










Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Material complementar de metodologias ativas
Tipologia: Exercícios
1 / 18
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!











Fabricio Luís Lovato Angela Michelotti Cristiane Brandão da Silva Elgion Lucio da Silva Loretto
RESuMO Historicamente, os métodos tradicionais de ensino viram o professor como uma figura de autoridade sobre o aluno. Contudo, mudanças sociais têm levado a mudanças de percepção no processo de ensino-aprendizagem, levando ao surgimento das chamadas ‘metodologias ativas de aprendizagem’. Nessas metodologias, o aluno torna-se o protagonista central. Suas aplicações permitem o desenvolvimento de novas competências, como a iniciativa, a criatividade, a criticidade reflexiva, a capacidade de autoavaliação e a cooperação para se trabalhar em equipe. O professor atua como orientador, supervisor e facilitador do processo. O presente artigo objetiva ser uma breve revisão, apresentando o histórico, fundamentos e classificações das metodologias ativas de aprendizagem. Também propomos uma categorização de tais métodos nas aprendizagens colaborativas e cooperativas. O uso de metodologias ativas se mostra uma maneira alternativa de buscar o interesse e a motivação dos alunos deste século XXI. Palavras-chave: Metodologias Ativas de Aprendizagem. Processo de Ensino-Aprendizagem. Colaboração. Cooperação.
ABSTRACT Historically, traditional teaching methods have seen the teacher as a figure of authority over the student. However, the social changes have leading to perceptual shift in the teaching-learning process, promoting the emergence of the so-called ‘active learning methodologies’. In these
Fa bricio Luís Lovato é Mestre em Bioquímica Toxicológica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutorando em Educação em Ciências pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é professor no Colégio Adventista de Santa Maria. Endereço para correspondência: Rua Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, 650-401, 97105-090. Santa Maria/RS. E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8900- Angela Michelotti é Mestranda em Educação em Ciências pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Endereço para correspondência: Três Vendas, interior, 97200-000. Restinga Seca/RS. E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5445- Cristiane Brandão da Silva é Mestra em Educação em Ciências pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutoranda pelo mesmo programa. Atualmente é professora nas Escolas Edna May e Cilon Rosa, em Santa Maria/RS. Endereço para correspondência: Rua Coronel Niederauer, 747-303, 97105-121. Santa Maria/ RS. E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4028-498X Élgion Lucio da Silva Loreto é Doutor em Genética e Biologia Molecular, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Porto Alegre, RS. Coordenador do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Santa Maria, RS. Endereço para correspondência: Avenida Roraima, 1000, Cidade Universitária, Bairro Camobi, 97105-900, Departamento de Biologia – Santa Maria, RS. E-mail: [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7586- Recebido para publicação em 29 dez. 2018. Aceito, após revisão, em 19 abr. 2018.
Acta Scientiae Canoas v.20 n.2 p.154-171 mar./abr. 2018
methodologies, the student becomes the central protagonist. Its applications allow the development of new skills, such as initiative, creativity, reflexive criticism, self-assessment ability and cooperation in teamwork. The teacher acts as advisor, supervisor and facilitator of the process. This article aims to be a brief review, presenting the background, fundamentals and classifications of active learning methodologies. We also propose a categorization of such methods in collaborative and cooperative learnings The use of active methodologies is an alternative way of seeking the interest and motivation of the students of this 21st century. Keywords: Active Learning Methodologies. Teaching-Learning Process. Collaboration. Cooperation.
Freiberger e Berbel (2010) apontam que o desenvolvimento de competências e habilidades nos estudantes, em uma sociedade cada vez mais complexa, é uma responsabilidade da escola. Porém, os professores têm sentido no passar das últimas décadas um aumento no desinteresse dos alunos pelos conteúdos apresentados e uma perda no reconhecimento de sua autoridade. A mera transmissão de informações não mais caracteriza um processo eficiente de ensino-aprendizagem (Santos & Soares, 2011).
