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Um estudo que propõe um projeto de intervenção para reduzir os transtornos mentais em adolescentes atendidos pela equipe de saúde da família benedito nogueira no município de jacuí, minas gerais. O objetivo é melhorar a assistência à saúde mental de crianças e adolescentes e aumentar a compreensão dos transtornos mentais e seus impactos na saúde e qualidade de vida. O documento discute os problemas de saúde da comunidade, os principais problemas identificados e priorizados, e as ações propostas para abordar esses problemas.
Tipologia: Resumos
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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização Gestão do Cuidado em Saúde da Família, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, para obtenção do Certificado de Especialista. Orientadora: Drᵃ. Aline Cristina Souza da Silva
Os transtornos mentais em adolescentes é algo percebido rotineiramente no cotidiano assistencial. No Brasil, não existe uma diretriz política em saúde mental voltada especificamente a este público, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade dos jovens e a ineficácia da abordagem diagnóstica e terapêutica, sobretudo no âmbito da Atenção Básica à Saúde. O objetivo deste estudo foi propor um projeto de intervenção para reduzir os transtornos mentais em adolescentes adscritos à Equipe de Saúde da Família Benedito Nogueira do município de Jacuí, Minas Gerais. Metodologicamente o referido trabalho pode ser compreendido como um projeto de intervenção, realizado a partir de um Planejamento Estratégico Situacional. Após a aplicação do método de estimativa rápida, foi priorizado como problema a ser enfrentado a ocorrência de “Distúrbios da Saúde Mental em adolescentes”. Visando maior aporte teórico na elaboração do estudo, e também na proposição de estratégias de enfrentamento foi realizada uma revisão literária, cuja busca se deu nas bases de dados vinculadas à Scientific Eletronic Library Online (ScIELO) e no Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Utilizou-se para busca por estudo os seguintes descritores em ciências da saúde (DECS): Saúde Mental. Atenção Primária à Saúde Espera-se com as ações propostas uma melhor assistência à saúde mental de crianças e adolescentes, bem como uma melhor compreensão dos transtornos mentais e impactos destes na saúde e qualidade de vida dos usuários afetados pela comunidade como um todo.
Palavras-chave: Saúde Mental. Atenção Primária à Saúde. Saúde do Adolescente. Depressão.
Mental disorders in adolescents is something routinely perceived in everyday care. In Brazil, there is no political guideline on mental health aimed specifically at this public, which further increases the vulnerability of young people and the inefficacy of the diagnostic and therapeutic approach, especially in the scope of Basic Health Care. The objective of this study was to propose an intervention project to reduce mental disorders in adolescents assigned to the Benedito Nogueira Family Health Team in the municipality of Jacuí, Minas Gerais. Methodologically, this work can be understood as an intervention project, based on a Strategic Situational Planning. After applying the rapid estimation method, the problem of "Mental Health Disorders in adolescents" was prioritized as a problem. Aiming for a greater theoretical contribution in the elaboration of the study, as well as in the proposal of coping strategies, a literary review was carried out, whose search was done in databases linked to the Scientific Eletronic Library Online (ScIELO) and Latin American and Caribbean in Sciences of the Health (LILACS). The following descriptors in health sciences (DECS) were used to search by study: Mental Health. Primary Health Care The proposed actions are expected to provide better care for the mental health of children and adolescents, as well as a better understanding of mental disorders and their impacts on the health and quality of life of users affected by the community as a whole.
Keywords: Mental Health. Primary Health Care. Adolescent Health. Depression.
1.1 Aspectos Gerais do Município
Jacuí é uma cidade com 7.681 habitantes, localizada na região Sudoeste mineira, com distância de 401,6 km da capital do Estado, Belo Horizonte e possui uma densidade demográfica de 18,33 hab/km^2 (IBGE, 2017). A cidade teve um leve crescimento populacional com a presença de trabalhadores imigrantes do Norte de Minas Gerais pela mão de obra nas lavouras de café. A cidade vive basicamente da agropecuária, especialmente com o cultivo de café e criação de gado leiteiro. A atividade política partidária é polarizada entre dois grupos políticos tradicionais que vêm se revezando à frente da administração municipal ao longo de décadas (IBGE, 2017). A cidade sempre teve uma tradição forte na área cultural com destaque para festa do dia dos Três Reis Magos, o Encontro de Carros de Bois e a Festa da Congada. Na área da saúde, a cidade faz parte da microrregião de São Sebastião de Paraíso e da macrorregião de Passos, sendo, portanto, referência para consultas e exames de média a alta complexidade, atendimento de urgência e emergência, e cuidado hospitalar, embora a estrutura do seu sistema de saúde deixe muito a desejar (IBGE, 2017).
