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Uma análise da relação entre o uso da internet e a participação política, com base no indicador de alfabetismo funcional (inaf), realizado desde 2001. O artigo examina se o uso do computador e da internet associado ao nível de alfabetismo funcional contribui para um maior interesse por assuntos relacionados à política. Além disso, o estudo aplica um questionário sócio-econômico para avaliar dimensões do comportamento político, especialmente relacionadas à ativação política e ao associativismo.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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AT 2: Opinião Pública e Novas Tecnologias Uso do computador e da internet e participação política - algumas considerações sobre o Indicador de Alfabetismo Funcional - INAF Rosi Rosendo – Analista de Pesquisa – IBOPE Inteligência [email protected] Rogerio Schlegel - Pós-doutorando em Ciência Política - CEM/ CEBRAP [email protected] Palavras-chaves: INAF, analfabetismo funcional, TICs, internet, educação, participação política.
O objetivo do artigo é compreender a relação entre o uso da internet e participação política, com base na série histórica do INAF – Indicador de Alfabetismo Funcional, da Ação Educativa/ Instituto Paulo Montenegro-IBOPE – realizado desde 2001. Além disso, o uso destes dados permite que seja controlado o nível de alfabetismo funcional dos indivíduos. O INAF é composto por entrevistas com aplicação de: i) questionário sócio-demográfico e de capital cultural e ii) testes cognitivos de letramento e numeramento. A amostra do INAF é representativa da população brasileira de 15 a 64 anos, composta de 2002 entrevistas em todo o território nacional. A hipótese a ser testada é que o uso do computador e da internet associado ao nível de alfabetismo funcional (e todos os fatores a ele relacionados, como o hábito de leitura) contribuem para um maior interesse por assuntos relacionados à política. Em conseqüência, a qualidade da educação básica no Brasil teria impactos diretos no interesse e na atuação política da população brasileira. INTRODUÇÃO Em um estudo anterior, Schlegel (2010) já havia chamado a atenção para a importância da educação como preditor do comportamento político do cidadão. Vários estudos que apontam para este fato analisam a educação entendida como aprendizado formal, que tipicamente ocorre em uma instituição educacional e leva à certificação (OECD, 2007: 18). Em modelos multicausais, a escolaridade é apontada como determinante crucial para atitudes como disposição de participar e apoio à democracia. Este estudo pretende explorar esta relação do ponto de vista da educação formal, mas também do nível de alfabetismo funcional, a partir do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro/ IBOPE desde 2001. Com base em uma pesquisa nacional, com uma amostra representativa da população brasileira de 15 a 64 anos, o INAF avalia habilidades de letramento e numeramento, com aplicação de testes cognitivos. Além disso, é aplicado um questionário sócio-econômico que permite inclusive avaliar dimensões do
Autores de diferentes matizes consideram que os efeitos políticos da educação estão hoje na agenda de pesquisa da Ciência Política e campos correlatos devido à grande dificuldade em estabelecer teoricamente cadeias causais (Hylligus, 2005; Campbell, 2006). “Falta à literatura (...) investigação teórica e empírica sobre por que a educação é uma variável explicativa tão poderosa^1 ”, avalia Hylligus (2005: 25). “Precisamos de uma compreensão melhor sobre as várias maneiras pelas quais a educação faz tanta diferença em taxas de comparecimento no dia da eleição”, afirmaram Miller e Shanks (1996: 580). “Dada a força da hipótese de Lipset/ Aristóteles como regularidade empírica, é surpreendente que não existam modelos teóricos convincentes dessa relação”, observou Barro (1999: 182)^2 , referindo-se às conexões entre escolaridade, desenvolvimento econômico e democracia. “Sabemos que as pessoas vão à escola e então experimentam uma ampliação no seu nível de engajamento. O que ocorre precisamente a elas na escola (se é que ocorre) para levar a esse aumento não é bem entendido”, admite Campbell (2006). Como ilustram Emler e Frazer (1999): “Pessoas que participam da educação formal são expostas a um corpo de conteúdos sobre o mundo exterior. Também são expostas a contatos com um tipo particular de outras pessoas. Elas podem se engajar em certos tipos de interação – tanto formalmente, no contexto da sala de aula, quanto informalmente, fora da classe – envolvendo esse conteúdo. Elas passam tempo em uma instituição com uma forma particular de governança interna e estrutura de poder. Elas podem participar de atividades relacionadas à governança da instituição. Elas passam por exames e são avaliadas de várias maneiras, de forma que seus níveis de competência e sucesso são formalmente certificados. Os conteúdos apresentados, os contatos com outras pessoas e as experiências de aprendizado podem todos contribuir para mudanças cognitivas. Adicionalmente, essas experiências podem moldar as (^1) Nesta e nas demais passagens retiradas de obras em língua estrangeira, o texto original foi vertido para o português pelo autor da tese. (^2) Em seu artigo de 1959, Lipset credita parte de sua elaboração a Aristóteles, menção que é respeitada na citação de Barro.