É a alfabetização científica da população de um país que possibilita o seu desenvolvimento sustentável e harmonioso e a inclusão no mundo globalizado. O Program for International Student Assesment (Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA) é uma avaliação da UNESCO que aplica provas de Leitura, Matemática e Ciências. Ela não valoriza conteúdos memorizados, mas sim as capacidades de raciocínio e se os indivíduos são capazes de continuar aprendendo durante suas vidas. Contudo, o Brasil tem apresentado um desempenho muito abaixo da média dos países da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que aponta a necessidade de melhorias em seu ensino de ciências (Rocha & Soares, 2005).
Muitos professores imaginam que toda aprendizagem é inerentemente ativa. Consideram que, enquanto o aluno participa assistindo uma aula expositiva, ele está ativamente envolvido. Contudo, pesquisas da ciência cognitiva apontam que os alunos devem fazer algo mais do que simplesmente ouvir para que a aprendizagem seja efetiva (Meyers & Jones, 1993).
Em relação às estratégias utilizadas, o contexto educacional que vivemos na atualidade pode ser caracterizado como um mosaico. Enquanto alguns professores ainda utilizam métodos tradicionais como as aulas expositivas, o quadro-negro, o giz e o livro-didático, outros utilizam práticas pedagógicas inovadoras e diversificadas (Antunes, 2014).
O contexto social em que nos encontramos, nunca antes presenciado na história humana, é o da era tecnológica: a informação está à disposição dos sujeitos em velocidades cada vez mais rápidas, vinculadas no momento dos fatos por meios cada vez mais
originalidade e da cooperação. O movimento da Escola Nova, que se fortaleceu com seus seguidores, era focado no aluno, demandando metodologias ativas e criativas (Dewey, 1952; 1953; 1958; 1959).
Aprender é próprio do aluno: só ele aprende, e por si; portanto, a iniciativa lhe cabe. O professor é um guia, um diretor; pilota a embarcação, mas a energia propulsora deve partir dos que aprendem. (Dewey, 1979a, p.43)
O ato de pensar por parte do aluno, mobilizado diante de um problema, ocorreria em cinco etapas: a percepção de uma dificuldade, a análise dessa dificuldade, as alternativas para sua solução, a experimentação de várias tentativas até a aprovação mental de uma delas e a ação como a prova final para a ação proposta, sendo verificada de maneira científica (Gadotti, 2005).
O único caminho direto para o aperfeiçoamento duradouro dos métodos de ensinar e aprender consiste em centralizá-los nas condições que estimulam, promovem e põem em prova a reflexão e o pensamento. Pensar é o método de se aprender inteligentemente, de aprender aquilo que se utiliza e recompensa o espírito. (Dewey, 1959, p.167)
No século XX, a educação é o resultado de um processo que passa por diversos pensadores, os quais discutem os modelos de ensino e destacam a necessidade de autonomia do estudante. Podemos destacar as ideias de aprendizagem pelo condicionamento de Montessori, a aprendizagem por experiência de Frenet, as teorias de aprendizagem de Piaget e Vygotsky, a aprendizagem significativa de David Ausubel, a crítica ao modelo de educação bancária de Paulo Freire e o construtivismo do francês Michael Foucault (Farias, Martin & Cristo, 2015).
Um marco de nosso momento histórico é a introdução das tecnologias móveis, capazes de flexibilizar os encontros presenciais. Essa hibridização tem sido utilizada para a execução de problemas e projetos, em metodologias como a Peer Instruction , a Project-Based Learning e a Team-Based Learning , apresentadas logo mais nesse artigo (Morán, 2015).
O que constituem as chamadas ‘metodologias ativas de aprendizagem’? Elas são metodologias nas quais o aluno é o protagonista central, enquanto os professores são mediadores ou facilitadores do processo. O professor e o livro didático não são mais os meios exclusivos do saber em sala de aula (Pereira, 2012). O aluno é instigado a participar da aula, por trabalhos em grupo ou discussão de problemas. Ele é assim retirado de
uma posição cômoda, puramente receptora de informações, para um contexto em que poderá desenvolver novas competências, se tornando o centro do processo de ensino- aprendizagem (Borges & Alencar, 2014). Mitre et al. (2008) destacam algumas destas: a iniciativa, a criatividade, a criticidade reflexiva, a capacidade de autoavaliação, cooperação para se trabalhar em equipe, responsabilidade, ética e a sensibilidade na assistência.
