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INTRODUÇÃO ÀINTRODUÇÃO À SAÚDE PÚBLICA SAÚDE PÚBLICA
Técnico: Moises Santos Técnico: Moises Santos
Conceitos de SaúdeConceitos de Saúde
- (^) A saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida. Assim, não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologia desenvolvidos pela sociedade nesse campo, adequados às suas necessidades, abrangendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Em outras palavras, considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público para o balizamento e orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações.
Conceitos de DoençaConceitos de Doença
- (^) Durante muito tempo, houve a teoria
mística sobre a doença, que os
antepassados julgavam como um
fenômeno sobrenatural, ou seja, ela estava
além da sua compreensão do mundo,
superada posteriormente pela teoria de
que a doença era um fato decorrente das
alterações ambientais no meio físico e
concreto que o homem vivia. Em seguida,
surge a teoria dos miasmas (gazes), que
vai predominar por mais tempo ainda.
Conceitos de DoençaConceitos de Doença
- (^) Assim, diversas concepções de saúde e doença
podem coexistir, através da persistência de
modelos antigos, mas que ainda atendem a
necessidades atuais.
- (^) Nas comunidades tradicionais de coletores e
caçadores, a ocorrência de doenças era explicada
de modo compatível com sua visão de mundo,
pela influência de demônios e outras forças
sobrenaturais, que conviviam com os homens e
podiam ser por eles invocados ou controlados,
desde que fossem utilizados os meios adequados.
Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença
- (^) Quando a Organização Mundial de Saúde conceituou saúde como "o mais completo estado de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças", certamente não estava propondo um critério classificatório, mas uma direção.
- (^) Já a idéia de doença é mais imediatista, sempre impondo, ao mesmo tempo, certas competências operacionais e algum tipo de explicação. Historicamente, ela é muito anterior à concepção de saúde, estando presente, de diferentes formas, em todas as organizações sociais conhecidas. Remetendo a questão da identificação e classificação da doença e dos doentes a um saber técnico, que pressupõe divisão de trabalho e transferência de poder.
Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença
Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença
- (^) Até que, com os estudos de Louis Pasteur na França, entre outros, vem a prevalecer a “teoria da unicausalidade”, com a descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) e, portanto, do agente etiológico, ou seja, aquele que causa a doença.
- (^) Devido a sua incapacidade e insuficiência para explicar a ocorrência de uma série de outros agravos à saúde do homem, essa teoria é complementada por uma série de conhecimentos produzidos pela epidemiologia, que demonstra a multicausalidade como determinante da doença e não apenas a presença exclusiva de um agente. Finalmente, uma série de estudos e conhecimentos provindos principalmente da epidemiologia social nos meados deste século esclarece melhor a determinação e a ocorrência das doenças em termos individuais e coletivo.
- (^) O fato é que se passa a considerar saúde e doença como estados de um mesmo processo, composto por fatores biológicos, econômicos, culturais e sociais.
Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença
- (^) Este modo de entender a saúde e a doença tinha sua racionalidade na observação cuidadosa dos fenômenos, na concepção da doença enquanto fenômeno natural, e portanto passível de explicação teórica, e na transmissão do conhecimento em condições capazes de assegurar um certo controle sobre a competência dos praticantes.
- (^) Durante o século XIV teve início uma pandemia de peste que devastou a Europa, eliminando mais de um quarto da população, desorganizando o processo social e trazendo outras concepções sobre saúde e doença. No Ocidente criou-se então toda uma cultura centrada no horror e na convivência com a morte, impondo-se as idéias de culpa e de pecado. Judeus e mulheres acusadas de feitiçaria foram massacrados, enquanto todas as diferentes práticas médicas se mostravam absolutamente ineficazes.
Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença
- (^) Desvinculada da concepção religiosa hegemônica e desenvolvida a partir da acumulação de observações empíricas, a prática da quarentena, dirigida ao isolamento de pessoas e lugares sadios se impôs, como uma forma de defesa coletiva, capaz de se sobrepor aos interesses e direitos individuais.
- (^) Nos séculos seguintes, a perda de credibilidade de todas as formas de medicina possibilitou uma onda de especulações, práticas alternativas e também a volta à observação dos fenômenos como fonte de conhecimentos mais úteis que aqueles possibilitados pelas velhas doutrinas.
A Saúde PúblicaA Saúde Pública
- (^) A partir da metade do século XVIII, importantes transformações passaram a ocorrer na Europa, com impactos notáveis sobre as condições de vida e saúde.
- A urbanização acelerada e a industrialização são com freqüência os processos mais destacados, tanto por seus impactos sobre as condições de produtividade como nas condições de trabalho e qualidade de vida da classe trabalhadora.
- (^) Mais uma vez na história do Ocidente ocorreu incremento, por um período prolongado, na mortalidade, compensada apenas, em termos populacionais, por taxas altíssimas de natalidade. Desnutrição, alcoolismo, doenças mentais e violência atingiam pesadamente a nova classe de trabalhadores urbanos.
A Saúde PúblicaA Saúde Pública
- (^) Doenças conhecidas, como a febre tifóide, e outras novas, importadas das colônias, como a cólera, passaram a ser transmitidas de modo ampliado, para o conjunto da população, pelos precários sistemas coletivos urbanos de distribuição de água, causando epidemias letais, sempre acompanhadas de pânico. Levando, aqueles que podiam, a abandonar as cidades, que passaram a ser identificadas como locais insalubres.
- (^) Os hospitais públicos, onde principalmente os indigentes eram internados, particularmente precisavam ser evitados, e a mortalidade nas maternidades fazia do parto uma situação de alto risco. A prática médica era mais prejudicial que eficaz.
A Saúde PúblicaA Saúde Pública
- (^) O modelo epidemiológico da tríade
causal considerava os agentes, o
ambiente e os seres humanos como
categorias de um mesmo nível do
mundo natural, no que se refere à
determinação das doenças. As ações
de saúde deveriam ser capazes de
identificar o elo mais fraco da tríade
e atuar especificamente sobre ele.
A Saúde PúblicaA Saúde Pública