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Materiais Cerâmicos: Propriedades, Fabricação e Aplicações, Trabalhos de Mecânica dos Materiais

processos de fabricação, aplicações, tratamento térmico

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 10/11/2020

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ - UFPA
INSTITUTO DE TECNOLOGIA - ITEC
FACULDADE DE ENGENHARIA NAVAL - FENAV
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
ALLACE SANCHES DA SILVA
DÉBORA SALES PINHEIRO
FELIPE VÉRAS DIAS
LUCAS YAGO OLIVEIRA NEVES
JOSÉ MIRANDA DE OLIVEIRA NETO
MATHEUS FAZZI DE MELO
MATERIAIS CERÂMICOS
BELÉM/PA
2019
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ - UFPA

INSTITUTO DE TECNOLOGIA - ITEC

FACULDADE DE ENGENHARIA NAVAL - FENAV

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA

ALLACE SANCHES DA SILVA

DÉBORA SALES PINHEIRO

FELIPE VÉRAS DIAS

LUCAS YAGO OLIVEIRA NEVES

JOSÉ MIRANDA DE OLIVEIRA NETO

MATHEUS FAZZI DE MELO

MATERIAIS CERÂMICOS

BELÉM/PA

2019

MATERIAIS CERÂMICOS

Trabalho apresentado para a disciplina Materiais

de Construção Mecânica, no curso de

bacharelado em Engenharia Naval, da

Universidade Federal do Pará – UFPA.

Prof. Dr. Jorge Teófilo de Barros Lopes.

BELÉM/PA

2019

  • 1 – INTRODUÇÃO
  • 1.1 – DEFINIÇÃO
  • 1.2 – TIPOS DE CERÂMICA
    1. 3 – ASPECTOS HISTÓRICOS................................................................................
  • 2 – VANTAGENS E DESVANTAGENS......................................................................
  • 3 – CLASSIFICAÇÃO
  • 3.1 – CERÂMICA VERMELHA E CERÂMICA BRANCA
  • 3.2 – MATERIAIS DE REVESTIMENTO
  • 3.3 – MATERIAIS REFRATÁRIOS...........................................................................
  • 3.4 – ISOLANTES TÉRMICOS
  • 3.5 – FRITAS E CORANTES
  • 3.6 – ABRASIVOS
  • 3.7 – VIDRO.............................................................................................................
  • 3.8 – CIMENTO
  • 3.9 – CERÂMICA DE ALTA TECNOLOGIA
  • 4 – PROPRIEDADES GERAIS
  • 4.1 – BIOCOMPATIBILIDADE
  • 4.2 – RESISTÊNCIA AO DESGASTE
  • 4.3 – RESISTÊNCIA MANCHAS..............................................................................
  • 4.4 – RESISTÊNCIA A CORROSÃO
  • 4.5 – RESISTÊNCIA AO ATAQUE QUÍMICO
  • 4.6 – IMPERMEABILIDADE
  • 4.7 – CONDUTIVIDADE TÉRMICA
  • 5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS
  • 5.1 – FRATURA FRÁGIL
  • 5.2 – COMPORTAMENTO TENSÃO-DEFORMAÇÃO
  • 5.2.1 – RESISTÊNCIA A FELXÃO
  • 5.2.2 – COMPORTAMENTO ELÁSTICO
  • 5.2.3 – MECANISMO DE DEFORMAÇÃO PLÁSTICA
  • 5.3 – CERÂMICAS CRISTALINAS
  • 5.4 – CERÂMICAS NÃO CRISTALINAS
  • 5.5 – INFLUÊNCIA DA POROSIDADE
  • 5.6 – DUREZA
  • 5.7 – FLUÊNCIA
  • 6 – PROCESSO DE FABRICAÇÃO DE MATERIAIS CERÂMICOS
  • 6.1 – FABRICAÇÃO DE VIDROS
  • 6.1.1 – CONFORMAÇÃO.........................................................................................
  • 6.1.2 – TRATAMENTO TÉRMICO
  • 6.1.2.1 – RECOZIMENTO
  • 6.1.2.2 – TÊMPERA DO VIDRO
  • 6.1.3 – VITROCERÂMICOS
  • 6.2 – FABRICAÇÃO DE MATERIAIS CERÂMICOS PARTICULADOS
  • 6.2.1 – CONFORMAÇÃO HIDROPLÁTICA
  • 6.2.2 – FUNDIÇÃO POR SUPENSÃO
  • 6.2.3 – SECAGEM E COZIMENTOS
  • 6.2.3.1 – SECAGEM
  • 6.2.3.2 – COZIMENTO.............................................................................................
  • 6.2.4 – PRENSAGEM DO PÓ
  • 6.2.4.1 – UNIAXIAL
  • 6.2.4.2 – ISOSTÁTICO
  • 6.2.4.2 – PRENSAGEM A QUENTE
  • 6.2.5 – PRENSAGEM EM FITA
  • 6.3 – FABRICAÇÃO DE CIMENTOS
  • 7 – APLICAÇÕES
  • 7.1 – INDÚSTRIA BIOQUÍMICA...............................................................................
  • 7.2 – INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA
  • 7.3 – INDÚSTRIA MECÂNICA
  • 7.4 – INDUSTRIA TERMONUCLEAR
  • 8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 – INTRODUÇÃO

