe”, que se desenvolveu nos séculos IX e X, nos redutos europeus de povos árabes. “Trata-se sobretudo de belos manuscritos iluminados e de igrejas influenciadas por formas arquitetônicas então valorizadas no califado (arcos com ferro duplo, abóbadas com nervuras).” (LE GOFF, 2002, p. 636). E como deixar de mencionar o nome de alguns dos eruditos que mar- caram mais profundamente a civilização muçulmana, como o de Alcuíno, Alfarabi, Avicena e Averróis, e a arte da arquitetura, especialmente no que diz respeito às grandes mesquitas, que representam ainda hoje um valioso patrimônio para a humanidade?
Historia Medieval I
No século VII, os árabes estabeleceram seu domínio sobre o mar Mediterrâneo, ocuparam parte da península Ibérica, isolaram a Europa do Oriente e mantiveram o Império Bizantino sob constante pressão. Na sua tentativa de avançar sobre a Gália a partir da Espanha os árabes foram rechaçados pelos francos, fato que se tornou importante para a afirmação da dinastia carolíngia, conforme veremos na próxima aula. No século XIII a vitória dos mongóis sobre os árabes pôs fim ao seu poderio, mas não apagou a grande contribuição já transmitida pelos árabes à cultura Ocidental. Foi nos preceitos da religião fundada por Maomé, especialmente o da guerra santa, que os árabes encontraram fortes elementos de motivação para conquistarem terras na Ásia, na África e na Europa. Mas nessa investida os árabes tanto aprenderam como transmitiram saberes, ajudando assim a enriquecer o patrimônio cultural da humanidade.
Data do ano 630, a fundação por Maomé da religião islâmica. Da cidade de Meca, na península Arábica, a nova religião foi sendo difundida nos locais conquistados militar mente pelos árabes. Dessa forma, no final do século eles haviam estendido pela região mediterrânea um importante conjunto territorial e cultural fundamentado no islamismo. Unindo elementos do paganismo árabe, do cristianismo, do judaísmo, e a crença no deus Alá e no profeta Maomé, o islamismo determina a seus fiéis o cumprimento de cinco obrigações fundamentais: dar esmola propor- cional aos bens que possui; jejuar no Ramadã; ir em peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida; fazer cinco orações diárias voltado para Meca; e fazer a guerra santa contra os infiéis. Corão ou Alcorão é o nome do livro que reúne as crenças e as obrigações a serem seguidas pelos islamitas. Organizados sob um Estado teocrático, no qual o califa era ao mesmo tempo chefe religioso e chefe político, os árabes não conseguiram manter por muito tempo a política expansionista que lhes assegurou o controle de terras na Ásia, áfrica e Europa. Acabaram sendo expulsos da Europa, sub- stituídos no controle de territórios norte-africanos e impedidos de avançar sobre o Império bizantino. A partir do século XIII os mongóis decretaram o fim do poderio árabe no Mediterrâneo e no Oriente. A Europa muito se beneficiou do contato com o Islã. Através dos árabes os europeus conheceram novos produtos agrícolas, novas técnicas, novas indústrias e tiveram acesso a parte significativa do legado cultural da Antiguidade, graças ao movimento de traduções ligado aos árabes.
A Expansão do Islã (^) Aula 6
Analisaremos na próxima aula as características do chamado Império Carolíngio.
ARRUDA, José Jobson de A.; PILETTI, Nelson. Toda a História: História Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 1999. LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Bauru, SP: EDUSC, 2005. LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. v. 1. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002. PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000. PERROY, Édouard. Preeminência das Civilizações Orientais. In: CROUZET, Maurice. História Geral das Civilizações. v. 1. Tomo III. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1964. Atlas da História do Mundo. Folha de São Paulo.