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Informações sobre a indústria têxtil catarinense e a crise pandêmica de Covid-19. São abordados temas como tributação, empregos, comércio exterior, retomada do setor e medidas para mitigar os impactos da crise. O texto traz dados estatísticos sobre a indústria, como número de empregos, estabelecimentos, exportações e importações. Também são mencionados os principais produtos exportados e as datas comerciais relevantes para o setor.
Tipologia: Trabalhos
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Luiz Felipe Nunes dos Santos
O Brasil carrega a marca de ser um país complicado quando o assunto é a tributação. Não há incentivo na produção em cadeia, o que impacta fortemente empresas como as do setor têxtil catarinense, conhecidas por comumente realizarem várias etapas da cadeia produtiva. Por não haver esse tipo de complexidade em outros países, os principais concorrentes das empresas catarinenses estão fora do Brasil. Toda a complexidade tributária existente no Brasil torna essa competição desigual, tanto quanto aos custos fiscais envolvidos quanto na mão de obra necessária para a realização dessas atividades por aqui. (LEONORA, 2019) O setor têxtil catarinense é o segundo maior gerador de empregos na indústria do estado, com mais de 170 mil empregos formais em toda a cadeia e outros 200 mil indiretos, ou seja, em empresas que prestam serviços para a cadeia de produção. Justamente pensando nesse volume de empregos e em todo o contexto associado a eles que uma comissão especial foi formada pelo Fiesc no ano de 2019, para discutir com o governo do Estado sobre a situação
Em uma entrevista para Andréa Leonora (2019), Cláudio Roberto Grando, presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Moda da Fiesc, apontou que quase 50% dos empregos no setor estariam em risco sem as mudanças na carga tributária. O empresário ainda indicou a diferença em tributos como ICMS, que em São Paulo eram de 0% no período enquanto que em Santa Catarina rondavam os 3%. A principal ameaça competitiva vem por parte da China, principalmente devido à carga tributária. Assim, órgãos como o Fiesc incentivam a indústria a trabalhar com a moda de Santa Catarina e do Brasil como um todo, buscando agregar valor pelo design original e diferenciado de modo a fugir da competição de commodities da China. (LEONORA, 2019)
Grandes Números: o 159.591 empregos (21% da indústria de SC). o 9.042 estabelecimentos (18% da indústria de SC). o Valor bruto da produção industrial em R$ 22,8 bilhões. o Produtividade por trabalhador industrial de R$ 71,7 mil. o US$ 186,9 milhões em exportações. o US@ 1,59 bilhão em importações.
Produtividade 9º Exportações 2º Estabelecimentos 1º Empregos
Mercado de Trabalho Gráfico 4: Estabelecimentos e empregos segundo o porte Como mostra o gráfico acima, dos 9.042 estabelecimentos, 96,5% são micro ou pequenas indústrias, ou seja, tem até 99 empregados. Juntos, empregam 30,9% dos trabalhadores desse setor. Quanto ao perfil dos trabalhadores, 37,6% são do gênero e 62,4% do feminino, onde 59% dos trabalhadores possuem escolaridade básica completa. Ou destaque para a remuneração média do setor, que é de R$ 2.006, valor inferior à média da indústria, que é de R$ 2.394. Comércio Exterior Gráfico 5: Principais produtos exportados Dos US$ 186,9 milhões exportados pelo setor têxtil e confecção em 2019, destacam-se as vendas de Roupas de cama e toucador de cozinha com 15,5% de participação e Fitas de fios ou fibras com 14,86%.