atitudes. O sucesso educacional pode afetar a auto-imagem e vai prover acesso a uma variante de contatos sociais, segmentos do mercado de trabalho e oportunidades de emprego. E assim por diante. Todos esses elementos da experiência e os resultados da educação formal potencialmente desempenham algum papel na associação observada entre a educação e resultados políticos.” (Emler e Frazer, 1999: 256/7) Nessa agenda de pesquisa, três efeitos amplos da escolarização têm concentrado os esforços para explicar seu impacto sobre o comportamento político:
para representar os efeitos do aprendizado formal sobre o comportamento político ou, além delas, medidas de capacidade cognitiva mostrarão ter impacto independente sobre as dimensões políticas? Efeitos autônomos para as habilidades cognitivas indicarão que, para além dos títulos representados pelo cumprimento dos ciclos escolares, a educação traz frutos em termos de compreensão cognitiva da política que são capazes de diferenciar as pessoas do ponto de vista do comportamento político. Ou seja, procuro evidências de que, no contexto brasileiro, de elevada desigualdade educacional, os efeitos da escolaridade dependam das credenciais educacionais e também das capacidades desenvolvidas pela educação^3. A hipótese de trabalho foi enunciada da seguinte forma: H1: Capacidades cognitivas – operacionalizadas como níveis de alfabetismo do Inaf Ibope – têm efeitos independentes e positivos sobre dimensões da ativação política e do associativismo, controladas as credenciais conferidas pelo sistema educacional
da política e da sociedade, já sintetizadas em termos de abordagens ciber-otimistas, ciber-pessimistas e ciber-céticas (ver NORRIS, 2001). Mas, com a difusão em escala mundial da World Wide Web, rumando para a saturação nas nações pioneiras e ampliando em saltos sua penetração em países em desenvolvimento (como Brasil, Argentina e Chile), torna-se cada vez mais viável avaliar empiricamente em que direção caminha a influência das tecnologias digitais no campo político. A participação é uma esfera privilegiada para observação desses impactos. Primeiro, por ser mecanismo central do funcionamento democrático. Em sentido mais amplo, a participação dos cidadãos é a base para o autogoverno que diferencia a democracia de outros regimes políticos. O voto é forma decisiva de tomar parte nos destinos da polity, mas há outros mecanismos que permitem ao indivíduo controlar as decisões coletivas que afetam sua vida, a exemplo de grupos de pressão, de associações voluntárias e de processos relacionados às dinâmicas de opinião pública que informam e contribuem para a accountability dos policy-makers (DAHL, 1989; PAGE E SHAPIRO, 1992; VERBA, SCHLOZMAN E BRADY, 1995). Outro fator que torna a observação da participação especialmente relevante é o grande impacto esperado nessa dimensão da política por conta do avanço das novas tecnologias. A expansão da Internet, seja em termos de acesso do público, seja em termos da atenção dedicada pelos policy-makers, renova a forma como a questão da