


























































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Introdução a teologia, vamos aprender pra que serve O que vamos aprender primeiro...
Tipologia: Esquemas
Oferta por tempo limitado
Compartilhado em 17/12/2020
1 documento
1 / 66
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!



























































Em oferta
3.1 Teologia Exegética 3.2 Teologia Histórica 3.3 Teologia Dogmática 3.4 Teologia Bíblica 3.5 Teologia Sistemática
5.1 A teologia nas funções da igreja
[1] Teologia é inteligível. Ela pode ser compreendida pela mente humana de maneira ordenada e racional. [2] Teologia requer explicação. Isso, por sua vez, envolve a exegese (análise dos textos no original) e a sistematização de ideias. [3] a fé cristã tem sua base na Bíblia, por isso a teologia cristã é um estudo baseado na Bíblia. Logo, teologia é a descoberta, a sistematização e a apresentação das verdades a respeito de Deus.^4 Para Geisler a teologia é o estudo daquilo que é referente a Deus, seja a sua natureza, as suas obras, bem como a sua relação com a sua criação (o homem). É um discurso racional a respeito de Deus.^5 Berkhof diz em sua sistemática que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem, por meio de quem, e para quem são todas as coisas.^6 Para Rahner, teologia é a explanação e explicação consciente e metodológica da revelação divina recebida e apreendida na fé (…) A tarefa da teologia é articular os elementos conceituais implícitos na fé cristã.^7 Na construção de um bom conceito para a teologia, Medrado faz uma observação: De que se trata a teologia? De Deus e tudo o que se refere a ele, isto é, o mundo universo: a criação, a Salvação e tudo o mais. E isso está já na palavra mesma de “teologia” estudo de Deus. Mas como Deus é o determinante de tudo, então, qualquer coisa pode ser objeto de consideração do teólogo. Deus, com efeito, pode ser definido como a realidade que determina todas as realidades.^8 No contexto da religião cristã, Myatt afirma que “a teologia não é o estudo de Deus como algo abstrato, mas é o estudo do Deus pessoal revelado na Bíblia. Necessariamente isso inclui tudo o que é revelado sobre Ele e as suas obras e relações com as criaturas”.^9 Para Strong a “teologia é a ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo”. De acordo com Gruden, “teologia é o estudo de
(^4) RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004. p.15. (^5) GEISLER, N. Teologia Sistemática: Introdução à teologia. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p.11. 6 7 BERKHOF, Louis. 8 RAHNER,^ apud^ RAUSCH, T. P.^ Introdução à Teologia. São Paulo: Paulus, 2004. p.15. MEDRADO, Eudaldo Freitas. Introdução à Teologia. Disponível em http://www.famedrado.kit.net/ Canal%2004/01.htm. Acesso: 19.11.2015. 9 MYATT, Allan e FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Faculdade Teológica Batista de São Paulo, 2002. p.12.