Atualmente a população empregada da cidade de Jacuí vive basicamente do trabalho na prefeitura e comércio local. É grande o número de desempregados e subempregados. A estrutura de saneamento básico atende média de 68% da população urbana, principalmente no que se refere ao esgotamento sanitário e a coleta de lixo. E ainda se observa uma pequena parte da comunidade vivendo em moradias precárias (IBGE, 2017). O analfabetismo é elevado na população idosa, sobretudo entre os maiores de 50 anos, porém verifica-se que a taxa de escolarização (para pessoas de 7 a 14 anos) foi de 79,14% em 2017 e (15 anos e mais alfabetizados) foi de 95,26% em
grau e uma creche responsável pela educação infantil. Atualmente o município conta com aproximadamente 11 igrejas, sendo elas: católicas, evangélicas e outras (IBGE, 2017). Dentre as opções de lazer existe a praça central da cidade que é o ponto de encontro da maioria dos moradores. Pelo fato da igreja Católica e a Sede no Município estarem situadas na praça central da cidade, o ambiente sempre é bem frequentado pela população, principalmente nos fins de semana e dias de Missa. A cidade também conta com um clube esportivo (Jacuí Tênis Clube), um Asilo que abriga em torno de 37 internos, e alguns sindicatos como: Sindicato Agropecuário Rural, Sindicato dos Cavaleiros e Sindicato do Produtor de Leite Rural (IBGE, 2017).
O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é responsabilidade das três esferas de governo e cada uma deve assegurar o aporte regular de recursos ao respectivo fundo de saúde (JACUÍ, 2018). O financiamento da saúde da cidade é realizado, na esfera Federal, através dos repasses dos seguintes programas: Ações Básicas de Vigilância Sanitária, Piso da Atenção Básica (PAB), Piso da Atenção Básica Fixo (PAB FIXO), Programa de Agentes Comunitários de Saúde, Programa de Assistência Farmacêutica Básica, Programa de Saúde Bucal, Programa de Saúde da Família, Teto Financeiro de Vigilância em Saúde e Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade (PMAQ) (JACUI, 2018). Já o financiamento na esfera Estadual, se dá, principalmente, através do programa co-financiamento da Atenção Primária, além de outros incentivos ao programa da farmácia de todos e em ações de fortalecimento das vigilâncias em saúde (JACUI, 2018).
Há cerca de dezoito anos, o município adotou a Estratégia de Saúde da Família (ESF) para a reorganização da atenção básica e conta hoje com duas equipes que prestam serviço na zona urbana e rural cobrindo 100% da população. A
gerenciamento dos insumos necessários para o adequado funcionamento da USF. Uma técnica de enfermagem que além de cumprir o exercício de sua profissão, acompanha o médico nas visitas domiciliares, auxilia no agendamento das consultas e contribui com as atividades promovidas pela equipe. Os oitos ACS realizam as visitas domiciliares cujo objetivo é informar, orientar os moradores quanto às campanhas de vacinação, surtos de enfermidades e atividades de promoção de saúde e prevenção de doenças. Este contato constante com as famílias do município é muito importante, pois colabora para o planejamento das atividades e para a abordagem dos pacientes na ESF. A equipe de saúde bucal é composta por uma cirurgiã dentista e um técnico de saúde bucal. A equipe também conta com uma recepcionista, responsável pelo acolhimento dos pacientes, realiza o agendamento das consultas e atende as necessidades dos usuários. Há também uma auxiliar de limpeza, que é responsável pela manutenção e organização da unidade.
