Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Anatomia e Fisiologia do Ouvido: Estruturas do Ouvido Middle Ear e Suas Articulações, Trabalhos de Parasitologia

Uma descrição detalhada das estruturas anatômicas e fisiológicas do ouvido middle ear, incluindo os ossos da cadeia ossicular, músculos, ligamentos e articulações. Além disso, o texto aborda a distribuição das artérias que irrigam esta região.

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 12/09/2021

luiz-adriano-16
luiz-adriano-16 🇧🇷

2 documentos

1 / 264

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Maria Fernanda Gentil Costa
Estudo biomecânico do ouvido médio
Dissertação apresentada à
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
para obtenção do grau de Doutor em Ciências de Engenharia
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Janeiro - 2008
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Anatomia e Fisiologia do Ouvido: Estruturas do Ouvido Middle Ear e Suas Articulações e outras Trabalhos em PDF para Parasitologia, somente na Docsity!

Maria Fernanda Gentil Costa

Estudo biomecânico do ouvido médio

Dissertação apresentada à

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

para obtenção do grau de Doutor em Ciências de Engenharia

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Janeiro - 2008

Ao António e aos meus gatos

Estudo biomecânico do ouvido médio por

Maria Fernanda Gentil Costa

Tese submetida para o grau de Doutor em Ciências de Engenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, realizada sob a orientação e co-orientação de Prof. Doutor António Joaquim Mendes Ferreira e Prof. Doutor Renato Manuel Natal Jorge Resumo

A presente tese estuda o comportamento mecânico do ouvido médio para uma melhor compreensão da sua função. Construiu-se um modelo geométrico dos principais componentes do ouvido médio, a partir de imagens de TAC sendo feita a respectiva discretização, utilizando o método de elementos finitos. As propriedades dos materiais foram obtidas da literatura e aplicadas as respectivas condições fronteira. Foi utilizada uma formulação de contacto para simulação dos ligamentos capsulares, sendo os ligamentos da cadeia ossicular ao seu exterior simulados como tendo um comportamento hiperelástico. Foram feitos estudos de análise estática e dinâmica, incluindo o cálculo dos modos próprios de vibração. Em sequência destes estudos foi possível obter os deslocamentos ao nível do umbo e da platina do estribo, para diferentes níveis de pressão acústica aplicada sobre a membrana timpânica e os resultados comparados com outros trabalhos conhecidos da literatura. Foram analisadas as tensões ao nível dos ligamentos e cruras do estribo. Determinaram-se as rotações na base do estribo para diferentes níveis de pressão acústica e para distintas frequências. A utilização de um modelo constitutivo com activação permitiu analisar a influência dos músculos, tensor do tímpano e estapediano, tendo-se confirmado os dados fisiológicos descritos na literatura, bem como a importância de cada um dos músculos na protecção do ouvido interno.

iv

Biomechanical study of the middle ear by

Maria Fernanda Gentil Costa

Thesis submitted for satisfaction of the requirements for the Ph. D. degree in Engineering Science of the Faculty of Engineering of University of Porto under the supervision of Prof. Doutor António Joaquim Mendes Ferreira and Prof. Doutor Renato Manuel Natal Jorge Abstract

The present thesis studies the mechanical behaviour of the middle ear for a better understanding of its function. It starts with a geometric modelling with the main components of the middle ear, based on imagiology and simultaneously with the respective finite element method discretization. The mechanical properties available in the literature are considered and boundaries conditions applied. The connection between ossicles is done using a contact formulation, which can be interpreted as a simulation of the capsular ligaments. Hyperelastic behaviour of the ligaments was taken into account. Static and dynamic studies were done, including the eigenvalues and eigenmodes evaluation. Following these studies, it was possible to obtain the umbo and footplate stapes displacements for the different sound pressure levels, applied in the eardrum, and the results compared with others previously published. The suspensory ligaments and crus stapes stresses were analysed. The footplate rotations were obtained for different frequencies and sound pressure levels. The muscles (tensor tympani and stapedial) influence was analysed, using a constitutive model with activation, being confirmed by physiology data, as well as, the importance of each one of the muscles in the inner ear protection.