Origens Gráfico 8: Principais países importadores Entre as importações, a relação comercial com a China é esmagadora, representando um total de 65,8% de compras, quase oito vezes mais do que o da Indonésia, que apresenta um total de compras estrangeiras de 8,4%. Situação Atual Atualmente o setor têxtil catarinense é predominantemente composto por micro e pequenas empresas, com cerca de 90%. No entanto, os empregos são basicamente distribuídos entre as grandes, médias e pequenas empresas que compõem toda a cadeia produtiva, indo da produção de fios até a confecção do produto final. O setor vem tentando se modernizar, principalmente quanto aos processos. (LEONORA, 2019) Segundo Sabel (2020), a necessidade de se adaptar à Indústria 4.0, é uma realidade que está impactando o presente e o futuro das atividades industriais, pois segundo os especialistas, o setor da moda é um dos que mais devem ser afetados pelo avanço da tecnologia e se adequar a ele é, portanto, questão de sobrevivência. Uma incerteza abordada sobre o contexto atual se refere primeiramente à retomada pós-pandemia, pois será necessário que a indústria têxtil repense seu planejamento estratégico, reposicionando a sua marca nesse novo cenário. Também se observa que será necessário medidas para evitar perdas, como o corte de custos, assim como, a busca pela melhoria dos processos internos e no uso de todo o estoque a fim de resultar economia para a empresa. Outro fator importante a ser abordado, é o investimento no capital humano, pois vemos que o colaborador é uma peça fundamental para o crescimento da empresa e se ele está desmotivado ou infeliz, ele acaba afetando na produção da empresa. A gestão sabendo equilibrar a necessidades e acompanhar as aspirações de cada um desses colaboradores, trazem uma percepção positiva, fazendo com que ele se sinta compreendido e transforme a suas expectativas em produtividade, além disso, isso desperta um senso de pertencimento ao funcionário o motivando a desempenhar um trabalho melhor. Atualmente há mais de 20 instituições universitárias, públicas e privadas, no estado catarinense com formações voltadas para a indústria da moda, além da formação e capacitação de profissionais via Senai-SC. O objetivo é claro, elevar o número de funcionários qualificados e permitir assim que o setor possa se inserir de vez na indústria 4.0, agregando cada vez mais valor. (LEONORA, 2019)
Retomada efetiva do setor têxtil e de confecção prevista para 2021 O texto relacionado mostra os números do setor no primeiro semestre de 2020, as ações em andamento e as expectativas para o final do ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Segundo o presidente da entidade, Fernando Valente Pimentel, o auxílio emergencial tem sido determinante para evolução dos resultados do comércio, mas mostrou que não podemos tratar como dada esta recuperação, uma vez que não se sabe como vai ser o cenário quando houver o encerramento da medida, bem como da evolução e do estado da pandemia. Em relação ao ano de 2019, a indústria têxtil e de confecção sofreu redução de 22% em sua produção no primeiro semestre de 2020. As importações recuaram 23,75% e as exportações, 8,44%. Perderam-se, nos primeiros seis meses, 70,9 mil postos de trabalho, ante saldo positivo de contratações de 12,39 mil trabalhadores, em igual período do ano passado. Para o ano atual, mostra que a estimativa é de queda acumulada de 19,5% na produção e 19% nas vendas internas, com a perda de 79 mil empregos. Enquanto para o ano de 2021, a expectativa do setor têxtil e de confecção, ainda com grandes incertezas, é de uma retomada com perspectivas de que a produção cresça 8,1%, às vendas, 6,8%, as importações, 5,2%, e as exportações, 6,25%. Medidas mais urgentes para mitigar os impactos da crise O Presidente da Abit, Fernando Valente Pimentel, mencionou algumas medidas mais urgentes para o enfrentamento da crise, que são: redução dos juros reais para os tomadores de empréstimo e mais acesso ao crédito; pagamento da energia elétrica sobre consumo e não sobre demanda contratada; manutenção de IOF zero para as operações de crédito; extensão do pagamento de auxílio emergencial de renda; eventual prorrogação das regras de flexibilização da jornada de trabalho; e o Programa de Recuperação Extraordinária de Dívidas Tributárias com a União (PREX-Brasil) para minimizar os efeitos da pandemia e ajudar na retomada econômica. Quanto à reforma tributária, é fundamental que simplifique o sistema, seja indutora do crescimento econômico desonerando investimentos e exportações, que mitigue a guerra fiscal entre os estados e que estabeleça mais equilíbrio entre as fontes pagadoras. Datas comerciais Fernando Valente Pimentel, presidente da Abit, explicou que o Natal representa cerca de dois meses de faturamento setorial. Já no mês de novembro, em função da antecipação do 13º salário, observa-se aumento na faixa de 15% a 25% nas vendas. Por outro lado, o segundo ano da Semana do Brasil, que acontecerá entre 3 e 13 de setembro, deverá ser importante para estimular o comércio e, na medida em que se fortaleça, certamente poderá ser uma data relevante para comercialização dos produtos têxteis e confeccionados, uma vez que é realizada após-Dia dos Pais e antes do Dia das Crianças. Para este ano ainda, considerando os fatores da crise da pandemia do Covid-19, o evento poderá ajudar na recuperação das atividades econômicas. Referências Bibliográficas FIESC. Têxtil & Confecção. 2020. Disponível em: https://www.observatoriofiesc.com.br/textil- confeccao. Acesso em: 04 nov. 2020.