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Polímeros na Construção Civil
Tipologia: Trabalhos
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Prof. Franco Amado
Ilhéus - BA Novembro – 2007
PROGRAMA DE AULA
9.1 Tensão x deformação 9.2 Temperatura na Tensão x Deformação 9.3 Cristalinidade na Tensão x Deformação
12.1 Termoplásticos 12.2 Termorrígidos 12.3 Elastômeros 12.4 Fibras
13.1 Filmes 13.2 Espumas 13.3 Adesivos
1832 Polímeros compostos de PM múltiplos em contraposição a isômero
Berzelieus
1920 Aceitação da existência de macromoléculas Staudinger
1920-1930 * grupos terminais e propriedades físicas x PM
Carothers
1937 Elucidou o mecanismo de polimerização em cadeia
Flory
1955 Existência de estereorregularidade na cadeia de polímeros vinílicos
Natta
tempos remotos
utilização da borracha natural 1839 * vulcanização da borracha
No quadro a seguir são apresentadas as datas aproximadas da introdução de alguns polímeros comerciais:
1870 Nitrato de celulose Aro de óculos 1909 Fenólicos Peça de telefone 1909 Fenólicos moldados a frio Peça de aquecedor elétrico 1919 Caseína Agulha de tricotar 1919 Poli(acetato de vinila) Adesivos 1926 Alquídicas Suporte para artigos elétricos 1926 Anilina formaldeído Terminais 1927 Acetato de celulose Produtos moldados 1928 Uréia Suporte para iluminação 1931 Acrílicos Cabos de escovas, embalagens transparentes 1935 Etil celulose Suporte para flash 1936 Poli(cloreto de vinila) Capa de chuva 1938 Poli(acetato de vinila) Camada intermediária de vidro de segurança 1938 Polivinil butiral Vidro de segurança 1938 Poliestireno Artigos domésticos 1938 Acetato-butirato de celulose Adornos 1938 Poliamidas Fibras 1939 Poliamidas pós moldadem Engrenagens 1939 Melaminas Artigos de mesa 1939 Poli(cloreto de vinilena) Capas para assento de carro 1942 Carboneto de diglicol alila Chapas fundidas 1942 Polietileno Garrafas comprimíveis 1942 Poliésteres Plásticos reforçados para barcos 1943 Silicones Isolamento de motores 1943 Teflon Juntas 1945 Propionato de celulose Canetas 1947 Organose e plastificação de polivinila
Revestimentos, espumas
1947 Epoxies Compostos de potes e adesivos 1948 Acrilonitrila-butadieno-estireno Imitação de couro para malas 1948 Poli(clorotrifluoretileno) Juntas e acentos de válvulas 1953 Poliuretanos Chapas, espumas 1955 Poliuretanos Revestimentos 1957 Poli(metilestireno) Artigos domésticos 1958 Poliacrilamida Artigos domésticos 1958 Óxido de polietileno Embalagens
Os polímeros são macromoléculas constituídas basicamente de átomos de Carbono (C) e de Hidrogênio (H). Assim sendo o polímero é considerado um hidrocarboneto o qual pode ser classificado ainda de acordo com os tipos de ligações entre os átomos de carbono. Entretanto, às vezes é possível a presença de outros átomos ligados à cadeia polimérica como Oxigênio (O), Nitrogênio (N), Cloro (Cl) e Flúor (F). neste caso, deixamos de ter apenas hidrocarbonetos e conforme o tipo de ligação e a posição
2. Ramificados:
- homopolímero; polímero constituído de uma única unidade de monômero - copolímero: emprego de mais de um monômero
Tipos de copolímeros:
- a cristalinidade dos polímeros é diferente dos compostos de baixo PM pois existe em regiões da matriz polimérica e presentes junto com as regiões amorfas; - os domínios cristalinos não possuem a mesma forma regular de um cristal normal e estão inseridos na região amorfa sem nenhum limite da região cristalina e amorfa; - a estrutura cristalina pode ser especificada em termos de unidade de célula, parâmetro este bastante complexo. No exemplo que segue vemos o caso do PE e sua relação com a estrutura molecular da cadeia; - muitos polímeros cristalinos obtidos formam esferulitas que crescem de forma a tentar obter a forma esférica. Consistem em cadeias curvadas cristalinas que
formam lamelas de aproximadamente 10 nm entre um centro da curvatura e outro e que são separadas entre si por regiões amorfas como pode ser visto:
- ao contrário dos polímeros amorfos, os cristalinos são resistentes, rígidos, mais opacos, mais resistentes a solventes e possuem maior densidade; - sofrem fusão em uma faixa bastante estreita de T; - a tendência para cristalizarem implica em: - regularidade estrutural das cadeias; - livre movimento de rotação e vibração das cadeias; - presença de grupos específicos que produzem ligações intermoleculares laterais fortes com arranjamentos periódicos e regulares de tais grupos; - presença de substituintes volumosos espaçados irregularmente que inibem os segmentos de cadeia de se enquadrarem na rede cristalina e previnem os grupos ligantes laterais de se aproximarem.
