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interpolação polinomial, Notas de estudo de Engenharia de Materiais

Apostilha sobre Cálculo Numérico I

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 01/10/2010

abraao-santos-5
abraao-santos-5 🇧🇷

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Instituto de Ciências Exatas e Biológicas
Departamento de Computação
José Álvaro Tadeu Ferreira
Cálculo Numérico – Notas de aulas
Interpolação Polinomial
Ouro Preto
2009
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

Instituto de Ciências Exatas e Biológicas

Departamento de Computação

José Álvaro Tadeu Ferreira

Cálculo Numérico – Notas de aulas

Interpolação Polinomial

Ouro Preto

Interpolação polinomial

1 - Introdução

Em geral, dispõe-se de dados que são fornecidos em um conjunto discreto de valores, den-

tro de um contínuo de possibilidades. Entretanto, pode ser necessário fazer estimativas em

pontos que estão entre os valores discretos, ou seja, não constam do conjunto. Ocorre, tam-

bém, a situação na qual se faz necessária uma versão simplificada de uma função compli-

cada. Ambas as aplicações são conhecidas como ajuste de curvas. Há duas abordagens

gerais para o ajuste de curvas, as quais se distinguem com base na quantidade erro associa-

da com os dados.

Primeiro, quando os dados exibirem um grau significativo de erro, a estratégia será deter-

minar uma única curva que represente a tendência geral dos dados. Como cada ponto indi-

vidual poderá estar incorreto, não será feito qualquer esforço para passar a curva por todos

os pontos. Em vez disto, a curva é escolhida para seguir o padrão dos pontos considerados

como um grupo. Uma abordagem desta natureza é chamada de regressão por mínimos

quadrados.

Segundo, quando se souber que os dados são muito precisos, a abordagem básica é ajustar

uma curva ou uma série de curvas que passam diretamente por cada um dos pontos. Este

tipo de abordagem, que é o objeto deste texto, é chamada de interpolação.

Considerando o exposto, pode-se estabelecer que, interpolar uma função, y = f(x), em um

conjunto discreto de pontos pertencentes a um intervalo (a, b), consiste em substituí-la, ou

aproximá-la, por outra função, y = g(x). A necessidade de se utilizar este procedimento

ocorre, basicamente, quando a função:

a) não é conhecida na sua forma analítica, mas, apenas por meio de um conjunto de pontos

(xi, yi), i = 0, 1, ..., n; esta situação ocorre com muita freqüência, na prática, quando se

trabalha com dados obtidos de forma experimental;

b) é conhecida na sua forma analítica, mas operações como a diferenciação e a integração

são difíceis (ou mesmo impossíveis) de realizar, ou seja, a função é de difícil tratamento.

Teoricamente, a função y = g(x) pode ser qualquer. Neste texto será tratado o caso em que

pertence à classe das funções polinomiais.

A aproximação de funções por polinômios é uma das idéias mais antigas da análise numé-

rica, e ainda das mais utilizadas. É fácil entender a razão. Os polinômios são facilmente

computáveis, suas derivadas e integrais são, novamente, polinômios, seus zeros podem ser

determinados com facilidade, etc. Portanto é vantajoso substituir uma função complicada

x x ...x 1

x x ...x 1

x x ...x 1

X

n

n 1

n

n

n

1

n 1

1

n

1

0

n 1

0

n

0

Trata-se de uma ma matriz de Vandermonde. O seu determinante é calculado da seguinte

maneira

det(X) = (x 0 – x 1 ) (x 0 – x 2 ) ... (x 0 – xn) (x 1 – x 2 ) (x 1 – x 3 ) ... (x 1 – xn) ... (xn - 1 – xn)

Como, por condição, x 0 , x 1 , ..., xn são valores distintos, então tem-se que det(X) ^ 0 e o

sistema linear admite solução única. Portanto, existe um único polinômio, y = p(x), de grau

máximo n, tal que: p(xi) = f(xi) = yi, i = 0, 1, ..., n.

3 - Erro de truncamento

Teorema 3.