1.1 – DEFINIÇÃO

Os materiais cerâmicos são todos os materiais inorgânicos e não metálicos que

consistem em compostos que são formados entre elementos metálicos e não-

metálicos, para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são

predominantemente iônicas com alguma natureza covalente, na maioria das vezes

eles consistem em óxidos, nitretos e carbetos. O termo “cerâmica” vem da palavra

grega keramikos, que significa “matéria prima queimada”, indicando que as

propriedades desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um

processo de tratamento térmico em altas temperaturas.

As argilas são a matéria-prima principal da cerâmica, e sua definição de acordo

com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), são compostas por

partículas coloidais de diâmetro inferior a 0,005 mm, com alta plasticidade quando

úmidas e que, quando secas, formam torrões desagregáveis pela pressão dos dedos.

Podem ser definidas quimicamente como silicatos de alumínio hidratado, na sua forma

pura. Além, de serem ingredientes muito baratos, encontrado naturalmente e em

grande abundancia, sem qualquer melhoria na sua qualidade.

1.2 – TIPOS DE CERÂMICA

Nos últimos cinquenta anos os materiais mais importantes que se enquadram

nessa definição eram conhecidos por “cerâmicas tradicionais”, e eram aqueles para

os quais a matéria prima era argila; os produtos considerados cerâmicas tradicionais

são a louça, a porcelana, os tijolos, as telhas e os azulejos e, ainda, os vidros e as

cerâmicas de alta temperatura. Recentemente, com o aumento da tecnologia ocorreu

um processo significativo em relação a compreensão da natureza fundamental desses

materiais e dos fenômenos que ocorrem neles e que são responsáveis pelas suas

propriedades únicas. Consequentemente, uma nova geração desses materiais foi

desenvolvida com novos conceitos de fabricação e caracterização por meio de

matérias primas sintéticas puras que apresentam qualidades superiores. Assim a

cerâmica ganhou outro tipo além dos tradicionais que foi as “cerâmicas avançadas”

que são utilizadas nas mais diversas áreas: bioquímica: em implantes dentários e

substituição de ossos; eletroeletrônica: em sensores, sonares, supercondutores e

capacitores; mecânica: em ferramentas de corte, membranas; ótica: em fibras óticas,

Na China e no Egito, por exemplo, a utilização da cerâmica remonta a mais de

cinco mil anos. Nas tumbas dos faraós do Antigo Egito, vários vasos de cerâmica

continham vinho, óleos e perfumes para fins religiosos.

No Brasil, a cerâmica tem seus primórdios na Ilha de Marajó. A cerâmica

marajoara aponta à avançada cultura indígena que floresceu na ilha. Estudos

arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, que

indica ter sido criada na região amazônica por volta de cinco mil anos atrás.

Dessa forma, cada civilização e cada cultura desenvolveram formas e

características próprias no uso do barro, de tal modo que o exame da cerâmica é um

dos maiores auxiliares na pesquisa histórica.

