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Figura 4: Necessidades do turismo de luxo. 32. Figura 5: Triple Bottom Line da Sustentabilidade. 37. Figura 6: Modelo do Turismo Sustentável.
Tipologia: Provas
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Mestrado em Gestão do Turismo e da Hotelaria Ano Lectivo 2016/ Professora Doutora Maria do Carmo Leal Professora Sofia Almeida
Inês Bandeira Ferreira Prata de Oliveira
O conteúdo deste relatório é da exclusiva responsabilidade da autora, pelo que se assume como a única responsável por quaisquer erros, inexactidões ou omissões. A dissertação, por opção própria, não se encontra abrangida pelo novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Não foi incluída nesta dissertação informação, dados ou ilustrações de outras fontes ou autores que não aqueles correctamente referenciados. A autora leu o guia do estudante sobre o plágio e as implicações disciplinares que poderão advir do incumprimento das normas vigentes. (Inês Bandeira Ferreira Prata de Oliveira) Data:
O conceito de sustentabilidade (a nível ambiental, social e económico) tem, dentro do panorama turístico, vindo a ganhar cada vez mais popularidade, devido à sua relevân- cia a longo prazo, mas que passa, necessariamente, por medidas implementadas agora. Por outro lado, o conceito de turismo de luxo não tem tido tanta exposição. No entanto, uma vez que a sustentabilidade é a única forma de, a longo prazo, preservar os recursos nos quais assenta a actividade turística, esta dissertação procura, assim, identificar uma possível ligação entre o turismo de luxo e a sustentabilidade (conceitos aparentemente contrários). Adicionalmente, esta dissertação procura, através da realização de um estudo de caso de uma das melhores empresas de turismo de luxo portuguesas, averiguar se estas conclusões teóricas se verificam, actualmente, no mercado. Palavras-chave: luxo, luxo sustentável, sustentabilidade, Tours for You, turismo de luxo
The concept of sustainability (on an economic, social and environmental level) has become an increasingly popular topic in the touristic context, due to its long term rele- vance that relies on policies and measures implemented now. On the other hand, the concept of luxury travel hasn’t had as much exposure. However, since sustainability is the only way to, in the long run, preserve the resources that the touristic activity stands on, this thesis aims to identify a possible relationship between luxury travel and sustainability (apparently opposing concepts). Additionally, this thesis aims to ascertain if these theoretical conclusions are true in the touristic market with a case study of one of the best luxury travel companies in Portugal. Keywords: luxury, luxury travel, sustainability, sustainable luxury, sustainability, Tours for You
Travel is the only thing you buy that makes you richer (Anónimo) Apesar de, actualmente, se encontrar instaurado um período de crise a nível global, a classe média a nível mundial continua em expansão, particularmente nas economias emergentes (Low, 2010). No entanto, verifica-se que este aumento do rendimento disponível está a ser cada vez mais investido em experiências como, por exemplo, viagens, do que em produtos. Apesar de o turismo mundial continuar, ano após ano, a atingir picos históricos verifica-se que, dentro dos seus vários segmentos, poucos apresentam um crescimento comparável ao do turismo de luxo (Tourism Economics, 2016). Este acentuado desvio da ostentação e procura por experiências únicas, ricas e inesquecíveis tem vindo ao encontro de medidas cada vez mais orientadas para a sustentabilidade, seja ela económica, social ou ambiental (Horwath HTL, 2011). Esta dissertação pretende, numa primeira fase, apresentar o sector turístico e, dentro deste, o segmento que é o turismo de luxo, seguido de uma análise do conceito de sustentabilidade e as suas abordagens práticas, nomeadamente o conceito Triple Bottom Line , de forma a conseguir demonstrar a importância da sustentabilidade dos recursos explorados pela actividade turística para que, por último, se procure estabelecer uma ligação entre o conceito de turismo de luxo e o conceito de sustenta- bilidade, nomeadamente através do caso de estudo da empresa portuguesa Tours for You.
Figura 1 : A importância do Turismo Fonte: World Tourism Organization (2016) De acordo com o Relatório Anual de 2015 da Organização Mundial de Turismo (UNWTO), o volume de negócios da indústria turística (7%) é actualmente apenas ultrapassado pelo do petróleo e substâncias químicas, ultrapassando, por sua vez, o volume de facturação do sector alimentar e automóvel. O turismo tornou-se, assim, um dos principais componentes do comércio internacional e representa, ao mesmo tempo, uma das principais formas de rendimento de vários países em desenvolvimento (World Tourism Organization, 2016c). O ano de 2015 foi o sexto ano consecutivo de crescimento turístico desde a crise económica de 2009, de acordo com o relatório anual de 2015 da Organização Mundial de Turismo (UNWTO), demonstrando a força e resiliência do sector (World Tourism Organization, 2016a). Segundo esta mesma fonte, a procura tem permanecido forte, no geral, embora os resultados tenham oscilado em alguns destinos específicos, devido à flutuação das taxas de câmbio, acrescidas questões de segurança a nível global e a queda dos preços do petróleo, resultando no aumento do rendimento disponível nos países importadores e, consequentemente, numa quebra para os países exportadores. De acordo com a Organização Mundial de Turismo (2016b), as chegadas internacionais têm vindo a aumentar globalmente desde cerca de 25 milhões, em 1950, para 278 milhões em 1980, 674 milhões em 2000 e, actualmente, 1186 milhões (ver figura 2).