Seja:

(i) (xi, yi), i = 0,1, ..., n pontos com abscissas distintas relacionados a uma função y = f(x);

(ii) y = f(x) uma função com (n + 1) derivadas contínuas no intervalo [x 0 , xn].

Então, para cada x  [x 0 , xn], existe um número ξ  (x 0 , xn), que depende de x, tal que

(n 1)!

f ( (x ))

f(x)-p(f;x) E (f;x) (x-x ).(x-x)...(x-x ).

n 1

t 0 1 n 

Onde f

n + 1 (.) é a derivada de ordem (n + 1) de y = f(x) e y = p(x) é o polinômio que a in-

terpola nos pontos (xi, yi), i = 0, 1, ..., n.

A expressão (3.1) é chamada de termo do erro ou erro de truncamento. É o erro que se

comete no ponto x quando se substitui quando se substitui a função pelo polinômio que a

interpola, calculado no ponto x.

A importância do Teorema 3.1 é mais teórica do que prática, uma vez que não é possível

determinar o ponto ξ de tal modo que seja válida a igualdade (3.1). Na prática, para estimar

o erro cometido ao aproximar o valor da função, num ponto, pelo seu polinômio de inter-

polação, é utilizado o corolário a seguir.

Corolário 3.

Seja Et(f;x) = f(x) – p(f;x). Se f(x) e suas derivadas até a ordem (n + 1) são contínuas no

intervalo [x 0 , xn], então:

(n 1)!

M

E (f;x) x-x x-x ... x-x. t 0 1 n 

Onde M = max f (x)

n  1 no intervalo [x 0 , xn].

Exemplo 3.

Sabendo-se que os pontos a seguir são da função f(x) = x.e

3.x , calcule um limitante superior

para o erro de truncamento quando se avalia y para x = 0,25.

i 0 1 2

xi 0,2 0,3 0,

f(xi) 1,8221 2,4596 3,

Solução

De (3.2) tem-se que

(n 1)!

M

E (f;x) x-x x-x x-x. t 0 1 2 

Onde M = max f (x)

' '' no intervalo [0,2; 0,4]. Como f(x) = x.e

3.x , segue que:

f

’ (x) = e

3.x (1 + 3.x)

f

’’ (x) = e

3.x .(6 + 9.x)

f

’’’ (x) = 27.e

3.x .(1 + x)

No intervalo [0,2; 0,4], f

’’’ (x) é máxima para x = 0,4. Logo M = f

’’’ (0,4) = 125,4998. Sen-

do assim:

E (f; 0 , 25 ) 0,

125 , 4998 M

E (f; 0 , 25 ) 0,25-0,20,25-0,30,25-0,.

t

t

Note-se que y = p(x) não necessariamente converge para y = f(x) em [a, b] aumentando o

número de pontos de interpolação. Polinômios interpoladores de grau elevado podem pro-

duzir grandes oscilações nos extremos do intervalo, é o Fenômeno de Runge. Este fenôme-

no é um problema que ocorre quando se usa interpolação polinomial com polinômios de

ordem elevada. Foi descoberto por Carl Runge quando investigava erros na interpolação

polinomial.

(x x)(x x ) (x x )

c

0 1 0 2 0 n

0   

Tem-se, então, que

(x x)(x x ) (x x )

(x x)(x x ) (x x )

L (x )

0 1 0 2 0 n

1 2 n

0   

Seja, agora, a determinação de L 1 (x). Por condição, tem-se que

L 1 (x 1 ) = 1

L 1 (xj) = 0; j = 0, 2, ..., n

E, então, L 1 (x), pode ser representado da forma

L 1 (x) = c 1 .(x – x 0 ).(x – x 2 ) ... (x – xn)

De modo análogo ao que foi feito anteriormente, para determinar o coeficiente c 1 basta

considerar o valor numérico de L 1 (x) em x = x 1 que, por condição, é igual a 1, obtendo-se

então

L 1 (x 1 ) = c 1 .(x 1 – x 0 ).(x 1 – x 2 ) ... (x 1 – xn) = 1

(x x )(x x ) (x x )

c

1 0 1 2 1 n

1   

Tem-se, então, que

(x x )(x x ) (x x )

(x x )(x x ) (x x )

L (x )

1 0 1 2 1 n

0 2 n

1   

Considerando os resultados 4 .2 e 4. 3 , conclui-se que

(x x )(x x) (x x )(x x ) (x x )

(x x )(x x) (x x )(x x ) (x x ) L(x )

i 0 i 1 i i 1 i i 1 i n

0 1 i 1 i 1 n

i     

 

 

, i = 0, 1, ..., n (4.4)

Exemplo 4.

