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Imortalidade para Platão, Resumos de Antropologia

A concepção de alma na filosofia grega antiga, com destaque para a abordagem de Platão. O texto discute a teoria das ideias, as partes da alma, as virtudes fundamentais e a imortalidade da alma. O autor apresenta trechos de diálogos de Platão para ilustrar suas ideias.

Tipologia: Resumos

2014

À venda por 27/12/2022

adrianaffpinto
adrianaffpinto 🇵🇹

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A Alma para Platão
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A Alma para Platão

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A palavra grega psykhé é o termo usado pelos filósofos da Antiguidade para o que hoje entendemos de alma. Desde Homero, existiu uma concepção de alma em relação ao corpo e, passando pelas religiões gregas até a filosofia iniciada por Tales de Mileto, este tema foi fundamental para as primeiras teorias do pensar humano, como em grandes filósofos como Tales, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras e Empédocles. Anaxímenes entendia que a alma era um sopro, uma espécie de ar em movimento e que movia as coisas, refrigerando-as e mantendo-as em constante movimento. Reparamos que um cadáver que não respira morre ou fica em repouso. Contudo, o conceito de alma foi mais abordado por Platão e Sócrates. Aristóteles analisa a alma humana dividindo-a em duas partes: a parte irracional e a parte racional. A parte irracional do ser humano tem algo que também tem nos vegetais e nos animais. A função nutritiva temos em comum com os vegetais, a função perceptiva temos em comum com os animais. Já a parte racional, diferencia-nos dos outros seres vivos, e é dividida em duas partes: a virtude inteletual e a virtude moral. A primeira relata a vida contemplativa e a segunda a vida ativa na sua polis. Platão nasceu em Atenas, no ano de 427 a.C. Era filho de Aríston, um nobre grego, o que possibilitou que este pudesse receber uma educação de alta qualidade para restritos padrões da sua época. Platão foi discípulo de Crátilo, Heráclito e depois de Sócrates. Após a condenação e morte de Sócrates, em 399 a. C., Platão fez inúmeras viagens, onde acabou por conhecer grandes pensadores e elaborar as suas obras que tratam temas como a vida do ser humano e do homem, visto que o homem é a sua alma. Acabou por falecer por volta do ano de 347 a. C. Platão formulou uma tese central que o conhecer para a alma, é uma lembrança das Idéias^1 já conhecidas antes de encarnar no corpo. (^1) A teoria das ídeias são um corpo de conceitos filosóficos criados por Platão. Esta teoria afirmava que a realidade era composta de ídeias ou formas abstratas, contudo substanciais. Para ele estas ideias eram os únicos objetos passíveis de oferecer verdadeiro conhecimento. Página

Entretanto, sendo a alma racional é, de fato, unida a um corpo, dotado de atividade sensitiva e vegetativa, devia existir um princípio tanto de uma como de outra. Segundo Platão, tais funções seriam desempenhadas por partes da alma: a irascível que residiria na zona do peito, e a concupiscível , que residiria na zona do abdomn e a racional, que residiria na cabeça. Platão apresenta, ao tentar distinguir o mundo sensível do mundo inteligível^3 , um dualismo. Na obra Fédon , Platão expõe as suas ideias principais sobre a alma. Ele dizia que a alma não se limitava a ser entendida como o princípio da vida, mas também era vista como o princípio de conhecimento. A alma é a substância independente do corpo, é eterna, unindo-se a ele de forma temporária e acidental. As almas pertencem ao Mundo das Ídeias. Estas ídeias são de uma realidade objetiva e em suma, o modelo ideal de todas as coisas que existem no Mundo Sensível, com base nas quais as coisas foram criadas ou tentam a ser realizadas. O mundo sensível é aquele que está sujeito à mudança, como o devir^4 de Heráclito, que não tem o caráter de se alterar das Idéias. Já os corpos pertencem ao Mundo Sensível. A teoria das idéias de Platão está diretamente ligada à sua teoria da alma. No livro IV d’ A República , Platão concebe o homem como corpo e alma. Enquanto que o corpo se modifica e envelhece, a alma é eterna. (^4) O devir é um conceito filosófico que fala sobre mudança constante de algo ou de alguém. Surgiu em Heráclito. Devir também significa força da natureza, que estabelece uma mudança, e esta mudança pode ser descoberta para prever as consequências de ações/reações, causa e efeito. (^3) O mundo inteligível contém as verdades que realmente existem, de forma que a alma as contempla. Página

N ’A República , Platão, partindo da análise das três partes da alma, consegue distinguir as quatro virtudes fundamentais. Ao coração corresponde a Coragem, “virtude da firmeza e da constância face ao perigo, face à adversidade e face a si mesmo para vencer o assalto das forças contrárias do desejo” (MAIRE, 1966: p. 51). O ventre corresponde à Temperança, ou também conhecida como, a virtude de moderação dos movimentos espontânios feitos pelo coração. Ao espírito corresponde a Sabedoria, que é abordada como a virtude do verdadeiro. A partir destas quatro virtudes resulta uma virtude da síntese de toda a alma: a Justiça, a virtude de ordem do equilíbrio e da harmonia. No diálogo Fedro , Platão compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco (irascível) e um negro (concupiscível). O corpo humano era a carruagem, e o cocheiro (razão) conduz através das rédeas (pensamentos) os cavalos (sentimentos). Apenas cabe ao homem através dos seus pensamentos saber conduzir os seus próprios sentimentos, porque só ele poderá guiar o seu próprio caminho de bem e de verdade. Encontramos em Fedro uma boa explicação sobre as questões da alma para Platão: "Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal. O que move uma coisa e é por outra movido, anula-se uma vez terminado o movimento. Somente o que a si mesmo se move, nunca saindo de si, jamais acabará de mover-se e é para as demais coisas que se movem, fonte do início do movimento. O início é algo que não se formou, sendo evidente que tudo que se forma, forma-se de um princípio. Este principio de nada proveio, pois, que se proviesse de uma outra coisa, não seria princípio. Sendo o principio coisa que não se formou, deve ser também, evidentemente coisa que não pode ser destruída. Se o princípio pudesse desaparecer, nem ele mesmo poderia nascer de uma outra coisa, nem dele outra coisa, porque necessariamente tudo brota do princípio. Concluindo, pois, o princípio do movimento é o que a si mesmo se move. Não pode desaparecer nem formar-se, do contrário o universo, todas as gerações parariam e nunca mais poderiam ser movidos. Pois bem, o que a si próprio se move é imortal. Quem isto considerar como essência e caráter da alma, não terá escrúpulo nesta afirmação. Cada corpo movido de fora é inanimado, pois que o movimento é a natureza da alma. Se aquilo, que a si mesmo se move, não é outra coisa senão a alma, necessariamente a alma será algo que não se formou. E será imortal" ( Fedro , 245 ). Página