O ensino através de projetos e da solução de problemas podem ser considerados exemplos de metodologias ativas (Barbosa & Moura, 2013). O aluno é desafiado a realizar tarefas mentais de alto nível, como análise, síntese e avaliação. Assim, Bonwell e Eison (1991) definem essas estratégias de aprendizagem como aquelas em que ao mesmo tempo em que o aluno faz alguma coisa, ele pensa sobre as coisas que está fazendo.
Tornar os alunos responsáveis pela própria aprendizagem implica que eles deverão desempenhar uma série de tarefas. Woods (1994) elenca as seguintes: a) explorar o problema, levantar hipóteses, identificar e elaborar as questões de investigação; b) tentar solucionar o problema com o que se sabe; c) identificar o que não se sabe e o que é preciso saber para solucionar o problema; d) priorizar as necessidades de aprendizagem, estabelecer metas e objetivos de aprendizagem e alocar recursos de modo, a saber, o que, quanto e quando é esperado e, para a equipe, determinar as tarefas individuais; e) planejar, delegar responsabilidades para o estudo autônomo da equipe; f) compartilhar o novo conhecimento para que todos os membros aprendam os conhecimentos pesquisados pela equipe; f) aplicar o conhecimento para solucionar o problema; e g) avaliar o novo conhecimento, a solução do problema e a eficácia do processo utilizado, refletindo sobre o processo.
Segundo Barbosa e Moura (2013), a aprendizagem ativa ocorre por meio da interação do aluno com o assunto estudado, ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando, sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo passivamente. Aplicar os aprendizados em contextos diferentes daqueles em que foram obtidos exigirá mais do que simples decoração ou solução mecânica de exercícios. Exigirá o domínio de conceitos, flexibilidade de raciocínio e capacidades de análise e abstração (Micotti, 1999). Ao realizar tais reflexões, o aluno terá uma maior clareza sobre o conteúdo. Futuramente, esse conhecimento construído não precisará ser retomado, apenas relembrado (Zabala, 2001).
Além da educação básica, essas metodologias têm sido amplamente divulgadas em universidades do exterior e implantadas em instituições do Brasil (Pereira, 2012). A sua utilização induz a que os alunos se interessem mais pelas aulas, pois por meio dessa abordagem, sua curiosidade é despertada devido à utilização de situações de seu cotidiano, trazendo novas descobertas construídas a partir de informações já disponíveis ao aluno (Borges & Alencar, 2014).
Qual é então o papel do professor nesse processo? Ele é visto como um parceiro, sendo corresponsável com os alunos, planejando o curso juntos e utilizando técnicas que favoreçam a participação (Masetto, 2003). Contudo, é importante que os professores saibam quais competências e habilidades pretendem que sejam desenvolvidas no aluno.
aprendizagem colaborativa não existem relações hierárquicas. Os membros do grupo são capazes de ouvir, dividir ideias e trabalhar em conjunto, possibilitando uma interação entre eles (Kemczinski, Marek, Hounsell & Gasparini, 2007).
Pode-se dizer que no processo de cooperação o professor possui mais papeis a desempenhar, pois o trabalho é controlado e organizado por ele, enquanto no processo colaborativo o processo é mais aberto e o aluno se torna mais ativo (Torres & Irala, 2007; Melim, 2014). Pode-se perceber também que há uma subordinação da colaboração à cooperação, uma vez que o trabalho colaborativo depende da cooperação entre os sujeitos do grupo (Torres, Alcântara & Irala, 2004), mas o contrário não se aplica (Kemczinski, Marek, Hounsell & Gasparini, 2007). Em ambas as categorias, o problema a ser estudado é apresentado pelo professor aos alunos, e estes devem resolvê-lo de forma ativa, interagindo com seus colegas, descobrindo a melhor maneira de abordar o tema proposto.
