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A identificação e classificação dos solos são fundamentais para a implantação de obras de engenharia diante da diversidade de solos e dos seus distintos comportamentos. A identificação é realizada em campo, com a observação qualitativa de algumas características dos solos, como a sua fração grossa e fina, permitindo conhecer algumas propriedades gerais facilmente identificáveis.
Tipologia: Resumos
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**- Classificação e identificação dos solos;
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Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem.
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Identificação e Classificação dos Solos
A identificação e classificação dos solos são fundamentais para a implantação de obras de engenharia diante da diversidade de solos e dos seus distintos com- portamentos. A identificação é realizada em campo, com a observação qualitativa de algumas características dos solos, como a sua fração grossa e fina, permitindo conhecer algumas propriedades gerais facilmente identificáveis.
A classificação parte do enquadramento dos solos em um sistema de classifica- ção, que leve em consideração os seus parâmetros quantificáveis, que torna possí- vel conhecer o comportamento dos solos em condições diversas. Busca-se, então, enquadrar os solos com características semelhantes em agrupamentos para antever o seu comportamento.
Os solos podem ser classificados de diversas formas, como pudemos verificar nas unidades anteriores: na Unidade 1, classificação em relação a sua origem; na Unidade 2, classificamos os solos em relação ao tamanho dos seus constituintes e, na Unidade 3, conhecemos os limites de consistência dos solos, que são pa- râmetros essenciais para os Sistemas de Classificação de Solos. Nesta Unidade, conheceremos algumas técnicas para a identificação dos solos em campo, e serão apresentadas outras propriedades dos solos, fundamentais para o entendimento da complexidade do seu comportamento, como a mineralogia da fração grossa e fina, e a sua estrutura.
Na Unidade 5, serão discutidos os principais Sistemas de Classificação de Solos, utilizados mundialmente para agrupar solos com características geotécnicas seme- lhantes.
Identificação dos solos em campo
A identificação do solo em campo parte de um exame tátil visual, que objetiva reconhecer algumas informações qualitativas do material. O reconhecimento é fei- to pelo manuseio do material e pela aplicação de algumas técnicas simples de cam- po, como a observação do tamanho das partículas, a plasticidade e a identificação da cor do material.
Para conhecer a textura do solo, deve-se manusear uma amostra entre os dedos. O pedregulho é facilmente identificável devido ao seu diâmetro, mas a areia pode ser sentida pelo tato, quando úmida, em razão do aspecto áspero de que o material é atribuído.
Definido se o material é um solo grosso ou fino, é possível estimar se os finos apresentam características de silte ou argila. Pinto (2006) apresenta alguns proce- dimentos que podem ser seguidos para a identificação das partículas finas, como a resistência a seco, em que uma pelota de material úmido é moldada, deixando-a secar ao ar. Se a pelota ficar muito dura e se quebrar em pedaços distintos, possui
O pedregulho é formado por partículas minerais ou fragmentos de rochas e possui tamanho superior a 2,0 mm, conforme a ABNT. Pode ser caracterizado em relação a sua textura, compacidade e forma dos grãos.
Já o silte é formado por partículas com diâmetros entre 0,002 mm e 0,006 mm e se caracteriza por apresentar reduzida plasticidade e baixa resistência quando seco ao ar.
As argilas são as partículas de menor dimensão presente nos solos (<0, mm) e se caracterizam por apresentarem plasticidade dentro de um intervalo de umidade e coesão.
Constituição mineralógica dos solos
Como vimos na Unidade 1, os solos são formados pela atuação de processos físicos e químicos que desagregam as rochas e dão origem aos solos. Os solos for- mados terão características que dependerão da composição da rocha que lhe deu origem e da atuação dos fatores de formação do solo, como o clima.
Serão constituídos por minerais primários ou secundários. Os primários são aqueles que não foram alterados pelo intemperismo e são resquícios do material de origem, e os secundários foram modificados e deram origem a novos minerais, como os argilominerais.
As partículas maiores dos solos, como os pedregulhos e as areias, são formadas pela agregação de um único mineral, situação mais comum, ou pela agregação de minerais distintos. Em geral, apresentam em sua composição os minerais do gru- po dos silicatos, como o quartzo, o feldspato e a mica, mas em menor ocorrência também verifica-se outros grupos de minerais, como os carbonatos e os óxidos.