A Unidade de Saúde funciona de segunda a sexta-feira, das sete às dezesseis horas. Por isso, é necessário o apoio dos ACS, que se revezam durante a semana, segundo uma escala, em atividades relacionadas à assistência, para o apoio na recepção e arquivo, sempre que o técnico de enfermagem ou o enfermeiro esteja presente na Unidade.
A equipe de Saúde segue uma rotina diária de acordo com um cronograma de atividades relacionado à assistência à saúde. Esse cronograma é elaborado através de uma reunião que é realizada de forma mensal na unidade. Além do cronograma de atividades, os profissionais participam do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado funcionamento da UBS, elaboração de planos estratégicos e temas que serão levados à população pelos ACS através das visitas domiciliares.
O dia a dia de trabalho da equipe consiste em um adequado acolhimento, para o bem estar dos pacientes e para que se sintam à vontade no estabelecimento de saúde e com os profissionais. Cerca de 70% do atendimento é realizado por demanda programada com o agendamento das consultas e os outros 30% consiste em consultas de demanda espontânea e urgências. Os atendimentos na unidade concentram-se nas consultas clínicas, ginecológicas, odontológicas, psiquiátricas, controle pré-natal, puericultura, vacinas, suturas, curativos, dentre outros. No atendimento externo estão as visitas domiciliares realizadas pelos ACS e as realizadas pelo médico e técnica de enfermagem que visitam pacientes incapacitados de comparecer à unidade. A equipe também assiste a população da zona rural, que por causa da distância encontram certas dificuldades de comparecerem à unidade de saúde. A equipe atualmente conta com os grupos de HIPERDIA, Álcool/Tabaco, Melhor Idade e Saúde Mental. As reuniões são realizadas na própria unidade e até o momento é bem frequentada e aceita pela comunidade. As atividades extras como campanhas e palestras são realizadas pelos grupos por meio de data pré-agendada pela equipe durante as reuniões.
Diante de tais fatos, juntamente com a equipe da unidade de saúde foi elaborado uma lista dos principais problemas dentro da área de abrangência, que por prioridade segue a seguinte ordem.
Alto percentual de pessoas com hipertensão arterial sistêmica (HAS) com níveis pressóricos não controlados. Alto percentual de pessoas com transtornos mentais, sobretudo em adolescentes. Alta incidência e descontrole de Diabetes Mellitus (DM). Falta de adesão dos diabéticos e hipertensos aos tratamentos propostos. Alta dependência a tabagismo, álcool e psicofármacos. Alta incidência de doenças periodontais.
O motivo da escolha do tema sobre saúde mental, é que, além da grande importância que esse assunto tem refletido no mundo, atualmente, esse problema é uma das prioridades no município de Jacuí, chamando a atenção dos profissionais da área da saúde pelo elevado número de pessoas com doença mental, sendo na sua maioria, adolescentes. Problemas mentais, como transtornos de ansiedade, depressão e uso de substâncias psicoativas, de certa forma levam ao uso e a dependência de medicamentos psicotrópicos, o que pode acarretar mais problemas de saúde. Pessoas susceptíveis a esse mau, que não recebem orientação e o tratamento adequado podem sofrer consequências graves. No que se refere aos adolescentes percebe-se ainda no cotidiano assistencial um maior risco de suicídio, o que demanda grande urgência na redução do sofrimento mental destes. A equipe de saúde tenta lidar com esse problema da melhor maneira possível. Além do encaminhamento para o psicólogo e para o médico psiquiatra, a equipe tem a proposta de trabalhar realizando palestras nas escolas e reuniões com pais de adolescentes para de alguma forma poder alertá-los sobre esse grande mal que afeta não somente a nossa população, mas sim grande parte do mundo. Além disso, pretende-se ampliar o trabalho com grupos de apoio, que também auxilia no tratamento quanto na prevenção das doenças mentais.
3.1 Objetivo geral
Propor um projeto de intervenção para reduzir os transtornos mentais em adolescentes adscritos à Equipe de Saúde da Família Benedito Nogueira do município de Jacuí, Minas Gerais.
3.2 Objetivos específicos
Realizar palestras educativas, ministradas por profissionais capacitados para conscientizar, orientar e alertar a população sobre a importância do tema; Criar grupos de apoio para realização de aulas de crochê, música, capoeira, dentre outras atividades; Conscientizar a população sobre a gravidade da doença mental e a importância da saúde mental em adolescentes e de forma indireta atuar em medidas preventivas para reduzir o número de suicídio nesse grupo.