Seja y = f(x) uma função dada nos pontos a seguir. Utilize o método de Lagrange para de-

terminar o polinômio que a interpola. Retenha nos cálculos quatro casas decimais.

i 0 1 2 3

xi 0 1 2 4

yi 4 11 20 44

Solução

O polinômio interpolador é:

L(x) = y 0 .L 0 (x) + y 1 .L 1 (x) + y 2 .L 2 (x) + y 3 .L 3 (x)

Seja, então, a obtenção de Li(x), i = 0, 1, 2, 3

x -7.x 14.x- 8

(x-1).(x-2).(x- 4)

(x -x)(x -x )(x -x )

(x-x)(x-x )(x-x )

L (x )

3 2

0 1 0 2 0 3

1 2 3 0

L (x) -0,125.x 0,875.x -1,75.x 1

3 2

0

x -6.x 8.x

(x-0).(x-2).(x- 4)

(x -x )(x -x )(x -x )

(x-x )(x-x )(x-x )

L(x )

3 2

1 0 1 2 1 3

0 2 3

1

L (x) 0,3333.x -2.x 2,6667.x

3 2

1

x -5.x 4.x

(x-0).(x-1).(x- 4)

(x -x )(x -x)(x -x )

(x-x )(x-x)(x-x ) L(x )

3 2

2 0 2 1 2 3

0 1 3 2

L (x) -0,25.x 1,25.x - x

3 2

2

x -3.x 2.x

(x-0).(x-1).(x- 2)

(x -x)(x -x)(x -x )

(x-x)(x-x)(x-x )

L(x )

3 2

3 0 3 1 3 2

0 1 2

3

L (x) 0,0417.x -0,125.x 0,0833.x

3 2

3  

Obtém-se, então, que

L(x) = 0,0011.x

**3

  • x**

**2

  • 5,9989.x + 4**

Obs: o resultado exato é L(x) = x

2

  • 6.x + 4, não foi obtido em virtude de erros de arre-

dondamento.

4.2 – Método das diferenças divididas

4.2.1 – O operador diferença dividida

Definição 4.

Dada uma função, y = f(x), a sua primeira derivada é definida como:

h

f(x h)- f(x)

f '(x) lim

h 0

Sendo (xi, yi), i = 0, 1, ..., n; um conjunto de pontos da função, então:

h

f(x h)-f(x )

f '(x) lim

i i

h 0

i

Seja

xi + h = xi + 1  h = xi + 1 - xi

Sendo assim

i 1 i

i 1 i

h 0

i

x -x

f(x )-f(x )

f'(x) lim

Definição 4.

Sendo (xi, yi), i = 0, 1, ..., n; um conjunto de pontos, cujas abscissas são distintas, de uma

função y = f(x), define-se o operador diferença dividida de primeira ordem, sobre os pontos

(xi, yi) e (xi + 1, yi + 1), como:

i 1 i

i 1 i

i 1 i

i 1 i

i

x -x

y - y

x - x

f(x )-f(x )

Dy

  , i = 0, 1, ..., n – 1 (4. 7 )

Observe-se que este operador nada mais é do que uma aproximação do valor numérico da

primeira derivada de uma função em um ponto.

Pode ser demonstrado que as diferenças divididas de ordem superior, definidas a seguir,

são aproximações para as derivadas de ordem superior.

