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Conteúdos baseados em estudos de minha trajetória estudantil ate a chegada a universidade,espero que gostem e bons estudos.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!


















Parte I
1
No reino dos mendigos há poetas de fome e desespero de naus
oitocentos anos de cansaço e maldição com índias de improviso em aventuras provisórias de pimenta e raiva
e
enquanto caem as pétalas uma a uma um povo adormecido espera a hora que tarda num Outono de Abril há tanto tempo
Que sangue novo nas veias ferva!
nas veias um fogo novo!
Assobiamos no escuro para espantar a desdita que uma ameaça de cruzes nos encruzados do tempo tem sempre uma pomba branca dum auto de fé cativa
no render da nau do sonho sitiada pelo medo que nem o grito consente os pulsos pedem algemas e é o tempo dos grilhões em que o canto se amortalha
Parte II
6
Vivemos como quem se espreguiça dizemos viva dizemos chiça
gente de todas as cores usamos rostos imprecisos e temos dores e temos risos espingardas flores e casas pardas
somos polícias somos doutores que andam nas ruas como basbaques cospem no chão e também dão por vezes traques
Temos dilemas de ir às buates ir aos cinemas bebermos vates
Somos gente de paz gente de guerra que filhos faz e enche a Terra
Na ténue memória das flores de Abril crentes e descuidadas se esvai o sonho em pétalas emurchecidas nesta esquina do tempo de ampulhetas esclerosadas onde vivemos a paz desencantada dum cemitério frio à sombra dos ciprestes que não quisemos plantados
Não há um grito um trovão um chicote vivo de raiva e seiva só o silêncio
Enquanto pesa o sono nos olhos do desejo há uma guerra de permanências na mesa despojada na fresta da barraca no salário sonegado e a morte anestesiada incha o ventre e tumefaz os olhos das ovelhas de Viriato.
Os senhores da guerra ocultam a mão e as alabardas imponderáveis enquanto o sangue esfria nas veias de multidões expectantes.
Onde os exércitos neutrónicos?
Há ameaças sombrias veladas nas páginas de todos os jornais e muitos olhos tristes pelas ruas
E vive-se! Vive-se?
Se viver é sentar-se a gente na sala de espera do consultório do médico que não chega vive-se Mas se viver é qualquer coisa diferente do hábito de estar vivo diferente do vício do fumo do ajeitar o nó da gravata ou cuspir para o chão então os corvos que se apressem para o festim porque a morte fede neste imenso sepulcro escancarado
Poeta louco ou vagabundo eu não sei se viver é preciso eu não sei se navegar é preciso Apenas acredito que devemos aceitar a vida como ofício e o navegar como missão buscando as rotas inexploradas na corrente dos sonhos renovados
E vós gigolôs e prostitutas que todos somos sabei que o mundo é quadrado e que nos seus quatro cantos se morre de fome Sabei que há chatos em Lisboa e que ninguém se coça
Um ai um grito um urro e tudo seria diferente.
São de plástico as orquídeas que adornam as jarras de Taiwan pintadas à mão e murcham os nossos olhos secos nas horas citadinas desta cidade-jarra que não inventámos
Não há sombra de magnólias só o asfalto tem um sentido mas o sentido do asfalto é o sentido dos nossos gestos que alheios nos são
Aqui nos perdemos na pressa das ruas debruadas a betão onde zumbimos vermos cinzentos nas colmeias apáticas a azáfama buliçosa do vidro e do néon
Para gáudio dos nossos olhos baços só as tetas da Bo Dereck provocantemente brancas nos escaparates do metro...
Tudo o mais é uma fuga a escorrer pelas esquinas onde só os mendigos esperam e não correm
As grutas labirintos e pirâmides esvaziaram-se de sentido mas porque a noite ainda existe seria preciso criar um grande mistério
Porém construímos cidades sem memória onde riscamos a noite de néon para prolongar o dia que alienámos da rota do sol
Ofuscam-se-nos os olhos de luzes que nenhuma imagem consentem e os balões das tardes de domingo apodrecem no asfalto como impudicas bexigas sem serventia nem cor
Somos acorrentados daltónicos da hora que passa e os nossos passos e gestos transportam a pressa desmedida de comandados destinos neste inútil navegar das rotas repetidas onde o amor e o sexo são arqueológicas memórias de fumo e rotina com que imaginamos ilusórios prazeres
Um ai um grito um urro e tudo seria bem diferente
Basta de bastar-nos o fino curso das areias de seio a seio na fria ampulheta dum destino sem mistérios
Exige-se quem ouse um feito louco e preciso
Derrubar a República? (essa velha prostituta de carnes flácidas e sexo putrefacto)
Pois que seja!
Mas sobretudo Ah!
que não me falem de democracias que o felatio seca-me os rins fraqueja-me os joelhos e hoje estou surdo para os vossos megafones de incenso
Ó pornografia de vozes e gestos!
Quem hipócrita ousa de pança opulenta pregar submissões democráticas à fome dos ventres opados?
Um ai um grito um urro e tudo seria diferente
A rádio não anuncia que há um tempo de fogo num relógio que não pára e que o dilema persiste em tudo ser ou não ser
Hibernamos cibernéticos entre a mecânica e o poema imponderáveis inconsistentes no tédio da hora em que prostituídos navegamos nauseados de néon masturbados de palavras neste ventre putrefacto da cidade grande grande
Ah! sonho-névoa cansado do fermento da desdita nesta raiva amordaçada que espera a hora do grito!
E a rádio não anuncia que há um tempo de fogo em clepsidras de marfim que um arrepio percorre as corolas de pedra deste deserto habitado violado e descontente
Que as virgens se perturbem!
porque os dragões adormecidos com os seus dentes acerados o enxofre não renegam