participação se coloca. Esse novo canal de expressão de preferências concorre com a mídia tradicional em matéria de trafegar inputs para o sistema político. Em si, isso já representaria a abertura de uma nova frente para atuação na vida política. Mas as tecnologias digitais oferecem possibilidades ainda mais amplas e antes não imaginadas para os meios de comunicação, a exemplo da comunicação interativa e multidirecional, da capacidade de conexão instantânea, da erradicação das noções de distâncias e da oferta abundante de informação a custo baixo (BARBER, 1998 e 2004). Torna possível, por exemplo, consultar a comunidade sobre determinada pendência em espaço curtíssimo de tempo ou mobilizar pessoas que não se conhecem em diferentes cantos do mundo. Nessa equação, a Internet pode afetar tanto o fator motivação quanto o fator custos. É plausível pensar o internauta como tendo valores característicos, consolidados por
surpreendentemente foi levado a liderar a disputa pela candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2004 graças à mobilização via WWW (LEVY, 2004). Há sinais de que a participação online demande recursos diferentes da participação tradicional, operando em lógica que não permite a mera extrapolação das explicações teóricas da primeira para a segunda (BIMBER, 2000; KLING, 1999; KIESLER ET AL., 2000). BEST e KRUEGER (2005) encontraram evidências de que os fatores que predizem a participação online com freqüência são diferentes dos que influem na participação offline; as habilidades cívicas que favorecem a participação offline podem não representar diferencial no mundo virtual, sendo necessárias competências específicas para a navegação na World Wide Web, por exemplo. Em relação aos outros países considerados neste estudo, o Brasil tem os mais baixos percentuais de acesso à Internet, apesar de ter apresentado o maior crescimento nesta década e de liderar em número absoluto de internautas (gráfico 1). A taxa brasileira de acesso, pelos critérios do Internet World Stats, é de 26,1% -- próxima da média latino-americana (24,2%) e da média mundial (21,9%). Argentina, com 39,3%, e Chile, com 44,9%, estão mais próximos da média européia (48,5%). O INAF O INAF representa ferramenta extremamente promissora para investigar essas questões por oferecer a possibilidade de criar modelos que incluam capacidades cognitivas e variáveis políticas, de uso das TICs e sócio-demográficas, disponibilizando dados sobre essas dimensões para cada indivíduo. É uma base de dados rara e rica, mesmo considerado o panorama internacional. Nos Estados Unidos são escassos os surveys em que convivam medidas válidas de habilidade cognitiva e medidas válidas de comportamento político. O National Election Study a partir de meados dos anos 1970 incluiu uma avaliação sobre a “inteligência aparente” do entrevistado, que era categorizada como “muita alta”, “acima da média”, “média”, “abaixo da média” e “muito baixa”. Cabia ao entrevistador julgar, a partir de pistas que o entrevistado fornecesse durante o rápido encontro.