As metodologias ativas têm o potencial de despertar a curiosidade, à medida que os alunos se inserem na teorização e trazem elementos novos, ainda não considerados nas aulas ou na própria perspectiva do professor. (Berbel, 2011, p.28)
Ao longo dos anos foram sendo elaboradas diversas formas de metodologias ativas, as quais muitas vezes são confundidas devido às suas similaridades. No decorrer desta pesquisa, deparamo-nos com a falta de uma classificação que conseguisse situar claramente estas metodologias ativas em relação à categorização de aprendizagens colaborativas e aprendizagens cooperativas. No Quadro 1, apresentamos nossa classificação em acordo com os estudos bibliográficos em relação a ambos os tipos de aprendizagem.
Quadro 1. Classificação das metodologias ativas de acordo com os processos de aprendizagens colaborativas e cooperativas
Classificação das metodologias ativas
Aprendizagem^ Colaborativa
Aprendizagem Baseada em Problemas ( Problem-Based Learning – PBL ) Problematização Aprendizagem Baseada em Projetos ( Project-Based Learning ) Aprendizagem Baseada em Times ( Team-Based Learning – TBL ) Instrução por Pares ( Peer-Instruction ) Sala de Aula Invertida ( Flipped Classroom )
Aprendizagem^ Cooperativa
(^) Jigsaw
Divisão dos Alunos em Equipes para o Sucesso (Student-Teams-Achievement Divisions – STAD) Torneios de Jogos em Equipes ( Teams-Games-Tournament – TGT )
Realizada esta classificação inicial, apresentamos a seguir a explanação de cada metodologia ativa de aprendizagem citada, descrevendo como cada uma se apresenta e é realizada no ambiente escolar.
A metodologia conhecida como Aprendizagem Baseada em Problemas surgiu no final dos anos 60, na McMaster University Medical School, no Canadá, inspirado no método de estudos de caso da escola de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (Schmidt, 1993). O PBL foi sendo reconhecido como uma abordagem que gera benefícios, e acabou ganhando ênfase em outras áreas, como Enfermagem, Engenharia, Serviço Social, Direito, Negócios e Economia (Stanley & Marsden, 2012).
O processo de Aprendizagem Baseada em Problemas pode ser resumido no seguinte conjunto de procedimentos: a) os alunos são apresentados a algum problema e, em grupo, organizam suas ideias, tentam definir o problema e solucioná-lo com seus conhecimentos prévios; b) após discutirem, levantam questionamentos de aprendizagem sobre os aspectos do problema que não compreendem; c) planejam sobre os modos (quem, quando, como e onde) estas questões serão investigadas; d) em um reencontro, exploram as questões anteriores, fazendo uso de seus novos conhecimentos obtidos para a resolução do problema; e e) ao final do trabalho com o problema, os alunos avaliam o processo, a si mesmos e a seus colegas, uma competência necessária para uma aprendizagem autônoma (Barrows & Tamblyn, 1980).
No enfoque pedagógico, o PBL é percebido como uma metodologia fundamentada na Pedagogia Construtivista. Utilizando-se de problemas reais como ponto de partida, o diálogo entre os participantes do grupo é direcionado para a resolução de problemas propostos pelo professor (Tan, 2003). É autodirigido, pois os alunos assumem a responsabilidade individual e colaborativa para levantar e solucionar as questões e pelas avaliações. É autorreflexivo, pois os alunos monitoram sua compreensão e ajustam as estratégias para a aprendizagem (Hung, Jonassen & Liu, 2008).
O professor é um facilitador, apoiando e modelando os processos de raciocínio, sondando o conhecimento dos alunos e nunca fornecendo respostas diretas às questões (Hung, Jonassen & Liu, 2008). Ele utiliza um problema para iniciar, direcionar, motivar e focar o aluno. A abordagem também lhe traz vantagens, pois diversas vezes o próprio professor aprende ao longo do curso (Silva, Kuri & Casale, 2012).
A metodologia da problematização é comparável à Aprendizagem Baseada em Problemas, pois em algumas abordagens de ensino apresenta similaridades com o mesmo (Oliveira, 2015). As duas abordagens apresentam os problemas como um dos pontos
Em meados dos anos 1900, a metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos foi desenvolvida por John Dewey (1859-1952), que defendeu a capacidade de pensar dos alunos “mediante o aprender a fazer”. Dewey valorizou, questionou e contextualizou como estes alunos seriam capazes de adquirir conhecimentos através de situações- problema apresentadas em forma de projetos que envolveriam o conteúdo curricular, e que os educandos se desenvolvessem no aspecto físico, emocional e intelectual, através desta metodologia experimental (Dewey, 1958, 1959; Masson, Miranda, Munhoz Jr. & Castanheira, 2012).