v

ÍNDICE

Simbologia

xi

7. Análise estática e dinâmica do comportamento mecânico do ouvido

  • 1.1 – Objectivos da Tese........................................................................................... 1. Introdução
  • 1.2 – Apresentação da Tese
    • Anexo: Tensores
  • 1.3 – Referências
  • 2.1 – Introdução 2. Anatomia e fisiologia do ouvido
  • 2.2 – Ouvido externo - 2.2.1 - Vascularização e enervação
  • 2.3 – Ouvido médio - 2.3.1 - Paredes da caixa timpânica - 2.3.1.1 - Parede externa - 2.3.1.2 - Parede interna..................................................................................... - 2.3.1.3 - Parede superior................................................................................... - 2.3.1.4 - Parede inferior.................................................................................... - 2.3.1.5 - Parede posterior.................................................................................. - 2.3.1.6 - Parede anterior - 2.3.2 - Cadeia ossicular - 2.3.2.1 - Martelo - 2.3.2.2 - Bigorna............................................................................................... - 2.3.2.3 - Estribo - 2.3.3 - Ligações dos ossículos............................................................................... - 2.3.3.1 - Articulações entre os ossículos - 2.3.3.2 - União dos ossículos com as paredes da caixa timpânica - 2.3.3.3 - Sistema biomecânico dos ossículos - 2.3.4 - Anatomia da corda do tímpano.................................................................. - 2.3.5 - Vascularização da caixa timpânica
  • 2.4 – Ouvido interno
    • 2.4.1 - Labirinto ósseo...........................................................................................
      • 2.4.1.1 - Vestíbulo ósseo
      • 2.4.1.2 - Canais semicirculares ósseos
      • 2.4.1.3 - Cóclea óssea.......................................................................................
      • 2.4.1.4 - Canal auditivo interno........................................................................
    • 2.4.2 - Labirinto membranoso...............................................................................
      • 2.4.2.1 - Vestíbulo membranoso
      • 2.4.2.2 - Canais semicirculares membranosos
      • 2.4.2.3 - Cóclea membranosa
    • 2.4.3 - Terminações do nervo auditivo
    • 2.4.4 - Irrigação do ouvido interno
  • 2.5 – Sistema nervoso auditivo
    • 2.5.1. - Via auditiva central...................................................................................
    • 2.5.2. - Vias neurais do reflexo acústico
    • 2.5.3. - Hemisférios cerebrais
  • 2.6 – Referências........................................................................................................
  • 3.1 – Considerações gerais sobre o som 3. Psicoacústica
    • 3.1.1 - Frequência..................................................................................................
    • 3.1.2 - Intensidade, Potência acústica e Pressão sonora........................................
    • 3.1.3 - Amplitude, Fase e Timbre
  • 3.2 – Propagação do som
    • 3.2.1 - Velocidade de propagação
    • 3.2.2 - Comprimento de onda................................................................................
    • 3.2.3 - Fenómenos de propagação do som
    • 3.2.4 - Impedância acústica
  • 3.3 – Percepção espacial
    • 3.3.1 - Efeito de máscara.......................................................................................
    • 3.3.2 - Localização do som
    • 3.3.3 - Binauralidade.............................................................................................
    • 3.3.4 - Limiares auditivos
  • 3.4 – Classificação das disfunções auditivas
    • 3.4.1 - Tipos de surdez
    • 3.4.2 - Graus de surdez..........................................................................................
  • 3.5 – Algumas disfunções auditivas
    • 3.5.1 - Otosclerose
    • 3.5.2 - Doença de Ménière
    • 3.5.3 - Traumatismo acústico................................................................................
    • 3.5.4 - Presbiacusia
    • 3.5.5 - Surdez súbita, induzida por ototóxicos ou por vírus..................................
    • 3.5.6 - Schawnoma do acústico.............................................................................
    • 3.5.7 - Acufenos, Recobro e Hiperacusia..............................................................
    • 3.5.8 - Surdez cortical e agnosia auditiva
  • 3.6 – Uso de sistemas de amplificação no auxílio à surdez.......................................
  • 3.7 – Referências........................................................................................................