- (^) consiste em um processo no qual unidades monoméricas bifuncionais são atacadas e reagem de modo a formar uma macromolécula linear; - a composição do produto restante é um múltiplo exato da unidade monomérica original; - Consistem nas etapas ( exemplo para o caso do PE): - Iniciação: I* + CH 2 =CH 2 → I-CH 2 -CH 2 *
ou
2 R-CH 2 -CH 2 * → RCH=CH 2 + RCH 2 CH 3
- consiste em um processo no qual encontram-se mais de um tipo de monômeros envolvidos; - em geral o PM do polímero obtido é baixo e sempre há eliminação de um resíduo de reação; - consiste em uma reação intermolecular que ocorre toda vez que uma unidade monomérica repetida é formada; - o tempo de reação é mais longo que para o caso da adição; - capazes de formar polímeros reticulados e rede de polímeros.
- observando-se a figura a seguir, conclui-se que à medida que a temperatura aumenta, ocorre uma diminuição drástica no valor do módulo de elasticidade, bem como um (lógica) diminuição na tensão de escoamento e aumento na deformação de escoamento. - a resistência mecânica é perdida acima da Tg para polímeros amorfos e acima da Tm para os cristalinos.
9.3 Cristalinidade na Tensão x Deformação
- o mecanismo de deformação plástica é melhor descrito pela interação entre as lamelas e pela intervenção da região amorfa em resposta a uma tensão aplicada; - pelo processo a seguir, pode-se observar: (a) duas regiões lamelares separadas por uma região amorfa, antes da deformação; (b) estágio inicial da deformação com deslizamentos das cadeias na forma lamelar, umas sobre as outras, enquanto há extensão da região amorfa; (c) nesta etapa ocorre a inclinação das lamelas a fim de que elas se alinhem com o sentido da tensão axial; (d) ocorre a separação em blocos cristalinos mas que permanecem ligados entre si por algumas cadeias; (e) tanto os blocos quanto as cadeias tornam-se orientados à tensão axial.
Pode-se concluir que a que a tensão de deformação sobre polímeros semicristalinos produz uma estrutura altamente orientada.
10 TEMPERATURA DE FUSÃO (Tm)
- ao contrário dos polímeros amorfos, os polímeros cristalinos fundem em uma faixa bem estreita e a temperatura é chamada temperatura de fusão cristalina Na tabela abaixo estão ilustradas Tg e Tm de alguns dos polímeros mais conhecidos:
O fator que mais afeta a Tm de polímeros é a simetria que é necessária para formação de regiões cristalinas estáveis pois requer fácil arranjo das cadeias num empacotamento em três dimensões e mudança favorável da energia interna durante o processamento. Quanto maior o grau de simetria, maior será a Tm.
12.1 TERMOPLÁSTICOS:
- grau moderado a alto de cristalinidade - ampla faixa de Tm e Tg - moderado a alto módulo - resistência e elongação - baixas densidades - grande escala de produção - facilidade de processamento - baixas temperaturas de processamento - boa fluência do material fundido - grande variedade de polímeros e de propriedades - permite o uso de cargas e reforços - baixos custos Exemplos de polímeros termoplásticos:
Poliolefinas Polietileno (PEAD e PEBD) Polipropileno (PP) Poli(1-buteno) Poli(4-metilpenteno) Copolímeros de etileno (PELBD) Blendas e ligas poliolefínicas Fluorpolímeros Poli(tetrafluoretileno ) (PTFE ou TEFLON ) Poli (clorotrifluoretileno) (PCTFE) Poli(fluorvinilideno) (PVDF) Copolímeros fluorados Poliésteres Poliésters alifáticos Poliésters aromáticos (PET, PBT) Policarbonatos (PC) Poliamidas Poliamidas alifáticas Poliamidas imidicas (PAI) Polimidas (PI)
Quando fala-se em elastômeros é importante salientar o processo de cura. Neste processo ocorre introdução de pontes ao acaso entre as cadeias dos polímeros de dienos, formando uma estrutura reticulada. As pontes formadas entre as cadeias poliméricas podem ser:
- pontes de dissulfetos - pontes de carbono - pontes com óxidos metálicos - pontes com substâncias orgânicas contendo enxofre na molécula.