Além de altamente influenciada pelo contexto – alguém que se interesse por política tenderá a parecer mais inteligente respondendo a um questionário sobre esse assunto do que a perguntas sobre esportes – e de escala imprecisa, a medida se revelou subjetiva (Delli Carpini e Keeter, 1996). Nie et al. (1996) incluíram no estudo de participação política que realizaram em 1990 o que avaliaram ser uma medida de proficiência cognitiva verbal “potente e bem validada” (p. 42): o teste de vocabulário utilizado pelo General Social Survey norte- americano. Os entrevistados sobre questões de comportamento político também eram solicitados a identificar o significado de 10 palavras entre múltiplas alternativas de resposta, ou seja, trata-se de um teste de ligar termos a suas definições de dicionário. O resultado foi tomado como indicador de sua proficiência verbal. No levantamento de 1990, 10% dos entrevistados acertaram até 3 itens, 29% identificaram o sentido de 8 palavras ou mais e, na média, cada indivíduo da amostra relacionou corretamente 6,3 itens. Em modelos estatísticos tendo dimensões da participação ou do apoio democrático como variáveis dependentes, a proficiência verbal mostrou os maiores impactos em três dimensões do que os autores chamam de cidadania democrática: conhecimento dos princípios democráticos, conhecimento dos fatos correntes e tolerância. Foi menor a influência sobre a atenção à política – menor do que a exercida pelo posicionamento do indivíduo em redes sociais. E foi praticamente inexistente a influência dos fatores cognitivos sobre a participação em “atividades políticas difíceis” (“difficult political activities”, p. 67), isto é, que exigem disposição e recursos superiores, como fazer pedido a autoridades e participar de atividades comunitárias. Hillygus (2005) utilizou um estudo do NCES (National Center for Education Statistics) dos Estados Unidos que combinava dados de survey e relatórios sobre a carreira escolar de formados na faculdade no período 1992/1993. Uma das informações disponíveis era o resultado no SAT (Scholastic Achievement Test), aplicado no final do ensino secundário para avaliar proficiência verbal, compreensão na leitura e raciocínio matemático. Incluindo esses indicadores entre as variáveis independentes de modelos de regressão do comparecimento para votar e de um índice de participação política, o autor concluiu que as habilidades verbais tiveram impacto
Entre o grande público, o indicador é mais conhecido por apontar os chamados analfabetos funcionais: pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever e, normalmente, tendo frequentado a escola, não têm as habilidades de leitura, de escrita e de cálculo necessárias para viabilizar seu desenvolvimento pessoal e profissional. Pela metodologia do INAF, os respondentes são classificados em quatro níveis: Analfabetismo – Não são capazes de realizar tarefas simples que envolvam a leitura de palavras e frases, ainda que uma parcela leia números familiares (preços e números de telefone, por exemplo). Alfabetismo nível rudimentar – Capazes de localizar uma informação explícita em textos curtos (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para pagar pequenas quantias ou medir usando fita métrica. Alfabetismo nível básico – Considerados funcionalmente alfabetizados, pois compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que sejam necessárias pequenas inferências, compreendem números na casa dos milhões e têm noção de proporcionalidade. Mostram limitações quando as operações envolvem maior número de elementos, etapas e relações. Alfabetismo nível pleno – Não têm restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais. Leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Na matemática, resolvem problemas que exijam maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretarem tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos. Para melhorar a comparabilidade da série histórica, os responsáveis pelo INAF fizeram testes de consistência e agregaram os resultados do período inicial de realização do indicador (2001-2005) em médias móveis de 2 em 2 anos. No gráfico 1, com a série temporal com médias móveis, observa-se que a proporção de analfabetos absolutos caiu no período e que houve crescimento sobretudo do grupo com alfabetismo básico.
Escolaridade e nível de alfabetismo estão correlacionados, mas longe de associação perfeita, como se observa pelos escores do INAF (gráfico 2). Convertidos em níveis de alfabetismo, os dados de 2009 apresentam 6% das pessoas que iniciaram o nível médio ou se diplomaram nele como analfabetos funcionais (nível rudimentar) e 56% com nível apenas básico. Entre os universitários, 1% apresentou nível rudimentar e 31%, o básico. Por si só, isso já é uma pista da possibilidade de as capacidades cognitivas, especificadas em termos de letramento e numeramento, terem efeito independente das credenciais escolares, operacionalizadas como níveis de instrução. Há claro descolamento entre os indicadores das duas dimensões nessa análise bivariada. Observe-se que, no intervalo de tempo relativamente pequeno observado (2001-2009), há queda em número de pontos para os dois níveis mais elevados de escolaridade – superior incompleto ou completo e médio completo. Seria indicação de que perderam potencial de capacitação cognitiva. No entanto, como as provas só adotaram o método de Teoria de Resposta ao Item a partir de 2007, a comparabilidade no tempo fica em parte prejudicada e se torna prematuro tirar conclusões.