Deus e de todas as suas obras”. Para Hodge “teologia não é somente ‘a ciência de Deus’ nem mesmo ‘a ciência de Deus e do homem’, ela também dá conta das relações entre Deus e o universo”. Um bom conceito para a teologia deve considerá-la como o estudo das relações do Criador (Deus) com a criatura (homens). Conceituar a teologia simplesmente como o estudo de Deus seria muita presunção para o ser humano, uma vez que, Deus, transcende o entendimento humano. Em outras palavras, a mente humana é incapaz de estudar, ou conhecer a Deus na sua plenitude. Deus se revela ao homem, e este, é capaz de conhecê- lo. O conhecimento produz um relacionamento, que não necessariamente, permita um conhecimento pleno da “mente” de Deus. O relacionamento produzido por um relacionamento íntimo com Deus permite ao homem viver na plenitude daquilo que Deus projetou para ele. Deus é conhecido através das suas obras e das suas atividades. Por isso a teologia dá conta destas atividades na medida que elas acompanham o nosso conhecimento. Deus pode ser conhecido e é possível ao homem conhecer a Deus. Isso torna a teologia plenamente possível. De acordo com Strong existem ao menos três possibilidades para a teologia: [a] Deus é um ser real que se relaciona com o universo; [b] A mente humana é capaz de conhecer a Deus e perceber sua relação com o universo; e [c] Deus provê sua revelação (João 17.3: E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Efésios 1.17: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação). Hordern destaca que a teologia é um tratado ou desenvolvimento bem ordenado do pensamento que se possa obter a respeito de Deus. De acordo com este autor “a palavra ‘Deus’ não pode ser definida de forma exaustiva, mas é normalmente empregada para representar o que quer que se creia como sendo o fato ‘último’, a fonte da qual tudo o mais teria provindo, o valor supremo ou a origem de todos os valores da existência. Deus vem a ser o ente admitido como sendo digno de constituir-se no alvo e no propósito da vida. A luz de tais
exemplo, as relações entre a idade média, o renascimento e a reforma são controvertidas, e alguns acadêmicos entendem que os dois últimos períodos são uma continuação do primeiro, embora outros os vejam como períodos totalmente distintos um do outro. O que podemos afirmar é que a história da Teologia Cristã começa no século II, cerca de cem anos depois da morte e ressurreição de Cristo, com o início da confusão entre os cristãos no Império Romano, tanto dentro quanto fora da Igreja. Os desafios internos principais eram semelhantes a cacofonia de vozes que muitos cristãos em nossos dias chamariam de "seitas", ao passo que os desafios externos eram semelhantes as vozes que muitos hoje chamariam "céticos". É dessas vozes desafiadoras que surgiu a necessidade e os primórdios da ortodoxia - uma declaração definitiva daquilo que é teologicamente correto.^12
Um bom texto sobre o conceito de teologia pode ser verificado em http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/teologia-o-que-e.
QUESTÕES PROPOSTAS
(^12) OLSON, Roger E. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Editora Vida, 2001. p. 668.
O alvo da teologia é permitir que o homem se relacione com seu criador e compreenda a manifestação deste no desenvolvimento da história. O alvo da teologia está centrado em Deus, em especial, no seu plano de salvação para o homem por intermédio de Cristo.
A Teologia se distingue da Teodicéia, que é o conjunto de conhecimentos que o homem pode chegar a ter de Deus sem ajuda da Revelação sobrenatural e se limita a estudar a existência, o ser e os atributos divinos. A ciência teológica estuda o ser de Deus, na medida em que pode ser alcançado. Não se esquece nunca que Deus é um mistério, não é um objeto do qual se possa dar informação como dos outros seres. Que a Teologia é a ciência de Deus significa que tudo se trata nela principalmente desde o ponto de vista divino. A distinção tradicional é a seguinte: [1] Objeto material – é a realidade da que propriamente se ocupa a Teologia. O objeto é Deus e todas as realidades por Ele criadas e governadas por seu desígnio salvador. O objeto material primário ou principal é Deus e o objeto secundário são todas as coisas criadas enquanto ordenadas a Deus. [2] Objeto formal, indica o ponto de vista. Um é o objeto formal “quod”: o que é próprio de Deus. “Deus sub ratione Deitatis” e o objeto formal “quo” designa a luz intelectual sob a que o objeto é considerado. Neste caso, a razão iluminada ou guiada pela fé.^13
A teologia deve promover a fé, deve incentivar o homem a viver de forma justa por intermédio do desenvolvimento de uma vida de fé. Rm 1.16,17 diz: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé”. Para Buckland a simples fé implica uma disposição de alma para confiar noutra pessoa. Difere de credulidade, porque aquilo em que a fé tem
(^13) FRISOTTI, Heitor. Teologias Especializadas. Disponível em www.itsimonton.tripod.com/apostila_ teologias_especializadas.doc_._ Acesso: 28.12.2015.
