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aula de parasitologia
Tipologia: Notas de aula
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Professora: Edir Antunes Carvalho
Os animais domésticos e silvestres possuem uma série de parasitos, cujas larvas infectantes só são capazes de completar o ciclo quando alcançam seu hospedeiro próprio. As larvas desses parasitos quando infectam um hospedeiro anormal, inclusive os humanos, podem não ser capazes de evoluir nesse hospedeiro, podendo então realizar migrações através do tecido subcutâneo ou visceral e produzir as síndromes conhecidas como: larva rnigrans cutânea, Larva migram visceral (^) e larva migram ocular.
(^) Ancylostorna caninum e A. braziliense são os agentes etiológicos mais freqüentes de LMC. (^) As fêmeas destes parasitos realizam a postura de milhares de ovos, que são eliminados diariamente com as fezes dos cães e gatos infectados. (^) No meio exterior, em condições ideais de umidade, temperatura e oxigenação, ocorre desenvolvimento de larva de primeiro estádio (L,) dentro do ovo, que eclodem e se alimentam no solo de matéria orgânica e microorganismos. (^) Em um período de aproximadamente sete dias, a L, realiza duas mudas, atingindo o terceiro estádio, que é o de larva infectante (L,). (^) Esta não se alimenta e pode sobreviver no solo por várias semanas. (^) Os cães e gatos podem se infectar pelas vias oral, cutânea e transplacentária. (^) As L, sofrem duas mudas nesses hospedeiros, chegam ao intestino delgado e atingem a maturidade sexual em aproximadamente quatro semanas.
As L, desses ancilostomídeos penetram ativamente na pele do ser humano e migram através do tecido subcutâneo durante semanas ou meses e então morrem. A medida que as L, progridem, deixam atrás de si um rastro sinuoso conhecido popularmente como "bicho geográfico" ou "bicho das praias''
As partes do corpo atingidas com mais freqüência são aquelas que entram em maior contato com o solo: pés, pernas, nádegas, mãos e antebraços e, mais raramente, boca, lábios e palato. Algumas vezes, as lesões são múltiplas, podendo ocorrer em várias partes do corpo.
O momento da penetração pode passar despercebido ou ser acompanhado de eritema e prurido em pacientes sensíveis. (^) No local da penetração das L, aparece primeiramente uma lesão eritemopapulosa que evolui, assumindo um aspecto vesicular. Em sua migração, as larvas produzem um rastro saliente e pruriginoso, que por vezes, pode estar acompanhado de infecções secundárias decorrentes do ato de se coçar, que leva a escoriações na pele.
Nos casos mais benignos o tratamento pode ser dispensado, uma vez que a infecção pode se resolver espontaneamente ao fim de alguns dias. Todavia, em alguns casos a infecção pode se estender por semanas ou meses; assim, para (^) uso tópico, a droga de escolha é o tiabendazol, sendo recomendado a aplicação de pomada, quatro vezes ao dia.
A larva migrans visceral (LMV) é a síndrome determinada por migrações prolongadas de larvas de nematóides parasitos comuns aos animais, no organismo humano, que estão condenadas a morrer, depois de longa permanência nas vísceras, sem poder chegar ao estágio adulto. (^) Quando as larvas desses parasitos migram para o globo ocular, temse a síndrome denominada larva migrans ocular (LMO).
Nesses órgãos, realizam migrações, e a maioria é destruída formando uma lesão típica, denominada granuloma alérgico, no qual o parasito morto encontra-se cercado por infiltrados ricos em eosinófilos e monócitos.
As manifestações clínicas causadas pela migração das larvas podem ser assintomáticas, subagudas ou agudas. A gravidade do quadro clínico depende da quantidade de larvas presentes no organismo, do órgão invadido e da resposta imunológica do paciente. (^) A maioria dos casos caracteriza- se por um quadro subclínico e sem diagnóstico.
O controle tem por base a conscientização da população e principalmente dos proprietários de cães sobre o real problema que representa essa parasitose. Dentre as medidas profiláticas a serem adotadas deve-se incluir: o exame de fezes periódicos dos cães e gatos e tratamento dos mesmos com anti-helmínticos de largo espectro; evitar acesso desses animais a locais públicos (praças, praias, parques infantis) e redução das populações de cães e gatos vadios, que representam as mais altas cargas parasitárias.