A diferença dividida de segunda ordem, sobre os pontos (xi, yi), (xi + 1, yi + 1) e (xi + 2, yi + 2),

é definida como:

i 2 i

i 1 i

i

2

x - x

Dy -D y

D y

  , i = 0, 1, ..., n^ –^2 (4.^8 )

A diferença dividida de terceira ordem, sobre os pontos (xi, yi), (xi + 1, yi + 1), (xi + 2, yi + 2), e

(xi + 3, yi + 3), é definida como:

i 3 i

i

2

i 1

2

i

3

x - x

D y -D y

D y

  , i = 0, 1, ..., n – 3 (4.9)

Considerando as definições (4.7), (4.8) e (4.9), tem-se que a diferença dividida de ordem r,

sobre os pontos (xi, yi), (xi + 1, yi + 1), ..., (xi + r, yi + r) é definida como:

i 0,1,...,n- r

r 1,2,..., n

,

x - x

D y -D y D y

i r i

i

r- 1

i 1

r- 1

i

r (4.10)

Sendo a diferença dividida de ordem zero definida como:

D

0 yi = yi, i = 0, 1, ..., n (4.11)

4.2.2 – O polinômio interpolador com diferenças divididas

Neste método a idéia é obter o polinômio, y = p(x), que interpola uma função, y = f(x), em

um conjunto de pontos (xi, yi), i = 0, 1, ..., n; na forma

p(x) = a 0 + a 1 .(x – x 0 ) + a 2 .(x – x 0 )(x – x 1 ) + ... + an.(x – x 0 )(x – x 1 ) ... (x – xn - 1 ) (4. 12 )

Sendo assim, y = p(x) deve ser tal que p(xi) = f(xi) = yi, i = 0, 1, ..., n

Logo

p(x 0 ) = a 0  a 0 = y 0 = Dy 0 (4.13)

Considere-se agora que, por condição 4.12 deve interpolar y = f(x) no ponto (x 1 , y 1 ). Sendo

assim:

p(x 1 ) = y 0 + a 1 .(x 1 – x 0 ) = y 1

2 0

1 0

1 0

2 1

2 1

2 x -x

x - x

y - y

x - x

y - y

a 

Portanto

2 0

1 0

2 x -x

Dy - Dy

a  (4. 19 )

Com base na definição 4. 8 , conclui-se que 4. 19 é a diferença dividida de segunda ordem,

(x 0 , y 0 ), (x 1 , y 1 ) e (x 2 , y 2 ), ou seja,

a 2 = D

2 y 0 (4. 20 )

Portanto, pode-se concluir que ai = D

i y 0 , i = 0, 1, ... n; e, então, 4. 12 é um polinômio da

forma:

p(x) = y 0 + (x – x 0 ) .Dy 0 + (x – x 0 )(x – x 1 ) .D

2 y 0 + ... + (x – x 0 )(x – x 1 ) ... (x – xn - 1 ).D

n y 0

Teorema 4.1 (Valor Médio de Lagrange Generalizado)

Seja y = f(x) C

n ([a, b]) uma função conhecida nos pontos distintos x 0 , x 1 , ..., xn de [a, b].

Então existe um ponto ξ [a, b] tal que

n!

f ( ) D y

n

0

n  

Demonstração

Seja

e(x) = f(x) – p(x)

Onde p(x) é o polinômio que interpola f(x) nos pontos dados. Assim sendo, a função e(x)

tem n + 1 zeros distintos, o que implica, pelo Teorema de Rolle Generalizado (ver anexo),

que existe um ξ [a,b] tal que e

n (ξ) = 0. Assim

0 = f

n (ξ) – p

n (ξ) 0 = f

n (ξ) – D

n y 0 .n!

c.q.d.

Este teorema permite concluir que, na ausência de informação sobre f

n + 1 (x), uma estima-

tiva para o erro pode ser obtida utilizando D

n y 0 caso as diferenças divididas de ordem n + 1

não variem muito.

Exemplo 4.

A tabela a seguir apresenta valores da voltagem, V, em função da corrente elétrica, I. Utili-

zando interpolação polinomial, método das diferenças divididas, estime o valor de V quan-

do I = 3A.

i 0 1 2 3

I = xi 1 2 4 8

V = yi 120 94 75 62

Solução

Inicialmente, são determinados os valores das diferenças divididas.

i I = xi V = yi Dyi D

2 yi D

3 yi

Tem-se, então:

p(x) = y 0 + (x - x 0 ).Dy 0 + (x - x 0 ).(x – x 1 ).D

2 y 0 + (x - x 0 ).(x – x 1 ).(x – x 2 ).D

3 y 0

p( 3 ) = 120 + ( 3 - 1 ).(- 26) + (3 - 1).(3 – 2).(5,5) + (3 - 1).(3 – 2).( 3 – 4 ).(- 0,64)

p(3) = 80,28V

Exemplo 4.