2 – VANTAGENS E DESVANTAGENS

Devido suas características especificas que diferenciam a cerâmica de outros

materiais ela possui algumas vantagens como a de ser mais resistente a altas

temperaturas e ambientes agressivos do que os metais e polímeros, mais leve que o

metal, além de causar um impacto ambiental muito menor, ele é um ótimo isolante

térmico dispensando em muitos casos o uso de refrigeração. Depois de analisar todas

essas vantagens porque, por exemplo, não se investi em materiais cerâmicos na

construção de motores de cerâmica ao invés dos metálicos? O grande problema é

que os materiais cerâmicos possuem uma grande desvantagem, pode-se até dizer

que é o seu “Calcanhar de Aquiles”, que é ela não se deforma num choque como um

metal, devido a sua baixa tenacidade e baixa resistência a fratura, ou seja, é inviável,

por exemplo, construir um motor cerâmico que no primeiro choque quebre, porém

estão sendo feitas pesquisas para solucionar essas dificuldades e assim fomentar o

uso da cerâmica nas mais diversas áreas.

Outro ponto muito importante quando relacionado a cerâmica avançada é seu

ponto negativo de ter um preço elevado, pois para atingir as elevadas propriedades a

qual destina, é processada com matérias primas sintéticas e relativamente caras. Os

equipamentos de processo também são mais sofisticados e trabalham em condições

mais críticas, como altas temperaturas (pode-se chegar a temperaturas de processo

de 1850 C ou mais, como para alumina translúcida, nitreto de silício e SiC). Assim,

existe um maior custo envolvido para produção destes materiais, entretanto o valor

agregado deles é muito superior ao da cerâmica tradicional.

3 – CLASSIFICAÇÃO

O campo dos materiais cerâmicos é muito amplo e diversificado, o que acaba

levando a necessidade de dividi-lo em vários subconjuntos, que variam desde as

matérias primas, tipo de fabricação, modo de utilização e suas propriedades.

Podemos então dividir a gama dos materiais cerâmicos principalmente em: Cerâmica

vermelha, Materiais de revestimento (Placas cerâmicas), Cerâmica branca, Materiais

refratários, isolantes térmicos, fritas e corantes, Abrasivos, vidro cimento e cal,

Cerâmica de alta tecnologia (cerâmica avançada).

3 .1 – CERÂMICA VERMELHA E CERÂMICA BRANCA

A cerâmica vermelha compreende os materiais cerâmicos de cor avermelhada,

muito empregados na construção civil como tijolos (Figura 1), tubos cerâmico, blocos,

telhas, elementos vazados e etc. Lajotas também podem ser classificadas neste grupo

apesar de estarem mais bem representadas como materiais de revestimento, portanto

podemos dividir os materiais de cerâmica vermelha em dois grupos os de massa

porosa: tijolos, telhas e etc. E os semi vitrificados: lajotas, ladrilhos e etc. Quando nos

referimos à matéria prima os materiais de cerâmica vermelha utilizam argila comum

na sua composição, com um tipo de massa denominada como monocomponente, ou

seja, apenas argila, principalmente por ela apresentar um grau de elasticidade que

permite o seu molde quando ainda úmida, que é reduzido quando ela está seca e

perdido quando o material é aquecido, essas características são o principal motivo

para sua utilização como matéria-prima, pois permite que o material seja moldado

quando ainda está úmido e garante a resistência mecânica do material apões sua

queima.

Figura 1 : Fotografia de D&D Moura - comércio de materiais para construção.

3. 3 – MATERIAIS REFRATÁRIOS

A principal finalidade deste grupo dos materiais cerâmicos é suportar elevadas

temperaturas nas condições específicas de cada processo e de operações de

equipamentos industriais, que geralmente envolvem ataques químicos, esforços

mecânicos e variações bruscas na temperatura. Para que suportem estas mudanças

bruscas de temperaturas os materiais refratários devem ser quimicamente,

fisicamente, mecanicamente e dimensionalmente estáveis, para que eles não

trinquem e também devem ter um baixo condutividade térmica para que possa manter

o calor em uma determinada região. Este tipo de matéria é muito utilizado em fornos

e estufas (Figura 3 ).