A metodologia da Aprendizagem Baseada em Projetos envolve os alunos na obtenção de informações e competências através da busca da resolução de problemas complexos, autênticos, os quais são planejados em busca de uma aprendizagem eficiente e dinâmica, em que o aluno é ativo na construção do seu conhecimento (Dewey, 1958; 1959; Masson, Miranda, Munhoz Jr. & Castanheira, 2012).
A natureza do problema a resolver determina o objetivo do pensamento e este objetivo orienta o processo do ato de pensar. (Dewey, 1979a, p.63)
Adquirir autonomia sobre seus interesses e habilidades permite que o aluno procure, pesquise sobre o tema a ser abordado pelo projeto e perceba que vale apena aprender (Helm & Katz, 2001; Moursund, 1998).
De acordo com Moura e Barbosa (2012), as seguintes diretrizes são algumas das que têm sido indicadas pelas experiências para o desenvolvimento de um projeto de aprendizagem: a) grupos de trabalho com número reduzido de participantes (4 – 6 alunos); b) definição de prazos (2 – 4 meses); c) definição de temas por meio da negociação entre aluno e professor, levando em conta interesses e objetivos didáticos; d) uso de múltiplos recursos, incluindo aqueles que os próprios alunos podem providenciar dentro ou fora do ambiente escolar; e) socialização dos resultados dos projetos em diversos níveis, como a sala de aula, a escola e a comunidade.
Segundo esses mesmos autores, os projetos podem ser classificados em três categorias:
Projeto construtivo : seu objetivo é construir algo novo, introduzindo alguma inovação, propondo uma solução nova para um problema ou situação.
Projeto investigativo : seu objetivo é o desenvolvimento de pesquisa sobre uma questão ou situação, empregando-se o método científico.
Projeto didático (ou explicativo) : procura responder questões do tipo: “Como funciona? Para que serve? Como foi construído?” Busca explicar, ilustrar ou revelar os princípios científicos de funcionamento de objetos, mecanismos, sistemas etc.
Neste método colaborativo, a turma é dividida em grupos de 5 a 8 estudantes, procurando manter-se a heterogeneidade entre os grupos. A composição das equipes deve ser mantida constante ao longo do desenvolvimento do curso. Pode-se realizar a leitura de um artigo de revisão sobre o tema a ser tratado. O tema a ser discutido pode já ter sido abordado em outras aulas e disciplinas ou um ser um tema inédito, valorizando-se o conhecimento prévio dos estudantes (Ravindranath, Gay & Riba, 2010). A aprendizagem é favorecida por meio da interação do grupo. Após as questões levantadas serem discutidas dentro dos grupos, as respostas são apresentadas à classe, revisando assim os principais pontos do assunto (Ravindranath, Gay & Riba, 2010). O método vai além de cobrir o conteúdo, pois possibilita o uso de conceitos do curso para a resolução de problemas. Assim, é capaz de fornecer aos participantes conhecimentos tanto conceituais quanto processuais (Michaelsen & Sweet, 2008).
Essa metodologia colaborativa, desenvolvida pelo professor Eric Mazur da Universidade de Harvard, tem como objetivo o envolvimento de todos os alunos durante a aula, promovendo atividades em que eles são estimulados a aplicar os conceitos discutidos naquele momento, enquanto os explicam para os seus colegas. Os pares agem como mediadores do processo de aprendizagem, assumindo a responsabilidade pelo ensino do colega (Crouch & Mazur, 2001). Os alunos são incentivados a encontrar alguém com respostas diferentes. O professor circula pela sala, incentivando discussões produtivas e conduzindo o pensamento dos estudantes. Ao final, o professor explica a resposta correta e pode apresentar outra questão ou passar para um tópico diferente (Watkins & Mazur, 2010).
