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Guias e Dicas
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Manual do conforto ambiental, Manuais, Projetos, Pesquisas de Saúde Pública

Manual contendo planejamento físico funcional e hotelaria para estabelecimentos de saúde.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2019

Compartilhado em 22/10/2019

everson-moretti-11
everson-moretti-11 🇧🇷

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As inovações tecnológicas produzidas pela inteligência humana, embora
signifiquem avanços, podem também gerar riscos à saúde, quando não
monitoradas de maneira adequada. Por isso, a qualidade do atendimento
à população está intrinsecamente relacionada à monitoração desses riscos.
Cabe ao Estado ser o regulador dessa relação, por meio da adoção de medidas
de controle e prevenção e pela veiculação de informações à sociedade. Isto
contribui para a efetiva participação dos usuários no processo de construção
de um sistema de saúde de qualidade.
Por essa razão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
publica esta série dedicada aos Serviços de Saúde, no intuito de levar aos
profissionais da área instrumentos práticos para o gerenciamento dos riscos
sanitários. Pretende-se, assim, por meio destas publicações, contribuir para
o desenvolvimento de ações seguras, além de disponibilizar informações
atualizadas que podem ser repassadas ao público.
Conforto Ambiental em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde ANVISA
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As inovações tecnológicas produzidas pela inteligência humana, embora

signifiquem avanços, podem também gerar riscos à saúde, quando não

monitoradas de maneira adequada. Por isso, a qualidade do atendimento

à população está intrinsecamente relacionada à monitoração desses riscos.

Cabe ao Estado ser o regulador dessa relação, por meio da adoção de medidas

de controle e prevenção e pela veiculação de informações à sociedade. Isto

contribui para a efetiva participação dos usuários no processo de construção

de um sistema de saúde de qualidade.

Por essa razão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

publica esta série dedicada aos Serviços de Saúde, no intuito de levar aos

profissionais da área instrumentos práticos para o gerenciamento dos riscos

sanitários. Pretende-se, assim, por meio destas publicações, contribuir para

o desenvolvimento de ações seguras, além de disponibilizar informações

atualizadas que podem ser repassadas ao público.

Conforto Ambiental em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde

ANVISA

Conforto AmbientAl

em estAbeleCimentos

AssistenCiAis de sAúde

Brasília, 2014 1 a^ edição

Agência nacional de Vigilância sanitária

série - tecnologia em serviços de saúde

Conforto AmbientAl

em estAbeleCimentos

AssistenCiAis de sAúde

sumário

    1. InTRODuçãO
    1. ObjeTIvO
    1. COnfORTO AmbIenTAl e humAnO: COnTexTuAlIzAçãO
    1. COnfORTO: SenSAçõeS e PeRCePçõeS
    • 4.1 Sustentabilidade
    • 4.2 Conforto higrotérmico
    • 4.3 Conforto acústico
    • 4.4 Conforto visual: iluminação e cores
      • 4.4.1 Iluminação
      • 4.4.2 Cores
    • 4.5 Conforto ergonômico
      • 4.5.1 Ritmo humano e ciclo circadiano
      • 4.5.2 Riscos, erros e acidentes
      • 4.5.3 Mobiliário
      • 4.5.4 Sinalização e informação visual
      • 4.5.5 Acessibilidade
    • 4.6 Conforto olfativo
    1. ReCOmenDAçõeS e COnSIDeRAçõeS fInAIS
  • RefeRênCIAS
  • ÍnDICe De IluSTRAçõeS
  • ÍnDICe De TAbelAS ...................................................................
  • GlOSSáRIO ................................................................................

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SÉRIE - TECNOLOGIA EM SERVIçOS DE SAÚDE

Prefácio

As questões pertinentes ao conforto ambiental assumiram par- ticular relevância a partir da última década do século XX. Nesse período, as políticas e as atitudes inerentes à sustentabilidade ambiental passaram a ter dimensões crescentes de divulgação. Por consequência, a organização da informação referente aos aspectos ambientais e aos estabelecimentos para serviços de saúde demandou a devida adequação técnica por meio de nor- mas e regulamentações compatíveis.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), coordena- dora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), pre- tende, com este manual, fornecer orientações para uma ade- quada racionalização da concepção e do uso dos espaços para promoção dos serviços de saúde e da conformação desses am- bientes. Ao mesmo tempo, busca uniformizar as informações destinadas aos diversos usuários – projetistas, trabalhadores da saúde e autoridades sanitárias.

O manual foi elaborado por meio do Termo de Cooperação 64, firma- do entre a Anvisa e a Organização Pan-Americana da Saúde(Opas/ OMS), com a contratação de especialista com notório conhecimento no tema, sob a organização e a supervisão técnica da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES/Anvisa).

