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Aprenda estratégias para desenvolver a inteligência empreendedora, que combina inteligência emocional e ação voltada a resultados. Neste documento, conheça os fundamentos essenciais da inteligência empreendedora através de exemplos de grandes empreendedores e filósofos. Compreenda o papel do autoconhecimento e do pensamento crítico na evolução da mentalidade empreendedora e saiba como ela pode contribuir para a implantação de mudanças concretas na sua vida pessoal e profissional.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Este é o primeiro episódio de uma série de seis módulos intitulada “Inteligência Empreendedo- ra”, que vai despertar em você o espírito crítico. Em sua jornada profissional, você já deve ter ou- vido duas expressões marcantes: “transforme sonhos em resultados” e “em toda crise, há uma oportunidade”. Esta série vai apresentar estraté- gias para te ajudar a desenvolver esse espírito crítico atrelado a uma metodologia para colocá- -lo em prática.
Durante os seis módulos, você vai acompa- nhar o processo de construção dessa inteligência e compreender como ela pode contribuir com a implantação de mudanças concretas para sua vida pessoal e profissional. Trata-se de uma evo- lução da mentalidade empreendedora, aliando inteligência emocional e ação voltada para resul- tados. O primeiro passo para desenvolver a Inte- ligência Empreendedora envolve o autoconheci- mento e o pensamento crítico.
Pensar dessa forma implica, basicamente, em estar disposto a mudar de ideia a qualquer mo- mento, desde que isso faça sentido. Buda, Da- rwin e Sócrates se unirão à trajetória de grandes empreendedores, como Flávio Augusto, Camila Farani, Alexandre Costa e Alexandre Frankel, re- tratados no “Meu Sucesso” para ensinar esses dois fundamentos essenciais da inteligência em- preendedora.
“É impossível ser um homem sem questionar- se a si mesmo” (Sócrates)
Crise, desemprego, falência e volatilidade. Pa- lavras que trazem reflexão sobre o cenário atu- al do mundo com a crise econômica instaurada pela Pandemia da Covid-19. Nos últimos tempos, mais de 700 mil empresas fecharam suas portas no Brasil, causando uma margem de desempre- go que já atingia 30 milhões de pessoas na data em que se iniciou esta série. Por outro lado, foram criados mais de 580 mil novos MEIs – Microem- preendedores Individuais. Isso provoca a conclu- são de que se despertou no país um “empreen- dedorismo por necessidade”.
O questionamento feito neste momento é o seguinte: como será que grandes empreendedo- res conseguem sobreviver, e até mesmo crescer, frente às adversidades - sejam elas uma pan- demia, um tsunami financeiro ou um insucesso pessoal? Quais são as competências que decodi- ficam essa capacidade de criar, ousar e executar com excelência?
Trata-se do desempenho da Inteligência Em- preendedora, cujo desenvolvimento da habilida- de perpassa por ensinamentos filosóficos base- ados na ciência e utilizados como método por empreendedores. Para começar a pensar “fora da caixa”, é preciso seguir um roteiro de novos questionamentos pessoais: “Quem sou eu?”, “De onde eu vim?”, “Para onde eu vou?”. Assim come- ça o processo de compreensão sobre a sua fun- ção neste mundo visto sob um campo de ideias, denominado autoconhecimento.
Para exemplificar essa ferramenta para cons- trução de um negócio, destaca-se a personalida- de de Flávio Augusto da Silva, da Wise Up. Ele afirma que não quer perder sua essência e que está sempre pensando sobre seu propósito de existência. Essa colocação de Flávio Augusto é importante para lembrar que a ideia de descobrir a essência de cada pessoa é tão antiga quanto a Humanidade. Coube ao filósofo grego Sócra- tes (469 a.C. ou 470 a.C.) explicar esse conceito (o processo de autoconhecimento), que permite, inclusive, o controle das emoções e pensamentos para ter mais clareza no momento de tomar as decisões.
Grandes empreendedores costumam fazer o exercício do autoconhecimento quando se veem frente a desafios, como é o caso de Camila Fa- rani, uma das maiores investidoras-anjo do país. Ela conta que, sempre que se vê à frente de uma decisão difícil, questiona-se sobre qual seria a sua atitude diante de sentimentos como o medo, a rejeição e a solidão. Farani comenta que o maior desafio, neste caso, é estar aberto e descobrir a força para continuar e driblar os obstáculos.