Há cerca de dezoito anos, o município de Jacuí adotou a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Atualmente, conta com duas unidades de saúde com equipes estruturadas que prestam serviço na zona urbana e rural cobrindo 100% da população. A ESF surgiu em 1994 pelo Ministério da Saúde com o objetivo de reestruturar e reorganizar o trabalho dentro da Atenção Básica, tendo como referência as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa reorganização foi proposta e atualmente é desenvolvida mediante a implantação de equipes multidisciplinares dentro das próprias unidades de saúde (BRASIL, 2000). Souza (2008) relata que a ESF tem como centro de atenção o núcleo familiar, buscando a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde, estruturação de práticas de saúde integradas à comunidade, além de uma visão mais humanizada do cuidado em saúde. A estratégia inclui ações de prevenção, promoção, recuperação e reabilitação de doenças, tendo como objetivo primordial o estímulo à uma melhor qualidade de vida e saúde da população. Os profissionais atuantes da ESF buscam solucionar as queixas primárias além de atuarem na promoção da saúde com campanhas e medidas socioeducativas voltadas para a população local. Em casos em que sejam necessários procedimentos de maior complexidade os pacientes são então encaminhados para outros níveis de atenção em saúde, mantendo-se, no entanto, através do sistema de referência e contrarreferência do SUS, um cadastro atualizado do indivíduo junto à ESF que o assiste (SOUZA, 2008). A abordagem da saúde mental na maioria das Unidades Básicas de Saúde ainda ocorre de maneira bastante limitada. Os transtornos de humor, dentre os quais se destaca a depressão, vem sendo cada vez mais frequentes na atenção primária, repercutindo negativamente na condição de saúde e qualidade de vida da população.
5.2 Depressão e risco de suicídio em Adolescentes
A depressão é conhecida como um “sofrimento psíquico” manifestada devido aos transtornos biopsicoafetivos. A doença tem origem multifatorial, ou seja, uma combinação de desequilíbrios biológicos, psicológicos e ambientais, que determina a extensão e gravidade de cada caso. Ressalta-se que a depressão pode acometer pessoas independente de idade, sexo, cor e classe social, sendo considerado um problema de saúde pública (COSTA et al., 2014). Em estudo desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2014) verificou-se que a depressão é a doença mental de maior incidência na adolescência, e também um dos problemas mais negligenciados nessa faixa etária. A OMS chama atenção ainda para o aumento do número de suicídios de jovens observado nos últimos anos. Melo; Siebra e Moreira (2017) afirmam que situações de vulnerabilidade social, bem como bullying, e isolamento social podem propiciar uma instabilidade emocional que os adolescentes não conseguem superar, ocasionando o quadro depressivo e o maior risco de suicídio. Em estudo realizado por Mesquita et al. (2016) os autores verificaram que a depressão é capaz de alterar significativamente o ritmo circadiano de crianças e adolescentes, propiciando inclusive maior susceptibilidade a outras desordens orgânicas. Silva; Cid e Matsukura (2018) ressaltam que a adolescência é considerada a faixa etária de maior vulnerabilidade para o sofrimento psíquico, em suas mais variadas apresentações como: distúrbios alimentares, abuso de álcool e outras drogas, depressão, dificuldades comportamentais, dentre outros. Diante disso, os autores propõem a melhor estruturação dos serviços de saúde para acolher, triar, tratar e acompanhar os adolescentes em sofrimento mental. Marin; Peuker e Kessler (2019) verificaram em seu estudo que o abuso de álcool e outras drogas, considerado pelos autores como um dos principais problemas de saúde de todo o mundo, é propiciado, ou estimulado, sobretudo em situações de vulnerabilidade social e transtornos mentais como a depressão. Os transtornos mentais em adolescentes também foram apontados pelos autores como corresponsáveis pelo baixo rendimento escolar, evasão escolar e risco de suicídio.