Superar as dificuldades que se apresentam diante de cotidianas decisões projetuais e de gestão – decisões específicas como re- formas, ampliações, construções, localização de equipamentos, manutenção e em geral a dotação, a distribuição e a utilização dos recursos físicos para enfrentar a demanda dos serviços de saúde com critérios de equidade, eficácia e eficiência – também constitui a proposta deste estudo.

Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde - Anvisa

7 MANUAL DE CONFORTO AMBIENTAL EM ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE

  1. introdução

A necessidade de atualizar as normas existentes na área de infraestrutura física em saúde, instrumento norteador das no- vas construções, reformas e ampliações, instalações e funcio- namento dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), atende aos aspectos de desenvolvimento científico e tecnológi- co do setor saúde previstos pelo art. 3º da RDC n. 50 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 21 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002).

Este trabalho visa, também, contribuir com as atividades desen- volvidas pela Anvisa por meio de sua Gerência-Geral de Tecno- logia em Serviços de Saúde (GGTES/Anvisa) em ações vincu- ladas ao tema Segurança do Paciente e Qualidade do Serviço. Nesta mesma ação, outros trabalhos têm sido desenvolvidos como importante contribuição à sociedade brasileira.

As vantagens obtidas na utilização de documentos orientativos se traduzem diretamente na melhoria da qualidade dos servi- ços, na redução dos custos e na facilidade de interpretação e de comunicação no uso de processos e métodos aperfeiçoados.

Do final dos anos 80 do século XX até o início do século XXI diversos eventos e fatos marcantes para a saúde no Brasil e para os respectivos ambientes de saúde aconteceram:

9 MANUAL DE CONFORTO AMBIENTAL EM ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE

que deve buscar, invariavelmente, satisfazer a uma significativa diversidade de critérios técnicos e de compatibilidades físico- funcionais.

A concepção da solução projetual, além de atender às demandas da tecnologia em saúde, às características geográficas regionais e à flexibilidade dos espaços determinada pelas variáveis epi- demiológicas, deve contemplar, com fundamental relevância, a satisfação do usuário por meio do conforto ambiental em seus diversos aspectos: visuais, higrotérmicos, acústicos, lumínicos, olfativos e ergonômicos.

Em meio à diversidade das características de natureza física e química que compõem os denominados fatores ambientais, de- ve-se considerar, prioritariamente, sua influência sobre a saúde, a segurança e o conforto das pessoas. É importante observar também o quanto esses fatores podem impactar iatrogenica- mente e ponderar que eles serão os elementos básicos de análi- se e estudos para a definição dos aspectos de conforto aplicados em edificações destinadas aos serviços de saúde. Nesse contexto, ressalte-se a vinculação do desenho do espaço com os elementos funcionais e estéticos e com o tratamento paisagístico. O uso das cores e dos demais componentes de con- forto estão, entre outros, vinculados ao conceito da humaniza- ção na assistência à saúde.

O trabalho aqui apresentado considera, portanto, a contribuição que os aspectos projetuais arquitetônicos podem estabelecer na implantação de ações humanizadoras. Deverá ser destacado o valor da humanização, que ultrapassa referenciais decorativos de ambientes utilizados com frequência em hospitais e apresen- tados como sua dimensão humanizadora.

Os projetos e os programas com ações favorecedoras da huma- nização da assistência em ambientes de saúde têm se multi- plicado de forma crescente no Brasil em particular e de forma ampla por todo o mundo como resultado dos trabalhos e das demandas desse conceito da relação do paciente com os profis- sionais de saúde e com o ambiente hospitalar. Ter um projeto

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SÉRIE - TECNOLOGIA EM SERVIçOS DE SAÚDE

arquitetônico compatível com suas funções e amigável aos seus usuários é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um novo papel para todos os hospitais. Para tal, a humanização passa a desempenhar uma função estratégica (BRASIL, 2011).

É importante considerar ainda que muitas vezes esse ambiente hospitalar pode tornar-se a residência temporária dos seus prin- cipais usuários: pacientes e profissionais de saúde. A variação do tempo de uso depende de cada ocupante e de sua respectiva situação.

Ao mesmo tempo em que surge a demanda para que os ambien- tes sejam desenhados caso a caso, que os consultórios atendam às características das diversas especialidades médicas, que cada clínica exija sua adequação, que as unidades de terapia inten- siva e as demais áreas críticas do ambiente hospitalar exerçam a atenção primaz do cuidado específico na sua implantação e compatibilização tecnológica, surge também a necessidade de agregar conforto ao ambiente de trabalho e aos cuidados em saúde.

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SÉRIE - TECNOLOGIA EM SERVIçOS DE SAÚDE

  1. Conforto ambiental e

humano: contextualização

Estudos a respeito de conforto têm demonstrado que condições desfavoráveis – como excesso ou ausência de calor, umidade, ventilação e renovação do ar, ruídos intensos e constantes, con- dições lumínicas inadequadas, odores distintos e diversos – po- dem representar uma grande fonte de tensão no desenvolvi- mento das atividades de trabalho.

