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Marcação e captura do pacu, Notas de estudo de Engenharia Biológica

Marcação e captura do pacu

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 10/04/2013

pet-pesca-ufam-7
pet-pesca-ufam-7 🇧🇷

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PET/PESCA =G, pP Diarreia BIBLIOTECA = nergética de C= São Paulo pe Marcação e Captura de Pacu (Colossoma mitrei) no Reservatório da UHE Mário Lopes Leão, Promissão, Estado de São Paulo. COLEÇÃO ECOSSISTEMAS AQUATICOS, 005 MARCAÇÃO E CAPTURA DE PACU (Colossoma mitrei) NO RESERVATORIO DA UME MARIO LOPES LERO, PROMISSAO, ESTADO DE SAO PAULO Carlos Eduardo CappelLini TORLONI José Aparecido CRUZ RENé Alberto Fuster Belmont CRISTINA Aragão Onaga São Paulo 1990 logo Pedro Umberto s apresentadas. mo Núcleo de Estações de Hidr do trabalho; pela revisão do = asi: EN DR T I. Introdução De todos os impactos ambientais considerados negativos causados pela construção de usinas hidroelétricas, os mais aparentes e, consequentemente, os que provocam as maiores discussões, dizem respeito à ictiofauna. Com a construção das barragens, os rios são transformados numa sucessão de reservatórios dificultando a sobrevivência das espécies reofílicas, quer pela interrupção das migrações trófica e reprodutiva, quer pela destruição da vegetação ciliar e, principalmente, pela drástica redução das áreas de reprodução (lagoas e alagadiços marginais). Associado a isso, deve ser considerada a crescente poluição de alguns cursos d'água, que pode limitar parcial ou totalmente a:vida aquática. Tal impacto acarreta redução na diversidade da comunidade ictíica e alterações na abundância de algumas espécies, determinando a diminuição dos estoques (Godoy, 1972a, 1972b; Paiva, 1982, 1983; Mercer, 1972; Ferraz de Lima, 1986, 1986/1987; Valentini, 1972; Welcomme, 1980). Atualmente no Estado de São Paulo, apenas os reservatórios de usinas hidroelétricas sob concessão da Companhia Energética de São Paulo - CESP, já construídos, perfazem uma área alagada de aproximadamente 600.000 hectares, num total de 18 aproveitamentos. Com a formação dos reservatórios das futuras usinas de Três Irmãos, Taquaruçu e Porto Primavera, esse valor se elevará para quase 900.000 hectares, encerrando a fase dos grandes aproveitamentos. A administração pesqueira desses reservatórios implica obrigatóriamente na existência de conhecimento sobre o ambiente aquático e, sobretudo, das comunidades aí presentes. Para tanto, estudos específicos devem ser desenvolvidos no sentido de subsidiar a aplicação das técnicos de manejo pesqueiro ajustadas a cada reservatório. Tais procedimentos permitem obter uma produção pesqueira sustentada, passando assim, os reservatórios, a cumprir a importantíssima função de produtores de proteínas animal, com reflexos positivos, quanto aos aspectos sociais e econômicos. - Nesse sentido, a (CESP vem desenvolvendo estudos sobre as características limológicas, ictiológicas e biológico-pesqueiras de diversos de seus reservatórios. Estes estudos têm sido realizados desde 1984, de modo mais intenso no reservatório da UHE Mário Lopes Leão (Promissão), notadamente pelo fato de o mesmo apresentar excelentes condições para a conservação de espécies. autóctones de piracema, com tributários em razoável número que ainda detêm lagoas a alagadiços marginais e vegetação ciliar, estando, tamb livres de poluição (Torloni et al, 1988). Este reservatório, formado a partir de 1974, situa-se a 21º. 17'S e 49º. 47! W, numa altitude de 380m, apresentando as seguintes características morfométricas: área de 60.500 ha, perímetro de 1.423 km, comprimento de 110 km, volume de 7,2x10ºm*, profundidade média de 12m e tempo de retenção médio de 38,5 dias. De acordo com Godoy (1972 a), a primeira marcação histórica de peixes ocorreu em 1654 como salmão (Salmo salar). A partir de 1872, as primeiras grandes marcações experimentais ocorreram nos EUA e, na Gr3-Bretanha em 1892. Em grande escala, as marcações nos EUA foram realizadas entre 1916 e 1927, continuando até hoje. Este mesmo autor cita que em 1947, Einar Lea, pesquisador norueguês, desenvolveu a marca que traz o seu nome, conhecida como marca hidrostática de "Lea". Pelas suas excelentes características, acabou sendo adotada por quase todos os países que marcam peixes experimentalmente. No Brasil, foi introduzida em 1954 por Godoy, iniciando os primeiros trabalhos de marcação de peixes na América do Sul. Jones (1979), em seu trabalho indica uma técnica modificada para aplicação da marca de Lea”. Trabalhos desenvolvidos por Refstie (1975) em truta arco-íris, truta de mar e salmão, com marcas aplicadas na mandíbula, marcação a frio (nitrogênio líquido) e tatuagem, mostraram que o método melhor, mais rápido e barato para salmonídeos foi o da marcação a frio. Ainda Godoy (1972 b), trabalhando nos rios Pardo, Grande e Mogi-Guaçu com diversas espécies de Characoidei e Siluroidei, marcou 27.000 peixes entre os anos de 1954 e 1963, com uma percentagem de devolução das marcas de 10,12%, entre 1954 e 1971. Não se constatou na literatura registros, no Brasil, de trabalhos sobre marcação de peixes para soltura em reservatórios realizados com espécimes produzidos em estações de Hidrobiologia e Aquicultura, mediante a utilização de processos artificiais. Objetivando conhecer o padrão de movimento e migração, reprodução e crescimento de espécimes de Colossoma mitrei (pacu-guaçu) nesse reservatório, espécie outrora abundante no rio Tietê e de grande expressão econômica e social nesse e em outros rios da bacia do Paraná-Uruguai (Chabalin, 1986), foi implantado o projeto de marcação e captura da espécie. mitrei. - Aplicação da marca hidrostática em CL. Figura 1 Figura 2 - Exemplar de C. mitrei com a marca aplicada. Os exemplares marcados foram soltos em seis diferentes pontos do reservatório, selecionados em função da facilidade de acesso e da presença de áreas teoricamente adequadas à alimentação dos peixes. Metade dos pontos localizam-se no corpo do reservatório (Barragem, Porto de Areia e Sabino) e o restante, em 3 tributários (Dourado, Barra Mansa e Fartura) (Fig. 3). A Tabela 1 mostra o númro de peixes soltos por ponto de peixamento. Tabela 1 - Número de peixes marcados, soltos por local selecionado no reservatório da UHE Mário Lopes Leão, de 08 a 11 de abril de 1986. Local de soltura Barragem Porto de Areia Sabino Barra Mansa Dourado Ubarana A captura foi efetuada por pescadores amadores e profissionais da região, mediante a utilização de anzóis e redes de espera, conforme consta das informações obtidas. Para o recebimento das informações solicitadas, realizou-se ampla divulgação do trabalho através de cartazes, jornais e rádio, além do contato direto com pescadores profissionais. 3. Resultados e Discussão Foram recuperadas até abril de 1988, 205 marcas contendo informações completas sobre data, local de captura, peso e comprimento dos peixes, correspondendo a aproximadamente 5% de retorno. Entretanto, destas, poucas geraram dados de peso e comprimento confiáveis, provavelmente em virtude da baixa precisão obtida na tomada dos dados biométricos. Godoy (1975) relata um percentual de devolução de marcas de 22,2% para Myloplus asterias (pacu-prata), cujos exemplares foram marcados pelo referido pesquisador no rio Mogi-Guaçu, Cachoeira de Emas, entre 1954 e 1958. Ainda Godoy (1979) trabalhando com a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) na bacia amazônica, marcou 9.295 indivíduos com a marca do tipo *anchor-tag", tendo