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Trata-se de memórias com adicionais fictícios de um jovem sonhador.
Tipologia: Trabalhos
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D’Ori Vergalhão
SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO
SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO
1ª edição
D’Ori Vergalhão
D’Ori Vergalhão
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mmeeuu^ ssoobbrriinnhhoo^ ee^ aammiiggoo^ BBrruunnoo^ HHeennrriiqquuee^ ((ddoozzee
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AAnnaa BBeeaattrriizz ((nnoovvee aannooss))..
D’Ori Vergalhão
e-mail:
SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO
Quanto ao agasalho para o frio tiritante das geadas paranaenses, uma ou outra blusa já rota pelo uso, que uma tia da cidade carido- samente lembrava-se de lhe doar, quando os primos ganhavam novas e nelas esnobemente vinham vestidos para lhe causar inveja.
Simplício tinha duas irmãs, Maria Lucia (não gostava de ser chamada pelo terceiro nome, Angelina), mais velha dois anos e a caçulinha a quem o pai, que provavelmente fora ao Cine Sertaneja uma única vez na vida, justamente para assistir ao filme Bonequinha de Luxo, deslumbrando-se sobremaneira com a atriz principal, pôs nome artístico.
Isso para desgosto da mãe, que nunca se conformou nem aprendeu a falar direito o nome da menina, e para gozação do moleque Simplício que desde o inicio cismou que Audrey Kathleen Ruston da Silva era nome de homem, não de mulher.
Mas o pai, com muito orgulho, tentava pronunciá-lo num inglês mais à Salvador que à Londres (sempre achou que a atriz era inglesa), enquanto Maria Lucia e Simplício preferiam chama-la apenas por Dinha.
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Dinha nasceu num parto de risco, em casa, sob os cuidados de uma parteira expe- riente de Sertaneja, quando a mãe já passara há muito dos trinta anos e andava com a saúde debilitada pela penúria de uma vida inteira transcorrida na pobreza e desconforto. Chegou a este mundo com o calor de setembro de 1962, quando Simplício acabara de completar oito anos de idade.
Sempre muito mimada pelos pais, talvez pelo fato de que também nascera doentia em consequência da pouca saúde da mãe. Sofria a pobrezinha de anemia profunda que tônico ne- nhum, seja do farmacêutico, seja da Rita benze- deira, conseguira curar. Chorona e dengosa fa- zia, com freqüência, Simplício levar doídas chi- neladas por parte da mãe, e do pai cocorotes no cocuruto que o fazia ver estrelas.
Por isso Simplício não brincava com a irmãzinha; preferia juntar-se aos outros mole- ques das redondezas e fazer estripulias pelos matos, ou nadar, embora a águas barrentas, perigosamente corredias e profundas daquele trecho do Rio Congonhas.
Simplício normalmente era seguido por seu cachorro Apolo e a gata de estimação da
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matéria didática aos seus educandos, transcor- rendo suas aulas a divagar sobre fatos históricos ou científicos que, com certeza, também são importantes para a boa cultura e a ampliação do conhecimento da criança, porém como um adendo do saber.
Claro que a gurizada vibrava com as maluquices do mestre; tanto assim que quando o Professor Ramos, esse era o seu sobrenome e como gostava de ser chamado, ficou doente e a Secretaria Municipal de Ensino determinou uma professora a substituí-lo, os pestinhas deixaram- na um tanto quanto pirada. Transcorriam às cinco horas letivas na maior bagunça e algazarra a que não tinham direito. Conseqüência disso, pois se estava no ultimo bimestre de aulas daquele ano, bombaram todos, menos quatro japonesinhas que se sentavam na primeira fileira, pois essas realmente eram crânios e estu- davam prá valer. Coisa de japoneses, mesmo!
Lembrava-se, Simplício, de certa vez em que professor Ramos passou metade da aula falando sobre o lápis. Contou toda sua história, tintim por tintim. Achava Simplício que o “louco redondo” até fantasiara um pouco... Ou bastan- te, com toda certeza!
SIMPLÍCIO E O COLCHÃO MÁGICO
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Repetiu e em seguida continuou atrope- ladamente, como se engasgasse com as próprias palavras:
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Voltou então a encarar de perto os demais alunos que a custo conseguira normalizar, depois da estrondosa gargalhada que quase pusera abaixo as velhas paredes de tábuas da escola.
Nesse momento Professor Ramos silenciou- se como se refletisse sobre algo assas impor- tante, mas sem que seu olhar desvairado dei- xasse de correr de aluno a aluno, num esforço
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cia, ao propósito de registrar dados nas superfí- cies. Assim, por suas qualidades, o chumbo pás- sou a ser amplamente empregado para tal fim. -
Nesse momento o professor voltou à sua mesa e sentou-se. Bebeu um golinho d’água e vasculhou entre a montanha de papeis que sempre mantinha ao lado dos livros e canetas, separou algumas folhas e se pôs a lê-las em silêncio. Os alunos concluíram que a aula sobre o lápis tinha acabado e como se aproximava o horário do recreio, começaram a se levantar, dispostos a sair para o pátio. Como um gato, Professor Ramos saltou agilmente da sua ca- deira para próximo das carteiras e rapidamente as crianças voltaram a sentar-se nos seus lugares.
O mestre agora se pusera a dançar e saltitar na sala, pisando com força no chão assoalhado, fazendo os móveis trepidar.
E eufórico iniciou então à leitura dos papeis que trouxera da escrivaninha:
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o “stylus”, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente de chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O “stylus” era utilizado para a escrita nos papiros. -
Voltou a acalmar-se e agora falava baixo, como se sussurrasse as palavras. Mas o silêncio que se fazia na classe era de tal forma intenso, que os alunos o ouviam nitidamente.
Arregalou dois enormes olhos e apontou com o seu dedo para os alunos: