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A injeção intracitoplasmática (icsi) é uma técnica de reprodução assistida utilizada principalmente para resolver infertilidade masculina. Consiste na fecundação artificial de um espermatozoide com um oócito ii, que depois é transferido para o útero da mulher. Neste documento, aprenderemos sobre o procedimento, quais são os casos em que é escolhida, e quais são os riscos associados.
Tipologia: Esquemas
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Este método consiste na fecundação em laboratório de um espermatozoide com um oócito II, ambos previamente recolhidos, sendo depois o embrião transferido para o útero da mulher. ( 1 )
laboratory fertilization of a spermatozoon with an oocyte II, which were previously collected. Later the embryo is transferred to the woman’s uterus.
António Novo, Laura Marques e Rafael Vieira
-Dar a conhecer ao público a existência desta técnica de reprodução ; -Explicar e descrever o seu procedimento; -Informar em que casos esta técnica é elegida para os pacientes; -Instruir as pessoas sobre os riscos associados à ICSI
1- https://www.fertility.com/pt-pt/fertilizacao-in-vitro/fase-2-no-laboratorio/injecao-intracitoplasmatica-e spermatozoides.html (11/11/2021) 2- https://arturdzik.com.br/injecao-intracitoplasmatica-icsi/ (24/11/2021) 3- https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/ovarian-hyperstimulation-syndrome-ohss/symptoms-
O procedimento da ICSI inicia-se pela estimulação ovárica, que tem como objetivo o desenvolvimento de múltiplos folículos prontos para múltiplas ovulações. De maneira a estimular o desenvolvimento dos folículos e a impedir que a ovulação ocorra precocemente, faz-se um tratamento conjugado com gonadoestimulinas e agonistas ou antagonistas, mantendo os níveis de FSH e LH altos e dentro de concentrações restritas ao longo de todo o ciclo. Isto previne a degradação de folículos nos ovários e ainda certifica a maturação destes no momento de recolha. Para induzir a ovulação é geralmente utilizado citrato de clomifeno, que é administrado por injeção. 36 a 38 horas depois dá-se a colheita de oócitos, que consiste na introdução de uma sonda ecográfica na vagina, seguida da introdução de uma agulha muito fina que a atravessa até aos folículos para recolher os oócitos II. Caso não seja possível remover gâmetas com este procedimento pode ser utilizada uma cirurgia abdominal ou laparoscopia para guiar a agulha. Os óvulos recuperados são então analisados ao microscópio, sendo os mais saudáveis levados para laboratório onde serão preparados para a fertilização. No dia da colheita de óvulos é necessário proceder à recolha de sémen, geralmente por masturbação. Caso o esperma obtido não contenha gâmetas (azoospermia), pode fazer-se a extração testicular de espermatozóides (TESE), a aspiração microcirúrgica de espermatozóides do epidídimo, MESA, ou a aspiração percutânea de espermatozoides do epidídimo, PESA. (2) Os espermatozoides podem ser utilizados mesmo se não possuírem mobilidade. Tendo já os gâmetas masculino e feminino prontos, o embriologista injeta um único espermatozóide diretamente dentro do óvulo, podendo vários ovos serem fertilizados. Após a fecundação, os embriões têm de se desenvolver fora do corpo antes de estarem prontos para serem transferidos para o útero. Crescem, assim, dentro de uma incubadora ao longo de 3-5 dias, pois são muito frágeis e a menor alteração no ambiente de incubação pode afetar o seu desenvolvimento. Após este processo, um ou dois embriões são transferidos para o útero. O clínico introduz um espéculo na vagina para manter as paredes vaginais afastadas e introduz um cateter até atravessar o orifício cervical. O tubo será ligado a uma seringa que contém o embrião ou embriões selecionados. O especialista em fertilidade injeta então o conteúdo no útero através do cateter. (1) A duração pode variar dependendo do casal e do número de ciclos que pretende realizar.
12 4- Elisa Ribeiro, João Carlos Silva, Óscar Oliveira (2019). Biodesafios 12, 1º edição, 10º Tiragem (21/11/2021) 5- https://modernfertility.com/blog/icsi-success-rates/ (01/08/2021) 6- https://www.fertilityclinicsabroad.com/ivf-abroad/ivf-portugal/ (01/12/2021) 7- https://www.cnpma.org.pt/cidadaos/Paginas/faqs.aspx (08/12/2021)
Apesar da ICSI apresentar, de acordo com a American Society for Reproductive Medicine, taxas de sucesso de fertilização de 50-80% (5), a taxa de sucesso efetiva é muito menor. Com base num estudo de 2019, observa-se que, na verdade, este valor ronda os 25%, ou seja, apenas 1 em cada 4 rondas de ICSI resulta num nascimento. Isto deve- se, maioritariamente, ao facto dos ovos não se tornarem embriões viáveis ou poderem ser danificados. Além disso, mesmo que a fecundação seja bem sucedida, nem sempre se dá a nidação. Em Portugal, os preços para a realização deste procedimento podem variar entre os 3350€ e os 8,000 € (6). No entanto, os casais só podem proceder à ICSI após tentarem outras técnicas de procriação menos invasivas. De acordo com a lei portuguesa, para a realização da ICSI é necessária a assinatura do consentimento informado. Além disso, é estipulado que apenas deve haver fecundação dos oócitos a inseminar em cada processo, que deve ter em conta a situação clínica do casal. Além disso é ilegal uma mulher ser inseminada com sémen de um falecido, ainda que este haja consentido no ato de inseminação. (7) Concluindo, apesar da ICSI ter uma percentagem de sucesso semelhante quando comparada com casais com esperma normal, esta deve ser utilizada apenas como último recurso.