Em 1993, Alison King publicou o artigo “From Sage on the Stage to Guide on the Side” , onde ela destacava a importância de se utilizar o tempo de aula para o processamento de informações, reconstruindo-as de maneiras novas e pessoalmente significativas, ao invés de para a sua mera transmissão. Apesar de não tratar diretamente do conceito de uma “inversão” da sala de aula, o seu trabalho é frequentemente citado como um ímpeto para o surgimento dessa metodologia (King, 1993).
A Sala de Aula Invertida foi desenvolvida em escolas do ensino médio americano, por professores que precisaram criar estratégias diferenciadas para atender a alunos que se ausentavam por longos períodos de tempo das aulas regulares para jogos, pois muitos eram atletas. Os professores passaram então a gravar as aulas e a postá-las no ambiente
integrante, introduzindo um fator de responsabilidade individual. Assim, no sentido de melhorar as prestações de cada elemento e possibilitar o sucesso do grupo, são estabelecidas relações de entreajuda, de forma a garantir que todos tenham um bom desempenho em situações de avaliação individual. Todos os elementos podem contribuir para o sucesso do seu grupo, sendo cada participante importante e indispensável (Andrade, 2011).
Os alunos são organizados em grupos, nos quais se ajudam nas atividades sugeridas pelo professor. O objetivo central é a aprendizagem do conteúdo, centralizada nos conceitos básicos. Os grupos realizam atividades elaboradas pelo professor e posteriormente são avaliados pelo mesmo através de minitestes individuais, os quais permitem avaliar o rendimento do trabalho em grupo. Os grupos que apresentarem melhores resultados são premiados (Slavin, 1994).
Nesta técnica todos os alunos se beneficiam. Andrade (2011) afirma que o método STAD é utilizado com alunos portadores de necessidades educacionais especiais, onde se verificam resultados positivos no aproveitamento escolar, no comportamento e na relação com os colegas em classe.
O método TGT foi desenvolvido por David Devries e Keith Edwards, em 1972, na Universidade Johns Hopkins. DeVries, Mescon e Shackman (1975) afirmam que a metodologia está compreendida na técnica cooperativa.
As equipes são formadas de forma heterogênea nas dimensões de habilidade, sexo e etnia, competindo com integrantes de outra equipe em mesas de torneios (DeVries, Mescon & Shackman, 1975). A equipe que obtiver maior desempenho é recompensada (Salam, Hossain & Rahman, 2015).
Com esta técnica, os colegas se ajudam mutuamente, proporcionando aos alunos de baixo rendimento oportunidades iguais de sucesso. Aos alunos adquirirem conceitos e competências dos temas abordados, com sucesso, eles ganham os jogos, mediante a maior pontuação (DeVries, Mescon & Shackman, 1975). O TGT é semelhante ao STAD, no entanto membros de diferentes times competem entre si em testes de desempenho acadêmico. Os pontos obtidos pelos indivíduos são contabilizados para o grupo (Slavin, 1994).
Os torneios de jogos são baseados em jogos de perguntas e respostas, sendo utilizadas questões de múltipla escolha, verdadeiro ou falso, ou outros tipos de questões objetivas. O professor não pode ajudar os alunos durante os torneios (DeVries, Mescon & Shackman, 1975).
Um dos fatores que conduzem à reduzida motivação dos alunos em seguirem carreiras na área das Ciências é o ensino pouco significativo e atrativo durante a educação básica. Dados do Programa Internacional para a Avaliação de Alunos (PISA) a respeito do nível de proficiência de alunos brasileiros, em uma escala de 0 a 6, não atingem o nível 1, o que aponta a ausência de competências científicas mínimas para realizar as tarefas mais simples (Waiselfisz, 2009).
Para mudar tal situação, o ato de aprender precisa tornar-se um processo reconstrutivo, que permita ao estudante estabelecer diferentes relações entre fatos e objetos, produzindo ressignificações e reconstruções e contribuindo para a sua aplicação em diferentes contextos (Demo, 2004). O uso de metodologias ativas no ensino e aprendizado dos alunos se mostra uma maneira alternativa de buscar o interesse e a motivação dos alunos deste século XXI. As metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos, portanto, se buscamos a formação de alunos capazes de estabelecer diferentes interações tecnológicas e sociais, precisamos estabelecer práticas que conduzam a esse caminho.