Já Alexandre Costa, da Cacau Show, descreve desta forma um de seus desafios:
inicial, seguida por um julgamento diante de um cenário com o qual se depara.
Essa prática reflexiva diante de uma situação está presente na maneira de pensar de uma par- cela pequena de pessoas, como já foi apresenta- do no guia desta série, algo que reforça a neces- sidade de aprender e desenvolver tal habilidade.
A falta desse raciocínio questionador pode ser um entrave nos negócios. Camila passou por isso e seu depoimento é consistente:
“Já acreditei muito em empreendedor só por número, sem analisar o comportamental, e aí eu entendi que o comportamental era tão importante quanto os números, mas também já analisei só comportamental e não analisei os números, não analisei a estratégia de negócio como um todo e perdi dinheiro.” (Citação verbal Camila Farani)
Alexandre Frankel também teve uma situação parecida e, segundo sua experiência, muitos em- preendedores acham que são super-heróis, não sendo passíveis de erro. Ele destaca outra capa- cidade que deve ser descoberta e exercitada pelo empreendedor: a resiliência, descrita como sen- do uma força para enfrentar situações adversas, algo que vai além ser um bom administrador.
Diante dessas colocações, é possível introdu- zir aqui os 11 pilares do pensamento crítico, a saber: (2)
1. Capacidade de observação – concentra- ção (audição, visão, olfato, gustação e tato) 2. Foco – atenção aos detalhes, selecionando em que vale a pena se concentrar 3. Raciocínio bem estruturado – ter lógica no raciocínio para pensar criticamente 4. Curiosidade – definida como a sede de sa- ber, questionando sempre 5. Empatia – enxergar o mundo pelos olhos de outra pessoa 6. Autoconhecimento – conhecer a si mesmo 7. Avaliação objetiva – a capacidade de ana- lisar as situações com objetividade 8. Habilidade analítica – competência para verificar um cenário, estabelecer conexões e tirar suas conclusões a respeito dele 9. Criatividade – ingrediente essencial para a inovação 10. Autonomia – referência à independência, tomar as decisões por si mesmo 11. Discernimento – habilidade de separar o certo do errado
Seguir o direcionamento desses 11 pilares é permitir uma quebra de paradigmas, intima- mente ligado ao inconformismo. Praticar o pen- samento crítico é analisar os cenários e admitir que, por vezes, é útil, ou até necessário, mudar seu ponto de vista. Frankel analisou a situação do setor imobiliário, arcaico e conservador. Per- cebeu que a vida e as necessidades das pessoas sobre habitação haviam mudado e viu que podia transformar tudo. Foi lá e quebrou todos os para- digmas, criando a residência por assinatura, que se tornou um fenômeno de resultados.
Ele traz uma analogia importante sobre o se- tor, utilizada antes de fundar a sua empresa: o paradigma da casa própria, onde as pessoas transformam o sonho em pesadelo ao fazer uma dívida que perdura por toda vida ao adquirir um único imóvel para morar, aquilo que ele define como ‘casa única’. Ao observar a cidade, se loco- movendo de bicicleta, ele pôde absorver as con- versas das pessoas e fez pontuações como o que elas vestem, ouvem ou consomem no bar:
“São inputs com os quais você vai formando uma visão de mundo, e isso também foi muito forte. Hoje eu questiono o status quo desse modelo que a gente criou, então, se a minha ideia era questionar a cidade, hoje eu estou questionando o formato que eu mesmo ajudei a transformar. Na minha visão hoje, a mobilidade vai ser a troca da casa, a casa deve acompanhar a pessoa a cada momento, e não mais uma casa única.” (Citação verbal Alexandre Frankel)
Dessa maneira, compreende-se que questio- nar resultados maiores na vida significa pensar fora da caixa, em vez de seguir o fluxo. Essa pro-
vocação é de Flávio Augusto, que culmina na re- flexão: “O que é pensar fora da caixa?”. A respos- ta é, portanto, pensar criticamente, o mesmo que ter pensamento crítico! Mas como desenvolver essa forma de pensar? É o que você vai estudar a seguir.
