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Introdução ao GNU/LInux
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































Esse livro surgiu com a necessidade de criar uma referên- cia sobre o GNU/Linux que pudesse ser distribuída para os alunos do curso de extensão “Introdução ao GNU/Linux” do Programa de Engenharia Química (COPPE/UFRJ) do ano de 2009.
Ele foi escrito para um público que nunca teve contato com o sistema operacional GNU/Linux, mas não para quem nunca teve contato com computadores.
Versão gerada em 16 de maio de 2009 Primeira Edição, versão 1.
João Felipe Mitre jfmitre (at) gmail.com
Luiz Fernando Lopes Rodrigues Silva lflrsilva (at) gmail.com
SUMÁRIO x
F Instalação do GNU/Linux 231 F.1 Conceitos Preliminares...................................... 231 F.2 Ubuntu 9.04............................................ 236 F.3 Outras distribuições....................................... 247
G Perguntas e Respostas 249 G.1 Sinto falta de mais informação. Onde eu posso encontrar outros documentos?....... 249 G.2 Alguma dica de programa?................................... 250 G.3 Eu tenho uma placa de vídeo de última geração e os recursos 3D não funcionam. Qual é problema?............................................. 251 G.4 Como obter informações de IP, Máscara de Rede, IP do Roteador e DNS de uma conexão previamente estabelecida?.................................... 252 G.5 Não consigo acessar páginas que dependem de Java, como a página do Banco do Brasil, mesmo depois de ter instalado o Java no computador. Qual é o problema?........ 254 G.6 Existe alguma forma de instalar e configurar tudo que interessa para o usuário comum que nem sabe o que a ele realmente interessa no Ubuntu?.................... 254 G.7 Não consigo utilizar o flash no navegador. Como resolve isso?................ 255 G.8 Daqui a algum tempo, a versão 9.10 vai ser lançada. O que eu faço?............ 255 G.9 Preciso usar um antivirus no linux?.............................. 256 G.10 O que é um firewall? Como usar?............................... 256 G.11 Como aprender LaTeX?..................................... 257 G.12 Quando eu ligo o computador ele imediatamente vai para o GNU/Linux. Eu gostaria de que o Windows fosse a opção padrão. Como mudo isso?................... 258
Colaboradores 259
O GNU/Linux é um sistema operacional, que por definição é um programa responsável por conectar o usuário ao hardware, capaz de unificar o núcleo criado por Linus Torvalds em 1991 e diversas ferramentas criadas por terceiros.
Esse livro introduz ao leitor detalhes sobre (i) a arquitetura do GNU/Linux, partindo de um breve histórico até sua estrutura atual, (ii) os principais softwares para uso em computadores pessoais, como gerenciadores de arquivos, editores de texto, navegadores de internet, entre outros, (iii) os principais utilitários para uso de terminal, como man, ls, rm, cat, ssh, scp, entre outros e (iv) completando com um guia de sobrevivência na administração de um sistema GNU/Linux, apresentando os utilitários de configuração de rede, impressora, instalação de programas, além de outros pontos associados a utilização do GNU/Linux em computadores pessoais.
O GNU/Linux será descrito da forma mais abrangente possível para que ao final do documento o usuário não se sinta preso a qualquer parâmetro fixado.
Ao fim, propõem-se que o leitor seja capaz de utilizar o GNU/Linux como sistema operacional padrão.
Esse documento contém nove capítulos e sete anexos.
O capítulo 1 pauta o texto apresentado seus objetivos e organização. O capítulo 2 apresenta o universo do GNU/Linux para quem nunca sequer ouviu falar sobre ele. Possui o objetivo de esclarecer conceitos associados ao que é GNU, Linux, como é encontrado esse sistema operacional e alguns aspectos de teor
1.1. Organização do Texto 3
usar, basta seguir a ordem de leitura de capítulos e anexos. Para os que querem utilizar o GNU/Linux enquanto lê, é interessante efetuar a leitura dos anexos E e F antes de ler o capítulo 4.
O sistema operacional é o programa que gerencia os recursos do computador e serve de interface entre os diversos dispositivos e o usuário. Existem diversos tipos de sistemas operacionais, os quais podem ser sistemas multiusuários e multitarefas, como por exemplo, o Unix, o GNU/Linux, o Windows, o MacOS X, etc, até os simples sistemas monotarefa e monousuário, como os que outrora eram utilizados no surgimento dos computadores e ainda são usados em máquinas específicas [1].
O gerenciamento dos recursos do computador é usualmente a função do núcleo (kernel ) do sistema operacional. Ainda que o kernel possa receber instruções diretamente do hardware, este atua apenas um tradutor entre os diversos programas e o hardware. Portanto, sozinho ele não é muito útil, pois necessita de uma interface entre o usuário e o computador.
Portanto, o sistema operacional completo deve ser visto como algo um pouco além do que apenas um núcleo. Ele é constituido do núcleo e um conjunto mínimo de ferramentas, chamadas de interface, capazes de utilizar e manipular este núcleo e, como conseqüência, o computador.
Em 5 de Outubro de 1991, Linus Benedict Torvalds enviou uma mensagem ao grupo comp.archives da Usenet^1 , anunciando a existência de um Linux, um núcleo de um sistema operacional baseado no (^1) Usenet (do inglês Unix User Network ) é um meio de comunicação onde usuários postam mensagens de texto (chamadas de “artigos”) em fóruns que são agrupados por assunto (chamados de newsgroups ou grupos de notícias).
