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Histórias infantis #01, Trabalhos de História Moderna

Trata-se de memórias com adicionais fictícios de um jovem sonhador.

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 17/07/2020

marcos-nat
marcos-nat 🇧🇷

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D’Ori Vergalhão
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D’Ori Vergalhão

SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO

SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO

1ª edição

D’Ori Vergalhão

D’Ori Vergalhão

NNoottaass^ ddoo^ aauuttoorr::

♦ ♦ EEmmbboorraa ccoonntteennddoo ttaannttaass (^) rreeccoorrddaaççõõeess

ppeessssooaaiiss,,^ oo^ pprreesseennttee^ lliivvrroo^ ssee^ ttrraattaa^ ddee^ uummaa^ oobbrraa

ddee^ ffiiccççããoo..

♦ ♦ EEssssee lliivvrroo ppoossssuuii oo ddeesseennhhoo ddee ccaappaa ddoo

mmeeuu^ ssoobbrriinnhhoo^ ee^ aammiiggoo^ BBrruunnoo^ HHeennrriiqquuee^ ((ddoozzee

aannooss))^ ee^ oo^ ccoorraaççããoo^ ddaa^ mmiinnhhaa^ ssoobbrriinnhhaa^ ee^ aammiiggaa

AAnnaa BBeeaattrriizz ((nnoovvee aannooss))..

D’Ori Vergalhão

e-mail:

[email protected]

[email protected]

SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO

  • AS LEMBRANÇAS DE SIMPLÍCIO CAPITULOS
  • PROFESSOR RAMOS E A HITÓRIA DO LÁPIS
  • UM TRISTE NATAL
  • A FATÍDICA ENCHENTE
  • PRIMA DORALICE
  • DESILUSÃO
  • A VIDA CONTINUA
  • À PROCURA DAS IRMÃS
  • EM VERA
  • VILA REDONDA
  • UM PARENTE INESPERADO
  • O COLCHÃO MÁGICO

SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO

Quanto ao agasalho para o frio tiritante das geadas paranaenses, uma ou outra blusa já rota pelo uso, que uma tia da cidade carido- samente lembrava-se de lhe doar, quando os primos ganhavam novas e nelas esnobemente vinham vestidos para lhe causar inveja.

Simplício tinha duas irmãs, Maria Lucia (não gostava de ser chamada pelo terceiro nome, Angelina), mais velha dois anos e a caçulinha a quem o pai, que provavelmente fora ao Cine Sertaneja uma única vez na vida, justamente para assistir ao filme Bonequinha de Luxo, deslumbrando-se sobremaneira com a atriz principal, pôs nome artístico.

Isso para desgosto da mãe, que nunca se conformou nem aprendeu a falar direito o nome da menina, e para gozação do moleque Simplício que desde o inicio cismou que Audrey Kathleen Ruston da Silva era nome de homem, não de mulher.

Mas o pai, com muito orgulho, tentava pronunciá-lo num inglês mais à Salvador que à Londres (sempre achou que a atriz era inglesa), enquanto Maria Lucia e Simplício preferiam chama-la apenas por Dinha.

D’Ori Vergalhão

Dinha nasceu num parto de risco, em casa, sob os cuidados de uma parteira expe- riente de Sertaneja, quando a mãe já passara há muito dos trinta anos e andava com a saúde debilitada pela penúria de uma vida inteira transcorrida na pobreza e desconforto. Chegou a este mundo com o calor de setembro de 1962, quando Simplício acabara de completar oito anos de idade.

Sempre muito mimada pelos pais, talvez pelo fato de que também nascera doentia em consequência da pouca saúde da mãe. Sofria a pobrezinha de anemia profunda que tônico ne- nhum, seja do farmacêutico, seja da Rita benze- deira, conseguira curar. Chorona e dengosa fa- zia, com freqüência, Simplício levar doídas chi- neladas por parte da mãe, e do pai cocorotes no cocuruto que o fazia ver estrelas.

Por isso Simplício não brincava com a irmãzinha; preferia juntar-se aos outros mole- ques das redondezas e fazer estripulias pelos matos, ou nadar, embora a águas barrentas, perigosamente corredias e profundas daquele trecho do Rio Congonhas.

Simplício normalmente era seguido por seu cachorro Apolo e a gata de estimação da

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matéria didática aos seus educandos, transcor- rendo suas aulas a divagar sobre fatos históricos ou científicos que, com certeza, também são importantes para a boa cultura e a ampliação do conhecimento da criança, porém como um adendo do saber.

Claro que a gurizada vibrava com as maluquices do mestre; tanto assim que quando o Professor Ramos, esse era o seu sobrenome e como gostava de ser chamado, ficou doente e a Secretaria Municipal de Ensino determinou uma professora a substituí-lo, os pestinhas deixaram- na um tanto quanto pirada. Transcorriam às cinco horas letivas na maior bagunça e algazarra a que não tinham direito. Conseqüência disso, pois se estava no ultimo bimestre de aulas daquele ano, bombaram todos, menos quatro japonesinhas que se sentavam na primeira fileira, pois essas realmente eram crânios e estu- davam prá valer. Coisa de japoneses, mesmo!