Figura 3 : Travessa de forno cerâmica- Adaptação de Lfenza.com.

3. 4 – ISOLANTES TÉRMICOS

Neste segmento são considerados os materiais isolantes não refratários, que

dependo de sua composição podem ser trabalhados em temperatura bem elevada,

mas não maiores que 1100℃. Além das fibras ou lãs cerâmicas que apesar de

possuírem características semelhantes aos outros materiais do grupo, elas podem

atingir temperaturas maiores, até 2000℃, como as indústrias de metalurgia, química,

siderurgia e etc...

3. 5 – FRITAS E CORANTES

Estes dois produtos são muito importantes para materiais cerâmicos

principalmente para aqueles que necessitam de acabamentos. As fritas ou vidros

fritados é um vidro moído, que são fabricados a partir da fusão da mistura de diversas

matérias primas, e são aplicados na superfície dos materiais cerâmicos após sua

queima, adquirindo o aspecto vítreo, estes acabamentos servem para melhorar a

estética do produto final, impermeabilizar e aumentar a resistência mecânica das

peças cerâmicas. Já os corantes são compostos por óxidos puros ou pigmentos

inorgânicos sintéticos, obtidos a partir da mistura de óxidos e seus componentes, sua

obtenção exige a mistura de matérias primas, moagem e calcinação. Os corantes são

adicionados aos esmaltes (vitrados) ou aos próprios materiais cerâmicos para que

estes apresentem uma cor ou tonalidade específica.

3. 6 – ABRASIVOS

Segundo o SINAESP (Sindicato da Indústria de Abrasivos dos Estados de São

Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Paraná, Santa Catarina e

Pernambuco) os materiais abrasivos podem ser divididos em três categorias,

abrasivos em grãos, lixas e abrasivos de ligas. Os grãos abrasivos são obtidos através

de minerais triturados, podem ser utilizados como matéria prima para lixas e abrasivos

de ligas, mas podem ser trabalhados isoladamente em processos de polimento e

lapidação, sendo que são conhecidos por possuírem características como dureza,

tenacidade e friabilidade. Já as lixas (Figura 4 ) são também conhecidas como

abrasivos flexíveis e são constituídos por grãos abrasivos depositados em um costado

flexível (tecido, papel, fibras vulcanizadas) unidos por um adesivo (colas ou resinas).

Os abrasivos em ligas são constituídos por uma mistura que contém um material

aglomerante e grãos abrasivos, o elemento aglomerante pode ser de origem mineral

formando assim ligas “vitrificadas” quando aquecidos em altas temperaturas ou de

ligas frias quando não são levados ao forno, ou de origem orgânica ou resinas

sintéticas produzindo ligas “resinoides” ou “orgânicas”.

Figura 4 : Lixa abrasiva adaptação de MontVerde.

Figura 5 : Cerâmica de alta tecnologia usada em motores de jatos.

4 – PROPRIEDADES GERAIS

Os materiais cerâmicos possuem algumas características intrínsecas a eles, as

quais são de fundamental importância para compreender os esses materiais na sua

totalidade.

4 .1 – BIOCOMPATIBILIDADE

Os materiais cerâmicos podem ser divididos em bioinertes e bioativos, apesar

de nenhum material ser totalmente inerte dentro do corpo humano já que apesar de

tudo eles provocam uma reação mesmo que seja a mais mínima possível no corpo do

hospedeiro. Os materiais cerâmicos são muito utilizados em equipamentos e

dispositivos médicos principalmente auxiliando nos processos de próteses dentarias

(Figura 7) e de artroplastias, que é quando uma artéria entupida, danificada ou

comprometida por alguma doença precisa ser substituída por uma prótese. A

cerâmica industrial apresenta uma importante solução para estes problemas

principalmente por características inerentes: seu desgaste mínimo ao longo de sua

utilização e sua excelente biocompatibilidade, por se tratar de um material inerente a

cerâmica apresenta alta compatibilidade com tecidos superiores e não causam

reações alérgicas por não produzirem reações ao corpo graças as suas fortes ligações

químicas. Os materiais cerâmicos bioinertes apresentam uma resposta mínima na

interface, resultando na não ligação ou rejeição do tecido seus principais

representantes são alumina (α-Al2O3), zircônia (ZrO2) e dióxido de titânio (TiO2). Já

a cerâmica bioativa é um termo mais correto e aceito, são aqueles materiais que

induzem a atividade biológica, podendo ser uma atividade induzida para uma

determinada função ou benefício seus principais representantes são hidroxiapatita