2.3. Entendendo o Conceito de “Distribuição” GNU/Linux 6
programas de edição de texto, visualização de vídeos ou mesmo para o acesso a internet. Cada escolha, direta ou indiretamente, afeta o funcionamento do sistema e os hábitos do usuário^3. Quem passa muito tempo utilizando uma determinada distribuição, inevitavelmente terá problemas de se adaptar ao uso de uma outra distribuição, nem que seja apenas por alguns instantes. O mais importante é entender o conceito global, tornando estas diferenças uma questão mínima e observada apenas em um curto período de tempo até o usuário aprender “o local onde está a ferramenta que realiza uma determinada função”.
Outra diferença está relacionada à estabilidade do software utilizado. Existem distribuições que utilizam apenas programas testados ao extremo para eliminar o maior número possível de bugs, ou seja, existe um controle de qualidade que aceita apenas os softwares que comprovem a estabilidade exigida pela regras da distribuição. E existem distribuições que utilizam a última versão de cada programa existente, o que muitas vezes significa um maior número de problemas não documentados. Enquanto o primeiro grupo de distribuições foca o usuário que privilegia a estabilidade (a exemplo de muitas empresas e sistemas que realizam tarefas críticas, como as de segurança) o segundo grupo de distribuições foca o usuário que gosta de aproveitar as últimas novidades de tecnologia e viver emoções fortes e, até mesmo, ajudar no desenvolvimento dos softwares documentando e/ou corrigindo problemas existentes.
Mas as diferenças não terminam nesse ponto. Existem distribuições cuja filosofia facilita a configuração do sistema, por exemplo, identificando automaticamente uma rede interna ou uma impressora ligada no computador. Existem distribuições que exigem que todas as configurações sejam feitas pelo usuário e sem ferramentas de ajuda, ou seja, o usuário deve especificar manualmente quais são os equipamentos que possui e como quer que ele seja tratado pelo sistema.
Outra diferença significativa está relacionada ao fato de que algumas distribuições foram feitas para serem instaladas. E essa é a única forma de se usar essa distribuição. Outras distribuições denominadas de live CD podem ser executadas a partir de um dispositivo de CD, sem instalação do sistema, muito embora a instalação seja possível na maioria das opções existentes. Também há distribuições feitas para uso em disquetes, normalmente utilizadas em tarefas específicas (são sistemas operacionais dedicados a uma ou poucas funções).
E ainda existem outras diferenças, embora elas sejam menos impactantes na vida do usuário do que as três acima supracitadas, como questões relativas a licença, que possuem uma conseqüência interessante na disponibilidade de programas.
Segundo a DistroWatch^4 , atualmente existem mais 320 distribuições GNU/Linux. Esse valor aumenta expressivamente se contarmos que qualquer personalização efetuada e redistribuída com um novo nome (^3) Quase sempre é possível realizar configurações que fazem uma distribuição funcionar como se fosse outra, mas quase sempre uma transformação completa não é possível ou não é recomendada 4 DistroWatch - http://distrowatch.com/
2.3. Entendendo o Conceito de “Distribuição” GNU/Linux 7
seja uma nova distribuição. A lista também não considera os sistemas embarcados, as distribuições para disquete, além de ser defasada em relação aos live CDs existentes. Este último ponto é justificado pela alta taxa de nascimento e mortalidade dessas distribuições, o que desestimula a contagem do número de live CDs existentes. A Linux CD.org^5 regista mais de 1000 live CDs disponíveis para downloads.
Abaixo segue a lista das principais distribuições existentes atualmente com uma breve descrição.
2.3. Entendendo o Conceito de “Distribuição” GNU/Linux 9
GNU/Linux voltada para o mercado corporativo e distribuída juntamente com o suporte pago. A RedHat Enterprise Linux é a líder atual do mercado corporativo, ela utiliza versões de programas um pouco defasadas da versão mais atual, mas fornece compatibilidade a alguns dos mais novos recursos de hardware. O Fedora é uma das distribuições mais utilizadas em computadores pessoais, muito embora também seja utilizada em servidores. Não seria incorreto assumir que é uma distribuição para usuários que já tenha tido contato com o GNU/Linux antes, muito embora a distribuição não tenha “pré-requisitos” para utilizá-la.
2.3. Entendendo o Conceito de “Distribuição” GNU/Linux 10
se uma distribuição pequena, muito estável e para usuários avançados do GNU/Linux. É uma distribuição muito comum em máquinas que possuem tarefas críticas, como o um firewall.
Imagine entrar em uma sorveteria e encontrar centenas de sabores diferentes e desconhecidos. Tentando obter informações sobre os sabores existentes, uma pessoa questiona as outras pessoas presentes sobre qual seria o melhor sabor. Haveria inúmeras respostas distintas. Existiriam aqueles que preferem o sabor X e os que preferem o sabor Y. Também haveriam aqueles que diria qualquer sabor é bom, menos o sabor X, ele é desagradável. Algumas dessas pessoas defenderiam o seu próprio ponto de vista como se qualquer outro fosse inadmissível, esquecendo que a questão do gosto está intimamente ligada a quem consome e não a uma escala absoluta. E também esquecendo que é improvável que eles mesmos tenham experimentado todos os sabores possíveis.
Pois bem, como mencionado, existem centenas distribuições GNU/Linux. A perspectiva do usuário inciante é exatamente a mesma de quem está fazendo as perguntas na sorveteria imaginária. Há aqueles que defendem que o Gentoo é melhor que o openSUSE, outros diriam exatamente o contrário. Alguns vão dizer que o Ubuntu é ruim e outros vão dizer que é a melhor de todas as distribuições. O usuário que tende a ter dúvidas sobre qual distribuição escolher, fica ainda mais confuso quando começa a listar (^10) Sem querer menosprezar ninguém, afinal existe manual e ele é detalhado e preciso. Mas o usuário novato ou com pouca prática tende a não ter tanta intimidade com o sistema suficiente para entender de forma fácil o que está escrito no manual.