Esse artigo teve como propósito apresentar as metodologias ativas como ferramentas úteis para os agentes envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, levando em consideração seu histórico e fundamentos. Também apresentamos as principais propostas já desenvolvidas, categorizando-as dentro das aprendizagens de cunho cooperativo ou colaborativo.
Não foi nossa intensão destacar algum método como superior ou mais adequado do que outro. Cada professor deve escolher o que melhor se adapte às suas necessidades e circunstâncias, considerando as características de seu grupo de alunos, a área curricular e a atividade a ser trabalhada, escolhendo o que melhor pode favorecer a aprendizagem.
Conforme Morán (2015), as metodologias ativas “são pontos de partida para avançar para processos mais avançados de reflexão, de integração cognitiva, de generalização, de reelaboração de novas práticas”. E complementa que “a melhor forma de aprender é combinando equilibradamente atividades, desafios e informação contextualizada.”
Ajello, A. M. (2005) Professores e Discussões : Formação e Prática Pedagógica. In: Pontecorvo, C., Ajello, A. M., & Zucchermaglio, C. Discutindo se Aprende: Interação Social, Conhecimento e Escola. Porto Alegre, RS: Artmed. Andrade, C. N. R. (2011) Aprendizagem Cooperativa: Estudo com alunos do 3.º CEB (227 f.). Dissertação de Mestrado, Ensino das Ciências, Escola Superior de Educação de Bragança, Bragança, Portugal. Antunes, C. (2014) Professores e Professauros: Reflexões Sobre a Aula e Práticas Pedagógicas Diversas. Petrópolis: Vozes. Ariès, P. (2006) História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: LTC. Aronson, E. (1978) The Jigsaw Classroom. Beverly Hills: Sage Publications.
Freiberger, R. M., & Berbel, N. A. N. (2010) A importância da pesquisa como princípio educativo na atuação pedagógica de professores de educação infantil e ensino fundamental. Cadernos de Educação , 37 , 207-245. Gadotti, M. (2005) História das Ideias Pedagógicas. São Paulo, SP: Editora Ática. Helm, J. H., & Katz, L. G. (2001) Young Investigators: The Project Approach in the Early Years. New York: Teachers College Press. Hung, W., Jonassen, D. H., & Liu, R. (2008) Problem-Based Learning. In: Spector, M., Merril, M. D., & Bishop, M. J. (eds.). Handbook of Research on Educational Communications and Technology. New York: Lawrence Erlbaum Associates. Kemczinski, A., Marek, J., Hounsell, M. S., & Gasparini, I. (2007) Colaboração e cooperação – pertinência, concorrência ou complementaridade. Revista Produção Online , 7 (3), 1-15. King, A. (1993) From Sage on the Stage to Guide on the Side. College Teaching , 41 (1), 30-35. Lopes, J., Silva, H. (2010) O Professor Faz a Diferença. Na aprendizagem dos alunos. Na realização escolar dos alunos. No sucesso dos alunos. Lisboa: LIDEL. Marin, M. J. S., Lima, E. F. G., Matsuyama, D. T., Silva, L. K. D., Gonzales, C., Deuzian, S., & Ilias, M. (2010) Aspectos das fortalezas e fragilidades no uso das Metodologias Ativas de Aprendizagem. Revista Brasileira de Educação Médica , 34 (1), 13-20. Masetto, M. T. (2003) Competência Pedagógica do Professor Universitário. São Paulo, SP: Summus. Masson, T. J., Miranda, L. F., Munhoz Jr., A. H., & Castanheira, A. M. P. (2012) Metodologia de Ensino: Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL). Anais do COBENGE
- XL Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia , Belém, 1-10. McInnerney, J. M., & Roberts, T. S. (2004) Collaborative or cooperative learning_?_ In: T. S. Roberts (ed). Online Collaborative Learning : Theory and Practice. Hershey: IGI Global. Melim, L. M. C. (2014) Desenvolvimento e avaliação de estratégias cooperativas de ensino de Biociências para alunos de baixa renda (138 f.). Tese de Doutorado, Ciências, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Meyers, C., & Jones, T. B. (1993) Promoting Active Learning. San Francisco: Jossey Bass. Michaelsen, L. K., & Sweet, M. (2008) The Essential Elements of Team-Based Learning. New Directions for Teaching and Learning. Special Issue: Team-Based Learning: Small Group Learning’s Next Big Step , 2008 (116), 7-27. Micotti, M. C. O. (1999) O ensino e as propostas pedagógicas. In: Bicudo, M. A. V. (org.). Pesquisa em Educação Matemática : Concepções & Perspectivas. São Paulo, SP: Editora UNESP. Mitre, S. M., Siqueira-Batista, R., Girardi-de-Mendonça, J. M., Morais-Pinto, N. M. de, Meirelles, C. A. B., Pinto-Porto, C., Moreira, T., & Hoffmann, L. M. A. (2008) Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciência & Saúde Coletiva , 3 (2), 2133-2144. Mizukami, M. G. N. (1986) Ensino : as abordagens do processo. São Paulo: E.P.U.
