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Saúde: Conceitos Históricos e Teóricos, Notas de estudo de Sistemas de Informação

Uma visão histórica e teórica sobre a concepção de saúde, partindo da noção de saúde como ausência de doença, passando pelas diferentes concepções culturales e sociais, até chegar às modernas perspectivas de saúde pública e promoção da saúde. O texto aborda as diferentes perspectivas históricas sobre a saúde, desde as comunidades tradicionais até a era moderna, e discute as implicações dessas perspectivas para a prática da saúde.

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 05/05/2011

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moises-dos-santos-lopes-4 🇧🇷

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INTRODUÇÃO ÀINTRODUÇÃO À SAÚDE PÚBLICA SAÚDE PÚBLICA

Técnico: Moises Santos Técnico: Moises Santos

Conceitos de SaúdeConceitos de Saúde

  • (^) A saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida. Assim, não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologia desenvolvidos pela sociedade nesse campo, adequados às suas necessidades, abrangendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Em outras palavras, considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público para o balizamento e orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações.

Conceitos de DoençaConceitos de Doença

  • (^) Durante muito tempo, houve a teoria

mística sobre a doença, que os

antepassados julgavam como um

fenômeno sobrenatural, ou seja, ela estava

além da sua compreensão do mundo,

superada posteriormente pela teoria de

que a doença era um fato decorrente das

alterações ambientais no meio físico e

concreto que o homem vivia. Em seguida,

surge a teoria dos miasmas (gazes), que

vai predominar por mais tempo ainda.

Conceitos de DoençaConceitos de Doença

  • (^) Assim, diversas concepções de saúde e doença

podem coexistir, através da persistência de

modelos antigos, mas que ainda atendem a

necessidades atuais.

  • (^) Nas comunidades tradicionais de coletores e

caçadores, a ocorrência de doenças era explicada

de modo compatível com sua visão de mundo,

pela influência de demônios e outras forças

sobrenaturais, que conviviam com os homens e

podiam ser por eles invocados ou controlados,

desde que fossem utilizados os meios adequados.

Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença

  • (^) Quando a Organização Mundial de Saúde conceituou saúde como "o mais completo estado de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças", certamente não estava propondo um critério classificatório, mas uma direção.
  • (^) Já a idéia de doença é mais imediatista, sempre impondo, ao mesmo tempo, certas competências operacionais e algum tipo de explicação. Historicamente, ela é muito anterior à concepção de saúde, estando presente, de diferentes formas, em todas as organizações sociais conhecidas. Remetendo a questão da identificação e classificação da doença e dos doentes a um saber técnico, que pressupõe divisão de trabalho e transferência de poder.

Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença

Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença

  • (^) Até que, com os estudos de Louis Pasteur na França, entre outros, vem a prevalecer a “teoria da unicausalidade”, com a descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) e, portanto, do agente etiológico, ou seja, aquele que causa a doença.
  • (^) Devido a sua incapacidade e insuficiência para explicar a ocorrência de uma série de outros agravos à saúde do homem, essa teoria é complementada por uma série de conhecimentos produzidos pela epidemiologia, que demonstra a multicausalidade como determinante da doença e não apenas a presença exclusiva de um agente. Finalmente, uma série de estudos e conhecimentos provindos principalmente da epidemiologia social nos meados deste século esclarece melhor a determinação e a ocorrência das doenças em termos individuais e coletivo.
  • (^) O fato é que se passa a considerar saúde e doença como estados de um mesmo processo, composto por fatores biológicos, econômicos, culturais e sociais.

Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença

  • (^) Este modo de entender a saúde e a doença tinha sua racionalidade na observação cuidadosa dos fenômenos, na concepção da doença enquanto fenômeno natural, e portanto passível de explicação teórica, e na transmissão do conhecimento em condições capazes de assegurar um certo controle sobre a competência dos praticantes.
  • (^) Durante o século XIV teve início uma pandemia de peste que devastou a Europa, eliminando mais de um quarto da população, desorganizando o processo social e trazendo outras concepções sobre saúde e doença. No Ocidente criou-se então toda uma cultura centrada no horror e na convivência com a morte, impondo-se as idéias de culpa e de pecado. Judeus e mulheres acusadas de feitiçaria foram massacrados, enquanto todas as diferentes práticas médicas se mostravam absolutamente ineficazes.

Histórico Saúde- DoençaHistórico Saúde- Doença

  • (^) Desvinculada da concepção religiosa hegemônica e desenvolvida a partir da acumulação de observações empíricas, a prática da quarentena, dirigida ao isolamento de pessoas e lugares sadios se impôs, como uma forma de defesa coletiva, capaz de se sobrepor aos interesses e direitos individuais.
  • (^) Nos séculos seguintes, a perda de credibilidade de todas as formas de medicina possibilitou uma onda de especulações, práticas alternativas e também a volta à observação dos fenômenos como fonte de conhecimentos mais úteis que aqueles possibilitados pelas velhas doutrinas.

A Saúde PúblicaA Saúde Pública

  • (^) A partir da metade do século XVIII, importantes transformações passaram a ocorrer na Europa, com impactos notáveis sobre as condições de vida e saúde.
  • A urbanização acelerada e a industrialização são com freqüência os processos mais destacados, tanto por seus impactos sobre as condições de produtividade como nas condições de trabalho e qualidade de vida da classe trabalhadora.
  • (^) Mais uma vez na história do Ocidente ocorreu incremento, por um período prolongado, na mortalidade, compensada apenas, em termos populacionais, por taxas altíssimas de natalidade. Desnutrição, alcoolismo, doenças mentais e violência atingiam pesadamente a nova classe de trabalhadores urbanos.

A Saúde PúblicaA Saúde Pública

  • (^) Doenças conhecidas, como a febre tifóide, e outras novas, importadas das colônias, como a cólera, passaram a ser transmitidas de modo ampliado, para o conjunto da população, pelos precários sistemas coletivos urbanos de distribuição de água, causando epidemias letais, sempre acompanhadas de pânico. Levando, aqueles que podiam, a abandonar as cidades, que passaram a ser identificadas como locais insalubres.
  • (^) Os hospitais públicos, onde principalmente os indigentes eram internados, particularmente precisavam ser evitados, e a mortalidade nas maternidades fazia do parto uma situação de alto risco. A prática médica era mais prejudicial que eficaz.

A Saúde PúblicaA Saúde Pública

  • (^) O modelo epidemiológico da tríade

causal considerava os agentes, o

ambiente e os seres humanos como

categorias de um mesmo nível do

mundo natural, no que se refere à

determinação das doenças. As ações

de saúde deveriam ser capazes de

identificar o elo mais fraco da tríade

e atuar especificamente sobre ele.

A Saúde PúblicaA Saúde Pública