obtido 0,67% de marcas devolvidas. Os resultados gerais sobre o número de peixes marcados e capturados por local estão resumidos na Tabela 2. Tabela 2 - Número de peixes marcados e capturados, por margem e local, na área do reservatório da UHE Mário Lopes Leão. Tributários Nº. Peixes Total (4) Rio Jacaré 1 Rib. dos Bagres 2 Rio Barra Mansa 37 Rio Cubat3o 16 Rib. Borá 3 Rib. Cervinho 25 Rib. do Cervo Grande 7 i Rio Turvo 4 Rib. Três Pontes 6 Rib. dos Porcos 1 117 (57,07%) Dutros locais Adolfo 1 Lago das Garças 3 N. Horizonte 1 Rio Morto (foz) 5 Porto Ferrão 7 Porto do Governo 5 Esp. Santo Borba 4 Cambaratiba 3 29 (14,14%) Rio Dourado Barreirinho Rio Iracema Bacuriti Rib. Cervão Rib. Sucuri Rio Batalha 34 (16,58%) Dutros locais Rio Dourado (foz) Uru Rio Batalha (foz) Sabino Rib, Ponte Alta (foz) Rio Doce (foz) Rio Cateto (foz) Barragem Ibitinga 25 (12,19%) 59 (28,78%) 205 10 pts Pa ! 4 ) aa Bars DA vd à . 4 ] Figura 4 - Vegetação ciliar do rio Barra Mansa, tributário do reservatório da UHE Mário Lopes Lego. Figura 5 - Alagadiço marginal do rio Dourado, tributário do reservatório da UHE Mário Lopes Lego. 12 Com relação às datas e locais de captura dos peixes, pôde-se observar uma grande mobilidade e velocidade de locomoção dos espécimes, considerando-se que os mesmos nasceram em cativeiro e permaneceram confinados em tanques sob densidades não ideais, por alguns anos. Assim, foi observado que um exemplar marcado em 11.04.86, no local Barragem, foi capturado 5 dias depois no ribeirão dos Porcos, distante 100 km. Outro, marcado em 08.04.86 no local Sabino, foi capturado 4 dias depois no rio Batalha, aproximadamente 50 km distante do ponto de soltura. Ainda outro peixe, marcado em 09.04.86, em Ubarana, foi pescado 22 dias depois junto à Barragem de Ibitinga, tendo percorrido uma distância de aproximadamente 110 km. Godoy (1975) comprovou o hábito migratório dessa espécie, em exemplares não marcados, conhecendo apenas o local de soltura (involuntária) - Estação de Piscicultura de Limoeiro, SP e o local de captura, próximo à cidade de Porto Ferreira. Assim, segundo o autor, os exemplares percorreram 284 km entre Limoeiro e a foz do rio Pardo, além de 204 km entre a foz do rio Mogi- Guaçu e o local da pesca (Porto Ferreira), totalizando 488 km. Em Promissão, observou-se que a maioria das capturas ocorreram entre abril e maio de 1985, imediatamente após a soltura, possivelmente em razão do maior esforço de pesca dispendido por pescadores amadores e profissionais, desejosos de capturar exemplares da espécie, e também pelo fato de os peixes criados em tanques, possivelmente terem ficado inicilamente desorientados no reservatório quanto à busca de alimento e abrigo, tornando-se presa fácil. A Tabela 3 apresenta os dados das marcas recuperadas e que apresentaram menos distorções, podendo-se observar, contudo, crescimentos irreais, seguramente consequência de erros praticados na obtenção das medidas de comprimento e peso. De qualquer modo, fica evidente que os peixes mostraram crescimento normal, tendo portanto conseguido adaptar-se ao novo ambiente formado pelo reservatório. Isto, possivelmente seja explicado pelo fato da espécie apresentar regime alimentar bastante elástico, e ter migrado em direção aos tributários, onde, provavelmente, obteve alimento com maior facilidade, pois nestes ambientes, ocorre maior disponibilidade de folhas, frutos etc, do que no corpo do reservatório. 