Morán, J. M. (2015) Mudando a educação com metodologias ativas. In: Souza, C. A., & Torres-Morales, O. E. (orgs.). Convergências midiáticas, educação e cidadania: aproximações jovens. Ponta Grossa, PR: UEPG. Moursund, D. (1998) Project-Based Learning in an Information Technology Environment. Learning and Leading with Technology , 25 (8), 4-5. Nagai, W. A., & Izeki, C. A. (2013) Relato de experiência com metodologia ativa de aprendizagem em uma disciplina de programação básica com ingressantes dos cursos de Engenharia da Computação, Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Elétrica. Revista RETEC , 4 , 1-10. Newmann, F. M., & Thompson, J. A. (1987) Effects of cooperative learning on achievement in secondary schools: A summary of research. Madison: National Center on Effective Secondary Schools, University of Wisconsin. Oliveira, R. M. (2015) Problem Based Learning como estratégia de ensino: diagnóstico para a aplicabilidade no Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Paraná (162 f.). Dissertação de Mestrado, Contabilidade, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil. Pereira, R. (2012) Método Ativo: Técnicas de Problematização da Realidade aplicada à Educação Básica e ao Ensino Superior. Anais do VI Colóquio Internacional “Educação e Contemporaneidade” , São Cristóvão, 1-15. Ravindranath, D., Gay, T. L., & Riba, M. B. (2010) Trainees as teachers in team-based learning. Academic Psychiatry , 34 (4), 294-297. Rocha, J. B. T., & Soares, F. A. (2005) O ensino de ciências para além do muro do construtivismo. Ciência e Cultura , 57 (4), 26-27. Salam, A., Hossain, A., & Rahman, S. (2015) Effects of using Teams-Games-Tournaments (TGT) Cooperative Technique for Learning Mathematics in Secondary Schools of Bangladesh. Malaysian Online Journal of Educational Technology , 3 (3), 35-45. Santos, C. P., & Soares, S. R. (2011) Aprendizagem e relação professor-aluno na universidade: duas faces da mesma moeda. Estudos em Avaliação Educacional , 22 (49), 353-370. Schmidt, H. G. (1993) Foundations of problem-based learning: some explanatory notes. Medical Education, 27 (5), 422-432. Schneider, E. I., Suhr, I. R. F., Rolon, V. E. K., & Almeida, C. M. (2013) Sala de Aula Invertida em EAD: uma proposta de Blended Learning. Revista Intersaberes , 8 (16), 68-81. Silva, A. N. R., Kuri, N. P., & Casale, A. (2012) PBL and B-Learning for Civil Engineering Students in a Transportation Course. Journal of Professional Issues in Engineering Education and Practice , 138 (4), 305-313. Slavin, R. E. (1994) Using Student Team Learning. Baltimore: Johns Hopkins University, Center for Social Organization of Schools.v Slavin, R. E. (1989) Cooperative learning and student achievement. In: Slavin, R. E. (ed.). School and classroom organization. New Jersey: Lawrence Erlbaum. Stanley, T., & Marsden, S. (2012) Problem-based learning: Does accounting education need it? Jornal of Accounting Education , 30 (3-4), 267-289.