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Trabalhado apresentando na disciplina Informação e Memória Social.
Tipologia: Trabalhos
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Por Janaína Vieira de Freitas
Porto Alegre, Novembro de 2010
Memória
Impressões, imagens que construímos do mundo Impressas no papel ou nas retinas, como lembranças de um momento infinito.
Impressões, lugar onde se concentram os olhares, a história minuciosa dos detalhes, fotografia colorida de emoções. Leonardo Schabbach
I – Memória, emoções e sentimentos
Algumas pessoas costumam guardar (e eu incluo-me nesse grupo) caixas ou cadernos com todos os tipos de lembranças: fotos, cartões, embalagens de presente, ingressos, convites entre outras infinitas possibilidades. Essas coisas são especialmente preservadas, por sua importância, e o que essa específica lembrança representa ao seu dono. O cérebro humano também funciona dessa forma: guardamos as memórias mais importantes ou representativas, enquanto podemos esquecer com facilidade de acontecimentos do dia anterior. Kristof Pomian (2000, p. 507), afirma que “toda a memória é em primeiro lugar uma faculdade de conservar os vestígios do que pertence já em si a uma época passada.”, porém nem todas as memórias ficam vívidas em nossa mente. No âmbito neurofisiológico, elas formam-se através das conexões entre os neurônios (sinapses), que ao deixarem de ser usados, acabam por atrofiarem-se e condenar ao esquecimento as lembranças a eles relacionadas. A memória pode ser dividida em três tipos: as de longa duração, as de curta duração (de dias ou horas atrás) e a operacional (dura de acordo com o tempo necessário que é preciso reter a informação). Também podemos separá-la em memória explicita; adquirida conscientemente, e a memória implícita ou não declarativa, ações como a fala e habilidades motoras. É esse tipo de memória que permanece em casos de amnésia. O neurocientista, Ivan Izquierdo, possui vasta obra dedicada à memória e seus pormenores, e afirma que o esquecimento é parte da memória, afora a amnésia (causada pela morte de neurônios ou
traumas causados ao cérebro) ainda as lembranças podem ser bloqueadas de forma que não se tornem permanentes, ou esquecidas devido ao estado emocional da pessoa, além de reprimidas (consciente ou inconscientemente) ou completamente extintas. Outro fator determinante da memória são as emoções, um sentimento positivo pode transformar um acontecimento comum em uma lembrança gratificante, bem como ao contrário, as lembranças são negativas se os sentimentos assim o forem. As emoções são a parte pública das ações do seres humanos, são facilmente percebidas na voz, expressões e atos, já a parte privada são os sentimentos. Não temos acesso ao sentimento do outro, são imagens mentais disponíveis apenas ao seu proprietário e invisíveis aos outros. As emoções ocorrem no corpo enquanto os sentimentos acontecem na mente. Existem três categorias de emoções, as de fundo, primárias e sociais. A primeira percebe-se por detalhes sutis, como postura do corpo e intensidade dos movimentos, são: tensão, bem estar, irritação, desânimo entre outras, que podem serem causadas por esforço físico ou stress. As emoções primárias, as básicas como alegria, tristeza, nojo e medo. E as emoções sociais, inatas ou socialmente aprendidas, são emoções como vergonha, culpa, admiração, simpatia e desprezo. As emoções são respostas á estímulos, causados por objetos, presenças ou lembranças. Damásio (2004, p. 92) definiu sentimento como “(...) uma percepção de um certo estado do corpo, acompanhado pela percepção de pensamentos com certos temas e pela percepção de um certo modo de pensar” e ainda acrescentou que:
Um sentimento de emoção é uma idéia do corpo quando esse é perturbado pelo processo emocional, ou seja, quando um Estímulo Emocionalmente Competente (EEC) desencadeia uma emoção. (DAMÁSIO, 2004, p. 95)
O rosto magro e os olhos grandes Os dentes da frente tortos, escondidos por um sorriso a lá Monalisa A perseverante benevolência Quero-te, eu penso, e como eu peno por te quer
Se te vejo agora não é diferente? O retrato na parede me provoca Engana-me, desbota, entorta
Quanto tempo faz? E que diferença faz se são semanas, dias ou segundos A espera alterna expectativa e apreensão A espera altera os contornos da paixão
Mas que mentira, já não é mais como eu lembrava O que eu amei em você que agora já não amo? Os preciosos detalhes cruelmente misturados Pelas impressões de tempos atrás As perfeitas lembranças? Uma farsa
O que dizem sobre amores que duram para sempre? Esse durou o quanto durou uma fotografia Traí-me Já não faz mais sentido Arranco o esmaecido da parede.
Em branco
Desespero-me, por minutos esqueci-me do teu rosto Concentro-me, recordo-me Desespero-me novamente, e o som da tua voz como é? Busco nos arquivos da memória, sons graves, sons roucos Sons baixos, sons agudos me enganam Não acho, não lembro
Tento pensar no teu cheiro Esse é fácil, já o senti por aí, perfume E caio em mim porque esse não era o teu cheiro real
E a cor de seus olhos? Verdes? Castanhos? Perco-me no mundo dos tons e seus derivados Nunca acerto a cor, e se acerto não noto
Sento-me, respiro fundo Ah sim, teus beijos, ninguém os tirou de mim Por exceção da memória, que aniquila as mínimas partes Nossas línguas se encontraram no passado Lembro-me de achar que tinha gosto de chocolate Mas não tinha
Sorrio se ainda puder esquecer E depois ainda me lembrar Das linhas que traçavam as maças do teu rosto
Das espessas sobrancelhas que faziam duplas Com os teus olhos coloridos Dos cabelos negros que acariciavam tua nuca perfumada Do rubor dos teus lábios ao encontrarem os meus
Outro tipo de memória Essa eu guardei no coração
III Finalizando
Não há como separar a memória da emoção e sentimento. Cada recordação está ligada a um punhado de sentimentos que duram e perduram. No final, o que resta são as memórias, os sentimentos, é o que um dia te definiu e o que ainda vai te definir, um mosaico de imagens, de representações da nossa percepção de tudo e do mundo.