No TASep verifica-se sintomas de ansiedade associados à eventos de separação, com duração superior à seis meses. Geralmente a ideia de separação da figura de afeto aumenta o grau de sofrimento e ansiedade (BATTAGLIA, 2015). A “agorafobia”, por sua vez, apresenta-se como medo específico por situações cotidianas, como “lugares fechados”, “transporte público”, “estar em meio à multidão”, ou ainda, situações em que não haja precisão de socorro imediato, como estar longe de casa ou em locais abertos (HAMM et al., 2016). De acordo com Wong; Gregory e Mclellan (2016) indivíduos com TASocial ou fobia social apresentam aumento do nível de ansiedade por mais de seis meses, relacionado às interações sociais. Os indivíduos passam a evitar situações sociais, prejudicando assim sua qualidade de vida, e promovendo o isolamento social. Já no FE, o indivíduo passa a considerar locais ou objetos comuns perigosos ou ameaçadores, prejudicando a rotina, eficiência nos estudos e trabalho, ou ainda relacionamentos. Geralmente o usuário afetado foca suas fobias em insetos, animais, procedimentos médico-odontológicos, elevadores, dente outros. A duração mínima típica dos sintomas da FE é de seis meses (APA, 2013). O mutismo seletivo, geralmente encontrado na infância, é caracterizado pela ausência de fala em situações públicas em que se espera a fala comum da criança. Quando tal fato é observado em pelo menos um mês, pode-se considerar a presença do mutismo seletivo (MURIS; OLLENDICK, 2015). Fernandes et al. (2018) afirmam que diante da variabilidade dos TA, bem como, das diferentes apresentações destes, o diagnóstico dos TA nem sempre se dá precocemente, aumentando o grau de sofrimento e comprometimento enfrentado pelos jovens acometidos. Na adolescência, os sintomas de TA podem ser associados à rebeldia, ou mudanças típicas dessa fase de vida, o que leva pais e familiares a não procurarem auxílio de especialistas.
5.2 Transtornos por abuso de substâncias
Em todo o mundo, o uso abusivo de substâncias psicoativas (SPA), tem promovido grandes problemas sociais e de saúde pública. Tais substâncias atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) alterando o humor, cognição e comportamento. Comumente são classificadas de acordo com seus efeitos majoritários em psicoestimulantes, alucinógenas ou depressoras (DALL’ORA et al., 2016).
O DSM – V (2013) afirma que as SPA são capazes de promover sintomas fisiológicos, comportamentais e/ou cognitivos após seu uso contínuo. Com o passar do tempo as alterações ocorridas nos circuitos cerebrais podem se tornar contínuas, ainda após a desintoxicação (GENUNG, 2012). De acordo com Silva et al. (2010) em adolescentes o desfecho do uso de SPA pode ser trágico. Estima-se que 30% dos adolescentes portadores de transtornos relacionados ao uso de tais substâncias apresentam depressão e/ou já tentaram suicídio. Neste contexto Ayres, Franca e Calazans (2013) ressaltam a importância de elaborar estratégias terapêuticas que considerem o indivíduo de maneira integral, compreendendo seus hábitos de vida, realidade vivenciada, bem como identificando suas fragilidades e potencialidades. Santos et al. (2017) afirmam que o cuidado terapêutico aos usuários de SPA deve envolver medidas farmacológicas e não-farmacológicas, como terapia cognitivo-comportamental, grupos de apoio, iniciativas como os consultórios de rua, dentre outros. Diehl, Cordeiro e Laranjeira (2011) apontam que a vulnerabilidade à recaída é ainda um dos maiores desafios no tratamento de usuários de SPA, devendo haver uma verdadeira rede de apoio e corresponsabilidade entre família, profissionais de saúde, usuários e instituições como escolas e igrejas, que acolham, orientem e auxiliem o usuário no processo de tratamento e cura.
Essa proposta refere-se ao problema priorizado “Distúrbios da Saúde Mental em adolescentes”, para o qual se registra uma descrição do problema selecionado, a explicação e a seleção de seus nós críticos, de acordo com a metodologia do Planejamento Estratégico Simplificado (CAMPOS; FARIA; SANTOS, 2017).
No quadro 2 estão sucintamente descritos os dados existentes na área de abrangência sobre o problema “Distúrbios da Saúde Mental em adolescentes”.