Figura 2 : Chegadas Internacionais Globais Fonte: World Tourism Organization (2016) Naturalmente, as receitas do turismo aumentaram igualmente, atingindo hoje valores na ordem dos 1. 260 milhares de milhão de dólares americanos, sendo que as receitas do turismo internacional registaram aumentos de cerca de 4,4% (World Tourism Organization, 2016b). O Turismo constitui, por isso, uma grande parte do comércio de serviços internacional. Para além das receitas nos destinos, o turismo internacional gerou cerca de 211 milhares de milhão de dólares americanos em exportações através dos serviços de transporte internacionais, atingindo assim um total de 1,5 biliões (milhões de milhão) de dólares americanos (World Tourism Organization, 2016b).
Nos anos 80, com o aparecimento e rápido crescimento do turismo de massas, começou a questionar-se os impactos da actividade turística. No entanto, com o decorrer dos tempos, o assunto tornou-se, durante algum tempo, meramente académico, devido ao poder económico que a actividade turística representa, e que faz dela uma indústria poderosa e um forte empregador e cliente de várias outras indústrias (Smith, 2001 in Theobald, 2005). (Theobald, 2005). Smith (2001) pretende transmitir que a actividade do turismo tem tanto benefícios como consequências, difíceis de prevenir, mas que devem ser planeadas e geridas de
Segundo o United Nations Environment Programme (2016a), a indústria turística pode ter impactos positivos e negativos, a nível económico. (United Nations Environment Programme, 2016a). O turismo pode gerar crescimento económico, contribuir significativamente para o desenvolvimento urbano e para o aumento dos níveis de consumo (Buckley, 2012). Os encargos do turismo, geram receitas para as nações receptoras podendo estimular investimentos necessários para financiar o crescimento da actividade, bem como o de outros sectores. Adicionalmente, as receitas que os governos retiram da actividade turística podem ser directas (geradas por impostos sobre os rendimentos dos funcionários e do próprio sector, bem como por taxas impostas sobre os turistas) ou indirectas, isto é, as aplicadas aos produtos e serviços turísticos (United Nations Environment Programme, 2016a). O aumento da criação de emprego – directo e indirecto – e o estímulo do investimento em infraestruturas, bem como a contribuição do Turismo para as economias locais, encontram-se entre os impactos positivos do sector. Por outro lado, os Impactos Económicos Negativos incluem o facto de os países em desenvolvimento, com uma necessidade mais urgente de receitas, geração de emprego e aumento do nível de vida através da actividade turística, são, por norma, menos capazes de atingir estes benefícios, nomeadamente devido à transferência de grandes volumes de receitas turísticas para fora do país receptor e à exclusão dos negócios e produtos locais Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas (2016d), um dos maiores impactos negativos do turismo nas economias é o escoamento, que pode ser de importação ou de exportação. O escoamento de importação ocorre, normalmente, quando os turistas requisitam equipamentos, alimentos ou outros produtos que não existem no país receptor. Já o escoamento de exportação ocorre, normalmente, através de grandes corporações multinacionais ou empresas estrangeiras. Geralmente, e em especial nos países em desenvolvimento, estas empresas são as únicas que possuem capital necessário para investir na construção das infraestruturas necessárias à actividade turística; essa exclusividade possibilita o escoamento para as suas sedes, que financiam a actividade turística nos locais. (United Nations Environment Programme, 2016d)
Os custos com infraestruturas têm também um impacto negativo no turismo. O desenvolvimento turístico, nomeadamente as melhorias nos aeroportos, estradas e outras infraestruturas podem representar um elevado custo para o governo e os contribuintes e, ainda, levar os governos a alocar recursos financeiros destinados à saúde ou à educação noutros investimentos (United Nations Environment Programme, 2016c). Para além deste impacto, ainda segundo o United Nations Environment Programme (2016d), outro efeito negativo do Turismo pode ser o aumento dos preços nos produtos e serviços que compõem a economia local. Adicionalmente, um dos mais conhecidos e discutidos efeitos negativos da actividade turística é a criação de emprego sazonal. A criação de emprego sazonal cria problemas económicos para os destinos que dele dependem e para a comunidade local. Existem, por último, ainda alguns factores que impactam fortemente a economia de qualquer destino, como crises económicas, instabilidade política, terrorismo ou desastres naturais. Como se compreende, sendo a Europa um dos maiores mercados turísticos, e representando a maioria dos consumidores de turismo a nível mundial, uma crise como a de 2008 que impacta os rendimentos dos consumidores pode, consequentemente, afectar os destinos receptores destes mercados (United Nations Environment Programme, 2016c).