Lembrava-se, Simplício, de certa vez em que professor Ramos passou metade da aula falando sobre o lápis. Contou toda sua história, tintim por tintim. Achava Simplício que o “louco redondo” até fantasiara um pouco... Ou bastan- te, com toda certeza!

SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO

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Repetiu e em seguida continuou atrope- ladamente, como se engasgasse com as próprias palavras:

  • Que veio a destroçar o grande e centena- rio carvalho nos arredores de Borrowdale, ele- vando suas grossas e retorcidas raízes fora do solo! E, sabem vocês o que um camponês en- controu, pela manhãzinha, quando verificava os estragos causados pela tempestade? Sabem? Sabem o que ele descobriu?
  • A América! - Gritou João Sardento todo animado e sábio, levantando-se na carteira e esticando o braço direito para o alto.
  • A América?... Sua rã empanada! Lagarto a milanesa! – Vociferou com o dedo em riste a menos de dez centímetros do nariz de João que se encolheu, rindo e fazendo caretas, no banco escolar.
  • A América, quem descobriu foi Cristóvão Colombo e não foi no século dezesseis, e sim no século quinze! – Gritou colérico o Professor Ramos, esbugalhando os olhos e puxando os poucos fios de cabelos que lhe enfeitavam o cimo da cabeça, como se fosse arrancá-los num só golpe.

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Voltou então a encarar de perto os demais alunos que a custo conseguira normalizar, depois da estrondosa gargalhada que quase pusera abaixo as velhas paredes de tábuas da escola.

  • Claro que não, seu espantalho da Babilônia! – Urrou, ainda irritado, como se fosse devorar com os olhos vermelhos e arregalados João Sardento, pela resposta fora de propósito que lhe dera à sua pergunta. - O que ele descobriu, trazido do interior do solo pelas raízes da árvore tombada naquele raio, foi o “chumbo negro”, ou seja, a grafite. – Falou com a ênfase de um político empoleirado num palanque eleitoral às vésperas de eleição.
  • E aquelas boas pessoas logo imaginaram um vasto leque de utilidade ao minério que o raio em conseqüência lhes revelara. Usado inicialmente para marcar ovelhas... Harammm! Logo tiveram a idéia de amarrar pedaços finos do achado em varinhas de madeira, criando assim os primeiros lápis de que se tem notícia! -

Nesse momento Professor Ramos silenciou- se como se refletisse sobre algo assas impor- tante, mas sem que seu olhar desvairado dei- xasse de correr de aluno a aluno, num esforço

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cia, ao propósito de registrar dados nas superfí- cies. Assim, por suas qualidades, o chumbo pás- sou a ser amplamente empregado para tal fim. -

Nesse momento o professor voltou à sua mesa e sentou-se. Bebeu um golinho d’água e vasculhou entre a montanha de papeis que sempre mantinha ao lado dos livros e canetas, separou algumas folhas e se pôs a lê-las em silêncio. Os alunos concluíram que a aula sobre o lápis tinha acabado e como se aproximava o horário do recreio, começaram a se levantar, dispostos a sair para o pátio. Como um gato, Professor Ramos saltou agilmente da sua ca- deira para próximo das carteiras e rapidamente as crianças voltaram a sentar-se nos seus lugares.

O mestre agora se pusera a dançar e saltitar na sala, pisando com força no chão assoalhado, fazendo os móveis trepidar.

  • Achei o que precisava para continuar! Achei! -

E eufórico iniciou então à leitura dos papeis que trouxera da escrivaninha:

  • O verdadeiro antepassado do lápis provavelmente seja o seu equivalente romano,

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o “stylus”, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente de chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O “stylus” era utilizado para a escrita nos papiros. -

Voltou a acalmar-se e agora falava baixo, como se sussurrasse as palavras. Mas o silêncio que se fazia na classe era de tal forma intenso, que os alunos o ouviam nitidamente.

  • No entanto, os primeiros lápis na forma como conhecemos só surgiriam no século dezesseis, talvez entre os anos de 1540 e 1565, de acordo com as anotações do escritor e paleontólogo Konrad Gesner em sua obra sobre fósseis, embora a identidade daquele que teve a boa idéia de colar dois pedacinhos de madeira com um filete de grafite embutido no centro, o lápis que hoje nos é tão útil, perdeu-se infelizmente na história, como a de tantos outros gênios inglórios desta vida. -

Arregalou dois enormes olhos e apontou com o seu dedo para os alunos:

  • Grafite, meus pimpolhos, para seu gover- no, é um termo derivado do verbo grego “graphain” que significa escrever, e foi criado