“Acredito que para ter sucesso é necessário ter paixão por aquilo que se faz. Nenhuma intenção que não seja movida por paixão vai fazer com que alguém suporte as adversidades no meio do caminho.” (Flávio Augusto da Silva)
Pensar criticamente é um processo de cons- trução, que vai enchendo a sua bagagem de co- nhecimento e técnicas ao longo do tempo. Talvez sejam necessários anos de prática para que você possa atingir um estágio pleno. A boa notícia é que dá para começar agora, aprendendo manei- ras simples de estimular e desenvolver o espíri- to questionador, essencial para a formação de empreendedores bem-sucedidos. Isso porque ele constrói pessoas empoderadas, proativas e ca- pazes de enxergar novas soluções para diversos problemas, favorecendo a inovação.
Frankel, com seu processo de criação em mo- vimento, ensina a fazer o exercício de imaginar, pensar e construir mentalmente um projeto antes de executá-lo.
“Eu consigo estabelecer uma visão, e vou até ela acontecer, sempre. Eu acredito muito, eu consigo construir mentalmente o que que está por vir e eu faço isso acontecer. Acho que talvez a minha inovação esteja aqui, e é uma visão talvez muito diferente do que tem no mundo hoje. As pessoas tentam, muitas vezes, melhorar alguma coisa que existe ou fazer algo um pouquinho diferente. Eu, geralmente, tenho uma visão totalmente diferente da que se tem, algo que ninguém nunca enxergou, e eu vou lá, de alguma forma, e faço aquilo acontecer. Sempre foi assim.” (Citação verbal Alexandre Frankel)
O Wall Street Journal fez uma avaliação com calouros e veteranos de mais de 200 universida- des americanas e concluiu que, ao longo de qua- tro anos de estudo, houve pouca ou nenhuma evolução do pensamento crítico entre eles. Mas como incentivar o pensar criticamente?
Um artigo da Harvard Business Review apon- ta que o pensamento crítico é uma habilidade aprendida. O autor do texto reúne três ações simples que você pode tomar para melhorar as habilidades de pensamento crítico:(3)
Outra dica é priorizar a moderação mental. É preciso variar a abordagem ao resolver proble- mas. Para isso, incentive as pessoas ao seu redor a apresentarem ideias e soluções. Você pode se surpreender com elas.
Flávio pratica a ação de ouvir opiniões dife- rentes, o que, segundo ele, ajuda muito nesse processo. Ele afirma que saber diferenciar e sele- cionar a quem ouvir ou não é um ato de inteligên- cia e aponta como erro do empreendedor inician- te achar que não precisa ouvir ninguém.
Outra forma de estimular o pensamento críti- co é desenvolver a consciência situacional. Trei- nando o cérebro para desenvolver um melhor senso de proporção ao avaliar situações pesso- ais, práticas e teóricas em seu local de trabalho. Desconstruir ponto a ponto é a melhor maneira de aprender. Para tanto, é necessário olhar todos os detalhes e ver o cenário das situações em 360 graus.
É importante ressaltar que nada do que foi apresentado até aqui vai adiantar sem disciplina. Alexandre Frankel é um exemplo de que a disci- plina é a mãe da eficácia e da eficiência, duas habilidades imprescindíveis para um pensador crítico.
“Nunca. Nunca pensei em desistir. De novo, cada vez que vinha uma adversidade, eu ganhava mais força pra ir em frente, toda
REFERÊNCIAS
(1) EURIC, Tacha. WHAT SELF-AWARENESS REALLY IS (AND HOW TO CULTI- VATE IT). Harvard Business Review Home | 04 | janeiro, 2018. Disponível em https://hbr.org/2018/01/what-self-awareness-really-is-and-how-to-cultivate- -it
Acesso em março de 2021.
(2) PENSAMENTO CRÍTICO: O QUE É, PARA QUE SERVE E COMO DESENVOL- VER. Blogue fia.com.br | 13 | março, 2020. Disponível em https://fia.com.br/ blog/pensamento-critico/ Acesso em março de 2021.
(3) BOYGUES, Helen. 3 SIMPLE HABITS TO IMPROVE YOUR CRITICAL THINKING. Harvard Business Review Home | 06 | maio, 2019. Disponível em https://hbr.or- g/2019/05/3-simple-habits-to-improve-your-critical-thinking Acesso em abril de 2021.