[Ca10(PO4)6(OH)2], o fosfato tricálcico [Ca3(PO4)2] e os biovidros. Uma das

desvantagens na utilização de materiais biocerâmicos é a diminuição da resistência,

o que restringiria a sua aplicabilidade apenas a regiões com pouca tensão sem o

requerimento de sustentação, uma forma de contornar essa situação é a utilização de

metais revestidos por cerâmicas com a técnica plasma spray (Figura 7).

Figura 6 : Prótese dentária de cerâmica - Adaptado de Laboratórios Jalson prótese dentária.

Figura 7 : Técnica plasma

4 .2 – RESISTÊNCIA AO DESGASTE

Materiais cerâmicos se destacam também principalmente pela sua grande

resistência ao desgaste, fato que se torna muito mais visível quando falamos a

respeito da resistência a manchas, resistência a corrosão e resistência aos ataques

químicos, o que torna esses materiais conhecidos por manter suas características em

condições normais.

4 .6 – IMPERMEABILIDADE

Todo material cerâmico apresenta porosidade em sua composição, este fator

está intimamente ligado com a sua impermeabilidade, pois quanto menor a porosidade

do material menor será a sua capacidade de absorver água, ou seja, mais

impermeável ele é, fato esse que acaba melhorando outras características técnicas

do material, principalmente sua resistência mecânica. Os materiais cerâmicos

atualmente estão divididos em cinco categorias de acordo com a sua taxa de absorção

de água. Os porcelanatos são os materiais com maior impermeabilidade, portanto

absorvem menos água que os demais, possuem um teor de absorção de 0% a 0,5%

sendo classificados como materiais BI a (Figura 8 ), e apresentam uma boa resistência

mecânica. Os Grês classificados como BI b são considerados ainda como uma baixa

absorção de água e seu grau de absorção está entre 0,5% e 3% o que lhes garante

ainda uma boa resistência mecânica. Os semi-grês possuam uma absorção média e,

portanto, uma resistência mecânica média, seu grau de absorção está entre 3% e 6%,

classificados como BII a. Os materiais semi-porosos apresentam uma alta taxa de

absorção entre 6% e 10% o que lhes conferi uma baixa resistência mecânica,

classificados como BII b. Os materiais porosos são os que apresentam a menor

impermeabilidade, sendo aqueles que possuem uma taxa de absorção de água acima

de 10% o que lhes confere uma baixa resistência mecânica, classificados com BIII.

Figura 8 : Adaptação de Saint-Gobain

4 .7 – CONDUTIVIDADE TÉRMICA

Os materiais cerâmicos são amplamente utilizados em atividades que

requerem altas temperaturas por isso suas características térmicas como: calor

especifico, condutividade e expansão são muito importantes. Este material apresenta

vantagens em altas temperaturas quando comparados com materiais metálicos, por

exemplo, apresentando um alto ponto de fusão, baixa condutividade térmica e baixa

reatividade em altas temperaturas, e por isso é amplamente usado na indústria. A

condutividade térmica está relacionada com a facilidade que o material tem em

transferir calor. Os três principais mecanismos que transportam o calor são: a

transmissão por elétrons, a transmissão por fônons e a transmissão por radiação.

5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS

Por apresentarem, em alguns aspectos, propriedades mecânicas inferiores aos

metais, os materiais cerâmicos acabam tendo uma aplicabilidade limitada. Ademais,

a principal desvantagem no que tange este assunto é a disposição a uma fratura de

um modo frágil, com baixa absorção de energia.

5 .1 – FRATURA FRÁGIL

Na maioria dos casos, tanto as cerâmicas cristalinas quanto as não cristalinas

sofrem fratura antes de qualquer deformação plástica quando submetidas a aplicação

de uma carga de tração, em temperatura ambiente. É valido ressaltar que o processo

de fratura frágil pode ser caracterizado pela fomentação e propagação de trincas por

meio da seção reta do material em questão, com uma direção perpendicular a carga

que está sendo aplicada. Nas cerâmicas cristalinas, o crescimento da trinca se dá por

meio dos grãos e também, dos planos cristalográficos, que possuem elevada

densidade atômica.