13 A idéia de que a maioria das espécies de peixes de água doce são oportunistas, foi evidenciada por Larkin (1956). Segundo este pesquisador, ambientes de água doce geralmente oferecem poucas oportunidades para especialização nos peixes. Em consequência, muitas espécies possuem uma larga tolerância a tipos de hábita e uma certa flexibilidade nos hábitos alimentares. Godoy (1975), referindo-se ao escape de exemplares de C. mitrei de tanques da Estação de Piscicultura de Limoeiro, rio Pardo, SP, em 1966, peixes estes procedentes da Lagoa São Paulo, rio Paraná, cita a captura de exemplares a partir de 1970 no rio Mogi-Guaçu, Cachoeira de Emas, com pesos variando de 3 a 7 kg, embora não cite os pesos dos peixes quando tiveram acesso ao rio Pardo. Até abril de 1988 não foi constatada a reprodução dos peixes marcados no reservatório, uma vez que não foram capturadas fêmeas marcadas em estádios avançados de maturação gonadal, e nem formas jovens (larvas ou alevinos). Nesse sentido, deve ser registrado que nos primeiros meses dos anos de 1986, 1987 e 1988, a CESP introduziu experimentalmente alevinos de Cc. mitre no reservatório de Promissão, com comprimentos totais entre 5 e 10 cm, totalizando aproximadamente 800.000 indivíduos. Como as populações naturais da espécie nesse rio praticamente desapareceram após os barramentos, fato comprovado pela pesca amadora e profissional, e a primeira maturação gonadal para fêmeas em condições de vida livre ocorre no terceiro ano de vida (Ferraz de Lima, 1984; Romagosa, 1990), suplem-se que os peixes oriundos das introduções não tenham se reproduzido até abril de 1988, permitindo assim maior segurança quanto ao quadro reprodutivo obtido para os peixes marcados. Outros trabalhos de marcação com esta espécie neste reservatório deverão ser implementados, objetivando-se a obtenção de maiores informações. 4. Conclusões a) Houve preferência dos peixes pelos tributários da margem direita; b) A espécie apresentou crescimento, exibindo certa readaptação às novas condições de reservatório; c) Os peixes marcados mostraram grande mobilidade e velocidade de locomoção, mesmo nascidos em cativeiro; 15 d) Não foi constatada a reprodução dos peixes marcados reservatório, até abril de 1988. 5. Bibliografia CHABALIN, E., LIMA, J.A.F. A pesca no pantanal de Mato Grosso (rio Cuiabá: importância econômica das pescarias). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOLOGIA, 13., Cuiabá, 1986. Anais ... Cuiabá: FUFMT, 1986. p. 140. FERRAZ DE LIMA, J.A. A pesca no pantanal de Mato Grosso (rio Cuiabá: movimento cíclico dos peixes). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOLOGIA, 13., Cuiabá, 1986. Anais ... Cuiabá: FUFMT, 1986. p. 141. FERRAZ DE LIMA, J.A. et al. Período de reprodução, tamanho e idade de primeira maturação gonadal do pacu, Colossoma mitrei, em ambiente natural (rio Cuiabá: Pantanal de Mato Grosso). In: SIMPOSIO BRASILEIRO DE AQUICULTURA, 3., São Carlos, 1984. Anais ... São Carlos: UFSCar, 1984, p. 477 - 497. =annnnn nono . A pesca no pantanal de Mato Grosso (rio Cuiabá: importância dos peixes migradores). Acta Amazonica, n.16/17, p. 87-94, 1986/1987. GODOY, M.P. Migrações dos peixes - marcação. In: USP. Faculdade de Saúde Pública. Poluição e piscicultura. São Paulo: CIBPU, 19723. p. 147-153. =esannnooo oo . Marcação e migração da piramutaba Brachyplatystoma vaillantii (VAL., 1840) na Bacia Amazônica (Pará e Amazonas), Brasil. (pisces, nematognathi, pimelodidae). B. Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, Belém, n.11, p. 1-21, 1979. Brazilian tagging experiments, fishes migration and upper Paraná river basin eco-system. R. Brasileira de Biologia v.32, n.4, p. 473-484, 1972b. nm midi ss E Rs ad - Peixes do Brasil: subordem Characoidei; bacia do rio Mogi-Guaçu. Piracicaba: Franciscana, 1975. 4v. JONES, R. Materials and methods used in marketing experiments in fishery research. 1979. 134p. (FAO - Fisheries Technical Paper, n. 190). LARKIN, P.A. Interspecific competition and population control in fresh water fish. J. Fish. Res. Bd. Canada, v. 13, n. 3, p. 327-42, 1956. no 16