De acordo com o United Nations Environment Programme, os impactos sócio- culturais do turismo são aqueles que afectam as comunidades locais, directa ou indirectamente, e que resultam da actividade turística e da interacção dos residentes com os turistas. No entanto, estes impactos não são fáceis de medir e são, geralmente, subjectivos e difíceis de identificar (United Nations Environment Programme, 2016e). Existem, ainda assim, dois tipos de impactos sócio-culturais: os positivos e os negativos. Os impactos negativos surgem de mudanças nos sistemas comportamentais e de valor nos destinos, alterando e comprometendo a sua identidade, a sua estrutura comunitária, as relações pessoais, os estilos de vida tradicionais e as festividades causadas pelo turismo. Já os impactos positivos ocorrem quando o turismo age com força de apoio à paz, alimenta o orgulho cultural e a integração da comunidade local. No entanto, talvez sejam estes os impactos mais difíceis de classificar enquanto
instabilidade, baixos rendimentos, pouca formação e baixas possibilidades de qualificação, ou, até mesmo, a comercialização e exploração sexual de crianças e jovens, principalmente do sexo feminino, que tem vindo a crescer enquanto um negócio paralelo à actividade turística em vários pontos do mundo. Apesar de o turismo não ser a causa directa da exploração sexual, providencia um acesso fácil a estes serviços, fazendo com que a atractividade de rendimento considerado fácil tenha feito com que vários jovens e crianças, se submetam a estas actividades enquanto outras acabam por ser traficadas para bordéis ou vendidas como escravas sexuais (United Nations Environment Programme, 2016d). No entanto, no turismo, distinguir a prosperidade da pobreza inclui considerações ao nível ético e cultural, expressadas pelos impactos sociais do turismo nas comunidades, particularmente relevantes nos destinos que lucram com produtos turísticos que explorem comunidades empobrecidas ou baixos níveis de vida, como tribos, favelas ou guetos, comunidades que, se tiverem acesso a um nível de vida melhor, poderão pôr em causa o produto turístico em si (Buckley, 2012).
A qualidade do ambiente, tanto natural como edificado, é essencial para o turismo. No entanto, a relação do turismo com o ambiente é complexa, englobando inúmeras actividades que produzem impactos sobre o ambiente explorado pela actividade turística (United Nations Environment Programme, 2016b). Segundo o United Nations Environment Programme (2016), o turismo pode contribuir positivamente para o ambiente de várias formas, nomeadamente através de contribuições financeiras (directas ou governamentais), que consistem na alocação das receitas de admissões em parques ou semelhantes ou na alocação de receitas obtidas por taxas ou impostos sobre as actividades que exploram os recursos ambientais à protecção e gestão de áreas ambientalmente sensíveis. Existe também a possibilidade de o turismo contribuir para o ambiente através de um melhor planeamento e gestão ambiental, desde a gestão da poluição sonora (principalmente em zonas de elevada exploração hoteleira, esta pode ser benéfica para as áreas de natureza, evitando a gradual deterioração dos recursos) ou da agilização dos processos de produção e das ferramentas que os compõem, minimizando os impactos
ambientais, através da implementação da utilização de energias renováveis e da correcta gestão dos sistemas de energia e esgotos, prevenindo a poluição e a acumulação de resíduos (United Nations Environment Programme, 2016f). Por outro lado, ainda de acordo com o United Nations Environment Programme (2016h), verifica-se que o turismo contribui significativamente para o aumento da consciencialização ambiental, tendo o potencial de aumentar a apreciação do ambiente por parte do público e aumentar a consciencialização ambiental, alertando para as questões preocupantes que afectam os recursos, para o valor da natureza e para um comportamento ambientalmente consciente, de preservação e protecção. Assim, o sector pode ter um papel fundamental em providenciar informação e consciencializar os turistas das consequências das suas acções num determinado destino (United Nations Environment Programme, 2016f). No entanto, à semelhança dos outros impactos analisados, o desenvolvimento turístico tem, também, impactos negativos, que ocorrem, segundo o United Nations Environment Programme (2015), quando o nível de utilização por parte dos visitantes excede o nível de capacidade do ambiente de lidar com esta utilização de forma aceitável. Por isso, se não existir nenhum tipo de controlo neste sentido, o