A Teologia positiva é a ciência do conteúdo integral da Revelação, que tenta determinar e traçar toda a história documental do objeto crido em sua revelação, sua transmissão e sua proposição. Deseja conhecer o corpo ou a forma externa do dado revelado, com o estilo metódico e exaustivo que é próprio das ciências positivas. Faz isso para chegar a uma inteligência mais profunda da Palavra de Deus. Trata de responder à seguinte pergunta, qual é exatamente a verdade revelada por Deus? Procura determinar e estabelecer o que Deus revelou e como o revelou, se o fez diretamente o indiretamente, de modo explícito o implícito, com expressões obscuras ou claras. E porque as doutrinas reveladas não se encontram sempre com a mesma nitidez, costuma ser necessário um trabalho de interpretação de termos e expressões. Teologia especulativa: aprofunda nas verdades reveladas, mostra sua inteligibilidade, a conexão e harmonia que reina entre elas, servindo-se da ajuda das ciências humanas. Leva a uma compreensão mais funda do dado revelado. Mas não deve ser confundida com uma simples especulação; não é a aplicação de uma filosofia técnica à compreensão da doutrina revelada mas a Teologia especulativa cai sob o controle e ob a luz do mistério de salvação. Não é uma super-estructura da Teologia positiva, senão o pensamento especulativo se encontra englobado na Teologia positiva. O dado de fé não é unicamente o ponto de partida; é o princípio vital que a anima ao longo de todo seu recorrido de reflexão crente. A possibilidade da Teologia especulativa se fundamenta numa epistemologia realista: a doutrina revelada pressupõe que a mente humana se ordena à verdade e é capaz de conhecer a Deus de maneira limitada e certa. Para isso, tem grande importância o tema da analogia. Permite-nos falar de Deus de modo que nosso linguagem tenha sentido. Algo podemos dizer de Deus ainda que Ele não pode ser explicado univocamente. A Teologia especulativa possui duas grandes tarefas: compreender e organizar o dado revelado. 1. Compreende o melhor possível o dado revelado. Não quer dizer que os mistérios possam ser demonstrados o assimilados como si
fossem dados totalmente evidentes. Mas que é a busca do sentido preciso que se encerra na fé e a relação dos mistérios entre si. 2. Trabalho sistemático: a Teologia procura expor com rigor os preâmbulos da fé (mostrar que a fé, ainda que não seja evidente, não é absurda). Apresentar una síntese dos mistérios da fé (de modo que se mostre o melhor possível a unidade e a coerência da doutrina revelada). E relacionar seus dados e conclusões com o mundo da ciência e da cultura.^17
Você pode ler um bom texto sobre o objeto da teologia em http://www.webartigos.com/artigos/um-ensaio-sobre-o-objeto-de-estudo-da- teologia/54465/
QUESTÕES PROPOSTAS
(^17) FRISOTTI, Heitor. Teologias Especializadas. Disponível em www.itsimonton.tripod.com/apostila_ teologias_especializadas.doc_._ Acesso: 28.12.2015.
ao estudar a doutrina da expiação estudar-se-ia a maneira como determinado assunto foi tratado nas diversas seções da Bíblia — no livro de Atos, nas Epístolas, e no Apocalipse. Ou verificar-se-ia o que Cristo, Paulo, Pedro ou João disseram acerca do assunto. Ou descobrir-se-ia o que cada livro ou seção das Escrituras ensinou concernente às doutrinas de Deus, de Cristo, da expiação, da salvação e de outras. [5] A teologia sistemática. Neste ramo de estudo os ensinos bíblicos concernentes a Deus e ao homem são agrupados em tópicos, de acordo com um sistema definido; por exemplo, as Escrituras relacionadas à natureza e à obra de Cristo são classificadas sob o título: "Doutrina de Cristo".^19
3.1 Teologia Exegética
A teologia exegética busca o verdadeiro significado das Escrituras. Esse termo vem do grego, “ ex” (fora) e “ agein ” (guiar) , ou seja, “liderar” ou “explicar". Champlin destaca que a palavra portuguesa exegese é usada para indicar “narrativa”, “tradução” ou “interpretação”. Dentro do contexto teológico, a ênfase recai sobre a interpretação de modos formais de explicação que podem ser aplicados a algum texto, a fim de se compreender o seu sentido. Na linguagem técnica, a exegese aponta para a interpretação de alguma passagem literária específica, ao mesmo tempo em que os princípios gerais aplicados em tais interpretações são chamados hermenêutica.^20 O contrário da exegese é a eisegese. Sobre a eisegese Champlin diz que este termo significa ler no texto aquilo que alguém quer encontrar ali, mas que, na realidade, não se encontra no mesmo, ou então significa distorcer um texto para adaptá-lo às próprias ideias do intérprete. Portanto, o quanto a exegese é séria, a eisegese não passa de uma burla. A maioria das pessoas que se envolve na exegese também pratica alguma eisegese.^21 De acordo com Arantes a interpretação não é uma atividade tão complexa: “A maior parte da Escritura é, na verdade, de fácil entendimento. Ninguém precisa ser versado nos originais para compreender o seu propósito salvífico. Sua mensagem é basicamente simples. Todo aquele que dela se aproxima pode ser
(^19) Ibidem. p.10-11. (^20) CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol.2. 11.ed. São Paulo: Hagnos, 2013. p.617. 21 Ibidem.
