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Aula sobre Homônimos Perfeitos
Tipologia: Slides
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Professora: Leciane Santiago Sampaio Disciplina: Língua Portuguesa Turma: 8º
Em geral apresenta como personagens: o criminoso, a vítima, os suspeitos e o detetive; O protagonista na maioria das vezes é quem investiga todos os fatos na tentativa de elucidar o mistério;
Os romances de Conan Doyle me deram o desejo de empreender alguma façanha no gênero das de Sherlock Holmes. Pareceu-me que deles se concluía que tudo estava em prestar atenção aos fatos mínimos. Destes, por uma série de raciocínios lógicos, era sempre possível subir até o autor do crime. Quando acabara a leitura do último dos livros do Conan Doyle, meu amigo Alves Calado teve a oportuna nomeação de delegado auxiliar. Íntimos, como éramos, vivendo juntos, como vivíamos na mesma pensão, tendo até escritório comum de advocacia, eu lhe tinha várias vezes exposto minhas ideias de “detetive”. Assim, no próprio dia de sua nomeação ele me disse: — Eras tu que devias ser nomeado! Mas acrescentou, desdenhoso das minhas habilidades: — Não apanhavas nem o ladrão que roubasse o obelisco da avenida! Fi-lo, porém, prometer que, quando houvesse algum crime, eu o acompanharia a todas as diligências. Por outro lado levei-o a chamar a atenção do seu pessoal para que, tendo notícia de qualquer roubo ou assassinato, não invadisse nem deixasse ninguém invadir o lugar do crime. — Alta polícia científica – disse ele, gracejando. SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES - MEDEIROS E ALBUQUERQUE
A casa era de dois andares e Madame Guimarães, nos dias de festas, tomava a si arrumar capas e chapéus femininos no seu quarto: — Serviço de vestiário é exclusivamente comigo. Não quero confusões. [...] Nisto, uma das senhoras presentes veio despedir-se de Madame Guimarães. Precisava de seu chapéu. A dona da casa, que, para evitar trocas e desarrumações, era a única a penetrar no quarto que transformara em vestiário, levantou-se e subiu para ir buscar o chapéu da visita, que desejava partir. Não se demorou muito tempo. Voltou com a fisionomia transtornada: — Roubaram-me. Roubaram o meu anel de brilhantes… Todos se reuniram em torno dela. Como era? Como não era? Não havia, aliás, nenhuma senhora que não o conhecesse: um anel com três grandes brilhantes de um certo mau gosto espetaculoso, mas que valia de sessenta a oitenta contos. Sherlock Holmes gritou dentro de mim: “Mostra o teu talento, rapaz!”.
Houve uma hesitação. Algumas diziam estar acima de qualquer suspeita, outras que não se submetiam a nenhum inquérito policial. Venceu, porém, o partido das que diziam "quem não deve não teme". Eu esperava, paciente. Por fim, quando vi que todas estavam resolvidas, lembrei que se ria melhor quem fosse saindo, despedir-se e partir. E a cerimônia começou. Cada uma das senhoras esteve trancada comigo justamente os cinco minutos que eu marcara. Quando a última partiu, saiu do gabinete, achei à porta, ansiosa, Madame Guimarães:
Abri a porta. Sinhazinha compôs magicamente, imediatamente, o mais encantador, o mais natural dos sorrisos e saiu dizendo:
Eu estraguei tudo. Mas a mulherzinha se vingou: a todos insinuou que provavelmente o ladrão tinha sido eu mesmo, e vendo o caso descoberto antes da minha retirada, armara aquela encenação para atribuir a outrem o meu crime. O que sei é que Madame Guimarães, que sempre me convidava para as suas recepções, não me convidou para a de ontem ... Terá talvez sido a primeira a acreditar na sobrinha.