Para cada uma das variáveis ambientais (luz, clima, ruídos, odo- res, cores) há características específicas mais ou menos facili- tadoras das sensações humanas, resultando nos segmentos de percepção visual, lumínico, acústico, higrotérmico, olfativo e ergonômico. A Figura 1 apresenta esquematicamente tais com- ponentes de conforto e sua respectiva composição de aborda- gens que resultam na percepção humana de conforto.

Conforto Humano

Componete cultural Fisiologia humana Valores subjetivos

Visual Luminíco Acústico Ergonômico Higrotérmico Olfatório

  • Odores
  • Odorantes
  • Respiratório
  • Qualidade do ar
  • Fisiologia
  • Biomecânica
  • Antropometria
  • Fatores ambientais
  • Sistema de SHMA
  • Ruídos
  • Sons
  • Ondas sonoras
  • Cores
  • Identidade visual
  • Sinalização
  • Iluminação
  • Cores
  • Umidade do ar
  • Temperatura do ar
  • Velocidade do ar
  • Temperatura radiante do ar
  • Qualidade do ar

PERCEPÇÃO

INTERFERÊNCIAS

ABORDAGENS

CONFORTO

figura 1. fatores ambientais, abordagens e interferências que resultam no conforto humano Fonte: BITENCOURT (2013)

13 MANUAL DE CONFORTO AMBIENTAL EM ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE

Da mesma forma, é recomendável considerar os componentes de valores interferentes, cultural, fisiologia humana e subjetivo, como valores de composição para a efetiva percepção de con- forto humano.

Características culturais podem facilitar a convivência para con- dições ambientais distintas: umidade e temperaturas baixas de- mais ou elevadas, convivência com ambientes ruidosos, odores diversos, excesso ou falta de iluminação e outros.

Algumas abordagens estão apresentadas em duas distintas con- dições de conforto, como é possível perceber em cores (conforto visual e conforto lumínico) e qualidade do ar (conforto higrotér- mico e conforto olfatório). As particularidades que envolvem cada um desses aspectos ambientais estão tratadas diretamente nos respectivos capítulos.

O termo Qualidade do Ar Interior (QAI) também é utilizado com base no seu referencial equivalente em inglês, Indoor Air Quali- ty (IAQ), que incorpora diferentes fatores para a composição do sistema de ventilação e de ar condicionado que determinará a eficácia da ventilação, o funcionamento e a manutenção do sis- tema e das características constantes de contaminação internas.

(Funcionamento e manutenção)

Usuários (Profissionais de saúde, pacientes, visitantes)

Sistema de ventilação de condicionamente do ar

Qualidade do ar interior

Qualidade do ar exterior

Características das fontes de contaminação internas

figura 2. Qualidade do ar interior, condicionantes e usuários Fonte: BITENCOURT (2013)

15 MANUAL DE CONFORTO AMBIENTAL EM ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE

saúde foram estabelecidas sob padrões históricos de conforto que privilegiaram bem mais os profissionais de saúde e os fa- tores vinculados ao limpo ou ao científico que os aspectos da sensibilidade e da expectativa de conforto de todos os usuários. Encontrar o equilíbrio entre as demandas dos diversos usuá- rios dos ambientes de saúde é um desafio constante, sobretudo quando se torna imperativo apresentar essas informações de modo plenamente compreensível aos interlocutores, aos auto- res de projetos e às autoridades sanitárias, que farão as avalia- ções, a fiscalização e o controle desses equipamentos de saúde.

Providências para a busca do equilíbrio entre as determinações formais dos regulamentos existentes e as normatizações técni- cas aliadas à diversidade ambiental, social e cultural represen- tam algumas das estratégias que a Agência Nacional de Vigilân- cia Sanitária (Anvisa) procura rever por meio deste estudo e da atualização do conhecimento sobre o tema.

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SÉRIE - TECNOLOGIA EM SERVIçOS DE SAÚDE

Ao contrário da sensação de desconforto, o conforto humano não é uma percepção facilmente mensurável. Resultado da harmonia de vários condicionantes ambientais (higrotérmicos, acústicos, visuais, olfativos, da qualidade do ar, entre outros) e fisiológicos (metabolismo, idade, etc.), essa sensação deve pro- piciar a integração do homem (usuário) a seu meio, possibilitan- do a otimização do seu desempenho em suas atividades.