A existência de defeitos muito pequenos e onipresentes nos materiais, que

servem como fatores de concentração de tensão, isto é, locais onde a magnitude de

uma tensão de tração que é aplicada é maximizada, é a explicação para a resistência

a fratura dos materiais cerâmicos ser consideravelmente menor que a sua estimativa

teórica, através da teoria da força das ligações interatômicas. Além disso, esse grau

de maximização dependerá de dois fatores: o comprimento da trinca e o raio de

curvatura da extremidade da trinca, sendo mais elevado em defeitos longos e

pontiagudos.

As microtrincas, os poros internos e a arestas de grãos são considerados

concentradores de tensões que são impossíveis de serem eliminados. Ademais, até

mesmo as trincas de superfície introduzidas pela atmosfera em fibras de vidro

5 .2 – COMPORTAMENTO TENSÃO-DEFORMAÇÃO

5 .2.1 – RESISTÊNCIA A FELXÃO

Em cerâmicas frágeis o comportamento tensão-deformação não é, em geral,

avaliado por ensaio de tração. Isso ocorre devido a três fatores: difícil preparo de

amostras que tenham a geometria exigida, é difícil prender e segurar materiais frágeis

sem fraturá-los e também, as cerâmicas falham após uma deformação de apenas

aproximadamente 0,1%. Assim, é exigido que os corpos de prova estejam

perfeitamente alinhados para evitar tensões de dobramento ou flexão, que não são

facilmente calculadas.

Desse modo, é aplicado, na maioria das vezes, ensaio de flexão transversal,

pois é mais adequado para tais casos, no qual um corpo de prova na forma de uma

barra (com seção reta circular ou retangular) é flexionado até sua fratura, utilizando

uma técnica de carregamento em três ou quatro pontos.

No ponto de carregamento, a superfície superior do corpo de prova é colocada

em um estado de compressão, enquanto a superfície inferior encontra-se em tração.

A tensão é calculada a partir da espessura do corpo de prova, do momento fletor e do

momento de inércia (Figura 9). A tensão de tração máxima, pelas expressões de

tensão, existe na superfície inferior do corpo de prova, diretamente abaixo do ponto

de aplicação da carga.

Assim, uma vez que os limites de resistência à tração dos materiais cerâmicos

equivalem aproximadamente 1/10 das suas resistências à compressão e uma vez que

a fratura ocorre na face do corpo de prova que está sendo submetido a tração, o

ensaio de flexão é um substituto razoável para o ensaio de tração.

Figura 9 : Adaptado

CALLISTER, 5ª ed.

Um esquema de carregamento em três pontos para medição do

comportamento tensão-deformação e da resistência à flexão de materiais cerâmicos

frágeis, incluindo expressões para calcular a tensão no caso de seções retas

retangulares e circulares.

A tensão no momento da fratura no ensaio de flexão é conhecida por resistência

à flexão, módulo de ruptura, resistência à fratura ou resistência à dobra e é um

importante parâmetro mecânico para materiais frágeis. Para seção reta retangular e

circular, à resistência à flexão, 𝜎

𝑟𝑓

é igual a, respectivamente:

𝑟𝑓

𝑓

3

𝑟𝑓

𝑓

2

Ff – Representa a carga no momento da Fratura

L – Representa a distância entre os pontos de suporte

Uma vez que durante a flexão, um corpo de prova está sujeito tanto a tensões

compressivas como trativas, a magnitude de sua resistência à flexão é maior do que

a pôr tração. Além disso, 𝜎

𝑟𝑓

dependerá do tamanho do corpo de prova. Com o

aumento do volume do corpo de prova, sob tensão, existe um aumento na severidade

do defeito e, consequentemente, uma diminuição na resistência á flexão.

Figura 10 : Valores característicos para a resistência a flexão de vários materiais cerâmicos – Adaptado

CALLISTER, 5ª ed.