comportamento político. Nos modelos, foram controlados sexo, idade (em três faixas), renda familiar (em sete faixas), região de moradia (Nordeste, Norte/Centro- Oeste, Sudeste e Sul) e o nível de alfabetismo. Por sinal, a inclusão do nível de alfabetismo nos modelos visou a controlar as capacidades cognitivas, medidas em termos de letramento e numeramento, de forma a verificar se as competências associadas ao uso das TICs possuem efeito independente também dessa dimensão. As categorias de participação de associativismo foram tomadas como variáveis dependentes em cada regressão isolada. Foram criados dois blocos de modelos: no primeiro, as variáveis de controle foram combinadas com as respostas para o uso de computador (variável codificada como 0 e 1); no segundo, as variáveis de controle foram combinadas com a variável sobre uso de correio eletrônico (hábito de enviar e receber e-mails), tomada como proxy de capacidade para navegar na internet. A síntese dos resultados aparece à tabela X. Tabela 1 – Síntese das regressões com uso de computador e uso de correio eletrônico Modelos com uso de computador Modelos com uso de computador Modelos com uso de computador Modelos com enviar e receber e-mails Modelos com enviar e receber e-mails Modelos com enviar e receber e-mails N Pseudo r^2 Razões de chance N Pseudo r^2 Razões de chance Partido 7.539 0,062 **2,136**** 11.848 0,050 **1,445**** Clube esportivo 7.539 0,167 **1,421**** 11.848 0,169 **1,411**** Grupo cultural 7.539 0,104 **1,896**** 11.848 0,106 **1,980**** Ass. de bairro 7.539 0,029 1,232 11.848 0,022 1, Cooperativa 7.539 0,064 **1,802**** 11.848 0,069 **1,492**** Sindicato 7.539 0,070 **1,523**** 11.848 0,070 **1,699**** Igreja 7.539 0,046 1,351 11.848 0,050 **1,571**** Outros 7.539 0,047 1,099 11.848 0,041 1, Fonte: INAF/IPM- Ação Educativa, 2001-2009 **Significância pelo p de Wald < 0, Observa-se que as variáveis associadas ao uso de novas tecnologias tiveram efeito independente em parte relevante das dimensões de participação e associativismo. No caso do uso de computador, razões de chance acima de 1 e com significância
foram encontradas para 5 dos 8 quesitos avaliados, mesmo quando controlados outros atributos individuais, inclusive o nível de alfabetismo. A participação em partido, em clube esportivo, em associação cultural, em cooperativa e em sindicato é favorecida para quem informou usar computador. A chance de participar de partido, por exemplo, é 113,6% maior para quem utiliza essa tecnologia. Mesma tendência se verificou quando o uso de correio eletrônico substituiu o emprego de computador como variável independente. Nos cinco quesitos mencionados acima, e ainda em participação em igreja, a chance de engajamento aumentou para os que informaram enviar e receber e-mails. Tomar parte em associação de bairro ou em outros tipos de associação não apareceu associado com uso de TICs em nenhum dos dois blocos de modelos. CONSIDERAÇÕES FINAIS O resultado sugere que a utilização de tecnologias de informação e comunicação pode gerar competências cognitivas capazes de favorecer a participação política. O fato de evidências nessa direção aparecerem mesmo quando é controlado o nível de alfabetismo pode ser indicação de que há competências específicas e diferentes do numeramento e do letramento que são desenvolvidas pelas TICS. As competências no uso de computador e internet já vem sendo pesquisadas como determinante da participação online; nossos resultados sugerem que seu impacto na participação tradicional, offline, também merecem observação por parte da pesquisa em Ciência Política e Opinião Pública.
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