Entre os minerais mais resistentes e comuns de serem encontrados devido a sua dureza e estabilidade química está o quartzo, um mineral do grupo dos silicatos, que formam os grãos de areia e o silte. A sua composição química é SiO2 e suas par- tículas são equidimensionais, com baixa atividade superficial em razão do tamanho de suas partículas (PINTO, 2006).
Os argilominerais também são comumente encontrados nos solos e tratam-se de silicatos complexos compostos por tetraedros de sílica (quatro átomos de oxigênio ligados a um de sílica) e octaedros de alumínio (seis átomos de oxigênio ligados ao alumínio), formados pelo intemperismo de minerais primários, como o feldspato, ou pela transformação de minerais secundários. Além das argilas silicatadas, exis- tem também as argilas oxídicas, que não possuem os octaedros de sílica em sua composição.
Esses argilominerais podem ser classificados em relação aos elementos que os compõem e ao arranjo desses elementos. As associações entre os tetraedros e os octaedros formam diferentes argilominerais, entre os principais estão a caulinita, a montmorilonita (grupo da esmectita) e a ilita.
A união entre os tetraedros de sílica e os octaedros de alumínio formam lâminas que, quando colocadas umas sobre as outras, formam camadas. É possível a for- mação de vários tipos de camadas, mas as mais comuns são constituídas de uma lâmina de tetraedro ligada a uma de octaedro (1:1) e duas lâminas de tetraedros ligadas a uma de octaedros (2:1) (LEPSCH, 2011).
A caulinita é um tipo de argila que possui uma lâmina de tetraedro de silício ligada a uma lâmina de octaedro de alumínio, ou seja, é uma argila do tipo 1:1. Quando as lâminas de tetraedros e octaedros são empilhadas, as camadas adjacen- tes são unidas por ligações de hidrogênio (o hidrogênio presente nas hidroxilas), que impedem a entrada da água e a expansão entre as camadas quando a argila é umedecida. Como a água e os cátions não conseguem penetrar nas camadas de argilas, as caulinitas possuem menor plasticidade, coesão, expansão, contração e retêm menos água do que argilas do tipo 2:1 (BRADY; WEIL, 2013).
A representação esquemática das ligações entre os tetraedros de silício e os octaedros de alumínio, formando argilas do tipo 1:1, como a caulinita, estão re- presentadas no Infográfico 1.
A montmorilonita apresenta camadas adjacentes, unidas por fracas ligações de oxigênio, com espaço variável entre elas, permitindo a entrada da água (Figura 3). Suas partículas se agrupam em flocos que tendem a se empilhar uns sobre os outros, formando microporos. Quando umedecidas, a água é absorvida nos micro- poros, ocasionando na expansão da argila (BRADY; WEIL, 2013).
Figura 3 - Representação da montmorilonita: espaço em que ocorre a entrada e saída de água e cátions. Fonte: Lepsch (2011).
Explor
A capacidade de absorver água e se expandir torna, os solos que possuem esse tipo de argilomineral, menos desejáveis para a implantação de obras de engenha- ria, devido à grande mudança de volume entre o estado seco e úmido, podendo, por exemplo, ocasionar o movimento da fundação de casas ou edifícios.
Estrutura dos solos
A estrutura refere-se ao padrão de arranjo das partículas que constituem os solos e apresenta características distintas nos solos coesivos e não-coesivos. As estruturas
dos solos são determinadas, principalmente, pelo tamanho das partículas, a forma e a composição mineralógica.
Segundo Das (2007), nos solos não-coesivos são encontradas duas categorias de estruturas predominantes: grãos isolados e alveolares.
Denomina-se grau de compacidade o maior ou menor grau de concentração de partículas de um solo e, consequentemente, maior ou menor volume de espaços vazios. O grau de compacidade é determinado por:
$GC=\frac{e~m\acute{a}x~-~e~nat}{e~m\acute{a}x~-~e~m\acute{i}n}$
em que e máx = índice de vazios correspondente ao estado mais fofo;
e mín = índice de vazios correspondente ao estado mais compacto;
e nat = índice de vazios em estado natural do solo.
A determinação dos índices de vazios máximo e mínimo é realizada em labora- tório, por meio de ensaios. Para a obtenção do índice de vazios máximo, coloca-se a amostra seca em um recipiente de volume conhecido, pesando o material. O cálculo é dado por:
$e~m\acute{a}x~=~\left( V-Ps/ys \right)~/~\left( Ps/ys \right)$
onde V = volume do recipiente;
Ps = peso do material seco;
ys = peso específico dos sólidos.