  • 4.1 – Descrição do movimento do meio contínuo 4. Cinemática do meio contínuo
    • 4.1.1 - Descrição material e espacial.....................................................................
    • 4.1.2 - Campo de deslocamentos
    • 4.1.3 - Deformações infinitesimais
    • 4.1.4 - Dilatação
    • 4.1.5 - Deformações finitas
    • 4.1.6 - Tensores de extensões finitas
    • 4.1.7 - Tensor de Cauchy-Green à direita
    • 4.1.8 - Tensor das extensões de Lagrange
    • 4.1.9 - Tensor de Cauchy-Green à esquerda
    • 4.1.10 - Tensor de deformação euleriano..............................................................
    • 4.1.11 - Variação de Volume e Área devido à Deformação
  • 4.2 – Estado de tensão................................................................................................
    • 4.2.1 - Vector tensão
    • 4.2.2 - Tensor de tensão
    • 4.2.3 - Tensores de Tensão de Piola Kirchhoff.....................................................
      • 4.2.3.1 - Tensor das primeiras tensões de Piola Kirchhoff...............................
      • 4.2.3.2 - Tensor das segundas tensões de Piola Kirchhoff
  • 4.3 – Referências........................................................................................................
  • 5.1 – Introdução 5. Modelos Constitutivos
  • 5.2 – Elasticidade.......................................................................................................
  • 5.3 – Hiperelasticidade
    • 5.3.1 - Considerações gerais sobre equações constitutivas...................................
    • 5.3.2 - Formas equivalentes da função de energia deformação
    • 5.3.3 - Formas reduzidas de equações constitutivas
    • 5.3.4 - Materiais hiperelásticos isotrópicos...........................................................
    • 5.3.5 - Equações constitutivas em termos de invariantes......................................
    • 5.3.6 - Equações constitutivas derivadas de Ψ ( B* ) e Ψ ( V )..............................
    • 5.3.7 - Equações constitutivas em termos de alongamentos principais
    • 5.3.8 - Materiais hiperelásticos incompressíveis
    • 5.3.9 - Modelo de Yeoh para materiais incompressíveis
  • 5.4 – Modelo de Hill para músculos esqueléticos
  • 5.5 – Referências........................................................................................................
  • 6.1 – Introdução 6. Método de elementos finitos
  • 6.2 – Elementos finitos
    • 6.2.1 - Elemento linear de dois nós.......................................................................
    • 6.2.2 - Elemento isoparamétrico de oito nós.........................................................
    • 6.2.3 - Elemento tetraédrico de quatro nós
  • 6.3 – Dinâmica...........................................................................................................
  • 6.4 – Formulação de Contacto
    • 6.4.1 - Considerações cinemáticas
    • 6.4.2 - Algoritmo de contacto
  • 6.5 – Referências........................................................................................................
  • 7.1 – Introdução médio
  • 7.2 – Modelo construído com base em relações geométricas....................................
  • 7.3 – Construção do modelo baseado em imagiologia
    • 7.3.1 - Modelo geométrico e malha de elementos finitos
    • 7.3.2 - Propriedades de material............................................................................
    • 7.3.3 - Condições fronteira....................................................................................
  • 7.4 – Estudo do comportamento biomecânico do ouvido médio
    • 7.4.1 - Análise estática
    • 7.4.2 - Análise dinâmica: modos próprios de vibração.........................................
    • 7.4.3 - Análise dinâmica: vibrações forçadas
      • 7.4.3.1 - Amortecimento...................................................................................
      • 7.4.3.2 - Análise do contacto entre os ossículos...............................................
      • 7.4.3.3 - Diferentes níveis de pressão sonora
      • 7.4.3.4 - Análise do comportamento mecânico dos ligamentos e músculos
      • 7.4.3.5 - Análise do comportamento dinâmico do ouvido médio
    • 7.4.4 - Análise dos esforços nos ligamentos
    • 7.4.5 - Estudo do nível de tensão nas cruras do estribo
    • 7.4.6 - Influência da acção dos músculos..............................................................
  • 7.5 – Referências........................................................................................................
  • 8.1 – Síntese e conclusões 8. Conclusões
  • 8.2 – Perspectivas de trabalhos futuros......................................................................

