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Homônimos Perfeitos, Slides de Português (Gramática - Literatura)

Aula sobre Homônimos Perfeitos

Tipologia: Slides

2020

Compartilhado em 11/11/2021

leciane-santiago
leciane-santiago 🇧🇷

4 documentos

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Tema da Aula: Conto De Enigma
Professora: Leciane Santiago Sampaio
Disciplina: Língua Portuguesa
Turma: 8º
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Tema da Aula: Conto De Enigma

Professora: Leciane Santiago Sampaio Disciplina: Língua Portuguesa Turma: 8º

NARRATIVA DE ENIGMA

A história se desenvolve a partir de

um crime;

O leitor acompanha os fatos

segundo a ótica do narrador;

Presença de diálogos;

 Em geral apresenta como personagens: o criminoso, a vítima, os suspeitos e o detetive;  O protagonista na maioria das vezes é quem investiga todos os fatos na tentativa de elucidar o mistério;

Os romances de Conan Doyle me deram o desejo de empreender alguma façanha no gênero das de Sherlock Holmes. Pareceu-me que deles se concluía que tudo estava em prestar atenção aos fatos mínimos. Destes, por uma série de raciocínios lógicos, era sempre possível subir até o autor do crime. Quando acabara a leitura do último dos livros do Conan Doyle, meu amigo Alves Calado teve a oportuna nomeação de delegado auxiliar. Íntimos, como éramos, vivendo juntos, como vivíamos na mesma pensão, tendo até escritório comum de advocacia, eu lhe tinha várias vezes exposto minhas ideias de “detetive”. Assim, no próprio dia de sua nomeação ele me disse: — Eras tu que devias ser nomeado! Mas acrescentou, desdenhoso das minhas habilidades: — Não apanhavas nem o ladrão que roubasse o obelisco da avenida! Fi-lo, porém, prometer que, quando houvesse algum crime, eu o acompanharia a todas as diligências. Por outro lado levei-o a chamar a atenção do seu pessoal para que, tendo notícia de qualquer roubo ou assassinato, não invadisse nem deixasse ninguém invadir o lugar do crime. — Alta polícia científica – disse ele, gracejando. SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES - MEDEIROS E ALBUQUERQUE

A casa era de dois andares e Madame Guimarães, nos dias de festas, tomava a si arrumar capas e chapéus femininos no seu quarto: — Serviço de vestiário é exclusivamente comigo. Não quero confusões. [...] Nisto, uma das senhoras presentes veio despedir-se de Madame Guimarães. Precisava de seu chapéu. A dona da casa, que, para evitar trocas e desarrumações, era a única a penetrar no quarto que transformara em vestiário, levantou-se e subiu para ir buscar o chapéu da visita, que desejava partir. Não se demorou muito tempo. Voltou com a fisionomia transtornada: — Roubaram-me. Roubaram o meu anel de brilhantes… Todos se reuniram em torno dela. Como era? Como não era? Não havia, aliás, nenhuma senhora que não o conhecesse: um anel com três grandes brilhantes de um certo mau gosto espetaculoso, mas que valia de sessenta a oitenta contos. Sherlock Holmes gritou dentro de mim: “Mostra o teu talento, rapaz!”.

Sugeri logo que ninguém entrasse no quarto. Ninguém. Era

preciso que a polícia pudesse tomar as marcas digitais que por

acaso houvesse na mesa de cabeceira de Madame Guimarães.

Porque era lá que tinha estado a joia.

Saltei ao telefone, toquei para o Alves Calado, que se achava de

serviço nessa noite, e preveni-o do que havia, recomendando-lhe

que trouxesse alguém, perito em datiloscopia.

Ele respondeu de lá com a sua troça habitual:

  • Vais afinal entrar em cena com a tua alta polícia científica?

Objetou-me, porém, que a essa hora não podia achar nenhum

perito. Aprovou, entretanto, que eu não consentisse ninguém

entrasse no quarto. Subi então com todo o grupo para fecharmos

a porta a chave. Antes de se fechar, era, porém, necessário que

Madame Guimarães tirasse as capas que estavam no seu leito.

Todos ficaram no corredor, mirando, comentando. Eu fui o único

que entrei, mas com um cuidado extremo, um cuidado um tanto

cômico de não tocar em coisa alguma.

Houve uma hesitação. Algumas diziam estar acima de qualquer suspeita, outras que não se submetiam a nenhum inquérito policial. Venceu, porém, o partido das que diziam "quem não deve não teme". Eu esperava, paciente. Por fim, quando vi que todas estavam resolvidas, lembrei que se ria melhor quem fosse saindo, despedir-se e partir. E a cerimônia começou. Cada uma das senhoras esteve trancada comigo justamente os cinco minutos que eu marcara. Quando a última partiu, saiu do gabinete, achei à porta, ansiosa, Madame Guimarães:

  • Venha comigo - disse-lhe eu. Aproximei-me do telefone, chamei o Alves Calado e disse-lhe que não precisava mais tomar providência alguma, porque o anel fora achado.

Voltando-me para Madame Guimarães entreguei-o então. Ela

estava tão nervosa que me abraçou e até beijou freneticamente.

Quando, porém, quis saber quem fora a ladra, não me arrancou

nem uma palavra.

No quarto, ao ver Sinhazinha Ramos entrar, tínhamos tido, mais ou

menos, a seguinte conversa:

  • Eu não vou deitar verdes para colher maduros, não vou armar

cilada alguma. Sei que foi a senhora que tirou a joia de sua tia.

Ela ficou lívida. Podia ser medo. Podia ser cólera. Mas respondeu

firmemente:

  • Insolente! É assim que o senhor está fazendo com todas, para

descobrir a culpada?

  • Está enganada. Com as outras converso apenas, conto-lhes

anedotas. Com a senhora, não; exijo que me entregue o anel.

Mostrei-lhe o relógio para que visse que o tempo estava passando.

  • Note - disse eu - que tenho uma prova. Posso fazê-la ver a todos.

Abri a porta. Sinhazinha compôs magicamente, imediatamente, o mais encantador, o mais natural dos sorrisos e saiu dizendo:

  • Se este Sherlock fez com todas o mesmo que comigo, vai ser um fiasco absoluto. Não foi fiasco, mas foi pior. Quando Sinhazinha chegara, subira, logo. Graças à intimidade que tinha na casa, onde vivera até a data do casamento, podia fazer isso naturalmente. Ia só para deixar a sua capa dentro de um armário. Mas, à procura de um alfinete, abriu a mesinha de cabeceira, viu o anel, sentiu a tentação de roubá-lo e assim fez. Lembrou-se que tinha de ir para a Europa daí a um mês. Lá venderia a joia. Desceu então novamente com a capa e mandou pô-Ia no automóvel. E como ninguém a tinha visto subir, pôde afirmar que não fora ao andar superior.

Eu estraguei tudo. Mas a mulherzinha se vingou: a todos insinuou que provavelmente o ladrão tinha sido eu mesmo, e vendo o caso descoberto antes da minha retirada, armara aquela encenação para atribuir a outrem o meu crime. O que sei é que Madame Guimarães, que sempre me convidava para as suas recepções, não me convidou para a de ontem ... Terá talvez sido a primeira a acreditar na sobrinha.