Uma barra de metal encontra-se presa em duas paredes separadas pela distância de 12 m. A

5 m da parede A (ver figura), um corpo apoiado sobre a barra faz com que esta toque no

solo. Os pontos de engate nas duas paredes estão a 8 m (parede A) e 3 m (parede B) do solo,

conforme mostra a figura a seguir. Usando interpolação polinomial, Método das Diferen-

ças Divididas, pede-se estimar

a) a altura, em relação ao solo, de um ponto da barra localizado a 2m da parede A;

b) qual deve ser a altura da barra no ponto localizado a 2m da parede A, para que o trecho

compreendido até 5m da mesma seja representado por um polinômio de grau um.

4.3 – Método das diferenças finitas ascendentes

4.3.1 – O Operador Diferença Finita Ascendente

Definição 4.

Seja y = f(x) uma função contínua em um intervalo [a, b]. Sejam (xi, yi), i = 0, 1,... , n;

pontos de y = f(x) em [a, b], tais que xi + 1 – xi = h para todo i = 0, 1,... , n – 1. Sendo as-

sim, a diferença finita ascendente de primeira ordem é definida como:

∆f(x) = f(x + h) – f(x) (4. 24 )

Em um ponto xi  (^) [a, b], tem-se que

∆f(xi) = f(xi + h) – f(xi)

∆yi = yi + 1 – yi, i = 0, 1, 2, ..., n – 1 (4.25)

Da definição (4. 24 ), verifica-se que o operador ∆(.) é linear (ver anexo), sendo assim, as

diferenças finitas ascendentes de ordem superior são definidas, por recorrência, da seguinte

maneira.

Segunda ordem.

∆[∆yi] = ∆[yi + 1 – yi]

2 yi = ∆yi + 1 – ∆yi, i = 0, 1, 2, ..., n – 2 (4. 26 )

Terceira ordem.

∆[∆

2 yi] = ∆[∆yi + 1 – ∆yi,]

3 yi = ∆

2 yi + 1 – ∆

2 yi, i = 0, 1, 2, ..., n – 3 (4.2 7 )

Generalizando, tem-se que a diferença finita ascendente de ordem r é definida como:

r yi = ∆

r - 1 yi + 1 – ∆

r - 1 yi

i 0,1,...,n- r

r 1,2,..., n

(4.28)

Sendo a diferença finita ascendente de ordem zero definida como:

0 yi = yi; i = 0, 1, 2, ..., n (4.2 9 )

4.3.2 – O polinômio interpolador com diferenças finitas ascendentes

Teorema 4. 2

Se (xi, yi), i = 0, 1,... , n; são pontos de uma função, y = f(x), tais que xi + 1 – xi = h, para

todo i = 0, 1,... , n – 1 , então vale a seguinte relação entre diferenças divididas e diferen-

ças finitas ascendentes.

.r!

r h

y

r

y

r D

i i

 , r = 0, 1, 2, ..., n; i = 0, 1, 2, ..., n – r (4.31)

Demonstração:

A demonstração é feita por meio de indução finita em r.

Base de indução: ordem 1

Dyi=

i 1 i

i 1 i

x x

y y

h. 1!

y

h

y

1

i i

, i = 0,1, 2, … , n - 1

Hipótese de indução

Admita-se que o argumento é válido para a ordem r – 1.

h .(r 1 )!

y

D y r 1

i

r 1

i

r- 1

, i = 0,1, 2, … , n – r + 1

Passagem de indução

Provar que é válido para ordem r. Por definição

i r i

i

r 1

i 1

r 1

i

r

x x

D y D y

D y

, i = 0,1, 2, … , n – r

Sendo xi + r – xi = r.h, ,tem-se que

r. h

h .(r 1 )!

y

h .(r 1 )!

y

D y

r 1

i

r 1

r 1

i 1

r 1

i

r 

, i = 0,1, 2, … , n – r

h.h .r.(r 1 )!

y - y D y r 1

i

rp 1

i 1

r 1

i

r

, i = 0,1, 2, … , n - r

Portanto

h.r!

y D y r

i

r

i

r   , i = 0,1, 2, … , n - r

c.q.d.