Simbologia

Δ l - Alongamento

ξ , η , ζ - Coordenadas naturais

S t - Parte da fronteira onde há forças aplicadas E i - Valores próprios do tensor E I (^) i - Invariantes escalares principais do tensor das extensões

γ eq^ - Taxa de deslizamento equivalente

θ - Temperatura média no ponto de contacto

f^ α^ - Média da variável de campo pré-definida no ponto de contacto e - Dilatação

ρ - Densidade na configuração corrente

ρ 0 - Densidade na configuração original

t - Tempo; posição temporal t 0 - Instante inicial

λ i - Valores próprios

ε - Deformação unidimensional γ - Deformação de corte

α , β - Coeficientes de amortecimento de Rayleigh

f - Força por unidade de volume Δ F - Força resultante existente numa pequena área Δ A d f - Força actuando na área dA d f 0 - Força actuando na área dA 0 d f ^ - (pseudo) força que se transforma na força actual, d f t e - Tracções externas t (^) i - Tracções internas

g n - Deslocamento normal g t - Deslocamento tangencial

λ^ M - Alongamento do músculo

xiii

Simbologia

λ f - Alongamento da fibra muscular não deformada P - Carga

ε a - Deformação axial

σ m - Tensão hidrostática

E - Módulo de Young ou módulo de elasticidade v (^) - Coeficiente de Poisson p - Multiplicadores de Lagrange k - Módulo de compressibilidade G - Módulo de elasticidade transversal

e^ ' i - Base de referência

e i - Base corrente

μ ,λ - Constantes de Lamé N (^) i - Funções de forma associadas ao nó i

U - Função de energia deformação Ψ - Função de energia livre de Helmholtz Ω 0 - Região (configuração de referência)

Ω - Região (configuração corrente) p - Escalar definido como o multiplicador indeterminado de Lagrange F M - Força do músculo F 0 M - Força isométrica muscular de pico F EC - Força no elemento contráctil do músculo F ES - Força no elemento em série do músculo F EP - Força no elemento em paralelo do músculo K^ ES - Rigidez do elemento elástico em série do músculo f (^) EP - Força passiva do músculo f (^) ES - Força activa do músculo

xiv

Simbologia

n m , - Versores normais a planos (ou a superfícies) n i - Vectores ortonormais

t - Vector contendo as tensões de Cauchy calculadas com base em d f e dA t n - Vector tensão t o - Vector de tensões calculadas com base em d f 0 e dA 0 R (^) n - Vector próprio de B *

e - Vector com as extensões infinitesimais

Tensores

E - Tensor das extensões ou tensor de deformação infinitesimal I 1 C - Primeiro invariante do tensor das deformações de Cauchy-Green à direita ∇ u - Gradiente de deslocamentos (relativamente à configuração de referência) ∇ (^) x u - Gradiente de deslocamentos (relativamente à configuração corrente) F - Gradiente das deformações F^ * - Gradiente de deformação relativo à região Ω* 0 I - Tensor identidade U - Gradiente de deformação simétrico (tensor de extensões finitas à direita) R - Tensor de segunda ordem que descreve o movimento de corpo rígido V - Tensor de extensões finitas à esquerda C - Tensor das deformações de Cauchy-Green à direita B^ * - Tensor das deformações de Cauchy –Green à esquerda E^ ***** - Tensor das extensões finitas (lagrangianas) e^ ***** - Tensor com as extensões de Almansi ( eulerianas ) T - Tensor das tensões de Cauchy t a - Tensão axial τ - Tensão de corte simples

xvi

Simbologia

xvii

τ - Tensão de corte equivalente

T 0 - Tensor das primeiras tensões de Piola-Kirchhoff T ^ - Tensor das segundas tensões de Piola-Kirchhoff σ - Campo de tensões