O índice de vazios mínimo é obtido com a compactação do material, colocando- -o em um recipiente de volume conhecido para a pesagem, obtendo o e mín por:
$e~m\acute{i}n~=~\left( V-Ps/ys \right)~/~\left( Ps/ys \right)$
O grau de compacidade pode variar de 0% a 100%, e é classificado em muito fofo, fofo, medianamente compacto, compacto e muito compacto, conforme a tabela
Conforme Das (2007), quando as partículas de argila tendem a se agregar ou flocular em unidade submicroscópicas, são chamadas de domínios. Um grupo de domínios pode ser chamado de aglomerados e os aglomerados se agrupam for- mando os agregados, que podem ser visíveis macroscopicamente.
Amolgamento
O amolgamento é o processo de destruição da estrutura original do solo, pelo qual ele perde toda a sua resistência. A maior ou menor perda de resistência de solos estruturados é chamada de sensitividade da argila, cujo índice é medido pela resistência à compressão de uma amostra indeformada e a resistência da mesma amostra após a sua destruição. Tal relação é descrita por:
$Gs=~\frac{Rci}{Rcf}$
em que Rci = resistência da amostra à compressão simples;
Rcf = resistência da amostra após amolgada.
Quanto maior a sensibilidade da argila, maior será a sua perda de resistência. Em relação a sua classificação, são distinguidas em insensíveis, de baixa sensibi- lidade, média sensibilidade, muito sensíveis e extrassensíveis, conforme pode ser visualizado na tabela 2.
Tabela 2 - Classificação das argilas em relação a sua sensibilidade. Classificação da argila Grau de sensibilidade (Gs) Insensíveis 1 Sensibilidade baixa 1 – 2 Sensibilidade média 2 – 4 Muito sensíveis 4 – 8 Extrassensíveis > 8 Fonte: Rosenqvist (1953) apud Mitchell e Soga (2005).
Tixotropia
A tixotropia ocorre quando um solo com partículas muito finas é completamente amassado, e, após repousar por um tempo, essa massa de solo adquire uma resis- tência coesiva maior. Se a amostra é novamente amassada, mantendo a mesma umidade, a coesão diminui e, após um tempo em repouso, ela tem novamente sua resistência aumentada (CAPUTO, 1988).
Explor
A tixotropia é uma propriedade do solo, que representa o restabelecimento de sua resistência após ser amolgado e ocorre mais comumente entre as argilas ex- pansivas.
Exercícios resolvidos
Solução:
Gs = Rci/ Rcf
Gs = 96/
Gs = 2,
Segundo a classificação proposta na tabela 2, esse solo é classificado como de sensibilidade média.
Umidade = 12%
y = 1,8 g/cm³
yg = 2,63 g/cm³
e max = 0,
e min = 0,
ya = 1 g/cm³
A determinação da colapsividade de um solo é feita pelos ensaios de compres- são endométrica, com a saturação de uma amostra e aplicação de tensões, tendo, o recalque, como dependente da quantidade de água presente no solo e das ten- sões a que foi submetido.
Os solos colapsíveis podem ser vistos na paisagem, em áreas onde ocorreu o es- corregamento de taludes, devido à presença de água, ou em deformações verticais que ocorrem em terrenos planos ( PINTO, 2006).
Já os solos expansivos mudam o seu volume quando submetidos à saturação. A expansão ocorre, como vimos ao longo desta unidade, em virtude da entrada da água entre as camadas dos argilominerais. O seu estudo é feito a partir de ensaios de compressão endométrica, por meio da medição da quantidade de material que se expandiu ao ser saturado, tendo as pressões aplicadas sobre a amostra estabilizadas.
Segundo Pinto (2006), a construção em solos expansivos promove a imperme- abilização do terreno, podendo ocasionar a elevação do teor de umidade, já que a evaporação é reduzida. Esse aumento da umidade pode acarretar a expansão do material, resultando em trincas nas construções.
Importante!
Conhecendo os atributos físicos dos solos, os seus limites de consistência, a distribuição do tamanho de suas partículas e como são constituídos mineralogica- mente, torna-se mais fácil o enquadramento em classes, como ocorre nos Sistemas de Classificação de Solos, assunto que será abordado na próxima Unidade.