educado na justiça. Contudo, existem certas partes que não são de tão fácil compreensão, sendo de suma importância que o intérprete-leitor, tenha algumas qualificações.”^22 Milton S. Terry afirmou que as qualificações de um intérprete competente podem ser ditas como: Intelectual, educacional e espiritual. Para ele o intelecto entra justamente na percepção clara do significado do texto. A argumentação lógica do autor sacro pode ser percebida por alguém que esteja atento intelectualmente. Um exemplo é a clara divisão que o apóstolo Paulo faz da carta aos Efésios, colocando nos capítulos 1-3 um bloco eminentemente doutrinário e de 4-6 outro bloco eminentemente prático. Uma mente analítica, que saiba discernir o que um texto está ensinando é muito importante para o intérprete. A imaginação, segundo Terry precisa ser controlada. Algumas pessoas têm uma mente fértil demais e isto pode prejudicar a boa interpretação do texto. O intérprete deve usar sua mente para analisar, comparar e examinar a Escritura. A razão deve ser aplicada em cada parte da Escritura. A Bíblia foi escrita em linguagem humana, apela a nossa razão, convida a investigação e pesquisa, condena a crença cega. A maior tarefa de um intérprete é ensinar o que aprendeu, e ensinar outros extraírem o aprendizado da Escritura. Sem isso em mente a interpretação não terá tanto valor. O apóstolo recomenda a Timóteo: “Ora, é necessário que o servo do Senhor seja... apto a instruir...” (2 Tm 2:24)^23 Para Terry a qualificação educacional compreende os fatos acerca dos quais o intérprete deve estar inteirado, fatos que são aprendidos com estudo e pesquisa. A geografia da Palestina e regiões vizinhas que influenciaram nos escritos bíblicos. As histórias gerais e bíblicas são também importantes no que tange a confirmação e complementação da revelação que nos é trazida na Escritura – complementação histórica. A cronologia , o discernimento de tempos e épocas é também de especial valor na interpretação. Os sistemas políticos que envolveram a revelação bíblica esclarecem também a compreensão do que foi
(^22) ARANTES, Fernando. A Bíblia, seu intérprete e sua interpretação. Disponível em http://www.ipjg.org.br/ed/VisaoBiblica/Textos/2007/A-Biblia-seu-Interprete-e-sua-Interpretacao- a.doc. Acesso: 23/04/2009. 23 TERRY, Milton S., Biblical Hermeneutics. Grand Rapids, MI: Zondervan 1977. Pp.151-158.