Capítulo 1 – Introdução

Os factores que podem influenciar negativamente esse desenvolvimento (hereditariedade, tóxicos, medicamentos, infecções, etc.) podem ter repercussões quer no funcionamento (deficiência auditiva) quer na forma (malformações anatómicas) do aparelho auditivo. Tudo o que, a partir da concepção do feto, modifique, interrompa ou altere o funcionamento do órgão da audição, poderá conduzir à surdez em maior ou menor grau. Embora não existam estudos oficiais sobre a percentagem da população que sofre de problemas auditivos em Portugal, estima-se que cerca de 10 % (um milhão de pessoas) se encontre afectada. A surdez profunda atinge um em cada mil nascimentos, devido a factores genéticos e prematuridade, existindo em Portugal 35 mil surdos profundos num universo de 135 mil pessoas afectadas por deficiências auditivas [2]. A otosclerose, ossificação anormal do osso mais pequeno do corpo humano - estribo - é uma das causas mais frequentes de surdez de condução, em adultos. A maioria das pessoas com este tipo de surdez tem grandes dificuldades de comunicação, a partir da adolescência, com agravamento na idade adulta [3]. Qualquer perda auditiva pode condicionar a vida do indivíduo, tanto no que diz respeito à comunicação com os outros, como ao simples prazer de ouvir uma música, pelo que toda a intervenção que possa minorar estas dificuldades, se revela da maior importância. Neste sentido tornou-se pertinente o desenvolvimento da presente investigação, sabendo que a energia sonora é captada pelo ouvido externo até à membrana timpânica, onde é transformada em energia mecânica e comunicada aos ossículos do ouvido médio. Este é constituído pela cadeia ossicular, ligamentos, músculos e respectivos tendões. Os ossículos do ouvido médio estão articulados de tal modo que o deslocamento de um deles interfere indirectamente no deslocamento dos outros. O objectivo desta investigação surge com o interesse de melhor perceber o comportamento biomecânico do ouvido médio. Tendo esta percepção será mais fácil simular patologias do ouvido médio, comparando-as com o ouvido normal, como por exemplo, estudos sobre perfurações timpânicas de vários calibres [4], [5]. Outra aplicação interessante seria a escolha de novos materiais para próteses, em casos, por exemplo, de otosclerose, ou desarticulação da cadeia ossicular [6].

Capítulo 1 – Introdução

Actualmente, o método de elementos finitos (MEF) é a ferramenta mais poderosa para simular problemas mecânicos, permitindo uma análise de meios discretos e contínuos, com alto nível de complexidade, a partir de modelos geométricos [7]. Neste método um sistema contínuo é dividido num número finito de partes, chamados elementos. Em cada elemento finito, a solução é obtida a partir de nós, garantindo as respectivas condições fronteira, transformando um problema com um número infinito de graus de liberdade num meio contínuo, noutro problema finito [7]. O primeiro trabalho conhecido, acerca do comportamento biomecânico do ouvido médio, utilizando o MEF, foi feito no gato e data de 1978 [8]. Este primeiro modelo foi sendo aperfeiçoado com a colaboração de outros autores [9], [10], mas não seria apropriado para investigar o comportamento do ouvido médio humano. Neste sentido, outros modelos a partir da geometria do ouvido médio humano foram sendo desenvolvidos, considerando a membrana timpânica, os ossículos, a impedância coclear e posteriormente a inserção de alguns ligamentos e tendões [11], [12], [13], [14], [15], [16], [17]. A partir daí, outros modelos foram desenvolvidos, simulando o comportamento estático e dinâmico do modelo [18], [19]. Muitos destes trabalhos comparam os seus resultados com dados experimentais. No entanto, todos os modelos referidos na literatura representam o comportamento do ouvido médio, tomando os ligamentos capsulares como meio contínuo entre os ossículos, admitindo os ligamentos ao exterior da cadeia ossicular com comportamento elástico, não apresentando qualquer análise relativa à activação dos músculos do ouvido médio. Neste trabalho de investigação, na simulação dos ligamentos capsulares foi utilizada formulação de contacto, os ligamentos considerados com comportamento hiperelástico e foi utilizado um modelo constitutivo para simulação da função activa e passiva dos músculos do ouvido médio.