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Introdução pronta
Tipologia: Notas de estudo
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A fenitoína (5,5-difenil-2,4-imidazolidinediona) vem sendo usada desde 1938 como um agente de primeira escolha no tratamento de muitas formas de epilepsia e outras desordens convulsivas, isso se deve a sua eficiência e custo acessível (SANTOS et al ., 2001). Exerce seu efeito estabilizando as membranas de células nervosas em relação ao influxo dos íons de sódio, potássio e cálcio, tanto durante o repouso quanto durante o potencial de ação. Dessa maneira impede que haja deflagrações neuronais repetitivas provocadas pela passagem de corrente intracelular sem causar depressão do sistema nervoso central (MARTORELLI et al ., 2008).
A fenitoína foi primeiramente sintetizada por Michael (1887), mas sua estrutura foi corretamente elucidada somente alguns anos depois por Biltz (1908) que descreveu pela primeira vez sua obtenção a partir da condensação da benzila através de uma catálise básica com ureia, motivo pelo qual essa reação é conhecida como síntese de Biltz (HAYWARD, 1983). Algumas décadas mais tarde, Dumavant e colaboradores (1956) reinvestigaram esta rota sintética e verificaram que a síntese de Biltz ocorre via um rearranjo benzílico e que, além disso, esta reação promovia uma obtenção concomitante e em proporções iguais tanto de fenitoína quanto do aduto 3a,7a- difenilglicorudeída (BRUNI et al ., 1995). Os mesmos autores também verificaram que a proporção 1:2 dos reagentes benzila e ureia a ser empregada nesta reação seria a ideal, a fim de se reduzir a formação deste produto secundário (KONRATH et al ., 2012).
Nesse caso, relatos na literatura indicam que o uso de um sistema bifásico, como uma solução aquosa de KOH/ n -BuOH e PEG600 como fase catalítica de transferência, é capaz de reduzir significativamente a formação da glicorudeída 3 , além de promover um aumento no rendimento da fenitoína (POUPAERT et al ., 1984). Mais recentemente, Muccioli e colaboradores (2003) reportaram uma adaptação da síntese de Biltz com o uso de micro-ondas, permitindo a formação tanto de hidantoínas quanto de tio- hidantoínas de maneira mais rápida e limpa, características estas comuns de reações por micro-ondas.
Um dos principais objetivos das aulas experimentais da disciplina de Síntese Orgânica de Fármacos é a obtenção de fármacos em poucas etapas e sem acarretar grandes perdas em termos de rendimento quanto ao produto final devido a interrupções temporárias. Nesse sentido, propomos a obtenção da fenitoína através da síntese de Biltz
para aula prática, usando como fonte de aquecimento um reator de micro-ondas em todas as etapas da rota. Para comparação serão utilizados os rendimentos obtidos através do método clássico, com aquecimento convencional. Esta prática nos permite familiarizar os estudantes em técnicas sintéticas e também introduzir os conceitos de síntese orgânica assistida por micro-ondas ( microwave assisted organic synthesis - MAOS).
Dentre os métodos adicionais para a análise dos produtos obtidos, estão a realização de análises cromatográficas (CCD) com o uso de amostras autênticas obtidas e ponto de fusão (Pf), por comparação com dados previamente descritos na literatura.
As reações realizadas sob irradiação das micro-ondas são mais rápidas, conferem seletividade e produtos com maior grau de pureza, uma vez que o aquecimento proporcionado é rápido e uniforme, e vem ganhando cada vez mais espaço no universo da Química (RAVEGLIA et al ., 2009). O emprego de micro-ondas para reações em aulas práticas para alunos de Graduação também vem sendo bastante descrito devido a sua fácil implementação, tornando as aulas mais simples e rápidas (ROSINI et al. , 2004). Neste trabalho, propomos o uso de um reator de micro-ondas, feito especificamente para reações orgânicas, para a obtenção da fenitoína.
Bruni, J. Em Antiepileptic drugs ; Levy, R. H.; Meldrum, B. S., eds.; 4th ed., Raven Press: New York, 1995.
Michael, A.; Am. Chem. J. 1887 , 9 , 219.
Biltz, H.; Chem. Ber. 1908 , 41 , 1379.
Hayward, R. C. J.; J. Chem. Educ. 1983 , 60 , 512.
Dunnavant, W. R.; James, F. L.; J. Am. Chem. Soc. 1956 , 78 , 2740. Poupaert, J. H.; De Keyser, J. L.; Vandervorst, D.; Dumond, P.; Bull. Soc. Chim. Belg. 1984 , 93 , 493.