tratam do passado cristão. É o estudo da caminhada e do desenvolvimento da Igreja através dos séculos, em muitas áreas diferentes: missões e expansão geográfica; culto, liturgia e sacramentos; espiritualidade e vida cristã prática; organização, estrutura e forma de governo; pregação, arquitetura e arte sacra; relacionamento com a sociedade, a cultura e o Estado. Enfim, pode-se afirmar que a história da Igreja ou do cristianismo inclui tudo o que a Igreja faz no mundo, sendo essencialmente um estudo e uma narrativa de eventos, personagens e movimentos. Inclui o que hoje se denomina história institucional e história social. Todavia, a história da Igreja, além de analisar a prática da Igreja, também aborda seu pensamento, aquilo que ela ensina. Isto se relaciona mais concretamente com a teologia histórica. Os tópicos acima podem ser considerados com base em duas perspectivas. Por exemplo: a prática da Igreja na área de missões (história da Igreja) e a reflexão que ela faz sobre sua missão (história da teologia), ou a evolução de suas práticas litúrgicas (história da Igreja) e a reflexão sobre o significado do culto e da liturgia (teologia histórica). Esse estudo do pensamento e do ensino da Igreja pode ter várias abordagens. A história do dogma é a análise de certos temas doutrinários particulares que receberam uma definição oficial e normativa da Igreja. Alguns historiadores entendem que apenas três áreas de doutrina se inserem na história do dogma: a doutrina da Trindade (definida nos Concílios de Nicéia e de Constantinopla), a doutrina da pessoa divino-humana de Cristo (Concílio de Calcedônia) e a doutrina da graça ou, mais especificamente, a relação entre a graça divina e a vontade humana no que se refere à salvação. No outro extremo está a história do pensamento cristão , que identifica um vasto campo de investigação, incluindo tópicos que estão além dos limites da teologia clássica, como certas questões filosóficas, éticas, políticas e sociais. Os estudiosos também empregam os termos “história das ideias” e “história intelectual” para se referir a esse contexto mais amplo dentro do qual se insere a teologia histórica. A história da teologia não tem um campo tão limitado como a história do dogma, nem tão amplo como a história do pensamento cristão, mas usa ambas as áreas em sua elaboração. Seu objetivo é considerar o corpo de doutrinas existente na vida da Igreja em cada período da história.^26
Para Alister McGrath, a teologia histórica “é o ramo da investigação teológica que objetiva explorar o desenvolvimento histórico das doutrinas cristãs e identificar os fatores que influenciaram sua formulação”. Em outras palavras, a
(^26) MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da Teologia Histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p.15-16.
história da teologia documenta as respostas às grandes questões do pensamento cristão e ao mesmo tempo procura explicar os fatores que contribuíram para a elaboração dessas respostas.^27 A história da teologia é uma ferramenta pedagógica tendo em vista que oferece informações sobre o desenvolvimento dos grandes temas teológicos, os pontos fortes e fracos das diferentes abordagens e os marcos mais notáveis do pensamento cristão, em termos de autores e documentos. É também uma ferramenta crítica, pois permite ver as falhas, as limitações e os condicionamentos de certas formulações doutrinárias, o que possibilita seu contínuo aperfeiçoamento.^28
3.3 Teologia Dogmática
Estuda as verdades fundamentais da fé de acordo com os credos e confissões de fé da igreja. Preocupa-se também em estabelecer declarações que darão norte para a igreja e sentido para uma prática religiosa. O pastor Esequias Soares conceitua o credo como sendo uma interpretação precisa e autorizada das Escrituras. São documentos que têm por objetivo sintetizar as doutrinas essenciais do cristianismo para facilitar as confissões públicas e defender das heresias o pensamento cristão.^29 Mark Noll destacou que a construção de um credo, ou de uma declaração de fé, deve obedecer pelo menos três funções: [a] Servir de declarações autorizadas da fé cristã que entesouravam as novas ideias dos reformadores, sem abandonar formas que também pudessem fornecer instrução regular para os fiéis mais humildes; [b] Erguer um estandarte em redor do qual uma comunidade local podia cerrar fileiras, tornando claras as diferenças com os oponentes; e [c] Tornar possível uma reunificação da fé e da prática, visando a unidade e, ao mesmo tempo, estabelecer uma norma para disciplinar os desregrados.
(^27) McGRATH, Alister apud MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da Teologia Histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p.17. 28 29 Ibidem.^ p.18. SOARES, Esequias. Credos e Confissões de Fé – Breve guia histórico do cristianismo. Recife: Bereia, 2013. p.31.