A vulcanização é a reação entre ligas duplas de cadeias de dienos polimerizados. Quando borracha natural reage com 0,5 a 5% de enxofre, ela fica vulcanizada, parcialmente saturada, adquirindo a elasticidade típica da borracha. Quando reage com 32% de enxofre, transforma-se numa substância completamente saturada, dura, semelhante a um plástico, denominada Ebonite.
No quadro comparativo abaixo pode-se observar a diferença de propriedades apresentadas pela borracha natural (poli(isopreno)) antes e após vulcanização:
Resistência à tensão 300 3000 Elongação de ruptura (em %)
Deformação permanente Grande pequena
Rapidez de retração boa muito boa Absorção de água grande pequena
Resistência a hidrocarbonetos
solúvel entumesce
- alta resistência a deformação - alto módulo e resistência - altamente cristalino - cadeias polares com forças secundárias fortes - estiramento mecânico utilizado para aumentar a cristalinidade da fibra - resistência à abrasão e a ruptura - presença de módulo inicial ( resistência ao estiramento) - tenacidade (tração: 1 a 10 denier = m/9000m) - extensibilidade de 2 a 50% ( 20 a 200 denier) - PM relativamente alto - Cadeia simétrica com presença de emaranhamentos - Tg e Tm adequados - exemplos: fibras Kevlar, de carbono, têxteis (poliéster, nylon) - aplicação: indústria têxtil
No gráfico acima observa-se a variação do % de elongação com a tensão aplicada sobre a fibra Kevlar em função de sua preparação.
No gráfico acima observa-se a variação do % de elongação com a tenacidade da fibra Kevlar e de outras fibras.
13.1 FILMES
- pequena espessura (0,025 e 0,125 nm) - baixa densidade - alta flexibilidade - resistência ao rasgo - resistência a umidade e ao ataque químicos - baixa permeabilidade a gases (especialmente vapor d’água - exemplos: PE, PP, celofane, acetato de celulose... - aplicação: embalagens de alimentos, produtos têxteis...
13.2. ESPUMAS
- materiais plásticos, porosos, processados por expansão;
O equipamento utilizado é uma extrusora que pode ser dividida em três partes:
1. Acionamento: motor + redutor 2. Plastificação: aquecimento e refrigeração + parafuso de plastificação + cilindro de plastificação. 3. Conformação: é a matriz onde o polímero recebe a forma que se deseja.
Os produtos que podem ser obtidos são: mangueiras, tubos, chapas, calhas, perfis, filmes, garrafas, monofilamentos, fibras, isolamento de cabos elétricos, plastificação de tecidos.
- EXTRUSÃO POR SOPRO: processo de produção de peças ocas por meio de extrusão para conformação de um elemento tubular e de sopragem do tubo no estado plastificado dentro do molde, onde é refrigerado.
INJEÇÃO: processo descontínuo que consiste em :
- plastificar o material por meio de aquecimento e de energia mecânica e injetá-lo em um molde; - resfriar o material plastificado até sua solidificação dentro de um molde; - abrir o molde e extrair a peça solidificada.
A máquina injetora compõem-se de duas partes funcionais:
- (^) sistema de plastificação e injeção - sistema de movimentação e refrigeração do molde.
Por meio da injeção obtém-se peças complexas, dispensando a retirada de rebarbas e pós-usinagem, pintura ou outro tratamento superficial.
CONFORMAÇÃO:
1. Soldagem: acontece com polímeros termoplásticos que são aquecidos até a temperatura de fusão e posterior união das partes por pressão. Somente polímeros com temperaturas de fusão muito próximas é que podem ser solados entre si. 2. Colagem: é possível em polímeros termoplásticos com características polares (PVC, ABS, PS) através do uso de adesivos à base de resinas sintéticas. 3. Corte: através do uso de serras tais como as utilizadas para corte aço e de madeira, tendo-se o cuidado de evitar o superaquecimento das lâminas da serra. Se o termoplástico for reforçado com fibra de vidro, usam-se serras com diamantes.
4. Usinagem: é feita com torno e deve ser realizada usando ferramentas especiais, com ângulo de corte apropriado e velocidades tabeladas. 5. Impressão e Pintura: deve-se usar tintas especiais, com tratamento prévio da superfície (flambagem com o objetivo de formar carbonilas nas superfícies no caso de polímeros apolares).