Passagem de indução

Provar que a relação é válida para k.

k [f(x)] = ∆

k - 1 [∆[f(x)]] = ∆

k - 1 [f(x + h) − f(x)]

k - 1 [f(x + h)] − ∆

k - 1 [f(x)]

k - 1 [f(x + h)] = h

k - 1 f

(k−1) (μ 1 ) com μ 1 (x + h, x + h + (k − 1)h) = (x + h, x + h.k)

k− [f(x)] = h

k− f

(k−1) (μ 2 ) com μ 2 (x, x + (k − 1)h)

Usando agora o (T.V.M) para f

(k−1) tem-se

ξk (μ 1 , μ 2 ) ou (μ 2 , μ 1 ) : f

(k−1) (ξ 1 ) − f

(k−1) (ξ 2 ) = hf

(k) (ξk)

Vem, então, que

k [f(x)] = ∆

k− [f(x + h)] − ∆

k− [f(x)]

= h

k− (f

(k−1) (μ 1 ) − f

(k−1) (μ 2 ))

= h

k− hf

(k) (ξk), ξk (μ 1 , μ 2 )

= h

k f

(k) (ξk), ξk (x, x + k.h)

c.q.d.

Corolário 4.

[∆

k f(x) / h

k ].é uma aproximação para f

(k) (x) e o erro cometido tende a zero quando h → 0.

Exemplo 4. 5

Os pontos a seguir relacionam a solubilidade, S, da água no óleo mineral, em partes por

milhão, com a temperatura, t, em graus centígrados. Utilizando interpolação polinomial,

método das diferenças finitas ascendentes, estime o valor de t quando S = 200ppm.

S t

i xi yi Δyi Δ

2 yi Δ

3 yi

Sabe-se que

h

x- x z

0   1,

100

z  

Logo

0

3 0

2 0 0 0 y 3!

z(z 1 )(z 2 )

y

2!

z(z 1 )

p( x h.z) y z. y 

z(z 1 )(z 2 ) .( 19 )

2!

z(z 1 ) p( x h.z) 15 z.( 35 ) 0

Sendo assim, o polinômio interpolador é dado por:

p(x 0 + h.Z) = 2.17.Z

3

  • 16 .Z

2

  • 48, 83 .Z + 15

Tem-se, então, que p(200) = 62,

o

C

Exemplo 4. 6

Uma hidroelétrica tem capacidade máxima de 60MW, que é determinada por três gerado-

res de 30MW, 15MW e 15MW, respectivamente. A demanda de energia varia num ciclo

de 24h, sendo que a demanda mínima ocorre entre 2h e 5h e a máxima entre 14h e 17h.

Utilizando interpolação polinomial, método das diferenças finitas ascendentes, estime a

demanda mínima e a máxima e o horário em que cada uma ocorre, considerando os dados

a seguir.

i 0 1 2 3

Hora (xi) 2 3 4 5

Demanda (yi) 16,4 15,2 14,9 16,

i 0 1 2 3

Hora (xi) 14 15 16 17

Demanda (yi) 36,5 43,0 34,0 31,

Solução

Demanda mínima

Inicialmente, são calculados os valores das diferenças finitas ascendentes.

i xi yi yi 

2 yi 

3 yi

Sendo

h

x- x z

0 

então z = x – 2 e x = z + 2

O polinômio interpolador tem a forma

0

3 0

2 0 0 0 y 3!

z(z 1 )(z 2 ) y

2!

z(z 1 ) p( x h.z) y z. y 

Assim,

z(z 1 )(z 2 )

( 0 , 9 )

2!

z(z 1 )

p( 2 z) 16 , 4 z.( 1 , 2 )