A origem do substantivo conforto é o verbo confortar, do latim cumfortare , derivado de cum-fortis (LINDEN, 2004, p. 75), e tem a mesma origem que força. Levar força significava consolar, apoiar, aliviar dor ou fadiga. No livro Casa: pequena história de uma ideia (Editora Record, 1999), o arquiteto escocês naturaliza- do canadense Witold Rybczynski apresenta o momento aproxi- mado em que o termo comfort , em inglês, passa a referir-se ao ambiente da casa na Inglaterra rural do início do século XIX, embora a origem da palavra tenha referências de utilização na França do século XIII, mesmo período em que passa a ser uti- lizada na língua portuguesa e “com o mesmo significado” (LIN- DEN, 2007, p. 64).

  1. Conforto: sensações e

percepções

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SÉRIE - TECNOLOGIA EM SERVIçOS DE SAÚDE

figura 5. florence nightingale e os cuidados de conforto humano e controle de infecções em uma enfermaria do Hospital militar de scutari, na Crimeia Fonte: Wellcome Library, V0015405, 2013

A seguir, três destaques do livro escrito por Florence Nightinga- le em 1863:

I – Agora vejamos como a luz é tratada por alguns médicos do povo e por ignorantes enfermeiras. Em nove de cada dez casos, selvagens médicos baixarão metade das persianas, deixando as janelas cegas; outros fecharão as janelas, enquanto uma enfer- meira ignorante provavelmente vai fechar o restante das persia- nas ... [e depois] ... cirurgiões civis, também, tratarão a luz como se fosse um inimigo. Na raiz de todas essas falácias populares, afir- mo que cada ala de pacientes internos deve ser inundada pela luz do sol e, por conseguinte, que as janelas devem ocupar uma par- te importante do espaço da parede em todos os hospitais (apud TAYLOR, 1997, p. 13). 1

(^1) “Now let us see how light is treated by some popular physicians and ignorant nurses. In nine cases out of ten, a physician wild row dawn the window-blinds, and half shut the shutters, while an ignorant nurse will probably shut the remainder of the shutters … [and later] … not a civil surgeons, also, treat light as if it were an enemy. In the teeth of all these popular fallacies, we asset that every sick-ward should be capable of being flooded by sun-light; and consequently, that the windows should be a large proportion to the wall- space in all hospitals” (tradução livre do original Notes on hospitals, p. 641).

19 MANUAL DE CONFORTO AMBIENTAL EM ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE

II –.um arquiteto que não tenha submetido a si próprio a ter familiaridade com as condições da atmosfera interna, por exem- plo, de enfermarias lotadas de hospitais mal construídos naque- las horas do dia ou da noite quando a insuflação e exaustão do ar é difícil para pacientes e enfermeiras não está qualificado para formar opinião sobre ventilação de enfermarias (apud TAYLOR, 1997, p. 14).^2

III – Nenhuma enfermaria é, em qualquer sentido, uma boa enfermaria quando os doentes não são abastecidos em todos os momentos com ar puro, luz e uma temperatura adequada. Estes são os resultados a serem obtidos da arquitetura hospitalar, e não a fachada ou aparência. Novamente, nenhum destes ele- mentos precisa ser sacrificado no intuito de obter outro. E quem se sentir em dificuldades para atender a estes três requisitos pode descansar tranquilo, pois a arquitetura hospitalar não é a sua vocação (apud TAYLOR, 1997, 1). 3

De modo geral, o conceito de conforto é apresentado vinculado a uma das sensações fisiológicas humanas: térmica, tátil, audi- tiva, visual, olfativa e do paladar. Mais recentemente, desde a metade do século XX e decorrente dos estudos sobre o mobili- ário e as estações de trabalho e sobre o impacto das condições fisiológicas e biomecânicas, bem como dos referenciais antro- pométricos, a ergonomia surge como uma ciência a promover importantes contribuições ao conforto, à saúde, ao bem-estar e à segurança (BITENCOURT, 2011; STERNBERG, 2009; IIDA, 2005; GRANDJEAN, 1998; SALVENDY, 1997).

Em 2006, o pesquisador, arquiteto e professor Romano Del Nord, da Universitá de Firenze, Itália, publicou a pesquisa O ambiente e os fatores perceptivo-sensoriais (NORD, 2006, p. 102,

(^2) […] “an architect who has not submitted to make himself familiar with the state of atmosphere in, for example, the crowded wards of a badly-constructed hospital at those hours of the day and night when the admission or exclusion of air is left to the nurse and patients, is ill qualified to form an opinion on ward ventilation” (tradução livre do original Notes on hospitals, p. 417).

(^3) “No wards is in any sense a good ward in which the sick are not at all times supplied with pure air, light and a due temperature. These are the results to be obtained from hospital architecture, and not external design or appearance. Again, no one of these elements need be sacrificed in seeking to obtain another. And one who feels himself in a difficulty in realizing all three may rest satisfied that hospital architecture is not his vocation” (tradução livre do original Notes on hospitals, p. 35).