Traça o progresso da verdade através dos diversos livros da Bíblia. Champlin destaca que a expressão teologia bíblica é usada de várias maneiras, a saber:
[a] Uma atividade cuja finalidade é esclarecer os temas e as ideias da Bíblia sem os pressupostos que inevitavelmente dão um certo colorido às interpretações particulares. Em outras palavras, trata-se da tentativa de determinar o que a Bíblia realmente ensina, mesmo que os resultados sejam embaraçosos para o estudioso e sua denominação. Essa atividade, na verdade, embaraça a todas as denominações, cuja própria existência depende da distorção de certos ensinos da Bíblia. [b] A tentativa para articular a significação teológica da Bíblia como um todo. Isso é uma tarefa quase impossível, porque a Bíblia não é um livro homogêneo, conforme as pessoas gostam de acreditar. Não obstante, a tentativa resulta em pontos positivos, a despeito de seu inevitável fracasso. [c] A tentativa de construir um completo sistema teológico, mediante o uso da Bíblia como única fonte informativa. Isso tem sido tentado por muitos evangélicos fundamentalistas e conservadores. Também foi tentado por Karl Barth e sua neo-ortodoxia, ou pelos grupos protestantes que aprovam a rejeição das tradições eclesiásticas, dos pais da Igreja e dos concilias, como autoridade, conforme fez Lutero. [d] O pressuposto é que todos os autores da Bíblia concordam em seus pontos de vista fundamentais, e juntamente com exposições de ideias pretendem descobrir exatamente quais eram os pontos de vista daqueles autores sagrados.^31
De acordo com Tenney “Teologia Bíblica é aquele exercício no qual se faz uma tentativa de se determinar as afirmações de fé da Bíblia de forma sistemática. Esta definição reconhece a Bíblia como um livro de fé, quer dizer, ela registra o significado redentor do encontro de Deus com o homem”.^32 Este autor observa também que o termo “sistemática” de forma alguma sugere que as categorias da Teologia Sistemática devem dirigir este exercício. Ele afirma, que, pelo contrário, indica que a tarefa da Teologia Bíblica é expressar as afirmações de fé dos escritores bíblicos individual e coletivamente, de acordo com os
(^31) CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol.6. 11.ed. São Paulo: Hagnos, 2013. p.361-362. 32 TENNEY, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã. Volume 5. São Paulo: Cultura Cristã,
padrões de expressão discerníveis na própria Bíblia. Além disso, afirma Tenney, é feito um esforço para apresentar não somente uma declaração ordenada, mas espera-se também uma descrição unificada da fé da Bíblia.^33 Para Tenney é importante também observar que a teologia bíblica estrutura-se numa metodologia:
[a] Unidade da Bíblia. Qualquer tentativa de sistematização do pensamento bíblico suscita o problema da unidade. Imediatamente nos confrontamos com a imensa variedade de material literário tanto do Antigo como do Novo Testamentos. Existem histórias (1 e 2 Rs, At); hinos (Sl); escritos proféticos e apocalípticos (Is, Dn e Ap); cartas (de Paulo, Pedro etc); evangelhos (Mt, Mc, etc.) e escritos de sabedoria (Pv, Tg). Além disso, o período histórico durante o qual essas literaturas foram compostas abrange 150 anos. Essa diversidade levanta a questão da norma para estes livros. Devemos seguir a opinião liberal do AT e supor que os profetas representam a religião hebraica normativa? Com relação ao NT, devemos buscar a norma nos sinóticos, em Paulo ou em João? Parece razoável afirmar que a diversidade deve ser admitida, mas vista como caindo sob um testemunho comum da atividade redentora de Deus em benefício da humanidade pecadora. Além do mais, esta unidade deve fazer um elo entre os dois testamentos, pelo menos para os cristãos, que afirmam que Jesus, como o Cristo ressurreto, era o Messias anunciado no AT. O AT apresenta a promessa e o NT, seu cumprimento; esta ideia é apoiada pelas palavras de Jesus (Mt 5.17;Jo 5.39; cp. também G1 4.4). Assim, a teoria bíblica deve dar atenção ao que liga o livro como uma unidade em termos históricos e teológicos. [b] História da salvação. Stendahl está correto quando afirma que na Teologia Bíblica, “a história se apresenta como o tear do tecido teológico”. A unicidade da fé bíblica baseia-se na revelação de Deus por meio dos eventos da história. A fé judaica-cristã mantém- se separada de todas as religiões da humanidade exatamente porque não foi fundamentada em mitologias ou ciclos da natureza. Nem procede de exploração filosófica ou de experiências místicas. Eldon Ladd comenta: “Ela surgiu das experiências históricas de Israel, antigas e novas, nas quais Deus se deu a conhecer” (“The Saving Acts of God”, ChT, III [1961], 18). O Deus de Israel era o Deus da história, o Geschichtsgott, como os alemães dizem. Uma olhada superficial na Bíblia comprova este fato, pois nos leva por um caminho histórico — uma série de eventos — desde a Criação, o chamado de Abraão, o Êxodo, a
(^33) Ibidem.