turismo torna-se uma potencial ameaça para várias áreas naturais em todo o mundo, colocando uma grande pressão nessas áreas para se manterem intactas apesar do desgaste que sofrem, desde a erosão do solo, o aumento da poluição ambiental e sonora, o desflorestamento, as alterações aos ecossistemas, as descargas para os oceanos, a perda de habitats naturais, o aumento da pressão sobre as espécies ameaças e uma crescente vulnerabilidade a fogos florestais (United Nations Environment Programme, 2015). Os impactos negativos do desenvolvimento turístico podem, gradualmente, destruir os recursos ambientais dos quais o sector depende para realizar a sua actividade, uma vez que contribui para a poluição da atmosfera, dos oceanos, das fontes de água potável, do ar e do solo, não só através dos impactos directos da actividade mas também através de impactos indirectos nos processos de manufactura e transporte. No entanto, a implementação de medidas regulatórias pode ajudar a mitigar impactos negativos, nomeadamente na limitação da quantidade de turistas que visitam
crescimento de 9,5% face ao ano anterior), comprovando a importância do sector turístico no equilíbrio das contas externas. Como se pode verificar na figura 3, estes resultados demonstram a consolidação do crescimento que se tem vindo a verificar no sector turístico português desde 2008 (Turismo de Portugal, 2015). Segundo a mesma fonte, o Turismo mostrou-se, mais uma vez, líder nas exportações da economia portuguesa, representando cerca de 46,3% das exportações de serviços e cerca de 15,3% das exportações globais. Mundialmente, Portugal situa-se no 27.º lugar das receitas turísticas. Figura 3 : Evolução da Balança Turística portuguesa Fonte: Instituto Nacional de Estatística (2016) Em Portugal, em 2015, o número de hóspedes atingiu os 17,4 milhões (o que representa um crescimento de cerca de 8,6% face ao ano anterior), com o mercado externo a continuar a ser o mais representativo, com cerca de 10,2 milhões de hóspedes (correspondente a um aumento de cerca de 9,7% face ao ano anterior). Destaca-se, no entanto, um significativo crescimento no mercado nacional, com um aumento de cerca de 7%, que representa cerca de 7,3 milhões de hóspedes (Turismo de Portugal, 2015). Relativamente às dormidas, segundo o Turismo de Portugal (2015), registou-se um pico de 48,9 milhões (correspondente a um crescimento de cerca de 6,6% face ao ano anterior), 70,4% dos quais com origem no mercado internacional (34,4 milhões, +7,2%) e 29,6% no mercado nacional (14,5 milhões, +5,1%). (Turismo de Portugal, 2015) Estes excelentes resultados foram, em parte, conseguidos pelo crescimento nos principais mercados emissores para Portugal; o Reino Unido (com um crescimento de cerca de 8,5%), a Alemanha (com um acréscimo de aproximadamente 10,8%), Espanha (que registou um avanço de 3,2%) e França (com um crescimento de cerca de 11,5%).
No entanto, e ainda de acordo com o Turismo de Portugal (2015), o crescimento significativo do mercado italiano (de cerca de 17,9%) e do mercado americano (de cerca de 18,2%) contribuíram também significativamente para os incríveis resultados alcançados. (Turismo de Portugal, 2015) Os proveitos situaram-se nos 2.478,7 milhões de euros, o que representa um aumento considerável, de cerca de 13%, face ao ano anterior. (Turismo de Portugal, 2015) A nível regional, todas as regiões portuguesas registaram um desempenho positivo, destacando-se os Açores com um aumento das dormidas de cerca de 19,8 % face ao ano anterior, e a região do Norte do país com um aumento de cerca de 13,5%. De todas as regiões, aquela que registou um menor crescimento foi o Algarve, que apenas aumentou em cerca de 2,6% (Turismo de Portugal, 2015).
O turismo e o luxo sempre estiveram ligados. Com algumas excepções, até ao advento do turismo de massas no século XX, o turismo de lazer consistia fundamentalmente em viajar de forma luxuosa para locais de elite (Moscardo & Benckendorff, 2010). A indústria do luxo foi aquela que recuperou mais rapidamente depois da crise económica de 2008 (Mauer, 2014). Apesar de se estimar que o turismo de luxo corresponde apenas a um segmento da indústria turística, este cresceu, no período entre 2011 e 2015 e, de acordo com Tourism Economics (2016), mais do que o sector turístico no geral, registando valores na ordem dos 4,5%. (Tourism Economics, 2016) Sendo o sector turístico um sector altamente competitivo, apostar na diferenciação de um produto que possa oferecer aos seus consumidores a experiência que estes procuram assume-se como um factor-chave. No entanto, é escassa a diferenciação nas